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Café Brasil 781 – Stalinismo tecnológico

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Luciano Pires -

E comemorando o Dia do Cinema Brasileiro, nasce a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Se você não é do ramo do marketing, da comunicação, da propaganda, há grande chance de não entender – ou até mesmo menosprezar – este programa. Não faz mal. Para mim, este episódio do Café Brasil tem a ver com algo que venho sentindo desde o final do milênio passado, e que se resume à presença já sufocante de uma frase:

– Qual é o payback, hein?

Em quanto tempo volta o dinheiro que investi?

E aí? Topa tudo por dinheiro?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

E é ao som de The Goldberg Variations, de Johann Sebastian Bach,

que lembro que na parede de minha sala, tenho um quadrinho com a frase “Nós temos pessoas realizando tarefas que são legais de fazer, mas não são necessidades”. Ela foi dita por um alto executivo norte-americano da empresa na qual eu trabalhava, em 2004, em meio a uma discussão insana na qual eu defendia o valor de marcas enquanto eles queriam vender uma operação inteira pelo preço das máquinas velhas e dos prédios. Eu apontava para o valor intangível das marcas, mas perdi miseravelmente para os executivos que só enxergavam valor nos ativos que estavam contabilizados nos livros. A empresa foi vendida, junto com as marcas, a preço de banana.

Ali senti que o mundo vinha numa mudança tremenda, quando a percepção de valor estava se modificando. Daquele momento aproveitei um texto para fazer uma outra placa, que também está nas minhas paredes, é a seguinte, ó:

Engenharia faz produto, Marketing constrói marcas.

Engenharia desenvolve atributos técnicos, Marketing forja valores.

Engenharia lida com o funcional, Marketing brinca com o emocional.

Engenharia vê o seu produto copiado e superado pela concorrência, Marketing cria uma marca única.

Engenharia se desespera com a obsolescência do produto, Marketing protege a eternidade da marca.

Engenharia vende produto, Marketing faz com que o consumidor compre marcas.

Engenharia é política, Marca é religião.

Sacou? Era um grito desesperado de um profissional de Marketing que estava dentro de uma empresa de engenheiros. Enquanto eu brandia meus números românticos, os engenheiros vinham com suas planilhas e simulações perfeitas. E eu perdia quase todos os embates.

Uma pausa aqui: quem ouviu esse texto anterior vai iamginar que eu estou dizendo que Marketing é melhor que Engenharia. Na verdade, cara, não existe Marketing se não houver Engenharia pra criar o produto. O que eu quero dizer é que ambos são imprescindíveis, mas trabalham em dimensões diferentes.

Olha, eu percebi então que havia uma mudança. Estávamos deixando o reino das coisas legais, das coisas românticas, das marcas, para mergulhar no reino dos resultados, do retorno sobre o investimento, da matemática pura, que não contempla o romantismo dos construtores de marcas. era um período de revolução no Brasil, na direção da qualidade total, da performance, da produtividade acima de tudo.

Mas eu não percebia que aquela mudança ia muito além do aspecto econômico. Havia mudanças sociais, culturais, ambientais em andamento. Tudo ao mesmo tempo, numa simbiose esquizofrênica, quando se tentava misturar ingredientes que, além de não combinarem, eram inimigos um do outro.

Em minhas palestras, sempre abordo temas ligados ao velho processo de comando e controle que nos foi ensinado durante décadas. Foi com ele que construímos negócios, criamos nossos filhos, progredimos na sociedade. Mas um bom tempo atrás, especialmente depois da virada do milênio, novas abordagens foram sendo tomadas e aos poucos o comando e controle foi dando espaço a uma gestão, digamos, mais humana… Porém, nem tudo são flores. Esse “mais humana” não tinha nada a ver com aquilo que nós, das gerações anteriores entendíamos como “humana”.  Agora era um humano que combinava o romântico com o exato, que incorporava tecnologia, que fazia com o que o marketing começasse a se expressar usando as mesmas planilhas da engenharia. Pesquisas, experimentações, testes, modelagem de cenários, a economia comportamental, a engenharia social, diversas ferramentas passaram a definir o que é que os artistas do marketing deveriam fazer. O criador romântico deu lugar ao calculador quântico, “não intuitivo”, obcecado por provar que certas coisas são verdadeiras mesmo quando aparentam não ser.

Fora com o visionário, o sonhador irresponsável, o sujeito que acha que algo pode ser feito e se atira na execução.

Nessa evolução, algo se perdeu…

Essa reflexão fica mais rica com o texto Menos criação, mais metrologia, de Stalimir Vieira – publicitário dos bons. O texto chegou para mim pelo Whatsapp e despertou imediatamente uma nostalgia por um contexto que não existe mais. Mas ao mesmo tempo, a esperança de que em algum lugar no futuro, ver renascer a criatividade romântica, mesmo sob a pressão dos resultados.

Ao fundo você ouve Blue in Green, com Miles Davis.

A substituição da espirituosidade criativa pela engenhosidade objetiva avança. Vivemos uma verdadeira ocupação cultural na comunicação publicitária, um “stalinismo” tecnológico, em que o “passado” vai sendo expurgado dos postos-chave nas agências, e enviado para uma espécie de Sibéria do ostracismo. Não se trata apenas da, digamos, jovialização nas lideranças, mas de uma intencional substituição de modelos mentais. Não há mais espaço para o olhar romântico, inspirador de textos comoventes, nem para roteiros com a obrigação de serem suficientemente envolventes para prender a atenção e dar à logomarca que assina a peça, crédito e prestígio por proporcionar momentos tão sublimes.

Não há mais espaço para o planejamento de longo prazo, sustentado na persistência em uma construção conceitual sólida. Tudo isso se tornou caro e obsoleto. Caro porque raro, obsoleto por demasiadamente humano.

O publicitário, hoje, não passa de um braço do Chief Finacial Officer do cliente, cujos relatórios devem traduzir resultados essencialmente econômico-financeiros, dia-a-dia. A devoção às marcas ficou ingênua, seu valor incomensurável e perene despertado em corações e mentes por ideias geniais, foi substituído pela cotação do dia no mercado, acompanhada pelo olhar atento de quem só tem olhos para gráficos.

Não existem mais “donos”, no sentido de senhores da história dos negócios, comprometidos com a preservação de suas características. Apenas gestores, nomeados por fundos de investimento extremamente sensíveis a novas oportunidades, e sempre dispostos a pular do barco.

Por isso, a urgência, essa urgência cega pela capacidade de gerar qualidade de quantidade. Ou produtividade perceptível, numérica, rastreável por mecanismos “burros”.

Chegou! Chegou! Chegou! É o apelo que chegou para ficar. Exposto a esse critério impessoal e cruamente primitivo, o consumidor vai relativizando aquela expectativa (que já foi quase um vício) pela criatividade e se convertendo em mercenário: chegou o quê e quanto é?

Ponto.

Tudo vai barateando rapidamente. Os profissionais aceitáveis no modelo, ou adequam seus ganhos à referência dos custos da rentabilidade tecnológica, ou se tornam inviáveis. Perdeu-se a percepção patrimonial do que se entendia como “custo da folha”. Agora, é planilha de custos, onde tudo é a mesma coisa: custo. Não adianta chiar.

Os novos gestores obedecem às máquinas, foram contratados para cuidar delas e respeitá-las. Afinal, são elas os cães-de-guarda dos resultados esperados. São elas que determinam quais as cabeças que devem ser decapitadas e jogadas no lixo e quais as cabeças que devem alimentá-las para torná-las mais poderosas. E os novos criativos, no meio disso? Sentadinhos ali, mal-saídos da faculdade, à frente de uma filhotinha perversa da máquina grande, dotada de um cronômetro apontado para ele e para ela, fodidos e mal pagos.

Alguns remanescentes de um padrão idealista de criar, tentam se adequar, e se convertem em figuras híbridas, quase bizarras, experimentando, vez que outra, uma rebeldia insana, sob a fria contagem regressiva de uma tolerância programada. 

“Aqui está falando o Adriano, de Goiânia, numa manhã um pouquinho fria, esperando o frio do milênio.

É o seguinte: fazia muito tempo que eu não escutava o Café Brasil e aí escutei agora aquele a respeito da grávida, né? E aqui em Goiânia, nós tempos uma competição chamada Caminhada Ecológica. E a caminha da ecológica ela ainda está… ela tomou um formato de participação de 27, 30 pessoas. Um pelotão, digamos assim, de 30 pessoas. E dessas 30 pessoas, apenas quatro são mulheres.

Isso já perdura quase 27 anos, eu acho. E inclsive, a gente já tentou ver essa questão, há tempos isso, lá atrás, até eu tentei fazer isso, e não deu certo, porque a organização disse: não, tem que ser assim, sem justificativa nenhuma, nada, nada palusível, desse tipo de coisa, né?

Então, realmente, tem umas mentes que não dá. Apesar do organizador ser um cara bacana, legal, esforçado, porque não é fácil fazer um evento desse, sabe? Mas está na hora de mudar, porque é ridículo esse tipo de coisa. Mas, quem sabe na próxima edição, a gente consegue mudar isso aí.

E outro que eu ouvi agora, foi sobre a geração cringe. É complicado. E aí eu lembrei da minha neta, né? Usando aqueles poct, acho que é isso, aqueles brinquedinhos que as crianças estão usando aí, né? Pra desestressar, cara! Como é que pode? Crianças de seis anos, cinco anos, usando um artifício pra tirar o estresse. O poct, aquele troço mais sem graça que eu já vi, pelo menos até agora. Tentei usar aquilo lá, mas não vi graça naquilo lá, não vejo nada naquilo, R$30,00 aquele treco, comprei lá em Gramado. Lá em Gramado foi R$60,00 um negócio daquele, pra desestressar. Imagine! Se a geração bornout está assim, o que vai ser pós geração bornout? Bornout, sei lá, é o cubo, o triplo? Não dá né? Vai explodir. Geração explosão. Acho que não vai ter mais bornout, não.  Vai ser geração explosão.

Mas é isso aí. Ah sim, outra coisa: você falou a respeito do Café Premium. O Premium, eu me considero pocotó no Premium, assino, assino, claro mais pra manter o projeto, porque eu escuto, nossa, desde nem lembro, 2005, dos áudios lá da rádio, rádio, rádio, rádio, Universal? Ah, não lembro agora. Ouvia pela rádio Universitária aqui, os áudios, que eu escuto quando era só rádio mesmo, né? E depois nos podcasts. Então, não tem como não apoiar uma iniciativa dessa, tão maravilhosa. E eu me sinto assim devendo. E quando eu estou pagando aí, colaborando com esse Premium, eu acho que eu dou a minha parte ao universo. Acho que quando eu for pro inferno, vão dizer: não. Você pagou o Café Brasil, você ajudou o Café Brasil, então vai levar uma espetada a menos. Com certeza. Eu acho que é isso que vai acontecer.

Mas é isso aí. Vida longa ao Café Brasil, vida longa ao Café Premium, vida ao Luciano Pires, vida longa ao Lalá, vida longa à dona…ôpa à Ciça. É isso aí. Um abraço aqui de Goiânia. Tá quentinho por enquanto, viu? Tô esperando esse amanhã, vamos ver se vai fazer esse frio todo que estão dizendo que vai fazer, né? 4º em Goiânia? -25º no Rio Grande do Sul? Sensação térmica? Vamos ver, né? Enfim, é isso aí. Vamos esperar. Um abraço”

Rarararara… caro Adriano, quando eu imaginava que ouviria alguém dizendo que estava aguardando o frio em Goiânia, hein? A rádio que você ouvia é a Mundial, onde o Café Brasil está até hoje. Obrigado por vir para o Premium, mesmo não consumindo o conteúdo, você contribui e muito, e ainda escapa do capeta! #tamojunto na vida longa! Grande abraço.

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é!

No site perfetto.com.br – lembre-se sempre que perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. Entre as delícias que eles produzem está o Strondo love story, aquele tipo de picolé que desperta amor já na primeira mordida. Em cada palito, um delicioso sorvete de morango com cobertura de chocolate ao leite, produzida na fábrica deles a partir do cacau.

Você tá se aguentando aí, cara? É difícil, né?  Vai lá no blog! Dá uma olhada, cara: é enlouquecedor!

Luciano – Lalá, como é que é mesmo?

Lalá – Com sorvete #TudoéPerfetto

É então. O texto anterior ali é pesado e é dirigido ao pessoal das agências, os antigos criativos que estão perdendo espaço pra uma moçada focada exclusivamente em resultados, né?

Por volta de 2009, me lembro de ter ido ao lançamento de um livro de um amigo, escritor até conhecido, num shopping, se não me engano em Porto Alegre. Quando me dirigi até a livraria, fiquei assustado com a quantidade de gente na fila, aguardando um autógrafo e uma foto com o autor. Eram centenas, centenas de pessoas numa fila que se estendia pelos corredores do shopping. Fiquei feliz cara, que baita siucesso. Entrei na livraria par dar um abraço no meu amigo escritor e o encontrei acompanhado de mais umas duas pessoas, atrás de uma mesinha com seus livros. Aquela fila gigante para falar com ele tinha duas pessoas. A outra fila, aquela que eu vi pelos corredores, com centenas de pessoas, estava ali porque uma garota, ex-BBB, ex Big Brother ou coisa parecida, estava lançando a revista Playboy da qual ela era capa.

As centenas de pessoas estavam ali não para celebrar a qualidade literária do meu amigo, mas os dotes carnais lá da moça.

O livro de meu amigo, vendeu algumas centenas, a Playboy vendeu centenas de milhares. A presença de meu amigo no local, não reuniu quase ninguém. A moça lá, reuniu milhares.

Para onde você acha que vai o dinheiro, hein? Pro escritor que reune dois ou pra garota que reune milhares?

Pois é.

Meu amigo continua escrevendo e lançando seus livros, vinte anos depois, tratado por seus admiradores como uma referência que impactou a vida de muitos deles, intensamente.

A moça lá, hoje uma ex-celebridade, desapareceu dos holofotes. As milhares de pessoas que investiram tempo e dinheiro no prazer imediato de apreciar os dotes da moça, não mudaram um milímetro suas vidas por causa dela.

Mas ela, em seu curto período de vida de celebridade, movimentou muito mais dinheiro que meu amigo escritor em quase trinta décadas de trabalho insistente.

Estou neste momento empenhado em alguns lançamentos digitais e vejo o desespero do gestor de mídias, mudando os anúncios e vídeos diariamente à procura daquele que converte mais. A estética, a arte, agora está a serviço do resultado. Não interessa que o site seja lindo, ele precisa converter. Não importa se a propaganda é criativa, ela tem de converter. Não me interessa se o texto emociona ou ilustra, ele tem de converter.

Há uma silenciosa ditadura econômica sobrepondo-se à criatividade romântica.  E talvez esse seja o caminho para este novo mundo, quando uma obra de arte atrai meia dúzia de gatos pingados enquanto a sub-celebridade atrai milhões… e desaparece, deixando nada.

É a sociedade líquida do Bauman, tudo aqui e agora. A sociedade do prazer efêmero.

Tem gente que jura que esse é o futuro, enquanto exibe nas redes sociais seus números mirabolantes de faturamento vendendo produtos digitais que prometem deixar as pessoas ricas, mais belas, irresistíveis e bem-sucedidas.

Estão surfando numa sociedade criada sob medida para eles. A sociedade que desaprendeu a ver o belo, a investir no prazer não-efêmero, a pagar por aquilo que lhe traz valor intelectual, não apenas carnal.

É por isso que, mesmo com a maravilha da internet, da comunicação instantânea, da queda de barreiras de idioma, culturas e distâncias, não temos mais aquela peça de teatro, aquele show, aquele livro, aquele filme, aquela música que impacta a sociedade a ponto de causar mudanças profundas. As mudanças hoje são orquestradas, estudadas, calculadas… e têm como objetivo, antes de fazer com que a humanidade progrida, vender alguma coisa. Cara: isso é muito pouco. viu? E por falar em vender…

Quando criei o Café Brasil Premium, imaginei um ambiente onde eu publicaria conteúdos que os interessados consumiriam. Uma espécie de Netflix do Conhecimento. O Premium não é sobre passivamente receber informações, mas sobre construir ativamente seu repertório junto com pessoas com formações diversas e genuinamente interessadas em crescer.

Se você acessar confraria.cafe, vai conhecer os planos. Cara: vem com a gente! Ali tem conteúdo que é pra mudar a vida da gente!

Cara, essa maravilha são Zé da Velha e Silvério Pontes. O vídeo está no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br

No Café Brasil 778, eu publiquei um trecho de um texto do Henrique, que tem aquele sobrenome complicado, Henrique Szklo, que eu preciso repetir aqui. Ele falava sobre a geração protagonista que hoje vive um momento muito parecido com outro famoso ocorrido entre o século XIV e o fim do século XVI: a Renascença. O Henrique perguntava assim: o que foi aquilo, hein? Como é que nasceu tanta gente criativa numa mesma região e num espaço de tempo tão curto? Uma coincidência? Uma obra de Deus? Uma conspiração dos Templários? Nada disso. Foi o ambiente. Um elenco enorme de circunstâncias colaborou decisivamente para o florescimento das artes, ciências e filosofias com claro viés inovador e criativo. O ambiente forneceu todas as ferramentas e condições para o fenômeno.”

Pois é. E a minha pergunta fica sendo: quais são as ferramentas que o ambiente atual fornece, hein? Elas estão ajudando o surgimento de outros gênios? Ou apenas mais do mesmo, sempre de olho no payback?

Pecado capital
Paulinho da Viola

Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval
Na vida de um sonhador
De um sonhador
Quanta gente aí se engana
E cai da cama
Com toda a ilusão que sonhou
E a grandeza se desfaz
Quando a solidão é mais
Alguém já falou
Mas é preciso viver
E viver não é brincadeira não
Quando o jeito é se virar
Cada um trata de si
Irmão desconhece irmão
E aí dinheiro na mão é vendaval
Dinheiro na mão é solução
E solidão
Dinheiro na mão é vendaval
Dinheiro na mão é solução
E solidão
Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval
Na vida de um sonhador
De um sonhador
Quanta gente aí se engana
E cai da cama
Com toda a ilusão que sonhou
E a grandeza se desfaz
Quando a solidão é mais
Alguém já falou
Mas é preciso viver
E viver não é brincadeira não
Quando o jeito é se virar
Cada um trata de si
Irmão desconhece irmão
E aí dinheiro na mão é vendaval
Dinheiro na mão é solução
E solidão
Dinheiro na mão é vendaval
Dinheiro na mão é solução
E solidão, e solidão, e solidão, e solidão, e solidão, e solidão

Olha que delícia, cara! É assim então, ao som irresistivel de Pecado Capital, de Paulinho da Viola, com ele mesmo, que a gente vai saindo aqui pensativo com essa provocação…

Olha, há quem jure que estamos muito melhores, e eu não tenho dúvidas que sim, nas áreas práticas, de resultados imediatos e que conseguimos medir.

Mas no mundo da espirituosidade criativa, a impressão é que perdemos muito. Ou então eu é que não estou entendendo nada.

Boa sorte para a garotada que constrói o futuro.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

Se você curte o conteúdo do Café Brasil, vai curtir ainda mais quando visitar nossa loja com as camisetas de vários programas musicais icônicos. É em cafebrasilloja.com.br. Atenção que tem dois ls aí. cafebrasilloja.com.br.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br. Tem um monte de conteudo lá pra levar pra você, presencialmente ou online.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Millôr Fernandes

Quando um técnico vai tratar com imbecis, deve levar um imbecil como técnico.