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Luciano Pires -

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Hoje bato um papo muito interessante com Leandro Bueno, o contador. Leandro conta sua história como um típico empreendedor brasileiro, e com direito a um bônus final sobre contabilidade em tempos de internet. Se você se interessa pelo negócios digital, o Leandro sabe como fazer. Com você, mais um LídeCast

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

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“Olá Luciano. Beleza? Cara! Meu nome é Celso, falo aqui de Pimenta, Minas Gerais, apesar de ser de São Caetano, mas tem muito tempo que eu moro aqui, já.

Eu sou um daqueles ouvintes seus antigos, sabe? Cara! Nem sei desde quando eu te conheço.  Na verdade, acho que a primeira vez foi um e-mail que o meu tio que trabalhava na Volks escreveu naquelas listas internas lá, comentando nos primórdios da Eguinha Pocotó, cara! Da pocotização do Brasil. Só desde essa época que eu te conheço.

Eu sou um perfil de assinante padrão aí, né? Desses que não assina o seu serviço, que assiste de vez em quando, que pega uma época da vida e te segue feito você sendo um guru e de repente te esquece, sabe? Eu estou te falando isso porque eu imagino o quão ingrato seja o seu serviço. E eu fiquei com essa sensação, cara, de ingratidão, depois de acabar de ouvir o podcast da Integridade intelectual. E eu tenho percebido a sua… o seu trabalho de evangelização sobre a importância de grandes mentores, de seguir pessoas que tenham currículo, sabe?

E eu estou vendo hoje o mundo caminhando pra um sentido tão … ai cara… tão desprezível, que aquele carinha que faz a propaganda com um carrão importado, na frente do apartamentão, esse cara é um deus. Um deus de qualaquer segmento. De markekting, de evolução pessoal, seja lá o que for. E a gente segue essas pessoas. Eu falo a gente, porque a maioria segue, é um mercado que criou um mercado multimilionário aí, mas que não está agregando em nada, sabe?

Então, eu tenho percebido muito, você tendo que provar, cada vez mais, que a busca pelo saber é importante, a busca pela referência é importante. E eu sou de uma época que se eu falasse que a distância da terra pro sol era de mil metros, meu pai falava a distância exata. E se eu, por uma bravata dissesse que não, são mil metros, porque foi a professora que falou, cara, essa frase: a professora que falou, já teve um peso tão grande, cara, teve um peso tão grande na minha criação como fonte de referência, fonte de saber. E hoje em dia, a pandemia deixou tão mais distante isso, sabe?

O professor hoje ele é praticamente desprezível no processo educacional. É foda falar isso, mas é… cara, é verdade. Você não tem mais a figura do professor, cara. E eu não sei o que pode acontecer, porque seguindo como foi seguido do passado até aqui, a gente chegou nesse ponto e dava pra projetar alguma coisa.

Mas mudando a base, mudando a referência, mudando a unidade de medida, fica difícil saber o que será.

Cara! Desculpe o áudio longo. Sou teu fã. Primeira vez aque eu tenho coragem de mandar um áudio, depois desse tempo todo. Eu não vou te pedir desculpa, porque eu sei que eu sou a maioria e eu me envergonho disso. Mas valeu, cara! Valeu! Um abraço. Vida longa ao Café. Ciça, Lalá, forte beijo.”

Grande Celso, muito obrigado pela mensagem direto das Minas Gerais, meu caro! Rararara… ouvinte-padrão, daqueles que ouvem, curtem, mas não têm nenhum compromisso para com meu trabalho. Bom, só seu depoimento já valeu o tempo que ficou calado, não há do que envergonhar, meu caro.

Olha, a busca pelo saber é fundamental… mas quanta gente valoriza isso, hein? Olha, os 1700 assinantes do Café Brasil Premium valorizam. Mas eles representam menos de 1% da nossa audiência! Será que não conseguimos chegar em um e meio por cento? Venha, cara!

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Luciano – Lalá, como é que ficou o bordão?

Lalá – Hummmm… Com sorvete #TudoéPerfetto

Luciano Pires: Muito bem, mais um LíderCast. Esse aqui, é com um companheiro de eventos, companheiro de palco de epicentro cara. Conheci essa figura lá. A gente participando daquele evento do Jordão, e eu na plateia, ele no palco. Depois, ele no palco, ele na plateia. Depois, os dois na plateia. E depois, conversando lá fora. A gente foi trocando uma série de ideias aí, e eu fui devagarzinho descobrindo que era um cara extremamente interessado na área de atuação dele. Mas, que não ficou parado no tempo. Ele se, não quero dizer modernizou, porque essa palavra é muito antiga. Mas, ele acompanhou as tendências aí, inclusive indo para o digital, de uma forma bastante expressiva. Eu falei, uma hora, eu vou ter que falar com ele. Então, será hoje aqui. Três perguntas fundamentais, aquelas de início de programa, as únicas que você não pode chutar. O resto, pode chutar à vontade, mas, essas três, guarde aí. Seu nome, sua idade, e o que que você faz?

Leandro Bueno: Muito prazer estar aqui com você, com a sua audiência. Meu nome é Leandro Bueno, eu tenho 43 anos, eu sou empresário contábil.

Luciano Pires: Empresário contábil. Antigamente, chamava contador, né? Eu sou contador, é isso?

Leandro Bueno: Guarda livro, né? Vou um pouquinho antes, eu comecei em 93. A primeira vez que eu pisei o pé em um escritório de contabilidade, pensa em uma visão do inferno? Um monte de papel, lugar sombrio, escuro, frio. Ali era o escritório de contabilidade a primeira vez, eu falei, caramba, isso não é para mim. E ali era o guarda livro. Meu tio é um guarda livro, eu vim da família, né, família de contadores.

Luciano Pires: Legal. Você nasceu onde?

Leandro Bueno: Eu nasci na Vila Prudente, São Paulo, e sou criado desde os meus 2 anos de idade, em São Bernardo do Campo.

Luciano Pires: Opa, você está no ABC cara?

Leandro Bueno: Estou no ABC paulista, sou vizinho do Lula.

Luciano Pires: Ixi, ali tem história.

Leandro Bueno: Enquanto ele morava ali, né. Ali tem história, tem história.

Luciano Pires: Você tem irmãos?

Leandro Bueno: Não, filho único de mãe solteira. Desse aqui não sai mais nada.

Luciano Pires: Cara, aí tem história. Eu ia perguntar para você, o que que seu pai fazia, o que que sua mãe fazia. O que que seu pai faz, sua mãe faz? Como é que é? Me conta essa história aí.

Leandro Bueno: Cara, minha mãe, ela trabalhou durante 8/10 anos, na Bombril, fazia lá as palhas de aço. Um belo de um dia, esse mesmo tio que me deu oportunidade de trabalhar com ele, em um dado momento, em um escritório de contabilidade, eu ainda criança, com meus 5/6 anos, convidou ela para trabalhar em uma casa de pôquer. Meu tio tinha uma casa de pôquer. Ela lá foi trabalhar, ela, falando em números absolutos, ela ganhava R$ 1.500,00 na Bombril, foi para ganhar R$ 4.500,00, em dinheiro de hoje. Ela falou, “pô, vou para lá”, né? Era algo, ainda continua sendo, né, algo clandestino, mas, era vídeo pôquer. Então, era maquininha de jogo. Foi lá, trabalhou 2 anos, Delegacia, aquela coisa toda. Saiu, aí começou a trabalhar por conta, faxineira, rodou bastante nessa parte de limpeza. Trabalhou em motel. Hoje, está com 63 anos, ela é nova, 63 anos, está aposentada, curtindo os netinhos. Nova, nova.

Luciano Pires: Mas já começou a história, você nascendo cara. Eu quero saber do antes. Que história é essa do mãe solteira? Que idade você falou que você está?

Leandro Bueno: Eu estou com 43.

Luciano Pires: 43. Nós estamos falando de 1978. Como é que é essa história da mãe solteira aí? O que que rolou ali?

Leandro Bueno: Vamos lá. Eu vim a descobrir, lógico, depois, mas, meu pai era casado, já tinha uma filha de 1 ano de idade, conheceu minha mãe. E ela queria engravidar. Ela não queria um marido, ela queria um filho. E aí, eis que me aqui.

Luciano Pires: Foi consciente então?

Leandro Bueno: Foi consciente. Aí ela sabia que ele era casado, queria só realmente uma espécie de reprodução independente, né. Até moderno para a época, não?

Luciano Pires: Estava muito à frente, né.

Leandro Bueno: Tipo isso.

Luciano Pires: Depois ela não resolveu arrumar um marido, não…

Leandro Bueno: Com 3 anos de idade, eu me lembro, ela me contando, né, que eu queria conhecer meu pai. Eu queria conhecer meu pai, conhecer meu pai. Falou, tá bom, quer conhecer seu pai, vamos lá conhecer seu pai. Fomos lá na Vila Califórnia, divisa com São Caetano, São Paulo, ali na região já próxima do ABC. Conheci ele. Segundo ela, ele foi me dar um chocolate, eu dei um tapa na cara dele. Daí para frente, nunca mais a gente se viu. Os anos se passaram, aos 19 anos eu tive vontade de novo de conhece-lo. Tive vontade de conhecer meu pai. Aí eu cheguei nela de novo, já adulto, né, falei, “mãe, eu quero conhecer meu pai”. Todo mundo tem pai, e você… não tem como, né. Só quem é filho de mãe solteira, sabe o que é na escola. Hoje…

Luciano Pires: Essa era a próxima pergunta.

Leandro Bueno: É, como viver, conviver.

Luciano Pires: Como é que é para uma criança, no dia dos pais, todo mundo ter pai, e você não ter o pai.

Leandro Bueno: Cara, eu tinha uma “pãe”, né? Minha mãe, sempre foi meu pai, né. Eu morei com a minha mãe, e com mais 6 irmãos dela, até os 3 anos de idade na Vila Califórnia, num cômodo que eu acho que era um pouco maior que esse seu estúdio. Nós tínhamos um banheiro lá fora, e a gente ficava lá na rua da feira, né? “Onde você mora?”. “Na rua da feira”. Na Vila Califórnia, acho que tem até hoje, né? As feiras lá, acho que tem até hoje. E ao final da feira, nós fazíamos a nossa feira ali, para a família.

Luciano Pires: A xepa?

Leandro Bueno: A xepa. Minha avó, ela veio e Ilhéus com 3 meses para São Paulo. Caiu com o pai dela, e a mãe dela, minha avó é falecida hoje, caiu em Junqueirópolis. Minha família toda. Já ouviu falar?

Luciano Pires: Já, sim, não conheço, mas já ouvi falar.

Leandro Bueno: Do lado de Dracena, é mais famoso Dracena, mas perto já no Mato Grosso do Sul, caiu em Junqueirópolis. Todos os meus tios, 8, 10 ao todo, 2 morreram, 8 dos meus tios são de Junqueirópolis, os irmãos da minha mãe. São 5 irmãs, e 3 homens, né. Moraram ali a vida toda, a coisa parece que vai reverberando, vai de família, vai hereditário. Por que que eu digo isso? Porque minha avó, era casada com o meu avô à época, caminhoneiro. A última filha dela, tinha 3 meses, logo depois ele teve mais 2 filhos com uma outra mulher. A minha avó pegou os 8 filhos, a mais nova já com uns 2 anos de idade, foi para São Paulo, Vila Califórnia.

Luciano Pires: Largou dele?

Leandro Bueno: Largou dele. Largou, com a cara e com a coragem.

Luciano Pires: Com 8 filhos.

Leandro Bueno: Com 8 filhos. Fica aí com a…

Luciano Pires: E nos anos 50/40.

Leandro Bueno: Nos anos… minha mãe é de 57, a mais velha é de 68.

Luciano Pires: Então anos 50 para 60.

Leandro Bueno: É, veio para São Paulo, com a mala e com a coragem. Caiu na Vila Califórnia. A mais velha… a minha mãe tinha por volta de 13 anos, 12/13 anos. A mais velha tinha 19, que é a esposa desse meu tio que a minha mãe trabalhou com pôquer, e tal, que já era casada com ele à época, um japonês. E ficaram lá, 8 filhos. A mais velha cuidava da mais nova, minha mãe ajudava a cuidar e tal.

Luciano Pires: Quando você fala uma coisa dessas hoje em dia cara, para alguém, essa molecada que está nos ouvindo aqui, imaginar uma família, criar uma família com 8 filhos hoje em dia, cara.

Leandro Bueno: É inimaginável, né.

Luciano Pires: Como que compra leite para 8 crianças, cara.

Leandro Bueno: Em 30/40 metros quadrados, né.

Luciano Pires: Como que você faz, bicho? Eu vi inclusive hoje de manhã um meme, comparando a geração de lá de trás, com essa geração atual. Então mostrando nossos pais, que olhavam para um desafio e falava assim – aconteceu comigo, né – “comprei minha casa”.

Leandro Bueno: Sim.

Luciano Pires: Cara, eu não tenho dinheiro para comprar essa casa. Eu acabei de assumir uma dívida aí por 30 anos, cara. Eu não tenho a menor ideia se eu vou pagar esse negócio ou não.

Leandro Bueno: como eu vou pagar.

Luciano Pires: Mas comprei, está lá, vamos fazer. E era assim, vamos fazer. E aí o cara bota hoje em dia a molecada, ai meu Deus do céu, será que eu consigo comprar esse leite, todo mundo com medo de fazer.

Leandro Bueno: Não vou ter filho por causa disso, ou daquele outro.

Luciano Pires: E esse cara vai falar, essa garotada nova, fez tudo aquilo que nós mandamos eles fazerem ao longo do tempo, e eles são muito mais pobres do que nós éramos naquela época. Eu não digo nem o pobre de não ter dinheiro, mas o pobre de espírito, de capacidade de se atirar, de se jogar, e de assumir uma… Hoje ninguém quer, né cara. Mudou tudo.

Leandro Bueno: A minha avó trabalhava na roça lá no interior, mesmo com filho, teve filhos… sabe aquelas histórias que a gente ouve dos avós, né, que teve o filho no meio do cafezal, do milharal.

Luciano Pires: O parto ali no meio, né.

Leandro Bueno: Isso aí, a minha avó foi dessas, entendeu? E quando ela veio para São Paulo, ela veio para trabalhar, e faxina mesmo, em casa de família mesmo, na época. Por sorte, a minha tia mais velha casou com esse japonês na época, e ele já tinha um espírito empreendedor, ele tinha um lava rápido à época, inclusive. Trabalhava em algumas empresas, e tinha um lava rápido. E ela ajudava a manter. Mas era assim, arroz, feijão e ovo todo santo dia. Ovo é mistura. Ainda, até hoje, né, diga-se de passagem, eu considero ovo uma mistura.

Luciano Pires: E provavelmente a sua mãe assistiu a mãe dela passar um perrengue com o seu avô, e falou, eu não quero isso para mim.

Leandro Bueno: Não quero isso para mim.

Luciano Pires: E não quero isso.

Leandro Bueno: Mas, aos 20 anos, quando ela tinha 20 anos, foi quando eu nasci, a gente tem uma diferença, ela 63, eu 43. Então, diferença de 20 anos. Ela simplesmente queria ser mãe, porque ela cuidava dos irmãos, e ela queria ser mãe, segundo o que me…

Luciano Pires: Queria um dela. Já tinha um monte lá.

Leandro Bueno: Tinha um monte lá, vamos ter mais um aqui. Tinha outra irmã dela, que depois… engraçado isso, né. 15 anos, já estava quase na época de casar. 18 anos, mulher, você está velha já para casar.

Luciano Pires: Vai ficar tia.

Leandro Bueno: Tipo isso, vai ficar para titia. Minha mãe, com 19 anos nem namorava. Não sei, né, imagino eu. Chegou uma hora que ela se sentiu pressionada, falou, eu pelo menos vou ter um filho, vai que eu de sorte e o cara larga, sei lá. O fato é que nasci ali no meio dessa turbulência.

Luciano Pires: Qual era o apelido que você tinha quando era criança?

Leandro Bueno: Biro-biro.

Luciano Pires: Por que cara? Cabelo era enroladinho?

Leandro Bueno: Loiro do cabelo enrolado.

Luciano Pires: Igual do jogador de futebol.

Leandro Bueno: Biro-biro.

Luciano Pires: Atenção, gerações mais novas. Biro-biro que o então presidente do Corinthians, o Vicente Matheus, estava contratando o Biro-biro. Ele jogava no Nordeste, trouxe para São Paulo, e os caras perguntam, “quem você está trazendo?”. “Um tal de lero-lero”.

Leandro Bueno: Lero-lero, foi isso mesmo.

Luciano Pires: Era o Biro-biro, cabelo enroladinho, e tudo mais. E o que que o Biro-biro queria ser quando crescesse?

Leandro Bueno: Jogador de futebol. Até eu comecei a laborar, trabalhar, muito cedo, muito criança. Esse meu tio tinha um bar, e eu ficava lá servindo pinga no bar dele, dos 9 aos 12 anos. Só que eu era fascinado, louco por `futebol, né? Corintiano maloqueiro sofredor, eu era louco por futebol. Eu queria porque queria jogar. Aí aos 12 anos, eu fui atrás de peneira, né? Ainda tem hoje, se não me falha a memória, peneira. Aí fiz peneira no Corinthians, no Palmeiras.

Luciano Pires: Você jogou no Canindé?

Leandro Bueno: Não, na Portuguesa.

Luciano Pires: Peneirão do Corinthians, chama Canindé. Para quem não sabe aqui, o Corinthians fica lá… você vai pela marginal do tiete, e aí tem o Corinthians, grande o Corinthians. Lá para frente, tem o Canindé.

Leandro Bueno: Parque do Tiete.

Luciano Pires: Que tem o Canindé, que é o da Portuguesa. Só que o Corinthians é comprido, e lá na ponta, era uns terrões, campinho de terra tudo lá.

Leandro Bueno: Tem até hoje.

Luciano Pires: E o pessoal chamava aquilo de Canindé. E lá era o peneira do Corinthians.

Leandro Bueno: Era lá mesmo. Passamos lá, não passei. Não passei em nenhum clube desses de expressão. Aí vim jogar, 13 para 14 anos, no centro de São Paulo, em um clube de várzea, ali bem no centro mesmo, centro velho de São Paulo. O que tinha ali, era um clube bairrista ali do centro de São Paulo. Ali fui levado para São Lourenço na Argentina, 14 para 15 anos. Passei frio, fome e raiva. Nada, tipo, dormindo na arquibancada, essas coisas de história de jogador mesmo.

Luciano Pires: Que loucura cara.

Leandro Bueno: E para mim, estava tudo certo. Falei, cara, estou no cainho. Estou no caminho. Eu ouço as histórias do Denner na época, que eu era fã, ouvi histórias dos jogadores, viola, Neto, da época, eu falei, “tô no caminho”. Acreditava que eu estava no caminho. Eu sabia que eu era um perna de pau. Mas, eu sabia das minhas limitações. Então, aonde eu tentava melhorar, era naquilo que eu poderia ser melhor que era no físico. Eu corria que nem o diabo, nossa como eu corria, impressionante. Era levinho, pesava 65/62 quilos, já tinha uma estatura, 14 para 15 anos, 1.68/67m, estava bom. Então eu sabia correr, e ali ficava. Rodei, rodei, não deu certo, voltei, comecei a jogar futsal pelo Mesc, em São Bernardo do Campo.

Luciano Pires: No tempo da bola pesada ali.

Leandro Bueno: No tempo da bola pesada. Joguei futsal ali no Mesc, na Scania. E voltei, por sorte cai nas graças de um olheiro dos pequeninos do jockey. Não sei se você já ouviu falar.

Luciano Pires: Sim.

Leandro Bueno: Ali saiu pavão, ali saiu alguns jogadores medianos, saíram de lá, que foram mais para a Europa e tal. Fiquei 6 meses lá, e vivi uns 3/4 anos em função do futebol. Mas, mesmo naquela época, viver em função de futebol, você tem que ter dinheiro.

Luciano Pires: Isso que eu ia te perguntar, não era profissional? Você não recebia para jogar?

Leandro Bueno: Não, não era. Então, tinha que alguém bancar. Minha mãe, né, morávamos só. Aí moravam já com menos pessoas, com mais 2 tias. Então, morávamos em 3, mais os filhos delas, separadas também já. Eram umas 6/8 pessoas, entre tios, tias, mãe, primos e tal. Mas, eu comia uma refeição por dia. Então, roupa doada, aquela coisa. Foi quando aos 15 anos, eu já descontente daquela história toda, eu cheguei nesse meu tio e falei, “puts, precisava arrumar um emprego”. Ele falou, “olha, eu tenho um conhecido que trabalha na Mercedes”.

Luciano Pires: Que idade?

Leandro Bueno: 15 anos.

Luciano Pires: Então, antes de chegar na Mercedes lá. Quando é que cai a ficha, que você olha e fala, “cara, já estou investindo nisso aqui há 4 anos, não vai dar, e sou realmente um perna de pau, não tenho talento para ir adiante. Vou esquecer isso aqui, e vou partir para outra coisa”. Em que momento que isso aconteceu?

Leandro Bueno: quando o meu técnico da época chegou e falou, “você não nasceu para o futebol”. Foi o primeiro pé na bunda que eu levei, que me empurrou para frente. Você não nasceu para o futebol, você não nasceu para isso, você não tem condições disso. Além de ter sorte, tem que ser muito, muito bom. E nós estamos em uma época, eu estou falando em 90/91, entre 89/91.

Luciano Pires: Corinthians estava detonando, estava com um time, timaço, estava pegando Palmeiras na final, estava destruindo. Cara.

Leandro Bueno: É, 91/92. Eu lembro que o Palmeiras ainda estava na fila, que foi ser campeão em 93, né, Paulista. Quando veio Edmundo, Evair e Edilson, tal.

Luciano Pires: Então, não foi 91? Quando foi o lance do Edilson, dele dominar a bola e fazer embaixadinha?

Leandro Bueno: Ah, isso foi em 98 já.

Luciano Pires: Eu me lembro que eu estava com os meus filhos dentro do… 91 era muito cedo, né. Mas cara, foi um ciclo muito legal do Corinthians.

Leandro Bueno: Foi. E o que nós tínhamos no bairro, era jogar futebol no paralelepípedo descalço. Eu vivia para o futebol, de segunda a segunda. Assistia… eu lembro-me que eu assistia assim, globo esporte, depois gazeta esportiva, depois jornal da bandeirantes, tudo futebol.

Luciano Pires: Sim, aquelas mesas redondas que não terminavam mais.

Leandro Bueno: Aí no domingo, a mesma história. Eu era alucinado por futebol. Hoje se você me perguntar um jogador do Corinthians, eu não sei. Não sei. Vou falar, é o…

Luciano Pires: Eu já falei aqui algumas vezes, e vou repetir para você. Eu também adorava, estava lá na final em 77, eu estava lá no gol, de cara com o Palhinha. Estava na avenida Paulista, puta, o Corinthians ganhou depois de 20 e tantos anos. Curtia de montão. E o que aconteceu? Essa minha curtição naquela época, construiu um defeito em mim, que eu não consigo me livrar nunca mais dele. Aconteceu comigo, e evidentemente aconteceu com você. Eu vi o Rivelino jogar, cara. Eu vi o Zico jogar, eu vi Pelé jogar, eu vi o Pelé em campo.

Leandro Bueno: Eu não tive essa sorte.

Luciano Pires: Eu vi… fala os nomes, eu vi Falcão, eu vi esses caras jogando.

Leandro Bueno: Toninho Cerezo.

Luciano Pires: Aí quando você pega esse nível de genialidade que a gente viu jogando…

Leandro Bueno: …Sócrates.

Luciano Pires: E traz para hoje em dia, não tem mais nada em campo, entendeu? Acabou, não existe mais nada. Outro dia estava passando na televisão, outro dia não, já faz algum tempinho, mas, estava na televisão, estava na TV Cultura, e passou um Brasil e Inglaterra, em 1982/3, não me lembro que ano que era, 80 e alguma coisa. Com aquele time brasileiro…

Leandro Bueno: …os grandes momentos do esporte, né.

Luciano Pires: Aquele time brasileiro com Falcão, aquela turma toda, né. E eu parei para assistir um pedaço, e eu vi um trechinho de 10 minutos. O que eu vi acontecer em campo em 10 minutos, hoje em dia, se acontece aqui no Brasil, o jogador que fez aquilo ali, ele é vendido para a Europa por R$ 100 milhões, no dia seguinte, entendeu? E os caras com a maior naturalidade. Os caras passam em 30 metros, passam de calcanhar, bola dominada, aqueles chutes, falta batida… Quem é o batedor de falta hoje no Brasil? Quem que bate falta?

Leandro Bueno: Não tem, cara.

Luciano Pires: Acabou. Aí a molecada, bicho, eu não tenho mais tezão nenhum em ver. E aí quando perguntam, o que que você fez? Hoje eu vejo UFC, MMA, porque lá os caras dão o sangue.

Leandro Bueno: Literalmente.

Luciano Pires: Só para terminar. Os caras ficam, “velho, saudosista”. Cara, são coisas diferentes. E eu acho que se eu trouxer um timão daquele, e botar para jogar hoje, esse timão não vai fazer sucesso, daquela época né. Porque mudou completamente. O futebol de salão, olha o que a gente jogava, tenta entrar em campo para jogar um futebol de salão de hoje, que a bola não é mais pesada. Eu tinha um amigo que trabalhava comigo na Dana, que ele jogou na seleção brasileira de futebol de salão, foi campeão e tudo mais, no tempo da bola pesada. E ele falou, “cara, a gente tem um grupo mais antigo, e nós fomos jogar com a molecada nova. Cara, a gente nem viu a cor da bola, nós, com a nossa habilidade. Porque mudou tanto, a velocidade mudou, mudou tudo”. Então, talvez, se você trouxer um cara daquela época e botar aqui hoje, seria bonito ver, mas, ele não caberia mais nessa loucura toda aqui de no futebol.

Leandro Bueno: Não só futebol, todas as profissões elas mudaram, todos os esportes evoluíram drasticamente. Alguns para melhor, outros para pior. E eu acho que o futebol evoluiu para pior, no bom sentido. Pior, em que sentido, né? Assim, não sendo saudosista que nem você falou, mas, jogava-se futebol como arte, como um teatro, uma cultura. Salvaguarda a situação da torcida que era deplorável, hoje, por incrível que pareça, parece até que diminuiu, né. Mas, era assustador. Eu fui numa final de Corinthians e São Paulo, em 1992, de juniores.

Luciano Pires: Aquele que invadiram o campo e quebrou o pau.

Leandro Bueno: Eu estava lá. Corinthians 4 a 3 foi. Jameli saiu dali.

Luciano Pires: O cara com um bastão, destruindo o outro em campo, eu me lembro disso.

Leandro Bueno: É, eu estava lá. Lá, no meio do miolo. Eu me senti assim, porque o mando era do São Paulo, Corinthians só estava na torcidinha. Era louco fazer um negócio desse, primeiro que é teste de suicídio. E eu estava ali no meio daquilo, me lembro como se fosse hoje eu olhando aqui, falei, meu Deus, isso é selvageria pura, o que que eu estou… Então, essas coisas eram deploráveis. Mas, dentro de campo, era muito bonito de se ver, muito gostoso de se ver. Os caras jogavam leve, jogavam solto. E não tinha correria. O futebol de campo hoje, o jogador corre muito mais do que corria antes.

Luciano Pires: fica muito menos tempo com a bola no pé.

Leandro Bueno: Muito menos tempo com a bola no pé, e impossibilita de fazer os dribles, né. E aí esse coach, esse técnico chegou em mim e falou, “você não serve para isso, você não serve para futebol”. Poxa, aquilo me derrubou, né, me derrubou. Eu fiquei um mês assim sem fazer nada, tipo, para a nossa época, depressão era algo não tão latente, não tão falado. Hoje, fala-se muito mais a respeito disso, uma coisa mais séria. Chegou minha mãe e falou, “vai moleque, larga a mão, levanta dessa cama, vamos trabalhar”. “Tá bom mãe, tá bom”. Foi quando eu cheguei no meu tio, falei, “preciso trabalhar”. E aí entrou a Mercedes. Cara, sonho de consumo de todo adolescente.

Luciano Pires: São Bernardo do Campo, Mercedes Benz, que era uma empresa alemã.

Leandro Bueno: Mercedes, Volks e Ford, tudo ali, uma do lado da outra. Ali sempre foi sonho de consumo de todos os meus amigos, de trabalhar em uma dessas três. E eu entrei, o que é melhor, eu entrei no escritório. Não entrei nem no chão de fábrica. Vai trabalhar com os engravatadinhos. Opa, deixa comigo. Só que eu entrei em uma volúpia de trabalho, numa vontade tão grande, mas cavalar de trabalho, que eu cheguei derrubando tudo, no bom sentido. E eu saí de office boy para auxiliar de escritório, tipo, promovido, em 2 meses.

Luciano Pires: Que idade você tinha?

Leandro Bueno: 15 anos.

Luciano Pires: E era menor.

Leandro Bueno: Menor aprendiz, que chamava.

Luciano Pires: Hoje estavam na cadeia os caras.

Leandro Bueno: Tipo isso. Meu primeiro registro, que foi esse. Depois, tive um segundo, de carteira de trabalho. Nem sei onde anda minha carteira, depois, nunca mais. Fato é, que depois de 3 mês, eu sempre fui assim, muito acelerado. Na época, nós tínhamos que fazer o deposito em conta do salário do hoje chamado CEO, mas presidente, e tinha o vice-presidente do Brasil, na Mercedes, na conta dele. E tinha um escritório seccional, que a gente trabalhava na rua da Consolação. O escritório da Mercedes, escritório administrativo, tal, não era na Pauliceia, na Mercedes. Era Mercedes, mas era na rua da Consolação, em São Paulo. Fui no banco Itaú, mandaram eu depositar lá na 7 de abril. Passei lá, coisa de office boy né. Passei lá, uma fila dos infernos. Eu falei, “o que? Nem a pau”. Fui no banco da 24 de maio, mesmo Itaú da Praça da República. Fui lá, vazio, falei puts, aqui mesmo. Depositei. Fui embora, está aqui o comprovante. Quando no outro dia, o chefe na minha mesa. “Leandro, onde você depositou isso?”. “No Itaú”. “qual Itaú?”. “Da República:”. “Por que?”. “Porque estava mais vazio”. “Você é louco? Para cair o cheque no mesmo dia, tem que ser na mesma agencia que é o cheque. O cara tem um monte de conta para pagar, um monte de conta para cair, esse cheque só vai ser compensado daqui 72 horas”. Eu, “puta que pariu, perdi o emprego, não perdi?”.  Ele falou, “perdeu”. Não deu boi. Cara, foi a segunda talagada que eu tomei ali, com uma depressão também absurda. Fui mandado embora na mesma hora, não tinha conversa. Rua, não tinha conversa. O “dono”, vice-presidente da Brasil Mercedes, ficou sem o dinheiro dele ali na conta, vai embora. Não era passível esse tipo de erro. Voltei, meu tio falou, “olha…”. Aí eu queria voltar para o futebol. Falei, “vou voltar para o futebol”. Ele falou, “moleque, não volta para isso, não dá futuro. Vem cá, vem trabalhar comigo”. Aí onde iniciou a minha história na contabilidade, em 93.

Luciano Pires: Ele tinha um escritório?

Leandro Bueno: Ele tinha um escritório já desde essa época. 93 para 94.

Luciano Pires: Ele era formado nisso?

Leandro Bueno: Técnico.

Luciano Pires: Ele era técnico em contabilidade?

Leandro Bueno: Técnico em contabilidade. Ele tinha montado um escritório em 89, tinha uns 4/5 anos ali já, em São Bernardo mesmo. Eu falei, “ah, mas o que que eu preciso fazer?”. Ele falou, “não, vem aqui, e vai ser office boy do mesmo jeito, vai entregar as coisas dos clientes”. Aí o primeiro cliente que ele mandou eu entregar, era em Mauá. Eu sou de São Bernardo, Mauá. Mauá, para nós ali, brincadeiras nossa, é cidade dos índios. Eu falei, “puta, eu vou lá nos índios, visitar os índios”. Tá bom. Aí eu peguei o vale transporte, olhei aquilo, puta, tem um bom dinheiro aqui, porque era 3 ônibus para ir, 2 e meia 1 trem, e 3 para voltar, né. Seria hoje, 30 reais. Falei, o que? E eu ganhava um salário mínimo, R$ 1.000,00. R$ 30,00 reais, porra, eu vou de bicicleta. Aí falei, “tio, posso ir de bicicleta?”. “Você está maluco, moleque?”. “Não, eu fico com o dinheiro. Me dá o dinheiro, eu vou de bicicleta”. E aí fui. Primeira vez, segunda vez, terceira vez, décima vez, só trabalhava de bicicleta. Aí eu virei o bike boy. Mas, ele me dava o dinheiro do transporte. Eu falava, vou de bicicleta. “Mas você vai chegar fedido no cliente”. “Não, fica tranquilo, eu dou uma disfarçada antes, levo um desodorante aqui, vou de bicicleta. Mas você me dá o dinheiro do vale transporte?”. “Dou”. Eu fiz entrega na Rebouças, fiz entrega na Paulista, eu andava São Paulo de cabo a rabo de bicicleta. Cara, que época gostosa. Imaginar hoje você andando de bicicleta, é um perigoso, 16 anos ali.

Luciano Pires: O que que a experiência de office boy te deu, cara?

Leandro Bueno: Cara, me deu a vivência de rua, né. Eu me considero hoje, um bom vendedor. Eu consigo me comunicar, e estar em qualquer tribo. Eu vendo do MEI a SA. Me deu a experiência e vicência de rua, né. Então, visitar repartições públicas, eu visitava a Receita Federal, tinha que fazer uma pesquisa de situação fiscal, que hoje a gente faz num estalar de dedos, no e-cac, na Receita Federal. Eu tinha que fazer pesquisa de débito, ver se a empresa estava devendo imposto. Eu ia na Estação da Luz, eu tinha que chegar lá as 3 da manhã. Por que? Porque tinha senha, e era limitado a 50 pessoas por dia. Só que eu chegava lá, já tinha umas 30. E sabe quem era essas 30? Mendigos.

Luciano Pires: Guardando lugar para vender…

Leandro Bueno: … para vender a senha. Aí eu ficava lá, 1 vez por semana, toda quarta-feira, a gente ficava ali na Tiradentes, perto da Avenida Tiradentes, aqui em São Paulo.

Luciano Pires: Cara, você que está nos ouvindo aqui, e que acha que o Brasil tem problema de burocracia, imagina o que era… E você está falando que você viajava São Paulo inteirinho, e não tinha Waze naquela época não. Era o guiazinho, o guiazinho de rua, vamos no guiazinho de rua.

Leandro Bueno: Na mochila, A23.

Luciano Pires: Cara, como eu usei isso.

Leandro Bueno: Que tempo bom.

Luciano Pires: E aí ele tinha que se virar né cara, tem que se virar, tem que fazer.

Leandro Bueno: Perguntando, perguntando o tempo todo.

Luciano Pires: Se vira aí.

Leandro Bueno: Ir se virando.

Luciano Pires: E tem que fazer. E a gente fazia, fazia acontecer, né.

Leandro Bueno: Fazia acontecer.

Luciano Pires: Você, em algum momento, olhou para aquilo quando você entrou no escritório assim, aquilo se descortinou como um possível futuro seu? De falar, “vou estudar para isso, vou ficar para isso”? Porque o sonho do futebol ficou para trás, e ali não apareceu algo que falou, “me conquistou, e é aí que eu vou ficar?”. O que que passou na sua cabeça? Estou de passagem? O que que era?

Leandro Bueno: Cara, era por osmose, acabei ficando por osmose. Eu não tinha… eu não entendia o que acontecia ali. Me entregavam uns papeis, e eu entregava os papeis nos lugares que me mandavam. Só que eu sempre gostei muito de computador, eu era apaixonado por computador. E na época, eu trabalhava na Mercedes, e tinha um computador, eu fiquei esses 3 meses, eu fiquei apaixonado. Tinha tela verde. Eu não sei nem o nome desses… é PC mesmo, 133, 186. Eu fiz Lotus 1, 2, 3. A minha mãe, me pôs em um curso de datilografia, eu fiquei tão emocionado com aquele negócio de datilografia. Se você ver eu digitando hoje, você fala, esse cara é escrivão.

Luciano Pires: Fez aula de datilografia.

Leandro Bueno: não, mas eu fui além. Eu fiz a pós-graduação da datilografia, que é a taquigrafia.

Luciano Pires: Ah, você fez taquigrafia?

Leandro Bueno: Taquigrafia. Te passavam um teste rigorosíssimo. Poe o papel em cima, e você não podia olhar, tinha que fazer uma folha inteira A4 de um texto gigante.

Luciano Pires: Com taquigrafo.

Leandro Bueno: Isso, só podia ter 2 erros. E aí eu adorava aquilo. Chegou um dia, passando, 15 para 16, 16 para 17 anos ali, já um tempo já, já estava me acostumando com aquilo. Você se acostuma. Tem trabalho que você começa e faz, e gosta, admira e tal. E acaba acostumando. Tá bom, beleza, é aquilo. Dá meu dinheiro todo mês? Dá. Então é aqui que eu vou continuar trabalhando. Teve um dia, um belo de um dia, que meu tio pediu para… eu já estava bom nas datilografias, meu tio pediu para eu digitar um tal de um contrato. Eu digitava os contratos, para registrar na Junta Comercial. Então, quando você vai abrir uma empresa, até hoje, você registra um contrato social, e digita lá. E eu era o digitador. Já tinha passado de bike boy, para digitador do escritório. Aí estou lá digitando, tal, falei puts, eu estava fazendo um curso de MS Dos, Lotus 1, 2, 3, entendendo um monte de coisa ali já, já me achando o sabichão. Falei, vou dar uma mexida mais aqui, porque acho que esse computador está muito lento. Tinha acabado de aprender um comando, chamado format e c:.

Luciano Pires: Meu Deus do Céu.

Leandro Bueno: Para quem é das antigas, sabe do que eu estou falando.

Luciano Pires: Meu Deus do céu.

Leandro Bueno: Ah, vou formatar, que depois vou reinstalar, porque eu tenho os disquetes, aqueles 3/4 maiorzão, e vou reinstalar o DOS aqui, porque isso aqui está muito ruim. Deve estar com… nem pensei com vírus, nada, sei lá. Falei, está ruim. Format c: enter. Isso era uma sexta-feira, 2 horas da tarde. Falei, bom, agora vou reinstalar. Acho que é só por esse disquete aqui. Nada, nada. Falei, “tio, fiz merda”. “O que que você fez moleque, dessa vez?”. “Olha aqui”. “Puta que pariu, não acredito, o que que você fez?”. Eu fiquei desesperado. Liguei para um TI lá na época, ele falou, “dá para arrumar, mas vai ficar o final de semana todo, e vai custar, tipo hoje, cara, era assim…”. Falei caramba, era 10 vezes o que eu ganho. Então, era R$ 10.000,00 reais. Se hoje um salário mínimo é R$ 1.040,00, era R$ 10.000,00 reais. “Não, eu vou arrumar um outro aí”. Sempre tem um sobrinho, né, eu vou arrumar um outro que entende disso. Chamei ele, ficamos. Sexta para sábado, sábado para domingo, domingo para segunda até as 8 da manhã, para arrumar o computador. Adivinha? Não arrumei.

Luciano Pires: Formatou.

Leandro Bueno: Formatou, perdeu tudo. Levei lá, o cara comprou, meu tio pagou, tomou um prejuízo, falei nossa, agora eu vou ser mandado embora. Se eu fiz aquilo na Mercedes por bosta, eu fui mandado embora, imagina agora. Mas, ele foi resiliente, e me manteve ali. Continuei, 17 para 18 anos, eu falei, “já que eu estou aqui”, sabe aquele, “jaque”.

Luciano Pires: Deixa eu aprender umas coisas.

Leandro Bueno: Deixa eu aprender umas coisas. Aí falei, vou fazer Ciências Contábeis. Os meus primeiros, filhos deles, herdeiros legítimos ali, estavam no Japão. Aí falei, “tio, eu quero fazer então, já que eu estou aqui, vou fazer faculdade de ciências contábeis”. Nossa, ele ficou todo feliz. Então vou fazer, tal, naquela época tinha vestibular, concorrido, aquela coisa toda. Passei na FAI, já ouviu falar?

Luciano Pires: Não.

Leandro Bueno: Faculdades Associadas do Ipiranga. Hoje já fechou, era do lado da São Marcos, aqui em São Paulo, no Ipiranga, avenida Nazaré. Passei em septuagésimo sexto, entrei na faculdade. Primeiro, era anual, primeiro ano fui bem, no segundo ano para renovar, eu estava devendo 11 de 12 parcelas, não deixaram eu renovar. Perdi assim, por dizer, 1 ano, não consegui renovar. Aí isso era em 96/97 já. Aí meus primos voltaram, e já voltaram com esse viés de tecnologia. Era muito arcaico, era tudo no papel, máquina de datilografar, e o PC 133. Aí voltaram com tecnologia, vieram do Japão, o Japão já moderno a época, voltaram com tecnologia. Colocaram 2 computadores, trocaram PC 133 para o 266, sei lá o que da época.

Luciano Pires: Era 286.

Leandro Bueno: 286 é. Aí colocaram lá os 2 computadores, colocaram um software contábil, a coisa começou a degringolar. Falei “pô, agora estou gostando”. Porque eu percebi que eu gostava do que, de trabalhar no escritório, de relacionamento. Eu gostava muito de falar com os clientes do meu tio. “como que você está seu Zé do bar, como que tá, como que foi? Vendeu esse mês, não vendeu?”. Aí eu emitia as notinhas, consumidor D1, emitia nota para ele todo mês, ia pegar as notas, visitava os caras todo mês, e visitava os caras, levava nota, levava imposto. Ali eu já estava mais familiarizado com o que eu estava fazendo, para que servia aquilo tudo. Aí em 98 eu estava 18 para 20 anos. Eu sempre gostei muito, eu trabalhei dos 9 aos 12 num bar. Eu sempre gostei muito desse negócio de servir. Eu gostava. De 18 para 19 anos, eu comecei a trabalhar, como complemento de renda, à noite, em um bar, em uma discoteca, lá em São Bernardo, não sei se você já ouviu falar, Ilha de Capri.

Luciano Pires: Não.

Leandro Bueno: É bem famoso, bem famoso mesmo a época, Ilha de Capri. Eu trabalhava de quinta à noite lá, no Ilha de Capri. Sexta à noite, tinha na avenida Kenedy em São Bernardo, que é tipo vila Madalena, em São Paulo, é avenida Kenedy em São Bernardo. Tinha um monte de barzinho, eu trabalhava lá. Almocei lá hoje, inclusive, no bar onde eu trabalhei. Sexta à noite, e sábado de dia, eu servia feijoada. Então, eu comecei a pegar gosto de ser garçom. Trabalhava de garçom e barman, aprendi, não esqueci até hoje, fazer coquetel, caipirinha. Faço uma caipirinha muito boa, diga-se de passagem.

Luciano Pires: E estudando ao mesmo tempo?

Leandro Bueno: Não, tinha parado de estudar.

Luciano Pires: Você parou então? Tá.

Leandro Bueno: Parei com 17.

Luciano Pires: Estava trabalhando…

Leandro Bueno: Estava trabalhando de dia, e trabalhando de noite.

Luciano Pires: Por que?

Leandro Bueno: Já morava só eu e minha mãe, e minha avó na época, os outros irmãos todos casaram, menos minha mãe. Resolveu ficar solteira a vida toda.

Luciano Pires: Por que que eu te perguntei, é o seguinte. Na idade que você estava, vou trabalhar e vou curtira vida. E você estava trabalhando, e estava trabalhando. Se eu fiz as contas aqui, não tinha tempo para curtir vida.

Leandro Bueno: A minha curtição era o próprio trabalho noturno. Porque era um bar noturno, era uma danceteria, eu curtia ali naqueles momentos ali. Trabalhava para sustentar mesmo, auto sustento.

Luciano Pires: Vocês tinham então todo o processo de digitalização daquela burocracia antiga, para…

Leandro Bueno: Toda a transformação.

Luciano Pires: A burocracia continuou?

Leandro Bueno: Continuou.

Luciano Pires: Era no papel, passou a ser no computador.

Leandro Bueno: Participei de todo esse processo.

Luciano Pires: Mas e aí, você para aquilo e falou, “cara, eu vou fazer meu futuro aqui”.

Leandro Bueno: Vou manter.

Luciano Pires: É aqui que eu vou ficar.

Leandro Bueno: É. Porque eu vi o meu tio todo ano trocando de carro. Ele já tinha casa própria. Falei, “esse negócio é bom, dá dinheiro”. Aí em 99, conheci uma pessoa no natal de 98, conheci ela, em janeiro de 99, ela me apareceu gravida. Eu com 19 para 20 anos ali, ela me apareceu gravida. “Puta que pariu”, a história se repetindo, né, que a minha mãe engravidou com 20 anos, eu gravido com 20 anos. Meu Deus do céu, agora, um filho, comecei a trabalhar mais ainda, vou precisar de mais trabalho. Hoje refletindo, só uma pausa, eu penso assim, nossa, não é o trabalho braçal que tem um retorno, pensando bem hoje. Eu poderia, pensando nesse conceito de escala, de tudo isso que a gente tem hoje, a gente vive no paraíso. Quem trabalha no digital, quem trabalha na internet, quem trabalha com essa escalabilidade toda, quem tem um negócio físico, ou trabalha de empregado, você pode trabalhar de qualquer lugar do mundo que você quiser, né. Mas não, antigamente era essas crenças que se fazia, que você falava.

Luciano Pires: Que era normal. Era natural que fosse assim. É das 8 às 18, em tal lugar, chega na hora, sai na hora. Se bobear, bata o cartão para entrar, bata o cartão para sair, e isso era o normal.

Leandro Bueno: Era o normal. E eu ainda trabalhava das 19, que o bar era lá perto, a Ilha de Capri era perto de casa, das 19 às 23/24. Eu e a minha mãe dividíamos um Fusca, a gente comprou um Fusca junto lá na época, um Fusca Fafá 83.

Luciano Pires: quando é que você virou um empresário, cara?

Leandro Bueno: Eu virei empresário nessa virada. Quando meu filho nasceu, Lucas, nasceu em 29/9/99, em dezembro de 99 cheguei no meu tio e falei, “não dá mais. Sou pai agora, pai de família, eu preciso crescer, preciso ganhar mais. Ou você vira meu sócio, ou você vira meu concorrente. Eu vou abrir um escritório”. Com 20 para 21 anos. Ele, “tá bom, boa sorte, você não vai virar meu sócio. Meus filhos já são meus sócios, boa sorte”. Não vai dar em nada esse moleque. Ele já tinha me mandado embora 2 ou 3 vezes nessas idas e vinda. Ele manda embora, eu cumpria aviso, voltava. “Não, agora você melhorou, volta”. Mas ele não acreditava. Eu acreditava em mim, mas eu estava com um cagaço, medo, medo sem tamanho. Aí em 2000, eu não tinha o CRC, fiz o técnico de contabilidade, porque eu não tinha dinheiro para fazer ciências contábeis. Fiz o técnico que era 1 ano, passei, no primeiro ano falei, vou abrir o escritório, começou as provas. O CRC antes não precisava fazer prova, tipo da OAB. Aí começou no ano que eu me formei, puta, vou ter que fazer a prova.

Luciano Pires: E você começou do zero?

Leandro Bueno: Do zero.

Luciano Pires: Você não tinha nada guardado, você não tinha nada, você decidiu abrir um negócio. Com sócio?

Leandro Bueno: Com sócio. A minha ex-mulher, o pai dela, ele era técnico de contabilidade. Ele trabalhou 32 anos no antigo banco Finasa, que virou Sudameris, que virou Bradesco. Como ele era gerente de banco, essas coisas, falei meu, estou no céu, ele vai trazer uma carteira gigante. E acabou não trazendo nada, porque ele era aquele gerente de agencia mesmo, não tinha muito contato, enfim. Comecei do zero, dia 12 de março de 2001. Primeiro dia, pisei no meu escritório, falei, “é agora, ou vai ou racha”. Comecei com a cara e com a coragem, entregando cartão de visita no bairro. Então, meu escritório era aqui, eu peguei o guia, fiz um mapa aqui na região, falei, vou mapear através do guia todas as ruas. Não se tinha comercio não, todas as ruas e vou bater de porta em porta.

Luciano Pires: Entrega um cartão de visita, dizendo…

Leandro Bueno: …eu sou contador, estou aqui, montei um escritório agora, se precisar de mim estou à disposição. E saí assim. No primeiro mês não fechei nenhum, no segundo mês fechei dois, e desses dois, eu pedi indicação. “você conhece alguém aqui da região?”. “conheço fulano, ciclano”. “Me indica, posso falar em seu nome?”. ” Pode”. E assim foi, foi. Foi um efeito multiplicador tão rápido, que em 1 ano eu tinha 50 clientes, 1 ano ali no bairro Pauliceia em São Bernardo do Campo.

Luciano Pires: Por que isso, cara? Falta de concorrência, o que que era?

Leandro Bueno: No bairro, tinha 8 escritórios. Eu acho posso chamar assim, cara de pau? Eu era muito atrevido, eu era muito atrevido. “Não, mas eu já tenho um contador, estou me sentindo bem”. “Não, mas tudo bem, eu estou aqui para te ajudar. Se precisar de alguma coisa, eu estou aqui do seu lado”. O cara da pizzaria embaixo, eu tinha um escritório, chamava de pé na cova, porque era em frente ao cemitério. Tem o cemitério da Pauliceia, é em frente do cemitério. “Meu escritório está aqui em cima de você, onde é o seu contador?”. “Ah, é lá no centro de São Bernardo”. A gente fala São Bernardo né, centro de São Bernardo. “Você está louco, eu estou aqui, qualquer coisa. Se bater uma fiscalização agora, quanto tempo ele vai levar para vir até aqui? Você tem a obrigação, eu brincando com ele, você tem a obrigação de ser meu cliente”. “Tá bom vai, mês que vem eu te passo moleque”. E o pessoal me chamava de moleque, né, espinhudo, moleque de tudo, 21 anos para 22, começando, não tinha nada. Cara, eu não entendia nada de balanço ativo, passivo, patrimônio liquido, DRE, zero. Departamento pessoal, de zero a dez, dois. Departamento fiscal, imposto, porque é dividido nessas partes, três. O que eu mais entedia, era de abertura de empresa. Abertura, alteração e encerramento, nota 6. Mas, é meu clichê, mas eu gosto dessa frase. O porque é grande, o como é circunstancial. O meu porque era meu filho. Eu falei, porra, eu não vou deixar esse moleque passando fome, eu não vou deixar esse moleque sofrer aquilo que eu sofri. Então, me serviu como uma catapulta, né.

Luciano Pires: O que podia ser um peso, acabou virando a sua motivação.

Leandro Bueno: Virou motivação.

Luciano Pires: Para você fazer acontecer.

Leandro Bueno: De 2001 a 2003, 2002, eu briguei com meu ex-sogro, a gente discutiu, eu falei, “olha, eu já trouxe 50 clientes, você não trouxe nenhum. Só que a gente divide 50% aqui em tudo. Eu não acho justo, mas você também pode não achar justo. E eu acho que da sua justiça está tudo bem, mas do meu lado também não está legal. Então, ou a gente redistribui as cotas, ou eu compro a sua parte, ou você compra a minha. Do jeito que está, não está legal”. Ele falou, “não, então compra a minha parte, porque eu já tenho 65 anos, ele tinha na época, e você segue aqui”. Beleza? Beleza. Comprei a parte dele, paguei R$ 5 mil reais na época, 5 parcelas de R$ 1 mil reais. Aquilo foi o pandemônio, porque briguei com a minha ex-mulher, briguei com a irmã dela.

Luciano Pires: Família metida no rolo.

Leandro Bueno: Família, aquela coisa toda. 2 anos depois, separei da minha ex-mulher. Só que ela tinha, na época, você perguntou a pouco, posso ter um sócio só? Pode. Mas, na época, não podia, tinha que ter um sócio. Eu coloquei ela, por colocar, porque tinha que ter um sócio. Briguei com ela, comprei a parte dela de novo no escritório em 2003. Aí 2003 me separei, não deu certo, eu já estava sozinho. Só que esse escritório onde era pé na cova, no cemitério, estava ele como fiador a sala, eu tive que mudar. Aí mudei para um lugar de um cliente meu. Eu falei, “cara, me aluga essa sua sala aí?”. “Alugo”. “como que é essa parte de fiador?”. “Não, vem aí, eu confio em você, você já está com a gente aqui, vem aí”. Eu dei a maior sorte.

Luciano Pires: Você estava sozinho? Não tinha funcionário não?

Leandro Bueno: Sozinho. Tinha um funcionário. Dozinho de sócio, e tinha mais um funcionário. Aí em 2003 foi crescendo, crescendo, 2005eu mudei de uma sala de 90 metros, para uma casa de 130 metros, pagando aluguel, crescendo, crescendo. Eu dei a sorte em 2005 de ter um boom, na época de mercado de carros. Não sei se você se recorda, mas começou a vender mais carne do que carro, né. Pessoal não vendia carro, vendia carne de financiamento, quando o Fernando Henrique, não, até antes, o Lula liberou financiamento, viagens, essas coisas todas, 60 meses e tal. Teve um plano bom lá, e peguei um shopping inteiro de carro. Peguei em uma talagada só, boa a boca, zero de internet, não tinha nem site, nada. Peguei no boca a boca ali, 25 lojas. E na época, contador só cobrava 1 salário mínimo, que seria hoje R$ 1 mil reais, 25 lojas, R$ 25 pau de faturamento, puta que pariu, fiquei louco de felicidade. Aí esses 25 me indicaram mais 25, me indicaram mais 25, de repente eu tinha 130 clientes ativos.

Luciano Pires: Por que cara? Você era bom no que fazia? O que que era? Ou você era bom no atendimento as pessoas?

Leandro Bueno: No atendimento. Eu sempre fui…

Luciano Pires: Quer dizer, eu estou conversando com um contador, cujo trabalho é uma burocracia desgranhenta, absolutamente especializado. Lida com números o dia inteirinho, e ele é bom ou ruim, se o número no final do mês estiver… se bater.

Leandro Bueno: Se bater as coisas.

Luciano Pires: Você está dizendo para mim, que o segredo do seu sucesso, não é a capacidade de fazer o número bater, mas antes de tudo, é relacionamento?

Leandro Bueno: Sempre foi relacionamento. Até hoje, eu não opero, opero no computador, desde 2008, 2009. Zero. Mas, eu sempre procurei contratar pessoas, que entendessem do mitie, da operação propriamente dita. E o meu papel, sempre foi de relacionamento com o cliente. Então passava a manhã, passava a tarde, almoçava. Sexta-feira, é clientes day. Toda sexta-feira já, há 20 anos, eu visito um cliente, toda sexta-feira, faça chuva ou faça sol eu visito um cliente. Hoje não, em virtude da pandemia, mas, sempre foi assim. E sempre nessas visitas, eu sempre fui pidoncho, mas no bom sentido, na boa-fé mesmo. “Pô, me indica alguém, me indica alguém, me indica alguém…”. E daí desses indica alguém, indica alguém, os anos foram se passando, e eu fui aumentando a carteira. 2008 teve uma crise muito forte.

Luciano Pires: Subprime.

Leandro Bueno: Essa mesma. As lojas de carros, eu tinha uma média de 120, 110 lojas, cai para 40 lojas. Fecharam assim, em 1 ano, avassalador. Avassalador para as lojas de carro, porque eles não vendiam carro como eles vendiam para financiamento. Então, foi avassalador. Bom, voltando um pouquinho em 2005, eu conheci a minha atual esposa. Engraçado até a história com ela, porque eu conheci ela em um bar, jogando Corinthians e São Paulo. Aquele jogo que foi roubado, você lembra dessa história do jogo roubado?

Luciano Pires: Eu não vou lembrar, qual que é?

Leandro Bueno: Foi roubado, roubado mesmo, voltou o jogo inclusive. Que era um juiz, que voltou, eram 11 jogos do brasileirão naquele ano, que foi o ano que o Cortininhas foi campeão brasileiro, em cima do Inter. Foi um furdunço esse brasileirão de 2005. Dá uma olhada depois, você vai lembrar. Conheci, estava tendo Corinthians e São Paulo, estava 2 a 2, o Rogerio Ceni ia bater um pênalti. Eu de olho nela lá, faz tempo, desde a hora que ela chegou no bar. Aí eu levantei, com essa minha cara lavada, levantei, falei, “olha, eu não vou assistir esse jogo mais, eu não aguento. Eu gostaria de ficar olhando para você”. Ela falou, “pois então fique, que eu sou São Paulina, eu vou assistir”.

Luciano Pires: O corintiano com a são paulina.

Leandro Bueno: Aí a gente ficou… conclusão, ficamos das 6 da tarde, quando acabou o jogo, até as 11 da noite tomando chope lá. Não beijei ela naquele dia, mas pedi ela em casamento naquele dia. Pedi. Parece papo de bêbado, mas não era. Eu estava sóbrio, normal. Pedi ela em casamento. Cara, você é a mulher da minha vida. Eu não sei de onde você veio, mas eu vou casar com você. Você quer casar comigo? Ela kákáká, deu risada. E foi. Trocamos telefone, passou uns 3/4 dias, a gente se encontrou. Temos duas filhas hoje.

Luciano Pires: O segredo é a cara de pau, né cara. Cara de pau. Deixa eu ir agora para o ponto, que para mim, é onde nós vamos tirar mais coisa aqui. Você então pega, monta seu negócio, anos 2000. A digitalização vem forte, o computador já é dia a dia. A internet começa a crescer, e chega com uma força brutal. Eu diria que até 2010, ela ainda não é uma… ela não é essa, como é que eu vou dizer, essa coisa essencial que é hoje.

Leandro Bueno: Sim.

Luciano Pires: Outro dia o Google caiu, e o mundo acabou. Você lembra que o Google ficou caído algumas horas? Caiu o Google, acabou o mundo. Parou tudo, porque o Google caiu. A internet não era isso ainda, estava começando a crescer.

Leandro Bueno: Não, muito longe disso.

Luciano Pires: E a partir de 2010, 11, 12, ela começa a ganhar uma… Acho que as pessoas começam a confiar mais nela, parece, esquema da nuvem, começa a confiar, fazer compra pela internet, a botar meu cartão na internet. Então, ela ganha realmente uma dimensão, que ela começa a impactar em negócios que até então não eram negócios de internet. Então, eu me lembro da época que começou, era muito claro. Aqueles moleques que inventavam Yahoo, inventavam isso e aquilo, eram coisas de internet, eram um outro mundo. Era o .com. De repente, o .com vem para cá, e trabalhos que são trabalhos que sempre foram feitos de uma maneira…

Leandro Bueno: …artesanal.

Luciano Pires: Não digital, passam a ser digitais, e a gente passa a perceber que tem um grande alcance, começa a ter novos públicos, a coisa vira uma loucura, e de sei lá, 5 anos para cá, os negócios digitais explodem barbaramente, né. E junto com eles, vem um grande nó, que é o seguinte cara. O manicômio tributário brasileiro, não está preparado para internet, ele nem sabia o que era isso. Então cara, começa a fazer negócio, tem imposto, não tem imposto, não tem mais fronteira, não tem mais o caminhão carregando [brains] de um lado para o outro cara. Eu estou vendendo coisa que não tem logística. Que merda, eu compro dos Estados Unidos, pago aqui. Era muito louco isso. E foi uma loucura tão grande, que cara, deu um nó jurídico, deu um nó contábil, deu um nó em tudo quanto é lugar, né, que não foi resolvido ainda. Está cheio de nó ainda.

Leandro Bueno: Ainda tem.

Luciano Pires: Mas eu entendo que você, de repente, percebeu que os seus clientes começavam a não só mudar a forma de trabalhar, que aí era uma migração, mas aí começaram a aparecer clientes com uma coisa completamente nova. Eu vim vender cursos online. Que [casso] é isso, cara. Cara, como é que eu classifico isso? Você percebeu isso chegando, você se antecipou a isso? O que que você fez para preparar a sua empresa, para atender à internet?

Leandro Bueno: Legal. Em 2014, foi a primeira vez que eu me deparei com uma propaganda de curso na internet. Aí eu fiquei prestando atenção naquilo, falei, poxa, acho que isso é o futuro. A própria Receita Federal em 2008, ela começou o projeto SPED no Brasil. Com a própria Mercedes Benz, as grandes montadoras.

Luciano Pires: O que que é esse projeto?

Leandro Bueno: Projeto, Sistema Público de Escrituração Digital. Então, como você bem disse, era aqueles livros pretos, que você escriturava na caneta, etc. e tal. Ela começou uma migração primeiro com XML, que é a nota fiscal eletrônica. Então, sai nota papel, entra nota eletrônica. Aí obrigatoriedade em 2011 para empresas de lucro real, ou seja, com faturamento acima de R$ 78 milhões anual. Depois, foi indo, foi indo, foi mudando, mudando, até que cominou agora, com a finalização desse projeto SPED, com e-social. Então, todo o Brasil hoje, é e-governamental. Ele é 100% eletrônico. Mas foram…

Luciano Pires: … faz uma pausa aí, que eu quero comentar um negócio com você, que tem a ver com essa transição. Nós somos dinossauros. Cara, eu me lembro montando a minha empresa, e parte do processo burocrático da empresa, era mandar fazer os talões de nota fiscal. Então, você ia na gráfica especializada, mandava fazer, eram 4 talões. “O senhor quer o talão já com carbonado, ou não carbonado”, porque você tinha que preencher, e ficar com uma… Uma via você entrega para o cliente, a outra via ficava com você. Um belo dia batia um fiscal, você tinha que mostrar todas as guias que ficavam, e tudo mais. E eu me lembro cara, do cerimonial que era você preencher uma nota fiscal. Cara, eu fiz uma venda para um cliente meu, abria o talão, e lá vinha eu com a minha letra, “fulano de tal, inscrição… comprou tal coisa, valor tal”. Tinha todo um cerimonial, que hoje quando eu me lembro, eu falo, cara, até me dá saudade, porque aquilo me punha em contato direto com o processo, que hoje eu nem sei se a nota foi, não foi para o meu cliente. Eu não tenho mais nada a ver com isso, entendeu? Fechei um negócio, pum, se perdeu tudo aquilo. Eu não quero dizer que é melhor ou pior. Eu quero dizer, que a gente perdeu aquela cerimonia. Que aquele era um momento que eu olhava e falava, cara, estou fazendo uma venda. Cara, estou escrevendo um negócio com a minha letra, alguém vai me pagar por isso. E aquilo tudo desapareceu, hoje em dia não é mais nada disso, sumiu do caminho.

Leandro Bueno: 100% eletrônico, de uns 3 anos para cá, 100% eletrônico. Nem o boteco, nem o MEI, nem nada, não existe nada de papel. É saudosista, mas é bem isso que você falou mesmo. Tinha essa relação com o cliente. Você era obrigado a escrever a nota, e levar fisicamente para ele. Não tinha como você escanear, mandar por e-mail, o máximo era manava um fax.

Luciano Pires: Assina o canhoto aqui.

Leandro Bueno: E tinha os malandrinhos, que puxavam o carbono na última via, tinha de tudo.

Luciano Pires: Então, isso de uma parte, é a digitalização dos processos.

Leandro Bueno: Sim. Então o SPED veio para isso. Sistema, S mudo, Sistema Público de Escrituração Digital, ele começou com esse projeto em 2007. 2007 começou na digitalização toda, com o advindo da nota fiscal eletrônica. Quando falaram para mim, nota fiscal eletrônica, falei, “que? Isso não vai pegar nunca no Brasil”. Tinha pilhas e pilhas de papeis, isso é impossível. Eu falei. Nós tínhamos um colegiado né, assim por dizer, no sindicato dos contabilistas, e discutiam, “não, isso não pega no Brasil, isso é impossível de acontecer aqui”. Aquela história dos dinossauros da contabilidade, que a gente chama hoje. O fato é que pegou, pegou tanto que foi avassalador. Então, para se ter uma ideia, 2021, nós estamos hoje gravando aqui em maio de 2021. Primeiro trimestre, junho, já junho, 5 de junho. O primeiro trimestre de 2021 já divulgado pela Receita Federal, faturou, arrecadou 40% a mais do que o primeiro trimestre de 2020. R$ 1.8 bilhões de reais. O que significa isso? Que o Brasil vendeu mais?

Luciano Pires: Não.

Leandro Bueno: Não. A fiscalização que aumentou. O próprio fisco fala na matéria, no site da Receita Federal fala, a fiscalização, o cruzamento de dados, aumentou. Então, isso tudo, veio culminar agora com essa fiscalização toda eletrônica, o cara faz um Pix já cai para a Receita, o cara faz um TED acima de R$ 2 mil na pessoa física, já cai para a Receita. Faz um Doc acima de… nem se faz mais Doc, mas faz uma transferência eletrônica na Pessoa Jurídica acima de R$ 6 mil, a Receita fica sabendo. Quantos e quantos clientes eu tive na época do CPMF, que a Receita não tributou baseada na conta invertida o 038. Porque o banco era obrigado a debitar o CPMF, ia para a Receita o recolhimento desse imposto, desse tributo, para a saúde. Ora, se fizesse a conta invertida, subentendia-se que esse valor da conta invertida, entrou na conta do cara. Muitos clientes foram autuados, e notificados, nessa época do CPMF. Então isso começou tudo, tudo. Aí chegou 2014, trazendo o negócio do curso, né, começou a receber a primeira de curso. Cara, já tem nota fiscal eletrônica, já tem projeto SPED, tudo eletrônico, e-governamental, as empresas vão digitalizar a coisa, né, vão subir para a nuvem, né.

Luciano Pires: O produto, inclusive.

Leandro Bueno: O produto, inclusive. Foi quando eu comecei a estudar. De 14 a 17, eu estudei insanamente tudo relacionado a e-commerce. Eu tinha um cliente à época, um dos maiores da época, e continua sendo hoje, por questão de controle a gente não pode divulgar o nome. Mas, é um dos maiores na época, de e-commerce. Ele começou em 2007, não, 97, em e-commerce, para você ter uma ideia. Internet discada, ele já fazia e-commerce. Hoje, já está há mais de 23 anos nesse mercado. Está conosco inclusive, até hoje. E esse cara, eu via nele, e aprendi muito com ele, e ele foi uma escola prática para mim, questões tributarias, contábeis, fiscais, trabalhistas, etc. E aí eu falei, poxa, tem uma guinada aí. E eu foquei no e-commerce, e em 2014, como veio negócio de curso, fui até aprendendo, marketing, tal. 2017 eu começo a pegar meus primeiros clientes, esse eu posso falar, Ricardo Jordao foi um deles, um dos primeiros. E aí eu falei, “pô, eu acho que tem mercado aqui. Tem um nicho aqui, que precisa ser atendido”. E eu falo a mesma linguagem desse nicho, de marketing digital, de split, de [cop], de qual produção, tudo o que é relacionado a esse mercado, para um contador dito dinossauro, não vai saber. E eu falo exatamente. Assim como se falar qualquer coisa de atividade rural para mim, eu não entendo bulhufas, de contabilidade rural. Mas, contabilidade digital, modéstia parte, a gente conhece bem. Eu fui me especializando, especializando. Quando veio a pandemia, em março de 2020, a gente tinha uns 40, 30 clientes, ainda não era nada expressivo. Eu falei, agora é a hora. Começou aquele bando de live, lembra? Você ia no Instagram, Youtube, Facebook, toda hora. Nossa senhora, chegou até a ser chato.

Luciano Pires: Continua chato.

Leandro Bueno: Inclusive. Diga-se de passagem. Eu falei, cara, isso vai estourar de vez. Aí o que que eu fiz? Joguei todo o meu trafego, né, eu já tinha aprendido sobre isso, para esse público. Aí peguei algumas referências, um deles é o Ícaro, ele deixa eu falar à vontade, que virou nosso parceiro. Logo no começo em março de 2020, ele me marcou 2 vezes no Instagram, o negócio começou a bombar, indicação, indicação. Começou a vir, lembra na época, indicação eletrônica. Eu acho que de março de 2020, até agora, junho de 2021, já entraram mais de 250 clientes para a nossa carteira, só desse mercado digital.

Luciano Pires: Que loucura.

Leandro Bueno: O cara que vende no Hotmart, o cara que vende na Eduzz, Monetizze. O cara que vende dentro das suas próprias plataformas. Aí veio Ícaro, veio Joel Jota, veio Lara, veio muitos influencers, ditos influencers digitais, que começaram a… passa boi, passa boiada. Porque os pequenos querem estar onde os grandes estão. Então, eu também percebi isso sabe, Luciano. Pô, esses caras aqui, são referência. Eu vou pegar uns 2, 3 de referência, e vou fazer com que eles sejam os meus indicadores, aquelas pessoas que indicam. Foi muito legal. Então o fato é.

Luciano Pires: Até então, você pega um cliente que chega lá, estou abrindo um negócio aqui. E o cliente vai lá, senta com você, e ele já vem com algumas…, “eu tenho aluguel para pagar, eu um salário para pagar, eu tenho isso para pagar, tenho uma porrada de coisas”, que tem a ver com aquela economia antiga, digamos assim. Esse cara do digital, ele chega para você, e se bobear ele não tem empresa. Ele é um cara que…

Leandro Bueno: Nem dinheiro.

Luciano Pires: Nem dinheiro, nem empresa, ele tem uma ideia e começa a fazer, começa a vender. E de repente, ele descobre no dia seguinte, que está entrando dinheiro na conta pessoal dele, no CPF dele, enquanto o volume é pequeno… de repente o volume cresce, e ele descobre que não tem nota, e como é que ele vai explicar? Cara, isso é uma zona, faz parte daquela bagunça que eu falei para você, que não estava bem resolvida no começo lá. Você tem encontrado isso, isso acontece com…

Leandro Bueno: Recorrentemente. O que que acontece? O mercado digital, ele proporciona isso. O que que você precisa para vender na internet? Um gateway de pagamento, tem milhares aí. Milhares não, mas tem dezenas, centenas. Um conhecimento básico circunstancial de algum assunto que você domine, pronto. Um celular, você lança um curso hoje, você faz um curso, faz um EAD, faz um curso a distância. Tem curso de tudo, eu tenho cliente de tudo lá, desde relacionado a área da saúde, medicina, do Direito. Tenho uma moça que vende Ioga, tem de tudo, tudo, enfim. Esse empreendedor, o Brasil sempre foi um seleiro de empreendedores, né. Agora, muito mais. Que nem você vê, o Brasil tem 21 milhões de MEIS, Microempreendedores Individuais. Pela última estatística, em janeiro de 2021, 21 milhões de CNPJ MEI. É muita gente.

Luciano Pires: É uma loucura, um baita mercado.

Leandro Bueno: É 200milhoes de habitantes, 220 milhões… 21 milhões.

Luciano Pires: 10% da população.

Leandro Bueno: 10% é MEI. Se você pensa nas multinacionais, nas grandes corporações, é 3% do total de CNPJ. 97% é composto por micro, e pequenas empresas. Assim, venho também nessa carona, as contabilidades online. Lembra quando eu falei que a gente cobrava todo mundo 1 salário mínimo? Então foi bom, porque assim, entregar DARF e cobrar 1 salário mínimo? Porra, que valor que tem isso? Tudo bem que 70% ainda hoje do nosso tempo, é para atender a hiperburocracia estatal. Uma empresa como a sua hoje, vai ter em torno de 16 declarações por ano, 16 declarações. Nós fazemos enquanto pessoa física, o imposto de renda. É uma declaração. Agora, na empresa no CNPJ, acho que a maioria que tem empresa não faz ideia disso, uma empresa do Simples Nacional, tem entre 14/16, e uma empresa do lucro presumido/lucro real, tem 28 declarações.

Luciano Pires: Que coisa.

Leandro Bueno: 28! Declarações estaduais, municipais e federais. Para quem não sabe, tributação simples presumido e real, simples é para pequenas empresas, faturamento até R$ 4.800.000,00. Presumida, por escolha, ou acima de R$ 4.800.000,00. Lucro real, por escolha, ou acima de R$ 78 milhões anual. Então, essas empresas, aí a malha do governo, né. Você recebe um aluguel. O locador, paga para você. Você fala assim, locador não declara, recebedor não declara. Mas, quem declara? A imobiliária. Quinto andar declara. O quinto andar manda em forma de rendimentos, ele declara que o CPF A, pagou para o CPF B. Uma declaração chamada dimob, você nunca deve ter ouvido falar, mas, todas as imobiliárias declaram.

Luciano Pires: Se o fisco não te pegou ainda, é porque não deu tempo.

Leandro Bueno: Não quis. Ou não deu tempo, ou não quis. Eletronicamente, não tem malha fiscal que de conta. Gente, ser humano, que de conta. Os cartórios entregam a declaração de todo mundo que compra e vende um imóvel. O DETRAN entrega uma declaração de todo mundo que compra e vende carro. Os bancos entregam uma declaração que é a declaração que eu chamo a mais demoníaca que tem, que chama e-financeira. Cada real que entra na sua conta, que sai na sua conta, o banco entrega esse saldo e-financeiro. Ou seja, o governo tem tudo na mão, tudo. A hora que ele quiser, ele aperta um botão, e manda notificação para o Brasil todo. Me justifica a declaração que debitou 10. Método da partida dobrada na contabilidade. Um débito, um crédito correspondente. Então, me justifica que debitou 10, lá creditou 10, e está faltando aqui, está faltando sua parte. Então, eles têm tudo hoje na mão. Só não acontece. Mas, o que que acontece? Hoje a fiscalização é muito maior em cima das grandes corporações.

Luciano Pires: Que é onde está o grande volume, sim.

Leandro Bueno: Grande volume. Não há o que se discutir nisso. Mas, esse mercado digital, informal, ele também se dá no mercado físico. Bares, restaurantes, as micro pequenas empresas lá, também trabalham muito na informalidade. Mas, o mercado digital, é impressionante. Por que? Pela facilidade de empreender, pegam o celular, vai lá, filma, grava, põe no gateway de pagamento, coloca em uma plataforma X, Y, Z, começa a vender seu curso. Impressionante cara. Então, por isso, por demanda, por necessidade, por seja lá o que for, esse mercado digital cresceu, e logico, a gente percebendo isso, foi na carona disso tudo aí.

Luciano Pires: Eu bati um papo rápido com você outro dia, e você me deu uns insights muito interessantes, de até por esse desconhecimento que o mercado tem, a gente está pagando imposto, tributo, muito além do que deveria pagar, simplesmente porque não consegui reclassificar minha atividade. Quer dizer, a minha atividade principal é palestras, sou um palestrante, e há X anos, eu estou classificado em uma determinada, como que vocês chamam lá… atividade…

Leandro Bueno: Cnae.

Luciano Pires: Como palestrante, ali tem…. incide um imposto, incide… E de repente eu começo a fazer um trabalho que eminentemente ele é digital, que já não é mais naquela classificação. E até por o contador não saber, vai tocando. E esse vai tocando, é uma diferença de 15%, para 6%.

Leandro Bueno: É isso.

Luciano Pires: que no final do ano, dá um…

Leandro Bueno: Um caminhão de dinheiro.

Luciano Pires: Um caminhão de dinheiro, né. E você…

Leandro Bueno: E você não está irregular. Não estando irregular, pagando menos da metade, não estando irregular.

Luciano Pires: Exatamente. Tem uma oportunidade gigantesca então no mercado aí, de como há um tempo atrás eu estava conversando com um pessoal de… os advogados, eles estavam dizendo o seguinte, a justiça digital, a especialização do advogado para a internet é uma coisa que vai crescer absurdamente. Por todos, para caçar os haters, direitos autorais, vai ter. E eu não tinha me tocado que na tua área aconteceria a mesma coisa.

Leandro Bueno: Mesma coisa.

Luciano Pires: Uma especialização para cima do digital. Isso já está na escola, já estão ensinando isso? Está sendo aprendido na porrada, como que é?

Leandro Bueno: Na prática, na prática e na porrada. Teve uma jurisprudência em 2018, no governo do Estado de São Paulo, reconhecendo esses cursos e treinamentos como imunidade tributária, né. E pouco se falou a respeito disso, até mesmo quem não vive esse mercado, acaba não estudando né. Como é assim para o mercado digital, é assim também para a indústria, para o comercio e para o serviço. Tem muita empresa, muita empresa, que paga mais imposto do que deveria. Então isso de fato é uma indústria, tanto é que hoje eu tenho 4 empresas. Eu, Leandro. Eu tenho a contabilidade propriamente dita. Eu tenho uma outra contabilidade, do qual eu sou sócio, que chamamos de small business. Ora, o meu (inint) [01:08:23.01] na corporate, que a gente chama é maior, porque é um atendimento mais corporate. O small, é menor para esses caras que estão começando. Eu vi que tinha um monte de gente abrindo, meu, vou pegar os pequenos. Então, é small mesmo. Tem uma terceirização de financeiro. Ora, se você não sabe cuidar do seu financeiro, deixa que eu cuido para você. Então, a gente usa essa terceirização financeira. E por último, e o que mais dá rentabilidade, é uma empresa de recuperação de créditos tributários. Tudo o que você pagou a mais, você tem o direito de pedir. Só que se você não sabe que você está pagando a mais…

Luciano Pires: …vai continuar pagando, ou vai ficar lá. Vai esquecer lá.

Leandro Bueno: Vai ficar lá. E o governo não vai bater na sua porta, e falar…

Luciano Pires: …vim devolver o que você pagou a mais aqui.

Leandro Bueno: Para cobrar é bom, mas para devolver, em hipótese alguma. Então, a gente faz um trabalho, para você ter uma ideia a gente fez um trabalho recentemente em uma empresa de perfumaria, que fatura seus R$ 12 milhões por ano, ela recuperou R$ 800 mil, em plena pandemia. R$ 800 mil Luciano, dinheiro na conta. O governo devolve dinheiro na conta, sem pestanejar, porque é tudo eletrônico, é preto no branco, não precisa defender uma tese, transitado em julgado, nada dessa juridiques, é administrativo mesmo. Então, existe um mercado em cima do mercado contábil, tributário, multi multi multi milionário. Empresas de tecnologia nascem startups a todo momento, para você classificar melhor a sua tributação. Hoje, para uma pessoa, eu tenho um cliente que é da Europa, da Alemanha. Ele abriu recentemente uma unidade aqui. Tem um ano mais ou menos, um pouco antes da pandemia, nessa loucura. Ele abriu uma unidade aqui. Ele trouxe nada mais, nada menos, do que 78 profissionais. Uma multinacional, muito grande, mas, para começar aqui, 78 profissionais para montar todo esse conglomerado. Ele faz Siscomex, importação, exportação de produtos, e materiais cirúrgicos, enfim, uma série de coisas. 78. Ele falou, Leandro, nós vamos montar uma unidade da Alemanha, se não me falha a memória, Inglaterra ou Suíça. Na Europa. Foram 2 profissionais, para fazer o manejo tributário. Estados Unidos, 3 profissionais, para fazer manejo tributário. Brasil, 78. Envolveu uma equipe de 78 pessoas, durante 2 anos, até falar, pronto, agora chegamos no número. Esse é o custo Brasil que se fala.

Luciano Pires: O tal do manicômio tributário. Eu vi recentemente, tem um vídeo circulando aí do pessoal do ranking dos políticos, com Leandro Narloch, que ele está falando exatamente isso, ele dá um exemplo que é uma doideira. Ele conta uma história de uma empresa que importou sabe o Croc, o chinelo, o Croc, e chegou um navio de Croc, e o fiscal foi lá no porto, e o fiscal foi lá no Porto e falou, “pô, esse é sapato, e está classificado como sandália”. E daí deu uma bagunça gigantesca, que Croc é um sapato, ou é uma sandália de borracha? Sandália de borracha, imposto pequenininho, sapato imposto maior. E aquele negócio vai para a Justiça, e lá pelas tantas, o juiz pega, “não, isso é um sapato”. E a empresa pagou uma puta de uma multa. E a partir de então, ela passou a importar aquilo como sapato. Até que 5 anos depois, um fiscal chega lá, e entra, “não, isso não é sapato, isso é sandália. É de plástico, a parte de trás é aberta, tem buraco na frente, como assim sapato? Não é”. E aí entrou, e os caras perderam de novo. Aí o juiz, “não, isso aqui é sandália”, e multou os caras de novo porque eles estavam importando como sapato. Ele dá outro exemplo, vocês sabiam que bolacha com recheio de chocolate, tem uma tributação, e chocolate com recheio de bolacha tem outra tributação?

Leandro Bueno: Açaí, ele tem imunidade tributária de Pis e Cofins. Só que açaí, até 1 quilo. Se você comprar um pote de açaí até 980 gramas, tem um número redondo, é um preço. Se você comprar acima disso, por mais que você vende em mais escala, é outro preço. Por que? Porque acima de 1 quilo é tributado. O mesmo produto, só que em uma embalagem diferente.

Luciano Pires: O Alexis Fonteyne, que é nosso deputado hoje, teve aqui falando, ele comentou, falou “cara, a coisa é tão louca”. Ele tem um vídeo dele na internet explicando, ele mostrou o que aconteceu com ele, quando ele botou… ele tem uma indústria química. Ele contando, o caminhão dele para sair do Campinas, e transportar os químicos que ele vendeu para, São Bernardo, sei lá. Ele falou, “cara, olha o que acontece com esse caminhão, quando ele atravessa São Paulo”. Ele falou, “De campinas até ele chegar em São Paulo, é uma tributação. Entrou em São Paulo, muda a tributação, mudam as regras, e eu sou multado, porque eu não sabia que a largura da lata é X, e para mim em Campinas é Y. Ninguém me contou. Então, se eu não estiver com a largura, os caras me multam. Outra hora, que o caminho que eu saio de São Paulo, e entro em São Bernardo, mudou de novo”. Ele falou, “então cara, é enlouquecedor, não tenho como não ser multado”. Agora, da mesma forma que isso é um manicômio para quem produz, para quem como você entende como isso funciona, cara, é um baita de um business, né.

Leandro Bueno: Vira negócio. Mas, eu acredito, isso é uma tese minha, e não é uma tese de teoria da conspiração. É uma tese baseada no que vem acontecendo essa transformação nos últimos 10 anos. Hoje, se você quiser fazer o seu imposto de renda sem pôr a mão, você faz. Você pega um certificado digital, entra no e-cac, baixa a sua declaração pré-preenchida. Lá tem as suas rendas, as suas despesas, seus bens, todos já preenchidos. Inclusive o que você comprou naquele…

Luciano Pires: Isso é assustador, cara.

Leandro Bueno: É, já tem. Imposto de renda pessoa física. Na pessoa jurídica, também através do SPED, que é o sistema público. Então, eu acredito, eu vou agora por achismo mesmo, 5 anos, é a minha projeção, que os impostos vão ser gerados automaticamente pelo governo. O contador tributarista, tende-se a acabar no médio/longo prazo. Por que? O próprio fisco já tem a nota fiscal de entrada, nota fiscal de saída. Ele tem condições, inclusive hoje, só que não faz, de gerar seu imposto automaticamente. Emitir uma nota, já gera imposto. Então ele tem condições. Então, eu acho que isso, essa coisa toda que o governo todo está criando, essa inteligência… Que a Receita Federal do Brasil tem um computador chamado T-Rex. É do tamanho da sua casa, é gigantesco. Eles têm uma inteligência fiscal tão absurda, que é uma das maiores do mundo. Europa e Estados Unidos vem estudar a inteligência tributaria do Brasil, que é muito boa. Apesar de tão complexa, tem que ser boa, né. E ao ponto de, cara, assim, gravem isso, 2021. 2026, você vai receber como você recebe seu IPVA, como você recebe seu IPTU, você, empresário, vai receber os impostos, e eu estou atento a isso já. Por isso que a gente acaba tendo que se especializar em outras vertentes. Finanças, educação continuada, consultoria.

Luciano Pires: Gateways de pagamento. Isso é uma loucura também cara. Emissoras de nota fiscal, notas da vida. API para conversar com o sistema ABCD.

Leandro Bueno: O cupom fiscal sat, aquele cupom físico, tende a acabar. É um mercado que hoje é multimilionário, dessas Bematech da vida. Você vai na padaria, você compra lá, isso aí vai ser eletrônico, já é. Inclusive, se você não quiser, você pede só a nota fiscal paulista aqui em São Paulo, já está lá no seu celular, você já recebe a sua nota fiscal. Então, vai se digitalizar isso de uma forma estarrecedora, a ponto de não precisar mais de um expert. E espero que isso aconteça, de verdade. Eu posso estar dando tiro no pé, mas não é. Porque, quanto menos burocracia, mais prevalece os bons profissionais, aqueles que estão se reciclando, se melhorando em outras vertentes que você possa atender ao cliente.

Luciano Pires: E na teoria, isso tudo significa uma redução de custo no meio do caminho.

Leandro Bueno: Absurda.

Luciano Pires: Se vai chegar no bolso do consumidor final, é uma outra conversa. Mas na medida em que você tira um intermediário, que você tira um papel, você faz uma passagem de API para PI computador, o sistema cara, acabou. Só o tempo que eu ganho cara, o tempo que eu ganho hoje. Lembra aquela fila que você ia ficar no banco, que você perdeu o emprego lá.

Leandro Bueno: Hoje eu não perderia.

Luciano Pires: Não teria mais cara.

Leandro Bueno: Em 1999, quando eu trabalhava com meu tio, nós tínhamos uma média de 150 clientes, e tínhamos 25 funcionários. Hoje em meu escritório, tenho 430 clientes aproximadamente, e nós temos 32, comigo e a minha esposa de sócio, 32 funcionários. Então, a proporção hoje, se fosse lá em 99, seria 2/3 veze maior de números de pessoas.

Luciano Pires: O cálculo de produtividade para o funcionário, é um negócio…

Leandro Bueno: …absurdo.

Luciano Pires: Exponencial.

Leandro Bueno: É muito, muito. Sem contar com as outras empresas, os outros modelos de negócios. Mas, também vem ajudando muito, sabe, essa tecnologia. E essa digitalização, hoje eu abro uma empresa em São Paulo capital, em 24 horas. Para ser mais exato, em 3 horas. 3 horas, eu abro um CNPJ completo. Normal, em 3 horas. Antigamente, era 15, 20, 30 dias. Sem contar alvará de funcionamento, que aí é uma outra vertente, outras questões, bombeiro, essas coisas. Mas, o CNPJ na sua mão, qualquer contador é possível entregar hoje em São Paulo capital, entregar em 3 horas. Você fala, caramba, como isso pode? Pois é. Nem assinatura física, você tem mais. Certificado digital, assino, mando na transmissão da Junta Comercial, ela já autoriza, valida, vê CPF, vê isso, aquilo, 3 horas está pronto seu CNPJ. MEI, é 10 minutos, né, que é online. Mas ele nasceu desse projeto do MEI, e agora está… Eu abri uma holding outro dia em São Paulo. Holding não são empresas pequenas, em 3 horas. Então, ajudar, eu acho que vai ajudar, vai melhorar isso muito.

Luciano Pires: Para quem é empreendedor, isso é uma maravilha.

Leandro Bueno: é um ganho.

Luciano Pires: Meu caro, vamos indo aqui para o nosso finalmente aqui, que essa aula está interessantíssima. Quero começar um negócio digital, entendeu? Já tenho meu conteúdo, já sei o que vou fazer, já tenho, meus paranauê eu já conheço já. Já armei todo o esquema. Não tenho empresa, não tenho nada. Quais são os… me dá o 1, 2, 3. O que que tem que acontecer.

Leandro Bueno: Primeira coisa, o que você não deve fazer. De forma alguma. Abrir, começar seu negócio, no seu CPF. É um negócio, logo é uma empresa. Então, a possibilidade que o governo trouxe como MEI, é muito boa. Mas muito boa. O MEI, microempreendedor individual, portaldoempreendedor.gov. Sempre .gov, não entra no .com que é pegadinha, você vai pagar R$ 200, R$ 250 reais desses portais aí. portaldoempreendedor.gov.br. Quero me formalizar. Nome, CPF, RG, endereço, Estado Civil, tal tal. Atividade: cursos. É o CNAE 8599604. Colocou isso lá, 10 minutos depois vai cuspir lá na sua impressora, ou no seu PDF, o seu CNPJ. Tem isso, pendura num gateway de pagamento, desses tantos que existem, tá pronto para vender um curso.

Luciano Pires: Gateway de pagamento, são os PagSeguros.

Leandro Bueno: PagSeguro, Mercado Pago, HotMart, todos esses aí.

Luciano Pires: Que é uma empresa que vai intermediar. Então, se você quiser, você fazer direto com cartão de crédito, você vai ficar louco. Uma empresa dessa, você fecha um negócio com ela, e ela traz tudo isso. Ela vai perguntar, você quer vender, que bandeiras você quer, e tudo mais.

Leandro Bueno: Preencher um cadastro lá também, por uma taxa de 9,90, 10% na média. De 5 a 15, média 10%, por transação. D+30, né, então em 31 dias, o dinheiro está disponível para você resgatar. É muito, muito simples de empreender hoje, no mercado digital, para quem fatura até R$ 81 mil anual. Para começar…

Luciano Pires: Emissão de notas?

Leandro Bueno: Emissão de notas do MEI para o CPF, não é obrigatório. Por lei, não é obrigatório, é opcional. Agora, se eu dou curso para empresas, B2B, CNPJ para CNPJ, ou mesmo sendo MEI, eu sou obrigatório a emissão de notas. Aí você vai pegar um outro gateway de emissão de notas, vincular o seu gateway de venda de curso, parametrizou, e está pronto. Tem o chat, toda essa parte, pode falar nomes aqui?

Luciano Pires: Claro.

Leandro Bueno: O e-notas, né, é uma das referências que a gente tem aí. Você cadastrou em um gateway de pagamento, HotMart da vida. Cadastrou no e-notas, um se fala com o outro, já tem API aberta, né, o tal do que deve vir para frente também, para melhor a contabilidade, o open banking. Então, tem os open softwares, tem as APIs abertas, um se fala com o outro. Fez uma venda, já emite a nota, já chega para o e-mail do cliente, você não põe a mão em nada disso. Poxa, faturei mais que R$ 81 mil no ano. Eu deixo de ser MEI, microempreendedor individual, passo a ser ME, microempresa. Tira só o I. Aí começa a pagar, a partir de 6%, conforme maior o faturamento, maior alíquota, podendo chegar até 17. Tem algumas outras nuances para reduzir? Tem. Aí com a estratégia, com o contador, com a pessoa do lado para direcionar, você não vai. No Brasil, impossível você conseguir. Uma das poucas coisas que você não consegue fazer sozinho, é abrir uma empresa normal, sem ser MEI, MEI você consegue. Abrir uma empresa, eu falo assim, abre empresa em 3 horas. Mas senta a bunda e tenta você, reles mortal. Não consegue. São tantas perguntas técnicas, você não vai conseguir. Vai fazer alguma cagada no meio do caminho. Até porque, o Código Civil, ele determina que tem que ter um contador, um CRC. O Brasil é o único país do mundo, que existe a profissão de despachante, não sei se você sabe.

Luciano Pires: Não sabia.

Leandro Bueno: Único país do mundo, que existe despachante de carro, único país do mundo que existe profissão de despachante. E é o único país do mundo, que obriga-se a ter um CRC vinculado ao CNPJ. É um Conselho Regional de Contabilidade, um contador. Nos Estados Unidos, você contrata contador se você quiser. Você só contrata para fazer a declaração anual, que é 1 vez por ano, você vai lá e contrata. Então, não existe contador, existe papel do consultor. Existe contador no mundo todo, ativo, passivo, no mundo todo é igual. Só que você contrata. Um administrador, pode exercer a função de abertura de empresa. Você mesmo pode fazer, porque Nova Zelândia, qualquer um abre uma indústria multinacional em 2 horas. Então, no Brasil tem essa. Mas, procurou o profissional da sua confiança, feita essa abertura, emissão de notas mensais, no mercado digital impostos de 6 a 17%. Faturei R$ 200 mil, gastei R$ 50 mil. Então, o Brasil, por incrível que pareça Luciano, é um paraíso fiscal nesse sentido. Olha que coisa louca. Faturei R$ 200 mil, gastei R$ 50 mil, sobrou R$ 150 mil. Pago imposto de novo sobre o lucro? Não. Ao contrário disso, a Europa, Estados Unidos, paga imposto sobre o lucro, as empresas. No Brasil não. Só as empresas de lucro real pagam sobre o lucro real. Realmente você teve esse lucro? Então me paga 24%.

Luciano Pires: Mas lá fora também não tem ICMS, não tem essa caralhada toda.

Leandro Bueno: É. Claro que…

Luciano Pires: Vai dar uma balançada aí. Dá um equilíbrio na história toda.

Leandro Bueno: Mas assim, é incongruente isso, eu devo confessar. Porque o dono do banco Itaú, o lucro que o branco Itaú vai para a pessoa física dele, e não paga R$ 1 real de imposto. E o MEI, microempreendedor individual, que tem um lucro na empresa dele, também não paga imposto. Então, essas coisas que a gente não entende.

Luciano Pires: É o manicômio brasileiro. Legal. A dica que eu vou dar para vocês que estão ouvindo a gente. Eu troquei uma ideia com o Leandro, e ele vai fazer com você, se você tiver interessado, o que ele fez comigo aqui. Ele pediu para mim, “deixa eu ver seus números aqui”. E a hora que ele olhou meus números, falou, “tem um lugar aqui, tem um lugar aqui, se você mexer nesses lugares você vai ter uma redução de carga tributária, de impostos e de pagamentos que você faz no ano”. A hora que eu abri meu olho, “tudo isso?”. “Tudo isso”. Por que? Tem uma sacanagem? Não cara, não tem nada desonesto aqui. É tudo simplesmente classificando direito as coisas. Que normalmente as pessoas não sabem disso, ou não estão ligadas que está mudando todo dia. Todo dia tem uma alteração nisso aí.

Leandro Bueno: Literalmente todo dia.

Luciano Pires: Isso é fascinante bicho. Eu não quero nem botar minha mão nisso aí, que eu vou ficar louco. Mas ainda bem que tem gente que está preocupada com isso.

Leandro Bueno: Cada macaco no seu galho.

Luciano Pires: Exatamente. Vamos fazer o seu jabá.

Leandro Bueno: Merchant, bom.

Luciano Pires: Seu Merchant. Se alguém quiser entrar em contato, saber como que é, trocar uma ideia contigo, como que faz?

Leandro Bueno: Eu estou no Instagram, Leandro Bueno Contador, estou no Youtube Leandro Bueno Contador. Estou na internet, site, saolucasassessoria.com.br. Me chamou no Instagram direct, me chamou no Youtube, me chamou no site, estou à disposição a qualquer um. Em mercado digital preferencialmente.

Luciano Pires: Que não tem fronteira.

Leandro Bueno: Brasil inteirinho.

Luciano Pires: Brasil.

Leandro Bueno: Hoje, eu atendo em qualquer lugar do Brasil. Tenho cliente em Roraima, Manaus, Belém do Pará, Rio Grande do Sul, Fortaleza, Salvador, Recife, hoje eu tenho cliente no Brasil todo.

Luciano Pires: Maravilha cara.

Leandro Bueno: Muito bom.

Luciano Pires: Sucesso, que legal, que bom. Continue crescendo aí. Eu acho esse mercado aí, não tem fim cara.

Leandro Bueno: Não tem fim.

Luciano Pires: A possibilidade dele crescer, o que nós estamos vendo aí de números, e…

Leandro Bueno: E ainda é pequeno.

Luciano Pires: A quantidade de gente chegando. A quantidade de gente perdendo o medo de consumir. A pandemia arrombou as portas, porque quem tinha alguma…

Leandro Bueno: Algum receio de comprar eletronicamente, acabou.

Luciano Pires: Cara, na pandemia, caíram todos os portões. Então, imagino que a partir do ano que vem, você vai ver uma subida de números.

Leandro Bueno: A gente cresceu tanto nos serviços, cursos, quanto no e-commerce. Mercado Livre, B2W, o que tem de clientes vendendo lá, é absurdo. Mas esse é bem mais complexo que o mercado digital.

Luciano Pires: Uma hora dessas a gente bate um papo aí. Grande, obrigada pelo papo, foi ótimo.

Leandro Bueno: Eu que agradeço, obrigado mesmo.

Luciano Pires: Grande abraço.

Leandro Bueno: Obrigado, valeu.

E comemorando o Dia do Cinema Brasileiro, nasce a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

You never give me your money
John Lennon
Paul McCartney

You never give me your money
You only give me your funny paper
And in the middle of negotiations
You break down

I never give you my number
I only give you my situation
And in the middle of investigation
I break down

Out of college, money spent
See no future, pay no rent
All the money’s gone, nowhere to go
Any jobber got the sack
Monday morning, turning back
Yellow lorry slow, nowhere to go
But oh, that magic feeling, nowhere to go
Oh, that magic feeling
Nowhere to go

One sweet dream
Pick up the bags and get in the limousine
Soon we’ll be away from here
Step on the gas and wipe that tear away
One sweet dream came true today
Came true today
Came true today (yes, it did)

One two three four five six seven
All good children go to heaven

Você nunca me dá seu dinheiro

Você nunca me dá seu dinheiro
Você só me dá um papel estranho
E quando a gente negocia
Você cai em prantos

Eu nunca lhe dei meu número
Eu só lhe contei o que está acontecendo
E no meio da conversa
Eu caio em prantos

Fora da escola, sem dinheiro
Não vê nenhum futuro, não paga aluguel
Todo o dinheiro se foi, sem lugar para ir
Despedido do emprego
Segunda de manhã, voltando a trabalhar
Caminhão de mudança, sem lugar para ir
Mas ah, aquele sentimento mágico, sem lugar para ir
Ah, aquele sentimento mágico
Sem lugar para ir

Um lindo sonho
Pegue as malas e entre na limusine
Logo estaremos em um lugar longe daqui
Pé na tábua e pare de chorar
Um lindo sonho virou realidade hoje
Virou realidade hoje
Virou realidade hoje (sim, virou)

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete
As crianças boazinhas vão para o céu

É assim então, ao som de You never give me your money, clássico imortal dos Beatles, aqui com o Tenacious D, de Jack Black e Kyle Gass, que vamos saindo assim, pensativos.

Cara: o mundo está mudando numa velocidade impressionante. Muitas funções, muitos trabalhos, muitas ocupações vão mudar grandemente. Você tem que ficar de olho. Espero que você tenha aprendido aqui no papo que eu tive com o Leandro, de como é que você pode se adaptar pra esses novos tempos. Tem muito desafio aparecendo pela frente. Não dá pra ficar é amarrado aos velhos processos.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que ccompleta o ciclo.

Se você curte o conteúdo do Café Brasil, vai curtir ainda mais quando visitar a nossa loja com as camisetas de vários programas musicais icônicos. É no cafebrasilloja.com.br. cafebrasilloja.com.br.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do empresário norte americano Harold Geneen:

“No mundo dos negócios todos são pagos em duas moedas: dinheiro e experiência. Agarre a experiência primeiro, o dinheiro virá depois.”