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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Café Brasil 746 – O viés

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Luciano Pires -

E a Perfetto, com seus sorvetes é a patrocinadora do Café Brasil, sabe?

Você já foi no blog deles, hein? E o blog da Perfetto. Fica lá no perfetto.com.br , sempre lembrando que esse perfetto tem dois tês. Tem uma receita lá de calda de banana para harmonizar com o sorvete de creme, que eu vou te contar, cara! Experimente também servir a calda com o sorvete e uma fatia de bolo caseiro. Cara! Que delícia! O resultado final vai deixar o seu dia muito mais gostoso.

Olha só: com sorvete #TudoéPerfetto

Você já se pegou forçando a barra para que os fatos diante de você se encaixem na sua própria visão de mundo? Quando você resiste às informações factuais que ameaçam seus valores? Não? Ou nem percebeu, é? Então prepare-se… Vamos tratar hoje do famoso viés.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Verdades e mentiras

Guarabyra

Responda depressa quem se acha esperto
Quem sabe de tudo que é certo na vida
Porque que a cara feroz da mentira
Nos pode trazer tanta felicidade
Porque que na hora da grande verdade
Às vezes o povo se esconde se esquece
Verdade
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Mentira
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira
Às vezes é sua inimiga a verdade
Às vezes é sua aliada a mentira
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade
Por onde será que é mais curto o caminho
Qual deles mais sobe
Qual deles mais desce
Verdade
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Mentira
Esconde esconde
Jogo de esconde esconde
Tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira
Tem…

Ah que delicia sempre é umadelícia… Sá e Guarabyra, aqui com Verdades e mentiras, que eu já toquei no Café Brasil algumas vezes. E que pelo jeito vou tocar sempre….

Você viu que loucura as eleições presidenciais nos EUA, hein? São toneladas de evidências de que houve fraude, o que colocaria o resultado da eleição em risco, e a imprensa já decidiu que o Biden tá eleito. Pode até ter vencido a eleição, mas eleito, não estava, porque enquanto o resultado oficial não fosse anunciado, não daria pra apostar.

E o que me chamava a atenção era a quantidade de jornalistas dizendo o tempo todo “o presidente eleito Biden”, “o presidente eleito Biden”, com uma certeza olímpica cara,  que me intrigava.

E o debate em torno da Covid então hein? Cara! Virou o samba do criolo doido, aliá, o samba do estatístico doido. Cada fonte mostra um número, e defende veementemente a sua opinião. E tudo, mesmo as discussões mais amenas, descamba para a política, cara.  No programa Morning Show na Jovem Pan, fiquei curioso com a forma como o comentarista Joel Pinheiro da Fonseca defendia que os números de mortes pela Covid na Suécia cresciam. Todo dia ele se mostrava enfático com o insucesso da Suécia, para agonia do outro comentarista, Adrilles Jorge, que dizia o contrário. No mesmo dia, à tarde, a comentarista Ana Paula Henkel, no programa Os pingos nos is mostrava um gráfico que apresentava números inquestionáveis de queda nas mortes. Mas o Joel, lá, insistia que os números cresciam.

E eu pensava: mas como é que com tantas evidências, o cara não aceita, hein?

Cara, o cenário político está um caos, não é mesmo? Parece que, no Brasil, em 2013 alguém abriu uma torneira e de lá para cá a política inundou todos os segmentos da sociedade. Até remédio a gente discute sob o ponto de vista político.

E muita gente acha que essas discussões são apenas mal entendidos, ignorância sobre os temas em discussão… como que se buscando mais fatos, aprendendo mais, conseguíssemos superar os embates.

Não. Não conseguimos.

Primeiro porque essa discussão toda não se trata de simples ignorância dos fatos. Menos ainda porque estamos sendo enganados por nossos adversários políticos.

Olha! Não existem respostas fáceis, meu caro. E a cada dia parece que as coisas ficam mais complicadas. Você lembra muitos anos atrás, quando os problemas parece que tinham soluções óbvias? Quando a gente conseguia determinar o certo e o errado? Meu! Isso acabou. Todos os problemas hoje em dia têm milhares de pontos de vista, tudo ficou relativo. E quanto mais informação a gente adquiri, mais aumentam os desentendimentos. Não é curioso isso?

Mas afinal, por que é que boas evidências não funcionam para resolver os debates, especialmente os políticos, hein?

Existem diversos estudos a respeito, mas um é particularmente interessante. Foi conduzido em 2013 pelo professor Dan Kharan, de Yale, que com outros pesquisadores apontou que existem determinados tipos de debates nos quais as pessoas não estão interessadas em encontrar a resposta correta, mas em vencer a discussão. O que as move é o ego, é o desejo de aparecer bem para a plateia ou praa patota, não importa se estão defendendo a verdade. Assim, os fatos não importam. Agregar mais conhecimento, mais evidências, nunca terminará a discussão. Apenas vai peolongar. Ninguém quer saber da verdade.

O dono da Rádio Jovem Pan, o Tutinha, sacou isso muito tempo atrás. E organizou para que seus programas tenham sempre debatedores de campos opostos. Mas não é debatedor comum. São debatedores veementes, que se exaltam. A audiência fica maluca quando vê um destruindo o outro. E o Ibope vai às alturas.

O debate se transformou em show.

Temos uma tendência natural de concordar com o que parece certo, em vez de gastar tempo e energia tentando descobrir o que que é certo. É aí que o discurso de certos malucos encontra tanto suporte. A narrativa sempre é linda, impossível de não gostar… logo, tem que estar certa. O candidato prometendo que vi dar saúde, transporte e segurança de graça, ganha milhões votos. Afinal, como é que um discurso desses pode estar errado? Não interessa se não se sabe de onde virá o dinheiro, a intenção é que é irresistível, não é?

Pouca gente para, estuda as evidências, e só depois tira as conclusões. É por isso que eu sigo a regra das 48 horas. Apareceu um escândalo na imprensa é? Espero 48 horas, assim dá tempo de surgirem nova evidências.

Mas o tribunal popular não quer saber, cara: ele julga, condena e, se conseguir, executa a pena a partir do que parece certo. Entendeu? Parece certo.

Um experimento de Kharan foi sensacional. Eles mostraram para grupos de pessoas uma tabela com dados sobre a proibição do porte de armas. Com um pequeno cálculo matemático era possível saber se o banimento das armas aumentava ou reduzia os crimes. E no exemplo da tabela, em alguns casos, o banimento das armas mostrava que os crimes caíam. Em outros casos, mostrava que os crimes amentavam.

Quando a planilha era mostrada para as pessoas, o resultado matemático, do cálculo que elas faziam mentalmente,  variava de uma forma curiosa, conforme a ideologia de quem analisava a tabela. Os liberals, a turma da esquerda, rapidamente chegava à solução matemática correta quando os resultados eram pró-banimento de armas. Mas quando se deparavam com os casos que mostravam resultado contrário, suas habilidades matemáticas misteriosamente desapareciam e o resultado dava errado. Os conservadores, a tuma da direita, mostraram um padrão semelhante, mas ao contrário.

Ser bom em matemática não era suficiente para fazer com que os dois lados concordassem. E quanto melhor em matemática fosse a pessoa, mas ela tendia a acertar quando a resposta se alinhava à sua ideologia.

Quanto mais inteligente é a pessoa, mais estúpida a política a torna…

“Bom dia, boa tarde, boa noite. Sou ouvinte do Café Brasil já há muitos anos. Sou assinante também do Café Premium, mas nunca tinha mandado uma mensagem aqui.

Então, primeiro eu gostaria de parabenizar aí a todos os envolvidos, acho o programa excepcional. Gosto muito da forma como vocês trazem, acho a forma super fácil, super gostosa de ouvir, sempre com músicas, com a entonação, né? Acho que é agradável, faz com que seja muito mais fácil escutar os programas e tudo mais.

Gosto muito do conteúdo, óbvio que não concordo 100% com tudo que falam, mas acho que essa também é um pouco da graça do programa, que é uma visão que não necessariamente é exatamente igual à sua.

Então, parabenizar aí pelo conteúdo, pela forma. Realmente acho o programa muito bom, acho o conteúdo do Premium também muito bom. Particularmente, gosto muito dos podsumários, eu gosto muito de ler mas, obviamente, a gente não consegue ler tudo o que a gente gostaria, então é bom ter uma visão, talvez um pouco resumido, de livros  que eu talvez não leria naturalmente. Então, gosto muito dessa versão.

E aí, queria aproveitar e fazer uma sugestão: justamente, estou enviando esse áudio, porque eu li um livro recentemente, que achei muito bom e acho que tem muito a ver também com a visão de mundo que o Luciano tem trazido ultimamente, de uma visão mais otimista das coisas.

Então, eu acho que poderia ser um bom livro pra talvez um podsumário, ou mesmo pra agregar aí, porque é um conteúdo que eu achei muito bom. Acho que já tem a versão em português, mas o livro chama Factfulness, posso depois aqui enviar o nome do autor que agora não me lembro. Mas é um livro assim muito bom, que traz uma visão otimista de como as coisas no mundo tem melhorado e a gente talvez tenha uma visão muito simplista, muito de curto prazo, muito vinculado também ao que passam na redes, na mídia, a gente acaba não tendo essa mesma visão, e a gente acha que as coisas estão piores e não estão. Então, eu achei um livro muito bom, bastante embasado em fatos, então, traz várias curvas, né? Várias estatísticas, traz também uma visão muito linear sobre como as coisas deveriam sempre caminhar de forma linear e não são assim. Achei um livro muito, muito bom e acho que poderia agregar aí ao programa. Então, queira dar essa sugestão, tá bom?

Parabéns aí a todos os envolvidos, de novo, vida longa ao Cafezinho”

Essa foi a Cristiane Bastos, que está conosco, no Premium e que curte o que a gente faz. E acertou na mosca. Os Podsumários são realmente uma grande ferramenta para tomar contato com ideias que, na maioria não são publicadas no Brasil. Esse livro o Factfulness no Brasil recebeu o subtítulo de “O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos”, foi escrito pelo Hans Rosling, que fundou em 2005 uma fundação com a missão de combater a ignorância devastadora a partir de uma visão de mundo baseada em fatos que todos possam compreender. O livro é uma porrada, cara! Nunca esteve tão atual. E o programa de hoje vai na mesma linha, cara. Muito obrigado, Cristiane!

Muito bem. A Cristiane receberá um KIT DKT, com alguns dos principais produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar o seu endereço para contato@lucianopires.com.br

A DKT distribui a maior linha de preservativos do mercado, com a marca Prudence, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos Andalan, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas o que realmente marca na DKT é sua causa de reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta. A DKT trabalha para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, qual é aquela coisa que nós dois concordamos?

Lalá – Na hora do amor, usem Prudence.

Isso aqui tá bom demais
Dominguinhos

Olha, isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entra
Mas quem tá dentro não sai, pois é
Olha, isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entra
Mas quem tá dentro não sai
Vou me perder, me afogar no teu amor
Vou desfrutar me lambuzar nesse calor
Te agarrar pra descontar minha paixão
Aproveitar o gosto dessa animação
Olha, isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entra
Mas quem tá dentro não sai, pois é
Olha, isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entra
Mas quem tá dentro não sai
Olha, isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entra
Mas quem tá dentro não sai, pois é
Olha, isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais…

Rararararara… Grande Dominguinhos, com Isso aqui tá bom demais…cara, essa letra é muito sugestiva para o tema deste programa, não é?

Vamos lá então: quanto melhor a pessoa era boa em matemática, mais ela errava a resposta que ia contra suas convicções políticas. Ao sentir que trairia suas crenças, a pessoa perdia a capacidade de calcular corretamente. As pessoas não estavam calculando para chegar à resposta certa, mas à resposta que elas queriam que fosse a certa.

Em outro experimento, Kharan percebeu que entre as pessoas que eram céticas sobre o aquecimento global, quanto mais evidências científicas recebiam, mas crescia o ceticismo.

Bem, não é isso que temos visto nas discussões sobre a Covid, hein? Evidências científicas só servem para aumentar a confusão, pois dão argumentos para todos os lados.

Em outro experimento, Kharan distribuiu biografias de cientistas reconhecidos junto com um sumário de suas descobertas. E perguntou para as pessoas se elas achavam que o cientista era um expert naquele assunto. O resultado foi que a definição de “expert” era “pessoal com credenciais, que concorda comigo”. Ou seja, não importa a formação da pessoa, se ela defende um lado que vai contra minhas crenças.

É por isso que vemos dezenas de médicos conhecidos, com décadas de experiência, sendo ridicularizados quando dizem que receitam a hidroxicloquina para seus pacientes. Não interessa a história do médico, não interessa sua respeitabilidade, não interessa os seus prêmios, não interessa a sua função social ao longo de décadas, cara: ele não concorda comigo…

Uhm, olha que legal, cara… você está ouvindo DOCE MENTIRA, um chorinho 9de Abel Ferreira, com ele e seu conjunto. Essa aí foi gravada em 1962….

A descoberta de Kharan é que quando lidamos com questões que ameaçam nossa tribo ou nosso status dentro da tribo, nosso raciocínio sofre um viés cognitivo. O viés cognitivo é um atalho mental que faz com que a gente se desvie da racionalidade e da lógica. Nos baseamos em nossas experiências e percepções, criamos padrões que distorcem nosso julgamento. E como resultado, fazemos escolhas que não são condizentes com a realidade. Ou são simplesmente irracionais.

Sabe aquele seu vizinho que vota num criminoso condenado e bate no peito dizendo que está certo, hein? Ou aquele justiceiro social que se cala quando a barbaridade é cometida por alguém que está na mesma patota dele? Ou a jornalista que só consegue ver o lado ruim das ações praticadas pelos governantes que defendem o lado oposto ao de suas crenças?

Viés cognitivo. Bom, tá certo, pode ser picaretagem, mas eu estou tentando ver o lado bom…

Todos temos dois sistemas paralelos em nosso processo de julgamento e tomada de decisão. Um é emocional e intuitivo, o outro é racional e calculado. É muito trabalhoso, quando tomamos decisões morais, acionar o modo racional. Na maioria das vezes vamos pelo coração, mas saber mudar do coração para a mente é fundamental para fazer as melhores escolhas.

Tendemos a ser mais influenciados pelas forças emocionais, implícitas e rápidas, pelos atalhos. Isso acaba reforçando nosso viés, e nos deixa profundamente influenciados pelo lado irracional.

Um milhão de argentinos saem de um lockdown carnívoro de oito meses e vão direto para as ruas, sem máscaras, para o velório e enterro de Diego Maradona. E depois retornam para o lockdown. Como é que se explica isso, hein? Sem apelar para o irracional?

É por isso que os manipuladores sempre apelam para narrativas emocionais, que são muito mais eficientes que o raciocínio e argumentação lógicos. Como é que você consegue questionar racionalmente o uso de máscaras diante da foto de centenas de covas abertas nos cemitérios, hein?

Questionar a opinião majoritária da patota, construída por um bombardeio incessante de notícias alarmantes, passa a ser um perigo. Você será acusado, perseguido, demitido, escorraçado. Será xingado de negacionista, genocida, irresponsável e mais um baú de ofensas. Será cancelado quando tentar utilizar fatos e a razão que contradizem o pensamento médio da patota.

Uma vez que uma crença se instale, é muito difícil se livrar dela. Veja o caso da apresentação do socialismo, e do seu primo comunismo, como regimes que levam à paz e ao bem comum. Cara! Até hoje essa defesa é feita em todas as instâncias, mesmo diante de todas as provas de que regimes como esses não dão certo. Mas não adianta, cara. Desafiar essas crenças é desafiar a si mesmo. É ficar diante da apavorante possibilidade de estar errado. E nem todo mundo consegue lidar com isso.

Enquanto isso então, vamos aproveitando pra aquilo que realmente traz conteúdo, traz conceito, traz repertório pra gente, como por exemplo o Itaú Cultural que tem três podcasts para quem se interessa por música, literatura e questões indígenas.

Tem o podcast Escritores-Leitores, onde autores brasileiros falam do seu processo criativo. Tem o podcast Toca Brasil, onde artistas, produtores e pesquisadores do universo musical falam de seu trabalho. E tem o podcast Mekukradjá, onde escritores, cineastas e lideranças de povos indígenas de várias regiões do Brasil tratam das questões indígenas.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, ó: pelos olhos e pelos ouvidos…

Muito bem. Então você já vimos: ser esperto, inteligente, faz com que você seja suscetível ao viés cognitivo quando lida com assuntos pelos quais você se interessa, de verdade.

Isso cria um problema quando se lida com questões de fé, por exemplo. E de política. É quando tentamos de qualquer maneira ficar bem com a tribo. Ninguém gosta de ser o do contra, não é? A ovelha negra, Bom, até tem quem goste, né?

Olha! Mas se é assim que funciona, como é que a gente faz para encontrar a resposta mais próxima da verdade, hein? Como saber em quais especialistas confiar? Se não dá pra confiar nem em nosso raciocínio?

O primeiro passo é focar menos nos argumentos, mais nas estruturas. Na questão dos debates políticos, o que vai resolver serão melhores partidos, melhores políticos, melhores instituições e não melhores argumentos, por exemplo.

Outro ponto: você tem de desenvolver uma autoconfiança que permita desafiar seus credos sem o medo de se sentir menor. É isso que dará confiança para lidar com informações conflitantes com suas crenças e convicções.

Somos extremamente confiantes sobre nossa compreensão de como as coisas funcionam. Até que alguém pede pra gente explicar. Eu uso isso em minha palestra Geração T: nunca tivemos tanta gente capaz de saber o que acontece, sem ter a menor ideia de porque acontece.

Experimente perguntar dois “por quê?” em sequência para aquele seu sobrinho progressista que defende com unhas e dentes um projeto sonhático. Ela certamente será capaz de desfiar um caminhão de razões para ter a sua opinião, mas não conseguirá explicar como ela funcionaria.

Pergunte para os defensores de alimentos orgânicos como fazer para alimentar 8 bilhões de pessoas. Pergunte aos defensores do ônibus gratuito de onde sairá o dinheiro. Pergunte aos profetas do lockdown como as pessoas mais pobres farão para se alimentar. Nunca há resposta. E quando há, é sonhática.

Portanto o outro ponto para promover debates construtivos é: peça explicações sobre como é que as visões funcionam na prática. É impressionante como isso desnuda a irracionalidade.

Ovelha negra
Rita Lee

Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra e água fresca
Meu Deus, quanto tempo eu passei
Sem saber

Foi quando meu pai me disse
Filha, você é a ovelha negra da família
Agora é hora de você assumir e sumir

Baby, baby
Não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar

Baby, baby
Não vale a pena esperar, oh não
Tire isso da cabeça
E ponha o resto no lugar

Muito bem, cara! Eu vou me preparar então pra sair daqui com o clássico Ovelha negra, na interpretação de Renato Enoch e Clara Valverde.

Olha! Vamos pensar um pouco em como tirar o pós do viés e tentar sobreviver nessa loucura.

E eu vou resumir aqui, ó: a comunicação na qual indivíduos com opiniões e visões diferentes buscam se entender e encontrar um caminho comum, é a única forma de promoção de um debate que preste. Se não for assim cara, é  circo ou então é combate, aquela porradaria que a gente vê diariamente nas mídias, onde ganha quem mais humilhar o outro.

Mascara, pensando bem, quem está sendo sonhático agora sou eu. É muito difícil ter empatia com um estúpido que defende o indefensável, contra todas as evidências. Para isso temos de estar abertos para as maluquices dessa gente, e isso com tempo, contamina meu, irrita, enche o saco, cara.

É mais fácil mandar à merda.

Mas aí é isso que está aí.

Olha cara: você vai me desculpar, eu não aguentei tocar Ovelha negra sem ser com a voz da tia Rita…

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí ó, completando o ciclo.

Tá gritando é? Eu sei, eu tenho viés também, eu reconheço perfeitamente e estou aqui defendendo um ponto. Para pra pensar quando parar de gritar, tá bom?

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos levar um cafezinho ao vivo, até online cara, pra tua empresa.

De onde veio este programa aqui tem muito mais, especialmente se você assinar o cafebrasilpremium.com.br, anossa “Netflix do Conhecimento”.

E tem uma outra: eu lancei um curso online chamado CAMP. São seis módulos tratando de produtividade, planejamento, de inovação, de comunicação, de liderança, de moral e ética, de um jeito objetivo, provocativo, do jeito que eu faço aqui no podcast Café Brasil. Se você curtir abordar esses assuntos que te preparam pra ter uma visão um pouco diferente do que vem pela frente, poder até planejar nesse mundo maluco que tem por aí, vem pro CAMP, cara. Aproveita: fica dois anos com acesso, pode fazer a hora que você quiser, o acesso é por vídeo, por áudio, pode ouvir até no teu celular, no aplicativo. Vam pro CAMP, cara! É mlacafebrasil.com. mlacafebrasil.com. Se você curte o Café Brasil, vai curtir o CAMP.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Olavo Bilac.

O medo é o pai da crença.