s
Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Nem tudo se desfaz
Nem tudo se desfaz
Vale muito a pena ver a história da qual somos ...

Ver mais

Henrique Viana
Henrique Viana
O convidado para o LíderCast desta vez é Henrique ...

Ver mais

Deduzir ou induzir
Deduzir ou induzir
Veja a quantidade de gente que induz coisas, ...

Ver mais

Origem da Covid – seguindo as pistas
Origem da Covid – seguindo as pistas
Tradução automática feita pelo Google, de artigo de ...

Ver mais

Café Brasil 797 – ‘Bora pra Retomada – com Lucia Helena Galvão
Café Brasil 797 – ‘Bora pra Retomada – com Lucia Helena Galvão
Tenho feito uma série de lives que chamei de ‘Bora pra ...

Ver mais

Café Brasil 796 – Maiorias Irrelevantes
Café Brasil 796 – Maiorias Irrelevantes
Outro daqueles acidentes estúpidos vitimou mais uma ...

Ver mais

Café Brasil 795 – A Black Friday
Café Brasil 795 – A Black Friday
Uma vez ouvi que a origem do apelido Black Friday seria ...

Ver mais

Café Brasil 794 – O Paradoxo da Tolerância
Café Brasil 794 – O Paradoxo da Tolerância
Eu acho que você concorda que para ter uma sociedade ...

Ver mais

Café Brasil 793 – LíderCast Antônio Chaker
Café Brasil 793 – LíderCast Antônio Chaker
Hoje bato um papo com Antônio Chaker, que é o ...

Ver mais

Café Brasil 789 – LíderCast Osvaldo Pimentel – Monetizze
Café Brasil 789 – LíderCast Osvaldo Pimentel – Monetizze
Hoje bato um papo com Osvaldo Pimentel, CEO da ...

Ver mais

Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
Sabe quem ajuda este programa chegar até você? É a ...

Ver mais

Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
Um papo muito interessante com Henrique Viana, um jovem ...

Ver mais

Café na Panela – Luciana Pires
Café na Panela – Luciana Pires
Episódio piloto do projeto Café na Panela, com Luciana ...

Ver mais

Sem treta
Sem treta
A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Quadrinhos em alta
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Quadrinhos em alta Apesar do início com publicações periódicas impressas para públicos específicos, as HQs não se limitam a atender às crianças. Há quadrinhos para adultos, de muita qualidade, em ...

Ver mais

Trivium: Capítulo 4 – Tipos e Regras de Divisão Lógica (parte 7)
Alexandre Gomes
Antes de tratar das regras da divisão lógica – pois pode parecer mais importante saber as regras de divisão que os tipos de divisão – será útil revisar alguns tópicos já tratados para ...

Ver mais

Simplificar é confundir
Gustavo Bertoche
É preciso lançar pontes.
Alexis de Tocqueville escreveu que “uma idéia falsa, mas clara e precisa, tem mais poder no mundo do que uma idéia verdadeira, mas complexa”.   Tocqueville estava certo. Em todos os ...

Ver mais

País de traficantes?
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Não é segredo que o consumo de drogas é problema endêmico no País, bem como o tráfico delas. O Brasil não apenas recebe toneladas de lixo aspirável ou injetável para consumo interno, como ainda ...

Ver mais

Cafezinho 442 – Por que cultura é boa?
Cafezinho 442 – Por que cultura é boa?
A cultura é boa porque influencia diretamente a forma ...

Ver mais

Cafezinho 441 – Qual cultura é melhor?
Cafezinho 441 – Qual cultura é melhor?
A baixa cultura faz crescer a bunda, melhorar o ...

Ver mais

Cafezinho 440 – Alta e baixa cultura
Cafezinho 440 – Alta e baixa cultura
Baixa cultura é aquela que me faz bater o pé, mexer a ...

Ver mais

Cafezinho 439 – O melhor investimento da Black Friday
Cafezinho 439 – O melhor investimento da Black Friday
Uma coisa é comprar um televisor. Outra é adquirir cultura!

Ver mais

Café Brasil 753 – A sala dos professores

Café Brasil 753 – A sala dos professores

Luciano Pires -

E a Perfetto, com seus sorvetes é a patrocinadora do Café Brasil, você já sabe, né?

Você já foi no blog deles, hein? É o blog da Perfetto. Fica lá no perfetto.com.br, sempre lembrando que esse perfetto tem dois tês. Tem uma receita lá de calda de banana para harmonizar com o sorvete de creme, que eu vou te contar, cara! Experimente também servir a calda com o sorvete e uma fatia de bolo caseiro. Olha! É uma delícia, viu? E o resultado final vai deixar o seu dia muito mais gostoso.

Presta atenção: com sorvete #TudoéPerfetto

Professor…professor…professor… houve um tempo em que o sonho de uma criança era ser professor. Mas a profissão foi perdendo o brilho com o passar dos anos, ultrapassada por atividades mais, digamos, glamorosas. Pois é. É uma pena, viu? Poucas atividades são tão nobres como a de um educador. Vamos dar um mergulho então dentro da sala dos professores, pelas mãos de um professor, pra ver o que acontece?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

O Gustavo Bertoche é professor, escreve nas Iscas Intelectuais do Portal Café Brasil há algum tempo, sempre com uma abordagem, no mínimo, provocativa de temas que permanecem sem avançar no debate nacional. O Gustavo é filiado ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) há 25 anos e autor do livro Realidade e Realização: A dialética do real na epistemologia de Bachelard. Tem, portanto, um pensamento alinhado à esquerda, mas escreve com a educação e a intenção de criar pontes. Ele não é, portanto, um esquerdista carnívoro, cara. É um esquerdista pra chamar de meu, sabe como é que é? Dá gosto trocar ideias com ele.

Recentemente ele escreveu sobre sua experiência com os colegas professores. É um texto que só vai incomodar quem vestir a carapuça. Vamos a ele?

Mas antes…

“Olá Luciano. Tudo bem? Meu nome é Renato, eu falo de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Faz mais ou menos um ano que eu descobri você e os seus produtos todos e sou um frequentador assíduo de tudo.

Hoje de manhã, quando saí pra fazder minha caminhada habitual, coloquei… vi uma postagem nova o post do Café 752 falando sobre Jam sessions. Pus pra escutar e fui fazer a minha caminhada. E aí, refletindo, ainda durante o processo na caminhada, refletindo sobre tudo aquilo que você estava falando, o lance de conhecer as regras primeiro pra depois poder quebrá-las, eu lembrei de quando eu era bem criança ainda, devia ter aí uns oito anos, meu pai me levou no clube aqui da cidade, num dos clubes, pra ver uma apresentação, quase ninguém da sua audiência vai saber o que é isso, de aqualoucos. E aqueles caras, fazendo aquelas maluquices, numa piscina, era uma piscina olímpica, com trampolim, e tal, os caras fizeram barbaridades lá, muito legal.

E lá pras tantas, um dos personagens simulava que estava bêbado e ficava ali, naquela enrolação, meio que conversava com as pessoas e nunca que caía do trampolim, mas toda hora dava uma escorregada e tal e naquele momento, meu pai ainda me alertou para exatamente esse fato. Ele falou: esse cara, deve ser um dos melhores da equipe inteira, porque o que ele conhece do negócio, das habilidades físicas pra poder estar brincando com a coisa toda e nunca finalisar, presta atenção.

E aí, eu fui prestando atenção nisso e coube exatamente em todo tema desse post, desse  Café Brasil aí, falando sobre as jam sessions. Sensacional. Muito legal.

E aí, na hora que estava terminando, normalmente a hora que termina o podcast, na minha caminhada, eu ponho  uma trilha, uma playlist qualquer, geralmente de rock ou de eletrônico bem pesado, pra dar aquele reforço na pegada do exercício. Mas como tocou um Miles Davis e eu sou apaixonado por ele, no podcast, eu falei ah: vou por numa trilha de jazz aqui. E fui ouvindo Miles Davis e seus outros companheiros tão legais quanto e foi muito legal. Fiquei com aquela cara… fiquei estampado na cara aquele sorriso de quem está em estado de graça.

Estado de graça, aliás, que também foi outra coisa que meu saudoso e querido pai que me ensinou. Como estar em estado de graça, como reconhecê-lo nas nossas vidas e fazer ele durar. 

Muito bacana essa… essa integração que você consegue fazer com coisas banais da vida, com coisas especiais da vida e trazer isso tudo pra um sentido muito maior. Muito legal, muito obrigado. eu acho que esse é o grande legado do seu trabalho. Fantástico. Parabéns. Parabéns pra você, pra toda equipe e vou parando por aqui antes que a emoção fique incontrolável, na verdade, já está. Muito obrigado. Grande abraço. Vida longa ao Café. Vida longa ao seu trabalho. Parabéns”. 

Rararararar… esse foi o Renato Lapenta, que legal, Renato. Deixa eu contar um bastidor pra você: quando eu escolhi o Miles Davis, foi pela capacidade dele de improvisar. Mas aí ouvi e achei que a pegada para terminar o programa não estava legal. Estava muito suave sabe? Eu queria algo mais agressivo. Procurei, achei outra m[usica… e não tive coragem de substituir o Miles Davis, rararararara. É isso que o talento faz com a gente, cara. É irresistível.

E sobre aqualoucos, meu caro, eu curti de montão as apresentações deles no Bauru Tenis Clube lá nos anos 60 e comecinho dos 70. E é isso mesmo… os mais hábeis eram os que conseguiam impressionar mais. Obrigado pela lembrança.

Muito bem. O Renato receberá um KIT DKT, com alguns dos principais produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar o seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT distribui a maior linha de preservativos do mercado, com a marca Prudence, além de outros produtos como os anticonceptivos intrauterinos Andalan, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas o que realmente marca na DKT é sua causa para reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta. A DKT trabalha para evitar a gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Professor Lalá, qual é a lição de hoje?

Lalá – Atenção alunos!!! Na hora do amor, use Prudence. Entenderam?

Vamos ao texto do Gustavo Bertoche, mas antes uma apresentação. Gustavo é Doutor em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, professor de filosofia na FAEL – Faculdade de Educação e Letras da Universidade Iguaçu (UNIG), em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro.

Já usei um texto dele como base para outro episódio do Café Brasil, o 724 – A Pátria dos bobos felizes.

Olha! Como eu sei que um monte de professores reagirá com indignação, pois seus disjuntores cairão no primeiro parágrafo do texto do Gustavo, vou aos avisos de praxe. Gustavo Bertoche está falando de sua experiência pessoal. Evidentemente, existem exceções. Se você é uma delas, NÃO VISTA A CARAPUÇA. eu vou repetir: NÃO VISTA A CARAPUÇA. Pense no texto do Gustavo como um alerta, um serviço prestado aos professores que verdadeiramente amam e honram sua profissão. Não leve para o lado pessoal, como se ele estivesse acusando toda a classe. Não. Ele quer valorizar os melhores.

Olha! Eu sei que este meu aviso vai adiantar muito pouco, mas talvez desestimule alguns aí a me escrever pra encher o saco.

Com você, Gustavo Bertoche:

Comecei a dar aulas no Ensino Médio em 1999, quando estava no segundo ano da graduação em filosofia. Ou seja: há mais de vinte anos comecei a frequentar a sala de professores.

Nesse ambiente praticamente não presenciei discussões sobre o processo pedagógico, sobre currículo, sobre métodos de ensino. Por outro lado, ouvi com enorme frequência reclamações quanto a prazos para entrega de notas, quanto a salários baixos, quanto a alunos “mal-educados”, quanto a resultados de jogos de futebol.

Há algo de podre na nossa escola.

Um professor é um intelectual. O seu principal instrumento profissional é o seu pensamento – o que inclui a sua memória, a sua erudição e a sua capacidade de reflexão. Por isso, supõe-se que ele seja capaz de refletir sobre o seu trabalho, ou seja: sobre o sentido da educação, sobre a meta do processo pedagógico, sobre os métodos adequados ou inadequados para que essa meta seja alcançada.

Todavia, raríssimas vezes encontrei colegas educadores interessados em discutir a própria educação. Quando levanto a questão, a maior parte das reações dos meus colegas varia entre a galhofa e a repreensão – sim, repreensão, sob a acusação corporativista de que eu estaria atrapalhando os interesses de classe.

Por “interesse de classe”, entenda-se dois interesses dialéticos: de um lado, os professores da rede particular, interessados em pegar a maior carga horária possível para aumentar o salário. De outro lado, os professores da rede pública, interessados em pegar a menor carga horária possível, já que o salário é fixo. Esses interesses divergentes convergem, dialeticamente, na busca pela maior eficiência – isto é: pela obtenção do maior salário possível, com o menor esforço possível.

Em suma: com frequência, o educador está mais preocupado com a obtenção das condições materiais para a sua sobrevivência do que com a reflexão sobre a própria educação.

Essa situação é compreensível: viver no Brasil é difícil. Parece que tudo conspira contra nós: o Estado sempre nos atrapalhando, os diversos fenômenos da violência nos restringindo a ação, os salários baixos, a falta de incentivos para a formação continuada. O trabalho intelectual padece ainda de outro mal: o desprezo do governo e do povo diante da produção acadêmica. Os professores realmente não são encorajados a pensar, a estudar e a se aprofundar numa pesquisa.

Com isso, nós, professores brasileiros, acabamos por naturalizar a nossa situação profissional absurda: como denunciou em 1952 o físico Richard Feynman (que lecionou entre 1951 e 1952 na Universidade do Brasil, futura UFRJ), ensinamos, como autômatos, “a resolver provas”, mas ignoramos o porquê e o para quê disso. Tornamos os alunos aptos a solucionar exercícios sobre o conteúdo do currículo, do livro didático, da “apostila”, mas jamais refletimos sobre as razões, as metas e as consequências do ensino desse conteúdo.

Quase sempre queremos simplesmente “cumprir o planejamento” para evitar aborrecimentos. Se o currículo explícito nesse planejamento não tem nenhuma ligação com o talento e a vocação de um aluno, o problema não é nosso. Se não existe nenhuma conexão de um conteúdo curricular com a vida social e espiritual dos alunos, não é nosso o problema.

Se vamos “reprovar” crianças por não conseguirem resolver exercícios sobre assuntos com os quais jamais se depararão na vida, o problema é delas.

Não nos importa que o currículo seja absurdo, que os métodos pedagógicos sejam maçantes, que não exista nenhuma conexão do mundo escolar com a vida real. Estamos cumprindo o nosso trabalho, e é isso que importa para nós.

O que poucos professores percebem é que, ao participar desse teatro do absurdo que são as nossas escolas, agimos diretamente para a perpetuação e a ampliação da pobreza material, intelectual e espiritual da nossa sociedade.

Afinal, ao lado do currículo oficial que não tem o menor sentido existe outro, bem mais influente: o currículo oculto. E qual é o nosso currículo oculto, hein?

Em outras palavras: o que ensinamos realmente na escola enquanto fingimos ensinar a matéria curricular?

– Ensinamos a realizar atividades absurdas, sem propósito claro, com a finalidade de obter notas abstratas que decidirão o nosso futuro;

– ensinamos a obedecer à autoridade, a baixar a cabeça diante de ordens sem sentido;

– ensinamos que alunos não têm direito nem mesmo ao próprio corpo, ao autorizarmos ou desautorizarmos o ato de ir ao banheiro, de beber água, de se sentar ou de se levantar;

– ensinamos que não é preciso saber nada de fato, mas sim dar a impressão de saber, para realizar uma avaliação com questões muito parecidas com aquelas que foram realizadas em classe;

– enfim, ensinamos a ser desonestos, quando marcamos uma avaliação e esperamos que os alunos estudem especificamente para ela; memorizar textos e resolução de questões do dia anterior ao da avaliação, para uso utilitário e imediato esquecimento após a prova, é um tipo de cola, é um tipo de desonestidade intelectual. E somos nós, professores, quem encorajamos, por ação ou omissão, essa má utilização das faculdades cognitivas dos estudantes.

Isso significa que a nossa escola, longe de ser a solução para os problemas estruturais da sociedade, é em grande parte causa deles. A escola brasileira é uma escola de autoritarismo e de desonestidade, e o seu currículo oculto se constitui essencialmente de lições de obediência e de “jeitinho”.

Amigos, isso tudo vale tanto para a escola pública quanto para a privada. A despeito do que dizem por aí, não existem boas escolas no Brasil – não, pelo menos, entre as escolas que seguem o currículo oficial, e certamente não entre as escolas que preparam para o vestibular e o ENEM. E é preciso dizer: do ponto de vista da formação humana, as escolas que estão no topo do ranking do ENEM geralmente são as piores que podemos encontrar.

E de onde vem esse nosso currículo oficial?

A despeito de várias reformas na legislação educacional brasileira, ainda vivemos sob a sombra da organização escolar imposta pela ditadura militar por meio da lei 5692/71. Essa lei estabelecia o currículo básico que ainda hoje se faz presente nos vestibulares / no ENEM e nos livros didáticos.

A lei 5692/71 determinava a formação focada no mercado de trabalho técnico-industrial típico dos anos 60 e 70: os militares queriam que a maior parte dos estudantes brasileiros saísse do segundo grau pronta para assumir postos técnicos numa fábrica ou para fazer uma faculdade de engenharia. Daí a ênfase desmedida na área de ciências naturais que ainda vemos no nosso currículo.

E o resultado disso? Além de termos um currículo oficial generalista, autoritário e absurdo, que não leva em consideração as aptidões e vocações dos nossos alunos, a nossa escola prepara para o mercado de trabalho de cinquenta anos atrás.

Mas nada disso é discutido na sala de professores. Afinal, os professores são intelectuais que, por força das circunstâncias, acabam por abandonar a reflexão, vindo a se transformar em técnicos do ensino: profissionais preocupados com os aspectos práticos do seu trabalho, sem o interesse em compreender as razões e as consequências do que fazem.

Os nossos professores escolares, portanto, quase nunca educam: via de regra, eles instruem. E a instrução que eles proporcionam é completamente equivocada: está distante dos interesses e das aptidões dos nossos alunos, está apartada das necessidades da vida da sociedade e do espírito, ensina a desonestidade e o fingimento, e prepara os jovens para um mundo que já não existe mais.

Nesse sentido, julgo que as campanhas a favor da escola integral, as campanhas de defesa das instituições escolares, as campanhas anti-homeschooling não são campanhas pró-educação. Pelo contrário: elas são campanhas a favor de uma instituição que desconhece o que a educação significa.

Afinal, escolarização e educação não são sinônimos. Uma escola pode deseducar; é a situação que infelizmente encontramos no nosso país. Neste caso, mais escolarização significa menos Educação, significa mais estupidez, significa mais desonestidade.

Enquanto isso, tem ilhas aí pra gente fugir, né? Por exemplo o Itau Cultural. Eles continuam promovendo suas ações e se você não consegue ir lá visitar, ao vivo, in loco, o Itaú Cultural simplifica pra você: você pode conhecer pelo site mais de cinquenta eventos riquíssimos nos quais você pode mergulhar. Se você entrar na área chamada Ocupação, dentro do site itaucultural.org.br. É uma festa de cultura, de história, de repertório.

itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, ó: pelos olhos e pelos ouvidos…

Voltando então ao texto do Gustavo:

A escola é importante: ela é a instituição basilar da modernidade. Mas daí não se segue que devamos defender todos os sistemas escolares. Há sistemas escolares viciosos, que mais prejudicam do que beneficiam os indivíduos e a sociedade. Em nome da educação, eles precisam ser reinventados para que possam propiciar algo que entre nós é quase desconhecido: uma escola educadora.

Uma escola educadora, com professores que não sejam meros técnicos da Educação: com professores que sejam também educadores, e que na sala de professores tenham prazer em criar estratégias conjuntas para impulsionar o talento específico de cada um de seus alunos.

Será que em algum dia conhecerei uma sala de professores assim?

Ah cara!  É irresistível caminhar para o final desse programa aqui, sem usar um trecho de outro esquerdista que eu admiro há muito tempo. E que é praticamente sócio do Café Brasil. Rubem Alves falando sobre o professor:

“Eu estou pensando há muito tempo em propor um novo tipo de professor. É um professor que não ensina nada. Ele não é professor de matemática, de história, de geografia. É um professor de espantos. O objetivo da educação não é ensinar coisas, que as coisas já estão na internet, estão por todos os lugares. Estão nos livros. É ensinar a pensar. Criar na criança essa curiosidade. Essa curiosidade.

Pra mim, esse é o objetivo da educação. Criar a alegria de pensar. Quando o professor fala, provoca a curiosidade da criança. E a criança interage, a criança pergunta. A missão do professor não é dar as respostas prontas. As respostas estão nos livros, estão na internet. A missão do professor é provocar inteligência, é provocar o espanto, provocar a curiosidade.

Então, eu diria que os professores teriam que fazer sempre essa pergunta: isso que eu vou ensinar, serve pra que? A gente precisaria ter uma educação ligada com a vida. Porque é pra isso que a gente aprende, pra viver melhor. Pra ter mais prazer, ter mais eficiência, poupar tempo, não se arriscar.

O que é educação brasileira? Os vestibulares é que determinam a filosofia de educação das escolas. Ou seja, tanto assim, que nos livros de problema, sempre aparece em baixo: ITA, 1987, UNICAMP… ou seja, é tudo orientado no sentido de passar no vestibular. Mas o que adianta passar no vestibular, se dentro de dois anos eu terei esquecido todas as coisas. Eu gostaria que a avaliação do ensino não fosse feita imediatamente depois de terminar. Eu gostaria que fosse feita dois anos depois de terminado o ano. Porque o aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento faz o seu trabalho.

Eu quero testar dois anos depois. Nós não somos movidos pelas ideias. Nós somos movidos pelos sentimentos. Eu acho que a transformação da educação no Brasil ela passa por dentro dos pensamentos e dos sentimentos dos professores. O professor é o ponto central de qualquer programa de transformação do ensino brasileiro.

Taí então. Duas opiniões de dois educadores sobre o professor que a gente gostaria de ter. Ou de ser. Percebeu que ambos trazem a responsabilidade da mudança para o colo da classe dos profissionais do ensino? Essa revolução tem de começar de dentro para fora. Eu acho que depois de meio século já deu pra perceber que do Estado paquidérmico, politizado e focado em interesses outros que a educação, virão muito poucas mudanças. Se é que virão.

E o que é que nós, que não somos professores, podemos fazer, hein? Bom, eu acho um bom começo conversar com os bons professores, manifestar a eles nosso apoio, ajudar as escolas, acompanhar de perto a evolução de nossos filhos, não cair na conversinha sindical dos que querem a convergência que o Gustavo Bertoche colocou no início do texto: a obtenção do maior salário possível, com o menor esforço possível. Essa ambição é pequena demais para quem escolheu a nobre tarefa de educar.

Meus tempos de criança
Ataulfo Alves

Eu daria tudo que eu tivesse
Pra voltar aos dias de criança
Eu não sei pra que que a gente cresce
Se não sai da gente essa lembrança

Aos domingos, missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí

Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor, onde andará?

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia

É assim então, ao som de Itamar Assumpção e a banda feminina Orquídeas do Brasil, interpretando Meus tempos de criança, composição de Ataulfo Alves, que vamos saindo com os miolos fervendo.

E aí, cara? Você é professor? Ficou invocado? Ou ficou aliviado, hein? Está preocupado porque  estão botando o dedo na tua cara ou tá aliviado porque tem gente que pensa igual a você? Vamos fazer alguma coisa, né?

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completando o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, nossa “Netflix do Conhecimento”, onde você tem uma espécie de Master Life Administration. Acesse confraria.cafe, conheça os planos, vem pra gente, cara! Vem pra cá! Anda com a gente. Aqui tá cheio de gente disposta a aprender. E um monte de educadores dispostos a ensinar. e experimente o Premium por um mês, sem pagar.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Imanuel Kant:

Um dos princípios da arte da educação, para o qual deveriam atentar especialmente os incumbidos de dirigi-la, é não dever educarem-se as crianças em conformidade com o presente, senão em conformidade com um estado superior, mais perfeito, possível futuro da raça humana.