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Luciano Pires -

 

Janis Joplin era uma garota incompreendida, saiu da pequena cidade de Port Arthur, no Texas, para encontrar a liberdade no meio hippie de San Francisco. Janis se transformou num ícone dos anos 60, sempre indo ao limite em tudo que fazia. Janis representou a rebeldia, a intensidade e a entrega daquele tipo de gente que não cabe numa vida só. Morreu por overdose aos 27 anos, mas deixou uma marca que nunca será apagada.

O programa de hoje não é uma biografia, é só uma homenagem.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

O ano é 2002. Eu estava em Nova Iorque e num sábado em Manhattan, descubro um show em Greenwich Village: “Love, Janis”. Duas garotas interpretam Janis Joplin, a cantora e compositora norte-americana que morreu de overdose em 1970. Uma garota canta as músicas, a outra recita textos tirados das cartas que Janis escrevia para sua família e de entrevistas ao longo da carreira. O teatro? Parece mais um barzinho, a gente senta quase em cima dos atores. Uma banda igual à de Janis. E eu ali, na expectativa, sozinho.

Começa a peça, que mais parece um show. A banda lança os acordes, a garota entra com a vestimenta característica de Janis e detona “Piece of My Heart”.

Eu rio. Os olhos se enchem de lágrimas. Ouço a voz e vejo os trejeitos de Janis… e não tenho como escapar. Volto pra 1967. O show é um arraso, saio do teatro quase uma da manhã. Torto.  Decido voltar a pé para o hotel, ao lado de Times Square, um bcado longe longe dali. Com a cabeça nas nuvens, ando uns bons minutos, sem perceber, na direção contrária do hotel. Chego numa igreja com a cerca coberta por cartazes, camisas, bonés, fotos, flores. Na porta, um grande painel, onde se lê: “Saída das Cinzas”. Me dá um gelo no estômago. Olho pra esquina, uma barraquinha vendendo bonés e camisetas.

E uma placa onde, espantando, eu leio: Marco Zero.

– Não é possível! Onde é que eu vim parar?

Eu estava onde se erguiam as torres gêmeas, derrubadas pelos aviões em setembro de 2001, um ano antes. O coração bate forte conforme eu acelero o passo.

– Não é possível!

E eu chego lá, eram duas da manhã. Por acaso. Sem querer, sem saber. Um calçadão com concreto novíssimo e muito claro. Uma imensa cerca de metal com painéis contando a história do World Trade Center. E uma grande cruz feita com vigas de aço da estrutura das torres derrubadas um ano antes. Era madrugada. Eu estava saindo de duas horas que mexeram com minha cabeça. Saindo de 1967 e mergulhando em 2002. A seco. Sem querer… sem esperar. O que fazer, hein? Olhar… Rezar… Buscar alguma explicação para aquele erro de orientação que, com a cabeça em 1967, em vez de me levar para o hotel, me jogou de volta no século 21.

Várias pessoas vagavam pela calçada, como se não tivessem um objetivo claro. Talvez estivessem ali como eu, sem querer.

Fiquei por lá uns minutos. Peguei o metrô e voltei para o hotel.

Enquanto eu seguia no vagão vazio, pela cabeça passavam Janis Joplin e Bin Laden. Rock´n Roll e a CNN.  Vietnã e Afeganistão. Vinil e CD. Paz e Amor e Internet. Vivi naquela madrugada em Manhattan um misto de emoções como eu desconhecia. Mudei de séculos em minutos. Saí da poesia para a realidade dura em segundos. Do universo de uma artista que ajudou a formar o seu tempo, sua geração, para o do fanático religioso que fez o mesmo.  Vivi o mal e o bem em intensidades e formas diferentes. O bem da arte, liquidado pelo mal do vício, levando Janis embora aos 27 anos. O bem da tecnologia, usado pelo mal do fanatismo, levando quase 3.000 vidas embora…

Naqueles minutos no Ground Zero, de frente para o vazio, senti a força do espírito humano para produzir arte e destruição. E no balanço que faço hoje, duas décadas depois, felizmente ficou o mais forte:

Love, Janis.

Janis Joplin nasceu em 1943 na cidade petrolífera do Texas, Port Arthur. Seu pai era engenheiro mecânico da Texaco; sua mãe tinha sido uma cantora profissional clássica até que a doença interrompeu sua carreira. A mais velha de três filhos, duas mulheres e um homem, Janis sempre foi uma outsider. Acima do peso, com problemas de pele, nunca teve vida fácil. Seus pais eram mais intelectualmente sofisticados do que a maioria dos operários que viviam em Port Arthur. As crianças eram encorajadas a ler livros de qualidade e  a ler constantemente.

Depois de sofrer muito bullying na escola, Janis foi para faculdade, saiu da faculdade, foi para  Venice  Beach, na Califórnia, depois para Houston,  onde  cantou em clubes folclóricos  e  trabalhou  como  garçonete em uma  pista de boliche.  Em 1962 se mudou  para  Austin  e  se matriculou em um programa de belas artes na Universidade  do Texas,  cantando em clubes folclóricos à noite.

Maybe
Richard Barrett

Maybe
Oh, if I could pray, and I try, dear
You might come back home, home to me

Maybe
Whoa, if I could ever hold your little hand
Oh, you might understand
Maybe, maybe, maybe, maybe, yeah

Maybe, maybe, maybe, maybe, maybe, dear
I guess I might have done something wrong
Honey, I’d be glad to admit it
Oh, come on home to me
Honey, maybe, maybe, maybe, maybe, yeah

Well, I know that it just doesn’t ever seem to matter, babe
Oh, honey, when I go out or what I’m trying to do
Can’t you see I’m still left here?
And I’m holding on in needing you

Please, please, please, please
Oh, won’t you reconsider, babe?
Now come on, I said come back
Won’t you come back to me?

Maybe, dear, oh, maybe, maybe, maybe
Let me help, you show me how
Honey, maybe, maybe, maybe, maybe
Maybe, maybe, maybe, yeah
Maybe, maybe, maybe, yeah
Oh

Você ouve Maybe, a versão que Janis gravou de um sucesso de 1957 do grupo feminino Chantels.

Janis Joplin não teve uma carreira longa ou prolífica. A libertina blues-rock texana gravou apenas quatro álbuns entre 1967 e a overdose de drogas que a levou em outubro de 1970. Mas, nesse curto período, deixou uma marca profunda na história do rock’n’roll e das gerações de músicos que inspirou

Os fãs amam Janis por seus vocais ásperos, enérgicos, sujos, encharcados de uísque e drogas. Quando jovem, Janis tinha uma voz soprano tradicional e bonita que herdou de sua mãe, e como grande parte dos fenômenos vocais do Blues, Rock e Rithm’ blues, cantou no coro da igreja. E começou a andar com um grupo de meninos locais e a ouvir artistas de folk e blues como Bessie Smith .

Baby Doll
Bessie Smith

Honey, there’s a funny feelin’ ‘round my heart
And it’s bound to drive your mama wild
It must be somethin’ they call the Cuban Doll
It weren’t your mama’s angel child
I went to see the doctor the other day
He said, “I’s well as well could be”
But I said, “Doctor, you don’t know really what’s worryin’ me”
I wanna be somebody’s baby doll
So I can get my lovin’ all the time
I wanna be somebody’s baby doll to ease my mind
He can be ugly, he can be black
So long as he can eagle rock and ball the jack
I wanna be somebody’s baby doll
So I can get my lovin’ all the time
I mean to get my lovin’ all the time
Lord, I went to the gypsy to get my fortune told
She said, “You in hard luck, Bessie
Doggone your bad luck soul”
I wanna be somebody’s baby doll
So I can get my lovin’ all the time
I mean to get my lovin’ all the time

Bessie morreu em 1937, seis anos antes do nascimento de Janis. As duas nunca se conheceram, mas Janis dizia às pessoas que era a reencarnação de Bessie Smith.

Outra influência foi o cantor Leadbelly.

The Midnight Special
Folk song

Yonder comes Miss Rosie/
How in the world do you know?/
Well, I know her by the apron and the dress she wore./
Umbrella on her shoulder, /
Piece of paper in her hand, /
Well, I’m callin’ that Captain, /
“Turn a-loose my man.”/
Let the Midnight Special shine her light on me./
Oh let the Midnight Special shine her ever-lovin’ light on me./
When you gets up in the morning, /
When that big bell ring./
You go marching to the table/
You meet the same old thing./
Knife and fork are on the table/
Ain’t nothing in my pan./
And if you say a thing about it/
You have a trouble with the man./
If you ever go to Houston, /
Boys, you better walk right, /
And you better not squabble/
And you better not fight./
Benson Crocker will arrest you, /
Jimmy Boone will take you down./
You can bet your bottom dollar/
That you’re Sugarland bound./
Well, jumping Little Judy, /
She was a mighty fine girl./
She brought jumping/
To the whole round world./
Well, she brought it in the morning/
Just a while before day./
Well, she brought me the news/
That my wife was dead./
That started me to grieving, /
Whooping, hollering, and crying./
And I began to worry/
About my great long time.

e a grande cantora, atriz, violonista, letrista e ativista dos direitos humanos civis Odetta Holmes

Jack o’diamonds
Folk song

Jack O’ Diamonds is a hard card to play
Jack O’ Diamonds is a hard card to play
Jack O’ Diamonds is a card
Sending many poor man to his grave
Jack O’ Diamonds is a hard card to play

Put your Jack on the Queen
It’ll turn your money green
Jack O’ Diamonds is a hard card to play
Put your Jack on the Queen
And it’ll turn your money green
Your Jack is a hard card to play

Put your Jack on the Queen
It’ll turn your money green
Jack O’ Diamonds is a hard card to play

Well I tell you
[?] its old enough to change
keep on playing
Man you’re far to win
Keep your Jack on the Queen
It’ll turn your money green
Jack O’ Diamonds is a hard card to play

Uma noite, em uma festa, Janis imitou Odetta e descobriu uma voz poderosa que até então não sabia que tinha.

Durante sua breve passagem pela Universidade do Texas em 1962, Joplin fez sua primeira gravação. Foi em fita, na casa de um colega estudante, apresentando a música original “What Good Can Drinkin ‘Do”.

Ouça Janis Joplin, aos 19 anos:

What good can drinkin’ do
Janis Joplin

What good can drinkin’ do
What good can drinkin’ do, what good can drinkin’ do?
Lord, I drink all night but the next day I still feel blue

There’s a glass on the table, they say it’s gonna ease all my pain,
And there’s a glass on the table, they say it’s gonna ease all my pain
But I drink it down, an’ the next day I feel the same

Gimme whiskey, gimme bourbon, give me gin
Oh, gimme whiskey, give me bourbon, gimme gin
‘Cause it don’t matter what I’m drinkin’, Lord, as long as it drown this sorrow I’m in

I start drinking Friday, I start drinking Friday night
Lord, I start drinking Friday, start drinking Friday night
But then I wake up on Sunday, child, there ain’t nothin’ that’s right

My man he left me, child, he left me here
Yeah, my good man left me, went away and left me here
Lord, I’m feelin’ lowdown, just give me another glass of beer

What good can drinkin’ do, what good can drinkin’ do?
Well, I drink all night but the next day I still feel blue!

A melodia termina com a fala: “Bem, eu bebo a noite toda, mas no dia seguinte ainda me sinto triste”. Tinha tudo a ver com a história de vida da garota que sofria bullying e não se encaixava nos padrões. Ao longo de sua curta jornada de vida, Janis foi presa por furto, espancada em briga de rua, traficou drogas e viciou-se em metanfetamina e heroína. Janis era do balacobaco.

Janis só queria ser uma beatnik, termo criado a partir de “geração beat”, imortalizado pelo escritor Jack Kerouac para caracterizar a juventude clandestina e anticonformista que se reunia em Nova York no final dos anos 40. Beatnik era o indivíduo que rejeitava o conformismo burguês, os seus costumes e valores convencionais, assumindo uma filosofia de vida e um comportamento pessoal exóticos. Tornou-se um modo de viver de muitos jovens dos anos 1960, grande parte deles formando a geração hippie.

Em maio de 1966, Janis foi convidada a ir para São Francisco e se juntar a uma banda chamada Big Brother & The Holding Company. Isso lhe daria foco pela primeira vez na vida.

Janis disse “… conheça todos os pesos pesados, fique chapada, transe, se divirta. Isso é tudo que eu sempre quis. Só que eu sabia que tinha uma boa voz e eu sempre poderia tomar umas cervejas por causa dela. De repente alguém me jogou nessa banda de rock’n’roll…   E eu decidi então e ali que era isso. Eu nunca quis fazer mais nada.”

O rock transformou-se em sua expressão e São Francisco foi o primeiro lugar onde ela foi acolhida pelo que era, e não tentaram transformá-la em uma adolescente comportada dos anos 1950.

E então, veio o Monterey Pop Festival.

Try a little tenderness
Otis Redding

Oh, she may be weary
Young girls they do get weary
Wearing that same old shaggy dress, yeah yeah
But when she gets weary
Try a little tenderness, yeah yeah
You know she’s waiting
Just anticipating
For things that she’ll never, never, never, never possess, yeah yeah
But while she’s there waiting, without them
Try a little tenderness (that’s all you gotta do)
It’s not just sentimental, no, no, no
She has her grief and care, yeah yeah yeah
But the soft words, they are spoke so gentle, yeah
It makes it easier, easier to bear, yeah
You won’t regret it, no, no
Some girls they don’t forget it
Love is their only happiness, yeah
But it’s all so easy
All you gotta do is try, try a little tenderness, yeah
All you gotta do is, man, hold her where you want her
Squeeze her, don’t tease her, never leave her
Get to her, try, try
Just try a little tenderness, ooh yeah yeah yeah
You got to know how to love her, man, you’ll be surprised, man
You’ve got to squeeze her, don’t tease her, never leave
You’ve got to hold her and rub her softly
Try a little tenderness, ooh yeah yeah yeah
You’ve got to rub her gentle man, all you gotta do, no no
You’ve got to love her, squeeze her, don’t tease her
Gotta try nah nah nah, try
Try a little tenderness, yeah, watch her groove
You’ve gotta to know what to do, man
Take this advice

O Monterey Pop Festival, em 1967, foi a primeira grande reunião das tribos hippies, e o prelúdio do “verão do amor”. O festival introduziu três talentos excepcionais para o grande público americano: Janis Joplin, Jimi Hendrix e Otis Redding. Foi naquele festival que Hendrix incendiou de verdade a sua guitarra. É Ottis Redding no Monterey Pop Festival que você ouve ao fundo, cantando espetacularmente Try a Little Tenderness numa apresentação arrasadora que mudou sua carreira.

Pois é. Em três anos, Janis, Jimmy e Ottis estariam mortos. Janis e Jimmy por overdose, Ottis num acidente aéreo.

Assistir Joplin no palco do Monterey, uma garota de 24 anos num cintilante terninho boca de sino e saltinho alto, com o cabelo esvoaçante e semblante devastado, enlouquecendo o técnico de som que operava o microfone, é testemunhar o nascimento de uma superestrela.

Depois que Janis e a Big Brother & The Holding Company fizeram uma apresentação fenomenal no sábado, os organizadores do festival os incentivaram a voltar no domingo e fazer sua mágica para o documentário do festival. As imagens são fantásticas e o link está no roteiro deste episódio no portalcafebrasil.com.br

Ball And Chain
Big Mama Thornton

Sitting down by my window,
Oh, looking at the rain
Sitting down by my window now,
All around I felt it,
All I could see was the rain.
Something grabbed a hold of me, honey
Felt to me honey like, Lord, a ball and chain.
Yeah! Hey! You know what I mean,
But it’s way too heavy for you,
You can’t hold it tomorrow!

Say, whoa, whoa, honey, this can’t be!
Just because I got to want your love
Please please please please, whoa please, please.
Whoa whoa, honey this can’t be
Just because I got to need you daddy.
Please don’t you let me down, no! please, yeah!
Here you gone today, but I wanted to love you,
I wanted to hold you, yeah, till the day I die
Till the day, till the day,
Yeah! Hey! Hey! All right!

Say, whoa, whoa, honey this can’t be!
Not anything I ever wanted from you daddy
Tell me now, now, now, now, oh, tell me now, yeah
I say, whoa, whoa, honey this can’t be!
No, no, no, no, no, no, no… yeah yeah, hey!
And I want someone that could tell me, tell me why
Just because I got to want your love
Honey, just because I got to need, need, need your love
I said I don’t understand, honey, but I wanna chance to try
Try, try, try, try try try try
Honey when everybody in the world wants the same damn thing
When everybody in the world will need the same lonely thing
When I wanna work for your love, daddy.
When I wanna try for your love, daddy

I don’t understand how come you’re gone, man. I don’t understand why half the world is still crying, man, when the other half of the world is still crying too, man, I can’t get it together. I mean, if you got a cat for one day, man — I mean, if you, say, say, if you want a cat for 365 days, right — You ain’t got him for 365 days, you got him for one day, man. Well I tell you that one day, man, better be your life, man. Because, you know, you can say, oh man, you can cry about the other 364, man, but you’re gonna lose that one day, man, and that’s all you’ve got. You gotta call that love, man. That’s what it is, man. If you got it today you don’t want it tomorrow, man, ‘cause you don’t need it, ‘cause as a matter of fact, as we discovered in the train, tomorrow never happens, man. It’s all the same fucking day, man!

So you gotta, when you wanna hold a sigh,
You gotta hold him like it’s the last minute in your life, baby.
You gotta hold, whoa, whoa, hold whoa, hold him
‘Cause someday some weight’s gonna come on your shoulders, babe,
It’s gonna feel too heavy, it’s gonna weigh on you,
It’s gonna feel just like a ball, ball, ball, oh daddy,
And a chain

Janis estava eletrizante no festival, como é possível ver nas imagens, especialmente enquanto cantava “Ball and Chain”, da Big Mama Thornton, que você ouve aí ao fundo. Poucos meses depois Janis e banda tinham um contrato com a Columbia Records.

Nas imagens é possível ver Mama Cass, a vocalista do Mamas and The Papas, que já era um supergrupo, fascinada diante da performance espetacular de Janis… a ponto de exclamar UAU!

Cara, eu fico arrepiado cada vez que assisto esse vídeo.

Em 1968, Janis e a Banda se apresentam num programa de televisão chamado Hollywood Palace, onde fizeram talvez a interpretação definitiva do clássico Summertime, que George Gershwin compôs em 1935 para a ópera Porgy and Bess. Ouça e lembre-se, é uma apresentação ao vivo, sem nenhum truque.

Summertime
George Gershwin

Summertime, an’ the livin’ is easy
Fish are jumpin’ an’ the cotton is high
Oh, Yo daddy’s rich an’ yo’ ma is good lookin’
So hush, little baby, don’t you cry

One of these mornin’s, you goin’ to rise up singin’
Then you’ll spread yo’ wings an’ you’ll take the sky
But till that mornin’, there’s a nothin’ can harm you
With daddy & mammy standin’ by

“Bom dia, boa tarde, boa noite. Alô, Luciano Pires. Posso entrar? Ô meu amigo, acabei de ouvir aqui o podcast Cuzão. Cara! Eu sou adogado, cara. O sangue corre na veia. Eu preciso vir aqui fazer uma defesa. Não que o colega esteja completamente errado, acho que ele está parcialmente certo. Mas eu não concordo com a forma que ele colocou as palavras. E ainda assim respeitarei até a morte o direito que ele tem de colocar as palavras nos exatos termos que ele fez.

Mas cara. Primeiro eu quero dizer que sou assinante, sou fã, acompanho, estudo, uso as informações que aqui aprendo. E que o Café Brasil é um grande porto, farol na minha vida, na própria carreira. Eu sou mentor de advogados, eu tenho um escritório jurídico há um bom tempo, eu lido com pessoas. E lidar com pessoas é um desafio enorme. Você faz isso também.

Então, vai vir um cara que te chama de Cuzão e adora seu conteúdo. Mas não está assinando. E não é por falta de dinheiro. Por que que não está assinando então? E que bom que venha a crítica. Mas se o cara gosta do conteúdo e se o cara sabe que até pra fazer o … é pago, por que é que não assina cara?

Eu vou ser tão objetivo quanto posso ser na missão que me comprometi a fazer aqui por meio dessa defesa: Luciano, cara! Tem que assinar sim. Tem que assinar por conta do projeto, por conta da reciprocidade. Porque receber tudo de mão beijada, um conteúdo de altíssima qualidade, refinado, que dá um puta trabalho pra fazer, é muito bom. Mas e aí? Você não entra com nada não? Mas e aí? Você não faz sua parte não?

Aí, Luciano. Cuzão é a &¨%$@#$&. Valeu? Um abraço. É o Alex, aquida Bahia. Tchau tchau”.

Rararararara… grande Alex Andrade, diretamente da Bahia! É isso mesmo, viu meu caro? Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defendo até a morte seu direito de dizê-lo. E essa é a pergunta fundamental… por que não está assinando, hein? Olha, eu fiquei tão agradecido com o retorno dos ouvintes que fiz este episódio especial, como um presente… e de onde ele veio, tem muito mais! E ó, Bahia? Janis Joplin teve aí, cara! Grande abraço, meu caro!

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é?

No site perfetto.com.br – lembre-se, Perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. Tem o Picolé Brigadeiro! Em cada palito, você encontra um delicioso sorvete de brigadeiro com cobertura especial de chocolate ao leite, finalizados com chuva de chocolate granulado. Experimente! Só a Perfetto tem!

Você tá se aguentando aí? Lalá, diz aí: como é que é, hein?

Lalá – Ah! Com sorvete #TudoéPerfetto, né?

Em 1968 Joplin e a Big Brother conseguiram colocar um sucesso entre os top 40 da Billboard Hot 100. Era “Piece of My Heart”, a canção que explodiu minha cabeça naquele show em 2002…

A gravação original foi de Erma Franklin, irmã de Aretha Franklin, de 1967, ouça como era o original:

Maravilhosa, não é? Vamos ouvir o que Janis e a Big Brother fizeram? Este é o quarto take durante as gravações originais, olha só.

O single alcançou a 12ª posição, ajudando a impulsionar o álbum Cheap Thrills – seu segundo e último LP com o Big Brother – para o primeiro lugar na Billboard 200.

To love somebody
Barry Gibb

There’s a light
A certain kind of light
That never shone on me
I want my life to be lived with you
Lived with you
There’s a way everybody say
To do each and every little thing
But what does it bring
If I ain’t got you, ain’t got?
You don’t know what it’s like, baby
You don’t know what it’s like
To love somebody
To love somebody
The way I love you
In my brain
I see your face again
I know my frame of mind
You ain’t got to be so blind
And I’m blind, so, so, so blind
I’m a man
Can’t you see what I am?
I live and I breathe for you
But what good does it do
If I ain’t got you, ain’t got?
You don’t know what it’s like, baby
You don’t know what it’s like
To love somebody
To love somebody
The way I love you
You don’t know what it’s like, baby
You don’t know what it’s like
To love somebody
To love somebody
The way I love you
You don’t know what it’s like, baby
You don’t know what it’s like
To love somebody

Você está ouvindo “To Love Somebody”, uma música escrita e gravada originalmente pelos Bee Gees. Bee Gees? O que é que Bee Gees fazem num programa sobre Janis Joplin, hein?

Por insistência dos executivos das gravadoras, Janis deixou a Big Brother no final de 1968. Influenciada por gigantes do soul como Otis Redding, ela queria seguir uma direção mais R&B, decidindo adicionar uma seção de sopros à sua nova banda recém-formada, a The Kozmic Blues Band. Em agosto de 1969 ela subiu com sua nova banda no palco de Woodstock onde mostrou como injetou alma na canção dos Bee Gees. Sim cara, alma… Soul Music na veia… Em Woodstock!

Em 6 de fevereiro de 1970, exatos 18 dias após completar 27 anos, e oito meses antes de morrer por overdose de heroína, Janis desembarcou no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Era sexta-feira de Carnaval. Veio a passeio e sua passagem por aqui foi meteórica e intensa, com apresentações improvisadas em botecos e até em um puteiro baiano, cara. Aliás, a história é ótima. Dizem que o local estava fechado para uma turma de marinheiros norte-americanos que tinha contratado uma banda local de rock para tocar naquela noite. Depois de alguns copos de cachaça, em um intervalo da banda, Janis pegou o microfone e cantou “Summertime” a capela, botando abaixo o puteiro. Quando a banda retornou, ela emendou mais duas canções, para delírio geral. Imagine a sorte de quem estava lá…

A passagem de Janis pelo Brasil também teve brigas, confusões, bebedeiras e sexo. Janis fez muitas amizades, diz a lenda que ela teve atéum caso com o roqueiro brasileiro Serguei… eu não sei se foi verdade…

Mas o que eu sei é que foi no Rio de Janeiro que ela conheceu seu grande amor. O nome dele é David Niehaus, um professor nortea-mericano que largara tudo para ser mochileiro pelo mundo. Ele tinha viajado para passar o carnaval no Brasil e não tinha ideia de quem era Janis quando se conheceram em 1970 na praia de Ipanema.

David lembra seu relacionamento com Janis como libertador, selvagem, mas delicado, no qual ele testemunhou os momentos mais vulneráveis e ternos dela. David voltou com Janis para os Estados Unidos, onde continuaram juntos por mais algum tempo. Mesmo que o casal tenha se separado quando Janis intensificou o uso da heroína e do álcool, David ainda se lembra dela no seu melhor – a garota despreocupada que o inspirou a ser quem ele queria ser.

Depois de um período de desintoxicação, Janis escreveu para David, dizendo que estava bem, que gostaria de reencontrá-lo. Mas não deu tempo.

No roteiro deste programa eu coloco alguns links para essas histórias.

https://oglobo.globo.com/cultura/musica/janis-joplin-serguei-devem-ter-ficado-mesmo-diz-biografa-da-cantora-que-morreu-ha-50-anos-24673301

https://rollingstone.uol.com.br/edicao/edicao-140/janis-joplin-apenas-uma-beatnik-volta-estrada/

Janis Joplin’s former boyfriend: “She set me free”

 

Kosmic blues
Janis Joplin

Time keeps moving on,
Friends they turn away,
Well, I keep moving on
But I never found out why
I keep pushing so hard a dream,
I keep trying to make it right
Through another lonely day
Whoa don’t discover it lasts
Twenty-five years, uh honey just one night, oh yeah
Well I’m twenty-five years older now
So I know it can’t be right
And I’m no better baby and I can’t help you no more
Than I did when just a girl
But it don’t make no difference babe, no, no,
‘Cause I know that I could always try
It don’t make no difference baby, yeah
I’m gonna hold it now,
I’m gonna need it yeah,
I’m gonna use it till the day I die
Don’t, expect any answers, dear,
Well, I know that they don’t come with age, no, no,
I ain’t never gonna love you any better baby
I’m never gonna love you right
So you better take it now, right now, ohh
It don’t make no difference baby,
I know that I could always try
There’s a fire inside of every one of us
You’d better need it now,
I get to hold it yeah,
I’m gonna use it till the day I die
Don’t make no difference, babe, no, no, no,
And it never ever will, eh,
I wanna talk about a little bit of loving, yeah,
I get to hold it, baby,
I’m gonna need it now,
I’m gonna use it, say, aaaah
Don’t make no difference, babe, yeah,
Ah honey, I’d hate to be the one
I said you’re gonna live your life
And you’re better love your life
Or babe, someday you’re gonna have to cry.
Yes indeed, yes indeed, yes indeed,
Ah baby, yes indeed.
I said you, you’re always gonna hurt me,
I said you’re always gonna let me down,
I said everywhere, every day, every day
And every way, every way
Ah honey won’t you hold on to what’s gonna move
I said it’s gonna disappear when you turn your back
I said you know it ain’t gonna be there
When you wanna reach out and grab on
Whoa babe,
Whoa babe,
Whoa babe,
Oh but keep truckin’ on
Whoa yeah,
Whoa yeah,
Whoa yeah,
Whoa,

Você está ouvindo Kozmic Blues, onde num momento a letra diz assim….

O tempo continua avançando,
Amigos, eles se afastam.
Eu continuo seguindo em frente
Mas eu nunca descobri o porquê
Eu continuo pressionando tanto o meu sonho,
Eu continuo tentando fazer a coisa certa
Em mais um dia solitário….

https://www.youtube.com/watch?v=MAvAzOo_37s

Em 1º de outubro de 1970, durante o que seria sua última sessão de estúdio, Janis gravou “Mercedes Benz”, um comentário sobre o consumismo na América. Seria uma de suas músicas características.

Mercedes Benz
Janis Joplin

I’d like to do a song
Of a great social and poetical import
It goes like this

Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches
I must make amends
Worked hard all my lifetime
No help from my friends
So Lord, won’t you buy me a Mercedes-Benz?

Oh Lord, won’t you buy me a color TV?
Dialing for Dollars’ is trying to find me
I wait for delivery each day until three
So Lord, won’t you buy me a color TV?

Oh Lord, won’t you buy me a night on the town?
I’m counting on you, Lord
Please don’t let me down
Prove that you love me and buy the next round
Oh Lord, won’t you buy me a night on the town?

Everybody!

Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches
I must make amends
Worked hard all my lifetime
No help from my friends
So Lord, won’t you buy me a Mercedes-Benz?

That’s it!

Em 18 de setembro de 1970, Jimmy Hendrix morreu. Janis disse aos amigos “Pô, ele me superou nessa”. Duas semanas depois, em 3 de outubro, após uma sessão de gravação nos estúdios Sunset  Sound em Los Angeles, Joplin  retornou  ao   motel   Landmark,   onde  estava  hospedada. No  dia   seguinte,  foi encontrada  morta  em  seu  quarto por overdose  de heroína.

Cry Baby
Mark Billingham

Oh!
Baby, cry baby, cry baby

Honey, welcome back home
I know she told you
Honey, I know she told you that she loved you
Much more than I did

But all I know is that she left you
And you swear that you just don’t know why
But you know, honey I’ll always
I’ll always be around, if you ever want me

Come on and cry, cry baby, cry baby, cry baby

Oh, honey, welcome back home
Don’t you know, honey
Ain’t nobody ever gonna love you
The way I try to do?

Who’ll take all your pain
Honey, your heartache, too?
And if you need me, you know
That I’ll always be around, if you ever want me

Come on and cry, cry baby, cry baby, cry baby
Oh, daddy, like you always saying to do

And when you walk around the world, baby
You said you’d try to look for the end of the road
You might find out later that the road’ll end in Detroit
Honey, the road’ll even end in Kathmandu

You can go all around the world
Trying to find something to do with your life, baby
When you only gotta do one thing well
You only gotta do one thing well to make it in this world, baby

You got a woman waiting for you there
All you ever gotta do is be a good man one time to one woman
And that’ll be the end of the road, baby
I know you got more tears to share, baby

So come on, come on, come on, come on, come on
And cry, cry baby, cry baby, cry

And if you ever feel a little lonely, dear
I want you to come on, come on to your mama now
And if you ever want a little love of a woman

Come on and baby, baby, baby, baby, baby, baby now
Cry baby, yeah

Essa é Cry Baby, outro petardo… que num trecho da letra ela diz assim:

E quando você anda pelo mundo, Baby
Você disse que tentaria ver o fim da estrada
Você deve descobrir mais tarde que a estrada termina em Detroit
Querido, a estrada termina em Katmandu…

Guarda esse Katmandu na memória…

Seu álbum póstumo, chamado Pearl, pérola, apelido de Janis, chegou ao mercado três meses depois de sua morte e gerou o sucesso “Me and Bobby McGee”, co-escrito por Kris Kristofferson e originalmente gravado por Roger Miller. A canção original era assim:

Joplin levou a canção para outra dimensão… Pare tudo que você está ouvindo aí e ouça esta rara versão:

Me and Bobby McGee
Kris Kristofferson
Fred Foster

Busted flat in Baton Rouge, waitin’ for a train
When I’s feelin’ near as faded as my jeans
Bobby thumbed a diesel down just before it rained
And rode us all the way into New Orleans
I pulled my harpoon out of my dirty red bandana
I’s playin’ soft while Bobby sang the blues
Windshield wipers slappin’ time
I’s holdin’ Bobby’s hand in mine
We sang every song that driver knew
Freedom’s just another word for nothin’ left to lose
Nothin’, it ain’t nothin’ honey, if it ain’t free
And feelin’ good was easy, Lord, when he sang the blues
You know feelin’ good was good enough for me
Good enough for me and my Bobby McGee
From the Kentucky coal mines to the California sun
Yeah, Bobby shared the secrets of my soul
Through all kinds of weather, through everything we done
Yeah, Bobby baby kept me from the cold
One day up near Salinas, Lord, I let him slip away
He’s lookin’ for that home and I hope he finds it
Well, I’d trade all my tomorrows for one single yesterday
To be holdin’ Bobby’s body next to mine
Freedom’s just another word for nothin’ left to lose
Nothin’, and that’s all that Bobby left me
Well, feelin’ good was easy, Lord, when he sang the blues
And feelin’ good was good enough for me
Good enough for me and my Bobby McGee, yeah
La da da, la da daa, la da daa da daa da daa
La da da da daa dadada Bobby McGee-ah
La li daa da daa daa, la da daa da daa
La la laa la daada Bobby McGee-ah yeah
La di da, ladida la dida la di daa, ladida la dida la di daa
Hey now Bobby now now Bobby McGee yeah
Lo lo lo lolo lo lo laa, lololo lo lolo lo lolo lo lolo lo la laa
Hey now Bobby now now Bobby McGee yeah
Lord, I called him my lover, I called him my man
I said I called him my lover, did the best I can
C’mon, hey now Bobby now, hey now Bobby McGee, yeah
Lo lo Lord, a Lord, a Lord, a Lord, a Lord, a Lord, a Lord, oh
Hey, hey, hey, Bobby McGee, Lord

A versão cover de Joplin, que não é esta que você está ouvindo, alcançou o primeiro lugar na Billboard Hot 100 em 20 de março de 1971, dando a Janis, postumamente, seu primeiro e único single no topo das paradas.

Joplin morreu aos 27, uma idade tristemente comum para músicos brilhantes voltarem a seus planetas de origem. Menos de um mês antes da overdose de Joplin, Jimi Hendrix foi asfixiado sob a influência de barbitúricos. Em julho de 1971, Jim Morrison sucumbiu a uma insuficiência cardíaca, possivelmente como resultado do uso de drogas. Outros que entraram para o  “ Clube dos 27 ” incluem Brian Jones dos Stones, Kurt Cobain e Amy Winehouse .  Todos estão, junto com Noel Rosa, no Café Brasil 424 – Aos Vinte e Sete.

Várias biografias de Janis foram parar nas telas, com interpretações de Amy Adams, Courtney Love, Pink, Brittany Murphy e Melissa Etheridge.  Mas nenhuma com a energia e o tesão do filme de 1979, A Rosa, The Rose, que recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo o de Melhor Atriz, para Bette Midler.

Bette, que é uma cantora fenomenal, interpretou uma estrela do rock autodestrutiva nascida no Texas no final dos anos 60. A história tem semelhanças superficiais com a vida de Janis, mas não é, estritamente falando, um filme biográfico. A família de Janis decidiu não vender os direitos, e o título do filme Pearl teve que ser alterado para A Rosa.

Para você ter uma ideia, aqui vai Bette Midler interpretando When a Man Loves a Woman, clássico de Calvin Lewis e Andrew Wright gravado pela primeira vez por Percy Sledge em 1966.

Janis nunca gravou essa canção, e Bette Midler arrasa…

When a man loves a loman
Calvin Lewis
Andrew Wright

When a man loves a woman
Can’t keep his mind on nothin’else
He’d trade the world
For a good time he’s found

If she is bad, he can’t see it
She can do no wrong
Turn his back on his best friend
If he puts her down

When a man loves a woman
Spend his very last dime
Trying to hold on to what he needs
He’d given up all his comfort
And sleep out in the rain
If she said that’s the way
It ought to be

When a man loves a woman
I give you everything I’ve got (yeah)
Trying to hold on to your precious love
Baby, baby please don’t treat me bad

When a man loves a woman
Deep down in his soul
She can bring him such misery
If she is playing him for a fool
He’s the last one to know
Loving eyes can never see

Yes when a man loves a woman
I know exactly how he feels
‘Cause, baby, baby, baby
I am a man
When a man loves a woman

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No final de sua curta vida, Janis se descreveria como uma simples garota acima do peso. “Eu queria algo mais do que pistas de boliche  e  drive-ins. Eu foderia qualquer coisa, tomaria qualquer coisa. E eu fiz isso. Eu pegaria, chuparia, lamberia, fumaria, atiraria, largaria, me apaixonaria por  ele.”

Poucos dias antes de morrer, Janis escreveu uma carta para sua família refletindo sobre o sucesso e a fama. E ela disse:

“Depois de chegar a  um  certo  nível  de  talento,  e poucos têm  esse  talento,  o  fator  decisivo  é a ambição,  ou como eu  vejo , o quanto  você  realmente precisa  ser  amado,  precisa  se  orgulhar  de si mesmo… Acho que é isso  que  é ambição;  não é tudo uma busca depravada por posição e dinheiro, talvez seja por  amor. Muito amor.’

Janis parecia ameaçadoramente transgressora na sociedade dos anos 1960. Ousadia, fragilidade, fúria, sensibilidade, explosão, introspecção, intensidade, energia… estava tudo ali, dentro daquela garotinha texana que espantou o mundo. Nunca foi preciso entender o que ela estava cantando para sentir o que ela cantava. As gerações mais novas tiveram uma experiência parecida quando, quarenta anos depois, uma garota inglesa chamada Amy, com uma combinação de atributos muito parecida, faria o mundo se lembrar de Janis.

Little girl blue
Randy L. Schmidt
Lorenz Hart

Sit there, hmm, count your fingers
What else, what else is there to do?
Oh, and I know how you feel
I know you feel that you’re through
Oh ah-wah-ah sit there, hmm, count
Ah, count your little fingers
My unhappy, oh, little girl, little girl blue, yeah

Oh sit there, oh count those raindrops
Oh, feel’em falling down, honey, all around you
Honey, don’t you know it’s time?
I feel it’s time
Somebody told you, ‘cause you got to know
That all you ever gonna have to count on
Or gonna wanna lean on
It’s gonna feel just like those raindrops do
When they’re falling down, honey, all around you
Oh, I know you’re unhappy

Oh sit there, ah, go on, go on
And count your fingers
I don’t know what else, what else
Honey, have you got to do
And I know how you feel
And I know you ain’t got no reason to go on
And I know you feel that you must be through
Oh honey, go on and sit right back down
I want you to count, oh, count your fingers
Ah, my unhappy, my unlucky
And my little, oh, girl blue
I know you’re unhappy
Ooh ah, honey, I know
Baby, I know, just how you feel

Você está ouvindo Janis em Little Girl Blue, de Rodgers e Hart, composta para o musical Jumbo, da Broadway em 1935.  É a mesma melodia que você ouviu antes, com Chet Baker…

A letra diz:

E eu sei como você se sente,
E eu sei que você não tem razão para continuar
Ah minha infeliz, minha desafortunada
Minha pequena garotinha triste

Pois é… Tenho certeza que foi isso que Janis disse a Amy quando a recebeu lá do outro lado…

Na manhã seguinte à morte de Joplin um telegrama foi encontrado na   recepção hotel. Era de David Niehaus, o antigo amor que ela encontrara no Rio de Janeiro. Ele dizia que queria encontrá-la no fim da estrada, em Katmandu, e assinou: “Te amo Mama, mais do que você pensa…”

Cara! E se o telegrama tivesse chegado antes da overdose, hein? E ela tivesse respondido a ele: tô indo?

Talvez tivéssemos Janis até hoje.

Mas o destino não quis.

Love, Janis.

This little light of mine
Gospel song of unknown origin

This little light of mine,
I’m going to let it shine.
This little light of mine,
I’m going to let it shine.
This little light of mine,
I’m going to let it shine,
Every day, every day,
Every day, every day,
Gonna let my little light shine.
On Monday, he gave me the gift of love;
On Tuesday, peace came from above.
On Wednesday told me to have more faith;
On Thursday, gave me a little more grace.
On Friday, told me to watch and pray
On Saturday, told me just what to say,
On Sunday, gave power divine
Just to let my little light shine. (oh)
Now some say you got to run and hide.
But we say there’s no place to hide.
And some say let others decide,
But we say let the people decide.
Some say the time’s not right,
But we say the time’s just right.
If there’s a dark corner in our land,
You got to let your little light shine. (oh)

É assim então, ao som de Odetta Holmes, uma das inspirações de Janis, interpretando um clássico da música gospel This little light of mine que vamos saindo. 

Olha! Eu não sei você, mas eu estou emocionado. A letra diz assim:

Essa minha luzinha
Eu vou deixar brilhar
Todo dia, todo dia, todo dia,
Todo dia, todos os sentidos
Vou deixar a minha luzinha brilhar

Odetta começa a canção com uma citação da autora Marianne Williamson em O retorno ao amor – reflexões sobre os princípios. Ela diz assim, ó:

Nosso medo mais profundo não é sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos além da medida.
É a nossa luz, não a nossa escuridão o que mais nos assusta.
Nós nos perguntamos: quem sou eu pra ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?
Na verdade, quem é você pra não ser. Você é filho de Deus.
O fato de você se fingir de pequeno, não serve ao mundo.
Não há nada de esclarecedor em encolher para que as outras pessoas não se sintam inseguras perto de você.
Todos nós devemos brilhar como fazem as crianças
Nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós.
Não está apenas em alguns de nós.
Está em todos.
E quando deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos permissão a outras pessoas para fazer o mesmo
À medida que somos libertados de nosso próprio medo, nossa presença automaticamente libera os outros.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, vocês aí ó, completando o ciclo.

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Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase atribuída ao escritor Charles Bukowsky, que resume perfeitamente o espírito da época em que Janis reinou:

“Encontre o que você ama e deixe que te mate”