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Luciano Pires -

O Café Brasil chega a você com patrocínio da Perfetto, que faz… sorvetes!

E que acaba de obter a IFS Certification, uma certificação internacional que assegura que a  empresa implementou sistemas que garantem a segurança e qualidade de seus produtos e processos de produção. A norma ​IFS é conhecida internacionalmente, tanto pela GFSI (Global Food Safety Initiative), uma associação internacional que consolida e promove a segurança alimentar ao longo de toda a cadeia de suprimentos, quanto pelos principais mercados mundiais.

Você sabe o que é que isso significa? Ainda mais qualidade e segurança além do sabor delicioso. Dê uma olhada no site deles, perfetto.com.br, perfetto tem dois tês. Tem um blog lá com  receitas de sorvetes que são de deixar doido!

No Instagram é @perfettosorvetes.

Com sorvete #TudoéPerfetto

Hoje tratamos da importância de divertir-se enquanto você executa suas obrigações. Mas mais que divertir-se, o segredo é deleitar-se. O tema do programa, é uma revisita ao Café Brasil 20 lááááááá de 2007,  sendo o deleite, que quer dizer gozo íntimo e suave, prazer inteiro, pleno. E o deleite contagia!

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Quando terminei uma de minhas palestras uma garota me surpreendeu com uma frase: “Luciano, sabe o que que eu mais gostei na sua palestra? Foi perceber que você estava se divertindo”. Eu acho que esse foi um dos maiores elogios que eu recebi na carreira. Se ela percebeu que eu me divertia, a palestra foi um sucesso, pelo menos para ela. Você já vivenciou isso hein? Quando está lidando com uma pessoa que parece estar se divertindo com aquilo que faz?

Olha uma criança brincando por exemplo, repare no nível de concentração dela, na entrega total àquele mundo por ela criado, não é de dar inveja, cara? Pois aprendi a prestar muita atenção nisso e até algum tempo atrás eu usava essa expressão mesmo, divertindo-se para tratar do assunto, até que tive a curiosidade de procurar um dicionário e descobrir que diversão quer dizer recreação, distração, entretenimento. O que não era bem o que eu pretendia dizer, eu parti então em busca da palavra perfeita e achei deleite. Deleite, que quer dizer, gozo íntimo e suave, prazer inteiro, pleno, delícia. Agora sim!

“Salve Luciano. Bom dia, boa tarde, boa noite. Aqui quem vos fala é Odara Pacífico, eu sou de Volta Redonda, Rio de Janeiro e estou seguindo as suas recomendações. Estou tendo meu dia de deleite.

Você  relatou muito bem no Cafezinho 322, que a gente precisa de um momento pra gente acalmar, ouvir uma música boa, ouvir conteúdo bom, pra gente desintoxicar de tantas informações que arrebatam a gente diariamente, né?

Então hoje eu tirei esse dia pra, de fato, ouvir boa música e ouvir bom conteúdo. Me tornei assinante Premium tem pouco tempo e eu percebi  como que a gente não tem trinta minutos, quarenta minutos pra gente conseguir ouvir um podcast, um podsumário que seja. Eu sempre começava e não terminava, porque sempre tinha uma outra coisa pra fazer, correria do dia a dia e hoje eu me propus a ouvir eles e deliciar de todas essas informações que você passa tão bem pra gente.

Eu quero dar destaque no podsumário 037, da onde eu descobri que eu sou a Millenium da primeira geração. E o podcast 738, eu dancei horrores. Xuxa? Sandy e Junior, muito a minha geração. E como é que pode, né? Como é que tanta mudança assim em tão pouco tempo. Eu ouvindo, comecei a deparar e ver muitas mudanças, né? Em tão pouco tempo.

E a minha irmã, ela é Millenium da terceira geração e eu já vejo muita diferença entre mim e ela, né? Até em questão de criação, comportamento. Ela, de fato, não foi numa biblioteca. Ela, de fato, não foi. E é muito interessante, né? Como que tem essas mudanças.

Eu te agradeço. Eu vim aqui nesse local aqui que você deixa pra gente pra agradecer, por todo esse conteúdo. Eu acho que é um conteúdo muito rápido, de fácil absorção, da onde a gente tem uma abrangência de todos os assuntos muito bem tratados e muito bem relatados.

E vida longa ao Cafezinho. Vida longa ao Cafezinho e gente, olha, eu tava ouvindo um assinante seu, até nesse podcast, o último agora, no 738, ele falando a pãodurice, né? Também faço parte, porque a gente fica  naquela questão: já tem tanto conteúdo gratuito, eu não consigo ouvir, por que eu vou ser um Premium? E de fato, quando a gente se dispõe a querer crescer, a compartilhar, boas informações, quarenta e cinco reais é ínfimo.

Então, por mais que eu não tenha tempo, eu vou contribuir sim, porque eu acredito nesse canal, eu acredito no seu propósito e eu estou junto contigo nessa, tá? E eu vou pegar mais finais de semana, os tempos que eu puder prapoder ouvir todo seu conteúdo que é muito bom. Muito bom mesmo. Vida longa do Cafezinho. Tchau, tchau!”

Rarararararara…. Gostou da trilha aí, Odara? Pois é… Odara é um termo de origem hindu que significa paz e tranquilidade. Odara também possui uma grande importância na religião do candomblé e umbanda, e é um tipo de exu. Alguém que se chama Odara já tem o deleite no nome, não é? Olha! E fico feliz que você esteja seguindo a recomendação: deleite-se! Muito obrigado pelo comentário.

Muito bem. A Odara receberá um KIT DKT, com alguns dos principais produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Dá pra se deleitar à vontade. Basta enviar seu endereço para contato@lucianopires.com.br

A DKT distribui a maior linha de preservativos do mercado, com a marca Prudence, além de outros produtos como os anticonceptivos intrauterinos Andalan, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas o que realmente marca na DKT é sua causa de reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta. A DKT trabalha para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, o que é preciso pro mundo ficar odara?

Lalá – Na hora do amor, use Prudence. Com muito axé!

Odara
Caetano Veloso

Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dará

Olha só,meu… Caetano e Maria Gadú com Odara. Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara / Pra ficar tudo joia rara.

Pois é… Sempre que eu vejo um trabalho bem feito, que me passa um algo mais via intuição, uma sensação boa, eu concluo que alguém ali andou se deleitando, alguém ali andou tendo prazer e acredite, esse deleite é contagiante. Ele passa pra gente pelo brilho nos olhos, pela empolgação no falar, no gestual e mesmo que o interlocutor não esteja presente, funciona, é assim com as verdadeiras obras de arte. Sabe aquele quadro que você observa e sente que algo te toca, cara? Aquela melodia que te emociona? Aquele poema que te massageia a alma, aquele texto que te faz refletir, pois é, fique certo que alguém andou se deleitando enquanto produzia aquilo e você foi contagiado, percebeu?

Mas, afinal, como é que a gente faz pra se deleitar?

Olha! Primeiro reflita. Você provavelmente descobrirá que naqueles momentos em que não existe o deleite, o seu corpo está num lugar e a cabeça no outro. Seu corpo está onde a responsabilidade exige e a cabeça onde você gostaria de estar e esses lugares raramente são os mesmos. É meu caro, minha cara, não é fácil não, temos contas para pagar né? E para isso temos que aturar o chefe, a atividade que não gostamos e aquilo que o destino nos reservou. Mas será que é assim, hein?

Olha! O deleite exige escolhas e a primeira delas é simples, você quer sofrer ou deleitar-se? Comece escolhendo. Se você escolher o deleitar-se, faça alguma coisa a respeito, mexa-se, procure, agite, saia do marasmo e do conformismo, diga às pessoas o que você gostaria de fazer, não deixe a vida te levar, leve a vida você.

Observe bem quando você está lidando com uma pessoa que está se deleitando com o que faz, veja como isso contagia e quando se perceber contagiado, dê uma observada nessa pessoa, veja se ela está mal humorada, azeda ou preocupada, veja se ela está séria ou serena. Talvez você descubra que Oscar Wilde estava certo quando escreveu que a seriedade é o único refúgio dos medíocres.

Parece fácil mas não é não viu? Você está se deleitando com o que faz, hein?

Deleita-se acompanhando o auditor da ISSO 9000,, cara? Atendendo a uma reclamação do cliente? Servindo como caixa no supermercado? Reunindo-se para discutir aquele problema? Ouvindo rádio enquanto dirige, ou num busão, cara ? Corrigindo as provas de seus alunos? Atendendo a solicitações de seus eleitores? Lidando com aquele chefe idiota, cara?

Problemas, problemas e mais problemas. Como deleitar-se em uma situaçaõ como essa?

Felicidade (A noite mais linda do mundo)
Donizete

Vamos fazer dessa noite, a noite mais linda do mundo
Vamos viver nessa noite, a vida inteira num segundo
A felicidade não existe
O que existe na vida são momentos felizes

A gente pode ser feliz
Viver a vida sem sofrer e não pensar no que vai ser
não me pergunte se amanhã o nosso amor vai existir
não me perguntes pois não sei

Ah que felicidade
Mas que felicidade
Olha que felicidade

Olha só cara, esse é Odair José com seu mega sucesso composto por Donizete, A  noite mais linda do mundo.

Odair José tinha habilidades de compor letras que retratavam a realidade do povão e era corajoso, viu? Fazia músicas com temas como prostituição, controle de natalidade, religião, sexo livre, drogas, homossexualismo, exclusão social e o cotidiano das empregadas domésticas. E estourava de vender discos, cara. Estou falando de anos 70. E isso tudo apesar da maioria da crítica dita séria, que lhe rendera alcunhas pouco elogiosas como Bob Dylan da Central do Brasil, ou então o terror das empregadas. Desde aquela época, formadores de opinião influentes como Caetano Veloso, já apontavam que ali, no Odair José, estava mais do que um cafona iletrado.

Voltaire disse uma vez que “a ilusão é o primeiro de todos os prazeres”. Nós achamos que comemos chocolate porque chocolate é delicioso, que nos emocionamos diante de um quadro maravilhosos porque ele é lindo. Fazemos sempre uma correlação entre qualidade e sensações. E isso nos induz a erros.

Paul Bloom, em seu livro Como o prazer funciona, diz que não é o mundo como ele é fisicamente que impacta nossos sentidos. Na verdade, o deleite que obtemos com alguma coisa, vem daquilo que achamos que aquela coisa é. E não exatamente o que a coisa é. Coloque uma etiqueta Hugo Boss num jeans comprado na 25 de março por 20 reais e pronto. O garotão vai desfilar com ele como se fosse um supermodelo, cara. Coloque o rótulo Perrier numa garrafa de água da bica, e pronto! Os fãs da Perrier vão endeusar você.

Para uma pintura, o que interessa é quem pintou. Para uma história, quem escreveu. Para uma opinião, a autoridade de quem deu. Basicamente, damos valor ou obtemos prazer de elementos externos às coisas com as quais lidamos.

De novo: você obtém deleite não daquilo que é, mas daquilo que você acha que é. O que abre um fascinante debate sobre nossas percepções e a capacidade de obter prazer simplesmente mudando a forma como vemos as coisas. Isso se chama reenquadramento.

Quantas vezes algo que era difícil, incômodo e desinteressante para você, com a repetição, com o tempo, tornou-se um prazer, hein?

Querer fazer, ter habilidades para fazer e ter tesão de fazer. Essa é a combinação irresistível para o deleite.

Se você não quer fazer, não tem jeito, cara. Esqueça o deleite.

Se você quer fazer, mas não tem a habilidade para fazer, esqueça o deleite. O que vem é frustração.

Mas se você quer fazer, desenvolveu habilidade para fazer e faz direito, cara, o tesão de fazer está a um passo. E do tesão brota o deleite.

Querer fazer é com você, ninguém pode querer por você.

Desenvolver habilidade para fazer, é com você. Ninguém pode desenvolver por você.

E o tesão vem de dentro de você. Ninguém pode ter tesão por você.

Sacou? Ter ou não ter deleite, não é culpa do seu chefe, da sua empresa, da sua família, do governador ou do presidente.

Ter ou não ter deleite é um problema seu.

Tempo rei
Gilberto Gil

Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito
Que tem sido
Transcorrendo, transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos

Pães de Açúcar, Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole, pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento

Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó Pai, o que eu ainda não não sei
Mãe Senhora do Perpétuo socorrei

Pensamento, mesmo fundamento singular
Do ser humano, de um momento para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos

Mães zelosas, pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam, não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó Pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo socorrei

Cara! Que bonito isso né? Esse é Sérgio Pererê, cantando “Tempo Rei”, de Gilberto Gil. No sensacional arranjo de violão e também na guitarra está Acauã Rane.

Sérgio Pererê é cantor, compositor, multi-instrumentista, ator e diretor musical. Já se apresentou em várias regiões do Brasil e em países como Canadá, Áustria, Espanha, Moçambique, China e Argentina. Sérgio Pererê considera-se amadrinhado pelas raízes bantô de Minas Gerais. “Sou um devoto da arte, um artista negro brasileiro”.

Então ficamos assim, ó… pare para analisar essa situação com a qual você não se deleita. Por que você está nela? Por obrigação? Por falta de opção? Por acomodação, cara? O que é preciso para mudar para algo melhor, que lhe dê mais prazer? Provavelmente a coragem de abrir mão de algum conforto e de segurança. Coragem de abraçar o incerto, o invisível, o inseguro. Coragem de correr algum risco.

E por que que essa coragem não vem, cara? Provavelmente por sua insegurança, pela sensação de falta de preparo, de ignorância mesmo. Pela perspectiva de que fazer o que você quer não vai dar o dinheiro que você precisa… Você percebe por onde você tem que começar, cara?

O deleite começa quando você sabe o que quer e faz alguma coisa a respeito. Nem que seja para descobrir que é impossível e mudar seu objeto de deleite.

Ficar sentando esperando a sorte, reclamando da vida, é uma opção, cara. Mas a chance de dar certo é mínima…

Vamos então ao Itaú Cultural com seus três podcasts para quem se interessa por música, literatura e questão indígena? Olha cara, são um deleite!

No podcast Escritores-Leitores, autores brasileiros falam de seu processo criativo. No podcast Toca Brasil, artistas, produtores e pesquisadores do universo musical falam de seu trabalho. E no podcast Mekukradjá escritores, cineastas e lideranças de povos indígenas de várias regiões do Brasil tratam das questões indígenas.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui:

Pelos olhos e pelos ouvidos…

Nasci no dia 25 de junho de 1956, 60 e um pouco de anos atrás, o Brasil estava em estado de sítio e para piorar eu nasci corintiano, levei mais de 20 anos pra ver meu time ganhar um título. Em 59, os militares tentaram derrubar JK, em 61, Jânio tomou um porre e renunciou, em 62 a crise dos mísseis em Cuba quase descamba numa guerra nuclear, em 64 o regime militar, a revolução que impôs ao país duas décadas de ditadura, em 68 vem o AI5, o ato institucional que acaba de vez com os direitos individuais, em 69 tivemos o auge da guerrilha urbana, assustando a todos com os roubos, sequestros e assassinatos. Em 72 tem início a guerrilha do Araguaia, que acontece longe dos nossos olhos, mas acontece. Em 73 vem a crise do petróleo que muda de vez a história da humanidade, em 75, Wladmir Herzog morreu torturado nos porões da repressão e o regime militar começou a balançar. Em 77 o presidente Geisel fechou o congresso e quem é que se lembra disso hein? Em 78 aconteceram as greves do ABC com os metalúrgicos se mobilizando. Surgiu o LULA. Em 81 a bomba do Riocentro gerou um escândalo que prenunciou o fim do regime militar. Em 84 o povo vai às ruas pelas Diretas Já, que não são aprovadas pelo congresso. Em 85, finalmente a volta, ainda meia boca, da Democracia. Tancredo Neves é eleito presidente e morre. Entre 1980 e 1994 vivemos uma superinflação crônica, uma moratória externa, um confisco monetário, duas recessões, dois colapsos cambiais, 5 planos econômicos, 6 moedas e uma quase moeda. O Brasil teve 11 ministros da economia e 14 presidentes do Banco Central e tivemos também o plano cruzado, as eleições diretas, o plano Collor e aquela tungada no nosso dinheiro. Tivemos o impeachment de Collor, o plano real, as crises asiáticas e russa, o apagão, a eleição de Lula, o mensalão, o petróleo, a Lava Jato, o impeachment de Dilma e…a pandemia…

Muito prazer, essa é a história da minha vida.

E olhando para a história da minha vida eu me pergunto como será viver num país sem crise hein? Cara! Eu não sei. Desde que eu nasci eu vivo de crise em crise, nunca vi o Brasil com paz de espírito, sempre enrolado, atrapalhado, desorientado, enganado, roubado, ameaçado. Cara, como é difícil ser brasileiro! Eu fui falar com meu pai para perguntar como era antes e ele me veio com as histórias da guerra…

Muito bem, eu tô feliz, cheguei aos 60 anos melhor do que meu pai e meu avô chegaram, com uma aparência mais jovem, mais viajado, mais estudado e meus filhos, que estão melhores do que eu estava na idade deles, provavelmente estarão melhores do que eu estou hoje quando chegarem aos 60. Eu sou um privilegiado. E para melhorar, ainda me deleito com o que faço. O que é que você acha que está acontecendo agora, nesse momento de gravação aqui, cara! Eu estou me deleitando. Neste momento aqui, conversando com você, tenha a certeza de que eu estou me divertindo, me deleitando. Tem gente que acha que eu sou um sortudo e eu sou sim, isso me lembra a frase de Thomas Jefferson: “Creio bastante na sorte e tenho constatado que quanto mais eu trabalho mais sorte eu tenho.”

E olha, tem tanta coisa legal acontecendo em volta da gente… como é que ainda perdemos tempo brigando cara, xingando, discutindo, dando palanque pra maluco, queimando minutos preciosos de nossas vidas, cara? Sai dessa, meu. O mundo é mais, muito mais do que o monte de merdas que despejam em sua cabeça todo dia.

Aliás, que você deixa que despejem em sua cabeça todo dia.

Quer saber? Eu já tomei minha decisão. Vou gastar meu tempo com gente que ama o que faz e faz com eu me deleite…

Helplessly hoping
Stephen Stills

Helplessly hoping
Her harlequin hovers nearby
Awaiting a word
Gasping at glimpses
Of gentle true spirit
He runs, wishing he could fly
Only to trip at the sound of good-bye

Wordlessly watching
He waits by the window
And wonders
At the empty place inside
Heartlessly helping himself to her bad dreams
He worries
Did he hear a good-bye? Or even hello?

They are one person
They are two alone
They are three together
They are for each other

Stand by the stairway
You’ll see something
Certain to tell you confusion has its cost
Love isn’t lying
It’s loose in a lady who lingers
Saying she is lost
And choking on hello

They are one person
They are two alone
They are three together
They are for each other

Esperando desamparadamente

Esperando desamparadamente
Sua Arlequina paira nas proximidades
À espera de uma palavra
Ofegante em vislumbres
De verdadeiro espírito gentil
Ele corre, desejando que ele podia voar
Apenas para viagem ao som de um adeus

Sem palavras assistindo
Ele espera pela janela
E maravilhas
No lugar vazio dentro
Impiedosamente servindo-se de seus maus sonhos
Ele se preocupa
Será que ele ouve um adeus? Ou mesmo Olá?

Eles são uma pessoa
Eles são dois sozinhos
Eles são três juntos
Eles são um para o outro

Fique por escada
Você verá algo
Certo para lhe dizer, confusão tem seu custo
O amor não está mentindo
É solto em uma senhora que perdura
Dizendo que ela está perdida
E engasgando com Olá

Eles são uma pessoa
Eles são dois sozinhos
Eles são três juntos
Eles são um para o outro

E é assim, ao som delicioso de Helplessly Hoping, o clássico de Crosby, Stills and Nash, com arranjo, violão e vozes de meu amigo Filipe Trielli. É assim que vamos saindo… eu acho que deleitados, não é? Você duvida que Filipe se deleitou gravando essa maravilha?

Então fica assim, eu desejo é que você se deleite no trabalho, nos estudos, no lazer e que você seja rodeado por gente que se deleita também. Esse é o meu objetivo pessoal, não quero fama, sucesso, dinheiro, saúde ou qualidade de vida, eu quero deleite, todo o resto é consequência.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí ó, completando o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

De onde veio este programa aqui tem muito mais e você pode agora fazer parte do time, vem pra cá! Acesse o link confraria.cafe. De novo confraria.cafe. Nele, você vai conhecer os planos pra se tornar um assinante e contribuir ativamente para que esse conteúdo aqui chegue pra muito mais gente gratuitamente. Tem um plano lá, que custa R$12,00 por mês. Doze reais, cara. Uma latinha de cerveja quente. Todo mês esse dinheiro vai fazer com que você nos ajude a continuar crescendo e trazendo a nossa voz, fazendo com que ela seja ouvida, continuando a trabalhar pela liberdade, pela independência. De novo, cara: vem pra cá. confraria.cafe.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de ninguém menos que Jim Morrison

Alguns nascem para o suave deleite; outros para os confins da noite.