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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Luciano Pires -

A Perfetto patrocina o Café Brasil e você já sabe o que eles fazem, não é? Sorvetes!

Mas sabe o que eles fizeram agora, cara? Buscando inovar com oferta de novos produtos, fizeram uma parceria com a startup chamada Lowko, que faz o sorvete impossível. Delicioso, de baixíssima caloria, feito com ingredientes de origem natural, sem adição de açúcar, nem adoçantes artificiais. Avelã com chocolate, banana com creme de avelã, brigadeiro, chessecake de goiaba, chocochips… hummmm, cara, com os produtos da Lowko, a Perfetto dá ainda mais prazer. E sem o medo de ficar gordinho…

Olha! Dê uma olhada lá em lowko.com.br. Esse lowco se escreve assim, ó: l, o, w, k, o – lowco. lowco.com.br.

Lalá, agora na hora do prazer cara, use Perfetto com baixa caloria! Lowco na cabeça!

E quem ajuda este programa chegar até você é a Terra Desenvolvimento, que é especializada em gestão de empresas agropecuárias. E faz isso suportada por diversas técnicas, pesquisas, tecnologia e uma equipe realizadora. A Terra levanta todos os números de sua fazenda em tempo real e auxilia você a traçar estratégias, fazer previsões e, principalmente, agir para tornar a fazenda eficiente.
Para a Terra, é o olho do dono que engorda o boi, e esse olho precisa ser cada dia mais inteligente.
terradesenvolvimento.com.br – inteligência a serviço do agro

Para o filósofo austríaco Karl Popper, o processo de pesquisa científica apresenta três momentos: problema, conjecturas e falseamento. O problema consiste em pensar em um conflito que precisa ser resolvido. A conjectura é comprovar experimentalmente. O falseamento é provar que a teoria é científica pelo fato de que ela pode ser falsa. Como é que é, cara? Só e científico se puder ser falso? Sim. Dizer isso em tempos de pandemia, bicho, é uma loucura.

Vai começar a gritaria…

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

A ciência em si
Gilberto Gil

Se toda coincidência
Tende a que se entenda
E toda lenda
Quer chegar aqui
A ciência não se aprende
A ciência apreende
A ciência em si

Se toda estrela cadente
Cai pra fazer sentido
E todo mito
Quer ter carne aqui

A ciência não se ensina
A ciência insemina
A ciência em si

Se o que se pode ver, ouvir, pegar, medir, pesar
Do avião a jato ao jaboti
Desperta o que ainda não, não se pôde pensar
Do sono eterno ao eterno devir
Como a órbita da terra abraça o vácuo devagar
Para alcançar o que já estava aqui
Se a crença quer se materializar
Tanto quanto a experiência quer se abstrair

A ciência não avança
A ciência alcança
A ciência em si

Você está ouvindo A ciência em si, de e com Gilberto Gil.

Cara, como o Gil é bom…

Quando conseguimos parar de xingar políticos, dá até pra ver algumas coisas interessantes que andam acontecendo pelo mundo. Ou fora do mundo. Por exemplo, tem um robô neste momento explorando Marte e enviando de lá imagens nunca vistas do planeta vermelho. Ao vê-las, eu me lembrei de um velho conhecido, Jean Nicolini, um astrônomo amador que conheci em Atibaia, criador do Observatório Capricórnio e um dos mais importantes estudiosos brasileiros do Planeta Marte. Lá em 1976 o mundo estava em polvorosa, pois a sonda Viking 1 havia pousado em Marte e começaria a enviar informações que poderiam resolver uma antiga questão: existe vida em Marte?

Na época eu editava o boletim Quasar da Associação Bauruense de Astrônomos Amadores e o Nicolini enviou um artigo discutindo o que poderia acontecer com a Viking. Sua visão era pessimista. Marte, por mais de 300 anos, levou nossa imaginação para o espaço. Através de telescópios vimos imagens difusas do planeta, que foram interpretadas com base naquilo que conhecemos aqui na Terra. E os pesquisadores observaram traços que pareciam canais construídos por alguma inteligência, observaram calotas polares, áreas esverdeadas que poderiam ser vegetação.

Cara, tinha de ter marcianos por lá…

Nicolini estudou Marte por 20 anos, e quando as primeiras sondas chegaram perto do planeta nos anos 60, as informações recebidas foram desmontando todas aquelas imagens românticas que povoaram nossos sonhos de homenzinhos verdes. Marte era um deserto. E Nicolini não acreditava que o planeta reuniria condições para sustentar a vida.

Mas ele disse assim: a única certeza que poderemos ter é se a Viking encontrar vida. É a única resposta definitiva: sim, existe vida em Marte. Para ter a certeza de que não existe vida, teríamos de explorar todos os cantos, cavernas, montes, superfície e solo do planeta, o que é impossível.

Essa conversa com Nicolini eu tive em 1976… muito antes que Nassim Taleb lançasse seu livro A Lógica do Cisne Negro.

O astronauta de mármore
David Bowie
Carlos Stein

A lua inteira agora é um manto negro, ô-ô
O fim das vozes no meu rádio, ô-ô
São quatro ciclos no escuro deserto do céu
Quero um machado pra quebrar o gelo, ô-ô
Quero acordar do sonho agora mesmo, ô-ô
Quero uma chance de tentar viver sem dor
Sempre estar lá, e ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar
Sempre estar lá, e ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite vai temer o fogo
Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul
A trajetória escapa o risco nu, u-uh
As nuvens queimam o céu, nariz azul, u-uh
Desculpe estranho, eu voltei mais puro do céu
A lua, o lado escuro, é sempre igual, al-al
No espaço a solidão é tão normal, al-al
Desculpe estranho, eu voltei mais puro do céu
Sempre estar lá, e ver ele voltar
Não era…

Olha só. Que tal, hein? O Astronauta de Mármore, versão de Carlos Stein para Starman de David Bowie, aqui com Cesar Menotti e Fabiano… está surpreso. é?

Pois é, eu lancei agora pouco um episódio do LíderCast com o César Menotti que está imperdível. Ah, não vai ouvir orque não gosta de setanejo, é? Bem, pratique um pouco de ciência, faça assim: não gosto mas vou experimentar. Você vai se surpreender com o LíderCast…

Com o tempo me aprofundei nas questões da ciência, fui astrônomo amador. Inspirado por Jean Nicolini e mais tarde pelas mãos do filósofo David Humme, trombei com uma das questões mais famosas da filosofia: o problema da indução.

Indução vem de induzir. Você observa um fenômeno e induz explicações baseadas naquilo que experimenta e vê. Hume, em seu livro Tratado da Natureza Humana disse que se a razão nos determinasse, os exemplos dos quais não tivemos experiência, deveriam ser semelhantes aos que tivemos experiência, e que o curso da natureza continuaria sempre uniformemente o mesmo.

Logo, se houver água em Marte, haverá vida em Marte. Não foi assim aqui na Terra?

Mais tarde, outro filósofo, Karl Popper, em sua obra A Lógica da Pesquisa Científica,  aprofundou o assunto, recusando a possibilidade de, a partir da observação de casos particulares, ser possível retirar uma conclusão universal. Não é por ninguém nunca ter visto um cisne negro, que se poderia dizer que cisnes negros não existiam. Não é porque a sonda não encontrou vida em Marte que se pode dizer com certeza que não existe vida em Marte.

Karl Popper se dedicou ao pensamento do racionalismo crítico. Ao buscar responder o que é ciência, formulou o Método Hipotético Dedutivo e se tornou um dos maiores pensadores da filosofia contemporânea, empenhado em saber o que é que nós, do ponto de vista intelectual, podemos conhecer e concluir a partir das experiências que vivemos.

Ufa. Que baita introdução, não é? Pois é. Mas vamos chegar no ponto, então?

Gravei um LíderCast com Ilona Becskeházy, ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, que comentou algo que me remeteu imediatamente para Karl Popper.

Ela contou de sua experiência na cidade de Crato, no Ceará, que ela considera um oásis educacional no Brasil. O sucesso do sistema educacional implantado em Crato rivaliza com grandes centros de primeiro mundo e é o oposto de tudo que conhecemos sobre o fracasso da educação brasileira. Na cidade de Crato, deu certo. Perguntei a Ilona o que aconteceu, e ela deu uma explicação histórica, geográfica, econômica, cultural, política e social que é muito específica para aquela cidade. Pegar os sistemas de Crato e simplesmente aplicar em outra cidade, tem tudo para não dar certo.

Não tem como dizer que se deu certo em Crato, necessariamente vai dar noutro lugar. Isso é uma indução errônea. Pode dar certo, sim, mas é impossível dizer isso com certeza. Assim como é impossível dizer que, por haver água, existe vida em Marte.

Para dizer que o projeto de Crato dará certo em Bauru, temos de desconsiderar as particularidades de cada cidade, entendeu?

Dizer que uma cidade dos Estados Unidos aplicou o lockdown e reduziu o número de casos de Covid, significa o que para o Brasil? Se seguirmos Popper, essa constatação quer dizer muito pouco ou nada, até mesmo para outras cidades dos Estados Unidos.

Quando desconsideramos as particularidades, passamos a pensar abstratamente. E o resultado é a generalização.

“Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu me chamo Cleiton, sou do Espírito Santo, trabalho no Corpo  de Bombeiros Militar e ouvi essa semana o Café 757, O dono da firma e me peguei lembrando de quando eu trabalhava na iniciativa privada e como eu criticava meus patrões, como eu achava que eles não me valorizavam, apesar de tudo que eu fazia. Hoje, a minha esposa, ela é contadora e eu vejo o trabalho que ela tem com funcionários. Funcionários que não valorizam o patrão e como essa cultura ela é arraigada dentro da sociedade brasileira.

O empreendedor, a burocracia, ele nunca tem direitos. Abrir uma empresa demora dias, aparecem taxas que às vezes a pessoa nem tem, está pagando pra trabalhar e ele tem que suar pra tirar o dele, para pagar o funcionário em dia e o povo, as pessoas ainda tem essa cultura de achar que o patrão não presta, sendo que ele dá o salário dele, ele que rasga, trabalha mais, acorda cedo, como você diz no podcast.

Depois que eu comecei a estudar sobre investimento, eu percebi como que nós precisamos de pessoas corajosas, pessoas que botam a cara a tapa pra levantar o Brasil, pra poder crescer. E que apareçam mais pessoas assim.

Obrigado, tudo de bom e falar que hoje eu estou assinando o Café Premium porque eu acho que o seu conteúdo tem que continuar.”

Grande Cleiton…olha, meu caro. Você está certo. Seu comentário cai como uma luva para este programa aqui. Para tudo existem no mínimo dois lados, cada um observando o problema sob sua perspectiva própria. E para eles, essa visão é a correta. E nem estou falando em sem-vergonhice ou canalhice. É um problema de generalização, meu caro. Olha: seja bem-vindo ao Premium, viu?

Aliás, deixa eu fazer uma pausa aqui.

Moçada, eu tenho falado discretamente do Premium ao final de cada programa, exatamente porque eu não gosto de ficar fazendo0 malhação de vendas, cara. Mas às vezes a gente tem de pressionar. O Premium nasceu como uma plataforma onde eu pudesse expandir as ideias apresentadas neste podcast. Se você só consome meus podcasts gratuitos, saiba que existe um outro mundo, com quase 2000 pessoas, que tem acesso a análises mais profundas, sumários de livros, ambiente para troca de ideias e muito mais. É ali que está o futuro do Café Brasil, é na ampliação da presença dos ouvintes, da sua presença, que migra do acesso gratuito para o pago, que temos o nosso futuro, cara!  E temos planos lá de todo jeito. Se você assinar o plano anual da Confraria, por ecemplo, custa pouco mais de oito reais por mês. Você ouviu? Oito reais por mês. O que é que você compra com oito reais por mês? Bem, no caso do Premium, compra repertório, cultura, network e um estímulo intelectual que você agregará e carregará pelo resto da vida.

Acesse confraria.cafe. Custa pouco para você, mas é o apoio que nós precisamos para continuar.

Muito bem. O Cleiton receberá um KIT DKT, com alguns dos principais produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar seu endereço para contato@lucianopires.com.br

A DKT distribui a maior linha de preservativos do mercado, com a marca Prudence, além de outros produtos como os anticonceptivos intrauterinos Andalan, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. Mas o que realmente marca na DKT é sua causa de reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta. A DKT trabalha para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano -Lalá, o que que a ciência ensinou pra você?

Lalá – Que na hora do amor tem que usar Prudence, né?

O político X desviou milhões. Logo, todo político é ladrão.

Meu cunhado tomou hidroxicloroquina e sarou. Logo, a hidroxicloroquina evita a Covid.

A Inglaterra implementou o lockdown e deu certo. Logo, dará certo aqui.

Portugal legalizou a maconha e os índices de consumo caíram. Vai dar certo no Brasil.

Os Estados Unidos liberaram armas, caiu a violência. Vai acontecer o mesmo aqui no Brasil

A única coisa que consigo ver, com certeza, nessas afirmações, é a dúvida. Vai dar certo aqui? Quem foi que disse, hein?

Generaliza e erra tanto quem nega a eficácia do tratamento precoce quanto quem o aponta como o único caminho para resolver a pandemia.

O problema são os que têm certeza com base na indução.

Por isso, muitos se socorrem na ciência, ciência, ciência, já que o método científico não induz, mas comprova.

Você reparou na quantidade de especialistas vomitando suas verdades nas diversas mídias? Reparou que existem especialistas equivalentes dizendo exatamente o oposto? Nós aqui, a plebe ignara, temos de acreditar em qual, hein? Naquele que apresenta comprovações científicas, não é? Ou no que grita mais alto ou tem mais torcida nas bolhas?

Cadê a comprovação científica de que o lockdown funciona? Cadê a comprovação científica de que a vacina funciona? Cadê a comprovação científica de que a Ivermectina funciona?

Não tem.

Você percebe onde eu quero chegar, hein?

Estamos há um ano em dúvida. Ninguém sabe de porra nenhuma, todas as afirmações e estudos são contestados e a única coisa que sobra é a dúvida. E como é que se resolve a dúvida, hein? Discutindo as hipóteses, contrapondo ideias, experimentando, comprovando, criticando e repetindo resultados. Isso leva tempo. Especialmente quando não se admite que determinadas ideias sejam expostas. Quando se acusa quem tenta soluções não comprovadas, de curandeirismo, ignorância ou negacionismo.

Quando se procura estar de um lado ou do outro.

Sabe esse incômodo que você está sentindo aí agora, hein? De não saber de que lado esse Luciano está? Afinal, ele é contra ou a favor? Ah, é um bolsonarista, logo é contra a vacina.

Você consegue perceber o tamanho da estupidez dessa generalização?

Somos diariamente bombardeados por hipóteses anunciadas por especialistas que generalizam, que escolhem as experiências que servem às crenças que eles já têm. A informação veiculada na revista X não serve, pois a revista é de direita ou de esquerda. A opinião do especialista Y não deve ser ouvida, pois ele defende a mesma tese que o Bolsonaro, que é um ignorante, logo, todos que concordam com ele também são ignorantes.

Você consegue perceber a estupidez desse tipo de raciocínio? Ou melhor raciossímio.

O sucesso do combate às drogas só será possível legalizando as as drogas.

O sucesso do combate às drogas só será possível mantendo-as na ilegalidade e endurecendo o poder da polícia.

E aí? Essas verdades absolutas e auto evidentes para quem as enuncia são contraditórias. Tem especialistas, intelectuais do mesmo quilate defendendo as duas ideias.  Como é que faz? Libera ou tranca?

Nunca se estudou profundamente a aplicação dessas ideias em nossa sociedade, mas a discussão ocupa horas e horas nas mídias. E nada acontece. Aliás, acontece, sim. Eu que defendo manter a proibição das drogas, conforme a discussão evoluir, vou acabar sendo taxado de nazista.

Cara, os juízes da mais alta corte acabam de inventar o mandato para prisão em flagrante, uma contradição em termos, e o deputado bocudo lá tá na cadeia. E tem especialistas gabaritados defendendo tanto a legalidade quanto a ilegalidade da prisão dele.

E aí? Nóis aqui: prende ou solta?

E está no ar a Escola Itaú Cultural, plataforma que nasce com o objetivo de desenvolver ações de formação nas diversas áreas de atuação da organização; promover acesso ao conhecimento nos campos da arte e da cultura e trocar conhecimento e multiplicá-lo. São cursos gratuitos nas modalidades pós-graduação, cursos de extensão e cursos livres. Para se inscrever em um curso mediado, basta entrar no site da Escola Itaú Cultural, criar um usuário, escolher o curso e preencher a ficha de inscrição. Cara! Esse é o Itaú Cultura, cara!

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui: pelos olhos e pelos ouvidos…

No Cafezinho 359 – Quem são os negacionistas, eu disse que no módulo Liderança de meu curso on-line CAMP, discorro sobre indicadores de performance. E falo de três áreas distintas. Primeiro das coisas que dá pra medir: custo, produtividade, lucro, absenteísmo, coisas que cabem na planilha e que são fundamentais para entender o que está acontecendo.

Depois eu falo das coisas que podemos sentir, que têm a ver com energia, com excitação, com você estar vendo brilho no olho, sentindo o clima do ambiente.

E, por fim, as coisas que podemos observar. As pessoas trabalhando bem, saindo para almoçar, indo no boteco, todo mundo junto, animado e demonstrando alegria.

Coisas que podemos medir, coisas que podemos sentir, coisas que podemos observar. Você tem de olhar as três se quiser entender o que é que realmente está acontecendo.

O que conseguimos medir é importante, mas é só um pedaço. Muitas vezes o número está muito bom, mas o clima não está legal. Talvez esse número não seja sustentável.

Agora, trazendo para a esfera da ciência, também tem o que dá pra medir, o que dá pra sentir e o que dá pra observar. E nas esferas do sentir e observar, existem centenas – milhares, até – de profissionais tarimbados, com anos de experiência, médicos reconhecidos, adotando diversas formas de tratamento precoce para a Covid-19, apoiados em evidências de que deu certo com seus pacientes. Olha, quando é um ou dois, a gente tem de ficar desconfiado mesmo. Mas quando são centenas, milhares, é para – no mínimo – observar com muito mais cuidado em vez de prontamente acusar de curandeirismo, negacionismo ou seja lá o que for.

Quem afirma categoricamente que não funciona, não pode provar que não funciona e não aceita que não pode provar, é o verdadeiro negacionista.

Quem afirma categoricamente que funciona, não pode provar que funciona e não aceita que não pode, é o verdadeiro negacionista.

O cenário é de dúvida, já faz um ano, cara. Em nesse um ano, milhões morreram. Muitos ainda vão morrer até que a ciência comprove efetivamente o que é que funciona e o que não funciona. Até lá, fazer o quê? Essa é a dimensão que vai além da obra de Karl Popper.

O que fazer enquanto não temos a comprovação científica? Voltar para casa, tomar uma dipirona e esperar piorar?

Anos atrás, a disciplina da Economia sofreu um abalo quando surgiu a Economia Comportamental, que rendeu até prêmio Nobel. A Economia Comportamental trouxe a observação, a experiência, a psicologia, o relacionamento humano para dentro da economia tradicional e deu um nó na cabeça dos tradicionalistas. Ela provou que só números não conseguem representar a complexidade de nossas vidas.

Talvez estejamos precisando de mais Ciência Comportamental. Ou então de coragem.

Muito bem, o que fazer então, hein?

Primeiro, não generalizar. Parar com essa estupidez de colocar rótulos e transformar todos numa mesma coisa. Apoiar a ideia de uma pessoa não quer dizer que apoiamos tudo que aquela pessoa fez. Defender a liberdade daquele ogro do deputado por acreditar na liberdade de expressão não quer dizer que eu concordo com a forma com que disse ou que eu estou defendendo bandido.  Estou defendendo a liberdade. Inclusive a sua.

Segundo, não se deixar levar por paixões que nos tornam cegos para a realidade. Para o apaixonado, tudo é questão de fé, suas ideias não admitem serem refutadas. E isso é anticientífico!

Terceiro: respeitar. Respeite quem pensa diferente, respeite a experiência de quem viveu coisas que você não viveu. Antes de descartar, investigue, vá mais fundo. Eu já vi curandeiro dando nó em médico com diploma importante. Já vi pedreiro dando nó em engenheiro. Já vi a experiência prática demolindo a teoria. E já vi a teoria orientando a experiência. Eu vi o suficiente para não ter certezas.

Quarto: praticar a ciência é mudar de ideia, é ver sua verdade contestada e refutada, e ficar feliz com isso. É ver crescimento quando perceber que está errado e que existe outra hipótese que explica melhor a realidade.

Voltemos então a Karl Popper. Não devemos aceitar verdades universais a partir de experiências indutivas, restritas a um contexto, no lugar e no tempo. Você entende o que são “verdades universais”, hein? São as verdades válidas para todo o universo, e que não podem ser contestadas, refutadas ou anuladas por nenhum argumento ou prova.

Se a sonda não encontrar vida em Marte só quer dizer que ela não encontrou vida em seus experimentos. Não quer dizer que definitivamente não existe vida em Marte.

Life on Mars?
David Bowie

It’s a God awful small affair
To the girl with the mousey hair
But her mummy is yelling: No!
And her daddy has told her to go
But her friend is no where to be seen
Now she walks through her sunken dream
To the seats with the clearest view
And she’s hooked to the silver screen
But the film is sadd’ning bore
For she’s lived it ten times or more
She could spit in the eyes of fools
As they ask her to focus on

Sailors fighting in the dance hall.
Oh man!
Look at those cavemen go
It’s the freakiest show
Take a look at the lawman
Beating up the wrong guy
Oh man!
Wonder if he’ll ever know
He’s in the best selling show
Is there life on Mars?

It’s on America’s tortured brow
That Mickey Mouse has grown up a cow
Now the workers have struck for fame
‘Cause Lennon’s on sale again
See the mice in their million hordes
From Ibeza to the Norfolk Broads
Rule Britannia is out of bounds
To my mother, my dog, and clowns
But the film is a sadd’ning bore
‘Cause I wrote it ten times or more
It’s about to be writ again
As I ask you to focus on

Sailors fighting in the dance hall
Oh man!
Look at those cavemen go
It’s the freakiest show
Take a look at the lawman
Beating up the wrong guy
Oh man!
Wonder if he’ll ever know
He’s in the best selling show
Is there life on Mars?

Vida em Marte?

Mas que situação terrível
Para a moça de cabelo sem graça
Mas sua mãe está berrando: Não!
E seu pai a mandou ir embora
Mas o amigo dela desapareceu
Então ela caminha por seu sonho profundo
Até as cadeiras com a melhor vista
E ela fica vidrada na tela do cinema
Mas o filme é tristemente chato
Pois ela já viveu aquilo dez vezes ou mais
Ela poderia cuspir nos olhos daqueles tolos
Quando pedissem pra ela prestar atenção

Nos marinheiros brigando no salão de dança
Caramba!
Olha o que aqueles trogloditas estão fazendo
É o programa mais bizarro de todos
Olhe aquele homem da lei
Espancando o cara errado
Caramba!
Será que algum dia ele vai saber
Que está no programa de maior sucesso
Existe vida em Marte?

Está no semblante atormentado dos Estados Unidos
Que Mickey Mouse cresceu e se vendeu
Agora os trabalhadores entraram em greve por fama
Porque Lennon está em promoção outra vez
Veja as milhões de hordas de ratos
De Ibiza até Norfolk Broads
O Rule Britannia está fora de alcance
Para minha mãe, para o meu cachorro, para os palhaços
Mas o filme é entediante
Pois eu já o escrevi dez vezes ou mais
E está prestes a ser escrito novamente
Enquanto eu peço pra que você preste atenção

Nos marinheiros brigando no salão de dança
Caramba!
Olha o que aqueles trogloditas estão fazendo
É o programa mais bizarro de todos
Olhe aquele homem da lei
Espancando o cara errado
Caramba!
Será que algum dia ele vai saber
Que está no programa de maior sucesso
Existe vida em Marte?

É assim então, ao som de Life on Mars, com David Bowie, que vamos indo com os miolos fritando, cara. Ou não, né?

Você entendeu o propósito do programa de hoje? Ou vai me escrever alguma estupidez, xingando de negacionista, de ignorante ou coisa que o valha, hein? Olha, se você busca a unanimidade, fica valendo a frase que encerra este programa.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras online. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho aí cara, ao vivo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”. Vai lá, cara! Tem muito material, tem gente de primeira linha, tem um grupo no Telegram que é uma delícia. Se você acessar confraria.cafe, vai conhecer todos os planos. Vem com a gente!

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do grande Nelson Rodrigues.

Toda unanimidade é burra.