s
Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Cafezinho Live
Cafezinho Live
Luciano Pires, criador e apresentador dos podcasts Café ...

Ver mais

Me Engana Que Eu Gosto
Me Engana Que Eu Gosto
Me engana que eu gosto: dois meio brasis jamais somarão ...

Ver mais

Tá chegando o Podcast Café Brasil 700!
Tá chegando o Podcast Café Brasil 700!
Tá chegando a hora do Podcast Café Brasil 700!

Ver mais

Aplicativos IOS e Android para o Café Brasil Premium!
Aplicativos IOS e Android para o Café Brasil Premium!
MUDANÇAS IMPORTANTES NO CAFÉ BRASIL PREMIUM A você que ...

Ver mais

Café Brasil 752 – Jam Session
Café Brasil 752 – Jam Session
Uma das coisas mais fascinantes é a demonstração de ...

Ver mais

Café Brasil 751 – A hipocrisia nossa de cada dia
Café Brasil 751 – A hipocrisia nossa de cada dia
A Perfetto é patrocinadora do Café Brasil e… sabe ...

Ver mais

Café Brasil 750 – The Rocket Man
Café Brasil 750 – The Rocket Man
Algumas obras de arte são tão perfeitas, mas tão ...

Ver mais

Café Brasil 749 – Mais atrai mais.
Café Brasil 749 – Mais atrai mais.
Construímos sistemas cada vez mais complexos, ...

Ver mais

LíderCast 216 – Denise Pitta
LíderCast 216 – Denise Pitta
Empreendedora digital, dona do site Fashion Bubbles, ...

Ver mais

LíderCast 215 – Marco Antonio Villa
LíderCast 215 – Marco Antonio Villa
Historiador, professor, comentarista polêmico em rádio ...

Ver mais

LíderCast 214 – Bianca Oliveira
LíderCast 214 – Bianca Oliveira
Jornalista e apresentadora, hoje vivendo na Europa, ...

Ver mais

LíderCast 213 – Brunna Farizel e Lucas Moreira
LíderCast 213 – Brunna Farizel e Lucas Moreira
Empreendedores, criadores de uma franquia inovadora, ...

Ver mais

Sem treta
Sem treta
A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Escolha um tema quente, dê sua opinião e em seguida ...

Ver mais

Os economistas mais influentes da atualidade
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Os economistas mais influentes da atualidade  “O que são as pessoas de carne e osso? Para os mais notórios economistas, números. Para os mais poderosos banqueiros, devedores. Para os mais ...

Ver mais

A sala de professores e a deseducação
Gustavo Bertoche
É preciso lançar pontes.
Comecei a dar aulas no Ensino Médio em 1999, quando estava no segundo ano da graduação em Filosofia. Ou seja: há mais de vinte anos comecei a freqüentar a sala de professores. Nesse ambiente ...

Ver mais

Leituras, conexões e reminiscências
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Leituras, conexões e reminiscências “Se você tiver uma maçã e eu tiver uma maçã e trocarmos nossas frutas, continuaremos com uma maçã cada. Mas, se você tiver uma ideia e eu tiver uma ideia e ...

Ver mais

Não existe novo normal
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Não, não existe o “novo normal” propalado por alguns construtores de expressões de efeito, apelando mais para o sentimento (desespero, histeria e terror, se possível) do que para os fatos, esses ...

Ver mais

Cafezinho 351 – Um autoritário pra chamar de seu
Cafezinho 351 – Um autoritário pra chamar de seu
As pessoas perderam completamente o bom-senso e já há ...

Ver mais

Cafezinho 350 – Sob o domínio do medo
Cafezinho 350 – Sob o domínio do medo
No mundo de hoje, caótico, competitivo e apressado, ...

Ver mais

Cafezinho 349 – Pânico moral
Cafezinho 349 – Pânico moral
Pânico moral é um medo espalhado pela sociedade, ...

Ver mais

Cafezinho 348 – Quem conta as histórias
Cafezinho 348 – Quem conta as histórias
Imagino a criança perguntando aos pais por que é que ...

Ver mais

Café Brasil 752 – Jam Session

Café Brasil 752 – Jam Session

Luciano Pires -

A Perfetto patrocina o Café Brasil e a essa altura, você já sabe o que eles fazem, não é? Sorvetes!

No site deles, em perfetto.com.br – lembre-se, perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece, cara. Tem lá o Light Chocolate e Coco, que é sem açúcar, sem glúten, sem gordura trans e com 50% menos calorias, quando comparado com o alimento convencional. Produto adoçado com sucralose.

Luciano – Tá vendo Lalá? Não precisa ter medo de ficar gordinho…

Lalá – Ah! Na hora do prazer, eu uso Perfetto!

Luciano – Com sorvete, tudo é Perfetto!

Uma das coisas mais fascinantes é a demonstração de talento humano que surge em momentos inesperados, quando saímos fora do roteiro para improvisar. Tem gente que congela quando sai dos trilhos. Tem gente que improvisa brilhantemente. E tem gente que precisa do acaso, da incerteza, para liberar a criatividade. Que tipo desses é você, hein?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Uma coisa que aprendi muito cedo, quando comecei a estudar para me tornar um cartunista, foi quando me enredei pelas artes da caricatura. Se o cartum é uma piada, a caricatura é uma representação distorcida do rosto de uma pessoa. E o que eu ouvi, não vou lembrar de quem, me marcou para o resto da vida:

– Luciano, para poder caricaturar, você tem de primeiro, saber desenhar…

Pois é. Para poder exagerar nos traços, brincar, eu teria antes de dominar a técnica do desenho. Sem conhecer o básico, fica difícil inventar.

Num podcast anterior contei da minha experiência quando fui ao programa da Hebe Camargo. Esperando que entrasse por um lado, ela me chamou. Mas eu já estava do outro lado, sentado no sofá. Quando percebeu o erro, Hebe deu aquela famosa risada, emendou um “Ah, você taí?” e pronto! O que seria uma falha da produção, transformou-se naquele momento irresistível que faz a gente se sentir em casa, parte do show, entendeu? Só alguém com o domínio do palco, da plateia, do programa, como Hebe tinha, pode fazer isso. Quem não tem essa bagagem gagueja, perde o fio, demonstra que houve um erro. Hebe mostrou que era parte de sua verdade.

Isso é improviso.

Mack The Knife
Bertolt Brecht
Kurt Weill
Marc Blitzstein

Oh, the shark, babe, has such teeth, dear
And it shows them pearly white
Just a jackknife has old MacHeath, babe
And he keeps it … ah … out of sight.

Ya know when that shark bites, with his teeth, babe
Scarlet billows start to spread
Fancy gloves, though, wears old MacHeath, babe
So there’s nevah, nevah a trace of red.

Now on the sidewalk … uuh, huh … whoo … sunny mornin’ … uuh, huh
Lies a body just oozin’ life … eeek!
And someone’s sneakin’ ‘round the corner
Could that someone be Mack the Knife?

A-there’s a tugboat … huh, huh, huh … down by the river don’tcha know
Where a cement bag’s just a’droopin’ on down
Oh, that cement is just, it’s there for the weight, dear
Five’ll get ya ten old Macky’s back in town.

Now, d’ja hear ‘bout Louie Miller? He disappeared, babe
After drawin’ out all his hard-earned cash
And now MacHeath spends just like a sailor
Could it be our boy’s done somethin’ rash?

Now … Jenny Diver … ho, ho … yeah … Sukey Tawdry
Ooh … Miss Lotte Lenya and old Lucy Brown
Oh, the line forms on the right, babe
Now that Macky’s back in town.

Aah … I said Jenny Diver … whoa … Sukey Tawdry
Look out to Miss Lotte Lenya and old Lucy Brown
Yes, that line forms on the right, babe
Now that Macky’s back in town …

Look out … old Macky is back!!

Em 1960, a icônica vocalista de jazz Ella Fitzgerald e seu quarteto composto do pianista Paul Smith, do guitarrista Jim Hall, do baixista Wilfred Middlebrooks e do baterista Gus Johnson, fizeram uma turnê pela Europa com muito sucesso. Em uma apresentação ao vivo em Berlim, na Alemanha, ela começou a cantar “Mack the Knife”, canção originalmente composta por Kurt Weill com letra de Bertold Brecht, para seu musical de 1928 A Ópera dos Três Vinténs. Mack The Knife se transformou num clássico. Em 1954, traduzida para o inglês, a canção virou uma loucura. Um monte de gente gravou.

Ella já havia cantado a canção centenas de vezes. Naquela noite, por volta da segunda estrofe, de repente lhe deu um branco. Ella esqueceu a letra!

Ella Fitzgerald congelou? Não. Ela improvisou – e de uma forma discreta e alegre. Você pode ouvi-la rindo de si mesma enquanto inventa palavras e imita instrumentos pelo resto da canção, com seu quarteto amparando-a totalmente ao longo do percurso.

Bem, você sabe o que aconteceu? Essa gravação ganhou o Grammy em 1961 de Melhor Apresentação Vocal de Canção Popular Feminina. Em 1999, entrou para o Hall of Fame do Grammy.

Cocê viu que loucura, cara? Se Ella não tivesse esquecido a letra, e improvisado, provavelmente não teria levado o Grammy.

“Boa noite Luciano, Ciça e Lalá. Caras! Que deleite esse episódio do Tapestry. Eu estava aqui trabalhando nas minhas planilhas e aí, como de costume, eu deixo meus podcasts rodando aqui do lado, né? E barulhinho de chuva aqui na janela onde eu estou, um clima legal, sabe, cara?

E aí, na roleta aqui, chegou o seu episódio. E cara, eu tive que parar e ficar pensando e aí também já buscando coisas no Youtube, eu não tenho idade assim, de ter acompanhado. Eu sou de 72, então talvez eu não tinha nem a maturidade pra ouvir essas músicas, da Carole King, James Taylor e entender, né? Mas são músicas que pra mim trazem uma memória, trazem… me trazem lembranças de infância, de adolescência, mesmo sem eu ter curtido, talvez da maneira que vocês curtiram.

E, cara! Que viagem! E de repente, entender todo o contexto disso, cara! Com tudo o que está acontecendo hoje, com internet pegando fogo, do jeito que pega, por qualquer coisa, qualquer coisa coisa é um  mimimi, é uma chatice, e aí você vê uma pessoa sendo tão forte, sendo tão poderosa, né? Trazendo a sua mensagem de uma maneira tão afirmativa, com doçura.

Cara! Que episódio, cara! Que legal! Que reflexões que me colocou. Que geralmente, me trazem reflexões seus episódios, mas este com música foi diferente, foi diferente cara! Não foi só aquele deleite que acontece quando estava ouvindo o do Bohemian Rapsody, quanto estava ouvindo o dos Stearway to heaven.

Esse teve assim um momento né, cara? Tem essa… esse agora que a gente está vivendo, que a gente teve que se isolar por algumas questões, que estamos vivendo tudo é um mimimi, tudo é uma guerra, o meu é melhor que o seu, o seu é mais bonito que o meu e cara, você vê uma mulher normal, uma mulher trabalhadora, mãe, pôxa, dando a sua mensagem numa época tão difícil pra ela, né? E com doçura. Olha como é poderoso isso né. cara?

Música é demais. Meninos. Vida longa ao Café. Que nosso 2021 seja incrível. Um abraço. Eu sou o Marcelo daqui de Jacareí, interior de São Paulo, aqui na região do Vale do Paraíba. Um abraço pra todos vocês e vamos em frente. Muito obrigado, meninos!”

Esse foi o Marcelo, lá de Jacareí. Grande Marcelo. Olha… o programa de hoje trata de talento e você nos apresenta um talento do outro lado, o do ouvinte. Você teve o talento de pegar essas músicas antigas, trazer para o contexto atual, refletir a respeito, fazer uma conexão entre as duas épocas e criar um momento único para você. Parabéns, meu caro! Tem gente que só consegue ouvir música velha…rarararar

Muito bem. O Marcelo receberá um KIT DKT, com alguns dos principais produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar o seu endereço para contato@lucianopires.com.br

A DKT distribui a maior linha de preservativos do mercado, com a marca Prudence, além de outros produtos como os anticonceptivos intrauterinos Andalan, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas o que realmente marca na DKT é sua causa de reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta. A DKT trabalha para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – ô Lalá, improvisa aí…

Lalá – Na hora do amor, eu uso Prudence, yeah!

No módulo sobre Liderança no meu Curso online CAMP, falo do conceito da Jam Session.

O que é isso? Os músicos de jazz se juntam e começam a tocar uma melodia do jeito que eles ensaiaram, e aí vão tocando, tocando e de repente, cada um começa a fazer uma parte, por sua conta. E aí o guitarrista entra e faz um solo ao qual o pianista reage. Depois vem o baterista reage aos dois, cada um tocando aquilo que passa por sua cabeça, reagindo um ao outro. Aquilo é absolutamente caótico e saem coisas geniais e emocionantes.

Mas como assim caos, se eles têm tudo sob controle, cara!

Pois é. É hora de repensar o que você sabe sobre CAOS.

Caos não é anarquia, caos é o aleatório. Anarquia e aleatório, preste atenção. Tem uma baita diferença entre uma coisa e outra.

Na anarquia ninguém sabe de nada, ninguém sabe o que é que vai acontecer, isso é uma zona,  cara, não tem como botar ordem. É que nem briga de bar onde todo mundo bate e todo mundo apanha.

Aleatoriedade não, as coisas acontecem ao acaso e se eu me preparar para isso eu consigo tirar vantagem daquele caos. Quem nem a Ella fez quando esqueceu a letra da música.

Ordem não é controle, ordem é você ter as coisas estruturadas, é ter uma coisa mas estar preparado para outra. É como a banda de jazz, aquilo não tem alguém coordenando, tem uma estrutura, o cara sabe a hora que ele tem que entrar, sabe que no momento alguém lidera e que os outros seguem. Depois o líder vai mudar.

É tudo estruturado, percebe? Embora ninguém saiba o que vai acontecer, porque é tudo uma improvisação, tem uma estrutura. Você não verá o baterista entrando em dissonância com o saxofonista, a não ser que seja propositalmente.

Mas todos os músicos ali estudaram, ensairam, seguiram partituras, têm noções de composição. Tem um rigor que os levou à condição de poder improvisar.

Ouça os LíderCasts que gravei com o Kiko Loureiro e o Aquiles Priester para entender quanto rigor eles tiveram, e ainda tem, para chegar e se manter entre os maiores do mundo na guitarra e na bateria.

Imaginação e rigor são manifestações paralelas do caos e da ordem, em um sistema chamado caórdico, caos com ordem.

Não é para explodir a cabeça da gente uma coisa dessa, hein? Como assim, cara? Até hoje eu vi que caos era uma coisa louca, que a gente tem que fugir dele, eu tenho que me proteger dele, e agora você está me dizendo que neste mundo novo não? Não, cara! O caos tem que ser bem-vindo, e a sua capacidade de sair bem do caos é que vai determinar o teu sucesso, especialmente como uma liderança. O líder, afinal de contas quem é? É o cara que consegue botar alguma ordem no caos.

E assim, pode improvisar.

Então quando o pessoal alterna a imaginação, que é o caos, com o rigor, que é a ordem, é possível resolver problemas. Não só como rigor, que é comando e controle, mas também não só com o caos, que é a imaginação, é um e com o outro.

Pensa na Jam Session. Então ali eu sou obrigado a saber compor, eu tenho que saber tocar um instrumento, eu sou um virtuose no instrumento, eu sei e aí eu começo… tem alguma ordem naquilo que eu estou fazendo. Só por causa disso eu consigo criar, como no caso do caricaturista. Entendeu? Não saí, entrei e saí fazendo loucura. Eu obedeço uma certa ordem.

Frank Barret, no livro Sim à Confusão, Lições Surpreendentes do Jazz Sobre Liderança, define sete princípios do jazz que podemos trazer para a vida da gente e que causam uma mudança brutal, olha só.

Primeiro provocar competência. Eu não consigo entrar numa banda de jazz se eu não tiver competência. Eu entrei lá, tem um puta guitarrista, tem um baterista de primeira linha, tem um baita pianista, cara, eu cheguei lá com o meu saxofone, se eu não for competente eu não vou conseguir tocar na banda desses caras, então a eu tenho que me tornar cada vez melhor, sempre mais competente.

Outro ponto, aceitar os erros. E aqui entra o exemplo da Ella Fitzgerald. O erro surgiu? Ela esqueceu a letra? Maravilha cara,  vamos para cima dele, deixa o erro vir e vou a partir dele criar e fazer acontecer. Eu tenho certeza que todo mundo que foi assistir ao show de Ella Fitzgerald viu uma apresentação maravilhosa. Mas o ponto alto, que todo mundo vai levar para casa, foi o momento em que surgiu o erro. A reação de Ella ao erro, incorporando-o ao seu trabalho e criando em cima, transformou a falha num momento criativo, excepcional, único e sensorial.

O improviso genial de Ella Fitzgerald estava apoiado em sua técnica vocal impecável, mas milhares de horas de estudo, na interação com os músicos excepcionais que a acompanhavam. Na segurança de que ela sabia muito bem o que estava fazendo. Por isso pode criar à vontade. Ela aceitou o erro e aí pode criar à vontade.

Outro ponto, usar estruturas mínimas para maximizar a flexibilidade. Quanto mais enxuto eu for, mais flexibilidade eu tenho para fazer mudanças ao longo do caminho.

Mais um ponto: distribuição de tarefas. Isso é fundamental. Está muito claro numa banda de jazz, numa Jam Session, como é que funciona, o que que cabe a cada um fazer.

Mais um ponto: tomar emprestado do passado. Ou você acha que o cara cria do nada aquele solo, hein? O solo improvisado é a somatória de todos seus solos anteriores, tem um fraseado que ele usou lá atrás, que ele emenda com outro que ele usou ali na frente e assim vai.

Pense num repentista. Ele cria o repente e não do zero. Ele tem muita coisa que já está na cabeça. Recupera, emenda uma coisa na outra e adapta ao momento, criando – improvisando – algo novo e encantador.

Mais um ponto: valorizar os encontros. A Jam Session vem do encontro, vem no momento em que os talentos diferenciados se juntam e cria-se uma coisa maravilhosa que não existia. Cada um dos músicos é um virtuoso sozinho, mas quando eles se juntam dá… sei lá…Beatles? Entendeu?

Mais uma coisa: alternar entre seguir e liderar. E aqui é uma delícia cara, em alguns momentos quem está liderando é o pistonista, e de repente é o pianista, e lá vem o baterista. E o grande lance da liderança é exatamente entender quando é que eu chego num momento em que o líder não deve ser mas eu, o guitarrista, mas o pianista. Deixa ele tocar. Agora voltou para mim. Agora o líder é cara do financeiro, deixa ele tocar, e agora voltou para mim. Agora é o cara da produção…. Você entendeu, hein? Essa distribuição que o líder esperto tem que saber fazer é o que dá toda a dinâmica e faz com que a Jam Session tenha a riqueza que ela tem que ter.

Outro ponto, eu vou falar um pouco mais pra frente. É aceitar o sim.

E o Itaú Cultural continua com suas programações, mesmo em tempos de pandemia. A sede fica lá na Avenida Paulista, mas eles têm as experiências virtuais, as entrevistas no site, arquivos diversificados, podcasts… E se você entrar na área da Ocupação, verá a celebração de nomes de diversos estados do Brasil  com suas biografias apresentadas através de livros, contos, crônicas, charges, poemas, músicas, filmes.

Dê uma olhada na agenda cultural e no acervo é um mundo de cultura que você acessa daí, do seu celular ou computador ou do seu celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui,por aqui: pelos olhos e pelos ouvidos…

Talvez o principal ponto relacionado à capacidade de improvisar tenha a ver com nossos julgamentos interiores. Quando julgamos, seguimos uma agenda, influenciada por alguma intenção ou objetivo. Quando julgamos, provavelmente seguimos algo ligado a nosso ego. Por exemplo, começou a tocar uma música… irresistível… me dá vontade de dançar. Se essa vontade for para mostrar para os outros que eu danço bem, aí já complicou. Provavelmente eu repetirei mecanicamente os passos de dança que aprendi na escola de dança. Aquela coisa meio fake, sabe? Eu danço para impressionar os outros. Mas se o dançar for para atender a minha vontade interior, ao prazer de se deixar levar pela música, muda tudo, cara. Dane-se o que os outro vão pensar, eu tô curtindo. E aíimproviso à vontade, sem medo de errar. Eu danço pelo meu prazer.

Você já se pegou dançando sozinho ou sozinha, hein? Sem o medo do julgamento de ninguém? Que tal? Entendeu, cara? Você, como Ella Fitzgerald, improvisa de um ponto onde sente a experiência, o prazer, não está preocupado com o ego. Mas em curtir o momento. Se você já assistiu a uma Jam Session pra valer, sabe do que estou falando. Se não sabe, pergunte para um dos músicos o que ele sentiu enquanto improvisava…

Ou então, pergunte para algum ator profissional. Ele dirá que tem um roteiro que não é tão detalhado como a partitura do músico, e que segue alguns parâmetros para improvisar. E o principal parâmetro é  “diga sim, e?”. Receba o desafio e proponha-se a continuar. Ao perceber que o outro ator improvisa, ele entra no jogo. Olha: eu vou publicar no roteiro deste podcast aqui um vídeo com dez momentos em que Jim Carrey improvisou em seus filmes. eu não sei se você gosta dele, mas pra mim, ele é genial, cara! E os momentos que aparecem ali, são momentos geniais. Ele inventa uma lourua tão maluca, tão boa,  que fica no filme. Agora, euq uero que você assista aquele filme duas vezes. A primeira vez assista, veja a loucura que o Jim Carrey faz, ouça a explicação. Tá tudo em inglês, tá? Mas não precisa. Basta olhar. Na segundavez, assista de novo, mas olhando para os atores que contracenaram com Jim Carrey. E você vai sacar como improvisação tem a ver com… gente. Com outras gentes além de você.

A grande sacada é: aceite o desafio! Diga sim. Quando você recebe o desafio com um não, se o autor chega pra você e na hora do improviso ele faz uma brincadeira lá e fala: ah, você é a Sara? E você responde não, você dificulta a continuidade. Ouça o LíderCast qeu eu fiz com o Márcio Balas e você vai ter uma aula de improvisação.

Que tal, hein? Esse som que você está ouvindo aí, é de um mestre do improviso: Miles Davis, com So What. É ele que eu estou usando pra começar a sair e terminar essa programa aqui  bem pensativo, cara!

Tá entendido? Olha! Improvisar não é sair por aí fazendo de qualquer jeito, mas se apoiar em seu repertório, em suas habilidades. E aí, cara, quanto mais rico for o repertório, mais recursos você tem pra improvisar, pra assumir riscos, pra seadaptar ao inesperado com agilidade. E lidar confortavelmente com problemas.

Improvisar desse jeito,  não é falta de profissionalismo, nem é irresponsabilidade. É gênio, meu caro. Bote o seu pra funcionar.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completando o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

De onde veio este programa aqui tem muito mais, especialmente se você assinar o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”. Ou então aproveitar o embalo cara, e comprar meu curso CAMP. Vai lá! Sabe o que você vai ter ali, cara? Repertório. Repertório de montão, experiências de montão. Você vai entrar no grupo do Telegram, com gente muito especial e vai poder ali colocar o teu problema e ouvir outras pessoas discutindo problemas parecidos. Você vai aprender com quem é igual a você, está vivendo problemas iguais, até já passou por eles e levou adiante, né? Esse repetório todo vai te ajudar nos momentos de dureza, a  improvisar. Olha: se  você acessar confraria.cafe, vai conhecer todos os planos. Vem com a gente, cara!

Mande um comentário de voz no WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, quue agora está com a corda toda, né? Com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Miles Davis

Na improvisação, não existem erros.