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Luciano Pires -

Então… esta semana completo 64 anos de idade, cara! Sessenta e quatro. Olhar pra trás pra contemplar a jornada ainda não faz parte da minha rotina. Estou olhando pra frente, acelerando e tentando entender o que é essa coisa de “ficar velho”. Quem está mudando mais, hein? O mundo ou eu?

Vamos nessa?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

“Oi Luciano. Aqui é Fernanda Bragato, falo de Hidrolândia, Goiás. Eu ouço teu podcast há alguns anos e hoje foi a primeira vez que eu fiquei com muita vontade de ter mandar uma mensagem, porque… podemos dizer que eu tive um momento com o episódio que eu acabei de escutar, onde você apresenta a banda Lake Street Dive e quando eu percebi que o episódio ia ser bom pra caramba, eu aumentei o volume dentro do carro e fui curtindo as músicas, a vibe dessa banda que é muito bacana. Eu estava na estrada, na BR 153, reduzi a velocidade, fui deixando os caminhões me ultrapassarem e fui conhecendo o som e a historia dessa banda que você contou pra gente nesse episódio. 

Eu queria te contar, Luciano, que teu podcast tem sido a minha principal companhia nesse período. Eu estou grávida, estou com um barrigão de oito meses e nesse momento em que eu ouvi esse episódio, eu estava indo pra uma consulta obstétrica e há um momento já delicado, por ser uma gestação e mais delicado ainda por ser gestante numa pandemia. E você deve imaginar o tamanho da ansiedade, o tamanho do medo que uma grávida está vivendo nesse momento.

Eu tenho a noção da minha situação privilegiada de poder ficar em casa, de poder me resguardar o máximo possível, mas ainda assim a gente precisa sair, precisa ir ao médico, fazer exames e resolver questões na rua. No entanto, eu tive que desenvolver estratégias pra controlar a ansiedade e ter uma gestação o máximo tranquila que eu pudesse.

E foi aí que eu resolvi não ver as notícias, não acompanhar os números da Covid-19, me afastar um pouco das redes sociais e procurar mais dos conteúros que me fazem bem, dos produtores de conteúdo que tem uma mensagem positiva e você é um deles.

Eu queria te agradecer. Porque ouvir essa banda hoje, foi a melhor coisa que aconteceu no meu dia. Que delícia de música. Que qualidade. E não é só hoje. Eu gostei demais do episódio que você fez sobre o Queen, os episódios musicais, Hotel California. Cara! Que bacana! Obrigada.

Eu quero mesmo mandar essa mensagem só pra te agradecer. Porque você tem sido companhia, teu canal, teu podcast tem sido refresco pra minha mente, ajuda nesse momento de ansiedade, de preocupações e parabéns. Parabéns por ser essa voz que procura o positivo das coisas, que procura sempre retirar a melhor lição do momento que a gente está vivendo. E é isso.

Eu quero te agradecer por salvar a minha quarentena e a do meu bebê. Com certeza ele está muito grato também, porque deve estar bem calminho aqui esperando o momentinho dele nascer. Um beijo pra equipe e obrigada”.

Olha só! Essas foram a Fernanda Bragato e o Benício, que ainda está dentro da barriga dela… lá de Hidrolândia em Goiás. É cara! O comentário da Fernanda me emocionou quando falamos pelo Whatsapp e ela disse assim, ó: você tem um ouvinte dentro da barriga… A gente nunca sabe como o programa vai atingir as pessoas, quem é que está ouvindo, em que condições. E cada vez é uma surpresa diferente.  Existem centenas de camadas nesse depoimento da Fernanda. E eu quero tratar um pouco disso na sequência do programa. Por enquanto, muito, mas muito obrigado viu, Fernanda? Um depoimento sincero como esse seu tem a força daquele acelerador Warp de Jornada nas Estrelas, lembra? Me lança numa dobra espacial, cara!

Grande beijo, e como dizem os velhinhos de 64 anos, tenha uma Boa Hora. Que o Benício, que é nome de homem bom, venha para iluminar suas vidas.

Muito bem. A Fernanda receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar o seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT distribui as marcas Prudence, Sutra e Andalan, contemplando a maior linha de preservativos do mercado, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. A causa da DKT, você já conhece, cara, é reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta e assim ajudando a evitar a gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Ô Lalá, qual recado você tem para um velhinho, hein?

Lalá – Ah, que saudade que eu tinha quando eu usava Prudence

When I’m sixty-four
John Lennon
Paul McCartney

When I get older losing my hair
Many years from now
Will you still be sending me a Valentine?
Birthday greetings bottle of wine
If I’d been out ‘till quarter to three
Would you lock the door?
Will you still need me, will you still feed me
When I’m sixty-four?

You’ll be older too
And if you save the word
I could stay with you

I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone
You can knit a sweater by the fireside
Sunday morning go for a ride
Doing the garden, digging the weeds
Who could ask for more?
Will you still need me, will you still feed me
When I’m sixty-four?

Every summer we can rent a cottage
In the Isle of Wight, if it’s not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera, Chuck and Dave

Send me a postcard, drop me a line
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I’m sixty-four?

Quando eu tiver sessenta e quatro

Quando eu ficar mais velho, perdendo meus cabelos
Daqui a muitos anos
Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados
Saudações no aniversário, garrafas de vinho?
Se eu estiver fora até quinze pras três
Você irá trancar a porta?
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar,
Quando eu estiver com sessenta e quatro?

Você estará mais velha também
E se você disser que
Eu poderia ficar com você.

Eu poderei ser útil, concertando um fusível
Quando suas luzes apagarem
Você poderia me tricotar um suéter perto da lareira
Nas manhãs de domingo iremos dar uma volta
Cuidando do jardim, arrancando as ervas daninhas
O que mais eu poderia querer?
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar,
Quando eu estiver com sessenta e quatro?

Todo verão poderíamos alugar uma cabana
Na Ilha de Wight, se não for caro demais querida
Iremos passar por um aperto e economizar
Netos nos nossos colos
Vera, Chuck & Dave

Mande-me um cartão postal, mande-me um telegrama
Informando o seu ponto de vista
Indique precisamente o que quer dizer
Um “atenciosamente” supérfluo
Me dê uma resposta, preencha no formulário:
“Minha para todo o sempre”
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar,
Quando eu estiver com sessenta e quatro?

Essas são as MonaLisaTwins com When I´m Sixty Four, uma daqueles clássicos que os Beatles lançaram no icônico álbum Sargent Peppers.

Paul McCartney compôs essa canção quanto tinha 15 anos de idade, por volta de 1957, pouco depois de ter se juntado a John Lennon na primeira banda que constituíram juntos, os The Quarry Men. Paul a escreveu pensando em seu pai, que tinha 56 anos de idade, e disse que a idade de aposentadoria na Inglaterra era 65 anos, então talvez tenha pensado em 64 como sendo um bom prelúdio. A canção fala de um jovem sem experiência que tenta conquistar uma jovem.

Ele pergunta se quando ele tiver 64 anos ela ainda mandaria presentes no dia dos namorados, se cuidaria dele. E pinta um quadro de um casal de velhinhos curtindo os netinhos, ela tricotando um suéter perto da lareira… Rarararara… cara, era assim que os moleques viam os velhos de 64 anos em 1957…

When I’m sixty four é uma paródia de coisas antigas, com um leve sentido de gozação. Quando essa canção foi lançada eu tinha 11 anos de idade estava muito longe de compreender do que se tratava. Só em meados dos anos 70 fiquei curioso com essa perspectiva de quando eu tivesse 64 anos.

Platão escreveu muitas coisas interessantes sobre Sócrates, mas um relato em especial sempre me chamou a atenção. Trata de Sócrates refletindo sobre seu amigo desde a juventude, Querofonte, que um dia foi ao Oráculo de Delfos para perguntar se havia alguém mais sábio que ele, Sócrates. A pitonisa respondeu que não existia ninguém. Sócrates então começa a perguntar a si mesmo: “Tendo em vista que eu não me considero sábio, o que quer dizer o deus ao afirmar que sou o mais sábio dos homens? Com certeza não mente, pois ele não pode mentir”. Sócrates começa a investigar e conta que no processo, criou inimigos de toda espécie, além de suscitar calúnias contra si. E concluiu que era chamado de sábio pois os que o ouviam consideravam que ele possuía de fato a sabedoria que mostrava faltar nos outros. E Platão conclui: “O deus é sábio. Ele não fala de Sócrates, mas apenas o usa para exemplificar, como se dissesse que o mais sábio entre os homens é aquele que, como Sócrates, sabe que tudo aquilo que sabe, não tem nenhum valor”…

Não é sensacional, cara? Só sei que nada sei. E esse é o verdadeiro aprendizado de ficar velho, cara. Ou deveria ser…

Desde que amadureci, lá depois dos 40 anos, me acostumei com as pessoas se espantando quando que dizia minha idade. Sempre me deram menos. Agora com os cabelos e barba embranquecendo, com as rugas marcando mais, a idade física começa a se aproximar da cronológica. Mas as pessoas ainda se espantam, porque eu não me visto como um velhinho de 64 anos, eu não falo como um, não me comporto como um. Mas afinal, como é um velhinho de 64 anos, hein?

Bem, como é, estou descobrindo, mas como era, eu sei. Igual ao Paul McCartney com seus 15 anos, eu cresci num tempo em que um sujeito com 64 era…velho, cara. Quando nasci, em 1956m, a expectativa média de vida do brasileiro era por volta de 45 anos. Quarenta e cinco anos! Hoje é 77, 78 anos! Ganhamos mais 32 anos de vida nesses meus 64 anos… cara, é quase outra vida.

E o fenômeno que aconteceu é sensacional. Imagine aí uma linha do tempo, que começa quando você nasce e termina quando você morre, com 60 anos lá nos anos 1960. Agora coloque mais 40 anos nessa linha, levando-a até os 100 anos. O que aconteceu com a linha de tempo? A gente tem a tendência de imaginar que ela cresceu, pois 40 anos foram acrescentados a ela, não é? Pois é… mas esse crescimento não foi pela agregação de mais um bloco com 40 anos. Na verdade aquela linha foi esticada até os 100 anos. E com isso, tudo foi esticado. A infância foi esticada, a juventude, a maturidade, a velhice… f0i tudo foi esticado.

Recentemente circulou uma fake news dando conta que a OMS mudou o conceito de faixas etárias. Ela estaria adotando o menor de Idade até os 17 anos, jovem de 18 a 65 anos, meia idade de 66 a 79, idoso de 80 a 99 anos e idoso de longa vida aos maiores de 100 anos. Pô, fiquei feliz! Continuo jovem. E isso confirmava que aquela imagem da linha esticada está certa.

Mas aquela notícia era fake news. Era mentira Não existe nada dessa nova classificação.

O que vale é jovens, até 19 anos. Adultos entre 20 e 59 anos e idosos acima de 60. Para consolo, chamam os idosos de melhor idade…

Bem, então eu sou idoso mesmo. E isso ficou claro com a pandemia. Eu fui colocado numa faixa de risco…

Pois é. Mas isso tudo se aplica ao corpo. É ele que está ficando velho.

A cabeça, não!

E o Itaú Cultural, com a suspensão temporária das suas atividades presenciais em tempos de quarentena, leva uma programação muito especial com aulas de dança para crianças e de técnicas de desenho para que o público possa criar suas próprias histórias ilustradas. Sabe onde é que está? Está no canal do Youtube IC para Crianças. De novo: IC para Crianças.

E ainda tem mais! Toda semana, uma seleção nova da Mostra de Filmes Online.

Acesse itaucultural.org.br , Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Sabe como é que eu fui percebendo a idade chegando, hein cara? Foi assim uma revelação. Um dia, a chave do carro caiu da minha mão. E caiu sem explicação, simplesmente caiu da minha mão. Olhei meio sem entender… e percebi então que era um primeiro sinal de que algo estava mudando. Aí vem zumbido no ouvido, mudanças no sistema digestivo, na qualidade do sono, dores por todos os lados, redução da capacidade auditiva, da visão. Aparece uma catarata, uma hérnia de disco… e a gente vai aos poucos percebendo que somos como o automóvel. Com o tempo vão aparecendo defeitinhos que se acumulam. A gente leva no mecânico, no funileiro, leva pra lavar, troca algumas peças, mas não tem jeito. O carro vai ficando velho. Fica velho no design, fica velho nos materiais. Fica até charmoso, quem é que não se sente atraído por um carro velho perfeitamente preservado, hein? Pô, é claro que eu sonho em ter um Maverick zerinho. Ou então um Puminha!

E aí você entra num deles e dirige. E percebe que o conceito de envelhecer não se aplica só à lataria ou ao desgaste das peças. como eu já disse, o design envelhece. O prazer de dirigir também. Você percebe que o carro velho é barulhento, é desconfortável, tem a direção dura, demora pra frear… não porque está velho, mas porque sempre foi assim. E você só repara a diferença porque agora dirige carros mais seguros, mais confortáveis, mais evoluídos.

É aí que os velhinhos ficam para trás. São bons de ver, bons de ter em casa, item de colecionador, é um prazer as lembranças que eles nos trazem, mas se tiver de usar todo dia, cara… é um problema.

Pronto. Lá vem o pentelho me dizer “ah, eu adoro meu carro velho”. Claro que sim, tem gente que quer mesmo a vibração do carro antigo. Pregunte para um Harleyro raiz se ele prefere as motos novas, suaves, ou as antigas que vibravam, hein cara?

Onde quero chegar?

Simples. Existe um conceito na física chamado Entropia, que diz que todo sistema complexo vai se desgastando com o tempo. E um dia vai acabar. O corpo humano é assim. Um dia vai acabar. Dá pra interromper a entropia? Não. Dá para deixá-la mas lenta ou então pra reduzir as consequências dela. Sabe como? Com manutenção. Uma boa manutenção faz com que um avião com 100 anos voe. Um carro com 100 anos ande. No caso do corpo humano, a boa manutenção faz com que tenhamos um envelhecimento mais saudável.

Bem, todo mundo sabe das recomendações para o corpo, não é? Controlar o que e quanto come, praticar exercícios, etc. Isso a gente já sabe.

Mas como aquele carro antigo, ele não deixa de ser velho só porque você mantem a lataria impecável. Um Simca Chambord ou um Dauphine zerados continuam sendo carros velhos, é só entrar e dirigir.

Como é que aplica isso ao ser humano? Ora, são seu comportamento, seus hábitos, seu repertório, que revelarão se você é velho. E isso não tem a ver com a lataria.

É muito comum eu ouvir da garotada assim, ó: “Pô, Luciano, meu pai tem a sua idade e não sabe nem onde é o botão pra ligar o celular”. Ou então “Pô, como é que você sabe dessas coisas que tem a ver com os gamers, hein?”…

Há uma escolha no caminho! E aqui estamos falando da questão intelectual, da inteligência emocional. Eu escolhi me manter conectado com o mundo. Consumir o alimento intelectual que me deixe antenado para o que está acontecendo. Usar a tecnologia a meu favor, como instrumento para a produtividade. E é isso que falta para muitos que ficaram velhinhos aos 64 anos: uma conexão ativa com o mundo que os cerca.

É claro que não dá para acompanhar. Até porque tem drogas que a garotada consome das quais eu quero ficar longe. Me refiro a drogas intelectuais. Na música, na literatura, nas artes, nos processos de gestão, tá cheio de droga que a molecada consome e que eu jamais vou engolir. Mas procuro saber do que se trata.

Eu chamo isso do Paradoxo do Dadinho.

Dadinho é aquele docinho à base de amendoim, em forma de cubo, embalado um a um num papel metalizado prateado com o nome e estrelinhas vermelhas. Foi lançado em 1954 para comemorar o 4º Centenário da Cidade de São Paulo. O nome do docinho era 4º Centenário, mas o povo botou o apelido de Dadinho que a empresa que o lançou aquele docinho, a Dizioli, adotou.  E a molecada ficava doida. Cara, como eu comi Dadinho na minha infância!

Depois que cresci, parei. Fiquei dezenas de anos sem comer o Dadinho.

Outro dia recebi de presente um pote cheio de guloseimas. Olha só. Quem que é que tem menos de 64 anos de idade e fala “guloseimas”? Tá bom. Vou mudar. Recebi um pote cheio de acepipes (silêncio)… e dentro dele quem? Dadinhos, cara! Dezenas de Dadinhos! Cara, o Lucianinho imediatamente avançou em cima dos Dadinhos. Que satisfação ver aquela embalagem que é muito parecida com a original! A gente desembrulha igual! O tamanho é igual! A cor… mas aí começou. Peraí. A consistência tá meio estranha… Botei na boca… e descobri que Dadinho de hoje é uma merda. Não tem nada a ver com aquela delícia de 50 anos atrás! É horrível, uma massa sem gosto, parecia que eu estava comendo uma borracha de apagar na escola. É horrível!

Foderam o Dadinho.

Esse é o Paradoxo do Dadinho. É a mesma coisa, modernizada, com processos de fabricação mais eficientes, com controles que nem se sonhava 50 anos atrás, com cuidados do mesmo modo, tudo muito mais sofisticado, com técnicas para fabricação, comercialização e distribuição modernas, tudo que há de mais moderno. E o resultado é uma merda.

Paradoxo do Dadinho.

Alguma coisa se perdeu no caminho.

Fui reclamar com minha filha, e não tive sucesso. Ela não comeu o Dadinho que eu comi 50 anos atrás, cara. Ela não tem a memória. Pra ela é aquilo ali, e se bobear, ela gosta…

Teve outro caso recente. Eu fui assistir um filme badalado aí chamado The Vast Of Night. Está sendo aclamado como uma obra que renova os filmes de horror e ficção científica. eu li uma crítica dizendo que é sensacional, o diretor é um estreante, mas que o cara mudou tudo. Cara! Eu não resisti. Saí correndo atrás, achei e fui assistir o filme.

O filme é uma merda. Larguei antes do final. Inconformado fui assistir uns Youtubers aí especializados pra ver a crítica. E os caras amando o filme, dizendo que é imperdível, que isso e aquilo. que os ângulos de filmagem, que a forma, o cara contou a história. Cara! O filme é uma merda. E a molecada amando.

Eu voltei pro Paradoxo do Dadinho.

E a música que essa turma consome, cara! É uma merda. Com todos os recursos tecnológicos com os quais os Beatles nem sonhavam… e o resultado é uma merda.

Mas… e se o Dadinho for o mesmo de 50 anos atrás e o que mudou foi o meu paladar, hein? E se a memória que eu tenho do Dadinho do passado for mais doce, mais saborosa do que era na verdade, hein?

E se o filme e as músicas forem adequados à percepção estética da molecada toda e eu é que estou atrelado à escola do Spielberg e amarrado no rock dos anos setenta? Eu é que não entendo por que gastar um baita tempo filmando as pernas de uma moça correndo ou então um blablabla que não leva a lugar algum é sensacional cara?

Paradoxo do Dadinho.

Tudo está mais fácil, mais rápido, mais acessível, mas algo mudou na essência. Ou o Dadinho ou eu.

Cara! Eu acho que foram o Dadinho e eu.

Pois é, Fernanda, Benício, o que o velhinho aqui está tentando fazer é levar para vocês o sabor daquele Dadinho lá, de 50 anos atrás. Ou, pelo menos, o sabor que eu me lembro, né? Eu quero trazer aquela estética daquele cinema. A riqueza daquela música. E não é porque elas sejam necessariamente melhores do que aqueles que existem hoje e que vocês consomem ou então que vão consumir, mas porque aquilo tudo está na raiz disso tudo que vocês consomem hoje.

O meu Dadinho de 50 anos atrás é a raiz do Dadinho de hoje.

O meu cinema de 30 anos atrás é a raiz do cinema de hoje.

A minha música de 40 anos atrás é a raiz da música de hoje.

Eu estou tentando mostrar de onde vocês vieram, cara. Quando a gente entende de onde veio, porque veio, fica muito mais seguro para decidir para onde a gente vai.

Ou ao menos para não repetir as cagadas, né?

E uma coisa que acontece aos 64 anos, é que de cagada a gente entende

Então é assim olha, ao som dos Beatles com When I’m sixty four, que eu encerro esta reflexão de aniversário aqui.

Já adianto agradecendo aos parabéns que, certamente, muita gente vai me enviar, 64 anos é tempo andado, cara! É tempo de vida, viu?

Eu continuo aqui olhando no retrovisor pra ver se vem vindo alguém mais rápido, mais eficiente, mais interessante. eu só olho no retrovisor pra isso, cara. Eu não olho pra viver o passado não. Eu olho pra ver quem é que está vindo. E se vier, alguém assim, mais rápido, mais eficiente, mais interessante, eu sigo atrás. Provavelmente eu não vou alcançar. Mas bicho: eu tô na cola…

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, este jovem, Luciano Pires, na direção e apresentação, o menino Lalá Moreira na técnica, a veinha Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí que completa o ciclo.

Você já sabe, né? Que de onde veio este programa aqui, tem muito mais, cara, especialmente se você assinar o nosso cafebrasilpremium.com.br. Aquela é a nossa “Netflix do Conhecimento”. É lá que eu estou colocando 64 anos de experiência, de viagens, de canções, de programas, de livros, de e-books. Estou colocando tudo lá pra você assinar e transformar aquilo numa espécie de MLA – Master Life Administration. Acesse cafedegraca.com e experimente o Premium por um mês, sem pagar.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras, agora online, né cara? Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo. Tem uma palestra nova lá, sobre Produtividade antifrágil, pro pós pandemia, cara!

Para o resumo deste programa, ih cara! O resumo desse programa agora é só para assinantes do Café Brasil Premium.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. Também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar…

Qual é Dadinho?
Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé pequeno, porra!