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Luciano Pires -

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Michael Shermer é fundador da The Skeptics Society, a sociedade dos céticos, e editor chefe da revista Skeptic, que se dedica a investigar alegações pseudocientíficas e sobrenaturais. A Fundação Richard Dawkins pela Razão e Ciência publicou um vídeo com ele, chamado “Kit de Detecção de Bobagens”, com dez questões que você deve perguntar quando encontrar esse povo cheio de certezas que prega suas verdades por aí. A inspiração para o Kit foi, evidentemente, Carl Sagan e o vídeo já existe legendado no Youtube, vou colocar o link no roteiro deste programa em portalcafebrasil.com.br.

Este episódio é a adaptação do texto daquele vídeo.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

As músicas deste episódio fazem parte da trilha sonora da série Cosmos, apresentada por Carl Sagan na PBS.

Enquanto estamos crescendo, tendemos a ser muito crédulos. Simplesmente acreditamos em quase tudo o que nos dizem, especialmente autoridades, adultos, livros didáticos, políticos, a televisão, YouTube, a internet. Ou seja, um tsunami de informações chega até nós, e como você pode distinguir a diferença entre o que é certo e o que é errado, hein?

As pessoas acreditam em coisas estranhas porque nossos cérebros estão programados para encontrar padrões com significados. Você acha que vê um rosto numa nuvem ou um rosto em Marte ou a Virgem Maria num sanduíche de queijo ou numa janela. Muitos padrões são reais, e é bom saber o que são esses padrões. Isso é chamado de “aprendizagem”. Nós relacionamos “A” com “B”, e muitas vezes “A” está de fato relacionado a “B”.

O problema é que muitos destes padrões são falsos. São uma maneira de pensar supersticiosa, não são reais. Nas minhas palestras, diz Michael Shermer, muitos me perguntam: “porque devemos acreditar em vocês, os céticos?” E a minha resposta é: “vocês não devem”. Não devem acreditar em ninguém com base na autoridade ou em qualquer que seja a posição que possa ter. Você deve verificar você mesmo.

E batizamos isto de nosso “Kit Para Detecção de Bobagens”, um termo inspirado na ideia de Carl Sagan de que existe muita bobagem por aí, e precisamos de um kit para detectá-la. E esse kit é chamado de “ciência”, e é isso o que a ciência faz de melhor.

Vamos então às questões de nosso Kit de Detecção de Bobagens? Mas antes….

“Fala Luciano. Boa tarde, tudo bem? Cara, eu só tô mandando essa mensagem aqui pra te agradecer, tá? Eu escutei ontem um episódio em que pai e filho ligavam pra agradecer e fiquei muito emocionado e sou obrigado a te dizer que faço minhas as palavras deles, porque realmente é um oásis de sabedoria e cultura aqui, este podcast.

Eu costumo escutar na minha plataforma de áudio e eu costumo escutar quase todo dia no carro, indo pro trabalho ou voltando dele, então é mais ou menos o tempo que eu tenho dirigindo e quero te dizer que em todos os epidódios abre um sorriso em algum momento do episódio. É muito bom escutar o teu episódio, o teu podcast.

Me chamou a atenção um podcast, o 378, sobre Machado de Assis, Dom Casmurro. Coincidentemente eu estou relendo a obra e realmente, né? A dúvida é que educa. As certezas nos emburrecem, né? Não é à toa que Sócrates já falava que “só sei que nada sei”. Então, entender isso é libertador e faz com que a gente busque mais as verdades.

Enfim, só queria te agradecer por trazer luz aí em momentos tão sombrios, aí. Grande abraço.”

Olha só, esse foi o Talles, lá de Braço Norte, ao pé da serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, falando de como é importante valorizar a dúvida! Pois é, meu caro. Olha! É tão importante que está rendendo uma série de podcasts. O momento pede que seja assim. Eu nunca vi tanto especialista vomitando certezas pra todo lado… Eu acho que precisamos ser mais humildes. Obrigado pela mensagem,Tales! Faz a gente se esforçar ainda mais para sempre entregar conteúdo que preste.

E está no ar a Escola Itaú Cultural, plataforma que nasce com o objetivo de desenvolver ações de formação nas diversas áreas de atuação da organização; promover acesso ao conhecimento nos campos da arte e da cultura e trocar conhecimento e multiplicá-lo. São cursos gratuitos nas modalidades pós-graduação, cursos de extensão e cursos livres. Para se inscrever em um curso mediado, basta entrar no site da Escola Itaú Cultural, criar um usuário, escolher o curso e preencher a ficha de inscrição.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Questão 1 do nosso Kit de Detecção de Bobagens: Quão confiável é a fonte da alegação?

A questão é: os dados e interpretações mostram sinais de distorção intencional?

Você deve esperar alguns erros embutidos nas alegações, é claro, mas os erros devem ser dispersos, são aleatórios; vão num sentido, depois vão em outro sentido… Os erros estão aqui e ali e, de certa forma, um anula o outro. Se os erros estiverem todos na mesma direção, tendendo em direção a uma crença específica, então você deve suspeitar de que algo mais está acontecendo.

O exemplo que quero dar aqui no episódio é o da discussão sobre o tratamento precoce para a Covid-19. Cada lado escolhe os dados que apontam na direção de suas crenças. E o que vemos são certezas absolutas pelos dois lados, um apontando para a ineficácia e outro apontando para a eficácia. E ambos gritando que estão certos.

Quando os erros apontam numa só direção, desconfie da fonte da alegação.

Questão 2: A fonte faz alegações semelhantes?

Thomas Gold, da Cornell University, é famoso por suas idéias radicais, mas acertou com frequência, tanto que outros cientistas o ouvem e muito, o que ele tem a dizer. Gold propõe, por exemplo, que o petróleo não é um combustível fóssil, mas o subproduto de uma biosfera profunda e quente (microorganismos que vivem em profundidades inesperadas dentro da crosta). Quase nenhum cientista da Terra com quem conversei acha que Gold está certo, mas não o consideram um excêntrico.

Pessoas que acreditam em espiritualidade, fantasmas, casas mal-assombradas, discos voadores… As pessoas que acreditam nessas coisas tendem a ser mais suscetíveis a uma maneira de pensar mágica. Ou talvez sejam “heréticos” só pelo prazer da heresia, em vez de seguirem os dados, para verem se suas ideias radicais talvez possam superar as ideias tradicionais. Mas isso geralmente não acontece.

O ponto aqui é ter uma mente aberta o suficiente para aceitar novas ideias radicais, mas não tão aberta a ponto do seu cérebro saltar para fora.

Questão 3: As alegações foram verificadas por mais alguém?

Normalmente, os pseudocientistas fazem declarações não verificadas ou verificadas apenas por uma fonte dentro de seu próprio círculo de crença. Devemos perguntar: quem está verificando as alegações e até mesmo quem está verificando as verificações?

Você faz uma alegação ousada. Alguém tem de ser capaz de fazer com que ela seja testada. Por exemplo, o caso clássico da fusão a frio de 1989.

Dois eletroquímicos, Stanley Pons e Martin Fleischmann, realizaram uma conferência de imprensa, na qual anunciaram que conseguiram produzir fusão, dentro de uma garrafa, em uma mesa. Isso vai resolveria a nossa crise energética. Essa energia seria barata demais para ser tarifada! Isso mudaria o mundo.

Todo mundo ficou animado. Estava nas manchetes dos jornais, nas primeiras páginas, a coisa toda. Até que as pessoas tentaram replicar a experiência, e ninguém conseguiu.

Então, isso apontou imediatamente que havia algo mais acontecendo ali. Seja um subproduto, um artefato, uma reação química… algo além do que eles alegavam.

Uma pausa aqui no texto. Olha: esse acontecimento da tal fusão a frio, foi classificado como um caso clássico de “ciência patológica”, a ciência das coisas que não são assim. O termo “ciência patológica” foi cunhado pelo físico, químico e engenheiro norte americano Irving Langmuir em 1953, para nomear um processo psicológico no qual um cientista, originalmente em conformidade com o método científico, desvia inconscientemente desse método e começa um processo patológico de interpretação de dados desejados.

Retornando ao texto de Michael Shermer:

Então, quando você fizer uma alegação, se não tiver os dados para que outras pessoas possam depois ir aos seus laboratórios e realizar a mesma experiência, exatamente como você fez; e se elas não obtiverem os mesmos resultados, então tem algo errado aí.

E na ciência, se exige esse tipo de replicação dos resultados por terceiros.

Questão 4: Isso é compatível com a maneira como o mundo funciona?

Quem é que nunca leu um daqueles e-mails de um nigeriano dizendo que ele ganhou uma herança de 20 milhões de dólares e você só tem que mandar um pouco do seu dinheiro para ele, que ele enviará uma enorme pilha de dinheiro para você? É sério, hein? Sinceramente, você acha que é assim que o mundo funciona, hein? Eu quero dizer, uma pilha de dinheiro por nada? Provavelmente não.

Por exemplo, na arqueologia, geralmente ouvimos falar sobre o “mistério” das pirâmides. “Quem construiu as pirâmides?” Os egípcios as construíram! “Ah, não, eles não poderiam ter construído, sabe, porque elas são incrivelmente complexas”, e assim por diante. Bem, elas são apenas um monte de pedras, certo? Quero dizer, eles tinham um monte de tempo livre, muita mão-de-obra barata e nunca chovia. Séculos para construir essas grandes pilhas de pedras. Sinceramente, isso não é assim tão complicado.

Mas mesmo que isso fosse verdade, que outras pessoas tivessem contruído as pirâmides, talvez 20 mil anos atrás; essa é uma teoria. Talvez os atlantes, vindos do continente perdido da Atlântida, tenham chegado lá e construído as pirâmides. Mas se isso fosse verdade, quando você faz uma escavação arqueológica, deveria encontrar as ferramentas, o lixo, a tralha das pessoas que lá viveram, as casas onde elas moravam, é isso que você deveria encontrar, datados da época dos egípcios.

Então, se fossem extraterrestres, os atlantes ou o que quer que seja, você encontraria outros artefatos que dariam embasamento à afirmação.

Questão 5: Alguém tentou refutar a alegação?

Este é o viés de confirmação, ou a tendência de buscar evidências confirmatórias e rejeitar ou ignorar as evidências negativas. O viés de confirmação é poderoso, difundido e quase impossível para qualquer um de nós evitar. É por isso que os métodos científicos que enfatizam a verificação e reexame, verificação e replicação, e especialmente as tentativas de falsificar uma afirmação, são tão críticos.

Você realmente precisa se preocupar com o que os seus críticos irão dizer, não porque se preocupa com os seus críticos, mas porque eles podem achar algo em que você não está pensando. Então, você precisa pensar nesses termos. Tente refutar a sua alegação.

Questão 6: A maioria de evidências aponta para a conclusão do autor da afirmação ou para outra direção?

Qualquer um pode fazer uma alegação e depois acumular alguns pontos a favor dela. Mas a pergunta é: “e quanto a todas as outras evidências?” Estão tendendo para esta, ou estão tendendo para a outra teoria que você está tentando refutar? Assim, em todas as épocas, tal como na teoria da evolução, por exemplo, os criacionistas dirão: “bem, e quanto a essa coisinha aqui, hein?”

Bem, ok, talvez existam algumas lacunas, não podemos explicar isso ou aquilo, mas, e quanto às outras dez mil evidências que são explicadas pela teoria da evolução? Como você as explicaria com a sua outra teoria?

De certa forma, a ciência parece um pouquinho com resolver um crime. Certamente, o criminoso nunca confessa, certo? Então, você precisa juntar as evidências que estão disponíveis, e pensar: é este cara, ou é aquele outro? Aconteceu isso ou foi aquilo que aconteceu? Da maneira como os criminologistas trabalham, à medida que tentam olhar para toda a quantidade de dados e dizer: “quer saber, hein? Tudo indica que aquele indivíduo fez isso. E vamos ver se conseguimos desenvolver nosso caso”.

É assim que os cientistas trabalham.

Sempre há outras ideias. A pergunta é: para qual a maioria das evidências aponta?

Questão 7: A pessoa que faz a alegação está jogando de acordo com as regras da ciência?

Ou seja, estão usando a lógica, a razão, as evidências empíricas, testes e comprovação, e assim por diante? Ou estão apenas defendendo (sem provas) a sua alegação específica?

Um caso interessante é a diferença entre os que acreditam em discos voadores e os membros do programa científico de busca por inteligência extraterrestre. Ambos estão interessados em alienígenas, mas existe uma diferença radical nas duas comunidades. Na primeira comunidade, o pessoal dos discos voadores, geralmente não são cientistas, não têm formação em ciência, não realizam experiências. Não tentam refutar as suas próprias alegações procurando outras explicações.

Mas o pessoal do S.E.T.I. – Instituto de Busca por Inteligência Extraterrestre, em contraste, procura maneiras de desconfirmar as suas próprias ideias. Eles realizam experiências, testam suas hipóteses, são cientistas profissionais formados.

Então, mesmo que ambas comunidades tenham o mesmo interesse (“existem alienígenas por aí?”), abordam a questão sob perspectivas radicalmente diferentes. E é por isto que a uma chamamos ciência (S.E.T.I.) e à outra, chamamos pseudociência (ufologia).

Questão 8: A pessoa que faz a alegação está fornecendo evidências positivas?

Uma coisa é fazer uma lista dos problemas da teoria da outra pessoa. Você precisa de fato ter evidências positivas a favor da sua teoria contrária e radical. Assim, por exemplo, é frequente ver o pessoal dos discos voadores dizendo:  “bem…” e eu lhes pergunto: “onde estão as evidências?”, “onde está o disco voador?”, “onde está o corpo do alienígena?”. Eles respondem: “bem, eles os encobriram, esconderam”, “estão escondidos na área 51”, ou “enterraram os corpos em Roswell”, “estão escondidos numa base da força aérea”, “o exército levou embora o ET de Varginha”.

Ok, essas são apenas evidências negativas. Dizer: “eu não tenho evidências positivas; tudo o que posso dizer é que eles esconderam as evidências.” Desculpe, mas esse tipo de argumento não conta.

Eles frequentemente mostram documentos do governo, com grandes trechos censurados e dizem: “vejam isso!” O fato de que algo está encoberto por algum motivo de segurança nacional ou militar, não significa que seja extraterrestre. Pode existir uma razão terrestre para isso.

Quanto ao pessoal do Big-Foot, o Pé-Grande, eles dizem: “bem, o Pé-Grande anda por aí.” Ok, talvez. Pode haver um primata bípede passeando no Canadá. Mostrem-me o corpo. “Bem, sabe, os corpos, eles escondem, e são muito secretos; e não existem tantos assim por aí”. E assim por diante.

Pode ser, mas se você quiser nomear uma nova espécie na biologia, você precisa me mostrar um espécime. Sabe, um corpo real, que nós possamos dissecar e ver, e que você possa ver e que eu possa ver, fotografar, colocá-lo num museu, levá-lo para o laboratório e assim por diante.

Não é o suficiente ter provas negativas contra a outra teoria. Você precisa ter evidências positivas a favor da sua própria teoria.

Questão 9: A nova teoria explica tantos fenômenos quanto a teoria antiga?

Qualquer um pode encontrar algumas anomalias que a teoria atual predominante parece não explicar. Na ciência, não tem problema dizer: “eu não sei”. Há algumas anomalias, alguns mistérios e assim por diante. Mas o que os pseudocientistas tendem a fazer é isso: tendem a juntar esses poucos mistérios e dizer: “bem, esta é a minha teoria totalmente nova”.

Na revista Skeptic, muitas vezes recebemos longos manuscritos com uma teoria de tudo, que sempre começam assim: “Newton estava errado e Einstein estava errado e Stephen Hawking está errado, mas eu, eu desenvolvi esta nova teoria da física que explica o mundo”.

Mas a questão é: essa nova teoria pode explicar todas as outras coisas que a gravidade newtoniana explica e que a relatividade geral universal de Einstein explica e que a física quântica explica?

Então, eles explicam uma coisinha, que é realmente insignificante, mas o que jamais fariam é explicar todas as outras coisas, que atualmente já estão explicadas.

Questão 10: As crenças pessoais estão influenciando a alegação?

Em outras palavras, a ciência e tudo o mais é de fato feita por pessoas, e as pessoas têm vícios, viéses de confirmação. Nós procuramos e encontramos evidências confirmatórias para o que já acreditamos, e ignoramos as evidências que não confirmam.

Então, por exemplo, fizemos uma edição inteira da revista Skeptic sobre o aquecimento global e eu tinha cientistas com posicionamento político de esquerda, de direita e cientistas sem nenhum posicionamento. E, por que é que existem cientistas com posicionamento político? Tipo, com tendências de esquerda? Bem, porque são pessoas. E porque votam.

E algo como o aquecimento global, bem, você pode ver, simplesmente ouvindo conversas no rádio e por aí, que é algo muito influenciado por ideologias. Onde as pessoas dizem coisas como: “bem, se sou a favor do capitalismo, tenho que ser cético sobre o aquecimento global”.

Esperem, e que tal simplesmente seguir os dados? Não deveriam os dados dizer se a Terra está esquentando ou não? Bem, os dados indicam que  ela está. Portanto, por que toda essa coisa da política?

Todos os cientistas têm crenças sociais, políticas e ideológicas que podem distorcer suas interpretações dos dados, mas como é que esses preconceitos e crenças afetam suas pesquisas na prática, hein? Normalmente, durante o sistema de revisão por pares, tais preconceitos e crenças são erradicados, ou o artigo ou livro é rejeitado

Então, na ciência, em um certo momento, é necessário remover a política e a ideologia e perguntar: “quais são os dados?”

Concluindo então…

O que o Kit Para Detecção de Bobagens faz com essas 10 perguntas é nos ajudar, quando encontramos uma alegação, a pensar nela de maneiras diferentes. Você descobrirá que existe uma espécie de gradação. Algumas afirmações são obviamente tapeações, como “A Terra é plana”. Não, ela não é. É redonda. Sabe, a Terra gira em torno do sol, e não vice-versa. Essas coisas que sabemos com certeza que são verdade. A evolução é uma dessas coisas. Talvez o aquecimento global esteja engatinhando para esse nível, mas vai levar um tempo. Há outras coisas, como talvez algumas novas teorias radicais sobre o cosmos, sobre se existem múltiplos universos por aí. Bem, isso aí está mais na faixa da incerteza.

Depois dessas tapeações e absurdos, há coisas que quase certamente não são verdade, como a telepatia, quando eu posso ler a sua mente, esse tipo de coisas. Essas certamente não são verdade.

E ainda existem aquelas coisas que ficam no meio termo, ou seja, podem ser verdadeiras ou não.

A ciência é a melhor ferramenta que já foi concebida para compreender como o mundo funciona. E todos sabem disso, porque todos vão ao médico, e se alguém voa a 10.000 metros de altura em um avião, não dá para ser cético em relação à matemática e à engenharia. Todos sabe que aquele avião é o melhor projeto possível e assim por diante.

Então, a maioria de nós, quando estamos brincando com os nossos iPeds ou usando o mecanismo de busca do Google, navegando na internet ou assistindo televisão de alta definição, ou ouvindo podcasts, cara, amamos a ciência. Sabemos que a ciência funciona, e sabemos que a sua base é sólida.

Mas quando se trata de umas poucas coisas, como: “qual é o sentido da vida?” ou “de onde viemos?”, “o que tudo isso significa?”, “qual será o futuro?”, daí começamos a pensar: “bem, talvez eu devesse ser cético quanto à ciência”. De fato, realmente, a ciência é a melhor coisa que já foi inventada para a compreensão do mundo e nós deveríamos amá-la.

O marco marciano
Lenine
Bráulio Torres

Pelos auto-falantes do universo
Vou louvar-vos aqui na minha loa
Um trabalho que fiz noutro planeta
Onde nave flutua e disco voa
Fiz meu marco no solo marciano
Num deserto vermelho sem garoa

Este marco que eu fiz é fortaleza
Elevando ao quadrado Gibraltar!
Torreão, levadiça, raio-laser
E um sistem internet de radar
Não tem sonda nem nave tripulada
Que consiga descer nem decolar

Construi o meu marco na certeza
Que ninguém, cibernético ou humano
Poderia romper as minhas guardas
Nem achar qualquer falha no meu plano
Ficam todos em Fobos ou em Deimos
Contemplando o meu marco marciano

O meu marco tem rosto de pessoa
Tem ruínas de ruas e cidades
Tem muralhas, pirâmides e restos
De culturas, demônios, divindades
A história de Marte soterrada
Pelo efêmero pó das tempestades

Construi o meu marco gigantesco
Num planalto cercado por montanhas
Precipícios gelados e falésias
Projetando no ar formas estranhas
Como os muros Ciclópicos de Tebas
E as fatais cordilheiras da Espanha

Bem na praça central. Um monumento
Embeleza meu marco marciano
Um granito em enigma recortado
Pelos rudes martelos de Vulcano
Uma esfinge em perfil contra o poente
Guardiã imortal do meu arcano

Assim então, ao som de O marco marciano, de Bráulio Tavares e Lenine, que está no disco O dia em que faremos contato de 1997, que vamos preparando nossa saída. Num disco voador.

Vamos então resumir as 10 questões, hein?

  1. Quão confiável é a fonte da alegação?
  2. A fonte faz alegações semelhantes?
  3. As alegações foram verificadas por mais alguém?
  4. Isso é compatível com a maneira como o mundo funciona?
  5. Alguém tentou refutar a alegação?
  6. A maioria de evidências aponta para a conclusão do autor da afirmação ou para outra direção?
  7. A pessoa que faz a alegação está jogando de acordo com as regras da ciência?
  8. A pessoa que faz a alegação está fornecendo evidências positivas?
  9. A nova teoria explica tantos fenômenos quanto a teoria antiga?
  10. As crenças pessoais estão influenciando a alegação?

Será que deu pra sacar a intenção deste programa aqui, hein? Já faz algum tempo, especialmente desde o início da pandemia, tenho batido na tecla de que ninguém sabe de coisa nenhuma. Evidentemente, esse é um exagero retórico, cuja intenção é combater os arautos da certeza que estão por aí espalhando que existem consensos sobre temas que, evidentemente, ainda são dúvidas. Esse é meu ponto.

A mensagem deste episódio é: permaneça com a mente aberta e flexível, disposto a reconsiderar suas avaliações à medida que novas evidências surgem. É isso é o que torna a ciência tão fugaz e frustrante para muitas pessoas. Mas é, ao mesmo tempo, o que torna a ciência o produto mais glorioso da mente humana.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

E se você curte o conteúdo do Café Brasil, vai curtir ainda mais quando visitar nossa loja com as camisetas de vários programas musicais icônicos. É cafebrasilloja.com. De novo: cafebrasilloja.com.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”. Cara! Vai lá. Tem muito material, tem gente de primeira linha, tem um grupo no Telegram que é uma delícia. Se você acessar confraria.cafe, vai conhecer todos os planos. Se assinar o plano Confraria anual, cara, você vai pagar R$8,33 por mês. é menos do que uma latinha de cerveja quente na balada por mês.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do ensaísta, romancista, poeta, dramaturgo, filósofo, e professor espanhol Miguel de Unamuno:

Sobretudo o que a ciência ensina é duvidar e ser ignorante.