s
Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Henrique Viana
Henrique Viana
O convidado para o LíderCast desta vez é Henrique ...

Ver mais

Deduzir ou induzir
Deduzir ou induzir
Veja a quantidade de gente que induz coisas, ...

Ver mais

Origem da Covid – seguindo as pistas
Origem da Covid – seguindo as pistas
Tradução automática feita pelo Google, de artigo de ...

Ver mais

Palestra Planejamento Antifrágil
Palestra Planejamento Antifrágil
Aproveite o embalo, pois além de ouvir a história, você ...

Ver mais

Café Brasil 780 – LíderCast Barone & Priester
Café Brasil 780 – LíderCast Barone & Priester
Pronto. Chegou o dia de conversar com duas referências ...

Ver mais

Café Brasil 779 – Grávida? Você está demitida!
Café Brasil 779 – Grávida? Você está demitida!
Há quatro anos, uma amiga me relatou uma história ...

Ver mais

Café Brasil 778 – Cringe: a maldição dos Millennials
Café Brasil 778 – Cringe: a maldição dos Millennials
Um novo termo entrou em evidência: o cringe. A tradução ...

Ver mais

Café Brasil 777 – Polarização Política
Café Brasil 777 – Polarização Política
Se você não vive em Plutão, já sacou como a polarização ...

Ver mais

Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
Um papo muito interessante com Henrique Viana, um jovem ...

Ver mais

Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
Aurélio Alfieri é um educador físico e youtuber, ...

Ver mais

Café Brasil 766 – LíderCast Ilona Becskeházy
Café Brasil 766 – LíderCast Ilona Becskeházy
E a educação brasileira, como é que vai, hein? Mal, não ...

Ver mais

Café Brasil 762 – LíderCast Alessandro Santana
Café Brasil 762 – LíderCast Alessandro Santana
Da mesma forma como o Youtube joga no colo da gente um ...

Ver mais

Sem treta
Sem treta
A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Escolha um tema quente, dê sua opinião e em seguida ...

Ver mais

Olímpica expectativa
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Olímpica expectativa “O esporte tem o poder de unificar, passar uma imagem de paz e resiliência, e nos dá esperança de seguir nossa jornada juntos.” Thomas Bach (Presidente do Comitê Olímpico ...

Ver mais

Economia do crime
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Economia do crime  O crime compensa?  “Na faculdade, fui atraído pelos problemas estudados por sociólogos e as técnicas analíticas utilizadas pelos economistas. Esses interesses começaram a se ...

Ver mais

Reprise
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Reprise  Já vi esse filme outras vezes… e não gostei do final A combinação de novas denúncias de irregularidades envolvendo membros do governo, o andamento da CPI da Covid e a sucessão de ...

Ver mais

O infalível ministro
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
A piada é antiga. Dá pra contar, se a turma do politicamente correto ainda não inventou o crime de lusofobia: A famosa cena bíblica do apedrejamento da adúltera, quando o Mestre teria dito… ...

Ver mais

Cafezinho 408 – Correlações e causalidades
Cafezinho 408 – Correlações e causalidades
Preste muita atenção nos discursos dos educadores, dos ...

Ver mais

Cafezinho 407 – A teoria do valor subjetivo
Cafezinho 407 – A teoria do valor subjetivo
Trocar um apartamento por um automóvel? Como assim?

Ver mais

Cafezinho 406 – Ressentimentos passivos
Cafezinho 406 – Ressentimentos passivos
Eu escolhi participar ativamente, usando as armas que tenho.

Ver mais

Cafezinho 405 – O babaca
Cafezinho 405 – O babaca
Qual tipo de reação você acha que levo em consideração ...

Ver mais

Café Brasil 777 – Polarização Política

Café Brasil 777 – Polarização Política

Luciano Pires -

E aí, você também reconhece a importância do Agronegócio para o Brasil, é? Que tal investir nele? Pô, mas você não é do ramo, é? Não importa. Se você que acredita no agro e está interessado em investir em um segmento lucrativo e promissor, a Terra Desenvolvimento Agropecuário oferece orientação e serviços, para tornar esse empreendimento uma realidade.

Mas se você já está no Agro, saiba que a Terra Desenvolvimento Agropecuário é especializada em inteligência no agro. Utilizando diversas técnicas, pesquisas, tecnologia e uma equipe realizadora, a Terra levanta todos os números de sua fazenda em tempo real e auxilia você a traçar estratégias, fazer previsões e, principalmente, agir para tornar a fazenda eficiente e mais lucrativa.

terradesenvolvimento.com.br – razão para produzir, emoção para transformar. A inteligência a serviço do agro

Se você não vive em Plutão, já sacou como a polarização política tomou conta da sociedade, não é? Até remédio e tratamento médico agora tem lado, cara! O resultado é uma frustração imensa dos cidadãos, que assistem um lado culpando o outro pelas mazelas da sociedade, provocando conflitos, ressentimentos, vinganças e puxadas de tapete por todo lado. E enquanto isso, o país não anda.

Mas como é que chegamos nesta situação, hein?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

www.youtube.com/watch?v=Epsnncng_1o

No âmbito da política, a polarizar é agir com a intenção de concentrar a atenção ou a atividade em dois extremos opostos. A forma mais simples de entender é ver como classificamos os políticos entre direita e esquerda. Entre os dois extremos, a extrema esquerda e a extrema direita, existem diversos matizes, como centro-esquerda, centro, centro-direita. Os eleitores se identificam com esses matizes, e é comum dizer que cerca de 30% estão à esquerda, 30% à direita e 40% no centro.

Durante muito tempo entendia-se que o político que conquistasse o voto dos eleitores que estão no centro, venceria as eleições. Isso explica os processos de mudança de identidade que os políticos apresentam em época de eleição. O caso mais emblemático é o de Lula, que para conquistar os eleitores de centro, mudou totalmente sua imagem, adotando a inesquecível postura do Lulinha Paz e Amor. Foi um trabalho profissional, realizado por marqueteiros, para conquistar os eleitores que tinham medo da postura agressiva do candidato de esquerda que queria acabar com tudo que está aí. Deu certo, Lula conquistou os votos de muita gente de centro e ganhou.

Mas a polarização não é apenas sobre como os políticos estão divididos – é sobre como a identidade política de uma pessoa está ligada a quase tudo o que eles, os políticos, fazem.

Os cientistas políticos têm pelo menos três maneiras de medir a distância política entre os extremos.

Primeiro, eles comparam as plataformas dos partidos concorrentes. A polarização é percebida pelo tanto que as ideias se opõem.

Em segundo, eles avaliam a homogeneidade ideológica de cada partido, quantos integrantes são moderados, quantos são radicais e quantos são construtores de pontes.

A terceira maneira não envolve plataformas nem integrantes dos partidos, mas as emoções de cidadãos comuns que se filiam a um partido político. Os cientistas rastreiam até que ponto os cidadãos não gostam de pessoas afiliadas a outros partidos.

Pesquisas obtiveram indícios de que o público não está mais dividido sobre política hoje do que estava há 30 anos. No entanto, a impressão é que as divisões políticas nunca foram tão profundas. A polarização, representada pelos confrontos, ataques, mentiras, cancelamentos, ofensas e respostas emocionais nas discussões políticas, dá a impressão que nunca estivemos tão polarizados. E essa percepção apenas aumenta a indisposição das pessoas com as tribos que têm ideias contrárias. Daí vem os exageros nos rótulos, na tentativa de explicitar que um lado é o bem o outro é o mal, quem um é puro e o outro canalha, num processo de difamação da oposição. Esse processo acontece num crescendo, alimentado pelo espírito de tribo, pela imprensa e pelas declarações das lideranças políticas, que jogam gasolina na fogueira a todo instante.

Nesse cenário, a competência de cada indivíduo passa a ser avaliada conforme os sentimentos que ele demonstra para cada candidato. Votou no Zé, não serve. Votou no Mané, serve. Competência não serve para mais nada, o que importa é o time para o qual o indivíduo torce. Isso causa uma distorção brutal na sociedade.

O que fazer, hein?

Ora, pare de odiar seus adversários políticos! Não é fácil, cara? Pois é… mas falar é fácil, fazer é que é a encrenca.

Vossa Excelência
Charles Gavin
Paulo Miklos
Tony Bellotto

Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores

Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Senhores! Corrupto! Ladrão!

Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!

Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores

Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Bandido! Corrupto
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!

-“Isso não prova nada
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos
De tomar nenhuma decisão
Vamos esperar que tudo caia
No esquecimento
Aí então!
Faça-se a justiça!”

Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!

-“Estamos preparando
Vossas acomodações
Excelência!”

Filha da Puta!
Bandido! Senhores!
Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!

Rerererere… é irresistível, cara! Eu tenho que trazer Vossa Excelência, dos Titãs, quando falo de políticos não é, cara? Pois é. Mas vamos voltar ao texto. Lalá, bote aí algo mais conveniente, que diga respeito aos políticos.

Bem… Vamos tentar entender por que as pessoas desprezam quem é politicamente diferente de si mesmas?

Err… Lalá.

Lalá: tá bom, tá bom…

Lalá tá engraçadinho hoje… mas vamos lá…

Vamos lá: por que as pessoas desprezam quem é politicamente diferente de si mesmas, hein?

A primeira resposta é: polarização de grupo. Permanência em bolhas. Viés de confirmação. Quando você interage apenas com aqueles com quem concorda, quando ouve apenas notícias que confirmam suas opiniões. Você se torna mais radical em suas convicções.

Quanto mais radical você fica, menos capaz de compreender os pontos de vistas opostos você se torna. Você automaticamente rejeitará qualquer argumento contra suas opiniões, e considerará quem discorda de você como ignorante, incompetente, canalha ou desonesto.

Esta semana fiz um comentário no Twitter dizendo assim, ó:

“Nestes dias de alucinação coletiva , o confronto, a crítica e a ofensa são mais socialmente aceitos que as expressões de apreço. Justamente o apreço, que é uma atividade que energiza as pessoas, fazendo com que elas se dediquem a construir em vez de destruir. Odiar é barato.”

Logo, na sequência, recebi um comentário dizendo assim:

“Eu admirava você e o seu trabalho. Te considerava um ser pensante longe do estereótipo de pocotó. Mas a decepção começa com a sua escolha por Bolsonaro. Agora pra piorar vai na onda do Brasil Paralelo. Sei que dinheiro faz falta. Mas ir pra esse buraco? Você virou um traficante.”

Você sacou, hein? A pessoa não fez qualquer menção ao conteúdo do que escrevi, ela veio direto me atacar, por conta de uma escolha política. Nada que eu disser vale mais, pois penso diferente dele. Dá para perceber o tamanho da estupidez?

Um exemplo muito bom de como esse espírito de tribo nos contamina é quando estamos assistindo a um jogo de futebol. Se estivermos junto com um grupo de torcedores do mesmo time, o entusiasmo de um contamina o outro, num crescendo. Quando seu time faz um gol, você abraça um desconhecido como se fosse seu irmão. E ai do torcedor adversário que aparecer por perto…

“Olá Luciano, tudo bem? Professor Rogério Coimbra aqui UFMP de Sinop, do curso de Agronomia. Realmente, uma aula. Acabei de ouvir do Café Brasil 776, onde você fala do podcast, do branding. Poucas pessoas conseguem entender o que é isso. Eu não entendia corretamente e você conseguiu definir em dezenove minutos de áudio um MBA sobre esse tema. Fico muito feliz de você trabalhar dessa forma e poder compartilhar a informação com a clareza com que você passa.

Realmente o podcast é uma mídia nova, diferenciada, que atinge o ouvinte direto no ponto em que ele tem que ser atingido, dando informação, ou levando também um conteúdo que ajuda as marcas a se desenvolverem. Fantástico.

Fantástica a sua explanação e eu desejo que os podcasts cresçam muito assim como eu gosto dos podcasts do agro e o Café Brasil, principalmente, levando informação, o LíderCast também e esse trabalho maravilhoso que você faz. Eu tenho certeza que você é muito feliz com o que você faz. Muito obrigado, Luciano e vida longa ao Café Brasil. Um forte abraço”.

Meu caro Professor Rogério, olha só! Muito obrigado pelo comentário, viu? Então, meu caro, o mundo dos podcasts está uma zona, e eu estou desconfiando que ele sempre foi e será uma zona, até pela característica da multiplicidade de gente produzindo podcasts e da velocidade com que a tecnologia disponibiliza novas formas de atingir o público. Quando começou, o podcast era um bate papo entre nerds, falando de cultura pop e fazendo piadas internas. Levamos anos para mudar essa percepção, até que a Rede Globo inventar o podcast em 2019. Aí podcast passou a ser qualquer coisa, inclusive programas de rádio. E agora, podcasts são lives transmitidas pelo Youtube com um pessoal batendo-papo. Ou seja: podcast é tudo, cara. E isso significa que também é nada. Por isso a dificuldade de definir claramente o produto e seu valor. Mas talvez isso seja parte do crescimento, não é? Fico feliz de ter esclarecido, no programa passado, um pouco mais sobre essa mídia tão apaixonante.

Muito bem! Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é?

No site perfetto.com.br – lembre-se sempre, perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. E olha, a notícia já se espalhou, viu? O melhor Petit Gateau é o da Perfetto! Em cada embalagem, seis deliciosos bolinhos com recheio cremoso de chocolate. Experimente! E o brownie? Huuuuummmmm. Essa combinação de sabor e qualidade, só a Perfetto tem!

Você tá se aguentando aí, cara? É difícil, né?  Vai lá no blog! Dá uma olhada, cara: é enlouquecedor!

Luciano – Lalá: como é que ficou aqui a nossa fala? Com sorvete?

Lalá – Ah! #TudoéPerfetto, né?

Candidato Caô Caô
Walter Meninão

Ele subiu o morro sem gravata
dizendo que gostava da raça, foi lá
na tendinha, bebeu cachaça e até
bagulho fumou

Foi no meu barracão, e lá
usou lata de goiabada como prato
eu logo percebi é mais um candidato

As próximas eleições
As próximas eleições
As próximas eleições

Fez questão de beber água da chuva
foi lá na macumba e pediu ajuda
bateu a cabeça no gongá
“deu azar”…
A entidade que estava incorporada disse:
– Esse político é safado cuidado na hora de votar !
também disse …

– Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer
hoje ele pede seu voto, amanhã manda a polícia lhe bater …
– Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer
hoje ele pede seu voto, amanhã manda a polícia lhe prender …

hoje ele pede seu voto, amanhã manda a policia lhe bater …
eu falei prá você, “viu”?

Falado por Bezerra da Silva:

Esse político é safadão hein !!!

Nesse país que se divide
em quem tem e quem não tem,
sempre o sacrifício cai no braço operário
Eu olho para um lado, eu olho para o outro
vejo desemprego e vejo quem manda no jogo
E você vem, vem, pede mais de mim
diz que tudo mudou e agora vai ter fim,
mas eu sei quem você é e ainda confio em mim
Esse jogo é muito sujo mas eu não desisto assim …

Você me deve … Ah ah ah ah !!!
Malandro é malandro e mané é mané !!!
Você me deve ….
Você me deve seu banana prata !!!

Rarararara… esse é o Rappa com o clássico de Bezerra da Silva, Candidato Caô Caô, composta por Walter Meninão depois de recebe o calote de um político candidato que o contratou para um comício.

Muito bem, retornando ao assunto da polarização política…  para piorar, e aí eu acho que vem a grande diferença de tempos anteriores, chegam as redes sociais. Os ambientes online funcionam como imensas máquinas de polarização, porque tornam possível que você selecione suas fontes de informação. Mas são mais que isso: as redes sociais aprendem seus gostos e desgostos, e passam a mostrar para você aquilo que sabem que vai lhe chamar a atenção. Evidentemente, reforçando as câmaras de eco, ao trazer mais daquilo que você gosta, e deixando de fora as opiniões contrárias.

Há quem sugira que as pessoas se tornariam menos polarizadas se evitassem ficar em suas “câmaras de eco” e passassem a se expor a opiniões mais diversas. Mas existe uma diferença crucial entre prevenir e curar. Diversificar sua dieta nas diversas mídias, pode ajudar a prevenir a polarização do grupo, mas pode não reverter a polarização depois que ela tomou conta de sua mente.

Um estudo de mídias sociais de 2018 nos Estados Unidos expôs democratas e republicanos a mensagens no Twitter de pessoas com pontos de vista moderados, mas opostos aos seus. A ideia era descobrir se a exposição a ideias diferentes ajudaria as pessoas a ficarem menos polarizadas. E o resultado foi exatamente o oposto. Como as pessoas já estavam polarizadas, a exposição a ideias opostas apenas reforçou a polarização. As pessoas consideraram a expressão de pontos de vista opostos aos seus como um ataque à sua identidade. E isso apenas reforçou sua atitude negativa em relação à oposição política.

Ao compartilhar de uma identidade mútua com quem pensa da mesma forma, as pessoas se radicalizam em conjunto com outras que pensam da mesma forma, incluindo a visão negativa dos estranhos, tratados como inimigos.  Por consequência, isso gera a polarização das plataformas partidárias e de seus dirigentes.

E está no ar a Escola Itaú Cultural, plataforma que nasce com o objetivo de desenvolver ações de formação nas diversas áreas de atuação da organização; promover acesso ao conhecimento nos campos da arte e da cultura e trocar conhecimento e multiplicá-lo. São cursos gratuitos nas modalidades pós-graduação, cursos de extensão e cursos livres. Para se inscrever em um curso mediado, basta entrar no site da Escola Itaú Cultural, criar um usuário, escolher o curso e preencher a ficha de inscrição.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

No livro O Poder da Identidade, cujo Podsumário lancei recentemente para os assinantes do Café Brasil Premium, o autor Bill Wiersma aborda o papel vital da identidade na mudança de comportamento e na tomada de decisão. A identidade é um poderoso agente de mudança em cada aspecto da vida de uma pessoa.

A maioria das pessoas tem uma compreensão insuficiente, e menos ainda consciência, da causalidade entre sua identidade, suas escolhas e o comportamento resultante. Muitas vezes, as decisões das quais mais nos orgulhamos, são baseadas na nossa identidade.

Embora o comportamento das pessoas chame atenção, ele é invariavelmente um sintoma, uma expressão externa de algo mais profundo. E esse algo mais profundo, é mais importante do que o comportamento em si.

Esse algo mais profundo é a sua identidade.

O princípio chave aqui é que o ser antecede o fazer. Quem somos (a nossa identidade) molda o que fazemos (o nosso comportamento).

Temos sido diariamente pressionados a tomar partido em todas as instâncias de nossas vidas, muitas vezes, por medo de parecermos injustos ou gananciosos ou ainda incapazes de praticar a empatia. Para todo lado vemos essa espécie de viés cognitivo: o artista famoso engajado em causas ambientalistas, que se desloca pra lá e pra cá em seu jatinho poluidor; o político defensor da igualdade social que se esbalda queimando verbas públicas com suas mordomias; o ativista da causa LGBT usando boina de Che Guevara, e assim por diante. O que a princípio parece um desvio de caráter, ou seja, a vontade de lacrar para sua patota, de afetar uma virtude que não pratica, pode ser uma questão de identidade. A pessoa se sente uma coisa, mas pratica outra.

Identidade é um conjunto de valores, crenças, ideologias e filosofias importantes. É uma cesta metafórica que estamos sempre levando conosco. Ela contém as coisas que amamos, as coisas das quais nos orgulhamos, as coisas pelas quais somos apaixonados, nossos valores, as coisas com as quais estamos dispostos a comprometer nossos recursos. A identidade é uma forma de expressar aos outros como nos vemos.

Algumas identidades nos moldam mais do que outras. Existem poucas identidades preciosas que realmente refletem quem somos e muitas mais que refletem o que somos.

Quando você considera a afiliação partidária como identidade de grupo, e seus partidos políticos como se fossem times em confronto numa final de campeonato, está automaticamente projetando ali a sua identidade, o que e quem você é. E o mesmo vale pra ideologias. Mesmo que você não tenha um partido. E aí começam os rótulos: seu petista, seu bolsonarista, seu comunista, seu socialista, seu direitista. Pronto. Você está programado para aceitar as regras de comportamento e se comportar de acordo com o grupo com o qual você se identifica.

Sacou o jogo, cara? Pior: você está pronto pra entender qualquer comportamento do outro de acordo com o rótulo que você colocou nele. Falou alguma coisa? É porque é petista. Disse alguma coisa? É porque é bolsonarista. Escreveu tal coisa? É porque é comunista, é porque é direitista, é porque é fascista. E assim vai.

Quando você não entende a diferença entre o que você é e quem você é, dá nisso aí, ó. Um exército de robôs, ou como alguns gostam de dizer, o gado, que vai se comportar de acordo com as regras que alguém definiu. E vai odiar quem não se comportar igual.

E conforme a temperatura das discussões aumentar, vai ficando cada vez mais, digamos, aceitável, deixar de lado seus valores morais por conta de alguma convicção.

Valores são ideais que guiam ou qualificam sua conduta pessoal, sua interação com os outros. São coisas como honestidade, justiça, liberdade, lealdade. Esses valores ajudam você a distinguir o que é certo do que é errado e a conduzir sua vida com propósito.

Já convicções são certezas firmes sobre algo em que se acredita, a partir de motivos ou provas de natureza particular. Por exemplo: “é possível atingir tal meta”, é uma convicção; “fulano de tal é ladrão”, é outra convicção; “comer ovo faz mal”; “a terra é plana”.  Convicção é aquilo que é aceito por uma pessoa como verdade.

Valores têm a ver com quem você é. Convicções tem a ver com o que você é, entendeu?

Meu valor? Eu sou honesto, justo e verdadeiro.

Minha convicção? Eu sou esquerdista, ou direitista, ou lulista, ou bolsonarista, ou socialista e assim vai…

Dá pra entender que, embora possa existir alguma correlação, são coisas diferentes, hein?

O que se vê acontecer no país neste momento de intensa polarização política, é exatamente a contraposição entre valores e convicções. Estamos vendo pessoas para as quais valores morais como honestidade, generosidade e respeito ao próximo, não são prioridades. Prioridades são suas convicções. A principal delas, é a de que estão acima da lei, acima do bem, acima do mal. Acima da ciência.

Fala a verdade, você acha que isso tem alguma chance de dar certo?

Muito bem… coloque um corinthiano e um palmeirense para conversar, os dois vão passar um bom tempo zoando um ao outro, sem perceber que estão unidos pelo amor ao futebol. Coloque dois antagonistas políticos para conversar e eles vão se estapear por conta de suas convicções, provavelmente sem perceber que querem a mesma coisa: um país justo, de gente honesta e que tenha progresso.

Seu cunhado não virou uma pessoa ruim porque votou no Zé em vez do Mané. Pode ser que ele seja só burro. Ou que o burro seja você. Seu professor não se tornou um canalha porque acha que o estado deve se meter na vida das pessoas, enquanto você acha que não. O artista que compôs a trilha sonora da sua vida não ficou ruim, de uma hora pra outra, porque defende políticos com os quais você não concorda. Não.

Defenda suas ideias com veemência, com educação, sinceramente interessado em crescer. Não trate quem pensa diferente de você como um inimigo a ser eliminado. Tente trazê-lo para seu lado. Ou quem sabe você é convencido de ir para o dele…

Pare de odiar seus adversários políticos. Pare de alimentar a polarização que só interessa aos canalhas.

Onde está a honestidade?
Noel Rosa

Você tem palacete reluzente
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança nem parente
Só anda de automóvel na cidade

E o povo já pergunta com maldade:
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?

O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e até felicidade

Vassoura dos salões da sociedade
Que varre o que encontrar em sua frente
Promove festivais de caridade
Em nome de qualquer defunto ausente

É assim então, ao som de Onde está a honestidade, de Noel Rosa, com Ivan Lins, que vamos saindo. Olha: de saco cheio com os polarizados, viu? 

Tudo bem: vamos lá, vamos nos abraçar, vamos todos juntos tocar o Brasil à frente. O país tem que crescer, nós temos que reduzir a polarização, temos que estar todos juntos no mesmo caminho, construindo o país que a gente quer, tá certo, cara: mas olha, tem limite, tá? Quando vem alguém com a estupidez, quando se está na frente de um canalha, quando você está diante de alguém que está tentando manipular você de uma forma explícita, ou porque é um ignorante ou porque é um canalha ou porque não está entendendo nada do que está acontecendo, aí tem um limite, cara. Aí dá pra ser bonzinho, dá pra ser educado e tudo, mas não dá pra ficar condescendendo com canalhice ou ignorância, né? Então, todo mundo junto, todo mundo remando pra frente, mas no seu limite, tá?

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completando o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”. Vai lá, cara. Tem muito material, tem gente de primeira linha, tem um grupo no Telegram que é uma delícia. Se você acessar confraria.cafe, vai conhecer todos os planos.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do diretor de teatro e cinema Sam Mendes:

Não acho que o bem e o mal estejam polarizados.