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Luciano Pires -

E a Perfetto é, com gosto, a patrocinadora do Café Brasil. Com gosto de sorvete!

Vc já foi no blog da Perfetto, hein? Fica lá no perfetto.com.br , perfetto com dois tês. Lá eles mostram umas tentações que eu vou te contar, cara… como o Recheatto Baunilha, quando dois biscoitos italianos recebem o recheio do cremosíssimo sorvete de baunilha da Perfetto, vira o que, heion meu? Bolacha? Sanduiche de sorvete ou picolé cremoso com biscoito, hein? Olha, qualquer que seja a resposta, tem de ser Recheatto!

Com sorvete #TudoéPerfetto

Então, olha: a gente precisava terminar 2020 pra cima, não é? Que ano, meu! Então decidimos chutar o pau da barraca.

Algumas obras de arte são tão perfeitas, mas tão perfeitas, que conseguem condensar em alguns minutos todo o espírito de um tempo. E tornam-se assim, eternas. É assim com a canção Rocket Man, da excepcional dupla Elton John e Bernie Taupin, inspirada por Ray Bradbury.

Vamos embarcar nessa nave?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Uau! E a nossa máquina do tempo nos deixa quando?

Em 2006. A cidade é Nova Iorque. O aniversariante é Elton John, que para comemorar seus 60 anos, fez um único show no Madison Square Garden. O ponto alto, ao menos para mim, foi quando Elton tocou seu clássico dos clássicos: Rocket Man.

Rocket Man
Elton John
Bernie Taupin

She packed my bags last night, preflight
Zero hour, 9 AM
And I’m gonna be high
As a kite by then

I miss the Earth so much
I miss my wife
It’s lonely out in space
On such a timeless flight

And I think it’s gonna be a long, long, time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no, no, no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse
Up here, alone

And I think it’s gonna be a long, long, time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no, no, no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse
Up here, alone

Mars ain’t the kind of place
To raise your kids
In fact, it’s cold as hell
And there’s no one there to raise them
If you did

And all this science
I don’t understand
It’s just my job
Five days a week
A Rocket Man
Rocket Man

And I think it’s gonna be a long, long time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no no no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse
Up here, alone

And I think it’s gonna be a long, long time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no no no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse
Up here, alone

And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time

Cara, foram doze, DOZE minutos de Rocket Man. Doze minutos… e ali eu pude perceber o prazer de um artista tocando uma música que repete em seus shows há 34 anos. Lembre-se: em 2006, 34 anos. E ele se entregou a ela com um prazer contagiante. Naquele palco havia mais que um artista… era aquele momento em que o desempenho une o querer fazer com a competência para fazer e com o tesão de fazer.

Cara! E quando isso acontece, é irresistível!

O show durou mais de três horas, com os maiores sucessos de um dos mais prolíficos e talentosos artistas de sua geração. Aliás, de várias gerações. E pra variar, inglês, né?

Aos 60 anos, Elton e sua antiga banda mantinham a energia capaz de hipnotizar uma plateia de 25 mil pessoas, extasiadas com a sua música. Uma banda perfeita, celebridades, um clima amistoso. Cara, acho que foi o melhor show da minha vida.

Minha vida sim, eu estava lá na plateia.

Elton se entregou completamente… e eu ali, maravilhado cara, assistindo a uma performance excepcional de um sujeito que fez a trilha sonora da minha vida.

Olha, não dá pra explicar para quem não estava lá…

“Oi Luciano, Lalá, Ciça. Bom. Hoje aconteceu tanta serendipidade, foi um dia maravilhoso e hoje é aniversário da minha pequena, da minha filha Sofie, fazendo três anos, né? E eu estou longe dela. Estou a mil quilômetros dela. Ela está em São Paulo e eu estou em Minas, né? Rolou parabéns e tudo, via conferência, né? Então eu queria estar perto da minha filha, hoje foi um dia… não foi um dia fácil, não foi um dia fácil, né? Mas foi um dia feliz de saber que ela está bem, né? Ela está fazendo um tratamento no Hospital Samaritano em São Paulo, tratamento médico, né? E assim, eu queria muito estar perto dela. Ela é a coisa mais valiosa que eu tenho na minha vida, né?

Até tem uma chance de… a gente é compatível… no sangue, né? Tem uma chance de eu doar meu rim pra ela e eu não a vejo tem um mês, né?

Mas é isso, Luciano. É dicícil segurar aqui, tá? Mas eu me tornei hoje assinante do Café Brasil Premium, conversei já com gente que é assinante e a pessoa me falou que o que ela recebe ali é imenso, né? Mas vamos que vamos.

Eu queria te agradecer por tudo, né? Pelo que você tem feito pela gente, por este país, por acreditar nele, né? E essa é a ajuda que eu peço. Tá bom? Um beijo no seu coração daqui da família: Gustavo, Larissa e Sofie”.

Ah, Gustavo… olha, não poderia haver comentário mais apropriado para o programa de hoje que o de um pai que, por obrigação do trabalho, se vê distante das pessoas que ama. Ouça o programa e você entenderá porquê. Eu acompanho a luta do Gustavo, da Larissa e da Sofie há um bom tempo, com seguidas cirurgias e internações e com o drama de vencer cada degrau, um passo de cada vez. De quando em quando ele me envia uma foto da família, mostrando o desenvolvimento da sua pequena e é inspirador vivenciar, mesmo que de longe, cada pequena vitória. Força aí, meu caro.

O Gustavo é um rocket man, engenheiro de produção com pós graduação em marketing. Para encurtar a distância que o mantinha longe dos abraços da família, ele decidiu vir para São Paulo onde está motorista de aplicativo enquanto busca uma oportunidade. Quem sabe é você quem dará? Mande uma mensagem para o Whatsapp dele no 11 91018 1692.

Quem sabe faremos o 2021 deles pleno e, acima de tudo, com saúde.

Muito bem. O Gustavo receberá um KIT DKT, com alguns dos principais produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT distribui a maior linha de preservativos do mercado, com a marca Prudence, além de outros produtos como os anticonceptivos intrauterinos Andalan, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas o que realmente marca na DKT é sua causa de reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta. A DKT trabalha para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, quando o astronauta encontrar uma ET, ele tem que fazer o que?

Lala – Na hora do amor, usar Prudence e viajar!

Pô cara! Máquina do tempo outra vez, bicho? Onde é que nós estamos agora? Aqui ó: 1972 em Baurú. Na verdade alguma coisa entre 72 e 73.

Na rua Batista de Carvalho havia uma loja chamada A Discoteca de Bauru. Era uma loja de discos no estilo dos anos 60 mesmo, com cabine onde você podia entrar para ouvir partes do disco que pretendia comprar.

Eu tinha dezesseis pra dezessete anos, estava muito longe de mergulhar na música, com o interessa que eu tenho hohje, pra mim era só aquilo que se ouvia no rádio. Mas eu me lembro perfeitamente de ver um compacto com a cara de Elton John, tocando algo que tinha a ver com minha paixão na época – aliás, a paixão de todo moleque de 16 anos na época: a corrida espacial, astronautas e foguetes.

O homem havia descido na lua em 1969, e em 1972 os astronautas da Apollo ainda estavam indo pra lá. Foi o ano da Apollo 16 e 17, com seu jipe lunar. A música falava de um homem-foguete, evidentemente um astronauta, mas eu não prestei muita atenção naquele momento. Só mais tarde viria cair de amores pela canção.

O título completo da canção é Rocket Man ( I Think It´s Gonna Be a Long, Long Time), algo como O Homem Foguete ( eu acho que vai levar muito, muito tempo). Foi lançada em março de 1972, no quinto disco de estúdio de Elton, chamado Honky Château. E Rocket Man foi o maior petardo daquele disco.

Elton John já era uma celebridade. Em três anos, entre 1969 e 1971 , já havia lançado quatro discos, emplacando clássicos como Skyline Pidgeon

Skyline Pigeon
Elton John
Bernie Taupin

Turn me loose from your hands 

Let me fly to distant lands
Over green fields, trees and mountains
Flowers and forest fountains
Home along the lanes of the skyway
For this dark and lonely room
Projects a shadow cast in gloom
And my eyes are mirrors
Of the world outside
Thinking of the ways
That the wind can turn the tide
And these shadows turn
From purple into grey
For just a skyline pigeon
Dreaming of the open
Waiting for the day
That he can spread his wings
And fly away again
Fly away, skyline pigeon fly
Towards the dreams
You’ve left so very far behind
Fly away, skyline pigeon fly
Towards the dreams
You’ve left so very far behind
Let me wake up in the morning
To the smell of new mowed hay
To laugh and cry, to live and die
In the brightness of my day
I wanna hear the…

E a fantástica Your Song

Your song
Elton John
Bernie Taupin

It’s a little bit funny this feeling inside
I’m not one of those who can easily hide
I don’t have much money, but, boy, if I did
I’d buy a big house where we both could live

If I was a sculptor, but then again, no
Or a man who makes potions in a travelling show
I know it’s not much, but it’s the best I can do
My gift is my song and this one’s for you

And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple, but now that it’s done
I hope you don’t mind
I hope you don’t mind that I put down in words
How wonderful life is while you’re in the world

I sat on the roof and kicked off the moss
Well, a few of the verses, well, they’ve got me quite cross
But the sun’s been quite kind while I wrote this song
It’s for people like you that keep it turned on

So excuse me forgetting, but these things I do
You see, I’ve forgotten if they’re green or they’re blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I’ve ever seen

And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple, but now that it’s done
I hope you don’t mind
I hope you don’t mind that I put down in words
How wonderful life is while you’re in the world

I hope you don’t mind
I hope you don’t mind that I put down in words
How wonderful life is while you’re in the world

E depois, e como se não bastasse, Tiny Dancer

Tiny dancer
Elton John
Bernie Taupin

Blue-jean baby
L.A. lady
Seamstress for the band
Pretty-eyed
Pirate smile
You’ll marry a music man
Ballerina
You must’ve seen her
Dancing in the sand
And now she’s in me
Always with me
Tiny dancer in my hand
Jesus freaks
Out in the street
Handing tickets out for God
Turning back
She just laughs
The boulevard is not that bad
Piano man
He makes his stand
In the auditorium
Looking on
She sings the songs
The words she knows
The tune she hums
But oh, how it feels so real
Lying here, with no one near
Only you and you can hear me
When I say softly, slowly
Hold me closer, tiny dancer
Count the headlights on the highway
Lay me down in sheets of linen
You had a busy day today
Hold me closer, tiny dancer
Count the headlights on the highway
Lay me down in sheets of linen
You had a busy…

Pois é, cara… O álbum Honky Château chegou a número um nos Estados Unidos. Foi o primeiro de sete álbuns consecutivos a chegar lá, coroando a parceria de Elton com Bernie Taupin nas letras. Olha! Eu não tenho medo de dizer que chegou por causa de Rocket Man…

Em 1967, Reginald Dwight, um garoto de 20 anos, que tocava órgão numa banda chamada Bluesology, respondeu a um anúncio de uma gravadora que buscava talentos. Reg sabia fazer músicas, mas não escrevia letras. Um dos executivos da gravadora deu a ele algumas letras escritas por outro garoto que respondera ao mesmo anúncio. Reg, impressionado com as letras, entrou em contato com o autor, Bernie Taupin, que tinha 17 anos. Eles se aproximaram e Bernie passou a viver na casa da mãe de Reg. Havia um piano na sala da casa onde Reg passava boa parte do tempo. Bernie sentava-se na cama do seu quarto e escrevia as letras. Quando terminava, levava até Reg e dizia: ó, experimente esta aqui… E voltava para o quarto para escrever outras letras, enquanto o parceiro musicava a anterior. Era como uma linha de produção… e é assim até hoje.

Aquele garoto Reginald, se transformou em Elton John.

Tudo começa com um conto chamado The Rocket Man, do livro O Homem Invisível de Ray Bradbury, que foi publicado em 1951, dezoito anos antes do homem chegar à lua. Bradbury narra a história de um astronauta, sob o ponto de vista de seu filho. A cada viagem para o espaço, a família experimenta um adeus, uma perda. Não há garantia que o Rocket Man retorne. E apesar do amor por sua esposa, ele sente um chamado que o leva em novas missões. É aquele fascinante espírito da descoberta que o leva a explorar novos horizontes.

A mãe, Lilly, explica para o filho Doug, de 14 anos, como lidar com a ausência do pai:

“Quando ele foi para o espaço, dez anos atrás, eu disse para mim mesma: ele está morto. Ou como se estivesse morto. Então, pense nele como morto. E quando ele voltar para casa, três ou quatro vezes por ano, não é ele ali, é só uma prazerosa pequena memória ou sonho. E se um dia a memória ou sonho terminar, não dói tanto. Então, na maior parte do tempo, pense em seu pai como morto…”

Pois é… até que um dia a família recebe a mensagem de que a nave do seu pai desapareceu atraída para o sol. E ele não mais retornará para casa.

Em meados de 1971, Bernie Taupin estava viajando para visitar seus pais. A noite caiu, Bernie havia acabado de ler aquele conto, e lembrou de uma canção chamada Rocket Man, gravada pouco tempo antes por Tom Rapp e sua banda Pearls Before Swine, que basicamente recontava o história escrita por Ray Bradbury…

Rocket man
Tom Rapp

My father was a rocket man
He often went to Jupiter or Mercury, to Venus or to Mars
My mother and I would watch the sky
And wonder if a falling star
Was a ship becoming ashes with a rocket man inside

My mother and I
Never went out
Unless the sky was cloudy or the sun was blotted out
Or to escape the pain
We only went out when it rained

My father was a rocket man
He loved the world beyond the world, the sky beyond the sky
And on my mother’s face, as lonely as the world in space
I could read the silent cry
That if my father fell into a star
We must not look upon that star again

My mother and I
Never went out
Unless the sky was cloudy or the sun was blotted out
Or to escape the pain
We only went out when it rained

Tears are often jewel-like
My mother’s went unnoticed by my father, for his jewels were the stars
And in my father’s eyes I knew he had to find
In the sanctity of distance something brighter than a star
One day they told us the sun had flared and taken him inside

My mother and I
Never went out
Unless the sky was cloudy or the sun was blotted out
Or to escape the pain
We only went out when it rained

E Bernie, olhando o céu estrelado e pensando naquela música,  começa a pensar numa história sobre um homem que se preparava para ir ao espaço, numa viagem rotineira, que o colocava numa encruzilhada entre estar com a família ou estar no espaço.

E de repente, do nada, os versos da abertura surgem em sua mente: “She packed my bags last night pre-flight / Zero hour 9 a.m. / And I’m gonna be high as a kite by then.”

Como ele estava dirigindo, passou a viagem toda memorizando os versos. Chegou na casa dos pais e, sem cumprimentar ninguém, correu pra pegar papel e caneta e anotou.

Mais tarde, completou letra e a deu para Elton John musicar. Eles trabalhavam separados na maior parte do tempo. Era assim, continua assim.

Foi esse conto que inspirou Bernie Taupin e Elton a escrever uma das canções mais marcantes dos anos setenta. Eles mudaram o ponto de vista do filho para o pai. O tema principal é a solidão do Rocket Man, que pode ser compreendida como uma consequência do pai de família que precisa ficar longe casa por conta do trabalho.

Em abril de 1972, dois dias depois do lançamento da canção, a Apollo 16 foi lançada em direção à lua, com o astronauta Charles Duke Jr, de 36 anos, que se tornou o homem mais novo a pisar na lua. Na terra, seus dois filhos de sete e cinco anos, admiravam a façanha do pai. Duke, para deixar os filhos mais seguros, perguntou a eles, “que tal você irem comigo para a lua, hein? A gente tira uma foto e eu levo comigo…”

E foi exatamente o que ele fez. Antes de retornar da Lua, Duke deixou lá a foto da família, escrito no verso: “Esta é a família do astronauta Charles Duke do planeta Terra, que pousou na Lua em 20 de Abril de 1972”.

A foto deve estar lá até hoje…

Pois é. Muito antes do cinema mostrar astronautas convivendo no espaço como num trabalho qualquer, como em 2001 Uma odisséia no espaço, Aliens de 1979 ou Dark Star de 1974, Ray Bradbury previu que um dia, a viagem espacial seria apenas mais um trabalho.

O relato de Bernie sobre a gravação de Rocket Man é uma delícia. Ele disse assim:

“Durante a gravação, me sentei na sala da técnica e fiquei apenas observando. Eu estava intimidado pelo produtor Gus Dudgean, que era um excepcional técnico. Tive medo de dizer alguma coisa e passar vergonha.

Quando ouvi os primeiros takes nos monitores do estúdio, fiquei extasiado. Tive uma sensação maravilhosa ao ouvir a minha letra transformada em algo muito especial. A musica deu vida à minha escrita. Não dá para ter a sensação que senti apenas com as palavras… aquilo vem da mágica da música, da melodia, dos arranjos e dos grandes músicos.”

Cara… ele estava falando de Rocket Man…

Ela arrumou minha mala na noite passada, antes do voo
Na hora zero, às nove da manhã
Eu estarei bem lá no alto
Como uma pipa

Eu sinto tanta falta da Terra
Eu sinto saudades da minha mulher
É tão solitário no espaço
Em um voo eterno

E eu acho que vai levar muito, muito tempo
Até aterrissar de volta e descobrir
Que eu não sou o homem que eles pensam que sou em casa
Ah, não não não
Eu sou o homem foguete
Homem foguete
Enlouquecendo aqui em cima sozinho

Marte não é o tipo do lugar para criar seus filhos
Na verdade, é frio como o inferno
E não há ninguém lá para criá-los
Mesmo se você tentasse

E toda esta ciência
Que eu não compreendo
É apenas meu trabalho
Cinco dias por semana
O homem foguete
Homem foguete

Olha! Para mim, Rocket Man é perfeita. Uma obra de arte à altura de qualquer obra prima gravada por quem quer que seja, cara. Mas pouca gente se prende nos detalhes. O produtor Gus Dudgeon havia trabalhado com os Beach Boys, com os Rolling Stones e produziu Space Oddity de David Bowie. Já estava bem familiarizado com as coisas do espaço… Ele comentou que depois que Elton fez o que tinha de fazer: cantar e tocar o piano, foi embora. Gus então se debruçou sobre a canção e criou alguns dos momentos memoráveis…

0:03 – A canção não tem introdução, vamos direto para o primeiro verso, apenas com o vocal e piano sempre excepcionais de Elton. É ele falando conosco, ao pé do ouvido…

0:17 – A melodia começa a se desenvolver na fala “e eu estarei tão alto como uma pipa”. Uma pequena aceleração, uma forma de Elton nos levar para a decolagem ao espaço…

0:30 – Entra o baixo junto com “eu sinto tanta falta da Terra”, trazendo uma nova dimensão sonora. Saímos do monólogo do piano para uma dimensão maior.

0:45 – Ah… tem um tic-tac ali… será um relógio, hein? Uma contagem regressiva? Alguma coisa vai acontecer…

0:52 – Cresce a linha do baixo, o tic-tac acelera, o que será que vem aí?

0:57 – Ahhhhh… é o coro! O guitarrista Davey Johnstone, o baixista Dee Murray e o baterista Nigel Olsson, combinaram suas vozes no que se tornou uma marca registrada para os próximos trabalhos que realizaram como banda de Elton John.

1:11 – Olha essa guitarra com pedal, cara… Esta sentindo-se flutuando na gravidade zero? Eu tô!

1:52 – Começa o segundo e estanho verso, que fala de Marte. Elton, o piano como no primeiro vers… não” Agora tem o baixo….

2:03 – E esse barulho, cara? Parece uma baleia chorando… ou será um vento solar?

2:16 – A bateria agora, num compasso militar…o baixo num crescendo…lá vem… Novamente o coro.

2:13 – Não! Não! É um sintetizador! Que barato… agora mesmo eu estou no espaço.

2:48 – Ah, o coro novamente….

3:03 – O slide….

3:20 – Cara, chegamos ao ápice… Elton, os ooohhh e aahhh do coro, percussão, guitarra, baixo… tá tudo aqui.

3:46 – ‘And I think it’s going to be a long, long time’ vai se repetindo e desaparecendo, pouco a pouco… como a nave que se afasta de nós… Como o Rocket Man de Ray Bradbury que, um dia, não volta mais para casa…

Caara! Eu tô aqui sem fôlego… o que fazer, hein?

Olha! Eu não sei você. Eu vou ouvir de novo, agora sem interferir na canção. Preste atenção nos detalhes que eu apontei…

Voltando pro planeta Terra.

Vamos dar uma olhadinha no Itau Cultural? Que continua promovendo suas ações, acaba de inaugurar uma mostra com a vida e obra de Lima Duarte. Lima é a cara do brasileiro. Sua história acompanha a evolução dos nossos formatos para contar histórias – rádio, teatro, televisão, cinema, internet. O ator, diretor, sonoplasta, dublador e apresentador, que completou 90 anos em 2020, é tema da 50ª edição do programa Ocupação Itaú Cultural.

Se você não pode ir lá visitar, ao vivo, in loco, o Itaú Cultural simplifica: você pode conhecer pelo site mais de 50 eventos riquíssimos nos quais você pode mergulhar.

Procure a Ocupação no itaucultural.org.br.

Agora você tem cultura entrando por aqui, ó: pelos olhos e pelos ouvidos…

Rocket Man está no lugar 242 na lista das 500 maiores canções de todos os tempos da Revista Rolling Stone. Na minha lista pessoal cara, é fácil fácil uma das top five… E no Youtube existem centenas de remixes e regravações, sem contar as citações em filmes, eventos, literatura.

Sabe o que quer dizer isso? Que Rocket Man é mais que uma canção, um fenômeno cultural….

Não há como não comparar Rocket Man com a vida do próprio Elton John. O sujeito que trabalha com algo que é extraordinário para nós, pessoas comuns. Um viajando pelo espaço, o outro lotando estádios com suas performances. Ambos admirados, paparicados, tratando o excepcional como algo corriqueiro, como seu dia a dia.

E ambos, de alguma forma, lidam com a solidão. Como o Rocket Man de Ray Bradbury, que queria estar na Terra quando estava no espaço, e queria estar no espaço quando estava na Terra, Elton também acaba pertencendo a todos e a lugar algum.

Rocket Man, tanto no conto de Ray Bradbury como na canção de Elton e Bernie, trata de julgamentos e escolhas, que acabam determinando nossos relacionamentos, nosso destino.

Isso me lembra: em 1923, o alpinista inglês George Mallory, anunciou que estava preparando-se para escalar o Monte Everest. Um jornalista do New York Times questionou-o sobre porque se lançar numa aventura tão arriscada. Mallory respondeu com as três palavras mais famosas do montanhismo:

– Because it´s there.

– Porque está lá.

É isso. Rocket Man representa o espírito de um tempo. É sobre correr riscos em busca de algo mais. Sobre vencer nossas limitações. Tem a ver com paixão, com a alegria, a raiva, a ilusão e a desilusão, a satisfação de amar e ser amado, de não permanecer parado, preso num só lugar.

Tem a ver com conquistas.

Olha, de todos os covers que eu pesquisei de Rocket Man, este que você ouve, com Steven Drozd e Maynard James Keenan, vocalista das bandas Tool, Perfect Circle e Puscifer, me pareceu o mais fascinante. Leva a gente pro o espaço….

E é com ele que eu vou caminhando para o final deste episódio que eu desconfio que entra para a prateleira dos clássicos…

Olha! Elton John conseguiu, num dos mais prolíficos períodos da música popular mundial, sobressair entre os grandes. Inovou onde encontrou oportunidades, seja no figurino, no comportamento, nos temas. Fez com que a marca “Elton John” jamais perdesse a força, em sessenta anos de carreira, cara! Eu falei sessenta…

A história de Elton, como a do Rocket Man, é uma história de paixão e entrega total a um propósito. Foi isso que eu vi no palco do Madison Square Garden em 2006… Elton abraça tudo aquilo que podemos almejar para o sucesso: perseguiu seu objetivo, fez uma parceria duradoura com quem era forte onde ele era fraco, montou uma banda de músicos excepcionais que estão com ele até hoje e nunca, nunca abriu mão da qualidade e respeito a seu público. E quando se viu saindo dos trilhos, mergulhando nas drogas e num comportamento errático, procurou ajuda e retomou controle sobre sua vida.

Em fevereiro de 2020, como parte de um dos 300 shows de sua turnê de despedida dos palcos, em Auckland, na Nova Zelândia, aos 72 anos, Elton perdeu a voz e foi obrigado a interromper o show. A cena em que ele se levanta do piano e chora diante da plateia que o ovaciona, é comovente.

Mais tarde ele mandou uma mensagem no Instagram: “Quero agradecer a todos que compareceram ao show desta noite em Auckland. Eu fui diagnosticado com um início de pneumonia hoje mais cedo, mas estava determinado a dar a vocês o melhor show que fosse humanamente possível. Toquei e cantei de coração, até que a minha voz não conseguia mais cantar. Estou desapontado, profundamente chateado e envergonhado. Dei tudo que eu tinha. Obrigado a vocês pelo extraordinário suporte e todo amor demonstrado a mim. Eu estou eternamente grato.

Com amor, Elton.”

É isso. O Rocket Man, apaixonado pelo que faz, vai ao limite. E carega a gente com ele. É exatamente por isso que o amamos.

And I think it´s gonna be for a long, long time…

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completando o ciclo.

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Olha! eu espero que este programa aqui tenha abrilhantado um pouquinho esse final de 2020 e aberto uma luz para 2021.

E vou terminar com uma frase de Ray Bradbury:

Nós somos uma impossibilidade num universo impossível.