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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Café Brasil 755 – Alfabestismo digital

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Luciano Pires -

A Perfetto é patrocinadora do Café Brasil e sabe o que eles fazem, hein? Sorvetes!

Você já foi no blog da Perfetto? Fica lá no perfetto.com.br, Perfetto tem dois tês. Lá tem o Picolé Fazendo Festa, um sorvete cremoso de baunilha com cobertura de chocolate ao leite, produzido na própria fábrica de chocolate da Perfetto. É um produto ideal para receber amigos em casa, servindo com muita praticidade. Sua festa estará completa com ele!

Com sorvete #TudoéPerfetto

Tenho visto estarrecido as áreas de comentários das redes sociais onde é comum que entre vinte, trinta comentários, apenas quatro ou cinco tenham a ver com o assunto do post. A impressão é que os comentadores não conseguem distinguir a realidade da ficção. São pessoas que conseguem ler e escrever, mas confundem o simples com o complexo. E a quantidade de gente assim cresce de forma assustadora. São os alfabestados digitais.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Quadro negro
Jackson do Pandeiro
Rosil Cavalcanti

Um bê com a bê -a ba
Um bê com e bê -e bé
Um bê com i bê -e bi
Um bê com o bê -o bó
Olha vamos estudar que é melhor

Estudei com a dona Filomena
Professora da Vila Tacauã
Lá no quadro negro de manhã
Escrevia a lição pra se estudar
E depois começava a se arrumar
Enfeitada que só uma vedete
E a turma olhando a toalete
A pestana nem podia bater
Filomena vendo tudo calada
Gritou pra turma responder:
Um bê com a bê -a ba

Eu sentado na frente estudava
E olhava ligeiro la pra mesa
Porque tinha cinema sem despesa
Filomena deu pra desconfiar
Porque a turma parou de soletrar
Levantou-se e foi logo perguntando
O que é que voces estao olhando
Porque e que tem aqui tanto sossego
Eu entao respondi a Filomena
Eu estudo é olhando o quadro negro

Abro o programa com o clássico Quadro Negro, de Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro, na interpretação inigualável de Alceu Valença…

pra trazer uma adaptação de um artigo publicado na revista Época Negócios. Prepare-se…

Os preços das ervas, temperos, cebolas e limões na barraca da feirante Onorina Quixobeira da Silva, de 62 anos, são redondinhos: R$ 1, R$ 2, R$ 3, e por aí vai. Nada de centavos. Quanto menos números, melhor. É contando nos dedos que sai o troco do freguês. Só assim ela consegue identificar o que está nas cédulas e fazer a venda correta. “Muitas vezes me atrapalho e tenho de começar a contar de novo”, conta ela.

A feirante Onorina, que começou a trabalhar na roça aos 9 anos, em Maceió, teve de abandonar a sala de aula na 4.ª série para ajudar nas finanças de casa. “Lá não tinha água nem energia elétrica.” Em São Paulo, teve cinco filhos. Todos terminaram o ensino médio. Na feira, um deles ajuda Onorina com o controle do caixa. Outros três cursaram Direito, Enfermagem e Física e trabalham nas respectivas áreas. “Minha filha só conseguiu ir para a faculdade porque teve bolsa”, diz ela, que chegou a pedir dinheiro na rua para comprar comida para a família.

Em 2018, 29% dos brasileiros eram considerados analfabetos funcionais, como mostram os dados do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2018. Analisando a evolução desde 2009, estatisticamente o movimento é de estabilidade, segundo os autores do estudo, uma vez que a margem de erro da pesquisa é de dois pontos porcentuais.

Desde 2001, ano em que começou o Inaf, o total de brasileiros de 15 a 64 anos que chegaram ao ensino médio aumentou de 24% para 40%, e ao ensino superior, de 8% para 17%. Apesar de a população ter mais anos de estudo, o índice daqueles plenamente capazes de se comunicar pela linguagem escrita segue igual,  só com 12% no nível proficiente (o mais alto). Entre os que terminaram o ensino médio, 13% são analfabetos funcionais e, dos que têm ensino superior, 4%.

Resumindo: estima-se que cerca de 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, o que significa que de cada dez brasileiros, três não conseguem resolver operações básicas que envolvam, por exemplo, o total de uma compra ou o cálculo do troco ou valor de prestações sem juros quando vão ao supermercado. Para essas pessoas, muitas tarefas do cotidiano são grandes desafios, dificultando a cidadania crítica e uma vida com autonomia.

O mais preocupante: entre a população considerada funcionalmente alfabetizada, apenas um em cada dez brasileiros podem ser considerados proficientes e aptos a analisar, por exemplo, gráficos de duas variáveis.

E pra piorar…a internet vem chegando …

“Bom dia, boa tarde, boa noite, pessoal do Café Brasil. Aqui é Erisvaldo Andrade, sou professor, 42 anos, moro em Salvador, Bahia.

Acabei de ouvir a entrevista com Amir Klink. Cara! É de chorar, viu? Essa ideia de salvar os rios é muito interessante. Aqui em Salvador, cidade onde eu moro, tem cinco rios, que viraram esgoto e a solução do prefeito é tapar pra ninguém ver. E no interior da Bahia também, não é bem interior da Bahia não, faz mais parte do Recôncavo, tem uma cidade chamada Ituberá que as pessoas vão pra de lá, ir conhecer uma cachoeira chamada Pancada Grande. O detalhe, meu amigo, é que na própria cidade, cortando a cidade, tem um rio e uma cachoeirinha, cachoeirinha Castro Alves. Pense que se fosse revitalizado, seria maravilhoso.

Agora, veja que incoerência: você vai ver uma cidade que tem um rio com uma cachoeirinha, na própria cidade, pra ir ver outra cachoeira próxima dessa cidade chamada Pancada Grande, por que? Porque essa outra, ela foi abraçada por uma empresa, que cuida, e que faz dela um ambiente turístico. 

Se eu pudesse, se eu tivesse poder, eu botava na cabeça dos prefeitos que passam por aquela cidade, pra mudar essa história.

Foi muito boa a entrevista. Inspiradora. Parabéns.”

Professor Erisvaldo… esse é um ouvinte fiel, que sempre manda recados pra mim, para que eu traga ao programa ou aborde as ideias do outro lado, da esquerda, dos progressistas. Olha, sempre que eu me deparo com ideias aproveitáveis, eu trago sim. Acabei de fazer um programa sobre educação com um texto todinho de alguém que tem a cabeça na esquerda, né? Mas esses caras já têm todos os palcos do mundo à disposição, eu estou mais interessado em dar  voz a quem não tem. Mas desta vez o professor Erisvaldo trata de um tema fundamental: como deixamos que nossas riquezas culturais e naturais sejam esquecidas e substituídas pela pressa, pela visão do curto prazo. O projeto do Amyr Klink é sensacional, coisa de primeiro mundo, que precisará de estadistas para ser implementada. Estadistas que precisam ser produzidos pelas escolas que hoje temos. Olha o tamanho do desafio…

Muito bem. O professor Erisvaldo receberá um KIT DKT, com alguns dos principais produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar o seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT distribui a maior linha de preservativos do mercado, com a marca Prudence, além de outros produtos como os anticonceptivos intrauterinos Andalan, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas o que realmente marca na DKT é sua causa de reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta. A DKT trabalha para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, vamos lá, meu caro. Diga uma coisa importante que todo muito precisa aprender!

Lalá – Ora! Na hora do amor, use Prudence. Simples assim, né?

O nível de analfabetismo necessário para o analfabetismo funcional varia de cultura para cultura. Uma pessoa vivendo numa comunidade rural, agrária, por exemplo, num país em desenvolvimento, consegue realizar a maioria das tarefas diárias sem precisar de habilidades avançadas de leitura. Já alguém que vive num ambiente urbano, especialmente num grande centro dominado pela tecnologia, precisa de um nível de alfabetismo muito mais alto para realizar mesmo as tarefas mais simples.

O analfabetismo funcional não está restrito às franjas da sociedade. Me lembro dos investimentos que a Dana, multinacional de autopeças na qual trabalhei por 26 anos, fazia nos anos 90 para que todos os funcionários tivessem um nível alto de alfabetização. Havia a consciência de que, para o nível de qualidade, rapidez e complexidade dos processos que a empresa precisava para ser bem sucedida no ambiente global, as pessoas deveriam ter um alto nível de alfabetização. Caso contrário, como interpretariam e compreenderiam as instruções cada vez mais complexas do dia a dia de uma indústria dentro da cadeia global de suprimentos?

Curioso com essa questão em relação a outros países, eu me deparei com um relatório de 2009 que apontava que 47% dos italianos eram considerados analfabetos funcionais. Portanto, esse não é um problema exclusivamente brasileiro.

Pense no impacto disso. Analfabetos funcionais conseguem ler, escrever, trabalhar, se comunicar e até mesmo votar, sem que tenham uma compreensão plena sobre aquilo que estão fazendo, falando ou escolhendo.

E a questão se torna ainda mais crítica quando percebemos que a internet se tornou disponível para todos, inclusive para os analfabetos funcionais. E a internet trouxe agravantes, como a pressão do volume de informações oferecidos, a total falta de filtros, a velocidade com que se demandam respostas e a facilidade com que fatos são manipulados e a verdade é fragmentada. É nesse contexto que escolhas precisam ser feitas. É nesse contexto que proliferam os alfabestados digitais.

Um alfabestado digital, assim como um analfabeto funcional, consegue ler e escrever, mas tem dificuldades de entender um tuíte, uma citação ou referência. Ironias, então, cara nem pensar… Em vez de inspirar a busca por novas experiências e habilidades, o alfabestado digital acaba desenvolvendo um estilo de aprendizado preguiçoso. O resultado é o enfraquecimento de habilidades cognitivas. Em vez de motivar a aquisição do alfabetismo básico, o alfabestismo, o alfabesta, favorece as fontes mais simples de informação, como redes sociais e vídeos. De preferência curtinhos e sem textão, pelo amor de Deus. E se possível, com treta.

O resultado é isso mesmo, a alfabestização digital. O sujeito se acha alfabetizado, mas é uma besta quadrada.

Aliás, quem sempre falava em bestas quadradas era o escritor Nelson Rodrigues, que um dia disse que os idiotas dominariam o mundo não pela qualidade e sim pela quantidade. Em sua sua crônica “O Homem Fatal”, escreveu assim:

De repente, os idiotas descobriram que são em maior número. Sempre foram em maior número e não percebiam o óbvio ululante. E mais descobriram: a vergonhosa inferioridade numérica dos “melhores”. Para um “gênio”, 800 mil, 1 milhão, 2 milhões, 3 milhões de cretinos. E, certo dia, um idiota resolveu testar o poder numérico: trepou num caixote e fez um discurso. Logo se improvisou uma multidão. O orador teve a solidariedade fulminante dos outros idiotas. A multidão crescia como num pesadelo. Em quinze minutos, mugia, ali, uma massa de meio milhão.

Nelson Rodrigues nem sonhava com a internet…

Já Umberto Eco, escritor italiano, foi um grande crítico do papel da tecnologia na disseminação das informações. Em 2015, durante evento em que recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, deu uma de suas declarações mais famosas:

“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.”

Umberto foi imediatamente atacado por hordas de alfabestizados que se sentiram ofendidos.

Daniel Kahneman, prêmio Nobel e escritor famoso, descreve a necessidade que todos temos de ter uma história de vida baseada em fatos aceitáveis, não necessariamente verdadeiros. Sacou? Fatos aceitáveis não precisam nem ser verdadeiros. E é aí que a internet entra.

A quantidade de informação disponível, especialmente em formato de vídeo, faz com que aumente enormemente a ilusão de que estamos adquirindo conhecimento e habilidades. Assim, cada vez mais gente está falando, desenvolvendo opiniões fortes e dando até mesmo aulas, sobre assuntos aos quais está superficialmente familiarizada. Sabe aquela conversa mole e rasa do buteco? Agora está online e se transformou em fonte de informação.

Junte essa conversa mole com um público analfabeto funcional e está dada a receita para o desenvolvimento de um mundo virtual narcisista no qual as pessoas se juntam em patotas onde todos mundo pensa igual.  E aí surgem os defensores dos cinquenta tons de terra plana, gente que é incapaz de distinguir a simplicidade de uma caricatura de uma pessoa real. Os alfabestados digitais.

Os desdobramentos desse problema são infinitos. O World Economic Forum apontou que as cinco principais habilidades para 2022 serão pensamento analítico, aprendizado ativo, criatividade, design de tecnologia e pensamento crítico. Todas são habilidades que estão substituindo outras que estão em declínio, como a destreza manual, a memória, gerenciamento de recursos financeiros e o velho comando e controle. Num mundo de crescimento da complexidade, o analfabestismo funcional e o alfabestismo digital pregam a simplicidade…na verdade, pregam o simplório. E tudo se mistura.

Não cientistas, não engenheiros, não técnicos, têm palco e holofotes para discutir de forma simplória temas complexos. E para isso criam palavras de impacto, hashtags, rótulos e os repetem à exaustão.

Não deveria haver espaço para alfabestismo digital num mundo orientado pelo conhecimento.

E para piorar, vem aí a Inteligência Artificial, que precisará de pensamento analítico e curiosidade, habilidades que precisam do raciocínio e do desenvolvimento da capacidade cognitiva. Precisamos das perguntas certas, coisa que o alfabestado não consegue fazer.

A internet é hoje o principal instrumentos para o desenvolvimento da sociedade. Mas o que acontece quando um instrumento poderoso como esse é entregue para todo mundo? Um analfabeto funcional não conseguirá perceber a diferença entre uma fonte confiável e um manipulador. O alfabestado digital pensa que percebe… E o resultado só pode ser catastrófico…

Fake News, interesses ocultos e a manipulação pura e simples dos fatos estão aí, mudando o cenário político dos países e acabando com a estabilidade das administrações, passa a ser a realidade. Fake News destruindo sociedades.

Este podcast chega até você com o apoio do Itaú Cultural, que continua promovendo suas ações, e acabam de inaugurar uma mostra com a vida e obra de Lima Duarte. Lima é a cara do brasileiro. A sua história é doida, cara!  Como ator, diretor, sonoplasta, dublador e apresentador, ele completou 90 anos em 2020, é o tema da 50ª edição do programa Ocupação Itaú Cultural.

Se você não consegue ir lá visitar, ao vivo, in loco, o Itaú Cultural simplifica: você pode conhecer pelo site mais de cinquenta eventos riquíssimos nos quais dá pra mergulhar.

Procure a Ocupação no itaucultural.org.br.

Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui: pelos olhos e pelos ouvidos…

Assaltaram a gramática
Lulu Santos

Wally Salomão.
Assaltaram a gramática
Assassinaram a lógica
Meteram poesia
Na bagunça do dia-a-dia

Sequestraram a fonética
Violentaram a métrica
Meteram poesia
Onde devia e não devia

Lá vem o poeta com sua coroa de louro
Bertalha, agrião, pimentão, boldo
O poeta é a pimenta do planeta
(Malagueta!)

E é assim, com Assassinaram a Gramática, o clássico dos Paralamas do Sucesso, que vamos partindo pro final…

O poeta é a pimenta do planeta…

Bem, o analfabetismo funcional não tem a ver com falta de inteligência, muitos analfabetos funcionais deram um jeito de contornar o problema e chegar a níveis de sucesso na vida.

Eu espero ter mostrado o perigo da combinação do analfabetismo funcional com o alfabestismo digital. A besta digital. É essa combinação, no solo fértil das redes sociais, que cria o ambiente perfeito para as fake news. É esse fenômeno que alimenta a polarização que está destruindo sociedades.

Conhecimento sempre significou poder. Transitamos rapidamente de séculos de escassez de informação para uma abundância jamais vista, que acabou nos afogando e produzindo diversos tipos de analfabetismo. Especialmente o alfabestismo digital. Em outras palavras: o desenvolvimento da internet não foi seguido pelo desenvolvimento de seus usuários.

É preciso aprender a ler, a compreender, ampliar repertórios, desenvolver sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. E você não consegue isso assistindo conversas banais e rasas no Youtube, lendo posts em redes sociais ou dando palpites. É preciso recorrer ao básico, ler os clássicos, aprender como funciona o método científico e saber que quanto mais você aprender, menos saberá. Talvez isso lhe traga de volta a humildade necessária.

Enquanto isso não acontece, você corre o risco de ser um alfabestado digital.

… e aí, meu caro, azar de quem estiver por perto.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completando o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, nossa “Netflix do Conhecimento”, onde você tem uma espécie de MLA – Master Life Administration. A gente está tentando ali cara, trazer um pouco mais de informação, ajudar você a desenviolver exatamente isso: a capacidade de julgamento e tomada de decisão. Cara, eu não quero estar certo não. Eu não quero que você me siga pra dizer que eu sei das coisas. Não sei não, cara. A única coisa que eu sei, é que eu estou permanentemente em dúvida.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, adaptei uma frase de Olavo de Carvalho, que é odiado pelos alfabestados digitais. E é odiado com razão. Ouça só. Aliás: eu fiz uma daptação. É adaptado, tá?

Discutir com o alfabestado digital é desesperador, porque, não entendendo o que ele próprio diz, ele pode mudar retroativamente o sentido de suas frases quantas vezes desejar. O alfabestado digital vive num mundo de puras frases, onde não há verdades ou mentiras, somente vaias e aplausos.