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Luciano Pires -

A Perfetto, que fabrica sorvetes é patrocinadora do Café Brasil e combinou alta capacidade de produção com sistemas avançados de controle de qualidade e de logística, assim garante a entrega daquela receita que tem um sabor, cara!

Olha! Dê uma olhada no site deles, perfetto.com.br, o perfetto tem dois tês. Tem um blog ali cara, com receitas que … meu Deus do céu!

A Perfetto tem como pontos de venda as melhores lojas de cada município em que está presente. São pequenos, médios e grandes varejos, onde você encontra a linha de impulso e também a linha leve para casa.

Vamos lá? Com sorvete #TudoéPerfetto

Você já ouviu falar alguns ditados como “faça o que digo, não faça o que eu faço” ou “muito papo, pouca ação” ou ainda “walk the talk”? Tudo isso tem a ver com se comprometer com aquilo que você diz que é. E um fenômeno curioso tem sido cada vez mais observado na sociedade. É antigo, mas ganhou nome novo: sinalização de virtude. É por aí que vamos hoje.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Em meados dos anos 90, quando eu trabalhava numa multinacional, a empresa promoveu um curso de marketing na Universidade de Michigan. E lá fui eu. Eram professores da universidade intercalados com diretores da empresa. Numa apresentação de um dos diretores, fiquei curioso. Ele falava de como a empresa estava abraçando a questão da diversidade. Veja bem, estou falando de 1996, muito antes que diversidade virasse a modinha, né? Ele falava da importância da empresa contratar mais pessoas de grupos específicos, imigrantes, latinos, asiáticos, pretos, mulheres. E enquanto ele falava, eu fui achando aquilo muito legal. Pô meu, é isso mesmo. Temos de abrir as portas para que mais visões de mundo se integrem. Isso só pode fazer bem.

Pois é. Mas no final da apresentação o diretor deu uma patinada. Ele disse algo como: temos de ter representantes desses grupos dentro da empresa, pois a representação deles na sociedade vem crescendo. Se não tivermos mais gente como eles trabalhando conosco, eles vão comprar de outras empresas que têm!

Pô, meu! Peraí. Então não era uma questão de ser humanista, de entender que todos são iguais, de dar a mesma chance, não importa a origem, raça ou cor?

Não. Era para preservar os negócios. Mas isso jamais seria dito da porta pra fora.

Eu tinha tomado quase trinta anos atrás, contato com aquilo que seria mais tarde conhecido como “sinalizar virtude”.

Erva venenosa (Poison Ivy)
Rita Lee

Parece uma rosa
De longe é formosa
É toda recalcada
Alegria alheia incomoda
Venenosa eh eh eh eh eh
Erva venenosa
É pior do que cobra cascavel
Seu veneno é cruel
De longe não é feia
Tem voz de uma sereia
Cuidado não a toque
Ela é má pode até te dar um choque
Venenosa
Erva venenosa
É pior do que cobra cascavel
Seu veneno é cruel
Se porta como louca
Achata bem a boca
Parece uma bruxa, um anjo mau
Detesta todo mundo
Não para um segundo
Fazer maldade é seu ideal
Xá pra lá
Como um cão danado
Seu grito é abafado
É vil e mentirosa
Deus do céu, como ela é maldosa
Venenosa eh eh eh eh eh
Erva venenosa
É pior do que cobra cascavel
Seu veneno é cruel
Se porta como louca
Achata bem a boca
Parece uma bruxa, um anjo mau
Detesta todo mundo
Não para um segundo
Fazer maldade é seu ideal
Xá pra lá
Erva venenosa
Erva venenosa
Venenosa, venenosa
Venenosa, venenosa
Erva venenosa
Erva venenosa
Erva venenosa
Erva venenosa

Olha só… Rita Lee com Erva Venenosa, a versão de Poison Ivy… é muito apropriado viu?

Uma virtude é uma característica ou qualidade considerada moral ou boa. O cristianismo propagou muito a ideia da virtude, incluindo humildade, gentileza, bondade, caridade. Sempre em oposição aos sete pecados capitais.

Quem é que não quer ser considerado uma pessoa virtuosa, hein? Acho que só um psicopata, não é?

Bem, em meio à guerra cultural, especialmente nestes dias de intensa discussão sobre assédio moral e sexual, imigração, preconceitos, surgiu com força o termo “sinalizar virtude”. Ele vem de “virtue signaling”, que tem se tornado popular por políticos, celebridades e até mesmo empresas.

A definição no dicionário Cambridge diz: tentativa de mostrar para outros indivíduos que você é uma pessoa boa, por exemplo, expressando opiniões que serão aceitas por eles, especialmente nas mídias sociais.

No exemplo que eu dei daquele diretor, para o mercado seria apresentada a ideia de que a empresa estava dando oportunidades para todo mundo! Cara, que empresa bondosa, generosa… humana!

Mas nos bastidores, o negócio era sinalizar virtude para seus clientes, que assim continuariam consumindo seus produtos.

Faça um esforço hoje à noite, ligue a TV. Dê uma olhada nos comerciais e veja a quantidade de empresas sinalizando virtudes.

A seguradora quer sua saúde. O banco quer seu bem. A montadora quer a sua segurança. A cervejaria quer sua alegria. A companhia aérea quer o seu lazer. A operadora de telefonia quer que todo mundo tenha acesso.

Nenhuma delas quer seu dinheiro, viu?

E assim, por todo lado você verá manifestações de empresas que promovem, através de seu marketing, a ideia de que são ambientalmente responsáveis, amam a diversidade, lutam contra a desigualdade. É tanta demonstração de virtude que não sei como o mundo não é um paraíso. A moda do “propósito” ajudou muito. Nenhum banco fala de dinheiro, você reparou? Só falam de como são generosos e preocupados com seu bem estar, de sua família o mundo. Eles querem dizer que são generosos, gentis, decente e….virtuosos.

Sinalizam… virtudes.

Políticos fazem isso há séculos. Dizem que pode haver alma honesta igual, mas melhor, não. Dizem que querem o poder para ajudar os pobres e humildes; que vão gastar os milhões de dinheiro público para proteger os que mais precisam, não interessa se o gasto será eficiente… você viu como eles são honestos, sinceros, decentes e… virtuosos.

Sinalizam… virtudes.

Não interessam as consequências, o que vale são as boas intenções.

Quando sua sobrinha grita nas redes sociais que odeia automóveis e que não come carne, ela está dizendo que, diferente de você que gosta de automóveis e come carne, ela se preocupa com o meio ambiente. Portanto ela é mais boa, legal que você. Mais virtuosa, seu malvado.

Olhe em volta e você verá que a sinalização de virtude normalmente consiste em dizer que você odeia coisas. Essa ênfase no ódio desvia a atenção do fato que você na verdade está dizendo como você é bom! Ou então é boa! Se você dissesse francamente que se importa com o meio ambiente ou com os pobres ou com os animais, mais do que as outras pessoas, as pessoas acharão que você é vaidoso ou então está se achando. Ficaria óbvio demais.

A raiva e a indignação disfarçam sua arrogância.

“Alô Luciano. Bom dia Lalá, bom dia Ciça. Aqui é o Ronaldo, veterinário, 41 anos. Eu já mandei umas mensagens ali em cima e hoje me tocou mandar mais uma mensagem. Na verdad eu eu não sabia se também essa participação dos ouvintes é mais restrita ao pessoal que participa da Confraria, mas me tocou mandar essa mensagem porque o seguinte: um dos melhores canais dos melhores podcasts, são alguns como o Antifrágil, A mão peluda do estado, onde cita várias vezes o texto de Adam Smith, entre tantos outros. Conteúdo técnico, altamente nutritivo que você produz e vê como são as coisas.

Em 2015, foi lançado um livro aqui do Harari no Brasil, né? Que se chama Sapiens e eu só tive conhecimento hoje. Vejo isso também como um problema meu, só ter conhecido isso hoje e fui procurar um resumo, porque hoje é tanto conteúdo que a gente tem nas redes e tanta coisa pra fazer pelo computador que…encontrei alguns já… eu já até tinha baixado alguns aplicativos de podcasts quando eu comecei a ouvir, mas continuo… fico sempre pelo Café Brasil, procurando aquilo com o que eu mais me identifico e os musicais, adoro vários, né? Postmodern, Pink Floyd, aquele, putz, aquele do Pink Floyd quando tu separa o áudio da gata lá que faz o solo de vocal, né? Stairway to heaven, enfim…

Mas o resumo do livro do Sapiens, aí procurei num outro podcast, claro que eu não vou dizer, mas infelizmente, assim… é…é… difícil pra mim me identificar tão bem quanto a tua forma de escrever, de interpretar, os teus pitados são muito bons. E… além disso tudo, a forma de enxergar com mais experiência… talvez essa linguagem que uma galera de uma geração mais nova que a nossa, Luciano, eu já estou com 41 anos, e vejo que os caras de 30, entre 25 e 35, tem uma linguagem muito atrelada hoje, digamos assim, a esse hub, a esse ecossistema  de inovação não, mas de empreendedorismo, né? Onde surgiram aí os coachs, e existe uma linguagem nesse ecossistema, talvez os caras falem mais, mas a tua linguagem, pelo menos pra mim, ela é mais real, ela é mais palpável.

E o Sapiens, uma dessas coisas que trazia era justamente falar dos outros. O pouco que eu ouvi daquele podcast, parei de ouvir porque não estava me atraindo mais muito, mas eles faziam uma analogia do que se fala da vida alheia, né? E como isso contribuiu para a evolução do ser humano, foi ali que eu parei de ouvir.

Mas enfim, queria deixar um abraço aqui, agradecer bastante o trabalho de vocês todos, e parabenizar, né? Essa tão importante obra que é o Café Brasil pra literatura nacional, é isso que se diz? Ou pra cultura? Onde é que se enquadra melhor? Grande abraço Luciano e vida longa ao cafezinho”.

Grande Ronaldo, esse passarinho aí no fundo é sensacional, cara. Olha, a participação dos ouvintes é aberta para qualquer um. Não precisa ser da Confraria ou do Premium, não. Eu tenho dado prioridade para livros que são inéditos no Brasil, por isso não fiz nada sobre o livro do Harari. Esse ponto que você levanta das linguagens de cada ecossistema é fundamental para explicar como as audiências se distribuem pela internet, sempre haverá um polo oposto ao seu que achará a minha linguagem um horror, cara… é a vida, né?  Sobre onde enquadrar o Café Brasil, se em cultura ou literatura, olha cara, enquadre onde você quiser. Desde que continue vendo valor naquilo que a gente faz aqui.

Um grande abraço

Muito bem. O Ronaldo receberá um KIT DKT, com alguns dos principais produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar seu endereço para contato@lucianopires.com.br

A DKT distribui a maior linha de preservativos do mercado, com a marca Prudence, além de outros produtos como os anticonceptivos intrauterinos Andalan, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas o que realmente marca na DKT é sua causa de reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta. A DKT trabalha para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, fale numa linguagem que todas as tribos entendam:

Lalá – Na hora do amor, use Prudence.

Ah… e pra falar de virtude tem de ser com um virtuoso, não é? Você ouve uma sensacional interpretação do tango clássico de Carlos Gardel Por una cabeza, pelo Yamandu Costa… cara, sou capaz de ouvir isso aí o dia inteiro.

A origem do termo “sinalização de virtude” é controversa. O jornalista inglês James Bartholomew popularizou o termo num artigo que ele publicou em 2015 no The Spectator, publicação conservadora britânica. Bartholomew explicou direitinho em seu artigo chamado “Easy virtue”, ou Virtude fácil.

Ele pergunta: quer ser virtuoso? Dizer as coisas certas de forma violenta no Twitter é muito mais fácil que a gentileza ou que a bondade verdadeira.

E, normalmente, os sinalizadores de virtude odeiam fatos e evidências. Eles precisam demonstrar bondade. Eles querem salvar o mundo, e a virtude está no desejo de salvar o mundo. Ai de você se disser que, por exemplo, quer propor alguma mudança no SUS… o mundo cairá na sua cabeça, acusando-o de fascista que quer acabar com a assistência para os mais humildes. Não interessa que sua proposta tenha consistência e potencial para melhorar o atendimento. Você está usando fatos e evidências contra gente sonhática.

E assim as caricaturas ganham espaço na sociedade, sendo usadas para desviar a atenção de dados, da realidade. Você cria uma caricatura, um rótulo e, ao pregá-lo em seu adversário, consegue, em vez de discutir o assunto com profundidade, aquele argumento definitivo da plateia: o kkkkkkkkk.

A audiência ama caricaturas e rótulos, porque eles os livram do trabalho de ter de processar a realidade. Rótulos atraem os preguiçosos, que se transformam numa turba pronta para linchar o próximo fascista. Aliás, o que que é “fascista”, mesmo?

Cara, é uma delícia mostrar suas virtudes em tribo, sentir que sua visão do mundo é compartilhada com mais gente… fazer parte da patota, não é? Bote a raiva pra fora, divirta-se! É muito fácil ser do bem.

Demonstrar superioridade moral é uma forma de se diferenciar dos outros. O problema é quando os outros, bote um rótulo aí. Fascistas, por exemplo. O problema é quando os outros… bota um rótulo aí, fascistas por exemplo. O problema é quando os fascistas concordam com você. Para mostrar que você é melhor que eles, é preciso defender mais, ou defender diferente. Se você defende aumento do salário mínimo e o fascista também, você precisa demandar um aumento maior que o que ele quer. Quando se trata de bondade, sua oferta nunca pode ser superada. Pô, mas de onde virá o dinheiro? E se o salário mínimo crescer mais, muito mais gente perderá o emprego!

Não interessa. Interessa exibir o desejo, a bondade.

Isso é sinalizar virtude.

Somos um país de formação cristã, onde o orgulho é considerado pecado. Quem se diz “o tal” é imediatamente olhado com desprezo. Por isso muita gente acha esse sinalizar virtude, algo desagradável, irritante e até ridículo.

Quem disse que a moça lá que resolveu não comer carne é mais virtuosa do que eu? Ela, ué!

A quantidade de gente se gabando direta e indiretamente de suas virtudes é sinal de que não existe vergonha de parecer arrogante. Aliás, não existe nem mesmo a reflexão sobre a possibilidade de parecer arrogante. E a turma manda bala no Twitter, que é um paraíso para sinalizar virtude. Afinal ali, com 140 caracteres, você não precisa elaborar nenhum argumentopoderoso, cara! Basta repetir um rótulo. Repetir uma hashtag. Basta destilar o ódio da moda. Pronto. Ganhou pontos com a galera.

Enquanto isso, o Itaú Cultural tem três podcasts para quem se interessa por música, literatura e questões indígenas.

No podcast Escritores-Leitores, autores brasileiros falam de seu processo criativo. No podcast Toca Brasil, artistas, produtores e pesquisadores do universo musical falam de seu trabalho. E no podcast Mekukradjá escritores, cineastas e lideranças de povos indígenas de várias regiões do Brasil tratam das questões indígenas.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, ó: pelos olhos e pelos ouvidos…

Olha! Eu comecei este programa contando um caso de 1996. De lá para cá, diversas formas de chamar essa gente que sinaliza virtudes foram usadas. Houve o “poser”. Lembra de “poser”? Também tem o “esquerda caviar”. E houve o “radical chic”, criado por Tom Wolfe em 1970, para designar celebridades que abraçavam causas bonitas, mas sem comprometimento com elas. Tá cheio de radical chic por aí, cara. De quando em quando soltam um vídeo no Youtube, tentando levantar uma hashtag e passando vergonha. A diferença pro sinalizador de virtude, é que este não tem de ser uma celebridade.

Qualquer que seja o termo, olha, essa designação será sempre pejorativa. Sinalizador de virtude é um insulto para quem veste a carapuça. É claro que existem pessoas que defendem causas que acreditam e que são comprometidas com elas. Mas essas estão ocupadas demais fazendo o bom acontecer. Não ficam disparando ódio pelo Twitter.

Distinguir entre as expressões de indignação genuínas e as estratégicas, obedece a uma teoria: são dois os sistemas psicológicos que dão forma às expressões de ultraje moral, de indignação moral. Um é um sistema genuíno, que avalia a transgressão à luz de nossos valores morais e determina o nível de indignação que a gente vai sentir. O outro sistema é o estratégico: ele avalia o contexto social no qual estamos inseridos e determina o nível de ultraje que parecerá melhor para os outros.

As expressões de indignação autênticas, envolvem apenas o primeiro sistema. Sinalização de virtude envolve o segundo.

Mas pesquisas recentes foram mais fundo e determinaram que a indignação está sempre ligada à nossa reputação. Em outras palavras, mesmo a indignação genuína, pode ser estratégica. Queremos sempre parecer bons.

Mesmo quando não somos observados, nosso desejo de parecer bons aos outros, impacta em nosso comportamento. Temos uma voz interior o tempo todo dizendo: “e se não tivesse alguém olhando, eu pareceria virtuoso?”

Isso quer dizer que sempre nossa indignação é influenciada pelo desejo de parecer virtuoso. É por isso que pulamos no pescoço de quem diz uma frase que vá contra nossos princípios. Mesmo que não tenhamos visto a frase dentro de um contexto.

Em resumo: nem sempre demonstrações de indignação são sinalização de virtude. Podem ser, sim demonstrações verdadeiras, mas que no fundo tem a ver com um desejo legítimo de parecer bom.

Por isso é fundamental observar a atitude, a razão da atitude a circunstância. Ou você corre o risco de sair por aí acusando gente genuinamente boa de sinalizador de virtude.

Meu bem, meu mal
Caetano Veloso

Você é meu caminho
Meu vinho, meu vício
Desde o início estava você

Meu bálsamo benigno
Meu signo, meu guru
Porto seguro onde eu vou ter

Meu mar e minha mãe
Meu medo e meu champanhe
Visão do espaço sideral

Onde o que eu sou se afoga
Meu fumo e minha ioga
Você é minha droga
Paixão e carnaval

Meu zen, meu bem, meu mal

Então é assim… Meu bem, meu mal com Caetano cantando. É assim então, com Meu bem, meu mal, com uma levada meio blues de Caetano Veloso, que eu uso pra ir encerrando o programa.

Tá entendido, então? Sinalizar virtude é quando um indivíduo, uma companhia ou organização adotam uma ideia para parecer bem aos olhos dos outros. Eles não acreditam verdadeiramente na causa que estão suportando com tanto estardalhaço. Eles agem, portanto, de má fé, porque têm um motivo oculto.

Fique esperto aí você. Antes de manifestar sua indignação, verifique se ela é genuína ou se é só estratégica.

Se for só estratégica, junto com a raiva você vai passar vergonha.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completando o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos levar um cafezinho, uma provocação ao vivo aí pra você.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”, onde você tem uma espécie de MLA – Master Life Administration.

Aliás, eu estou trabalhando no curso, cara! Acabei de lançar o Camp. Acesse mlacafebrasil.com. Vem conhecer o Camp, cara. É fantástico e já está pegando fogo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Stewart Staford:

Não apenas deseje um bom dia para uma pessoa. Faça algo para que o dia dela seja melhor.