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Luciano Pires -

Nos últimos 100 anos, na Alemanha e nos EUA, o crescimento do QI – Quociente de Inteligência – médio foi de mais de 30 pontos. No Quênia e na Argentina, cresceu 25 pontos. Na Estônia e no Sudão, cresceu 12 pontos. E no Brasil, hein? Ah, no Brasil aconteceu justamente o contrário. A queda do QI foi de quase 10 pontos nos últimos 100 anos. Talvez esse emburrecimento generalizado seja único na história da humanidade. O nosso QI médio é de 87, o que nos coloca, na média, no limite da deficiência intelectual.

Vamos nessa?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Meus tempos de criança
Ataulfo Alves

Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar meus tempos de criança
Eu não sei por que que a gente cresce
Se não sai da mente essa lembrança

Aos domingos, missas na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí

Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor, onde andará?

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia

Pois é… que saudade da professorinha que me ensinou o bê-a-bá, cara… É ao som do clássico Meus Tempos de criança,. De Ataulfo Alves, aqui na voz de Odair José,

que eu começo o programa de hoje, que é totalmente baseado num texto escrito por Gustavo Bertoche e publicado no Portal Café Brasil. O título do texto é: QI, Educação e Literatura. E começa justamente com o gráfico que mostra o QI mundial aumentando, exceto o brasileiro, que cai…

Fonte do estudo: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1745691615577701

E o Gustavo escreve assim:

Esse fenômeno bizarro tem tudo a ver com o nosso modelo de (des)educação escolar. Nada a ver com Paulo Freire, amigos. A coisa vem de muito antes. Em 1915, Lima Barreto revelava a cultura das aparências no Brasil: ao saber que Policarpo Quaresma tinha uma biblioteca, o doutor Segadas pergunta para que tantos livros, se não era nem formado. Não ocorre ao doutor que Policarpo tenha livros porque os leia: para ele, uma biblioteca não passa de um adorno ao diploma. É assim há mais de cem anos: no Brasil, quase sempre os livros servem não para ampliar o nosso mundo interior, mas sim como sinal exterior de status.

Em 1951, o prêmio Nobel de física Richard Feynman aceitou o convite para lecionar, no Rio de Janeiro, para uma turma de pós-graduação. Em 05 de maio de 1952, no fim da sua experiência docente no Rio, Feynman fez uma conferência que, quase setenta anos depois, ainda repercute fundo na ciência brasileira. Nessa conferência, expôs o nosso sistema educacional: ele descreveu uma educação na qual os alunos não aprendem nada senão a decorar textos e fórmulas, e não imaginam o que fazer depois com isso. Feynman diz na sua autobiografia que aparentemente havia no Rio de Janeiro uma Universidade, com uma lista de cursos, com descrições desses cursos; mas que essa aparência não passava de uma ilusão, e que na verdade não existia nem Universidade e nem ciência no Brasil.

Pausa no texto de Gustavo Bertoche.  Richard Feynman lançou um 1985 o livro “Deve ser brincadeira, Sr. Feynman!”. Dele retirei este trecho aqui, olha. Esse é o Feynman escrevendo, olha só:

“… uma das primeiras coisas a me chocar quando cheguei ao Brasil foi ver garotos da escola elementar em livrarias, comprando livros de física. Havia tantas crianças aprendendo física no Brasil, começando muito mais cedo do que as crianças nos Estados Unidos, que era estranho que não houvesse muitos físicos no Brasil – por que isso acontece? Há tantas crianças dando duro e não há resultado.

Então eu fiz a analogia com um erudito grego que ama a língua grega, que sabe que em seu país não há muitas crianças estudando grego. Mas ele vem a outro país, onde fica feliz em ver todo mundo estudando grego – mesmo as menores crianças nas escolas elementares. Ele vai ao exame de um estudante que está se formando em grego e pergunta a ele: “Quais as idéias de Sócrates sobre a relação entre a Verdade e a Beleza?” – e o estudante não consegue responder. Então ele pergunta ao estudante: “O que Sócrates disse a Platão no Terceiro Simpósio?” O estudante fica feliz e prossegue: “Disse isso, aquilo, aquilo outro” – ele conta tudo o que Sócrates disse, palavra por palavra, em um grego muito bom. Mas, no Terceiro Simpósio, Sócrates estava falando exatamente sobre a relação entre a Verdade e a Beleza! O que esse erudito grego descobre é que os estudantes em outro país aprendem grego aprendendo primeiro a pronunciar as letras, depois as palavras e então as sentenças e os parágrafos. Eles podem recitar, palavra por palavra, o que Sócrates disse, sem perceber que aquelas palavras gregas realmente significam algo. Para o estudante, elas não passam de sons artificiais. Ninguém jamais as traduziu em palavras que os estudantes possam entender.

Eu disse: “É assim que me parece quando vejo os senhores ensinarem ‘ciência’ para as crianças aqui no Brasil”

Nesse livro de 1985, Feynman falava de uma experiência vivida em 1952..

Paulo Freire, que a direita, sem o ler, adotou como o novo vilão da educação nacional, só publicou a sua “Pedagogia do Oprimido” em 1968 – cinquenta e três anos após “Triste fim de Policarpo Quaresma” e dezesseis anos depois do diagnóstico demolidor de Feynman. Se o Paulo Freire é responsável pela situação deplorável da educação e da inteligência brasileira, então estamos diante de um extraordinário caso de efeito anterior à própria causa.

O fato é que a educação brasileira é muito ruim há pelo menos cem anos.

E a educação brasileira tem sido muito ruim porque nunca houve, em nosso país, um projeto de educação. Jamais – jamais! – os nossos governantes e gestores do primeiro escalão se perguntaram por que educar. Nunca se puseram a questão: “quem nós queremos que as nossas crianças sejam aos dezoito anos? O que queremos que elas saibam, o que queremos que elas saibam fazer?”.

O resultado é que o nosso currículo escolar é uma colcha de retalhos sem nenhum propósito, um currículo que macaqueia desastradamente os currículos de outros países.

Daí vem uma surreal consequência: a única meta de todo o ensino básico se torna o vestibular, um vestibular com um programa duas vezes absurdo – absurdo por sua extensão alucinada e absurdo por sua desconexão com a vida do espírito e da sociedade.


“Olá Luciano Pires. Eu me chamo Pablo, falo de Cáceres, Mato Grosso.

Se você soubesse o quanto essas informações que  você vem trazendo dia após dia para os seus ouvintes, tem me ajudado de uma forma… assim… ah! Depois de um tempo que eu comecei a escutar podcasts, a minha mente abriu de uma maneira que até mesmo a minha família notou diferença.

Em questão de agrotóxico… eu já tinha mandado outro áudio e tal, já tinha falado que não estava sabendo da situação, como que funcionava. Hoje, por ser o último podcast da seção, agora a gente começa a entender como que é as coisas, entendeu? A gente começa a olhar as coisas de outra forma, a gente começa a sair das bocas mal faladas das pessoas que contam pra gente o que quer que seja verdade, mas não é verdade. Então eu acredito que cabe a nós brasileiros e cidadãos de qualquer país, buscar informações de fonte segura, não sair acreditando na boca dos outros e tudo mais.

Através desses podcasts que eu realmente venho notando um aumento significativo no meu intelectual. Então, agradeço muito, muito mesmo, de estar recebendo esse material e um abraço”.

Graaande Pablo, olha que legal, cara… você buscando conhecimento em outras fontes além da escola tradicional e da imprensa. É exatamente por aí, meu caro. Uma espiral de crescimento, desenvolvendo seus filtros, tornando-se cada vez mais criterioso com as fontes que você busca e tomando em suas mãos a responsabilidade por conhecer mais. Você tá certinho, meu caro!

Muito bem. O Pablo receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar o seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT distribui as marcas Prudence, Sutra e Andalan, contemplando a maior linha de preservativos do mercado, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. A causa da DKT é reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta, assim ajudando a evitar a gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, vamos educar a molecada, hein? Na hora do amor o que é que tem de fazer?

Lalá: Ora, meu caro, usar Prudence, né?

O nosso modelo de ingresso no ensino superior – por meio de provas que abrangem uma quantidade sobre-humana de conhecimentos – não mede nada além da capacidade de concentração, memorização e repetição. Não é por acaso que os professores mais reputados nos cursinhos preparatórios são justamente os especialistas em mnemotécnica: são aqueles que criam os poemas mais picantes para se decorar a Tabela Periódica, que inventam as melhores melodias para se guardar várias fórmulas de física e que adestram os alunos com esquemas pré-fabricados de redação para qualquer tema.

Neste nosso modelo, o bom candidato ao ensino superior se torna profundo conhecedor… de métodos de realizar provas. E, por não ter compreendido realmente nada, no dia seguinte ao vestibular se esquece de tudo o que passou dez anos estudando.

Surge daí a tradição – identificada, com assombro, por Feynman – do “estudar para a prova”, das musiquinhas de decoreba, dos cursinhos preparatórios: saber os macetes para tirar boas notas nas avaliações importa mais do que verdadeiramente saber aquilo que se estuda. A nossa escola nada ensina – a não ser a tirar boas notas. O nosso currículo oculto é o da valorização dos diplomas – e o da desvalorização do conhecimento.

Ora, amigos, Platão já ensinava: é impossível existir uma sociedade sã sem um sistema educacional saudável. O nosso sistema educacional, com um currículo inacreditavelmente extenso, mas absolutamente sem propósito, é justamente o oposto disso. Como querer que o Brasil seja um país com bons cidadãos, se o nosso currículo oculto parece ter sido elaborado com a finalidade de formar indivíduos frívolos, vaidosos e ignorantes?

Isso explica um fenômeno brasileiro contemporâneo: a enorme quantidade de academias de ginástica, fenômeno sem par no mundo, e a ínfima quantidade de livrarias nas nossas cidades.

Um povo que coloca a preocupação com a “barriga tanquinho” em primeiro lugar na sua vida revela, com isso, qual é o seu horizonte existencial e que marca pretende deixar na História.

Amigos, o Brasil é o país com maior número de cirurgias plásticas por habitante no mundo inteiro. Os EUA fizeram cerca de 300 mil cirurgias a mais do que as 1.224.300 realizadas no Brasil em 2017, mas têm uma população 60% maior do que a brasileira.

Por outro lado, povo brasileiro está entre aqueles com menor quantidade de livrarias per capita em todo o planeta. São Paulo, sozinha, tem o dobro da quantidade de automóveis da Argentina inteira. Mas Buenos Aires, sozinha, tem o dobro da quantidade de livrarias de São Paulo.

O brasileiro acha muito caro pagar cinquenta reais por um livro, mas faz dívidas astronômicas para comprar um automóvel. Isso ilustra o nosso problema civilizacional: somos o país da pose inculta. Somos o exemplo acabado da síndrome socrática de Dunning-Kruger: tão abissalmente ignorantes que não sabemos nem que somos o povo mais ignorante do mundo.

A consequência disso é evidente. Nestes anos, tenho ouvido e lido profissionais liberais, magistrados, jornalistas e – pasmem – professores universitários com uma nítida dificuldade de descrever as suas intuições e percepções ou com uma evidente incapacidade de efetuar as operações lógicas mais simples numa discussão.

É fácil atestar essa decadência: basta visitar uma livraria – se você encontrar alguma, é claro – e buscar um romance de qualquer escritor brasileiro contemporâneo. Raríssimos serão os livros que não apresentarão uma vulgaridade estrutural, sintática, vocabular desoladora.

Ou seja: ter recebido a educação escolar e universitária no Brasil nas últimas décadas é praticamente uma condenação à impotência discursiva.

E o que a literatura de um povo têm a ver com o QI? Tudo, amigos, tudo.

É por meio da linguagem que nós pensamos o mundo. Por meio da estrutura sintática da língua intuímos a estrutura lógica do Cosmos. Sartre nos diz que “nosso pensamento não vale mais do que a nossa linguagem e deve-se julgá-lo pela forma com que a utiliza”. Se não lemos boa literatura, falamos e escrevemos mal; se falamos e escrevemos mal, pensamos mal; se pensamos mal, saímos mal nos testes de QI. Para tornarmo-nos mais inteligentes, é preciso desenvolver uma faculdade comunicativa que vá além dos grunhidos mais ou menos elaborados com os quais expressamos os desejos, as sensações e as opiniões imediatas.

E o Itaú Cultural, hein? Falando em educação. é cara? Com a suspensão temporária das suas atividades presenciais em tempos de quarentena, o Itaú leva uma programação muito especial com aulas de dança para crianças e de técnicas de desenho para que o público possa criar suas próprias histórias ilustradas. Tá no canal do Youtube IC, IC de Itaú Cultural. IC para Crianças. De novo: o canal IC para Crianças.

Mas tem mais, viu? Toda semana, uma seleção nova da Mostra de Filmes Online.

Acesse itaucultural.org.br, Agora você tem cultura entrando por aqui, ó:

Pelos olhos e pelos ouvidos…

Geralmente, é na escola que tomamos contato, pela primeira vez, com a estruturação formal da nossa língua – não somente por meio das aulas de Português, mas, principalmente, por meio dos contos, romances e poemas que somos obrigados a ler.

E o que somos obrigados a ler, hein?

Em meio a alguns tesouros da língua portuguesa, como Pe. Vieira, Machado, Euclides, Lima Barreto e Guimarães Rosa, somos forçados a encarar estorvos como os de um Joaquim Manuel de Macedo (“A moreninha”), de um José de Alencar (“O guarani”), de um Raul Pompéia (“O ateneu”), de um Aluísio Azevedo (“O cortiço”).

Entre uns e outros, uma ausência salta aos olhos: a ausência da grande literatura mundial.

Olha, eu acho inconcebível que os alunos brasileiros não leiam Cervantes na escola. Que não leiam Shakespeare. Que não recebam livros de Dostoiévski, de Hemingway, de Borges. Que, ao lado dos necessários poemas de Pessoa, de Cecília Meireles, de Drummmond, não leiam Blake, Whitman, García Lorca, Neruda.

Como podemos ombrear com os outros povos do mundo se não conhecemos o fundo cultural no qual os debates civilizacionais são travados? Amigos, as trocas civilizacionais profundas não se dão no plano da conversa do taxista de aeroporto, não se dão em termos de cantores da moda e jogadores de futebol.

A não ser que deliberadamente queiramos nos posicionar como a nação do QI médio 87, a nação dos bobos-felizes.

O nosso sistema educacional é, na verdade, um sistema inteiramente deseducacional. Ele não aumenta a nossa inteligência: ele a reduz.

Se o nosso sistema educacional continuar centrado na prova, não haverá saída para a nossa civilização: acabaremos por desaparecer não por consequência de uma invasão estrangeira ou de uma guerra civil, mas por pura inaptidão para a existência.

Para salvarmos a civilização brasileira, precisamos salvar a escola. E a escola somente será salva se ela passar a fazer o que nunca fez: se ela passar a educar. Se ela, em primeiro lugar, começar a ensinar a pensar, o que somente é possível se ela começar a ensinar a ler, a escrever e a falar.

Finalmente: para ler, para escrever, para falar bem, só há um caminho: o caminho da boa literatura e da prática da escrita e do debate. Justamente o que mais falta nas nossas escolas, tão ocupadas com todo o resto.

Another brick in the wall
Roger Waters

We don’t need no education
We don’t need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers, leave them kids alone
Hey! Teacher! Leave them kids alone!
All in all, it’s just another brick in the wall
All in all, you’re just another brick in the wall

We don’t need no education
We don’t need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers, leave them kids alone
Hey! Teacher! Leave us kids alone!
All in all, you’re just another brick in the wall
All in all, you’re just another brick in the wall

Wrong, do it again!
Wrong, do it again!
If you don’t eat your meat, you can’t have any pudding
How can you have any pudding if you don’t eat yer meat?
You! Yes, you behind the bikesheds, stand still, laddie!

Mais um tijolo no muro

Nós não precisamos de nenhuma educação
Nós não precisamos de nenhuma lavagem cerebral
De nenhum sarcasmo na sala de aula
Professores, deixem as crianças em paz
Ei! Professor! Deixe as crianças em paz!
Em suma, é apenas mais um tijolo no muro
Em suma, você é apenas mais um tijolo no muro

Nós não precisamos de nenhuma educação
Nós não precisamos de nenhuma lavagem cerebral
De nenhum sarcasmo na sala de aula
Professores, deixem as crianças em paz
Ei! Professor! Deixe em paz a nós, crianças!
Em suma, você é apenas mais um tijolo no muro
Em suma, você é apenas mais um tijolo no muro

Errado, faça de novo!
Errado, faça de novo!
Se você não comer sua comida, não terá nenhuma sobremesa
Como você pode querer alguma sobremesa, se não comer a sua comida?
Você! Sim, você atrás das bicicletas, parado aí, rapazinho!

Muito bem! É assim então, com Another brick on the wall, do Pink Floyd, não está aqui por acasp, né? Que vamos saindo pensativos… tem tanto pra ser feito

Que texto repleto de obviedades esse do Gustavo Bertoche, não é? Afinal, quem é que não sabe que a educação no Brasil é uma merda? Todo mundo sabe, todo mundo sabe o que precisa ser feito, temos dinheiro para fazer, gente talentosa, energia e tempo.

Mas não fazemos. E assim, perpetuamos a mediocridade. Nos tornamos orgulhosamente a pátria dos bobos felizes.

Que nem sei se felizes são.

Que sina, viu?

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí completando o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente se você assinar o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”, cheia de conhecimento, cheia de conteúdo, adaptado pro teu uso objetivo e diário, cara! É o nosso MLA – Master Life Administration. Acesse cafedegraca.com e experimente o Premium por um mês, sem pagar.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras, agora online. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho aí, cara! Ao vivo!

Para o resumo deste programa… ih cara! Quem tem o resuno do programa agora são os assinantes do Café Brasil Premium. Só eles.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, é claro, eu vou com Richard Feynman

Você pode saber o nome de um pássaro em todas as línguas do mundo, mas no fim das contas, você não saberá absolutamente nada sobre o que quer que seja o pássaro. Então, vamos observar o pássaro e ver o que ele faz — isso é o que conta.

Eu aprendi bastante cedo a diferença entre saber o nome de algo e saber de algo.