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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Café Brasil 792 – Solte o belo!

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Luciano Pires -

Sabe quanto o faturamento do e-commerce cresceu no Brasil em 2020? 56,8%! Faturando mais de 40 bilhões de reais! E a gente sabe que essa realidade só tende a crescer, né? O e-commerce entrou na nossa vida e se tornou uma peça fundamental para que você possa atingir novos públicos. Se você empreende e quer vender online ou quer que seu negócio virtual se destaque mais na internet, a dica de hoje é pra você!

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Por que prender a vida em conceitos e normas?
O belo e o feio… O bom e o mau… Dor e prazer…
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do ser!

Esse é Mário Quintana em seu “Da perfeição da vida”, levantando uma lebre interessante sobre como entender o que é a beleza. Cara, está cada vez mais importante entender isso, sabe por que? Porque o mundo está muito, muito, muito feio.

Vamos nessa?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

O ouvinte André Gaby nos enviou seu comentário por texto, e acabou inspirando este programa aqui. Ouça só:

“Fale meu caro. Talvez por aqui eu consiga fazer algo que nunca fiz. Te agradecer por esse programa do Bohemian Rhapsody

Gostaria de contar a você o contexto em que ouvi. Eu estava na Espanha, viajando de Madrid até a Galícia de trem. Viagem longa, cansativa. Fui para encontrar um monastério que tinha uma biblioteca onde eu precisava pesquisar alguns livros muito raros.

Eu sou músico de formação,

Já conhecia Bohemian Rhapsody de trás pra frente desde a adolescência. Sabia tocar, os acordes, modulações, arranjos, tudo. Tinha um songbook do Queen com as partituras. Conhecia também o texto, o que dizia, o sentido…

Mas, eu estava ali, solitário, longe de casa, e você começou a contar aquela história. Eu sozinho no trem, de fone, ouvindo você contando a história da música, que eu já conhecia… eu já estava meio mexido. Mas aí você, e não sei onde conseguiu, colocou as faixas em separado da gravação. Imediatamente eu me senti dentro do estúdio, do lado do Freddie, gravando o piano, e cantando, do lado do Brian May, fazendo aquele solo… eu chorei, copiosamente.

Porque eu nunca imaginei que conseguiria ver a música de outro ângulo. E arte é isso. Você revisita a obra e sempre tem algo novo que te toca. Obrigado, vc conseguiu fazer isso.

Quase sempre nós que praticamos a arte nos embrutecemos por saber como funcionam seus meandros técnicos. Nós tratamos Mozart e Beethoven como “parças”. Isso faz nós perdermos a magia.

Precisamos de quem aprecia, nos ensinando novamente onde ficou a beleza de tudo isso. Só a linguagem de alguém que vive aquilo profundamente mesmo sem entender os acordes e levadas de bateria, as notas da melodia, ou os riffs de guitarra nos fazem voltar àquele plano diferente. Eu tenho uma tese: a música em essência é sagrada. Ela te conduz pra um lugar desconhecido, e esse lugar é a transcendência. Quando perdermos isso de vista, banalizamos esse fenômeno.

Obrigado , você me arrebatou.”


“Luciano, bom dia, boa tarde, boa noite. Aqui é o Uldson Mosca. Eu falo aqui de New Bronsken, no Canadá.

Cara! Eu acabei de ouvir o Café Brasil 791, Tempo perdido. Então, cara. Eu venho pensando nisso já há um bom tempo, sobre a cultura de imbecilização que foi empregada à população brasileira e muitos, assim… por ser mais fácil de ser assimilada ou por inocência mesmo, aceitou isso de bom grado, como se isso fosse a verdade, né? E assim, eu vejo a diferença cultural agora, vivendo aqui no Canadá. Aqui, a minha filha já com seis anos, em um ano, ela já sabe cantar o hino do Canadá. Então, assim, você nota a diferença cultural nesses pequenos detalhes.

Pergunte a uma criança de seis anos no Brasil se ela sabe cantar, pelo menos, a primeira parte do hino nacional brasileiro, que é um hino muito lindo. Eu amo meu país e assim, eu vim pra cá porque eu sei que até as minhas filhas, eu tenho duas filhas, uma de seis e uma de três. Até elas crescerem e chegarem em idade adulta, essa cultura não vai chegar a um ponto de que elas possam ter uma mente crítica, uma mente que saiba questionar tudo que é imposto pela mídia, por certa parte do governo, né?

E assim, é difícil você lidar com essa situação. Então, às vezes, a gente se sente de mãos atadas, fazendo com que a razão dessas crianças sejam expostas realmente, a uma cultura que eu não gostaria de ter. Entendeu? É complicado…

Então assim, eu queria deixar aqui meu… um certo desabafo, né? Porque é muito diferente. Agora você tendo uma outra visão de uma outra cultura, isso foi…o que foi implantado no Brasil, a cultura de imbecilização ou a cultura de pocotização  que foi implantada no Brasil já há um, bom tempo, realmente, ela foi muito, muito bem implantada. Tá ok?

É isso aí. Saudações a todos aí e vida longa do Café Brasil”.

Grande Udson, direto do Canadá. Pois é, meu caro, você comenta sobre uma mudança de perspectiva quando se muda de cultura. É exatamente a exposição a outras demandas, outros olhares, outros desafios, que constrói o repertório da gente e nos permite a liberdade de escapar dessa cultura da imbecilização. Seu desabafo tem tudo a ver com este programa. Obrigado pelo comentário, viu?

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é?

No site perfetto.com.br – e o Perfetto tem dois “tês”, lembre-se Perfetto com dois “tês”, a gente enlouquece.

Por exemplo: nada como o aclamado e irresistível Variatta Brownie das Galáxias para refrescar o seu paladar. Tem pedacinhos do exclusivo Brownie da Perfetto e saborosa calda de caramelo na receita. Experimente!

Meu, e os caras vendem numa embalagem que é um balde, por um preço inacreditável quando comparado com as outras opções de potinhos caríssimos que tem por aí!

Você tá se aguentando aí, cara? É difícil, né?  Vai lá no blog! Dá uma olhada, cara: é enlouquecedor!

Luciano – Lalá, como é que é mesmo?

Lalá – Ah! Com sorvete #TudoéPerfetto

Obrigado, você me arrebatou… a fala do André ficou ressoando na minha mente. Veja só: o cara é músico, um estudioso. Conhece o assunto muito mais que eu, já havia esmiuçado arranjos, letra, tudo que podia. E de repente, por conta da forma como eu fiz o podcast, ele é arrebatado a ponto de chorar copiosamente. Com um conteúdo que ele já conhecia.

Refletindo a respeito, eu só consegui chegar a uma conclusão, cara: esse é o poder do belo. Da beleza. Quando entramos em contato com ela, é impossível resistir. E isso dá muito pano pra manga.

Sempre que tentamos definir “beleza”, nos deparamos com frases como “conjunto de características que são agradáveis à vista e que são capazes de cativar o observador”, “beleza é poder”, “beleza vem da felicidade” ou até      “beleza é um jogo de atuação”.

Mas é difícil encontrar uma definição que abranja tudo aquilo que a beleza provoca em nós.

O dramaturgo, romancista, poeta e contista italiano Luigi Pirandelllo, uma vez disse assim:

“Um objeto pode agradar-nos por si próprio, pela diversidade das boas sensações que nos provoca numa percepção harmoniosa; mais frequentemente, porém, o prazer que um objeto nos proporciona não se encontra no próprio objeto. A imaginação o embelece, cingindo-o de recordações queridas. No objeto amamos, enfim, aquilo que de nosso nele colocamos”.

Sacou? Amamos aquilo que de nosso colocamos.

Já contei num dos episódios do Café Brasil aquela historinha da mulher visitando o museu junto com o marido. Ela para diante de uma pintura de um dos grandes mestres e permanece fitando-a, emocionada. Os olhos cheios de lágrimas.

O marido, incomodado como só um Orc consegue ser, diz pra ela assim:

– Vamos lá, vai! Eu não sei que tanto você fica parada aí olhado esse quadro, cara! O que é que tem de mais?

E ela responde:

– Você só consegue ver o que existe dentro de você.

É isso. Tanto a mulher e Pirandello abordaram da mesma forma: o belo é uma expressão do que existe dentro de você.

Por isso a minha abordagem da Bohemian Rhapsody quebrou as pernas do André. Ele já trazia dentro dele uma conexão com aquela canção, o que eu fiz foi abrir uma nova porta, e ele deixou sair sua emoção.

Para quem não tinha nenhuma referência da canção, ou até mesmo nunca viu nada demais nela, fica mais difícil se emocionar. Ou até mesmo considerar que ela seja bela, na perspectiva que apresentei.

Então: isso é o belo.

Rarararar… que delícia, cara… Bohemian Rhapsody no estilo de Jazz, com Rick Hirsh. Cara, é bonita em qualquer estilo…

“A beleza é uma força emocional que o objeto devolve ao sujeito”, olha que frase maravilhosa, cara!

A beleza não se pode tocar, você não pode sentir, não pode cheirar, nao dá pra saborear, é impossível medir. No caso de uma pintura ou escultura, você ainda pode ver, podetocar. Mas e no caso de uma música, hein? Que nem ver você pode?

O conceito de beleza é, portanto, muito abstrato o que torna a ideia de beleza relativa.

Outro dia encontrei umas fotos de uma princesa persa chamada, cara, o nome é complivado aqui,  Zahra Khanom Tadj es-Saltaneh. Princesa Zara, vai. Eu nunca vou conseguir pronunciar o nome dela direito. Considerada muito à frente de seu tempo, ela foi uma feminista que lutou pelos direitos das mulheres persas. Teve quatro filhos e se divorciou (algo muito fora dos padrões na época), além de ser a musa inspiradora do poeta Aref Qazvini. Acho que é isso.

A princesa Zahra foi pintora, escritora e uma das primeiras mulheres do país a usar roupas ocidentais. E os comentários diziam que ela era um padrão de beleza, a ponto de ter mais de cem pretendentes.

E o bicho era feio, viu? Mas bota feio nisso…

Mas para os padrões da época, sobrancelhas grossas e juntas, sobrepeso e um bigodinho eram o que tornava as mulheres atraentes. Aquilo pra eles era a beleza. Quem pode dizer que eles estavam errados para os padrões da época, hein?

Deixei um link no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br, se você quiser sentir o drama, tá?

https://www.e-farsas.com/princesa-iraniana-qajair-teve-145-pretendentes-e-era-simbolo-de-beleza.html

Tenho um livro sensacional de Umberto Eco chamado A História da Feiúra”, onde ele diz assim:

“Antes de mais nada, a ideia de que os gostos das pessoas comuns correspondiam de alguma maneira aos gostos dos artistas de seu tempo, não passa de uma suposição. Se um viajante vindo do espaço entrasse em uma galeria de arte contemporânea, visse os rostos femininos pintados por Picasso e ouvisse que os visitantes os consideram “belos”, poderia ter a impressão equivocada de que, na realidade cotidiana, os homens de nosso tempo consideram belas e desejáveis as criaturas femininas cujos rostos são semelhantes àqueles apresentados pelo pintor. “

Pausa. Era aquela mistura de cubismo, era uma loucura. É muito feio. Mas, do ponto de vista da arte, aquilo é belo, aquilo é bonito. Eu até botei umas imagens desses rostos no roteiro deste programa aqui…

 

 

 

 

 

 

Voltando ao texto do Umberto Eco:

“Contudo, o viajante espacial poderia corrigir sua opinião se visitasse um desfile de moda ou um concurso de miss Universo, nos quais veria celebrados outros modelos de beleza. Para nós, no entanto, isso não é possível: visitar épocas já distantes. Não podemos fazem verificações desse tipo nem em relação ao belo, nem em relação ao feio, pois dispomos apenas dos testemunhos artísticos daqueles períodos(…)

Quando comparamos afirmações teóricas com um quadro ou uma construção arquitetônica da mesma época, podemos perceber que aquilo que é proporcional em um determinado século já não o é no outro.”

Não precisa ir muito longe. bastta pegar um filme dos anos 80 aí e dar uma olhadinha, você vai ver como a beleza e a estética gritam, né?

Voltaire escreveu assim um dia:

“Perguntem a um sapo o que é a beleza, o verdadeiramente belo. E ele responderá que consiste na sua fêmea, com seus dois belos olhões redondos que se destacam na cabeça pequena, a garganta larga e chata, o ventre amarelo e o dorso escuro.(…) Interroguem o diabo: dirá que o belo é um par de chifres, quatro patas em garras e um rabo”…

Tá certo? O belo vem de dentro de você, do lugar e do tempo no qual você vive. O belo vem de seus sentidos.

Você quer ouvir o que Karl Marx escreveu a respeito?

“O dinheiro, na medida em que possui a propriedade de comprar tudo, de apropriar-se de todos objetos, é o objeto no sentido eminente… logo, minha força será tão grande quanto maior for a força do meu dinheiro… O que sou e posso não é, portanto, efetivamente determinado pela minha individualidade. Sou feio, mas posso comprar a mas bela entre as mulheres. Logo, não sou feio, na medida em que o efeito da feiura, seu poder desencorajador, é anulado pelo dinheiro. Sou como indivíduo, manco, mas o dinheiro me dá vinte e quatro pernas: donde, não sou manco…. Meu dinheiro não transforma todas as minhas deficiências em seu contrário?”

Muito bem. Então, se a beleza é tão relativa, se os padrões mudam com o tempo, se a gente pode tapar a feiura com o dinheiro, será que a beleza existe mesmo? Olha, uma força capaz de levar reis a entrar em guerras, artistas produzir obras imortais, pessoas comuns a cometer loucuras, há de existir. É só dar uma olhada nos stories do Instagram para ver a quantidade de gente fazendo caras e bocas em busca de parecer belo ou bela, conforme os padrões de sua época. É só dar uma olhada no preço dos cremes que a sua esposa compra para deixar a pele mais bonita. É só dar uma olhada no tamanho da indústria da moda. Sim, a busca pela beleza é uma das forças motoras da humanidade, logo, a beleza existe.

Seria ilógico dizer que ela não existe, vendo tantas de suas manifestações. Então, voltemos à pergunta fundamental: o que que é beleza, hein?

Será atratividade? Hummmm… deve ser mais. Além de atrair, a beleza faz a gente admirar o objeto, como aquela mulher diante do quadro, olhar por muito tempo… faz a gente amar, e às vezes até depender do objeto admirado. Não se acontece com você, mas comigo acontece sempre: eu tenho de o que eu estou fazendo para ouvir uma determinada música que fica batendo na minha cabeça. Eu tenho que buscar e tocar, para sentir o prazer de ouvir pela milionésima vez aqueles acordes, que parece que massageiam o cérebro da gente. Acontece com você? Se sim, é isso. A busca pela beleza.

E a beleza vai além das características externas do objeto. Uma coisa é a aparência, a harmonia das formas, das cores, da embalagem, o design, aqueles estímulos que nos atraem imediatamente.  Outra coisa é o universo interno, como o sabor, o conteúdo, a funcionalidade… o caráter. E tem mais um ponto que tem a ver com a vontade, o desejo de ser belo. Quantas pessoas você conhece que não são bonitas, mas que se produzem de tal forma que acabam ficando bonitas e atraentes? É o desejo de ser belas que as faz belas. E uma pouco de grana, evidentemente…

O desejo de ser belo faz as pessoas se submeterem a experiências malucas com a aparência, esconder sua verdadeira forma atrás de máscaras, praticar até intervenções cirúrgicas.

Bom, concordando que a beleza é necessária, qual papel ela desempenha em nossas vidas? Tá certo que ela é uma qualidade positiva.

Mas qual é o papel da beleza em nossas vidas? Há quem afirme que a beleza é uma qualidade positiva, tão impactante como o amor e a luz.

Bela aparência e belo mundo interior é o ideal ao qual a maioria das pessoas aspira. A beleza provoca o amor, e a capacidade de perceber a beleza ao redor causa amor por todo o mundo, o que inevitavelmente leva à luz.

Assim, quando perguntarem a você qual é a utilidade da beleza, diga o seguinte: a beleza é a primeira etapa no caminho para a luz, a iluminação.

É essa a importância da beleza.

Imagine-se num restaurante. Dois chefs trazem para você o mesmo prato sofisticado… um deles traz o prato decorado, harmônico, colorido. O outro traz uma massa disforme, cinza. Você sabe que o sabor de ambos é maravilhoso, qual dos dois você escolhe?

É  claro que entre o feio e o bonito, se você não teve experiência anterior com o prato, você escolherá um belo. Além disso, sua mente tem a confiança de que o conteúdo deve corresponder à forma – o belo prato tem mais probabilidade de ser delicioso do que o feio, não é? Não necessariamente, é claro, mas na maioria dos casos, sim. Aliás, cara, as empresas de tecnologia descobriram isso. Como é que é abrir uma embalagem de um iPhone, hein cara? Aqui é uma loucura, cara. A embalagem é tão fabulosa que você olha pra aquilo e fala: cara, uma coisa que tem uma embalagem assim, não pode ser ruim.

E nasceu a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Rararraar… sen-sa-cion-nal essa Bohemian Rhapsody em jazz band é o máximo!

Quando eu trabalhava como diretor na Dana, organizei uma série de eventos em que convidávamos nossos clientes com seus cônjuges para um jantar no MAM – no Museu de Arte Moderna no parque do Ibirapuera. E casávamos arte com comida e relacionamento.

Numa das vezes, aproveitamos uma exposição do grande mestre Volpi.  Nas paredes do museu, dezenas de quadros com bandeirinhas de festas juninas, pintadas de forma até infantil, numa repetição que se tornava monótona.

Mas antes de entrar na exposição, reunimos todos os convidados no auditório, onde dois monitores do Museu contaram a história de Volpi e todo seu desenvolvimento até chegar nas bandeirinhas. Todo mundo foi contextualizado, e só então seguimos pela exposição, com explicações adicionais diante de cada quadro. No final da exposição, nos aguardava uma grande mesa com instrumentos e papeis. Ali, todo mundo experimentou fazer a tinta que Volpi usava, misturando clara de ovo com pigmentos. Depois, pintaram seus próprios quadros, experimentando a dificuldade de conseguir as cores, a harmonia, a leveza das bandeirinhas do artista.

E aos poucos, aquela sequência de quadros monótonos e infantis, tornou-se irresistivelmente belos. O conhecimento sobre como o artista chegou àquelas formas, sua habilidade no uso dos materiais, a visão estética… tudo se tornou claro. Eliminada a ignorância, restou a arte, a beleza.

E os clientes, encantados e orgulhosos, levaram os quadros que eles mesmos pintaram, para casa. Devem ter mostrado para seus filhos que disseram:

– Pai, mãe, puta coisa feia!

Vamos então ao resumo da ópera?

Primeiro: é a ignorância que faz o feio.

Talvez neste mundo não exista nada de feio por fora, só existem pessoas que não conseguem perceber e apreciar a beleza, cultivá-la em si mesmas e nos outros. E sobre o belo mundo interior, se dá o mesmo. Ah! O Luciano está relativizando a beleza. Estou sim, cara. Ela é relativa. E quanto mais repertório você tem, mais chance você tem de apreciar o belo.

A beleza é relativa, você precisa ter uma fagulha dela dentro de você para ser ativada por uma forma, um ruído, um aroma. Um estímulo qualquer. Sem a fagulha, aquela pintura maravilhosa é apenas um conjunto de borrões. A música que apaixona é apenas um conjunto de sons. Os traços que hipnotizam, são apenas formas desconexas.

Por isso é tão importante que você amplie seu repertório, aprenda sobre as origens e contextos das coisas, entenda como cada obra foi feita, aprenda sobe outras culturas, respeite os esforços de quem produziu aquilo que você, à princípio, achou feio. Cara! Foi isso que eu fiz naquele programa do Bohemian Rhapsody. Na hora que você entende como foi feito, em que contexto aconteceu, o esforço envolvido, muda tudo, cara!

Mas, acima de tudo, lembre-se do conselho daquela mulher na exposição:

– É impossível enxergar o que não existe dentro de você.

Linda meu bem
Ary Toledo

Eu quero descobrir dereito qual é o defeito que o meu bem tem

Meu bem tem duas pernas tortas
Mas o que importa, é se ela vai e vem
Os óio são esbugaiado, prá oiá de lado ela óia em mim
Pescoço tá fora do prumo mas eu me arrumo com ela mesmo assim

Linda, meu bem, que será ocê não tem
Se eu já conferi dereito, não vejo defeito nim você, meu bem

Os braço são que nem dois gancho
Quase me desmancho se me aperta os rim
Os dente, farta dois na frente mas fico contente se ela ri prámim
A voz já muito mais grossa e ela ainda se esforça pra suavizar
Na linda não tem nada errado faz tudo acertado só pra agradar

Linda, meu bem, que será ocê não tem
Se eu já conferi dereito, não vejo defeito nim você, meu bem

Postiça ela só tem peruca
Pois perto da nuca o cabelo sumiu
Mas isto não deferença já que é de nascença e ninguém nunca viu
Idade ela tem avançada mas pega na enxada e trabaia por dez
Não mão não farta nenhum dedo
Ela só faz segredo é com os dedo dos pés

Linda, meu bem, que será ocê não tem
Se eu já conferi dereito, não vejo defeito nim você, meu bem

Rararraraar… É assim então, ao som do clássico Linda Meu Bem, de Ari Toledo, aqui com o humorista português Ricardão Riccardo, que vamos saindo no embalo da guitarra portuguesa.

E aí, hein? Belo é aquilo que é bonito, lindo, atraente, encantador, formoso, airoso, elegante, esbelto, garboso, galante, bem-apessoado…

Feio é o que é disforme, desproporcionado, desengraçado, esquisito, hediondo, horroroso, mal-apanhado, mal-apessoado…

Os dois moram dentro de você. Qual deles você vai deixar sair, hein?

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, você aí, completando este belo ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo. Cara! Tá pegando fogo. Uma palestra está ficando mehor que a outra.

Lembre-se também: acessando mundocafebrasil.com, você chega no ecossistema do Café Brasil. Tem de tudo lá. Tem acesso às redes sociais, tem as nossas lojas, tem um monte de coisa, tem o caminho pras assinaturas do CAfé Brasil Premium, que cada dia que passa fica melhor. Venha! mundocafebrasil.com.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do escritor Ralph Waldo Emerson:

Podemos viajar por todo o mundo em busca do que é belo, mas se já não o trouxermos conosco, nunca o encontraremos.