s
Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Henrique Viana
Henrique Viana
O convidado para o LíderCast desta vez é Henrique ...

Ver mais

Deduzir ou induzir
Deduzir ou induzir
Veja a quantidade de gente que induz coisas, ...

Ver mais

Origem da Covid – seguindo as pistas
Origem da Covid – seguindo as pistas
Tradução automática feita pelo Google, de artigo de ...

Ver mais

Palestra Planejamento Antifrágil
Palestra Planejamento Antifrágil
Aproveite o embalo, pois além de ouvir a história, você ...

Ver mais

Café Brasil 780 – LíderCast Barone & Priester
Café Brasil 780 – LíderCast Barone & Priester
Pronto. Chegou o dia de conversar com duas referências ...

Ver mais

Café Brasil 779 – Grávida? Você está demitida!
Café Brasil 779 – Grávida? Você está demitida!
Há quatro anos, uma amiga me relatou uma história ...

Ver mais

Café Brasil 778 – Cringe: a maldição dos Millennials
Café Brasil 778 – Cringe: a maldição dos Millennials
Um novo termo entrou em evidência: o cringe. A tradução ...

Ver mais

Café Brasil 777 – Polarização Política
Café Brasil 777 – Polarização Política
Se você não vive em Plutão, já sacou como a polarização ...

Ver mais

Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
Um papo muito interessante com Henrique Viana, um jovem ...

Ver mais

Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
Aurélio Alfieri é um educador físico e youtuber, ...

Ver mais

Café Brasil 766 – LíderCast Ilona Becskeházy
Café Brasil 766 – LíderCast Ilona Becskeházy
E a educação brasileira, como é que vai, hein? Mal, não ...

Ver mais

Café Brasil 762 – LíderCast Alessandro Santana
Café Brasil 762 – LíderCast Alessandro Santana
Da mesma forma como o Youtube joga no colo da gente um ...

Ver mais

Sem treta
Sem treta
A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Escolha um tema quente, dê sua opinião e em seguida ...

Ver mais

Olímpica expectativa
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Olímpica expectativa “O esporte tem o poder de unificar, passar uma imagem de paz e resiliência, e nos dá esperança de seguir nossa jornada juntos.” Thomas Bach (Presidente do Comitê Olímpico ...

Ver mais

Economia do crime
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Economia do crime  O crime compensa?  “Na faculdade, fui atraído pelos problemas estudados por sociólogos e as técnicas analíticas utilizadas pelos economistas. Esses interesses começaram a se ...

Ver mais

Reprise
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Reprise  Já vi esse filme outras vezes… e não gostei do final A combinação de novas denúncias de irregularidades envolvendo membros do governo, o andamento da CPI da Covid e a sucessão de ...

Ver mais

O infalível ministro
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
A piada é antiga. Dá pra contar, se a turma do politicamente correto ainda não inventou o crime de lusofobia: A famosa cena bíblica do apedrejamento da adúltera, quando o Mestre teria dito… ...

Ver mais

Cafezinho 408 – Correlações e causalidades
Cafezinho 408 – Correlações e causalidades
Preste muita atenção nos discursos dos educadores, dos ...

Ver mais

Cafezinho 407 – A teoria do valor subjetivo
Cafezinho 407 – A teoria do valor subjetivo
Trocar um apartamento por um automóvel? Como assim?

Ver mais

Cafezinho 406 – Ressentimentos passivos
Cafezinho 406 – Ressentimentos passivos
Eu escolhi participar ativamente, usando as armas que tenho.

Ver mais

Cafezinho 405 – O babaca
Cafezinho 405 – O babaca
Qual tipo de reação você acha que levo em consideração ...

Ver mais

Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo

Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo

Luciano Pires -

Sabe quem ajuda este programa chegar até você?

É a Terra Desenvolvimento Agropecuário, que é especializada em inteligência no agro.

Utilizando diversas técnicas, pesquisas, tecnologia e uma equipe realizadora, a Terra levanta todos os números de sua fazenda em tempo real e auxilia você a traçar estratégias, fazer previsões e, principalmente, agir para tornar a fazenda eficiente e mais lucrativa.

E para você que acredita no agro e está interessado em investir em um seguimento lucrativo e promissor, a Terra oferece orientação e serviços, para tornar esse empreendimento uma realidade.

terradesenvolvimento.com.br – razão para produzir, emoção para transformar. A inteligência a serviço do agro.

Ouvi falar de uma pesquisa realizada nos EUA, que apontou que os jovens que se formam hoje provavelmente terão 17 empregos em 5 setores diferentes ao longo de suas carreiras. Olha! Se for verdade, a retenção de talentos ganha importância estratégica!

Por isso é fundamental que a gestão dos benefícios seja feita de forma eficiente. E foi isso que a Flash Benefícios fez, ao criar uma solução que permite que as empresas façam a gestão dos benefícios em uma plataforma online, e os colaboradores controlem seus benefícios de forma flexível em um aplicativo para celular.

Com oito benefícios diferentes (Vale Refeição, Vale Alimentação, Mobilidade, Saúde, Bem-estar, Entretenimento, Educação e Conveniência/Compras) e com a gestão centralizada em uma única plataforma e cartão, as empresas não precisam ter contato direto ou indireto com diferentes fornecedores, sendo uma facilidade na operação e na gestão de tempo do profissional responsável.

Além disso, para qualquer auxílio que os colaboradores necessitarem, a Flash oferece uma equipe de suporte especializada.

Vou resumir então os benefícios diferentes centralizados em um único aplicativo e cartão:

> Gestão otimizada para a empresa;
> Cartão Mastercard aceito em mais de 2 milhões de estabelecimentos;
> Cartões emitidos e entregues em cinco dias úteis;
> Taxa única por colaborador ativo e nada mais!

A Flash ajuda a engajar e manter os talentos de sua empresa. Acesse o site flashapp.com.br e saiba mais.

E lembre-se: Liberdade é mais que um benefício.

Hoje bato um papo muito interessante com Henrique Viana, um jovem gaúcho, que em 2016 juntou-se a Lucas Ferrugem e Felipe Valerim para fundar a produtora Brasil Paralelo.

A Brasil Paralelo vem causando polêmica com seus documentários que abordam a história e temas de relevância social sob pontos de vista originais. E a história de empreendedorismo deles é sensacional. Vamos nessa hoje?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

“Olá Luciano. Tudo bem? Quem está falando aqui é o Renato, sou seu assíduo freguês, de carteirinha, aqui do Café e de todos os outros produtos aí da tua iniciativa, do teu trabalho e um fã confesso de tudo isso.

Eu queria comentar alguma coisa aqui a respeito dos recentes episódios aí do Café Brasil o 763 e o 772, onde você fala muito e inclusive com convidado lá o Sr. Tejon, fantástico, sobre a comunicação no agro. Pois bem. Eu trabalhei numa agência de comunicação muitos anos lá no finalzinho dos anos 90 e essa agência, graças à visão dos seus proprietários, era uma agência do interior mas que nunca ficou focada na sua cidade, na sua região e sim trabalhava com… buscava empresa e entidades de porte nacional para trabalhar e de grande sucesso.

E uma das contas que eu atendia, eu era um profissional de atendimento nessa agência, atualmente é chamado de executivo de contas, eu era um executivo de contas e atendia a conta da Lactea Brasil. A Lactea Brasil nasceu ali no finalzinho dos anos 90 pra ser uma espécie do que é a Milk Dare Association, lá nos Estados Unidos, que é uma entidade que faz o marketing do leite como um todo. O produto leite, como um todo. Pega toda a cadeia. Então, lá nos Estados Unidos desde os anos 20 do século passado, eles tem uma participação fortíssima e algumas campanhas deles extrapolaram o limite dos Estados Unidos, foi pro mundo. Quem não se lembra de filmes que a gente assistia e as famílias tomando leite nas refeições. Isso é um trabalho da Milk Dare Association, botando dinheiro em Hollywood. Isso foi pro mundo todo, não só pra cultura americana.

Vocês citaram, no episódio aí no 772, do bigodinho do leite, é uma campanha da Milk Dare Association com grandes atletas, todas as personalidades do esporte, basicamente, fizeram essa campanha do bigodinho do leite. Outra campanha deles, quando terminam as provas da fórmula Indy, em especial das 500 Milhas de Indianápolis, o pódio é comemorado com leite, exatamente, campanha da Milk Dare Association. 

E essas campanhas são custeadas por eles, por essa entidade que desde… pega a cadeia produtiva inteira, desde a empresa que produz arame farpado, mas ele vende pra fazendas de leite, ele tem que dar lá sua contribuiçãozinha. Então a entidade tem um poder muito grande, tem muito dinheiro nas mãos e, obviamente, com isso faz campanhas fantásticas.

E a Lactea Brasil nasceu com essa mesma intenção. Eu vou aqui omitir nomes de pessoas e empresas, pra não complicar nada e tal, mas só pras pessoas entenderem, pros profissionais do agro entenderem.

Quando essa empresa nasceu, essa entidade nasceu, ela foi atrás das maiores empresas, gente seríssima envolvida, os maiores produtores individuais de leite, gente muito séria do mercado, totalmente envolvida e todo mundo foi convidado. Começa já que não aparece grandes quantidades de pessoas e empresas convidadas a participar. Aí você vê empresas do porte… to falando assim os maiores laticínios do Brasil. Não tô falando do seu João que produz meia dúzia de queijo lá na fazendinha dele não. Os maiores laticínios do Brasil. Com produção continental dentro do país, se negavam e não entravam a participar, colaborar com mil, dois mil reais, sabe? É uma coisa assim inexplicável a mentalidade do empresário brasileiro nesse sentido.

E a entidade penava pra conseguir espaço nos veículos de comunicação. Naquela época, o mercado editorial estava fervilhando, muitas revistas especializadas e tal, em agricultura, em agronegócios, em leite. Pra gente conseguir uma página, que custava ali pra vender pra público, mil e duzentos, mil e quinhentos reais, era assim um sacrifício, as revistas davam uma página por semestre pra entidade, pra gente poder divulgar a própria entidade. E a grande maioria das empresas não participava daquilo, não queria colaborar.

Você pega um…faço uma analogia com o pessoal que faz o Vale do Silício ali. As empresas são concorrentes entre si, mas como um todo estão juntas, associadas. E a pergunta que se faz é o seguinte: como eu posso contribuir pra esse ecossistema florescer? Aqui a gente tem, infelizmente, uma visão do empresariado, como um todo, o que é que eu tenho de vantagem se eu me associar.

Enquanto essa mentalidade prevalecer, as coisas não vão pra frente. Fica muito difícil. As entidades, por mais sérias que sejam não conseguem florescer. A Lactea Brasil sucumbiu. Não tinha como, não tinha dinheiro e isso só sobrevive com dinheiro. E o próprio mercado, gente que fatura milhões, bilhões por ano, nessa cadeia produtiva, se nega a colaborar com miséria, com um percentual mínimo, irrisório, coisas assim… é risível, é ridículo.

Então, pros novos profissionais que estão entrando no mercado aí agora, que estão se envolvendo, de alguma forma, no mercado de comunicação do agro, repensem isso. Eu sei que tá comprido o áudio, é muito grande, mas é uma lição interessante. Eu não estou mais no mercado de publicidade, estou na comunicação, há mais de 30 anos, ainda, mas não estou na publicidade e seria muito legal, que esse trabalho que você faz é fantástico.

O episódio 763, você fala muito aonde está a culpa das coisas não acontecerem. Isso foi bem falado também no 772, que são os próprios profissionais, as próprias empresas, o próprio mercado que tem que se vender melhor, tem que se postar melhor perante a sociedade, perante o mercado. Fazer com que as coisas sejam vistas da maneira correta.

Muitíssimo obrigado. Vida longa ao Café Brasil, ao Cafezinho, vida longa ao seu trabalho que é fantástico. Origado. Um abraço”.

Esse foi o Renato Lapenta, com um baita áudio que eu tive de trazer inteirinho aqui, porque tem tudo a ver com o programa de hoje. Primeiro porque a garotada do Brasil Paralelo acaba de lançar um novo documentário, chamado Cortina de Fumaça, que lança luzes sobre a questão do agronegócio em suas dimensões econômicas, políticas, sociais e culturais. Cara, acredite: é imperdível!

Segundo porque o Renato traz um depoimento de quem esteve dentro do problema, que não é só do Agro. É do brasileiro, que não tem o espírito de juntar forças para defender seu segmento. Somos o país do cada um por si, e talvez essa seja a principal mudança pela qual temos de trabalhar: ser cada um por nós. Defender aquilo que julgamos importante, cerrar fileiras com quem, como nós, defende ideias para fazer o país crescer. É isso que tenho tentado fazer com meu trabalho: juntar as pessoas que têm interesses comuns e fazer com que cresçam juntas.

O Renato deu a pista para a nova geração. Você aí, que assumiu função de liderança em empresas, pense no que pode fazer pelo seu segmento, pela sua cidade, pelo seu país. Não pense só no seu negócio.

Isso chama-se consciência social, que é o que vai nos retirar do atraso.

Muito obrigado, Renato! Sigamos em frente!

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é? E sabe como é que isso aconteceu, hein? Eles viram valor no trabalho de provocação intelectual e cultural que a gente faz e decidiram fazer parte de nossa jornada! Isso também é consciência social!

No site perfetto.com.br, lembre-se, Perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. Entre as delícias que eles produzem está Multipack Purple Power, um picolé de Açaí que…hhhuuummmm….

Além de ser delicioso, por ser rico em polpa de açaí natural, é um produto prático para ser consumido na correria do dia a dia, além dos finais de semana com a galera e a família.  Tem uma cobertura de chocolate branco e flocos de banana  para fechar com chave de ouro! A combinação faz TODA a diferença! Só provando pra entender.

Você tá se aguentando aí, cara? Tá difícil, né?  Vai lá no perfetto.com.br! Dá uma olhada: é enlouquecedor!

Lalá, como é o novo bordão?

Lalá -Hummmm… Com sorvete #TudoéPerfetto

 

 

Luciano Pires: Hoje bato um papo muito interessante com Henrique Viana, um jovem gaúcho que em 2016 juntou-se a Lucas Ferrugem e Filipe Valerim para fundar a produtora Brasil Paralelo. A Brasil Paralelo vem causando polêmica com seus documentários, que abordam histórias e temas de relevância social sob pontos de vista originais. E a história de empreendedorismo deles é sensacional. Vamos nessa hoje?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil. Eu sou Luciano Pires. Posso entrar?

Renato Lapenta: Olá Luciano. Tudo bem? Quem está falando aqui é Renato. Eu sou seu assíduo freguês, de carteirinha aqui do Café e de todos os outros produtos da tua iniciativa, do teu trabalho. Um fã confesso de tudo isso. Eu queria comentar uma coisa aqui a respeito dos recentes episódios do Café Brasil, o 763 e o 772, onde você fala muito com o convidado o senhor Tejon, fantástico. Sobre a comunicação no agro. Pois bem, eu trabalhei numa agência de comunicação muitos anos, lá no finalzinho dos anos 90. E essa agência, graças à visão dos seus proprietários, era uma agência de interior, mas que nunca ficou focada na sua cidade, na sua região. E sim, buscava empresas e entidades de porte nacional para trabalhar. E de grande sucesso. E uma das contas que eu atendi – eu era um profissional de atendimento nessa agencia, atualmente é chamado de executivo de contas; eu era um executivo de contas – eu atendi a conta da Láctea Brasil. A Láctea Brasil nasceu ali no finalzinho dos anos 90 para ser uma espécie do que é a Milk Dairy Association lá nos Estados Unidos, que é uma entidade que faz o marketing do leite como um todo. O produto leite como um todo, pega toda a cadeia. Então lá nos Estados Unidos, desde os anos 20 do século passado, eles têm uma participação fortíssima. E algumas campanhas deles extrapolaram o limite dos Estados Unidos. Foi para o mundo. Quem não se lembra de filmes que a gente assistia e as famílias tomando leite nas refeições? Isso era um trabalho da Milk Dairy Association, botando dinheiro em Hollywood. Isso foi para o mundo todo, não só para a cultura americana. Vocês citaram no episódio 772, do bigodinho do leite. É uma campanha da Milk Dairy Association, com grandes atletas. Todas as personalidades do esporte basicamente fizeram essa campanha do bigodinho do leite. Outra campanha deles, quando terminam as provas da Fórmula Indy, em especial as 500 milhas de Indianápolis, o pódio é comemorado com leite. Exatamente campanha da Milk Dairy Association. E essas campanhas são custeadas por eles, por essa entidade, que pega a cadeia produtiva inteira, desde a empresa que produz arame farpado, mas ele vende para fazendas de leite. Ele tem que dar lá a sua contribuiçãozinha. Então a entidade tem um poder muito grande. Tem muito dinheiro nas mãos. E, obviamente, com isso, faz campanhas fantásticas. E a Láctea Brasil nasceu com essa mesma intenção. Eu vou aqui omitir nomes de pessoas e empresas, para não complicar nada e tal. Mas só para as pessoas entenderem, para os profissionais do agro entenderem. Quando essa empresa nasceu, essa entidade nasceu ela foi atrás das maiores empresas. Gente seriíssima envolvida. Os maiores produtores individuais de leite. Gente muito séria do mercado totalmente envolvida. E todo mundo foi convidado. Começa já que não aparecem grandes quantidades de pessoas e empresas convidadas a participar. Aí você vê empresas do porte… eu estou falando dos maiores laticínios do Brasil. Eu não estou falando do Seu João, que produz meia dúzia de queijos lá na fazendinha dele. Eu estou falando dos maiores laticínios do Brasil, com atuação continental dentro do país. Se negavam e não entravam a participar. Colaborar com mil, dois mil reais. Sabe? É uma coisa inexplicável a mentalidade do empresário brasileiro nesse sentido. E a entidade penava para conseguir da mesma forma, espaço nos veículos de comunicação. Naquela época o mercado editorial estava fervilhando. Muitas revistas especializadas em agricultura, em agronegócio, em leite. Para a gente conseguir uma página que custava ali para vender para público 1.200, 1.500 reais era um sacrifício. As revistas davam uma página por semestre para a entidade para a gente poder divulgar a própria entidade. E a grande maioria das empresas não participava daquilo. Não queria colaborar. Eu traço uma analogia. O pessoal que faz o Vale do Silício ali. As empresas são concorrentes entre si, mas como um todo; estão juntas, associadas. E a pergunta que se faz é a seguinte: como eu posso contribuir para esse ecossistema florescer? Aqui a gente tem, infelizmente, uma visão do empresariado como um todo: o que eu tenho de vantagem se eu me associar? Enquanto essa mentalidade prevalecer, as coisas não vão para frente. Fica muito difícil. As entidades, por mais sérias que sejam não conseguem florescer. A Láctea Brasil sucumbiu. Não tinha como. Não tinha dinheiro. E isso só sobrevive com dinheiro. E o próprio mercado, gente que fatura milhões, bilhões por ano. Nessa cadeia produtiva, se nega a colaborar com miséria. Com um percentual mínimo, irrisório. É risível. É ridículo. Então, para os novos profissionais, que estão entrando no mercado aí agora, que estão se envolvendo de alguma forma no mercado de comunicação do agro, repensem isso. Eu sei que está comprido o áudio. É muito grande. Mas é uma lição. É interessante. Eu não estou mais no mercado de publicidade. Estou na comunicação há mais de 30 anos, ainda. Mas não estou na publicidade. E seria muito legal, que esse trabalho que você faz é fantástico. O episódio 763 você fala muito: onde está a culpa das coisas não acontecerem? Isso foi bem falado também no 772. Que são os próprios profissionais, as próprias empresas, o próprio mercado que tem que se vender melhor. Ele tem que se postar melhor perante a sociedade, perante o mercado. Fazer com que as coisas sejam vistas da maneira correta. Muitíssimo obrigado. Vida longa ao Café Brasil, ao Cafezinho. Vida longa ao seu trabalho, que é fantástico. Obrigado. Um abraço.

Luciano Pires: Esse foi o Renato Lapenta, com um baita áudio. Que eu tive de trazer inteirinho aqui. Porque tem tudo a ver com o programa de hoje. Primeiro, porque a garotada do Brasil Paralelo acaba de lançar um novo documentário, chamado Cortina de Fumaça, que lança luzes sobre a questão do agronegócio e suas dimensões econômicas, políticas, sociais e culturais. Acredite: é imperdível. Segundo: porque o Renato traz um depoimento de quem esteve dentro do problema, que não é só do agro. É do brasileiro, que não tem o espírito de juntar forças para defender seu segmento. Somos o país do cada um por si. E, talvez, essa seja a principal mudança pela qual temos de trabalhar. Ser cada um por nós. Defender aquilo que julgamos importante. Cerrar fileiras com quem – como nós – defende ideias para fazer o país crescer. É isso que eu tenho tentado fazer com o meu trabalho: juntar as pessoas que têm interesses comuns e fazer com que cresçam juntas. O Renato deu a pista para a nova geração. Você aí que assumiu função de liderança em empresas pense no que pode fazer pelo seu segmento, pela sua cidade, pelo seu país. Não pense só no seu negócio. Isso chama-se consciência social, que é o que vai nos retirar do atraso. Muito obrigado Renato. Sigamos em frente. Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes. Sabe como isso aconteceu? Eles viram valor no trabalho de provocação intelectual e cultural que a gente faz. E decidiram fazer parte de nossa jornada. Isso também é consciência social. No site perfetto.com.br. Lembre-se Perfetto tem dois T. A gente enlouquece. Entre as delícias que eles produzem está o Multipack Purple Power, um picolé de açaí que além de ser delicioso, por ser rico em polpa de açaí natural, é um produto prático para ser consumido na correria do dia a dia. Além dos finais de semana, com a galera e a família. Tem uma cobertura de chocolate branco e flocos de banana, para fechar com chave de ouro. A combinação faz toda a diferença. Só provando para entender. Está se aguentando aí? Está difícil. Vai lá no perfetto.com.br. Dá uma olhada. É enlouquecedor. O Lalá, como que é o novo bordão?

Lalá: Hum… com sorvete tudo é Perfetto.

Luciano Pires: Muito bem. Mais um LíderCast. Aquelas coisas do destino, quando você está pensando assim: uma hora eu tenho que conversar com esses caras. Uma hora eu preciso fazer contato com esses caras. Uma hora eu tenho que encontrar esses caras. De repente entra um WhatsApp para mim. Vamos conversar com esses caras? Não deu outra. Então grande prazer. Hoje aqui vai ser bem legal, porque eu vou falar com alguém que eu sou fã. E aí fica tudo muito mais fácil. Eu começo sempre com três perguntas que são fundamentais. São as únicas que você não pode chutar. Depois você chuta à vontade. Mas essas três têm que ser na lata. Seu nome, sua idade e o que você faz?

Henrique Viana: Tudo bem Luciano? O meu nome é Henrique Viana. Eu tenho 30 anos, eu nasci em 90. E eu sou empresário. Uma empresa chamada Brasil Paralelo.

Luciano Pires: Eu estava louco para ouvir. Como é que ele vai se definir? Empresário engloba tudo. Empresário é tudo lá. Mas vamos sondar um pouquinho aqui. Você nasceu onde?

Henrique Viana: Porto Alegre.

Luciano Pires: Gaúcho.

Henrique Viana: Gaúcho.

Luciano Pires: Eu sei que vocês são em três no Brasil Paralelo. São os três principais ali. Então para dar certo eu tinha que estar conversando com os três. Mas não ia caber aqui. Então você foi o mais tranquilo aqui. Eu vou dar um salto aqui. Porque normalmente eu vou especular da vida da pessoa. Eu vou dar um pequeno salto com você aqui. Você se formou em quê? Qual é a tua formação?

Henrique Viana: A minha formação é engraçada. O que me formei, que eu terminei, eu tenho diploma e tal é técnico em eletrônica. Essa é a minha formação. Agora, eu fiz Engenharia Elétrica.

Luciano Pires: Pau a pau. Eu também sou.

Henrique Viana: Então por isso que a gente se identificou. Eu gostei do canto aqui do Luciano. Então? Tá aí. Cheio de equipamento e coisa. Esse foi o meu início na vida adulta.

Luciano Pires: Isso antes da universidade?

Henrique Viana: É. Antes.

Luciano Pires: Eu fiz o colégio Técnico de Eletrônica.

Henrique Viana: Eu também. Eu fiz o ensino médio junto com Eletrônica.

Luciano Pires: Exatamente.

Henrique Viana: Lá no Colégio Santo Inácio em Porto Alegre. Uma maravilha você fazer eletrônica no técnico. Porque você bota a mão na massa, circuito eletrônico; faz teste. O meu trabalho de conclusão foi um sistema [inint 00:13:45] para um carro. Um carro de kart. Em cima de uma estrutura de um carrinho de supermercado. A gente fez um carro. E colocamos um sistema para captar energia do freio. E isso foi uma piração. Meses e meses enfurnado na sala lá do colégio e tal. Depois eu fui para Engenharia Elétrica, naturalmente na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. E gostava muito. Era a minha praia. Eu era apaixonado pela área. Eu trabalhava já, tinha feito estágio numa empresa que prestava serviço para a indústria. E era um tesão. Eu sempre fui encantado. Só que ali já começava a nascer um pouco da paixão também pela Filosofia. Porque eu ficava intrigado para entender o que era o tal do elétron. O que é a energia elétrica? É o elétron. Não professor. Eu quero entender o que é o elétron. E aí ficavam essas discussões. E acabei que um professor eu me dei muito bem, que ele também gostava dessa parte mais filosófica da física, da eletricidade, da eletrônica. Eu dava carona para ele, às vezes, no final da aula e tal. Ele foi me indicando uns livros. E acho que aí já começou uma paixãozinha, que lá na frente veio culminar nessa loucura que a gente faz hoje, no Brasil Paralelo. Mas aí na Faculdade de Engenharia, depois eu troquei para a Faculdade de Administração. Não me formei. E lá na Faculdade de Administração, na metade mais para o fim já, a Brasil Paralelo estoura. Muito trabalho…

Luciano Pires: Você não tinha se formado ainda?

Henrique Viana: Não tinha me formado ainda.

Luciano Pires: Seu pai e sua mãe fazem o quê?

Henrique Viana: O meu pai trabalha nessa área.

Luciano Pires: Área de quê?

Henrique Viana: De Engenharia Eletrônica. Era COPESUL, que era uma empresa lá do sul. Ela foi comprada pela Odebrecht, pela Braskem. Então hoje ele acabou…

Luciano Pires: Ele trabalha numa empresa, é isso?

Henrique Viana: Isso.

Luciano Pires: Ele não é empreendedor?

Henrique Viana: Não.

Luciano Pires: Sua mãe?

Henrique Viana: Minha mãe é empreendedora na área de turismo. Ela tem uma empresa de turismo.

Luciano Pires: Já tinha um bichinho ali?

Henrique Viana: Isso. Total. Eu sou muito parecido com a minha mãe nesse aspecto.

Luciano Pires: A minha diferença para você é que quando chegou no final do colégio, que eu tinha que seguir para a vida, eu fiz o vestibular de Engenharia Elétrica e fiz o vestibular de Comunicação Visual. Engenharia Elétrica em Bauru, onde eu morava com a minha família. E Comunicação Visual em São Paulo, no Mackenzie. E eu chutei tudo e vim embora para cá. Eu vim fazer Comunicação Visual. Então eu saí fora do ambiente. Mas aquela formação das exatas ela veio comigo até o colégio. Dali para frente foi humanas direto.

Henrique Viana: Sim. Legal. Mas é parecido. Porque é isso, no fundo também. Eu entrei na Engenharia Elétrica, mas passou dois anos e meio, três anos de Engenharia Elétrica, eu troquei para Administração com ênfase em marketing. Então também, no fundo, eu fui para a ESPM lá no sul para isso, porque eu já estava sentindo que a minha vocação era essa. Profissionalmente eu já tinha trocado, eu já tinha ido para essa área da comunicação. Então eu já estava vendo que esse era o meu caminho. Entendeu?

Luciano Pires: Seus dois sócios estavam ali também no pedaço, fazendo Engenharia com você também?

Henrique Viana: Essa parte não. A gente estava ali junto e tal. Mas eles não chegaram a passar por essa loucura aí. O Lucas passou por um caminho parecido com o meu, no sentido de que ele se envolveu com o mercado de eventos. Ele veio do interior do Rio Grande do Sul. Ele nasceu no interior. Morou em Caxias muito tempo. Depois foi para Porto Alegre. A gente se conheceu na faculdade. O Filipe eu conheci antes do Lucas. O Filipe eu conheci quando ele tinha 15, 16 anos. Eu tinha 18. A gente se conheceu, porque uns amigos nos convidaram para fazer parte de uma banda lá em Porto Alegre. E essa banda a gente tocava com os amigos, descompromissadamente. Até que começou a ter muito show da banda. Porque era aquela coisa de colégio, de banda universitária. Depois veio o sertanejo universitário. Mas na época era mais tipo pagode, essas coisas assim.

Luciano Pires: No Rio Grande do Sul, para o sertanejo universitário demorou um pouco.

Henrique Viana: Demorou um pouco. Chegou depois. E na época já tinha entrado o pagode. Já era uma heresia lá no sul. Mas a gente ali, adolescência e tal. Os amigos reuniam. Era uma coisa meio de brincadeira. Não que tenha ficado sério. Mas começou a dar trabalho. E eu organizava os ensaios.

Luciano Pires: Chegou a remunerar vocês ou não?

Henrique Viana: Remunerou, mas não ficou. Aquele dinheiro que só flui. Sabe aquele dinheiro que entra e sai?

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Era aquela coisa. Chegou a movimentar uma grana. Tanto que daí a gente decidiu abrir uma empresa e o Filipe virou meu sócio. E eu e ele, a gente… ele tinha o trabalho dele, musical, que obviamente ele foi fazer uma carreira solo. Não ficou como banda de pagode, nada. Mas a gente tentou dar uma profissionalizada. E a gente virou empresário de outras bandas e tudo mais. Movimentou dinheiro. Abrimos uma empresa. Chegamos a ter funcionários. Chegamos a ter um escritório e tal.

Luciano Pires: Quem estava junto nessa com você?

Henrique Viana: Era eu e o Filipe, o Valerim.

Luciano Pires: E o cara que era o cara de eventos não estava com vocês?

Henrique Viana: Não estava ainda. É por isso que eu digo, a gente se envolveu…

Luciano Pires: Vocês se cruzaram…

Henrique Viana: A gente se cruzou mais tarde. É. E o Filipe era cantor. Então se você buscar hoje… eu vou dar um spoiler aqui. Mas é porque eu gostei do seu PodCast. Eu vou abrir essa tá? Se você botar Filipe Valerim no Youtube você encontra coisas além da Brasil Paralelo.

Luciano Pires: Tem ele cantando lá?

Henrique Viana: Tem videoclipe, inclusive com participação do Reynaldo Gianecchini e tal.

Luciano Pires: Que legal.

Henrique Viana: A gente foi… eu vou dizer assim: para a média de quem tenta a carreira na música, a gente foi longe. É que é muito difícil você dar certo. É tipo jogador de futebol, 1% acerta. E a gente foi até que longe. O Filipe chegou a ter música mais pedida na rádio. Show eixo Rio/São Paulo, fã-clube. A carreira dele foi bacana. A gente era muito jovem, claro. Se você olhar hoje, vai ver que a coisa não é tão madura assim. Mas era um trabalho bem feito. A gente se empenhava bastante. A empresa fechou.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Henrique Viana: A empresa fechou em 2012. A gente trabalhou mais ou menos de 2008 a 2012. Desde essa aventura aí de colégio.

Luciano Pires: Sim. Vocês estavam com 17 anos?

Henrique Viana: Eu fui dos 17 aos 23 nisso aí. E o Valerim pegou o final da adolescência. Ele virou maior de idade nessa loucura aí. Mas a gente era sócio. E terminamos com uma grande dívida. Uma enorme dívida. A gente concentrou tudo no Itaú. E tinha uma parcela que a gente foi pagando…

Luciano Pires: Era dívida de quê?

Henrique Viana: Não fechou as contas.

Luciano Pires: Mas vocês chegaram a montar uma empresa?

Henrique Viana: Sim.

Luciano Pires: Com CNPJ, tudo certinho?

Henrique Viana: Sim. CNPJ, tudo.

Luciano Pires: Empregado?

Henrique Viana: Empregados. Tinha um escritório ali na Avenida Goethe em Porto Alegre.

Luciano Pires: Viraram empreendedores mesmo?

Henrique Viana: Viramos empreendedores. Eu diminuo um pouco, porque eu olhando hoje a história que a gente está construindo com a empresa hoje. Eu digo assim: era uma coisa totalmente bagunçada, amadora. Mas era uma empresa. Talvez seja a realidade de muitos hoje. A coisa vai indo do jeito que dá. Você tem uma receita que é incerta, de vez em quando entra uma grana, de vez em quando não entra. Você não tem uma estrutura de empresa funcionando e tal. Mas era uma empresa. E a gente fazia a administração das bandas. Então a gente vendia shows, organizava toda a parte de ensaio, de contratação de músicos e fazia também a parte de gravação de CD, anunciava na rádio. Aí trabalhamos com vários tipos de banda: pop, sertanejo, reggae. Tudo que é tipo. E quando fechou era isso. Tinha mais dívida do que dinheiro. A gente meio que desistiu de continuar o negócio. Então não chega a ser uma falência. Um pequeno negócio, que você chega naquele ponto que você fala: não faz sentido continuar. Não consigo mais trabalhar. Eu preciso encerrar aqui as contas. Eu organizo as minhas dívidas. E vamos pagando as dívidas e fazer outras coisas da vida.

Luciano Pires: E você tinha na mão o diploma de engenheiro eletrônico?

Henrique Viana: De técnico eletrônico.

Luciano Pires: Você não chegou a terminar?

Henrique Viana: Eu não terminei a minha faculdade.

Luciano Pires: Você parou?

Henrique Viana: Eu não tenho faculdade. E os guris também não têm. Isso que é engraçado.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Hoje a empresa crescendo. Hoje a Brasil Paralelo tem mais de 100 funcionários.

Luciano Pires: Pois é.

Henrique Viana: E aí esse negócio de faculdade e tal. É que a gente não gosta de fazer apologia contra a faculdade.

Luciano Pires: Claro.

Henrique Viana: Porque não faria sentido. Mas a gente não terminou. Você terminar ou não uma faculdade, fazer ou não é uma parte. É uma ferramenta. Não é um destino. Entendeu?

Luciano Pires: A gente de quando em quando faz umas reuniões com os colegas que se formaram com a gente. E eu fui há um tempo. Eu fui numa reunião com a minha turma de Bauru, que se formou no colégio há 40 anos. Eu estou falando de 1973. E se juntou a turma toda lá. A gente foi conversar e tudo mais. E uma coisa que ficou muito clara, que para mim depois, se repetiu muitas vezes é o seguinte: os caras que a gente encontra 40 anos depois; e que estão bem de vida; eram os caras do fundo da sala. Os negos ficavam na bagunça. Os nerdão, os caras que pensavam, inteligentes, não chegam aos pés desses putos que estavam no fundo da sala. Entendeu? Então, o que tem ali? Você tem…

Henrique Viana: É que eu acho que os nerds estudaram demais na faculdade. Levaram a sério demais a faculdade.

Luciano Pires: E eles saem da faculdade com um arcabouço teórico maravilhoso, que a hora que você cai na vida, a vida, quem faz, são os caras do fundo da sala. E aqui ele tem que dar um jeito. É jogo de cintura. E vamos lá. Um mais um não deu dois. Vou em frente.

Henrique Viana: Vamos embora. É. É isso aí.

Luciano Pires: E essa pegada é a vida que dá. Então é bem relativo. Eu acho que o arcabouço teórico que você tem na faculdade é legal. Ajuda a gente. Abre muitos caminhos. Mas tem que se jogar.

Henrique Viana: A experiência que a gente teve ali, o Lucas também teve da mesma forma. Lá em Caxias do Sul onde ele morava, ele também abriu uma empresa de eventos também. Muito parecido. Gerou bastante receita. Teve uma puta perspectiva de ser empresário. E depois ele não organizou bem a vida e teve que fechar também, com dívida. Mais ou menos a mesma história. Isso dá uma experiência para você, ainda mais quando é jovem; tremenda.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E depois você fica um pouco mais realista nas ideias, nos projetos, nos sonhos. Entendeu?

Luciano Pires: Vocês fecharam em 2012?

Henrique Viana: É.

Luciano Pires: São nove anos. Então você tinha 21 anos de idade?

Henrique Viana: Eu tinha 22.

Luciano Pires: Eu costumo dizer aqui o seguinte: que a melhor coisa que você tem para amadurecer a garotada é um boleto.

Henrique Viana: Um boleto.

Luciano Pires: E você tinha um boletaço na mão, com 21 anos de idade.

Henrique Viana: Um boletaço. Para você ter uma ideia: eu e o Filipe ficamos quatro anos pagando essa dívida. Essa dívida terminou de ser paga em 2016, justamente o ano que nós fundamos a Brasil Paralelo.

Luciano Pires: Que legal.

Henrique Viana: Nesse meio tempo… eu tenho mania de fechar os raciocínios, senão você vai ficar pensando, o cara já está pensando o que aconteceu de lá para cá. Eu já quero contar. Você me corta se eu estiver…

Luciano Pires: Fica frio, que aqui a gente vai… nós vamos dando voltas.

Henrique Viana: Tá bom. Você que conduz o papo.

Luciano Pires: Vai lá.

Henrique Viana: Mas nesse meio tempo você tem aquela recuperação da crise. Eu, particularmente, tinha dado uma engordada. Eu sempre fui magrinho. Eu fiquei: eu tenho que cuidar da saúde. Passa um tempo, quase um ano, eu entro numa empresa muito bacana, eu recebo uma oportunidade muito boa, para trabalhar no marketing de uma agência de turismo. Um cara que eu já conhecia que me deu essa oportunidade. Me chamou lá e falou: eu preciso alguém do teu perfil. Vai dar certo. O cara me botou…

Luciano Pires: Vocês se separaram então?

Henrique Viana: Isso.

Luciano Pires: O que unia você e o Filipe era uma dívida.

Henrique Viana: Era uma dívida. E a amizade, claro.

Luciano Pires: Mas vocês não estavam trabalhando juntos, nada?

Henrique Viana: Não estava trabalhando junto.

Luciano Pires: E o Ferrugem estava onde?

Henrique Viana: O Ferrugem nessa fase, mais ou menos quando a gente fechou a empresa, foi mais ou menos quando eu troquei de faculdade. Uma das coisas que eu entendi era isso: se eu quero mesmo seguir com isso, não adianta eu ficar aqui na Engenharia. Os meus colegas vindo de pijama para a aula. Só a galera maluca, jogando pingue-pongue. Terminava a aula, ficava jogando pingue-pongue. Ficava estudando. Eu já estava no mundo da comunicação, empresário de banda. Então era um universo diferente. Eu fui para Administração na ESPM. Aí já conheci o Lucas lá. O Valerim foi fazer Publicidade na ESPM também. Então a gente se encontrava na faculdade, a gente ainda era muito amigo. As famílias muito amigas. Agora, recentemente o Filipe casou. Nós estávamos lá com a família dele, com a mãe dele. A gente virou quase família. Muita amizade. Mas ele trabalhando. O Filipe trabalhou como luthier.

Luciano Pires: Luthier?

Henrique Viana: Luthier. Montava guitarra. Montava violão. Aí eu fui para a SP Tur, lá no Rio Grande do Sul. Uma empresa grande, nacional, de turismo. A unidade lá do Rio Grande do Sul era grande.

Luciano Pires: Olha porque eu gosto dessa especulação. Todo mundo que senta, que fala comigo aqui, chega alguém aqui que está na crista da onda com alguma coisa. Vem um candidato a presidente. Senta aí. E eu vou lá atrás buscar os caras lá atrás. Porque a hora que você pega a bagagem do cara. Por exemplo, eu estou entendendo porque os vídeos do Brasil Paralelo têm uma pegada musical que é diferenciada. Tem uma trilha sonora que é diferenciada. Da onde vem isso? Tem um luthier lá na ponta. Tem um cara que é empresário de banda. Os caras eram músicos.

Henrique Viana: Total. O nosso sonho de vida, o nosso primeiro sonho de vida era esse. A gente queria fazer um produto musical de qualidade. E a nossa busca – só que a gente não teve tanto sucesso nisso – era tentar casar um pouco com a demanda pop do momento, mas entregar uma letra de qualidade, uma letra de alto nível. Já era um pouco do que a gente tentava fazer na época. Que é o que a gente tenta fazer hoje com o Brasil Paralelo. Entregar um produto de qualidade, mas sempre tentando aproximar do pop, tentando fazer uma coisa expansiva. Você assiste o negócio, você pensa que está assistindo uma coisa do establishment. Mas no fundo é um conteúdo underground. Então você faz essa mistura.

Luciano Pires: Sim, sim.

Henrique Viana: Olha que engraçado. Você vê. A gente gostava muito de trabalhar junto. Eu fui crescendo lá nessa empresa de turismo. No início eu tomei um puta de um tropeço lá, porque o cara me chamou e me colocou de gerente de marketing. Tinha uma equipe lá. Por mais que eu tivesse tido uma experiência como empresário, é diferente você entrar numa empresa maior e ser chefe de outras pessoas e até mais velhas que eu.

Luciano Pires: O mundo corporativo é complicado.

Henrique Viana: Eu entrei mal. Eu fui arrogante com a galera. Eu não sabia. Eles começaram a dizer que eu era arrogante. Eu achava que não. Hoje eu olho para trás e vejo que eu estava mesmo, eu estava com uma postura errada. Fizeram meio que um motim contra mim lá. Tivemos que reformular a equipe. Demitir a metade. Enfim, foi difícil. Eles me ajudaram na época. Beleza. Tocamos.

Luciano Pires: Você não vai escapar impune dessa. Eu vou querer elaborar isso um pouquinho mais. Me fala um pouco dessa arrogância. O que era isso? Era excesso de confiança? Ou era insegurança? A combinação dava a arrogância?

Henrique Viana: Eu acho que o ser humano tem essa tendência ao orgulho. Para quem é cristão já está mais habituado a seguir esses conceitos. Mas o ser humano tem essa tendência. Então todos nós – o tempo inteiro – estamos a um passo de sermos muito soberbos. É muito rápido. É muito fácil você ser muito soberbo. Então se você se esforça muito, você é só um pouquinho. Então eu acho que é uma falta de percepção minha. Eu acho que é o excesso de confiança. Porque na época eu vinha assim, eu tive uma experiência como empreendedor. Eu fiz coisa pra caramba. A gente fez coisa pra caramba. A gente fez até um contrato com o Cirque du Soleil na época. A nossa produtora pegou uma parte da produção lá em Porto Alegre.

Luciano Pires: Pô…

Henrique Viana: Então tinha todas umas conquistas, que de certa forma… e eu sempre fui muito da comunicação. Um cara muito de venda de sonho. Eu sempre fui muito vendedor de sonhos. Então você entra muito confiante de que as suas ideias são muito boas. E entrei meio de supetão lá. Eu virei chefe de pessoas que já estava a mais tempo na empresa e tinham mais experiência que eu. Enfim, pouca experiência como líder, etc. Sabe? Aí tinha duas pessoas, laranja podre, começaram a fazer um motim contra mim. E aí não deu muito certo. Mas foi rápido. O meu chefe, que era o diretor, gostava do meu trabalho. Me ajudou. A gente sentou junto, organizou. Retomou. Botou a bola para cima. Acertamos a equipe e começamos a trabalhar direitinho. Aí começou a crescer o meu trabalho lá. E crescendo o meu trabalho, eu precisava estruturar melhor a equipe. Quem era o cara que eu confiava? Que ia trabalhar comigo bem em comunicação, que entendia a minha linha de trabalho e tal? O Filipe.  E aí eu chamei de novo o Filipe. E ele entrou lá comigo. E ele entrou e foi muito bom. O primeiro mês ele junto comigo, a gente já, um entrosamento. Nós já fizemos um projeto fantástico. Lançamos. Eu me lembro que a gente fez um monte de coisa legal. Na época tinha uma leva muito grande de clientes lá que era um pessoal mais velho, que fazia viagem de grupo, tipa para Cancun, os velhinhos. E a gente fez uma promoção, que o pessoal ia na sede da agência, tirava uma foto. A gente botava um fundo na praia. E os velhinhos adoravam ter uns retratos. Tinha muita ação de marketing foda que a gente fazia. E aí é onde acontece a minha virada para esse mundo da política. Porque daí eu já estava começando a ganhar uma graninha melhor. Eu já pagava aquela dívida sem estar estrangulado. O Filipe eu também acho que conseguiu uma renda melhor ali, que nessa empresa a gente conseguia ganhar melhor. E aí é o que eu digo: quando você começa a ganhar um pouco de estabilidade na vida, que você começa a se preocupar com as coisas mais banais, tipo: política.

Luciano Pires: Maslow explica.

Henrique Viana: É. E daí eu estava lá na ESPM e tinha um grupo de estudos lá. Aí nisso o Lucas já estava junto. Porque o Lucas era meu colega lá. Foi assim: a gente estava lá na faculdade. E chega um cara para dar uma palestra lá na faculdade, o coordenador do curso de Administração chamou o cara e falou assim: está aqui o cara, ele é do Conselho da Ultrapar, o pai dele foi ministro aqui no Brasil. Um cara importante. Mas ele hoje em dia fala sobre economia austríaca. Vai dar uma palestra aqui. Chega lá é o Hélio Beltrão, do Instituto Mises. Ele dá a tal da palestra. E a gente fica maravilhado com aqueles conceitos de liberdade econômica, de desenvolvimento, de estrela do mar, etc. e tal. Fantástico.

Luciano Pires: Aquelas coisas que não se fala na escola brasileira. Não se diz em lugar nenhum.

Henrique Viana: Aí juntando aqui um pouco, é o que o professor Olavo fala: a verdade é auto evidente.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Quando você está diante de uma coisa que é verdade, você sente. Por algum motivo, aquilo grita para você. E eu acho que foi um pouco o que ocorreu ali. O Hélio trouxe alguns conceitos sobre regulamentação, sobre liberdade econômica, sobre descentralização do poder, que a gente falou assim: perfeito.

Luciano Pires: É isso.

Henrique Viana: E aí no final a gente…

Luciano Pires: Sabe como é que foi comigo? Caiu na minha mão um livrinho chamado As Seis Lições.

Henrique Viana: As Seis Lições. Espetacular.

Luciano Pires: E aí você vai lendo aquilo e vai falando: meu Deus do céu.

Henrique Viana: Só lê aquilo.

Luciano Pires: Meu Deus do céu, como é cristalino. Dali para frente…

Henrique Viana: Não. O Mises tem uma didática. Ele tinha uma didática muito boa.

Luciano Pires: É.

Henrique Viana: E na saída a gente falou com o Hélio, trocou uma ideia. Conversou um pouquinho com ele. Ele supercarismático. Ele falou assim: espera aí, só um pouquinho. Aí ele chamou outro cara e falou assim: esse aqui; está aqui o Guilherme, ele estuda nessa faculdade de vocês aqui. Conheçam ele, se vocês não conheciam ainda. Ele já está montando um grupo de estudos aí, se reúnam e tal. E nós conhecemos o Guilherme Beneza, um querido amigo, um judeu, uma figuraça. Ele está tocando a empresa da família hoje. E ele na época era um fenômeno. Ele montava grupos de estudos liberais e tudo mais. E ele era superativo. Eu era fã dele. E a gente começou a se reunir com ele, fazer grupo de estudos e tal.

Luciano Pires: Teve um núcleo importante em Porto Alegre, não teve? Teve um núcleo liberal importante lá.

Henrique Viana: Muito. Muito.

Luciano Pires: Teve sim.

Henrique Viana: Totalmente. Eu acho que você vai entender melhor agora, que eu vou desenvolver a história. Neste grupo, eu lembro que o Lucas ficava meio de fora. O Lucas sempre foi um cara mais desconfiado. O Lucas é muito cético. O Lucas é o cara da linha editorial da Brasil Paralelo. Ele é responsável pela divisão de documentários. Mas ele sempre foi um cara que puxou a régua na parte de roteiro, de pesquisa e tal. Quando a gente estava muito convencido de uma ideia, ele era o cara que chegava lá e dizia: acho que não é bem por aí. Vamos entender mais. Vamos pesquisar o outro lado também e tal. Mas eu já mais político, mais do relacionamento, me joguei nesse grupo. Eu participava todo sábado. Daqui a pouco chega um colega lá no grupo. Começa a participar. Um menino descendente de holandês, do interior do Rio Grande do Sul. Começa a participar. Dali a pouco, ele fala: eu vou concorrer a deputado.

Luciano Pires: Um tal de Van Hattem?

Henrique Viana: Um tal de Van Hattem.

Luciano Pires: Sabe como que é a minha relação com o Van Hattem? O Van Hattem morando na Holanda, estudando na Holanda, ele manda para mim um depoimento sobre o meu PodCast. Escuto teu PodCast. Ele mandou para mim. E foi tão legal o depoimento que ele me mandou. Porque ele fazia um comparativo entre a dificuldade de ser empresário no Brasil, com a facilidade de ser empresário em qualquer outro lugar. Ele disse: eu vou te contar a minha experiência. Quanto tempo eu levei para abrir uma…

Henrique Viana: Isso.

Luciano Pires: Uma empresa aqui. E ele mandou isso por escrito. E foi tão legal o depoimento, que eu fiz um programa. Eu montei um programa e falei: vou ler no programa a carta que eu recebi de um rapaz que mora lá, Marcel van Hattem. E botei no programa. Foi ao ar. Foi legal. Depois ele veio para cá e entrou em contato. Ele falou: eu estou aqui. Acabou. Quando pintou a ideia que ele começou a aparecer. Aí depois eu retomei lá na frente o contato. Acabei trazendo ele aqui. Fiz um LíderCast com ele. Foi muito legal.

Henrique Viana: Então? Isso deve ter sido antes de ele concorrer?

Luciano Pires: Isso. Ele já era político lá no sul. Já tinha sido.

Henrique Viana: Ele tinha sido vereador.

Luciano Pires: Estava na transição para ir ser deputado…

Henrique Viana: Estadual, inicialmente.

Luciano Pires: Ou tinha vencido. Eu não me lembro mais. Mas foi num período antes de ele ir para Brasília. Ou ele estava a caminho de Brasília. Alguma coisa assim.

Henrique Viana: Porque ele muito jovem foi vereador lá no município que ele nasceu, em Dois Irmãos, no interior do Rio Grande do Sul. Mas passou anos. Ele se formou na faculdade. Foi morar lá fora. Fez mestrado fora. Abriu uma empresa de tradução. Então ganhou a vida fazendo traduções. Muito bacana o trabalho dele. Sempre foi um bom jornalista. Ele sempre foi um bom escritor. E daí quando ele começou a participar desse grupo lá da ESPM, porque na época ele tinha um namoro, uma coisa assim. Eu não vou expor aqui o Marcel. Mas eu acho que ele ia lá, talvez, mais pela menina do que pelo grupo de estudos. Mas era também um cara que já tinha um reconhecimento ali no grupo. Era um cara que entendia mais.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Porque ele já tinha mestrado fora, ele já tratava desse tema do liberalismo há mais tempo que nós. Então a gente escutava ele também. Era um cara que tinha um respeito do grupo ali. E ele quando falou que ia concorrer, a gente ficou muito assim: poxa, que coisa maluca. Porque na época, a sensação que dava era que na época, ninguém estudava aquilo que a gente estudava. Ninguém pensava como a gente pensava. Ninguém achava que o Brasil podia não ser de esquerda. Ninguém achava que o Brasil podia ter livre mercado. Ninguém achava que… a sensação que a gente tinha era que a gente estava totalmente isolado, sozinho.

Luciano Pires: Eu acho que era pior que isso. As pessoas pensavam que o Brasil era livre mercado.

Henrique Viana: Pior…

Luciano Pires: Elas achavam que era.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Está bom assim. Já está ótimo.

Henrique Viana: Já tem muito neoliberalismo aqui.

Luciano Pires: Isso aí.

Henrique Viana: Uma ameaça. Então aí a gente falou assim: não. Vamos te ajudar e tal. Mas vai ser uma loucura. Não vai ter resultado. Mas a gente te ajuda. Vamos lá. Aí a gente começou. Aí com essa minha loucura de empresário de banda, de empreendedor, de gerente de marketing e tudo mais, eu peguei já de cara e quis ajudar muito ele nessa parte de organizar a campanha, de organizar a imagem. E aí foi que ele falou assim: eu quero que tu seja meu coordenador de campanha. Porque não tem ninguém com essa experiência e tal.

Luciano Pires: Para estadual?

Henrique Viana: Para estadual. Eu falei: não Marcel é muito… eu tenho um histórico. Tive minhas dificuldades. Empreendi. Fiz maluquice. Agora eu estou começando a me acertar na minha carreira. E lá crescendo. A equipe crescendo. O Valerim lá, meu braço direito. A gente trabalhando bem, crescendo. A empresa também crescendo. O cara superempreendedor, o diretor, Diogo. Que até hoje é meu grande amigo. E daí passa mais um tempo e eu continuo ajudando. Porque era uma coisa muito apaixonante. E começou a pegar certa atração. Tinha várias pessoas importantes, formadoras de opinião lá do sul, que começaram a apoiar o Marcel. O Marcel sempre foi um cara de muita credibilidade. Muito bons relacionamentos. Ele sempre soube criar bons relacionamentos. Eu lembro até hoje. Eu tiro sarro, porque tem o Ricardo Gomes, que é o vice-prefeito de Porto Alegre hoje. Amigo nosso. Na época eu não conhecia ele. Ele tinha sido presidente do IEE. E ele tem uma voz muito imponente. Tipo essa tua, de entrevistador. E ele me liga um dia e fala assim: Henrique, tudo bem? Nós gostaríamos muito aqui que você assumisse a campanha do Marcel. Começa a fazer uma pressão. Porque o Marcel estava meio: não tem quem faça esse trabalho sujo aqui. O trabalho de ir para lá e para cá. Porque deputado estadual, assim como federal, você tem que fazer campanha em tudo que é cidadezinha do interior.

Luciano Pires: Isso aí.

Henrique Viana: Na época, a parte da internet ainda era uma aposta. Hoje em dia é mais viável você ter uma campanha só com internet. Na época ainda não tinha tido nenhum candidato. Resumo da história: eu aceito a loucura. Eu saio fora. O Valerim assume o meu lugar como gerente de marketing na SP Tur. Também ótimo para ele, porque ele cresceu muito lá depois. E eu me jogo na campanha do Marcel, como coordenador lá da campanha dele. E a gente começa para lá e para cá. De uma hora para outra. Subir e descer a estrada no sul. Ia para Dois Irmãos.

Luciano Pires: Foi você que botou ele no Parcão com um megafone na mão?

Henrique Viana: É. Eu estava junto. Não fui eu, mas foi. Eu estava lá. Eu era o braço direito dele nessa parte toda de organização de campanha. Quando ele estava no Parcão, eu acompanhei tudo. Eu fui com ele lá. Ele foi no banquinho, com um megafone. Foi onde começaram as manifestações no Rio Grande do Sul. Não foi ele que fez o evento. Foi uma menina que até hoje a gente não sabe quem é. Porque ela fugiu. Ficou com medo. Ela criou o evento no Facebook. Deu aquele burburinho. As pessoas começaram a marcar de ir. E começaram a mandar mensagem para a gente, para o comitê do Marcel. E a gente disse: Marcel e aí? Aí ele falou: vamos lá. Eu falei: A gente tem que ir mesmo. Tem que liderar essa turma. Tu é a única referência. Por quê? Para recapitular um pouquinho: quando começa a campanha do Marcel, você tinha uma baita turma engajada. Começou a ter muita gente engajada, jornalistas, empresários e tal. Foi bem legal. Foi bem entusiasmante o início. Porém, não era uma coisa que a gente tivesse público. Para muita gente era uma aposta. Era uma campanha ideológica. Essa campanha é uma campanha de ideias que a gente defende. Mas que não tem atração na sociedade. Mas vamos defender. Eu lembro inclusive que na época tinha as doações de campanha. Eu lembro que tinha um nome lá, um tal de Salim Mattar. Esses caras pós-liberais e tal. Daí eu mandei um e-mail. E aí ele olhou e falou: mas o Marcel é do PP. Eu não vou apoiar. Mas eu falei: mas o cara é liberal. Daí eu lembro que o Marcel escreveu uma carta para ele explicando que ele era do PP por uma questão circunstancial, mas que ele era liberal. Daí o Salim Mattar: então tá bom. Daí fez a doação para a campanha dele. Então tinha apoio do meio liberal. Mas não tinha um público ainda. Aí o que acontece? Nós estamos num dia de campanha comum, eu acho que era um domingo de manhã. A gente estava lá tentando estratégias. Daí tivemos uma ideia: vamos tentar ir na Redenção e fazer panfletagem lá de manhã. A gente chamou o pessoal que já apoiava a campanha. Umas 20 pessoas junto, lá. Foram tomar chimarrão e distribuir panfleto na praça. Chega lá, me aparece Maria do Rosário com uma turma lá e tal. E daí o Marcel falou assim… e nós já tínhamos tido algumas conversas do tipo assim: tu vai ter que ser combativo. E o Marcel sempre foi um cara combativo, com coragem. Mas ele se continha. Porque ele também era um cara que veio da Holanda, não sei o quê. Mas, ao mesmo tempo, ele tinha um espírito combativo. Eu disse: tu tem que deixar isso aflorar. Porque as pessoas precisam entender que tu é um cara que vai combater. Que como um político, tu vai ser um guerreiro dessa causa. Tu não vai ser só um intelectual de monóculo lá. E ele assumiu esse negócio. Ele falou assim: cadê o megafone? Aí a gente foi buscar o megafone no carro. E tinha já o Rafão com a gente, o Rafão Camargo que era quem filmava as coisas, fazia os vídeos do Marcel. Fazia fotos. Eu falei: liga a câmera. E daí eu falei: Marcel, o que tu vai falar? Ele falou: eu vou ali, eu vou me pronunciar. Eu disse: cara, calma aí, velho. Pode dar problema isso aí. Eu meio que fiquei cagado. Eu falei: o que o Marcel vai fazer? Ele liga o megafone e começa a xingar a Maria do Rosário no meio da praça.

Luciano Pires: Isso está no Youtube até hoje.

Henrique Viana: Eu digo assim: isso é fato. Não nem autopromoção, nem nada assim. Foi o primeiro viral da direita na internet no Brasil. Possivelmente devem ter tido outros. Mas desse novo movimento que ocorreu ali a partir de, mais ou menos, 2014. Foi o primeiro viral onde tinha um cara xingando um político do PT na rua. E a coisa começa. E ele falava assim: porque como você, eu não defendo bandido. Aí ela sai no meio dos carros. Entra num carro. Foge. E os caras da turma dela começam a vir para cima. Deu quase briga. Tudo filmado. A gente sobe no Facebook na época. A página principal de campanha era o Facebook. E o negócio viraliza. Provavelmente uma viralização que na época não se compara com as de hoje.

Luciano Pires: Claro.

Henrique Viana: A rede era muito mais reduzida. Mas a partir daquilo…

Luciano Pires: Mas o alcance era muito maior. Engajamento e alcance.

Henrique Viana: Era o Brasil inteiro num dia.

Luciano Pires: Eu tive posts com 150 mil compartilhamentos. Com quatro milhões de alcance. 25 mil comentários. Um post. Eu olhava aquilo e falava: isso é maravilhoso. Comparado com hoje…

Henrique Viana: Exatamente. E o Facebook não tinha tantos players, tanta gente falando. Hoje em dia você tem um monte de influenciador. Mas o que acontece é que ali mudou a campanha. Ali nós passamos a administrar uma campanha de um fenômeno. De uma pessoa conhecida no Brasil inteiro. A gente montou uma operação na época só para enviar material de campanha para pessoas que queriam apoiar ele, pelo estado. Você começou a ter o seguinte: um grupo de liberais, que ninguém sabia que existia, lá de uma faculdade em Pelotas, que olhou o vídeo e falou: esse é o nosso candidato. Então começou essa coisa orgânica. E desde o início a gente já acreditava. Porque eu mesmo tinha me engajado nisso por uma questão de ideias, de idealismo. Eu estava ferrando o meu futuro, a minha carreira, apostando numa coisa maluca. E as pessoas também. Então ali, a gente viu as pessoas vendo o que a gente tinha visto no início. E aquele sonho começou a ser alimentado. Vamos ter um cara de direita, um liberal na Assembleia. E o negócio cresceu e ele fez 35 mil votos. Faltaram 300 votos para ele se eleger. Só que como ele estava no PP. O PP estava junto no 2º turno – quem conhece um pouco de política sabe – então a gente já sabia que ele ia ser deputado. Porque você tem os secretários e tal…

Luciano Pires: Sim. Alguém ia sair.

Henrique Viana: Alguém sai. Ele era o 1º suplente do PP. Então ele de fato entrou. Então praticamente ele foi eleito. Em janeiro ele já era deputado. E nesse meio tempo entre a eleição e ele assumir o mandato, começaram as manifestações. Porque logo depois daquela eleição. Isso foi em 2014. Então ele estava na minoritária ali para deputado. Mas na majoritária era Dilma e Aécio no 2º turno. E deu aquele rolo da eleição, do resultado. Ficou mais ou menos. Daqui a pouco… tipo esse do Biden e do Trump, que ficou meio estranho. E a galera foi para a rua. É engraçado, porque ainda hoje, a imprensa em geral, a grande mídia como um todo, faz todo mundo acreditar que a ideia da insegurança com relação às urnas é uma coisa de maluco. Só que esse foi o primeiro intento de manifestação dos brasileiros, do movimento conservador, lá em 2014. Desde lá, o grande incômodo. Você não ter uma possibilidade de conferência popular das urnas. A única entidade que pode fazer uma conferência das urnas é a própria empresa que fez as urnas e que tem o contrato de exclusividade.

Luciano Pires: Semana passada eu botei. Estava uma discussão dessas no nosso grupo da Confraria Café Brasil, dos assinantes. É muito legal. Tem até uma discussão boa lá. Que aí eu fui buscar lá atrás. Eu falei: eu vou dar para vocês. Eu vou mostrar aqui de novo, a melhor defesa do voto… agora não pode falar mais voto impresso. Tem que falar voto auditável. A melhor defesa do voto auditável é uma apresentação de um… ele é do Ministério Público do Mato Grosso, de Goiás, de Minas. Eu me lembro que ele está lá na Câmara, ele pede a palavra. E ele fala lá, e ele dá um exemplo. Eu vou dar um exemplo para vocês aqui que é o seguinte: você imagina que você está no teu condomínio. Tem eleição do síndico. Quando termina a eleição, o síndico pega a urna e fala: dá licença, que eu vou subir com o meu filho até fazer a contagem lá em cima. Depois eu volto aqui e digo quem ganhou. Você admitiria isso? De jeito nenhum. É isso que nós estamos discutindo. Nós não estamos discutindo nada além de: eu quero que seja clara a hora da apuração. Aí eu publiquei. Aí os caras vieram: mas tecnicamente… eu falei: esse argumento é imbatível. Porque ele não é técnico. Ele é moral.

Henrique Viana: É moral.

Luciano Pires: Nós estamos discutindo um argumento. Tecnicamente você vai encontrar caras que vão provar para você por A+ B, que dá para mexer na urna. E outros que vão provar que não dá para mexer.

Henrique Viana: Isso é lógico. A questão é quem audita.

Luciano Pires: Pois é. E isso é moral.

Henrique Viana: É uma questão moral.

Luciano Pires: É uma questão moral. Então para mim a discussão está aí. Ela tem que ser na moralidade. É imoral você não auditar. Ou fazer no escuro. Não deixar que eu veja o que aconteceu ali. Mas fizemos uma voltinha aqui.

Henrique Viana: Mas é isso.

Luciano Pires: Me diz uma coisa: onde estavam teus dois sócios? Eles estavam à revelia desse processo todo?

Henrique Viana: De certa forma. Eles não estavam inseridos. Eles estavam acompanhando tudo. A gente tinha a nossa amizade ainda a todo vapor. Sempre se encontrando final de semana e tudo mais. E claro que esse era o assunto. Então como a gente já tinha desde o início uma afeição grande por essa filosofia de botequim, filosofia de boteco. Ou seja, você sentar com amigos e bater um papo cabeça horas e horas. Isso a gente sempre teve muito. Eu e o Filipe desde a época da música. A gente ficava refletindo sobre isso, sobre por que um cara como o Luan Santana era uma febre? A evolução da história da música, dos fenômenos e tudo mais. A gente sempre ficava nisso. Quando a gente conheceu o Lucas, da mesma forma. O Lucas era um cabeção também, entrava nessa discussão. Então quando começou toda essa história de política, a gente estava junto lá. Assistiu à palestra do Hélio Beltrão. Mas eu é que fui mais de cabeça nesse primeiro momento, na política. O Filipe estava lá na SP Tur. Teve uma grande experiência lá na SP Tur. Ficou lá tocando o marketing deles. Evoluiu muito lá, muito mais do que eu. Ele levou à frente o negócio. Eu acho que ali ele aprendeu muito também a ser gestor. E o Lucas teve outras experiências em Porto Alegre, várias experiências. Ele foi sócio de outro negócio. Foi também gerente numa outra empresa. E eles acompanhavam esse meu processo. E foi engraçado, que quando começou a acontecer essa coisa das manifestações, o Marcel virou referência ali.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: O banquinho no Parcão, o megafone e tal. Então eu estava ali em volta também. Eu entrei com o Marcel. Ele entrou na Assembleia. Eu fiquei com ele um tempo montando equipe. Eu coordenava essa equipe de comunicação. E, naturalmente também, eu acabei participando de todo esse processo, por dentro desse processo da organização das manifestações. Carro de som. Faixa. Panfletagem.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Henrique Viana: Isso foi 2014 para 2015.

Luciano Pires: Nós já tínhamos passado pela experiência de 2013.

Henrique Viana: Já tinha.

Luciano Pires: Aquela loucura de 2013.

Henrique Viana: 2013 foi um aquecimento só. 2014, com a reeleição da Dilma, aquele burburinho começa a tomar uma forma. Essa é a forma do movimento conservador. São as pessoas que querem basicamente fora PT e fora Dilma. No início não tem muita consciência do que é, do que não é. E essa consciência vai tomar forma nos próximos anos. A partir de Brasil Paralelo e de vários outros players de mídia alternativa. Que as pessoas vão começar a entender bem o que era esse anseio e tudo mais. E foi exatamente o que a gente faz nesse início. Nós estamos ali para lá e para cá. Um dado momento eu saio do Marcel. Eu sentei com ele e falei: desculpa. Com todo respeito, mas eu não tenho muita vocação para ser funcionário público, funcionário de político. Eu não gosto muito. Apesar de ter me apaixonado por todo esse movimento que a gente criou. Eu vou ver o que eu faço. A gente ficou muito tempo ainda muito próximo. A gente ainda é muito próximo. Amigo. Outro dia ele esteve lá na Brasil Paralelo. A gente conversou bastante. Mas eu fiz consultoria para vários outros políticos. Consultoria para outras campanhas, para o Camozzato, para o Ricardo Gomes, para o Vinicius Poit aqui em São Paulo, o Luiz Philippe de Orleans e Bragança. Então cheguei ainda a ensaiar uma carreira nesse sentido. Mas também ali…

Luciano Pires: Ali não era o bicho.

Henrique Viana: Porque a política é muito chata. Você tem que ter muita vocação para isso. Não é a minha. Entendeu? Política mesmo. Política Brasília. Eu sempre fui um cara mais… imagina, eu estava lá na música. Eu sempre fui um cara da cultura. Eu sempre quis trabalhar nesse âmbito mais da cultura. E ambição empreendedora também. Porque eu já tinha tido uma empresa. Eu não tinha descansado. Eu queria ter uma empresa de sucesso. Eu nasci numa família classe média. Eu queria um dia, quem sabe, ser rico? Eu queria ter um patrimônio bacana. Ter uma carreira de sucesso. E na política você só tem um jeito de ficar rico, que é roubando. Então não tinha uma perspectiva ali.

Luciano Pires: Vamos pausar aqui então, porque já vai começar a dar gritaria. Vamos lá. O que ele quer dizer aqui? Ele quer dizer o seguinte: um político ganha um salário. E é um salário que não é um salário ruim. Pelo contrário. Você vai pegar um deputado lá em Brasília, que ganha 30 e poucos paus. Mas é 30 e poucos paus, livre. Porque esse cara não paga moradia. Então é uma boa grana. Mas não é grana suficiente para você ficar rico. Para falar: fiquei rico.

Henrique Viana: Não, não.

Luciano Pires: Não é. Você pode ficar tranquilo. Levar uma vida tranquila. Mas você não vai juntar…

Henrique Viana: Você com esse salário, você consegue um padrão de vida alto.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Mas você é dependente daquilo para sempre.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Você não chega ao ponto de conseguir guardar. Porque a vida de um político. Você não consegue. É difícil você ter uma vida de político e gastar pouco. Então tipo assim: eu vou ganhar meus 35, mas eu vou viver com 10. E vou guardar 25. Não existe isso. Você sendo um político em Brasília para lá e para cá, você está gastando grana pra caceta. Então no fundo, um político, é difícil ele guardar patrimônio, conquistar um grande patrimônio. Não que não possa. Óbvio, ao longo de muito tempo, pode. Não é que não possa. Tem estilos e estilos de pessoas. Mas um cara que tem uma ambição empreendedora, não é sendo político, muito menos assessor de político. Eu nunca achei que eu tivesse vocação para político. Então como assessor de político. Aí também assessoria para político, que era uma coisa que eu na época fazia bem, também era uma coisa que o ambiente é muito sujo, não no sentido de corrupção, isso também, óbvio, mas no sentido da campanha. O sistema eleitoral é uma coisa muito… como que é a palavra certa? Você vai tomar uma rasteira em algum momento. Ele é muito arenoso.

Luciano Pires: Ele é desleal. Ele tem… sim.

Henrique Viana: Desleal, tóxico, etc. e tal. Então eu estava sentindo…

Luciano Pires: A comparação que eu faço é UFC. Você entra ali dentro, têm regras. Mas tem um cara do outro lado que quer te derrubar, ele está ali para isso. Quando ele puder, a primeira oportunidade… ele não vai… ah, o cara deu uma bobeada. Eu vou enfiar a mão na cara dele. Se ele cair no chão, aí que eu vou para cima.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: A política é igual.

Henrique Viana: E eu estava ali. Veja bem: eu estava nessa angústia, tipo, eu encontrei um negócio que o meu coração bate aqui, que é mudar o Brasil e tudo mais. Estudando bastante na época política, para lá e para cá, liberalismo. O professor Olavo de Carvalho também já era uma coisa de consumo nosso. A gente no final de semana ficava falando sobre as aulas do professor. Eu, o Lucas, o Valerim. Só que: o que eu vou fazer da minha vida? Eu saí lá da minha carreira que eu estava começando. Aí fui aqui. Política não dá certo aqui. É meio instável o negócio. Não é o que eu quero. O que eu vou fazer? Então eu já estava quase me mandando desse negócio. Eu vou voltar para outra opção no mercado. Alguma coisa. Sei lá o que eu vou fazer da minha vida. E de certa forma, o Filipe e o Lucas também. Porque eles estavam com bons projetos também, inícios de carreiras bacanas. Mas também eles tinham muito esse anseio da vida intelectual, de um empreendedorismo mais sonhador, uma coisa um pouco mais utópica. Também eles tinham isso. O Valerim tinha toda aquela experiência da música comigo. O Lucas era sempre um cara muito dos livros, do estudo da Filosofia. E nenhum deles estava também numa empresa, num emprego, numa carreira, num projeto que alimentasse tudo isso. E nem eu. Então, aquele constante anseio de estar num projeto que alimentasse todas as suas ambições. E daí como começa o Brasil Paralelo? A gente…

Luciano Pires: Isso é 2016?

Henrique Viana: Nós estamos falando de 2016. Exatamente. O ano de 2015 foi esse ano que eu começo com o Marcel. Depois eu saio. Faço várias assessorias. Ocorrem várias manifestações ao longo de 2015. O cenário político vai evoluindo. Começa a evoluir para o impeachment. Começa 2016. E o que ocorre ali, na verdade, isso já começou a acontecer no final de 2015. A gente reúne… quando eu digo a gente, eu e outros amigos que não estão nesse grupo. Outros amigos que estavam ali nesses grupos de voluntários que faziam as manifestações. Um deles o Thiago Mena, que era o nosso sócio no início da Brasil Paralelo. Não é mais. A gente estava ali participando de tudo e estudando bastante a guerra política, a guerra cultural. E a gente resolve chamar a galera toda que participava das manifestações, a galera que participava da organização. Tinham umas 50 pessoas que era o núcleo que organizava lá em Porto Alegre. Não era um grupo. Não era nada. Era só orgânico. Tinha um médico, um advogado, uma tia de WhatsApp, um estudante. Era a coisa mais aleatória possível. Mas meio que a galera foi fazendo grupos de WhatsApp e aí: vai ter reunião agora para organizar não sei o quê. Ia todo mundo lá. Então quando eu digo grupo é isso. Para ninguém ficar pensando que tinha alguma coisa superorganizada lá. E aí numa dessas a gente convidou a galera, a gente disse: a gente vai fazer uma apresentação sobre guerra política etc. e tal. Seria importante vocês assistirem. A gente quer mostrar para vocês os nossos estudos. E a gente dá uma organizada em todo esse conteúdo que a gente vinha estudando nesses últimos anos e apresenta para eles algo do tipo… bom, para quem conhece a Brasil Paralelo, a primeira série, o Congresso Brasil Paralelo 2016. Essa era a apresentação que a gente fazia. Claro que não era um documentário ainda. Era uma palestra.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar: vocês juntaram. Fizeram um Power Point?

Henrique Viana: Isso. Exatamente.

Luciano Pires: Uns slides e fizeram um jogral lá. Cada um pega um pedaço…

Henrique Viana: Exatamente. Tipo um pit de negócio. Tipo isso. Tipo trabalho de faculdade.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: A gente apresentou para a galera. Na primeira vez foram cinco caras. Pessoas mais velhas. Eram empresários, pessoal que tinha muito contato. Tinha um pessoal que tinha uma boa rede de contatos. Apesar de ser para cinco pessoas, era uma apresentação, que se a gente conseguir convencer esses caras dessa ideia, a gente… eles vão acabar nos levando para outras pessoas.

Luciano Pires: Mas não havia ainda um business em vista?

Henrique Viana: Nada, nada. O nosso objetivo com essa apresentação era alertar as pessoas da guerra cultural. As pessoas não tinham ideia, Luciano, do que era a guerra cultural.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Naquela época, as pessoas achavam que o impeachment era a solução. E que o problema do Brasil era a Dilma. Sabe?

Luciano Pires: Tudo está resolvido.

Henrique Viana: Essa coisa do Brasil liberal, a maioria ainda achava isso. Mesmo a pessoa que ia para a rua contra o PT, achava que o Brasil era liberal, então não tinha uma ideia bem assim. É um pessoal que só consome establishment e Globo e tal. E para nossa sorte ainda, quem foi ver a apresentação? Era o pessoal da elite econômica. Empresários grandes de Porto Alegre. Herdeiros de empresas grandes. Uns cinco. Bem certinho. Esses são os caras mesmo que a gente precisa falar. A gente apresentou. Deu uma liga. Eles gostaram do conteúdo. Acharam fantástico. Não tinham tomado contato com isso ainda. Ficaram impressionados ali, com essa visão de guerra política e tal. A nossa preocupação era que não soasse como teoria da conspiração. E a gente fez tudo para não soar. A gente pesquisou muito dado, muito número. A gente destrinchou num Excel na frente dos caras todo o investimento do governo federal em ONGs no Brasil. E mostrou que 98% era um negócio radical de esquerda, um negócio totalmente progressista. E eles tomaram um baque e falaram: vamos um evento com mais gente, com muita gente, para vocês apresentarem isso. E aí a gente começou a fazer. De 15 em 15 dias, pelo menos, tinha uma palestra que a gente dava. Eles organizavam o evento, chamavam pessoas e a gente dava a palestra. E essa palestra – modéstia aparte – era muito gostosa de ver. Ela tinha um storytelling, ela tinha um…

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E aí começa a nascer um pouco já a ideia de Brasil Paralelo. O Lucas e o Valerim acho que foram numa dessas. Não sei. Eles estavam muito por dentro desse conteúdo também. Mas por um acaso era eu e o Thiago que estávamos nessas palestras, fazendo. E sempre que terminava a palestra vinha uma meia dúzia de caras e dizia assim: o que nós vamos fazer? O que vocês vão fazer com isso aí?

Luciano Pires: E agora? Cadê?

Henrique Viana: Vamos fazer alguma coisa. Vocês não têm um projeto. Qual que é a de vocês? Vocês vêm aqui…

Luciano Pires: Como é que continua?

Henrique Viana: Me dão esse choque e aí, qual que é a solução? E eu estava num momento engraçado. É engraçada a vida. Porque mesmo eu tendo sido empreendedor, eu tinha o sonho de ser empresário. Eu estava buscando uma coisa para fazer da minha vida. Eu estava diante de um monte de caras. Sei lá. Possíveis investidores. Não sei. E não passava pela cabeça abrir uma empresa. Entendeu?

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Para você ver como é as coisas. Às vezes a gente não vê na frente.

Luciano Pires: Até porque na hora você olha para uma coisa dessas e imagina que a responsabilidade por arrumar esse país não está na mão de nós, empresários. Tem que ser um político. Então o caminho é: entre para um partido político. Vá ser político, que só assim você… e não é.

Henrique Viana: Exato.

Luciano Pires: Tem todo um outro lado da sociedade…

Henrique Viana: Exato.

Luciano Pires: Que tem a pressão para fazer.

Henrique Viana: Exatamente. E aí a gente ficava meio perplexo. Até que a gente apresentou para o Leandro Ruschel, ele estava já morando nos Estados Unidos na época. Eu conhecia a família dele no Rio Grande do Sul já, a gente tinha uma relação boa já. Eu e ele já tínhamos nos conhecido. Ele tinha acompanhado a minha coordenação da campanha do Marcel. Então eu falei: eu tenho um negócio para te apresentar. Ver o que tu acha. Apresentamos. E ele adorou. Ele já era aluno do Olavo na época.

Luciano Pires: Apresentou o quê?

Henrique Viana: Essa palestra.

Luciano Pires: A palestra.

Henrique Viana: A palestra.

Luciano Pires: Não era um business plan.

Henrique Viana: Não. Não era um business ainda. Ainda era uma palestra. Era uma coisa meio missionária. A gente pegou aquilo como missão.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E a gente percebia que algo de bom ia sair dali.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Não sabia o quê. Mas a gente muito provocava que os outros fizessem algo. A nossa missão era só expor as ideias. Até que quando apresentou para o Leandro. O Leandro é um empreendedor, um cara fantástico. Ele tem uma visão incrível. Tanto é que na época ele já tinha várias empresas de sucesso, morando lá nos Estados Unidos. E já era um cara referência ali para o sul. Um cara que já tinha saído dali, feito patrimônio e tal. Então ele assiste aquele negócio. Só que ele já aluno do Olavo de Carvalho, ele fala assim: isso aí é o que eu sempre tento explicar para as pessoas e não consigo. E vocês conseguiram. Então isso aí tem que chegar no Brasil inteiro. Vocês têm que dar um jeito. Eu falei: então Leandro, aproveitar que tu está falando isso. Está todo mundo falando isso aí. Só que o seguinte: eu não sei o que fazer. Os caras já propuseram aqui fazer uma ONG, mas eu acho que não é. Eu não tenho vontade de entrar numa ONG. De trabalhar por doação. Eu acho que isso é uma furada para mim. Te abrindo o jogo aqui: eu fiz lá a coordenação do Marcel. Eu fiz as minhas consultorias. Mas eu não sei o que fazer da vida. Eu não estou muito norteado. Daí ele falou: mas está aí. Esse negócio aí é o seguinte, vocês estão resolvendo um puta problema das pessoas. Vocês estão gerando valor pra caramba. Vocês terminam de apresentar e os caras ficam pedindo um call-to-action. Isso é um business. Isso é uma puta empresa. E não só uma puta empresa que pode dar muito certo, porque atende uma demanda bem latente do mercado. Como pode fazer um puta bem para o Brasil, em termos de informação, em termos de mídia e tudo mais. Vai adiante. Faz isso aí. Eu falei: porra cara. E ele falou: e se precisar da minha ajuda, conta comigo. Eu te mentoro para fazer isso aí e tal. Eu falei: tá bom. Putz, esse cara… é sempre assim, quando a gente está empreendendo…

Luciano Pires: O cara enxergou. O cara é um empreendedor. O cara enxergou valor.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Ele viu que…

Henrique Viana: E quando a gente encontra uma pessoa de sucesso que valida uma ideia, é outra coisa.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Aí foi que me caiu a ficha. Que aquilo era uma jornada empreendedora começando. Eu não tinha percebido. Realmente essa que foi à loucura. Mas dali até a gente fazer a Brasil Paralelo também não foi simples. Porque eu não sabia nada de vídeo. Eu não sabia nada de jornalismo, de roteiro, de nada. Eu nem sabia bem o que…

Luciano Pires: Mas então? Mas essa ideia do… porque eu estou imaginando o seguinte aqui: você tem na mão uma matéria prima muito legal. E agora é o momento de você… você precisa ampliar esse alcance. Tem que aumentar o alcance dela. Você está na área de comunicação. E para aumentar esse alcance você tem mil alternativas. Então você fala: eu vou montar um projeto de programa de televisão. Eu vou montar um projeto de aulas nas escolas. Eu vou montar um projeto de… como é que pinta essa ideia?

Henrique Viana: Então? Palestra no Brasil inteiro que não ia ser. Imagina, “nós ia” terminar em 2092.

Luciano Pires: Exatamente. A sua presença física em tudo quanto é lugar também não era.

Henrique Viana: Não dava.

Luciano Pires: Teria que fazer e esparramar.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Como é que esparrama? Pela mídia tradicional a gente sabe como é. Vai pela internet.

Henrique Viana: Exato.

Luciano Pires: Como é que você faz para encontrar o caminho? O caminho será documentário?

Henrique Viana: Você fez o raciocínio perfeito. A primeira coisa que a gente percebeu: precisa ser um business digital. Foi o primeiro raciocínio. O raciocínio de fazer vídeo veio muito depois, por incrível que pareça. Porque como a gente não é do vídeo… para quem martela, todo problema é prego. Então você não consegue resolver um problema quando você não… eu fui começar a chamar as pessoas. Então, daquelas pessoas que apresentavam comigo, eu falei com o Thiago, que era o único que estava disponível. O resto tinha suas carreiras, suas outras coisas. Inclusive um deles, hoje meu cunhado. Eu casei com a irmã dele. Ele estava junto, participou; o Rafael. Participou de todas as apresentações. Mas ele tem uma rede de restaurantes. Ele estava na época também captando investimentos. Aí eu e o Thiago começamos. O Leandro nos mentorando. Aí eu chamei o Lucas e o Filipe e o Rodolfo, que é mais um amigo nosso, que também não ficou. Ficou num primeiro momento e depois saiu. Ele veio junto com o Lucas de Caxias. Um grande amigo. O cara que fez toda a identidade visual desde o início, ilustrador e tudo mais. A gente então começou ali, em cinco. Era eu e o Thiago, depois entrou os dois. O Lucas e o Filipe se tornaram sócios depois de um tempo. A gente foi organizando. O Leandro ajudou muito a fazer as propostas. Organizar isso de forma a fazer com que as pessoas entrassem. Ele me incentivou desde o início a fazer uma sociedade a fazer uma partnership. Fazer um modelo de vários donos e não de um dono só. Ele é sócio da XP. Ele tinha essa experiência com a XP desde o início. Então foi bacana. Ele já deu esse alto nível de solução…

Luciano Pires: Legal.

Henrique Viana: Para montar um business porrada, desde o início. E a gente começou a trabalhar sem nome de empresa. Sem projeto. Sem nada. E a gente varava madrugada…

Luciano Pires: Sem CNPJ. Um grupo de amigos querendo algo.

Henrique Viana: Exatamente. Eu investi o dinheiro que eu tinha. Aluguei uma sala. Comecei a fazer alguns investimentos. E logo a gente abriu CNPJ desde cedo. Abriu a empresa. Então a ideia já era bem concreta de fazer um negócio.

Luciano Pires: Vocês já fizeram a sociedade. Vocês já abriram com sociedade com cota, tudo certinho?

Henrique Viana: É. No início era só eu e o Leandro e o Thiago. A gente chegou e falou assim: Leandro quer ser sócio? Não como investidor. Mas a gente te quer junto. Porque eu sei que se tu tiver sócio do negócio, nem que seja um pouquinho, tu vai ajudar mais. E foi o que aconteceu. Ele foi um cara fundamental. Sempre de longe. Nunca foi um cara que trabalhou no business.

Luciano Pires: Ela já nasce como uma empresa de criação de conteúdo e distribuição?

Henrique Viana: Exatamente. Apesar de que ela no início tinha ainda um CNAE para plataformas de crowdfunding. Porque a gente achava que era uma possibilidade a gente usar aquela palestra para criar um serviço de crowdfunding para projetos. Porque no fim… porque tu vê que a gente não entendia ainda que o nosso negócio era um negócio de mídia mesmo. A gente achava que a apresentação era um meio para algo.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E não um fim em si mesmo de mídia, de informação.

Luciano Pires: Que no fim da linha é educação.

Henrique Viana: Educação.

Luciano Pires: É educação. O negócio da gente é educação.

Henrique Viana: O nosso negócio é educação. E aí a gente começa essa loucura de vira noite, vira noite. Passa uma semana e nada. Passa outra semana. Nada assim, várias coisas. Mas não se chega numa conclusão de qual que é o modelo exato de negócio, qual MVP que a gente vai apostar. E daí…

Luciano Pires: Até porque vocês não tinham nem onde se apoiar. Não tinha como você olhar. Olha: tem uma referência ali. Não existia nada.

Henrique Viana: Não. A primeira ideia foi fazer um congresso online com os principais caras que estavam no debate político do momento, para explorar aqueles temas ali, que nós tínhamos colocado no… a gente menosprezou um pouco inicialmente a nossa palestra. A gente foi para cima dos caras e tal. Aí a gente começou. O Filipe pegou e falou assim: eu vou arranjar uma câmera. Ele viu qual que era a melhor câmera. Começou a fazer tutorial na internet de como mexer na câmera. E baixou um premier piratão. E começou a fazer. E daqui a pouco não é que o cara pega lá? A gente marca entrevista com um cara que era mais próximo nosso, lá de Porto Alegre, era professor da faculdade, mas que também discutia uns assuntos políticos, que era o Ricardo Sondermann. Inclusive ele lançou um livro do Churchill há pouco tempo. Discursos do Churchill. É um puta cara. E ele gravou a entrevista para a gente lá em Porto Alegre. E o Valerim chegou lá e montou etc. e tal. E não é que a entrevista fica ótima? Depois também, a filha dele fazia cinema. E aí ele falou: eu vou ver se a minha filha não trabalha com vocês. E aí entrou a Júlia lá com a gente. A Júlia Sondermann trabalhou no primeiro lançamento com a gente. E foi fundamental. Porque era a única pessoa que nós tínhamos do cinema, para dar alguma referência. Hoje a Júlia é sócia da Lumine TV, do projeto que chama Mini Biblioteca Católica. É um grande projeto. Ela é esposa do Mateus Daso, enfim, tem uma história muito bacana. Mas aí essa primeira entrevista que a gente grava a gente olha e fala assim: está muito lindo. O que é isso? Como assim? Então o Filipe meio que descobriu um talento cinematográfico sem querer.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E aí a gente falou: vamos gravar mais então. E vai ser assim: o nosso congresso não vai ser ao vivo. Porque ao vivo seria impossível. Nós vamos gravar todas as entrevistas e nós vamos subir numa ordem. Daí a gente aprendeu. A gente estudou um modelo de congresso online que tinha na internet na época. Você pegava os especialistas de um assunto, tipo: congresso de educação física. Aí você pegava os caras. E tinha inclusive lá uma indicação de como você poderia monetizar aquilo.

Luciano Pires: Tudo feito para construir uma lista, confirmar. Aí você ia malhar a lista.

Henrique Viana: Exato. E nada melhor do que você…

Luciano Pires: Isso na época foi uma febre. Todo mundo fazia isso.

Henrique Viana: Mas assim, você vê como faz bem desde o início você ter que dar lucro. A melhor benção que pode ter na sua vida é você estar encurralado, precisando de lucro. Precisando de resultado financeiro. Porque daí você vai criar as melhores coisas. Então a gente desde o início sabia. A gente decidiu. Imagina: eu convidei o Lucas e o Filipe, os dois saíram de coisas que eram mais ou menos garantidas. E claro que era o sonho deles também trabalhar com uma coisa do tipo. Mas todo mundo falou: estamos fodidos. E fomos gastando. Eu gastei tudo que eu tinha. Eles também. Porque o dinheiro que eu pude pagar para eles no início era muito pouco. Então eles também, praticamente, empobreceram do nada. Aí a coisa começou a andar. E aí ainda a gente pegou muitos empréstimos. Aí o Leandro nos ajudou. Porque o nome do Leandro ajudou para pegar os empréstimos. Mas tudo, 3% de juros ao mês. Tudo pesado. Aí a gente começou a dar certo. A gente montou a marca Brasil Paralelo. Então o nome era Congresso Brasil Paralelo 2016, tinha uma landing page, começamos a captar leads. O Rodolfo mandou muito bem no design. A gente desde o início sabia que o negócio tinha que ser pop. Tinha que ter um design de alto nível. A gente acertou a mão nisso. E os caras começaram a topar dar a gravar. Porque era muito bonito. Era bem organizado e os vídeos estavam ficando bons.

Luciano Pires: Não havia ainda visão da assinatura recorrente?

Henrique Viana: Não.

Luciano Pires: Ainda não tinha nada disso?

Henrique Viana: Não. Isso veio anos depois.

Luciano Pires: Vamos vender um pacote de um evento, começo, meio e fim?

Henrique Viana: É. O evento vai ser gratuito. E a gente vai vender um pacote de extras. Era isso. E foi isso que a gente fez basicamente. Teve só uma pequena mudança no meio do caminho, com a influência do Olavo de Carvalho. Eu vou te contar depois. O que aconteceu? Os caras começaram a topar. O Pondé topou em São Paulo. O Olavo de Carvalho topou, porque foi através do Leandro. Eu acho que na época também, o Leandro intermediou com o Rodrigo Constantino. Através do Marcel eu consegui também muitos políticos. E a gente foi conseguindo. Mas o Pondé, o Lucas ligou para o escritório do cara lá na faculdade que ele dava aula. Eu não me lembro qual era a faculdade. Falou com a secretária. A secretária falou com ele na hora. Falou com ele. Topou. Fechou data. Ele desligou o telefone e falou: eu estou fechando com o Pondé. O Pondé vai participar do Congresso Brasil Paralelo. Mas quando é? Tal dia em São Paulo. Como é que vamos comprar a passagem? Não tenho dinheiro. O cartão de crédito? Não. O meu cartão já foi. O meu também. Será que o do teu pai? Começou aquela loucura. Nós vamos ter que pegar um empréstimo. Eu acho que foi ali que a gente teve que pegar o primeiro empréstimo. Não sei se foi o primeiro ou o segundo. Fomos pegar o empréstimo e pagar esses custos. E daqui a pouco, a gente estava com umas 30 e poucas entrevistas de duas, três horas de duração. Você olha: não tem congresso. A não ser que esse congresso dure um mês. Então a gente meio que… só que, ao mesmo tempo, para o marketing do negócio era bom ter esse monte de gente. E a gente se vê diante de um problema. A gente não tem um bom evento. Um bom produto. Mas a gente que participou de todas as entrevistas, a gente olhava e dizia assim: uma coisa que o cara falou lá – que é boa – tem outra coisa que o cara falou aqui, que também é muito boa. Mas a palestra inteira do cara não é tão interessante. Porque, enfim, muito tempo ali parado. E tem uma coisa que nenhum deles falou, que só a gente para falar. Porque é tipo quando a gente fazia aquela palestra lá, que a gente dava toda a costura dos temas e tal. Daí que a gente pegou e falou assim: no fundo, a palestra lá que deu início a tudo isso é que tinha uma narrativa. E isso que é legal. É isso que as pessoas gostam. Você vê que muitas vezes acontece isso com o empreendedor. Alguma coisa é a que move no início, que gera a percepção positiva. E no meio do caminho, ele perde um pouco aquela ideia original. E isso é a coisa mais perigosa que existe. E aí a gente teve a sorte de resgatar isso. E aí foi que o Filipe na época, que ele estava nessa de vídeo, ele pegou. A gente desenhou para ele, eu e o Thiago, o roteiro da palestra. Ele pegou uma partezinha ali. Pegou uns trechos que tinham a ver com aquela parte. Montou. Fez uma locução no fone do iPhone. Botou no premier ali. Colou uma coisa na outra. Pegou umas imagens do banco de imagens. Ele criou uns cinco minutos de documentário. E mostrou. Só para ter uma ideia: a gente demorou. A gente foi chamar de documentário eu acho que lá por 2017, 2018. Não é que a gente não tinha coragem de chamar de documentário. A gente realmente não considerava um documentário. A gente considerava um vídeo. Uma montagem de vídeo nossa. E a gente falou: é assim que tem que ser. Vai ter que ser assim. Nós vamos ter que editar tudo isso. E qual é a base de roteiro? A base é a palestra.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E aí foi o primeiro esqueleto de filme nosso. Uma palestra que serviu de base para um roteiro. Umas entrevistas coladas uma na outra. Com preenchimento de banco de imagens, de locução etc. e tal. E a gente vai lançar a [inint 01:16:02] de fazer documentário. Porque a gente começou a fazer o negócio e a gente dominava aquele negócio. Tecnicamente era muito difícil para a gente. Tanto que a primeira série se você for assistir lá, você vai ver que é bem inferior em termos de imagem e tudo mais.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Mas concatenar conteúdo, a didática do negócio, o storytelling, tudo já tinha ali. E ali o Lucas já começou a pegar também a parte de roteiro. Foi ali que ele despertou também para esse negócio. Depois ele imergiu nisso. Hoje a vida dele está ali.

Luciano Pires: Ali finalmente vocês encontraram então o…

Henrique Viana: A gente começou a se encontrar.

Luciano Pires: Qual é o produto?

Henrique Viana: O produto.

Luciano Pires: O que ia ser entregue ali. Onde entra o Ícaro de Carvalho?

Henrique Viana: O Ícaro nessa época, como estava no negócio de congresso, a gente tinha um dos caras principais, que fazia isso, que dava esses cursos sobre congresso. A gente entrou em contato com ele e falou: tu não quer nos ajudar aqui, assim, assim, e tal? E o cara meio que esnobou. A gente falou: a gente precisava de um cara especialista em marketing digital para dar uma força.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E na época o Ícaro também estava começando. Ele estava também com um novo mercado já na época e tal. E a gente se escreveu no mercado. Eu vi umas aulas dele. Eu entrei em contato com ele.

Luciano Pires: Ah, vocês não conheciam ele?

Henrique Viana: Não.

Luciano Pires: Eu achei que tinha uma relação de amizade de alguém com alguém ali. Não?

Henrique Viana: Eu acho que o Leandro tinha conhecido ele de alguma forma, em algum projeto. E aí eu acho que o Leandro foi a ponte. O Leandro deu o contato dele. Mas a gente não conhecia ele.

Luciano Pires: Mas vocês chegaram lá batendo na porta do fornecedor?

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Ele era um fornecedor?

Henrique Viana: Exatamente. Só que o Ícaro tinha esse alinhamento. Ele pulsava com essa coisa também de política e tudo mais. E a gente se deu bem de cara. Fizemos já ali logo uma amizade. E ele topou. Topou participar. Então ele topou fazer consultoria. Ele pegou um fio do projeto. A gente não tinha como pagar. Mas ele topou. Achou que tinha potencial. Ele mora em Santos. E a gente em Porto Alegre. A gente tinha um grupo no WhatsApp, que ele ficava o dia inteiro mandando áudio e dando as dicas. Excelentes. Ele deu todas as dicas. E muitos dos e-mails daquele esquema ali de lançamento, daquela forma de lançamento. Muitos dos e-mails, ele que escreveu.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E ele deu muito da metodologia que a gente usou no lançamento. Ele deu muitos insights no meio do caminho, que foram fundamentais. E ele participou do primeiro lançamento como quase que um sócio do projeto. Um consultor de marketing, mas que pegou um fio também.

Luciano Pires: Ele esteve nessa cadeirinha. Então, quem quiser, que escute o LíderCast com o Ícaro de Carvalho. E complementa um pouco essa história. Ele conta um pouco da história lá. Eu também fiz um LíderCast com Marcel van Hattem que também conta essa história. Então faça uma maratona que dá para saber a história toda.

Henrique Viana: Ótimo.

Luciano Pires: Mas aí vocês então…

Henrique Viana: Aí entrou o Olavo de Carvalho.

Luciano Pires: Isso. E aí?

Henrique Viana: A gente apresenta para ele – primeiro – a nossa ideia. Faz uma reunião por vídeo com ele. Fala: boa noite professor. Isso aqui é um pouco fruto da gente ser seu aluno, das aulas e tal. Vê o que o senhor acha. Será que a gente está certo na tese? Ele viu tudo e falou assim: está certo. É isso mesmo. E assim, o projeto de vocês é um projeto midiático. E está certo. E é isso mesmo. Eu acho que vai dar certo como projeto midiático. Porque não tem quem atenda essa demanda hoje na sociedade. E vocês, eu acho que vão dar certo por causa disso. Mas tem uma coisa que eu acho que não está prevista aí, que eu acho que vocês têm que fazer. Vocês vão falar com muita gente. E essas pessoas querem mudar o Brasil. Se vocês não criarem um senso de comunidade, não criarem um cadastro, não unirem essas pessoas, vocês vão estar deixando de fazer uma coisa que é muito importante e que é o que a gente precisa. As pessoas precisam estar unidas. Precisa ter um senso aí de… e a gente falou assim: faz sentido. Faz muito sentido. Beleza. Vamos. Beleza. Aí marcamos uma entrevista com ele. Uns dias depois, um mês depois eu estava lá nos Estados Unidos para entrevistar ele. Gravar a entrevista dele. Ele foi muito querido, ele nos recebeu lá, muito simpático. Ele é totalmente diferente desse cara que fica brigando e tal.

Luciano Pires: Atenção, quem não ouviu ainda, ouça o LíderCast com o Olavo de Carvalho. Eu fui para lá e fiz um LíderCast com ele. Foi sensacional.

Henrique Viana: Ele ficou fumando e fazendo piada.

Luciano Pires: Uma figuraça. Foi inacreditável.

Henrique Viana: É inacreditável mesmo.

Luciano Pires: É isso que me deixa assim… não dá para a gente entender muito. Porque a gente fica falando aqui, os caras começam: maluco, terraplanista, astrólogo. Eles não fazem a menor ideia do que tem ali. Porque só fala bobagem. Eu criei um canal do LíderCast. Eu tinha um canal no Youtube, o meu canal. E estavam lá os programas. E agora eu criei um canal do LíderCast. Então é uma fase nova…

Henrique Viana: Legal.

Luciano Pires: E estou trazendo todas as entrevistas para cá. E republiquei agora a do Olavo. E botei de novo. Foi em 2018 que eu estive com ele. E botei de novo lá. Você vai na área de comentários, do mesmo jeito que tem gente que chega lá e fala: é genial. Aí entra um monte de gente. É só xingamento. Você fala: esses caras não têm a menor ideia. Você pode não gostar. Você pode ter um problema estético com ele. Você pode achar que ele fala palavrão. Você pode achar que ele tese… mas a hora que você entra na obra. Esqueça o que ele fala e fique só com as referências. Você vai ganhar 100 anos de vida. Do tipo assim: procure tal cara. Veja tal livro. Veja essa tese. Só você puxar…

Henrique Viana: Todo mundo que eu conheço que resolveu fazer o COF mudou de vida para melhor. Todo mundo que eu conheço que resolveu fazer o COF…

Luciano Pires: COF?

Henrique Viana: Curso Online de Filosofia. Todo mundo que resolveu fazer o COF ficaram para trás na cadeira assim: caramba do céu. Como eu não tinha encontrado esse homem antes. Mas é Olavo professor de Filosofia, que é um tipo, que é uma figura. Você tem um Olavo que…

Luciano Pires: Tem o Olavo do Twitter, do Facebook. É uma coisa. E o Olavo professor é outra.

Henrique Viana: O Olavo é um só, obviamente. Mas você explora as diferentes vertentes de trabalho que ele tem. E esse trabalho como professor de Filosofia é um trabalho que não tem igual no Brasil.

Luciano Pires: Você que está nos ouvindo ainda, que já caiu o disjuntor. Já derrubou o disjuntor. Já religou. Já derrubou de novo. Então calma. Não fica nervoso. Continua ouvindo. Está legal o papo aqui. Calma. Volta. Toma uma água. Volta. E se puder, dá uma olhadinha depois em alguma coisa que o Olavo escreveu; que não seja só texto de Facebook. Pega um livro dele. Vai ler um livro. Depois vem comentar.

Henrique Viana: E esqueça esses termos tipo: olavismo, olavista. Personalismo. Esse negócio… isso só emburrece.

Luciano Pires: Porque é um reducionismo. E vale para todo lado. Se eu tachar comunista num cara é tão reducionista quanto. E não é assim.

Henrique Viana: Concordo. Se tem uma coisa que a gente aprendeu é isso na Brasil Paralelo. Da mesma forma…

Luciano Pires: Sim. Você pega esse fenômeno da direita brasileira. Eu criei uma metáfora para explicar a direita brasileira. Você imagina um elevador grande, numa daquelas lojas de departamento gigantescas nos Estados Unidos. Então o elevador está vazio. E um belo dia a gente enche de gente aquele elevador. É à direita brasileira a partir de 2013 ou 14. Entrou a direita e o elevador começou a subir com todo mundo lá dentro. E aí o elevador para no 1º andar. Pessoal, roupas femininas. Uma parte sai. Roupas masculinas. Outra parte sai. Brinquedos. Uma parte sai. A direita brasileira foi assim. E ela vai se esmigalhando no meio do caminho. E se transforma num monte de grupos, onde tem maluco, tem gente sensata. Tem um maluco que vem pedir: eu quero que o exército tome conta e mate todo mundo. Tem louco assim. Agora, esses caras não são iguais. Eles não estão na mesma cesta. Eles defendem ideias que estão de um lado do espectro político. Mas não são iguais. Então você tem que separar as coisas. Eu não posso pegar um maluco nazista, que está lá cortando a cabeça e falar: eu sou como ele. Bota um rótulo em mim: eu sou genocida. Quando você bota um rótulo desse você emburrece a discussão. Emburrece tudo. Não tem mais argumento. E o que aconteceu com a direita brasileira foi isso. Ela não existia. De repente junta todo mundo e aquilo esfacela. Nós estamos vendo agora, MBL para um lado. Você estava falando aqui, eu estava imaginando. Imagina se vocês convidassem o Pondé hoje, se ele iria.

Henrique Viana: Não. O Pondé até pouco tempo participou.

Luciano Pires: É?

Henrique Viana: Agora que ele enlouqueceu.

Luciano Pires: Alguma coisa aconteceu ali.

Henrique Viana: A gente foi amadurecendo esse processo de selecionar participantes. Mas no início era todo mundo.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Todo mundo.

Luciano Pires: Mas aí vocês vêm com uma postura extremamente agressiva. O marketing de vocês foi muito agressivo. Mais chato que vocês, só aquele barbudinho da Empiricus. Porque você entrava no Youtube, toda hora, lá vinha o cara. E vocês entraram sem medo. E bateram firme lá que ali tinha clara uma intenção, que era assim: ou vai ou racha. Ou a gente bota aqui 100 mil assinantes ou o negócio não tem como rodar.

Henrique Viana: É isso mesmo.

Luciano Pires: Então? Mas deixa eu voltar naquela reunião estratégica, quando vocês sentaram ali para conversar. Como é que vocês chegam nesse modelo de marketing extremamente agressivo? É um momento em que fica claro que a assinatura recorrente é o caminho? E que para isso vocês teriam que ter muita gente chegando? Foi o Ícaro que deu a dica? Como foi?

Henrique Viana: Isso veio bem depois, a assinatura. Porque no início a gente não sabia o que ia ser.

Luciano Pires: Então? Mas o bem depois? Nós estamos falando de 2016, anteontem. Porque é tudo num período muito curto de tempo.

Henrique Viana: Exatamente. 2016 a gente lança o negócio. No início era um pacote. E a gente teve esse insight de dizer assim: precisamos criar uma comunidade. Então a gente criou a membrezia Brasil Paralelo. Então você comprava esse pacote e virava membro, no início. Os membros fundadores. Deu esse upgrade de marca. Ou seja, você é membro fundador. Você entrou no início. Daí depois dá muito certo o negócio. A gente estava com uma dívida de 100 mil quando a gente lançou o negócio. Que para quem não tem nada é muito.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E a gente em algumas horas já paga essa dívida. Em 15 dias você tem faturamento de 1 milhão e 300 mil reais de venda de pacote.

Luciano Pires: Com assinatura recorrente já?

Henrique Viana: Não. Ainda é só o pacote. Você pagava – eu acho que era – 300 reais, 380 reais por um pacote, para ser membro. Então você acessava todas as entrevistas, extras, brutas, etc. e virava membro fundador.

Luciano Pires: Quanto tempo?

Henrique Viana: Para sempre. Era vitalício. Quem é membro tem até hoje. A gente tem – eu acho – uns 10, 12 mil membros fundadores. Alguns viraram assinantes. Outros até hoje não são assinantes. É uma briga para fazer esses caras assinarem. Não, mas eu já sou membro fundador. Não quer assinar o negócio. Mas aí a gente começa e empresa. Começa a organizar. Começa a estruturar. Botar de pé. Ainda com um modelo muito incipiente. Não é um modelo de negócio estável ainda. Mas se mostrou gerador de receita. Então a gente com o próprio caixa começa a investir. Lança a segunda série, Brasil, Última Cruzada. Que até hoje é o maior sucesso da Brasil Paralelo. Ainda na Última Cruzada era só pacote. Só que a gente começa a perceber aí já o efeito que tem de um lançamento para o outro, de você não conseguir necessariamente que as pessoas recomprem de novo outro pacote. A gente pensou: precisamos evoluir o modelo de negócio. Entra 2018. A gente faz vários lançamentos. A gente faz o acompanhamento das eleições. A gente lança o Teatro das Tesouras. A gente faz um dossiê das urnas eletrônicas, um documentário sobre as urnas. Atacado pelo Ministério Público Eleitoral. Tiram o vídeo do ar. Censuram no Youtube. A gente entra com um mandato de segurança. Bota o vídeo de volta. Lança um especialista falando sobre… o ano de 2018 foi uma explosão do Brasil Paralelo. E a gente lança um modelo de assinatura. Só que para lançar o modelo de assinatura a gente precisava ter algo recorrente. E aí que a gente lançou o modelo de assinatura. O modelo de assinatura é basicamente o seguinte, a gente falou assim: a gente precisa ter algo pronto. Por um lado, a gente sabia que para lançar a assinatura, para ter um modelo mais estável de empresa, precisava ter um conteúdo. Por outro lado, toda vez que a gente fazia um documentário, entrevistava as pessoas, ia conhecendo gente. E nos bastidores, porque a gente grava aqui e conversa mais um pouquinho na rua.

Luciano Pires: Claro.

Henrique Viana: E essas conversas, a gente olhava e dizia: que conversas que a gente tem tido. Conversas espetaculares sobre política, sobre Brasil, sobre o mundo, sobre cultura. A gente começou a evoluir intelectualmente. Porque começou a puxar a régua para cima. A Brasil Paralelo começou a ter certa envergadura. Então a gente já começou a ter uma responsabilidade maior. E aí você começa a ter que ficar mais sério. Tem que estudar mais. A gente queria dividir isso com as pessoas. Esse bastidor que as pessoas não veem. E aí foi que a gente juntou as duas coisas. Falou: vamos fazer um núcleo de formação. A gente reúne esses caras. Chama eles aqui para dar um curso. Grava esse curso. E dá para os membros. Mas só para quem assina.

Luciano Pires: Essa turma também estava conversando com vocês?

Henrique Viana: Aí você tem de tudo: professores, filósofos, cientistas políticos, políticos, empresários. Tem de tudo. Depende da série que nós estamos fazendo, é um grupo diferente de especialistas.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Por exemplo, o Rafael Nogueira tem vários cursos no núcleo de formação. Porque ele foi lançado pela Brasil Paralelo. O Luiz Philippe de Orleans e Bragança também foi lançado pela Brasil Paralelo. O Tomás Juliano; e assim vai. O Marcus Boeira. Só que eles já eram pessoas que tinham muito mais estrada que o Brasil Paralelo, com estudo e tal. Mas eles eram de carreiras nichadas e locais. Não estavam na internet. E a gente começa a fazer o núcleo de formação e lança a assinatura. Naquele ano de 2018 a gente já tinha faturado sete milhões e pouco. Em 2019 tem o 1964. Aquela loucura que você lembra.

Luciano Pires: Doideira.

Henrique Viana: Doideira. O Brasil inteiro. Um negócio assim…

Luciano Pires: O Vila enlouquecido.

Henrique Viana: Ali eles devem ter parado. Depois que passou todo o rolo. Falou assim: que merda que a gente fez. A gente tornou esses caras rock star. Era isso. Todo dia alguma imprensa me ligando para entrevistas. Hoje tem quase nove milhões de acessos do filme. Um longa-metragem documental. Mais visto do Brasil.

Luciano Pires: Sem ser passado comercialmente em lugar nenhum

Henrique Viana: Em lugar nenhum.

Luciano Pires: Que loucura. É aquilo que a gente conversou um pouquinho antes, que eu estava te falando. Do timing para as coisas acontecerem. É ter o timing exato. A coisa acontece no momento exato, quando a tecnologia está à tua disposição. E você entra lá e, de repente, descobre que tem um canal. Então hoje você vê, tem gente que tem canal no Youtube que tem mais audiência que programa de rádio e televisão conhecidos.

Henrique Viana: Exato.

Luciano Pires: Chegamos num ponto aí que o indivíduo já pode fazer a diferença.

Henrique Viana: No ano passado Luciano – em 2020 – foi mais de 11 milhões de espectadores únicos que assistiram ao Paralelo. Em média, mais de quatro vídeos.

Luciano Pires: É um canal. Mas então aí em 2018, com aquela barulheira toda vocês começam a incomodar. Porque até então eram uns moleques. Uns fraldinhas lá de Porto Alegre, falando bobagem, contando mentira.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Com um monte de gente obscura que ninguém sabe quem é. Onde já se viu vir querer contar que a história não foi como o professor disse aqui? Eu me lembro que teve até uma discussão muito grande: cadê o diploma desses caras? Quem são eles? Porque nós temos e vocês não têm. Isso não é contar história. Isso é uma especulação. E aí vocês começaram a incomodar. Porque até então, eu dou um peteleco e esses moleques desaparecem. Os moleques começam a crescer. Começam a ganhar força. E aí o outro lado repara que vocês estavam começando a representar um perigo. E aí começam as tentativas de boicote, de cancelamento. Então a primeira tentativa é fazer o que fazem com o Olavo até hoje, que é ridicularizar. Esse cara é ridículo. Esse cara não sabe o que está falando. É um bobo. É um velho. E aquilo não colou. Porque vocês continuavam aumentando a quantidade de gente. A segunda tentativa foi dizer que vocês eram bancados por um dinheiro obscuro que vinha sei lá de onde. Vinha do exterior. Um dinheiro que vinha e chegava até vocês. E revelaram que vocês gastaram quatro milhões de mídia. Não tem dinheiro que pague isso. Essa grana só pode vir de fora. Vocês esperavam por uma reação desse tipo? Como é que vocês responderam? Eu me lembro que uma vez vocês fizeram um programa inteirinho só para responder uma reportagem da Folha de São Paulo não foi isso?

Henrique Viana: Foi sim.

Luciano Pires: Como é que foi a hora que vocês viram a mídia ou o establishment reagir dessa forma? E vocês não tinham o backup necessário. Como que é?

Henrique Viana: Eu vou te dizer. O que a gente fez nessa época? A gente entendeu como uma oportunidade. Que oportunidade? Tem um fator aí que é interessante se for pensar, que é o seguinte: por que tu considera uma iniciativa, uma empresa não uma empresa? Considera um movimento político? Um blog bolsonarista, etc. e tal? Porque você vê ela pequena. Você vê ela com pouca importância. Você vê ela desorganizada e tudo mais. Quando surge a notícia de que a Brasil Paralelo é a empresa que mais investe em Facebook no Brasil, uma das… mas ali naquele recorte que eles fizeram era mais. Porque eles estavam vendo empresas que, de certa forma, estavam falando sobre assuntos de política ou de notícias. A gente era a que mais investia nesse espectro. E nesse momento tem dois caminhos: ou tu tenta fugir disso, tentar responder. Ou tu fala assim: é isso mesmo. E é por isso que vocês têm que entender que eu sou uma empresa. Eu gero tantos empregos. E vocês estão pensando o quê? Que isso aqui é uma bagunça? Não, é um negócio sério. E foi a postura que a gente adotou. A partir daí a gente começou a colocar nas nossas propagandas, toda uma narrativa própria, institucional, de crescimento.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Porque por acaso também, por sorte, a gente no início daquele ano, 2020, nós quase quebramos.

Luciano Pires: No início de 2020?

Henrique Viana: A gente veio para São Paulo em 2019, depois do 64. A gente estava crescendo. Só que não foi bom o ano para a gente em 2019. A gente não administrou bem. A empresa não foi bem. Começou a pandemia. O negócio começou a encrespar. Daí fizemos uma loucura. Lançamos o Plano Patriota, de 10 reais, para dar uma mexida no mercado. Lançamos uma propaganda bem agressiva dizendo para as pessoas que a gente precisava de ajuda. Um marketing totalmente diferenciado, muito transparente. Aí o negócio bombou. E aí a gente começou a falar. Inclusive antes mesmo de sair essa matéria, a gente já tinha feito uma primeira propaganda, dizendo que a empresa tinha dado uma guinada, que nós estávamos muito bem e que agora a gente precisava continuar crescendo para ir para as cabeças. E quando os caras lançam isso, a gente fala: viu pessoal? É isso mesmo. A gente está bombando. E a gente precisa bombar mais. Apesar de a gente estar indo bem, a gente ainda é muito pequeno se a gente comparar com Globo e outras grandes empresas de mídia. E a galera começa a comprar isso. Começa a ver esse profissionalismo. A gente começa fortalecer melhor também o corpo de funcionários. A gente estrutura um RH na empresa. A gente contratou agora a auditoria externa da Ernst & Young. A gente contratou um projeto da Grant Thornton para compliance interno. A gente vai ter um compliance para tudo lá dentro. Programa anticorrupção, canal de denúncia, etc. e tal. A Brasil Paralelo é supertransparente com tudo. A gente é profissional. A gente vem se profissionalizando de lá para cá, na medida que está crescendo.

Luciano Pires: Até porque, tem um povo em volta de vocês aí muito interessado em derrubar a estrutura. E vão botar gente lá dentro. E vão fazer de tudo.

Henrique Viana: A gente tem um balanço contábil limpinho, zeradinho. A gente tem o DRE publicado. A empresa está virando S.A. com o selo da Ernst & Young em breve saindo. Já está quase. Ia ser o mês passado. Deu uma atrasada porque nós não conseguimos todos os documentos da contabilidade e tal. Mas transparência tremenda. A gente sempre foi muito sério. Não foi uma empresa que à medida que ela foi crescendo a gente foi fazendo distribuição de lucro e enriquecendo na pessoa física. Não. A gente aposta lá no futuro. A gente reinveste tudo. A gente investe totalmente no crescimento. No ano passado a empresa já fechou 30 milhões de faturamento, com 40% de EBITDA. A geração de caixa lá em cima. Reinvestimento todo próprio, sem nenhuma rodada de investimento.

Luciano Pires: E basicamente com assinatura recorrente?

Henrique Viana: Com assinatura recorrente, 100%

Luciano Pires: 100% recorrente.

Henrique Viana: 100% recorrente.

Luciano Pires: É um número impressionante. É impressionante, porque você não derruba um número desses.

Henrique Viana: Não.

Luciano Pires: Não são três patrocinadores.

Henrique Viana: Vamos cancelar.

Luciano Pires: Se derruba um, você perdeu 43%. Não. Com 200 mil, sai 10 entram 20. Esse é o grande lance. E aí é que está a responsabilidade de quem está ouvindo. Você que está ouvindo a gente aqui. Essa responsabilidade é das pessoas que ouvem. É de quem fala: eu estou ouvindo algo que vale a pena. Eu vou trabalhar para sustentar isso aqui.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Eu não vou dar o meu dinheiro para uma grande rede de televisão, para uma grande rede de comunicação. Pega esses 350 reais que você gasta assinando a Net todo mês, pica em 10 parcelas 35 e ajuda 10 caras que você gosta. E que estão trabalhando, que estão fazendo. E é essa junção que vai dar independência.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Você não tem que estar pendurado em ninguém.

Henrique Viana: Em ninguém.

Luciano Pires: Você não precisa pagar pau para ninguém. Você não tem ingerência política.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Vai ter se a tua ideologia resolver entrar no sistema. O dia que você virar um big tech eu não sei o que vai acontecer. Se vai ficar maluco que nem os outros lá. A balança gira. Ela não vê nada no meio do caminho. Vamos partir para os nossos finalmentes aqui. Eu queria uma opinião tua. Você estava ativamente dentro desse barco. Eu odeio ficar usando o nome de direita. Mas vamos lá, que assim é fácil da pessoa entender. Esse barco que zarpou a partir de 2013 e que apareceu algo que estava escondido e que nunca teve no Brasil. E, de repente, tinha muita gente falando da direita no Brasil. E vocês estavam ali participando ativamente disso. Em algum momento esse barco deu meio que uma esfacelada. Ele virou uma frota. E alguns estão indo numa direção. Outros estão indo em outra. Alguns estão se batendo. Alguns estão brigando. Como é que você está enxergando esse cenário hoje no Brasil? Lembrando que o Xerxes está com a armada dele vindo de novo. Ele nunca desmontou. Ele só estava refazendo. Como que você enxerga isso? Vocês falam a respeito disso? Vocês comentam sobre essa dificuldade? Até o seguinte: junte dois caras de direita, bota os dois para conversar. Em meia hora eles estão brigando. Sai no pau.

Henrique Viana: Quem nos acompanha percebe que a gente não briga. A gente não tem nenhuma briga na direita. Não é à toa isso. É porque a gente não quer brigar. A gente não vê sentido. Brigar pelo quê?

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Não tem nada aí. Aí tem um ponto. Se você briga, você briga por algo. Que algo é esse? Então muitas das brigas, no fundo são brigas por um poder.

Luciano Pires: Ego.

Henrique Viana: Ego, etc. e tal. Quando você não constrói o seu próprio poder. Quando você tem o seu próprio poder, por que você vai brigar com alguém? Eu vou brigar com quem? O fulano falou mal da Brasil Paralelo. Tudo bem. Eu posso até ficar chateado de vez em quando. Sou um ser humano. Sou normal. Eu posso ficar puto com um tweet ou outro que eu vejo e tal. Agora, eu não sou burro. Eu não ajo com o intestino. Eu ajo com o cérebro. E outra coisa, além de agir com o cérebro, a gente procura ter um coração minimamente bom. Então, às vezes, a gente olha e diz assim: deixa o cara falar. Deixa o cara brigar um pouquinho. Eu não vou discutir. Eu não vou entrar nessa briga, porque eu não tenho nada a ganhar com essa briga. Não existe motivo. Quando você não tem o poder, quando você depende do poder do outro, do poder político do outro ou da audiência do outro…

Luciano Pires: Esse é o ponto.

Henrique Viana: Aí você briga todo tempo, por uma busca de poder. Só que você vai se desumanizando. Porque essas relações não são mais relações humanas, de relacionamento. São relações puramente de interesses. As suas relações são efêmeras. Está eu e tu aqui, Luciano. Amanhã ou depois você fala uma coisa, eu brigo contigo na internet. O negócio vira um negócio até meio infantil. Onde já se viu? Imagina. Se por acaso for o caso da gente entrar para uma briga, digamos que seja pessoal e tal. Não é a nossa linha. É difícil que isso aconteça. Se por acaso vier a acontecer, o mínimo que deveria fazer é dizer: eu te ligo. Vamos marcar um café. Ou vamos discutir por telefone então.

Luciano Pires: Sim. Não em público.

Henrique Viana: Mas é porque o objetivo não é necessariamente resolver alguma questão.

Luciano Pires: Não.

Henrique Viana: O objetivo é ganhar algo com aquilo. Então não é do nosso feitio. E, além disso, não temos por quê. Nós estamos muito bem obrigado; fazendo o nosso trabalho, com o nosso público. Não temos nenhum interesse político. É uma empresa de mídia. Uma empresa de mídia que não tem uma concessão estatal do governo. Que não tem o financiamento público de uma estatal. Que não tem Lei Rouanet. Que não tem nenhuma ligação com o governo. Nem um pingo de centavo de nenhum tipo de Estado, de governo. Nenhum tipo de patrocinador. Ou seja, não temos nenhum interesse com o que acontece em Brasília do ponto de vista de poder. Temos interesse do ponto de vista editorial. De olhar, de entender.

Luciano Pires: Claro.

Henrique Viana: Temos os nossos valores e temos uma busca editorial. Uma busca pela verdade. Uma busca por resgatar os bons valores no coração dos brasileiros. Bons valores, ideias e sentimentos que construíram o ocidente. É a nossa busca. E é com isso que a gente está comprometido. E quem é que nos regula? A gente depende de quem?

Luciano Pires: Desses 200 mil caras.

Henrique Viana: Desses 200 mil caras. Então o que a gente precisa fazer? Agradar esses 200 mil caras. Como que a gente agrada eles? Fazendo aquilo que a gente prometeu para eles que ia fazer, desde o início. Então não é fácil você criar esse sistema de coerência. Mas depois que você cria é muito bom, Luciano.

Luciano Pires: Vocês definiram os valores e calcaram. O negócio de vocês são esses valores.

Henrique Viana: Deu muito trabalho.

Luciano Pires: E não estão dispostos a ficar negociando esses valores.

Henrique Viana: Exatamente.

Luciano Pires: Esse é o ponto.

Henrique Viana: É mais ainda: não estamos dispostos e nem temos por quê.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Um cara chega hoje e oferece isso, aquilo. Mas a gente está com a vida muito boa. Muito trabalho. Muita felicidade no que a gente faz. Muita realização de propósito. Uma puta demanda artística. O que para a gente é fantástico. Coisa que a gente sempre sonhou fazer. Fazer filme é um negócio que te envolve de uma maneira, de uma forma que dá muito trabalho. Não é um trabalhinho confortável.  Dá muito trabalho fazer um filme. Mas te realiza de uma forma muito intensa. Então a gente está muito feliz fazendo o que a gente faz. Por que eu vou brigar com fulano e beltrano?

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: De certa forma, alguns tentam nos atingir para…

Luciano Pires: É. Se eles não conseguem bater em você no argumento, eles vão cortar a tua fonte de financiamento. Vão cortar a plataforma…

Henrique Viana: Vão tentando. Vão tentado…

Luciano Pires: Vão cortar a tua plataforma de acesso.

Henrique Viana: A gente teve certinho o time. A gente montou um time de tecnologia.

Luciano Pires: Isso que eu ia perguntar. Era a próxima pergunta agora para caminhar definitivamente o final. Era essa.

Henrique Viana: Mas só para completar ali das brigas políticas.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Eu falei um pouco de mim e tal. Eu falei um pouco da Brasil Paralelo, da nossa posição. Mas assim, eu acho que enquanto nós não tivermos players, sejam políticos, midiáticos, sejam só influenciadores ou intelectuais, etc. Enquanto nós não tivermos players que tenham estabilidade, que tenham um próprio propósito, o papel definido do que fazem, uma independência, nós vamos ter sempre essas briguinhas.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Sempre essas briguinhas. O que a gente demonstrou é que a gente é muito imaturo. Nós não temos instituições, não temos peso no cenário…

Luciano Pires: O Brasil é um adolescente. Mesmo sendo adolescente, tem que tomar umas palmadas de vez em quando, para você acertar. Última pergunta: como vocês estão se blindando para esses sustos que as big techs – e nem tão bigs – o Hotmart deu um susto em vocês há um tempo. No momento em que ele tira a tua plataforma. E quando o pessoal fala: muda de plataforma. Não. Espera um pouquinho. Não é assim. Não é: muda de plataforma. Como é que você leva os 10 mil assinantes de uma plataforma para outra? Como é que você muda uma fintech? É muito complicado. Quando você tem um Youtube que fala: tirei seu canal do ar. Como vocês estão se blindando ou estão pensando em se blindar para isso?

Henrique Viana: A Hotmart quebrou o contrato conosco. Então eles ficaram na passividade de um processo judicial inclusive. Por conta disso, eles fizeram bem direitinho a transição. Claro, nós seguimos todos os protocolos. Uma puta trabalheira. Se eu não tivesse uma equipe de tecnologia já formada, com CPO etc. e tal, eu não sei como é que eu faria. Então a sorte nossa foi essa. E a deles também. Porque senão nós ia ir para a briga. Está engavetado. De vez em quando eu vou lá e me cobro: e aí? Eu não tenho vontade. Eu conheço o dono da Hotmart e sei que é mais ou menos aquilo que você falou: não foi os donos. É o sindicato dos cabelinhos coloridos. Que hoje em dia é um novo sindicato. Não é mais os trabalhadores. São os sindicatos progressistas.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Dos “ilis, ilics” essas coisas. Esse é o novo sindicato. Foi o que aconteceu lá na Hotmart. Um motim.

Luciano Pires: Eu chamo de “progreçistas”.

Henrique Viana: Com Ç. Então, o que aconteceu? Como a gente estava preparado, com um time de tecnologia já sendo montado – que já era nosso objetivo, de começar a montar um time próprio de tecnologia – casou certinho. A gente fez uma puta transição. Fizemos um sistema próprio de integração com várias outras plataformas. Não somos mais dependentes de uma empresa. Tem um sistema próprio plugado em várias empresas.

Luciano Pires: Que legal.

Henrique Viana: A nossa margem de contribuição foi de 50 para 67% ao longo do ano, com vários ajustezinhos. Então a Hotmart presta um ótimo serviço tecnicamente falando. Mas é caro. Para quem cresce muito, a Hotmart é muito cara. E a gente teve um puta upgrade de margem de contribuição. Margem de lucro.

Luciano Pires: Interessante isso.

Henrique Viana: Muito bom. Depois eu até posso te recomendar mais ou menos, como é que foi o sistema que a gente fez. Você precisa de um time fazendo. Mas também não é um bicho de sete cabeças. Tendo alguém que já fez, pode dar os caminhos. É bem mais barato fazer do jeito que a gente está fazendo. Então teve esse benefício também. Ficou muito claro para todo mundo a sacanagem da Hotmart. E a justiça é aquela coisa, também é um problema Luciano. Mesmo que você tenha razão é um problema você entrar na justiça.

Luciano Pires: Eu te falei: vocês me deram um trabalhão. Porque assim que saiu aquela notícia toda, eu tirei tudo da Hotmart. Não dá para… quem não sabe do que nós estamos falando. A Hotmart recebeu uma pressão. Em outras palavras, ela falou: eu não vou mais. Não quero mais vocês na nossa plataforma. Porque o conteúdo de vocês é um conteúdo político. E aqui a gente não aceita conteúdo político. Só que todo conteúdo da esquerda está lá.

Henrique Viana: Está lá.

Luciano Pires: Eles foram para cima dos caras que tinham conteúdo mais para a direita e tiraram os caras. E aí foi muito feio isso.

Henrique Viana: Foi feio. Mas acabou tudo bem. E hoje nós temos um time de tecnologia. Existe o aplicativo da Brasil Paralelo. Está saindo o aplicativo de TV já em breve. É um time nível A de tecnologia. Não é fácil montar um time desses. Mas a gente teve sorte até aqui. E a empresa tem crescido bastante e a gente vai ser tornar cada vez mais independente tecnologicamente. Mas você nunca se torna independente do sistema. Você nunca se torna independente de uma bandeira de cartão, de um Facebook, de um Youtube e tudo mais.

Luciano Pires: Olha o que aconteceu com o homem mais poderoso do mundo.

Henrique Viana: Exatamente. Então eu vou te dizer qual que é o caminho. A principal ação que a gente tem feito: relações institucionais. Está aí o nosso amigo Renato Dias, que fez o contato contigo. Teve uma excelente carreira em várias áreas, mais recentemente no ranking dos políticos. A gente está desenvolvendo isso faz um tempo, desde o ano passado. A gente trabalhou com algumas assessorias. Agora o Renato assumiu essa frente. E as relações institucionais, por que, Luciano? Quando você senta, quando você pensa assim: o cara do Youtube é progressista. Ok. Às vezes ele pode ter uma ideia ou outra e tal. Mas o cara é o cara do Youtube. O cara trabalha lá no Google. O cara trabalha lá no Facebook, no Instagram, seja o que for. Pode ter uma ideia que outra e tal. Mas para chegar até lá tem uma carreira. Uma profissão. Muitas vezes um pai de família, uma mãe de família. Uma carreira estabelecida. Uma pessoa mais madura. Quando você sentar para conversar profissionalmente com essas pessoas e você explica que você não é uma… por que o que acontece? De uma hora para outra, o cara que é lá gerente do Youtube, ele se vê num ambiente onde a plataforma na qual ele trabalha; da empresa que ele trabalha se torna – na cabeça dele – plataforma para um bando de maluco transformar completamente o país.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Então se você pensar pelo lado deles e ficar com certa empatia é uma puta responsabilidade e um puta cagaço que esses caras estão tomando. Eles não sabem para que está servindo a plataforma dele.

Luciano Pires: Porque têm malucos.

Henrique Viana: Têm malucos.

Luciano Pires: É claro que tem maluco na plataforma.

Henrique Viana: E é muito difícil. Às vezes, a gente está aqui no meio, vendo quais são esses malucos. A gente consegue ver melhor. Às vezes, o cara que não convive tanto na nossa bolha, ele tem medo mesmo do que pode rolar.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Uma ditadura militar não sei do quê. E daqui a pouco, isso foi na minha plataforma. Então assim: a gente não é maluco. A gente é sério. A gente não publica fakenews. A gente tem uma intenção única e exclusivamente de crescer, gerar empregos e ser uma empresa grande de mídia, com uma linha editorial que auxilie as pessoas a ter uma visão mais consciente, mais ampla, das questões e tal. Beleza. É isso que a gente é. Eles sabem disso? Não sabem. Então nós precisamos conversar e se apresentar. E tem sido muito interessante.

Luciano Pires: Você tem que neutralizar a tal da narrativa. A nossa vida hoje em dia está se tornando isso. É uma briga de narrativas.

Henrique Viana: Eu tenho que sentar com o cara e chegar assim, olha só, deixa eu te dizer: eu não acreditava que esse negócio de narrativa aqui e ali pudesse ser perigosa para mim. Mas aconteceu um problema com um fornecedor nosso, com a Hotmart, e eu fiquei preocupado, porque foi totalmente injusto. E eu queria conversar contigo e explicar. Mostrar que eu gero 100 empregos. Pessoas que dependem disso. A gente é sério. Qualquer coisa, qualquer crítica que tu tenha a fazer. Inclusive se tu quiser dar alguma recomendação para nós, manda a recomendação para a gente saber o que pode e o que não pode falar. Porque o grande problema muitas vezes é isso: a gente não sabe o que a gente não pode falar.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: E é claro que nessa conversa se o cara chegar para mim e dizer que eu não posso falar bem de um político ou mal de um político, ele não vai fazer isso. Porque não é sério fazer isso. As pessoas também, em geral, a gente, às vezes, como consumidor na internet, às vezes acaba tendo percepções aguçadas, do tipo: dá um problema de internet, cai o documentário do ar, as pessoas acham que é censura na hora. Às vezes é só um problema técnico, Luciano.

Luciano Pires: Pois é.

Henrique Viana: Então também tem muito isso. A gente está num trabalho de tentar desmistificar tanto para eles, quanto para nós também. Para a gente desmistificar. Sentar lá e dizer: Google é um dos maiores players do mundo. Eu sempre digo lá para os nossos funcionários e também para os nossos membros. Que, às vezes, os membros ficam difamando: por que o Google não sei o quê. Eu falo assim: eu sou apaixonado pelo Youtube, pelo Google. Se não fosse esses caras, se não fosse essas empresas, a gente não existiria.

Luciano Pires: Claro.

Henrique Viana: O que esses caras fizeram no mundo é um troço que mudou a história do mundo.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Isso pode ser para bom e para ruim. Porque é uma plataforma. A gente pode usar para o bem e para o mal. E vamos tentar mostrar para os caras que a gente está fazendo o bem. Esse meu discurso pode parecer meio inocente. Mas posso ser sincero? Eu acho que essa é a melhor opção. E está começando a dar bons resultados. Se tiver que ir para o pau. Se tiver que virar independente. Se tiver que ficar à margem da sociedade e criar uma plataforma, a gente está se preparando para isso também.

Luciano Pires: Ir para a dark web.

Henrique Viana: Estamos nos preparando para isso também. Não estou dizendo que a gente está só contando com isso.

Luciano Pires: Sim.

Henrique Viana: Mas estamos fazendo os dois caminhos, indo paralelamente pelos dois caminhos.

Luciano Pires: Legal.

Henrique Viana: Isso custa grana. Mas a gente está ganhando para isso e reinvestindo tudo.

Luciano Pires: Maravilha. Grande história. Vocês são um case de empreendedorismo fantástico. Pelo conteúdo que estão trabalhando, pelo tipo de trabalho que estão fazendo. Que é aquela história: é um trabalho que se ele der certo, você muda a sociedade brasileira. São pouquíssimos negócios que a gente conhece que podem dizer isso: se o meu negócio não der muito certo, eu mudo a sociedade brasileira. Então do mesmo jeito que você tem essa visão ampla de mudar uma sociedade, também tem uma responsabilidade brutal no colo dos moleques de 30 anos. E eu fico feliz de ouvir vocês com o pé no chão, sem deslumbre, sabendo. E eu acho que tudo isso se deve a um boleto que caiu no teu colo aos 21 anos de idade. Você tomou uma surra lá, que você falou: espera um pouquinho, que a vida não é essa…

Henrique Viana: Eu sou um merda. Eu preciso ser só um pouquinho menos para eu poder ter uma vida decente. A gente continua sendo uns merdas.

Luciano Pires: Isso aí.

Henrique Viana: A gente tem que saber disso.

Luciano Pires: Mas valeu cara. Obrigado…

Henrique Viana: Muito legal.

Luciano Pires: Pela tua disponibilidade de estar aqui.

Henrique Viana: Eu que agradeço. Imagina.

Luciano Pires: Essa história é muito legal para ser contada. A turma tem que ouvir. E ao ouvir, valorizar ainda mais esse trabalho que vocês estão fazendo aí. Boa sorte.

Henrique Viana: Muito obrigado. Muito legal.

Luciano Pires: Conte comigo, que sou pequenininho, mas…

Henrique Viana: Não. Imagina. Com certeza. Não. É um grande. É um gigante.

Luciano Pires: Grande abraço.

E está no ar a Escola Itaú Cultural, plataforma que nasce com o objetivo de desenvolver ações de formação nas diversas áreas de atuação da organização; promover acesso ao conhecimento nos campos da arte e da cultura e trocar conhecimento e multiplicá-lo. São cursos gratuitos nas modalidades pós-graduação, cursos de extensão e cursos livres. Para se inscrever em um curso mediado, basta entrar no site da Escola Itaú Cultural, criar um usuário, escolher o curso e preencher a ficha de inscrição.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Desatar o nó
Felipe Valerim

E o teu jeito tão sem jeito ao me olhar
Passo reto viro o rosto finjo nem notar
Quando a gente está tentando disfarçar
Eu aproveito pra olhar
Que ironia que o destino foi pregar
Onde a gente foi parar
A vaidade e o orgulho nos transportam
Pra onde leva eu já nem sei
Sua preseça e seu sorriso me sufocam
Fujo pra não roubar seu ar
Por que se eu fico mais eu logo…de você
E faço o que eu não devia fazer
E de longe a gente está melhor
Nós precisamos desatar o nó

É assim então, ao som de Desatar o Nó, com o Felipe Valerim, um dos fundadores do Brasil Paralelo, que vamos saindo. Tá vendo, cara? A missão da garotada, de desatar o Nó, já estava escrita…

Olha, quando criei o Café Brasil Premium, imaginei uma espécie de Netflix do Conhecimento. Eu publico, você consome. Mas eu não fazia ideia da riqueza da interatividade com os assinantes. O Premium criou a oportunidade de organizarmos uma comunidade de gente com um interesse comum: crescer pessoal e profissionalmente. E o grupo de assinantes no Telegram, que era para ser um local de “tirar dúvidas”, ganhou vida própria e, para muitas pessoas, é hoje uma das principais fontes de informação e conhecimento sobre os acontecimentos do dia a dia. A comunidade é tão sensacional que até um podcast, o Café da Confraria, nasceu ali dentro e está bastante ativo.

O Premium não é sobre passivamente receber informações, mas sobre construir ativamente seu repertório junto com pessoas com formações diversas e genuinamente interessadas em crescer.

Mas mais que isso: o Premium é a principal fonte de financiamento do projeto Café Brasil. É a partir da contribuição de seus assinantes que podemos aspirar continuar nosso trabalho e, quem sabe, um dia ser como a Brasil Paralelo. Mas para isso, a gente precisa de você.

Acesse confraria.cafe para conhecer todos os planos. Vem com a gente!

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completando o ciclo.

Se você curte o conteúdo do Café Brasil, vai curtir ainda mais quando visitar nossa loja com as camisetas de vários programas musicais icônicos. É na cafebrasilloja.com.br. Tem dois lls aí, tá? cafebrasilloja.com.br.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do escritor francês Gustave Flaubert

Sempre vemos mal a verdade, quando a contemplamos de perfil ou de três quartos. E há pouquíssima gente que saiba contemplá-la de frente.