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Café Brasil 793 – LíderCast Antônio Chaker

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Luciano Pires -

Cara! Você sabe quanto o faturamento do e-commerce cresceu no Brasil em 2020, em plena pandemia, hein? 56,8% e o faturamento chegou a mais de quarenta bilhões de reais. Olha: e você sabe que essa realidade só tende a crescer. O e-commerce entrou na nossa vida e se tornou peça fundamental pra que a gente possa atingir novos públicos. Se você empreende e quer vender online ou então quer que o seu negócio virtual se destaque mais na internet, essa dica aqui é pra você. Preste atenção.

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É a Terra Desenvolvimento Agropecuário, que é especializada em inteligência no agro.

Utilizando diversas técnicas, pesquisas, tecnologia e uma equipe realizadora, a Terra levanta todos os números de sua fazenda em tempo real e auxilia você a traçar estratégias, fazer previsões e, principalmente, agir para tornar a fazenda eficiente e mais lucrativa.

E para você que acredita no agro e está interessado em investir em um seguimento lucrativo e promissor, a Terra oferece orientação e serviços, para tornar esse empreendimento uma realidade.

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Hoje bato um papo com Antônio Chaker, que é o zootecnista, mestre em Produção Animal e que atua há mais de 20 anos em projetos de desenvolvimento de equipes e ampliação da gerenciabilidade e lucro em empresas agropecuárias. O Chaker é um profundo conhecedor do agronegócio e neste papo vamos tirar algumas dúvidas sobre gestão, empreendedorismo, educação e, é claro, particularidades do agro. Não importa se você não é do agro. Aqui tem lições de empreendedorismo que são fabulosas.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Quando criamos o Café Brasil Premium, essa ideia era ter uma Netflix do Conhecimento, e acabou se revelando muito mais do que isso. Na verdade é conteúdo pra dar com pau. Mas é muito mais que isso, é gente crescendo juntos. E a gente lançou um plano de assinatura novo chamado Academia Premium. Todo conteúdo que você precisa, mais os nossos cursos online. Não perca esse é um lançamento e está em promoção: academiacafebrasil.com.br.

“Bom dia. Bom, eu estou aqui também agora gravando meu áudio. Já pensei em fazer isso muitas vezes, mas nunca fiz. Também tinha pensado em assinar o Premium várias vezes e ainda não tinha feito e aí decidi, nessa semana agora. Pôxa, ja estou ouvindo o Café Brasil há tanto tempo, já me ajuda há tanto tempo. Assim, pelo menos, é uma gota de lucidez nesse turbilhão de informações ruins que a gente recebe diariamente.

E aí eu decidi: pôxa, por que não assinar, né? Me ajudou há tantos anos. Pra você ter ideia, nem lembro agora, exatamente, quantos anos já. Eu lembro que foi mais ou menos naquele episódio do Chapecoense. Pôxa, aquilo abalou o Brasil todo, né? Acho que quem não se sensibilizou com aquela tragédia, realmente, não está mas nem mais humano, né? E aquele episódio pra mim, foi uma paulada. Aquele foi logo no início que eu estava ouvindo os primeiros podcasts, e eu acho que ali foi uma grande lição de empatia com todos. A equipe, os familiares, enfim, com todo mundo que foi atingido mais diretamente por aquela tragédia.

De lá pra cá, vim ouvindo vários episódios, até resgatando alguns episódios mais antigos. Os musicais, então são fenomenais. Seu gosto musical é muito parecido com o meu, então acho que todos os episódios fizeram muito sentido pra mim e mostra o poder mesmo que tem um podcast, de você, ás vezes, ouvir mas chega até enxergar  de tão bem feito, de tão bem montado que é.

E aí eu decidi assinar o Premium, porque eu falei: pôxa, já me ajuda há tanto tempo e pode ainda ser mais, né? E por que não tentar, né? Então já fechei até o plano anual de vez, porque eu falei, pôxa, com certeza eu vou consumir esse conteúdo, praticamente, diariamente. Nem todo dia eu consigo, né? Mas eu tento, diariamente. E sempre agrega muito valor à minha vida, aos meus pensamentos, enfim, a tudo, né?

Então, eu acho que, assim, uma coisa que eu estou vendo aí ao longo dos anos é que eu acho que está faltando o pessoal exercitar a empatia sabe? E depois, eu fiquei pensando em várias situações, me colocando no lugar. Eu vejo o trabalho que você tem aí de produzir, de reunir conteúdo, de editar, de escrever, de planejar. É um trabalho grande.

Então, eu acho que, se a gente pode contribuir com uma pequena parcela pra que continue fazendo esse trabalho maravilhoso, tem que seguir, tá?

Vida longa ao Cafezinho. Muito obrigado por tudo. Eu sou mais um dos amigos que você tem que você não me conhece, mas a gente te conhece um pouquinho, né? Tá bom. Um grande abraço, tudo de bom”.

Graaaaande Raphael Holanda, que bom receber esse seu comentário, cara. É isso mesmo, meu caro, você enxergou valor e decidiu fazer parte do processo. Uma pequena atitude sua, que muda as coisas para nós aqui. Como diriam os velhinhos de antigamente: oxalá mais ouvintes façam isso! Ajudarão a gente não só a manter, mas a expandir o Café Brasil. Muito obrigado!

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é? O Picolé Buben é sorvete Perfetto de morango tipo queijo Petit Suisse com deliciosa cobertura sabor banana. Tem zero gordura trans e é fonte de ferro, zinco e vitaminas A e D. E tem um personagem divertido, o Super Cão Buben, que ganhou versão 3D e um site totalmente exclusivo com revistinha, jogos e muita diversão, não só para a criançada como para toda família. Acesse perfetto.com.br. O Perfetto tem dois tts.

No Instagram é @sorvetesperfetto, Perfetto.

Luciano – Lalá, que é que que fica?

Lalá – Huuum! Com sorvete #TudoéPerfetto.

Luciano Pires: Muito bem, mais um LíderCast. Como sempre, eu contando como é que o convidado de hoje chegou até nós aqui. Eu já tinha ouvido falar dele assim, por pessoas de convívio, do segmento do Agronegócio. Tem um empreender, o cara pinta e borda, o cara agita. E aí vou fazer uma palestra cara, em Campo Grande. Vou fazer em Campo Grande uma palestra, chego lá no evento, e ele tinha passado pelo evento antes de mim. Ele pegou, e fez a parte dele. Quando eu cheguei, ele já tinha ido embora. Mas, eu cheguei lá, tinha um livro dele, “ele deixou para você”. E eu pego o livro dele, um livro superbem produzido, um negócio produzido, colorido, e lá dentro uma cartinha. E eu pego a carta dele, o cara, “meu, muito obrigado, eu sou seu fã, escuto seu programa”. Não é possível que a gente tenha tanta conexão assim. Acabei entrando em contato, pedi o contato dele, mandei um WhatsApp para ele. “Pô, que legal que você estava lá, vamos ter uma chance de gravar?”. “Vamos”. Aí nós ensaiamos a gravação. Só que, entre a gente decidir gravar, e sentar aqui para gravar, teve uma pandemia no meio do caminho, teve Covid, teve de tudo acontecendo. E a gente acabou postergando, e ele falou, vamos fazer o seguinte, eu vou esperar ficar bem frio em São Paulo, quando tiver 6 graus em São Paulo, eu saio daqui, e vou até aí. E chegamos hoje aqui então, para fazer esse nosso bate-papo. Aquelas três perguntas iniciais, as quais você não pode errar. São seu nome, sua idade, e o que é que você faz.

Antônio Chaker: Isso aí Luciano, meu nome é Antônio Chacker El-Memari Neto.

Luciano Pires: El-Memari?

Antônio Chaker: El-Memari Neto. E Chacker é nome. Tenho 46 anos, e refleti claro, sobre a sua pergunta, né. E eu acredito que eu sou um ativista a favor de uma gestão de altíssimo nível em fazenda. Ativista para gestão de fazenda, é isso.

Luciano Pires: Esse é o tipo do ativismo que interessa muito, né? Mas, vamos fazer a nossa sondagem aqui. Você nasceu onde?

Antônio Chaker: Nasci em Belém do Pará.

Luciano Pires: Porra, Belém do Pará cara?

Antônio Chaker: É, mas tem uma história nisso, na verdade. O meu avô materno, da turma que veio da Espanha, e ele sempre superempreendedor. Ele passou uma temporada no Pará, para poder explorar palmito na Ilha do Marajó. E nessa jornada do Marajó, chamou meu pai e minha mae, e eu nasci em Belém, nessa fase. Mas, eu fui criado em Sorocaba, aqui do lado de São Paulo.

Luciano Pires: Seu pai e sua mae vieram de onde?

Antônio Chaker: De Sorocaba. Meus pais são de Sorocaba.

Luciano Pires: Ah, eles são de Sorocaba?

Antônio Chaker: É, essa temporada em Belém, foi durante essa jornada de exploração de palmito, no Marajó.

Luciano Pires: Esse, como que é, El…

Antônio Chaker: El-Memari.

Luciano Pires: Isso é Mouro?

Antônio Chaker: É Sírio.

Luciano Pires: Isso é Sírio cara?

Antônio Chaker: E aí tem uma outra história louca, porque o meu avô veio da Síria, veio de Damasco. Só que ele veio, ele fala assim, a gente veio enganado para o Brasil. Mas, como assim, enganado? Porque meu bisavô, ele fazia sapato. Fazia sapato especial. E tinha um irmão que também fazia.

Luciano Pires: Aonde? Damasco?

Antônio Chaker: Na síria. E ele ensinou o irmão dele a fazer sapato, mas, o sapato do irmão, era um sapato estranho, feio. E o tal do irmão, veio para o Brasil. E mandou uma foto aqui de São Paulo, com a casa que ele morava. E meu bisavô falou assim, “se ele que é um péssimo fazedor de sapato, tem essa casa, vou para o Brasil”. E quando ele depois de meses chegou aqui, foi visitar o irmão, só que na verdade, o irmão morava no fundo da casa. Não tinha nada daquilo, tal. Mas estava aqui. E minha família acabou crescendo aí, era daqueles árabes da 25 de março, quando a 25 era árabe. Essa foi a jornada.

Luciano Pires: Quer dizer, Pará, Belém do Pará, Sorocaba. Você mora hoje em?

Antônio Chaker: Hoje eu moro em Maringá.

Luciano Pires: Maringá. E você fica andando…

Antônio Chaker: Mas já morei em Ponta Porã, uma fazenda em Ponta Porã.

Luciano Pires: Meu cara, você está andando.

Antônio Chaker: Do Rio Grande do Sul, até Roraima. Aprendi que não é “Rorãima”, porque a vida inteira a gente falou “Rorãima”. É “Roráima”.

Luciano Pires: O que que seu pai e sua mae fazem, faziam?

Antônio Chaker: Então, o meu pai ele faleceu, ele era industriário. Trabalhava em indústria de autopeças, na mesma jornada, relativamente semelhante à sua.

Luciano Pires: Em Sorocaba?

Antônio Chaker: Em Sorocaba. E a minha mae, era a servidora da secretaria de educação de Sorocaba. Então, ela foi desde professora, até o mais alto grau que ela podia chegar, dentro da carreira.

Luciano Pires: Sua mae, no serviço público, e seu pai CLT.

Antônio Chaker: Exatamente. Mas, tem uma virada nessa história toda, que o meu avô lá da Ilha do Marajó, também empreendeu no Paraguai, atrás de palmito, dentro dessa carreira. E chegou determinado momento, que ele chamou o genro, no caso meu pai, para trabalhar com ele. Então, início dos anos 90, minha família toda saiu de Sorocaba, e foram para o Paraguai, gerenciar uma fazenda, que era do meu avô, dessa história toda.

Luciano Pires: No Paraguai?

Antônio Chaker: No Paraguai, onde a família está lá até hoje, e isso me aproximou muito do agronegócio. Nesse mesmo ano, foi quando eu fui para Maringá fazer vestibular. Que daí eu me formei em Maringá, na Universidade de Maringá, em Zootecnia.

Luciano Pires: Então, não tem nenhum empreendedor na sua origem ali. A não ser seu avô.

Antônio Chaker: Ele era superempreendedor, mas, eu fico reparando, meus pais sempre foram intraempreendedores, muito assim, ativos. A minha mae era de chegar na escola, mudar tudo, fazer festa, liderar. Então, eu vejo assim, que tem essa carga já do empreendedorismo. Mas assim, o empreendedor mesmo, aquele que…

Luciano Pires: O dono da firma.

Antônio Chaker: O dono da firma, meu avô paterno era o cara. Apesar que meu avô materno também foi dono de lojinha de secos e molhados. Então, teve essa coisa.

Luciano Pires: Você tem irmãos?

Antônio Chaker: Tenho dois.

Luciano Pires: Como é que é? Como é que era o apelido do Chacker molequinho?

Antônio Chaker: Pois é. Quando era… Neto, Neto foi desde criança. Mas, durante a escola, era Tópo. Tópo, por cota do Topo gigio. Então, era bem…

Luciano Pires: Isso era pequeninho?

Antônio Chaker: Pequenininho, talvez orelha, dentes, sei lá, uma cara de ratinho. Então, era Tópo. Então, era essa coisa do…

Luciano Pires: Se soubesse, tinha trazido o meu aqui. Topo gigio.

Antônio Chaker: Era Tópo.

Luciano Pires: Eu ganhei um, recentemente. Ganhei um. Os caras fizeram uma reedição, e agora recente, então eu ganhei e deixei na caixinha. Falei, isso aqui vai valer muito lá na frente.

Antônio Chaker: Com certeza, até porque a maioria acho que nem conhece mais.

Luciano Pires: Nem sabe. Adildo, Adildo.

Antônio Chaker: Igualzinho.

Luciano Pires: O que que o Tópo queria ser quando crescesse, cara?

Antônio Chaker: Você sabe que, lembrando, quando eu era muito pequeno, a história de ser jogador de futebol. Mas, foi justamente nessa história de ser jogador de futebol, que eu acredito que foi o primeiro sinal do que eu faço hoje. Porque assim, eu era o pior jogador, não tinha hipótese alguma de eu ser jogador de futebol. Mas, na rua, que a gente tinha um timinho da rua, não tinha uma bola legal, eu tinha 10 anos na época, a gente organizou para juntar dinheiro para comprar uma bola. E eu fui o responsável em gerenciar esse dinheiro, com 10 anos. E ali foi o primeiro dia que eu conheci que as coisas podem dar errado, porque eu guardei o dinheiro em casa, e na minha cabeça assim, vou guardar dentro de uma caixa de sapato, debaixo da cama, que ninguém vai mexer. E no dia que o papelzinho deu o valor da bola para comprar, então todas as crianças, vamos todo mundo comprar tal bola para escolher junto. E quando eu peguei o dinheiro, eu tinha 30% do que tinha que ter na tal caixinha. Aí eu lembro daquela sensação até hoje, da fraude que sumiu o dinheiro. Aquela choradeira, toda criança, claro que meus pais chegaram, deram o dinheiro. Mas então assim, talvez essa coisa de conquistar um objetivo, de organizar dinheiro, de procurar fazer mais, foi que acabou seguindo essa carreira. Tanto que eu fiz vestibular para administração aqui na Mackenzie.

Luciano Pires: Você já descobriu para onde foi o dinheiro que sumiu lá?

Antônio Chaker: Não descobri até hoje, já se passaram quase 50 anos, essa…

Luciano Pires: Mas aí, você botou na cabeça, que quando crescesse, jogador você sacou que não ia dar, e aí?

Antônio Chaker: E aí, essa coisa da administração, tanto que eu fiz vestibular. Só que aconteceu um fato interessante. Um tio meu falou assim, porque que você não faz Zootecnia? Eu falei, “zoo o que?”. Nós estamos falando de início dos anos 90. Pouca gente sabia o que que era zootecnia na época. E aí fui pesquisar, e entendi que aquilo era o camarada que ajudava a produzir. E fui para Maringá, onde tinha uma universidade. Hoje tem muitas, mas naquela época eram poucas. E quando eu cheguei naquela vida universitária, fui para República, vi aquele ambiente, é isso que eu quero. E aí acabei ficando, fazendo Zootecnia na Universidade de Maringá.

Luciano Pires: Eu sei muito bem o que é Zootecnia, meu irmão se formou em Zootecnia, fez também, e é um negócio interessante, porque lida desde nutrição de animais, tem uma parte lá que vai para animais silvestres. Tem toda uma… Meu irmão foi 30 e tantos anos diretor do zoológico de Bauru. A Zootecnia o levou para ser diretor de Zoológico. Então, trabalhou com animais silvestres.

Antônio Chaker: E ele é gestor. Interessante que a carreira do zootecnista é essa. Ele é profissional da produção animal. Então, toda a produção de proteína, tudo que for de origem animal, é uma espécie de engenheiro da produção animal. Tanto que eu gostaria que fosse engenharia animal, só que hoje, a gente percebe que talvez vá além disso. Então, é o profissional que faz gestão de processo, que produz comida, que cuida de solo, cuida de ambiente, cuida de animal. É o camarada que faz produzir o processo animal.

Luciano Pires: O pessoal confunde muito com veterinário. Pô, está muito perto. Veterinário cuida da saúde do animal. E você cuida de todo ambiente, da produção.

Antônio Chaker: Da produção, ambiente, gestão. Tanto que hoje, quando você vai observar, por exemplo, líderes, diretores, empreendedores, é muito comum ver Zootecnistas. Hoje, claro, muito diferente do que era nos anos 80, 90, quando seu irmão e eu nós estudamos. Hoje, Zootecnista é o camarada que realmente gere processos de produção, indústria. Até tem diretor de marketing, presidente de empresa, Zootecnista.

Luciano Pires: Tremendo…. Mas aí você, quando se forma, deixa eu ver seu andamento então. Então, você foi por uma indicação. Alguém te comentou, “vai fazer zootecnia, que isso é interessante”. Você achou que podia ser. E você sai de lá, com um certificado de Zootecnista.

Antônio Chaker: Exatamente.

Luciano Pires: Bota embaixo do braço, e fala o que? Vou arrumar um emprego? O que que você foi fazer?

Antônio Chaker: Aí que começou a história, vamos dizer, desse foco em gestão, em transformação, de uma forma mais profunda.

Luciano Pires: Você tinha como foco o agro? Você falou, “eu vou para o agro, quero estar no agro”.

Antônio Chaker: Eu fui através dessa indicação de um tio que chama Júlio, fui lá, fiz a faculdade, adorei. Então, me envolvi com pesquisa, centro acadêmico, associação não sei de que, entendendo o poder da Zootecnia. No final do curso, eu fiz um estágio, e ao final do estágio, eu fui convidado a trabalhar na tal fazenda. E aí, tudo o que um recém-formado quer, é se formar já com esse emprego. E eu fui para uma fazenda no Mato Grosso do Sul, uma grande fazenda naquele momento. E ali Luciano, aconteceu uma coisa que mudou minha vida. Sabe aquelas coisas que viram a chave? Então, eu trabalhando nessa fazenda, como Zootecnista, cuidando da produção, tal, e lá tinha um diretor na época, chamado Cesário Ramalho, que inclusive foi presidente da Rural Brasileira. Cara, que todo mundo tinha medo do cara. Toda vez que o diretor chagava, a gente sumia. E aí eu lá na empresa fazia uns 2 meses, nunca tinha visto a cara do diretor. Porque, a regra é assim, ouviu barulho do avião do cara chegando, some, porque tem que sumir. Então, aprende isso. E determinado dia ele chegou, e eu, como todo mundo, sumi do escritório. Porque afinal, aprendi isso já. E de repente, quando eu devia estar há uns 10 quilômetros da sede, chamou no rádio, porque naquela época era só rádio, né. Chamou no rádio, e a menina falou assim, “Antônio, volte imediatamente para a sede”. “Mas por que?”. Ela falou assim, “porque o Dr. Cesário quer falar com você”. Eu falei, “Meu Deus do céu, é agora, eu já fui demitido no segundo mês”. Aí voltei, naturalmente com o coração na boca, fui para o escritório, sala da diretoria, cheguei na sala, e encontrei o senhor Cesário. E ele falou assim para mim, “Antônio, seja muito bem-vindo a nossa companhia. Eu sei que você é um jovem, quer fazer um bom trabalho…”. E aí naquele momento, eu comecei a… Pô, o cara vai dar boas-vindas, vou ficar amigo do chefão. E aí ele fez a pergunta para mim, Luciano, que foi transformadora. Ele falou, “Antônio, quais são as 3 coisas mais importantes da pecuária?”. Fazenda de pecuária, naturalmente, e eu recém-formado, todo o curso tem os tais dos pilares, né? E aí eu tinha os pilares na cabeça. Olha, primeiro pilar é nutrição, segundo pilar é genética, terceiro… quando eu fui falar o terceiro pilar, o cara bateu na mesa. E aí eu entendi porque a turma tinha um pouco… Aí ele bateu na mesa, e falou assim, “você está errado. Você está profundamente enganado. As três coisas mais importantes da pecuária, são medir, medir e medir”. E você foi contratado, para medir, medir e medir. Essas são as três coisas mais importantes da pecuária. Então, nesse momento, teve uma chave, estamos falando assim do final dos anos 90.

Luciano Pires: Você tinha que idade?

Antônio Chaker: Eu tinha 23 anos.

Luciano Pires: Recém, um garotão recém-formado, tá.

Antônio Chaker: 22 para 23 anos, que era medir, medir, medir. Naturalmente, eu o conheci melhor, um baita de um executivo, um cara que desenvolveu muito. E naquele momento, todas as decisões, eram baseadas em analisar número, e entender qual era a melhor opção. E a partir daquele momento, a gente começa a ter uma visão que existe algo mais, além do olho, que é simplesmente o número, que até hoje em muitas empresas, os caras nem número tem. Mas, em uma fazenda, a gente começou. Então, essa foi a primeira virada de chave, medir, medir, medir. Só que a partir disso, Luciano, a gente percebeu que só medir também não resolvia, naturalmente. Você precisava entender se estava acontecendo o que era para acontecer. Então, o planejamento, passou a ser o foco, porque no final só medir, então pode ser necropsia. Estou medindo, tendo… Então depois que a gente se especializou, foi buscar o que tem de mais avançado em planejamento, a gente viu que só planejar também não resolve. No final das contas, quanto mais número a gente estuda, mais a gente vê que tudo se resume em gente. E aí essa combinação de gente, planejamento, gestão, e número, foi que a coisa acabou acontecendo.

Luciano Pires: Aí você vai trombar com aquelas três dimensões do medir. Você tem o medir, que você pode medir, que é 1 + 1 = 2. Você tem o medir, que você pode sentir. E tem o medir, que você pode observar.

Antônio Chaker: Exatamente.

Luciano Pires: Cabe na planilha? Não cabe, cara. Então, eu entrei em um lugar para trabalhar, cheguei lá, e tem um clima maravilhoso, você não consegue medir o clima, mas você sente.

Antônio Chaker: Exatamente.

Luciano Pires: O pessoal está saindo para almoçar todo mundo junto, brincando, tudo. Eu estou sentindo o ambiente, e esse é um dado importante para você colocar dentro do seu escopo de medição. Mas, ele não vai caber na planilha, você não vai poder botar num Excel, o grau de amizade que havia entre as pessoas. O engajamento das pessoas. Não tem como.

Antônio Chaker: Não. A atmosfera que você está vivendo, de alguma forma, isso reflete no número.

Luciano Pires: Que é aquilo, a pessoa, a gente que está lá. Tudo isso foi desembocar num treco chamado economia comportamental, que foi quando os caras sacaram, bicho, na planilha só não vai. Tem que trazer essa parte romântica. Agora, como é que eu pego esse lance romântico, e ponho em um lugar que está acostumado a viver com planilha, cara?

Antônio Chaker: Exatamente.

Luciano Pires: Não dei 2, está errado. Espera aí, aqui vai ter que dar 2,5. Por que? Porque tem um lado romântico, e é isso que os caras estão tentando fazer agora. E o Brasil está muito atrasado nisso, viu, nessa coisa. Agora que apareceu um curso, eu recebi aqui outro dia um comunicado de um curso, de economia comportamental, caríssimo, R$ 25 mil reais o curso, uma coisa assim. Que os caras já estão estudando lá fora, há muito tempo. Então, incorporar esse outro lado, que aí vai exigir um tipo de atributo, que aí você começa a sacar quem é líder, e quem não é líder. Entendeu? Qual é o atributo que eu coloco lá. Você tem atributo ali, que é o colhão, que é de você, cara, eu vou bancar o que eu não consigo medir, entendeu? Olha, eu senti algo, e eu vou apostar nesse algo, eu vou investir nesse algo, e eu vou comprar o desafio desse algo aqui. Mas, o outro cara que está ali, ele não sentiu o mesmo algo que eu. Então cara, essa é a minha sensação. Tudo aquilo que envolve a minha intuição, tudo mais, você vai ter que aprender a confiar nessas coisas, e bancar. E aí começa a surgir os verdadeiros líderes, que é o cara que tem colhão de bancar, naquilo que o dinheiro não mede, que a planilha não mede.

Antônio Chaker: E você falando de atmosfera, eu lembrei de uma história. Cheguei em uma fazenda, como sempre, para fazer consultoria. Aí tinham dois irmãos. E quando eu entrei, você falou do clima, na hora eu senti que ali tinha problema. Os caras não se olhavam, sabe, aquele clima denso, pesado. E aí um dos caras, arrumou os óculos, e falou assim, “Antônio, você faz milagre?”. Daí eu falei, “caraca, mas eu dou zootecnista, não sou santo. Mas, por que milagre?”. O cara falou assim, “olha, nós temos duas dívidas. A pequena, e a grandona. A pequena vence agora em julho, a grandona vence no final do ano, e nós não temos nem dinheiro para pagar a pequena. Quiçá, a grandona”. Daí eu falei, “vamos andar pela fazenda, vou analisar a situação, tal”.

Luciano Pires: Você tinha sido chamado lá, para fazer o que?

Antônio Chaker: Para fazer consultoria, para ajudar o cara a resolver esse problema da dívida, a gestão.

Luciano Pires: Ok. Ele foi buscar um consultor em gestão.

Antônio Chaker: Consultor em gestão, que é a nossa especialidade. E aí quando você falou da atmosfera, por isso que eu lembrei, aquela atmosfera densa, pesada, os caras nem se olhavam tal. Aí eu saí daquele escritório, e fui para o campo. Imagina assim, talvez o retrato da derrota. Assim, desde você ver um trator desmontado, para montar um outro. Você ver as coisas esparramadas, a cerca caindo, o funcionário com camisa de eleição, sabe? De 8 anos atrás, do candidato que perdeu, sabe? Uma cena assim, terrível. E se vendesse todo o gado, não pagava nem a pequena. Aí quando eu voltei, nós temos duas opções. A ruim, e a péssima, porque a boa já não tem mais. Aí foi um projeto de muito longo prazo, os caras não se entendiam. As esposas já não se falavam, tal. E o pior, Luciano. Não é que eles fizeram coisa errada com o dinheiro que eles pegaram. Não é que eles gastaram fora da fazenda. Eles investiram onde não poderia. Eles mobilizaram o dinheiro em construção, que não geraria caixa, ao invés de aplicar naquilo que geraria caixa. Então, eles entenderam que o prioritário era aquilo. Mas, o principal disso, foi que eu andei 17 quilômetros depois dessa visita, depois de fazer o projeto, tal, superdifícil, e cheguei em uma fazenda. No mesmo solo, no mesmo clima, na mesma condição comercial, e o cara me recebeu, e falou, “Antônio, seja bem-vindo”. Eu já percebi outro clima. Aí ele ofereceu café, água, tereré, aquelas coisas que a gente toma no Mato Grosso do Sul. Ele falou, “olha, eu te chamei aqui, porque graças a Deus as coisas estão caminhando bem, e você veio ajudar a gente a decidir o que que a gente faz. Se a gente cresce dentro, ou para fora da fazenda”. E aquilo foi muito marcante para mim, porque eu tinha duas situações opostas, na mesma semana, no mesmo clima, no mesmo solo, mesmo tudo, e o que que faz essa diferença? E aí foi quando eu entendi, o que de fato são princípios e valores. Porque a vida inteira a gente faz os valores, põe no quadrinho, tal. E eu confesso que as vezes eu até levava os valores, porque todo mundo aprovava os mesmos. Depois eu vi que aquilo, primeira coisa que o cara fez, esse senhor, foi, “espera um pouquinho, que eu vou chamar o pessoal”. Então, a reunião já não foi com ele.

Luciano Pires: Já foi com a turma.

Antônio Chaker: Já foi com a equipe. E ele foi com a equipe, eu já percebi que aqui tem transparência. Outra coisa que ele falou, é o seguinte. Olha, você pode visitar qualquer fazenda nossa, que eu tenho orgulho. Você pode ir lá, que você vai ver que eu tenho orgulho, e que está tudo no lugar, tudo certo, tudo organizado. Então, aqui tem excelência, tem capricho. Outra coisa que ele falou para mim, foi a seguinte. Eu não vou nas fazendas, sem avisar. Porque tem muita, vou chegar lá sem avisar, para ver o que que o cara. Eu nunca vou em uma fazenda minha, sem avisar. Porque eu confio neles, eu não preciso. E aí eu fui vendo uma sequência de prática de valores positivos. E ele falou assim, a gente fez na época, a gente fez a programação dos próximos 4 anos, porque a gente precisa crescer, para poder acomodar meus meninos, que se a gente não crescer, não tem onde acomodar. E aí você vê que essa liderança, baseada em valores e princípios que são positivos, é completamente diferente. Então, naquele momento, eu percebi que não era mais o clima, o solo, a ração, a raça do boi. É a liderança. A liderança define sempre o êxito do negócio.

Luciano Pires: Eu acho que você que está ouvindo a gente aqui, já sacou, que o Chacker está falando aqui, ele não está falando de agronegócios. Se você tiver um pastor que está gerenciando um templo, se você é dono de um carrinho de cachorro-quente, esses princípios se aplicam para qualquer coisa da vida da gente, que é a coisa da gestão, e de liderança. Que não importa onde você vai estar. Outro dia, eu tive uma reunião com um pessoal, falando sobre essa coisa do agro. Porque eu fui muito demandado pelo pessoal do agro. Fui fazer palestra para tudo quando é canto, e meu tema, não é tema de agro, cara. Eu não falo de agro. Eu falo de outras coisas. Eu falo de inovação, e tudo mais. E conversando com eles, eu falei cara, tem uma coisa interessante, que é o seguinte. O próprio pessoal do agro faz muito isso. Eles tratam o peão da fazenda, como se fosse diferente de um peão de obra na cidade de São Paulo. Mas cara, tudo é peão, entendeu? Eles são peões, tem coisa que se aplica para os dois, exatamente igual. Só um vai estar mexendo com cavalo, outro vai estar construindo um prédio. Mas, o ser humano, a pessoa, ele tem o mesmo tipo de carência, ele precisa de orientação, ele tem os medos. Então cara, funciona igual. Então, esse princípio que você colocou, aí cara, se botar em uma padaria, ele vai funcionar exatamente igual.

Antônio Chaker: O que eu vejo que existe uma diferença importante talvez nesse processo Luciano, que dentro da fazenda, as pessoas moram lá. Então, é uma micro sociedade. E se essa micro sociedade está equilibrada, ok. Porque o cara na cidade, ele está P da vida com o Luciano, terminou, ele pega a circular e vai para casa, e não vou ver o Luciano mais. Já na fazenda, o cara é vizinho.

Luciano Pires: É pior ainda. Eu durmo do lado do meu desafeto, né cara.

Antônio Chaker: Exatamente. Então, conseguir manter esse ecossistema organizado para fazer a diferença. Eu tive uma passagem, há muitos anos, que eu cheguei na fazenda, e o cara falou assim, na hora que eu cheguei na fazenda, baixei o vidro do carro, o cara falou, “quem vai pagar minha televisão?”. Eu falei, “bom dia, mas, desculpa, o que que o senhor está falando?”. “A dona fulana tacou uma pilha, e quebrou minha televisão”. “O que que foi?”. “Eu tenho 12 parcelas para pagar”. Eu acabei de chegar na tal sede, fui conversar com a dona, “dona fulana, a senhora tacou uma pilha, mas por que uma pilha na televisão da mulher, né?”. Aí ela falou assim, “ela mereceu, a pilha foi a primeira coisa que eu encontrei na minha frente”. Eu falei, “mas o que que aconteceu?”. Daí ela falou assim, “ela matou meu frango”. Daí eu falei, “a senhora matou o frango?”. “É porque o frango veio fazer sujeira na minha área”. Elas encrencavam, e daí foi um fuzuê danado, e sabe quantos funcionários tinha naquela fazenda? 2. Esses dois caras. Eu vou fazer cheque de metas? Análise prospectiva? Isso é um tipo de coisa, que eu até brinco. Na hora de dimensionar uma sede de fazenda, você dá uma pilha na mão de uma lemoa, bem forte, manda ela tacar a pilha. Quando cair, você conta 10 passos, faz outra casa, que esse problema está resolvido. Mas, brincadeiras à parte, é poder criar uma sociedade equilibrada, né?

Luciano Pires: Claro. Esse é o componente da liderança, que está relacionado com… o líder tem que ser um psicólogo, ele tem que ser um sociólogo, ele tem que ser um paizão, tem que ser uma mãezona. Tudo aquilo que não está na planilha, não é só o número, né?

Antônio Chaker: E aí que entre talvez o principal elemento da gestão, que é deixar claro para onde nós estamos indo. Porque quando as pessoas sabem para onde estão indo, o que que você vai ganhar quando chegar lá. Qual que é a responsabilidade de cada um, e principalmente, nós não sabemos ainda, qual o limite da produtividade do agronegócio. A média brasileira de produção de arrobas, é equivalente a quatro… A gente fala assim, é mais ou menos, dá para alimentar duas pessoas, por hectare. Já tem projeto, cliente nosso, que alimenta 100 pessoas com o mesmo hectare. Então assim, a gente tem uma oportunidade de desenvolvimento gigantesca. E preservando o meio ambiente, seguindo essa linha, que a gente vai ver mais para frene.

Luciano Pires: Nós vamos explorar isso. Deixa eu voltar atrás aqui, que você deu uma deixa, e eu não vou deixar escapar isso aqui. Quem fez o Camp viu. Eu tenho um modulo de liderança no Camp, que eu estou comentando algumas coisas ali, que eu conto um case interessantíssimo, não vou me lembrar mais detalhes do case, mas o case é muito legal. É um case que aconteceu no final da segunda guerra mundial. Então, estava os americanos desenvolvendo a bomba atômica, e os alemães, também desenvolvendo. Era uma briga. Quem ganhasse a corrida, ganhava a guerra. Só que era um negócio tão top secret, que o exército americano que estava desenvolvendo, com centenas de técnicos, cada um fazendo a sua parte, e ninguém sabia o que era aquilo. Então, os caras estavam trabalhando, tinha um matemático, um físico, e o negócio não andava. Cara, nós vamos perder essa guerra, porque não anda. E aí chamaram um gestor, superconhecido, consultor, falaram para o cara, a gente quer que você comande o projeto. O gestor veio, tomou pé da situação, falou para os caras, primeira coisa que eu vou fazer, eu quero reunir esses 100 caras. Botou todo mundo em uma sala, e falou, muito bem, eu vou contar para vocês o que vocês estão fazendo. Vocês estão criando uma bomba atômica, e se vocês não criarem a tempo, os alemães vão criar, nós vamos perder a guerra. E naquele momento, aquele grupo gigantesco de caras de alta linha, perceberam a importância do trabalho. Até então, eles estavam fazendo cálculos, para algo indefinido. Quando ficou claro que aquele cálculo era para a bomba que ia vencer a guerra, cara, num instantinho os caras terminaram o projeto, todo mundo em harmonia, porque eles descobriram qual era a importância deles, para onde que ia, o que acontece se eu não fizer. Quando você não tem essas coisas claras, você vai ter o pessoal, vou fazer bem feito meu trabalhinho aqui.

Antônio Chaker: Esse é um baita exemplo de propósito. O cara fala assim, nosso propósito é esse. E é isso. A liderança, vai colocar qual o propósito? Nós estamos aqui, para fazer um trabalho, nós estamos aqui para ter orgulho do que a gente faz. Nós estamos aqui, para justamente chegar no mais alto nível. Então, quando o proposito vem estruturado dessa forma, o seu exemplo, é o propósito.

Luciano Pires: E quando a pessoa descobre, onde eu estou? Eu estou vendo um sistema, está aqui. Onde eu fico nesse sistema? Estou aqui. Qual é a minha importância nisso aqui? O que que vem antes de mim? O que que vem depois? Se eu não fizer, o que acontece? Por que que a bola chegou quadrada para mim? Quando eu descubro o porquê das coisas, aí eu paro de, “sacana, o cara está me sacaneando”. Não, espera um pouquinho bicho, olha de onde vem, olha como vem, olha para onde vai. Então, isso é muito mais, do que teu metro quadrado. Então, tomar pé da situação, e conhecer estudo aí, muda completamente.

Antônio Chaker: E inspirar o propósito. Para dar esse significado.

Luciano Pires: Vamos ao agronegócio, meu caro. Vamos falar do agronegócio. O Brasil é uma coisa interessante, porque ele tem uma relação de amor e ódio com o agronegócio, num determinado segmento da sociedade. Se eu baixar, e vier falar com o povo, o povo ama o agronegócio. Se eu for fazer uma enquete, o povo ama agronegócio. Quando você vai para formadores de opinião, para a mídia, etc. e tal, aí começa aquela conversa toda. O Agronegócio traz dinheiro, mas não gera emprego. O agronegócio acaba com o meio ambiente. O agronegócio destrói isso, aquilo lá. Bom, o melhor remédio para isso, que eu encontrei, é ir lá. Para mim, mudou completamente. O dia que eu fui, e mergulhei profundamente dentro do agronegócio, mudou completamente. Eu já tinha uma pulga atrás da orelha, né? E a hora que eu vi as coisas acontecendo, eu conversei com as pessoas, dia a dia, peguei aquela mão cheia de calo, conversei, o cara me contou como que era a vida dele. Aí mudou completamente o entendimento que eu tinha, porque minha cabeça era feita pela mídia da grande cidade. Só que eu não consigo levar 220 milhões de pessoas para dentro do agro, para ver como que é. então, tem uma grande dificuldade aí, né? Mas, a gente vê um lado do agro que é endeusado, que é essa capacidade que o agro tem de manter a economia de alimentar as pessoas. Outra coisa, que é uma coisa que eu não canso de me admirar, que é por mais que o agro cresça, e que a gente faça, todo mundo que é do ramo que eu encontro, fala meu, ainda dá para fazer muito mais. Tem muito mais espaço. Esse muito mais espaço, não é desmatando a Amazônia, não. É aqui onde você está, tem muito para crescer. É todo um lance de tecnologia vindo para cá. Como é que é, para você que vive dentro desse ambiente, fazer essa conexão urbano com rural, sabe? O rural, com essa expansão, essa coisa maravilhosa, de construir, não ter esse ti ti ti para destruir. É construção. Quando você chega no urbano, trombar com essa, sabe, esse mal entendimento, essa militância que incomoda. Eu bato nessa tecla, porque eu fico muito incomodado com isso. Eu lido muito com negócio de imprensa, comunicação. Então, cada vez que eu vejo, eu fico louco da vida, né? Como é que é para você, estar lá dentro?

Antônio Chaker: Para nós do agro, onde a gente se comunica muito bem, eu diria assim, que está tudo muito bem resolvido, e a gente entende que a grande maioria das falas, são fake news. Mas, tem um ponto até que você citou, uma das vezes, que a gente se comunica muito mal com a sociedade. Então, toda vez que alguém muito próximo da gente, fala que não come carne, porque carne degrada o meio ambiente. Que usa não sei quantos litros de água. Até a gente vai poder falar um pouco sobre isso, a gente fica chateado, motiva em poder de alguma forma, se comunicar de uma forma correta, para poder apresentar quais são os principais números. O que é falado, assim, é absolutamente absurdo o que é divulgado, é sem fundamento nenhum. E alguns números, a gente pode falar aqui. Então, realmente, isso deixa a gente muito chateado. Mas talvez Luciano, em uma situação com vontade ainda de produzir, mais vontade de fazer o nosso trabalho. Porém ainda, infelizmente, com uma dificuldade muito grande de comunicação com essa grande massa. Se a gente pensa, por exemplo aqui, que o Brasil degrada o meio ambiente, tal, está acabando com a Amazônia. Mas de 60% da área do nosso país, eu estou falando para dar uma dimensão. Se a gente olhar para o mapa da Europa, e olhar na divisa da Rússia, passando por todos os países, chegando até Portugal, o Brasil tem isso de mata. Então, você pode somar Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Alemanha, até chegar lá, que é o tamanho da mata do Brasil. Então, como alguém que tem uma mata desse tamanho, que representa mais de 60% da área, falar que não cuida desse elemento. E aí aparece o camarada, não, porque desmatou tantos campos de futebol. Olha a dimensão. Campo de futebol, com sei lá, 40 países da Europa. Meia cidade, olha o tamanho disso. E quem desmata inclusive é um pepinaço, porque não é o produtor. Porque assim, o produtor, se ele tiver um problema legal de desmatamento, ele não vende. Ele não pode vender o produto dele. Então, se ele tem um produto, ele não vende. Então, quem que desmata? É posseiro, é grileiro. O cara chega lá, não tem documento, é bandido. Aí o dono dessa fazenda que entrou grileiro, ele dá entrada, fala, vamos fazer reintegração. Não sai reintegração, sabe Deus porquê. Ele não pode vender o gado dele, porque está naquela matrícula. E ainda ele é multado, autuado, e preso. Então, tem algo complemente insano nesse processo.

Luciano Pires: Eu peguei um caso desse cara, lá no Mato Grosso, de um fazendeiro, que estava lutando com uma multa de R$ 5 milhões, porque invadiram a fazenda deles, e os caras desmataram. O satélite pegou, e foi lá e multou o dono da fazenda. Ele falou, “cara, mas eu fui invadido. Foi roubado da minha fazenda. Eu tomei um prejuízo que entraram aqui, roubaram, levaram embora, e eu ainda vou ter que pagar multa”.

Antônio Chaker: Exatamente isso que acontece, na maioria esmagadora dos casos. Então, isso é um problema, primeiro, jurídico, e fundiário.

Luciano Pires: Você ouviu a minha série de PodCasts sobre agronegócios que eu fiz, que eu faço todo uma… quando chega no último, eu falo o seguinte, o problema do Agro não é Ministério da Agricultura, não é do Ministério do Meio Ambiente, é do Ministério da Justiça. Porra, quando você chega no fim, fala espera aí, quem fez isso aqui, foi um cara que fez alguma coisa ilegal.

Antônio Chaker: Sim.

Luciano Pires: Não é que ele está usando o veneno aprovado da forma aprovada, e matando os bichos. É porque ele usou de forma errada. Ele pulverizou lugar que não podia, matou abelha. Qual é o erro aqui? Não foi ele ter o veneno que matou a abelha. Foi alguém botar do jeito errado. Ele usou da forma que não podia. Ele fez aplicação, sem usar equipamento necessário. Ele comprou um negócio que não podia. Era contrabandeado. Então, sempre tem um erro, que é um erro da ilegalidade.

Antônio Chaker: E de uma minoria, que não tem uma representatividade, mas que a mídia naturalmente vai em cima daquele negócio. Quer dizer, você tem uma mata gigantesca, e aí dois campos de futebol, viram aquele fuzuê dessa minoria barulhenta. Mas, isso é culpa nossa, de alguma forma não poder se comunicar. Outro ponto importante também, é o lance que poxa, a pecuária ela está acabando com o planeta, por conta da emissão de gás de efeito estufa. Uma análise superequivocado, no final das contas, evidente que o gás… até o pessoal fala do pum da vaca. Não existe pum de vaca. A vaca é arroto, ela regurgita. E realmente ela emite. Aí você tem vários estudos mostrando que não são os 18% de emissão. Na verdade, são 4, e da pecuária são 2. Mas, quando você analisa o ambiente todo que o animal está inserido, que ele come o capim, naturalmente esse capim cresce. Quando ele cresce, ele cata carbono da atmosfera. Para cada palmo que o capim cresce para cima, ele cresce para baixo em raiz. Então, é um aspirador de carbono. Então, o animal, quando você faz um balanço com a emissão de gás e efeito estufa, é absolutamente favorável ao planeta. A não ser, naquelas situações que você tem um camarada que está lá degradado, aquele pasto rapado, aquela vaquinha, e esse cara naturalmente economicamente, já está destruído. Então, tem também esse tipo de equívoco. O lance da água Luciano. Os caras falam que tem que ter 15 mil litros de água para um quilo de carne.

Luciano Pires: Sim. Para onde foi essa água?

Antônio Chaker: Cara, sabe sabe como é feita a conta? Agua da chuva. Não, o cara falou assim, faz sentido assim, o quanto choveu… Então, se não tivesse boi, não choveria? É isso? Então eles fazem conta com a água na chuva, e na verdade.

Luciano Pires: Mesmo esse negócio da água cara, a plantação de xuxu consumiu X de água. Cara, essa água desapareceu do planeta? Essa água veio, e foi embora do planeta?

Antônio Chaker: Pois é, tem que voltar para a 4a série, para lembrar o ciclo. Tem isso, tem que comunicar melhor.

Luciano Pires: Mas, deixa eu te falar uma coisa aqui. Tudo o que você está colocando aqui, eu sou capaz de botar um ativista, ambientalista sentado aí, e ele vai fazer o mesmo discurso, com sinal trocado. Ele vai dizer que tem o projeto tal, tem a pesquisa tal, e vai começar aquela briga, que é onde todas as discussões complexas estão levando a gente.

Antônio Chaker: Sim, exato.

Luciano Pires: Eu não consigo discutir aquecimento global mais, eu não consigo discutir desarmamento, eu não consigo discutir aborto, eu não consigo discutir maioridade penal. Cloroquina, hidroxi… eu não consigo discutir mais nada, porque chega em um momento que tem 2 especialistas, um fala A, outro fala B, e cada um abrangendo na frente do outro, a sua estatística. E aí você escolhe ideologicamente em quem você quer acreditar. Eu vou acreditar na estatística dele, não na dele aqui. Esse é um problema muito complexo, porque as informações não chegam na ponta. Vão parar na discussão acadêmica ali. Não vão chegar no cara que está comprando a carne. O que chega nele, é uma narrativa. Chega uma narrativa. E o que eu tenho batido bastante nas reuniões que eu faço com o pessoal, cara, vocês têm que entrar na briga da narrativa, vocês precisam fazer. E outro dia eu fiz uma live, junto com o Tejon, você conhece o Tejon?

Antônio Chaker: Sim.

Luciano Pires: E o Tejon falou uma coisa lá, que é verdade. Cara, mas quem tem que estar preocupado com essa coisa da narrativa, não é o sujeito que está plantando abacaxi, que está criando boi. Isso não é problema dele. O problema é quem está no resto do processo. Qual é aquela cadeia industrial, quem é que faz com que a carne chegue até o consumidor final? Quem é que fabrica o…? Ele falou, cara, mas esse pessoal não está nem aí. Ele gasta o dinheiro dele, fazendo propaganda na televisão. Ele não gasta o dinheiro dele para cariar, não quero dizer criar narrativa, mas, contar como é que as coisas funcionam. Então é uma bola que está caindo, todo jogador está olhando cair, ela vai pingar no meio, porque todo mundo acha que o outro que vai. E não há uma fusão. E outro dia, eu botei em um Café Brasil, onde eu tinha comentado isso em um programa, o Agro é pop, eu flava no programa. E entrou logo em seguida um cara botou o comentário, “caro Luciano, eu trabalhei durante muito tempo em uma agencia de comunicação, e a gente desenvolveu uma vez um projeto que era exatamente isso. A gente montou um projeto. Cara, nós não conseguimos um tostão de suporte de ninguém. A gente não conseguia botar uma página de anúncio, não havia interesse dos jogadores, em ajudar essa coisa andar”. Então, parece que não há preocupação. Toda essa preocupação pela tecnologia, existe. Mas, quando você fala na preocupação de cara, vamos cuidar dessa imagem, não está na mão de ninguém. Ela parece que está abandonada aí. Eu falo isso, cara, há 6, 7, 8, 10 anos. E não vi nenhum movimento acontecer. Eu tenho visto um monte de gente trabalhando de forma independente. Eu vi vários influencers surgindo, botando contas, contando, cada um independente. Mas não tenho um grupo, moçada vamos junto, vamos contar para a molecada que está na escola, como é que funciona, sabe? Vamos entrar lá na escola primária, e levar para essa molecada? Não é para contar mentira não. Vamos levar até eles, vamos pegar essas… até fiz uma brincadeira, falei, eu se fosse presidente da república, eu baixava um decreto, aliás hoje não vale mais nada, presidente da república não manda porra nenhuma. Mas, vamos baixar um decreto para dizer o seguinte aqui. Você só consegue ter o seu diploma de formatura na universidade, ou técnico, o que você fizer, se tiver duas semanas dentro do agronegócio.

Antônio Chaker: Superlegal.

Luciano Pires: Você vai se formar em Medicina? Você vai passar comigo duas semanas, no interior do Piauí, no interior do Pará, interior do Paraná. Vai conhecer o agro, volta para casa, e pega seu certificado. Mas, eu não vejo essas coisas acontecendo de forma coordenada. Você viaja por todos esses buracos aí, vê todas… Como é que você… isso é discutido cara? Tem alguém preocupado com isso?

Antônio Chaker: Pois é, como eu falei, é discutido nosso meio, mas não ainda se formalizou uma estratégia, um trabalho, uma liderança que realmente assumisse isso para si, para construir essa comunicação. São vários acontecendo ao mesmo tempo, mas nada tão alinhado para poder impactar o mercado. Esse é o nosso maior problema. E aí você tem aquela imagem do Jeca Tatu, imagem do cara que derruba árvore, não sei o que. E a gente não consegue mostrar que poxa, uma fazenda, tem 420 indicadores de desempenho. Tem drone, tem inteligência artificial, tem automação, tem gente que é muito bem formada, fazendo toda a diferença, preservando o meio ambiente. E a gente não consegue comunicar isso. Então, de fato isso não tem, ainda não conseguimos, isso está gerando um determinado até prejuízo, porque o volume de pessoas que se declaram vegetarianas, veganas, ou contra o agro, apesar da estatística ser difícil, tem crescido. E esse é um problema, se a pessoa falar, eu não como carne, porque eu quero que abata o animal, superlegítimo, e eu respeito absolutamente. Eu não como, porque eu não gosto do gosto. Ok. Mas, porque eu estou destruindo o meio ambiente, isso não é verdade. E aí tem um problema maior ainda Luciano. Sendo dois trabalhos recentes, um americano e outro inglês, mostrando, por exemplo, que quem não come carne, tem um índice de depressão, de automutilação, de ansiedade, e de outros transtornos mentais muito maior. E faz com que acontece o seguinte, se o camarada tem uma condição financeira econômica que ele faz as reposições, encontra uma forma, para ele está tudo bem. Mas, para alguém que não se preocupou com isso, vai causar um baita de um problema. Então, quem seguiu essa linha, que poxa, se cuide. Outra coisa. O índice de quebra de ossos, especialmente o que a gente chama do quadril, da bacia, para essas pessoas que comem só carne de peixe, ou mesmo que são veganas ou vegetarianas, também são maio maior estatisticamente. E a pesquisa é com 200 mil pessoas, na Inglaterra, Estados Unidos. Então, a gente tem aí justamente uma necessidade de comunicar com essas pessoas, para que busquem a verdade, para que sigam esse passo a passo. E naturalmente, já passou da hora de se assumir essa característica. E vou falar aqui Luciano com você, vou assumir esse compromisso então, de alguma forma, junto com você, vou trabalhar ativamente para poder comunicar. E não comunicar só o lado bom. Comunicar o lado ruim também. Tem coisa. Tem os grileiros, tem esse cara com a fazenda degradada, tem essa turma que não está fazendo certo.

Luciano Pires: Uma coisa que eu vi lá no meu… almoçando junto com o pessoal da região lá, eles putos com um cara lá, que estava jogando água fora da bacia. Ele tinha algum problema na fazenda dele, e estava todo mundo puto com ele. Não é que deixa passar, barato. Não cara. Tava todo mundo louco da vida, acusando, você está fazendo a coisa errada aí.

Antônio Chaker: Está fazendo errado.

Luciano Pires: E tem outro lance que eu sempre falei para os caras. Cara, se você não quiser ir pelo argumento técnico, vá pelo econômico. Qual é o interesse que tem o dono de uma fazenda? É que ela cresça, que ela progrida, e que quando ele morrer, ela continue produzindo para o filho, e para o neto. Ele não tem nenhum interesse em destruir o ambiente onde ele está, para ter um ganho imediato. Ele quer que aquilo passe de geração em geração. Se você visitar o interior do Mato Grosso, você vai pegar os caras que chagaram lá nos anos 70, brigando no tapa com onça, e vai encontrar o filho, o neto, e os netos sendo preparados para o bisneto tomar conta daquele espaço. Quer dizer, é uma coisa olhada no longo prazo, para crescimento. Não é algo que entra alguém, degrada e vai embora. E durante muito tempo, ficou se entendendo isso. Vou criar boi, o que que eu faço? Eu degrado. Destruo tudo, faço pasto, crio boi, depois vou para outro lugar, vou invadindo, vou invadindo. Pode ser até, não, com certeza isso aconteceu. E a gente precisa entender o contexto histórico né? Então, quem não sabe da história no começo dos anos 70, quando se tomou aquela ideia de que cara, nós temos que interiorizar o Brasil. O Brasil tem que ser ocupado o interior dele, porque se a gente não ocupar, alguém ocupa. Houve um grande movimento, e o governo dizia o seguinte, cara, se você sair da sua terrinha no Rio Grande do Sul, e vier para esse fim de mundo do interior do Mato Grosso, se você chegar aqui, desmatar, cercar, e deixar tudo bonitinho, eu te dou a terra. Você ganha a terra. Então, as pessoas eram pagas para fazer exatamente isso. Chega, desmata, arruma e ocupa. Havia uma intenção para isso. Então, eu não posso olhar para esse cara que chegou lá nos anos 70, e dizer que esse cara era um desmatador, um bandido. Não cara, ele estava cumprindo um papel naquela época. Que hoje, eu não consigo mais. Hoje, aquela terra está valendo uma grana grande lá. Mas, se eu não entender como essa coisa vai, eu fico olhando só a foto do momento, que o cara pega uma foto de um incêndio na Amazônia, e bota aquilo no mundo inteiro, dizendo que a culpa é sua, que cria boi. Você criador de boi.

Antônio Chaker: E junto com isso, também não se vê o quanto de gente muito positiva que está trabalhando nesse segmento. Então, as fazendas estão cada dia mais avaliando por exemplo, o balanço e emissão de gás, efeito estuda, isso já é comum. A gente já tem, por exemplo, grandes programas de desenvolvimento, escolas. Qualquer fazenda, seja pequena, média ou grande, as crianças estudam, elas vão para a escola. O salário, condição de vida. Então, nós estamos falando de uma situação que ela é de fato ambientalmente correta, socialmente justa, que as pessoas adoram. E tem uma coisa também que todo mundo, a maioria não sabe, que uma parte importante das fazendas Luciano, dá prejuízo. Quero fazer, quero fazer, dá prejuízo. A partir do momento que a economia, 94 estabilizou, não tinha mais inflação, e o cara teve que produzir, ele teve que se especializar de tal forma, e produzir, e principalmente gerir custo, para que possa realmente ser profissional. Então, acaba tendo uma migração dos caras menos eficientes, para os mais eficientes. Via de regra, o menos eficiente, aquele camarada que tem a fazenda degradada, e essa é a fazenda problemática, porque naturalmente ela não produz, então, ela não gera resultado, e é ruim para o meio ambiente, para alguém que comprou, e agora está operando de forma super profissional.

Luciano Pires: E aí esse cara já tem outra fazenda, então, ele é um latifundiário bandido, que está só o grande, está acabando com as pequenas propriedades, e fazendo com que as grandes funcionem. Eu vi um trabalho interessante, feito sobre a coisa de recuperação de embalagem. Não é recuperação, como que chama?

Antônio Chaker: Reciclagem.

Luciano Pires: Reciclagem de embalagem, é um negócio assim, altamente profissional. E falei, cara, olha o nível que esses caras estão trabalhando, quer dizer, de reciclagem da embalagem que é utilizada. Vi outro trabalho lá também, que eu fui falar com o pessoal dos pilotos de avião, que fazem o avião… e eles estavam me contando como é que era, e como é hoje. Então, eles diziam o seguinte, que a gente passa com o avião, e o avião joga o defensivo em cima da plantação, e o avião tinha um certo controle. Então ele passa, joga o defensivo, ele faz a volta, e joga de novo. Então, ele vai cobrindo, vai e volta. Só que isso causava um overlap, porque o cara não tinha muito controle, então eu jogo, quando eu volto eu jogo. E uma parte desse novo corredor que eu estou passando, entra um pouco em cima do corredor que eu acabei de passar. Então, o veneno caia duas vezes, em uma pequena faixa. Só que essas duas vezes, significam R$ 2 milhões de reais, quando eu faço a conta. O overlap, é R$ 2 milhões de reais a mais que é gasto, que não precisava ser gasto. Então agora a gente está usando GPS, quem conduz é GPS, então o avião já passa… Isso chama a atenção, porque qualquer piscada que um produtor sério der, são R$ 2 milhões que vão embora. É R$ 1 milhão que vai embora. Esse cara compra uma máquina lá, uma colheitadeira de algodão, que trabalha 3 meses por ano. E aí ele fica 9 meses do ano, em um equipamento de R$ 2 milhões de reais, parado, dentro do galpão.

Antônio Chaker: Hoje, agora atualizou, U$ 1.200.000 dólares a colheitadeira de algodão.

Luciano Pires: Meu, parado 9 meses.

Antônio Chaker: Exatamente.

Luciano Pires: Aí você olha para aquilo, cara, do ponto de vista da gestão, isso não faz o menor sentido. Meu, tem que alugar. Mas, não dá para alugar. Como é a logística disso? Não dá para tirar daqui, e levar para lá. Ele tem que ter. Eu fui visitar uma fazenda gigante lá também, cheguei no aeroporto da fazenda, tem um cinema na entrada da fazenda, uma loucura. E o cara estava mostrando para nós, a área de preparação do algodão, gigante. Ele falou, isso fica parado 7, 8, 9 meses por ano.

Antônio Chaker: E quando trabalha, tem que ser supereficiente.

Luciano Pires: 24 horas por dia, a milhão. E aí para. Aí você pega um cara de gestão, de indústria, o cara explode a cabeça. Como que é, um ativo desse pardo 9 meses? Isso não existe cara. E, no entanto…

Antônio Chaker: É a janela do clima, afinal você tem, quando plante, quando colhe. Luciano, essa coisa é tão detalhista, na soja, por exemplo. Se uma semente de soja a menos cair, no metro quadrado, uma única semente. Uma, ela é capaz de reduzir 30% o lucro final da lavoura de soja. Uma única semente que caiu menos no metro. Se o animal, por exemplo, um boi…

Luciano Pires: Cair, você quer dizer, perdeu?

Antônio Chaker: Assim, se a planteira não estiver regulada, se o processo não for muito bem-feito, uma única semente em um metro quadrado, pode reduzir até 30% a margem final desse produtor. No caso da pecuária, 40 gramas de ganho, para dar uma ideia assim, o animal a pasto, normalmente vai ganhar 500, 600 gramas. 40 gramas de ganho, muitas vezes é capaz de dobrar o resultado. Então, você tem um processo altamente complexo, porque é um ambiente vivo, cada ano é diferente, porque chove mais, chove menos. Você precisa ter um planejamento de longo prazo. A gente até coloca no agro, os próximos 12 meses são passado, porque os processos, especialmente na pecuária, são plurianuais. Então, exige um conhecimento e uma capacidade em gestão.

Luciano Pires: Quando você fala do plurianual, quer dizer, o resultado de hoje, foi o que eu plantei…

Antônio Chaker: 3, 4 anos atrás.

Luciano Pires: Atrás. Se eu não tomei a providencia lá, eu não tenho mais como buscar o prejuízo.

Antônio Chaker: Exatamente. Então, por exemplo, do dia que aquela matriz, aquela vaca foi inseminada, por exemplo, ela tem 9 meses para nascer, depois tem 7 para desmamar, depois tem mais 2 anos aproximadamente, pode ser mais, menos, a gente espera que seja menos, para que esse animal seja abatido. Então, no final, quando você vê, passaram 3 anos e tanto. E se eu errei lá atrás, eu vou colher esse prejuízo. Então, é um processo que exige uma capacidade de gestão, de liderança, de acompanhamento de resultado, que é onde exatamente foi nossa especialidade. Foi transformar esse lugar onde normalmente a turma, eu brinco, onde ainda tem o língua preta, o boi caruara, o bezerro guacho, onde tem os termos do agro, ao mesmo tempo que você tem essa coisa, que pode parecer simples, você está falando de fazer uma gestão da rotina do dia a dia superaplicada, monitoramento via OKR, quadro de gestão à vista, inteligência artificial. Por exemplo, é claro que a gente faz alguns ajustes. Para o gestor, possivelmente nas suas reuniões executivas, era reunião trimestral de revisão de tendência. E a gente chama de revisão do taca pedra, reunião do taca pedra. Que é um momento que a gente vai analisar o que deu certo, o que deu errado, e poder seguir dessa forma. Então, quando se entende esse alto grau de complexidade, toda essa pressão que a gente sofre, inclusive econômica, porque se eu fizer mal feito, eu vou ter prejuízo. Tanto que o grau de endividamento muitas vezes da agricultura nos nossos clientes, são quase 3 safras de dívidas para frente. Então o cara ainda tem juros pagando.

Luciano Pires: Sem contar o imponderável né cara, porque a chuva vem, mas eu não sei exatamente como, quando. Cara, o frio vem, e eu não sei exatamente. Olha o que está acontecendo em São Paulo agora, que horror deve ser. Eu vi ontem uma foto de um vinhedo, no Rio Grande do Sul, todo cheio de fogueirinhas, cara. Todo com fogueirinha. A cada 1 metro e meio, uma… para poder a temperatura manter ali, para não perder para a geada.

Antônio Chaker: Você imagina, esse ano par o agricultor, atrasou para plantar o soja, ele plantou mais tarde. Ele não conseguiu plantar o milho na janela ideal, que a gente fala, plantou um pouco mais tarde. Teve a seca, depois veio a geada. Então, o camarada estava naquela expectativa, poxa, vou bater o recorde, e não tem. Então eu falo assim, a gente nunca reclama de clima, nem de preço, porque são coisas que não dependem da gente. Mas, de fato, tem que estar preparado para isso, faz parte do jogo. E aquela coisa, comida guardada, e dinheiro em caixa, é fundamental para você poder dormir. O melhor remédio para dormir, é comida guardada, e dinheiro em caixa. A comida, por causa da pecuária, porque, se gear, se tiver seca, tem que ter guardado para os animais. E o caixa, para poder viver.

Luciano Pires: Cara, eu vi, toda vez que eu tenho a chance de conversar sobre o agro, eu conto essa história, que eu ouvi lá no Mato Grosso, que os caras disseram que vieram 2 ou 3 americanos, estavam lá viajando pelo interior com eles, e aí pararam para almoçar, estavam conversando, e o americano falando cara, eu não consigo entender o Brasil. Vocês não têm estrada, vocês não têm silo, vocês não têm hidrovia, vocês não têm trem, vocês não têm porto. E mesmo assim, vocês batem a gente, vocês estão pau a pau com a gente lá nos Estados Unidos. O dia que vocês tiverem isso tudo, nós estamos fodidos, entendeu? Porque, a hora que vocês resolverem a questão toda da infraestrutura aqui, ninguém mais segura isso aqui, porque cara, com todos esses problemas, a gente tem esses números aí, e cada ano que passa, eu escuto um número novo, né? Cara, vai dobrar, está aumentando, vai aumentar.

Antônio Chaker: Mas tem uma coisa maravilhosa, o produtor. O produtor, ele é trabalhador para cacete, entendeu? É focado, é um acamarada que dedica a vida dele. Porque produzir alimento, não é uma profissão, é um estilo de vida. Que o camarada está lá, você imagina o camarada que está ali no dia a dia, morando em uma propriedade. Então assim, é uma turma camisa 10, que faz esse negócio acontecer. Arranca esse resultado, né?

Luciano Pires: Sim. Eu tive conversando com um deles lá, eu tive a chance de visitar. Então, do mesmo jeito que eu desci de avião numa fazenda gigantesca, eu também fui na fazenda menorzinha. E eu cheguei em uma delas lá, e estava conversando com o dono, batendo papo com a gente, perguntei para ele, vem cá, como que foi seu número? Ah, ano passado faturamos R$ 8 milhões de reais. Então você fala, R$ 8 milhões, puta grana, os caras estão ganhando dinheiro. Aí eu comecei a especular com ele, mas vem cá, quantas pessoas são aqui? Ele falou não, aqui temos duas famílias. A minha família, e a família do meu filho. E aí começou, fui fazendo a conta, são duas famílias. Mora marido e mulher, tem tantos filhos, quando chegou no final, cada um desses caras estava ganhando o equivalente ao salário de um gerente médio aqui em São Paulo. Então, quando se fala R$ 8 milhões, o olho cresce. Porra. Só que cara, eu não sei percentualmente, mas o volume desses 8 que vai embora em semente, em equipamentos, em manutenção, é gigantesco. O que sobra no final…

Antônio Chaker: É, quando acontece tudo muito bem, se sobra em torno de 25% seria a margem, que normalmente sobra, quando tudo é ótimo.

Luciano Pires: Se der tudo certo. Você está falando de pecuária ou de agro hoje?

Antônio Chaker: Os dois.

Luciano Pires: Geral.

Antônio Chaker: Na verdade, você tem momentos, no caso, a margem da pecuária hoje, das fazendas profissionais, é próximo a 30%, se acontecer tudo bem. Porém, a média, a gente já acompanhou aproximadamente 580 propriedades. A média, não chega a 6%. Então, você tem uma fração.

Luciano Pires: 6? Você falou 6?

Antônio Chaker: 6.

Luciano Pires: O profissional faz 30.

Antônio Chaker: E a média faz 6.

Luciano Pires: Quer dizer, tem gente fazendo -4, -5, -10.

Antônio Chaker: Muita, muita. Tanto que você pega os extratos dos melhores, e da média, via de regra, os melhores estão 4 ou 5 vezes mais do que a média, para mostrar o quanto a gente ainda está nessa fase de evolução. Tanto que, o nosso trabalho, é poder comunicar com essa grande maioria, o que esses melhores estão fazendo.

Luciano Pires: Trazer a média para cima, sim.

Antônio Chaker: E cada ano, sobe a média.

Luciano Pires: O que que esses melhores fazem? Porque imagina o seguinte, que deve ser meio que um ciclo. Eu vou bem, eu ganho mais dinheiro, eu invisto mais, eu profissionalizo mais. Quanto mais, mais eu faço. Então, com a grande fazenda, tem condição de fazer o melhor possível, e chegar em 30%.

Antônio Chaker: Existe, até tem uma coisa interessante que vale a pena contar aqui Luciano. Nós atendemos líderes homens, e mulheres, na frente do agro. E fazendas lideradas por mulher, evoluem mais rápido que fazendas lideradas por homem. Ou seja, mulher, nos nossos números, são melhores gestoras que homens. Então, para responder sua pergunta, o que que os melhores fazem. Existe uma característica muito importante, que é o divisor de águas entre as médias e as melhores, isso é muito comum das mulheres, que é assumir a responsabilidade. Aquela coisa assim, que a grande maioria, deu errado porque não choveu, deu errado porque o governo, deu errado porque… sempre põe a culpa em alguém. Essas melhores empresas agropecuárias, a responsabilidade é sempre do líder. Então assim, olha, a gente ficou muito exposto a seca, então, a gente errou a hora do plantio, a gente não fez. Então, primeira característica que divide isso, é assumir ou não a responsabilidade do êxito. Essa é a primeira característica. A segunda característica, é criar uma condição de ter o mínimo de planejamento. O mínimo. Porque grande parte das pessoas, é de fazer, não é de planejar. Então, quando você tem um planejamento assim, o que que vai acontecer, mesmo que simples, você já consegue antecipar o que pode dar de errado. E aí você começa a estruturar esse planejamento, e acompanhar de perto se está acontecendo ou não. Não são práticas técnicas, são práticas gerenciais, que acabam fazendo completamente a diferença, quando desvia, você vai lá e…

Luciano Pires: Me dá um exemplo de como é que o planejamento pode, em linguagem que eu consiga entender aqui.

Antônio Chaker: Tá, muito bem, vamos lá. Vamos imaginar uma fazenda de pecuária, onde você tem um planejamento, em determinada data, abater 20 bois. Então assim, outubro, a programação é abater 20 bois, e 1 boi tem mais ou menos 550 quilos em peso vivo, vamos imaginar assim.

Luciano Pires: Esse número que você está me dando 20, você chutou, ou é um número real?

Antônio Chaker: Não, o multiplicador, via de regra, dos menores, é 18. Mas, eu só arredondei para cima.

Luciano Pires: Tá, abater 20 bois, em um determinado mês, é um número real.

Antônio Chaker: A fazenda precisa, vamos imaginar de pecuária, para dar um número de giro de estoque… O camarada é dono de uma fábrica, uma indústria, de uma loja de caneca. O que ele menos quer, é caneca estocada. Ele quer girar as canecas. Ele quer girar 100%, 200%. No caso de pecuária, o giro de estoque de quem trabalha com uma fase que a gente chama de comprar o bezerrinho e engordar, ele tem que vender 60% do que ele tem. Então, se ele tem 1000, ele tem que vender 600. Se ele vender menos que 600, a coisa está errada.

Luciano Pires: E vender, significa?

Antônio Chaker: Abater. Então, ele vai abater 600. A partir do momento que ele entendeu que ele precisa abater 600, ele vai distribuir os 600, de acordo com que a gente chama de programação de vendas. Porque você tem animal com 300, 350, 400. Então, eu tenho meu processo gerencial, onde eu defini que eu tenho uma determinada meta, de abater 20 animais no mês, 200 no outro. Estou dando exemplo. Tem situações que tem 20 mil, mas…. Para eu poder em outubro ter esse abate, em fevereiro ele tem que estar com um determinado peso, porque ele tem que ganhar X gramas por dia, para lá chegar nesse momento. E aí eu passo a ter um protocolo por exemplo, de pesagem periódica, que pode ser bimestral ou trimestral, para acompanhar se ele está ganhando esse peso, ou não. Então, naquele momento que eu pesei esse animal, e vi se ele está dentro ou fora da meta, se ele está dentro da meta, ok, bolinha verde. Se ele está fora da meta, qual é a atitude que a gente vai ter. Porque se a gente não medir e verificar isso, quando chegar na data, ele não vai estar com peso.

Luciano Pires: Medir, medir, medir.

Antônio Chaker: E esse processo de gestão é organizado em 3 grandes estruturas. A primeira, é o índice de êxito. Quer dizer, a fazenda tem que dar 5% do que ela vale, a gente faz indicadores de resultado. Indicador de controle, que são essas métricas que a gente acompanha todo mês. Que apareceu bolinha vermelha, em relação ao que era para ser, você já vai agir. Que isso é fazer gestão. E aquelas coisas que são de verificação. Por exemplo, eu não precisei medir, quantas coisas tem aqui no seu estúdio, para achar seu estúdio superlegal. Nossa, é muito legal. Mas, eu não vim aqui e contei, olha, você tem isso, aquilo. E a fazenda é a mesma coisa. Então, você tem aquele olhar do dia a dia, para entender assim, se o pasto está do jeito que era para estar. Se o animal tem o comportamento, aquela sensibilidade do campo. Se naquele horário, se ele estiver de pé, alguma coisa está errada. Porque, naquele horário, ele já tem que estar deitado. Então, você tem aí métricas, ou indicadores, que não vira número, mas, eu tenho essa sensibilidade, no dia. Métricas mensais, trimestrais. Então, a acompanhar esses números, e simplesmente entender o desvio e trabalhar no desvio, é o que faz essa diferença. Então, não é mais a vida me levar, vida leva eu. Tem um trabalho importante de analisar número, e tomar decisão. E é isso que faz essas fazendas, aquela coisa, surpresa zero. Tem uma frase que a gente coloca assim, só tem uma coisa pior que notícia ruim. É notícia ruim, que demorou para chegar. Então, que a gente saiba o mais rápido possível o que está acontecendo, e a gente normalmente consegue corrigir. E os caras já entenderam o lance da bolinha verde, bolinha amarela, bolinha vermelha. Isso acaba sendo universal. Então, é nesse aspecto que a gestão acontece. Ou seja, eu gastei o que estava no orçamento? Eu faturei o que estava previsto? E assim por diante. Então, não tem erro, porque passa a ser daí mais fácil, que o camarada que vende calçado. Porque eu não preciso ter um departamento comercial. A partir do momento que eu produzo a comoditie, eu vou vender. Agora, o camarada que vende caneca, ele tem que ter um departamento comercial. Então assim, o processo fabril, e excelência operacional, é o que define isso. Por isso que o Brasil, no final das contas, é quem vai alimentar o mundo, porque a gente está seguindo de uma forma muito poderosa.

Luciano Pires: E você falou um negócio agora há pouco, que é sensacional. Você falou como é, o hectare, tem cara alimentando 100 pessoas, com 1 hectare. Foi isso aí?

Antônio Chaker: Com carne, 100 pessoas. Exatamente. Claro que eu estou falando de um [outlier] completo, aquela coisa de uma situação que é praticamente difícil de replicar, mas, você já tem uma luz no fim do túnel. Mas, se a gente tirar um pouco desses grandes exageros, já tem gente alimentando aí 30, 40 pessoas. Estou falando com carne. Ou muito mais. Então, eu estou muito tranquilo, em relação a capacidade do agronegócio suprir a demanda de alimentos, porque acontece uma transformação muito grande de gerações, de pai e filho. Então, entra com pessoas com muito proposito. Apesar de ser o floco de neve, que a gente comenta dessa nova geração.

Luciano Pires: Não, mas é floco de neve aqui na cidade. Tem floco de neve no campo também?

Antônio Chaker: No campo também, é impressionante, é a geração. Mas, ao mesmo tempo, são pessoas que trabalham por um propósito, por um significado. E aí quando você consegue engajar ele nesse proposito, significado, a cosia anda em uma velocidade gigantesca. Então, aquela coisa, o cara matava onça. A nova geração, não está interessada em matar onça, o camarada não está interessado. Então assim, o otimismo é muito grande, porque a gente percebe essa evolução de pessoas que querem fazer.

Luciano Pires: Ela não está interessada em matar onça, porque o avô dela já matou a onça.

Antônio Chaker: É isso. O volume de fazendas que já são certificadas também, o negócio da onça. São pessoas que tem… e se o avô não matasse, a onça comia ele. Naquela hora.

Luciano Pires: A ideia é essa aí, ou eu ou a onça.

Antônio Chaker: Então, tinha essa cosia. E hoje não. Então assim, a nova geração talvez, a partir da minha que é X, Y, você já vê uma condição de transformação, e uma adaptação a essas tecnologias. Se a fazenda não tiver internet, não tem peão para ficar nela, esquece.

Luciano Pires: Hoje, o wi-fi é fundamental na fazenda.

Antônio Chaker: A primeira, o cara não pergunta qual vai ser o salário. Ele pergunta, “tem wi-fi, tem internet na fazenda?”. Depois, qual vai ser o salário. Essa é a pergunta. Então, esse advento faz com que seja bom, e também Luciano, nós estamos atraindo gente da cidade para trabalhar. Então, o camarada que a vida inteira trabalhou, por exemplo, na rede elétrica. E rapidamente, ele aprende o processo, trabalha. Então, entende que aquela vida pode ser positiva. Porque é processual, porque é profissional, porque tem tudo que ele precisa.

Luciano Pires: Fala um pouquinho da questão indígena, cara. Você tromba com esse tema, no seu dia a dia?

Antônio Chaker: Trombo com esse tema, e talvez esse seja o ponto mais difícil, dentro de todo esse processo Luciano. Eu posso dizer, por exemplo, que eu tive trabalhando em Altamira, no Pará, durante uma fase da construção de Belo Monte. E por muitas vezes, a gente não conseguiu chegar na fazenda, porque a fazenda foi fechada pelos índios, não deixava chegar insumo na Belo Monte. Tinha os pleitos, e as demandas. Então, você tem aí, uma situação muito complexa também, porque o camarada encontrou uma ponta ali de flecha, e aquilo significa que aquela era indígena. Apesar daquela família já estar naquela área há mais de 50 anos. Então, você entra em uma demanda muito complicada. E muitas vezes, você acaba não conseguindo mostrar, porque aquele camarada que está ali, está querendo invadir, na verdade muitas vezes, esse cara, vai para a aldeia, quando é para ir para a aldeia. Senão, ele está na cidade. Claro que tem aldeia, não estou avaliando que é sempre assim. Mas, essa é uma questão muito séria, e talvez muito complexa de ser resolvida. E talvez a grande ameaça, quando todo mundo gela, quando se fala na questão indígena, e que precisa ser endereçada para tentar ser resolvida. Da mesma forma que a fundiária, é legal.

Luciano Pires: Eu fui, em uma das minhas visitas lá no Mato Grosso, tem lá histórico de uma hidrovia que chegou a começar. E eu fui na cidade, não vou lembrar mais. Foram 22 cidades em 15 dias, eu já não sei mais o que que fica onde, eu misturei tudo. Mas, uma das cidades lá, que era a cidade onde começaria a hidrovia. A gente estava lá no local onde ia começar, tinha um restaurante, e tinha um senhor contando para a gente a história. O olho dele marejava, enchia de lágrimas. Ele falou, está vendo ali aquele lugar? Aquilo estava coberto de máquinas de terraplanagem, tudo, o Presidente da República veio aqui, e fez o lançamento da hidrovia. Fizemos uma inauguração. A hidrovia, ia começar a obra da hidrovia, foi uma festa gigantesca, e a gente ia mandar a coisa adiante. E de repente, uma semana depois, entra um processo qualquer pelo Ibama, alguma coisa referente a meio ambiente, e travou o negócio por 40 anos. Ele falou, cara, eu vi as máquinas estragando aqui, eu vi as máquinas paradas aqui. Tudo aquilo estragando, na chuva, no relento, e nós nunca conseguimos fazer a hidrovia, a um passo, porque ficou parado com uma questão ambiental. Então tudo aquilo que aconteceu aqui, foi um sonho, que nunca rolou. E o olho dele, enchia de lágrima. Quer dizer, o progresso não conseguiu chegar lá, porque foi brecado por alguma demanda de meio ambiente. Que é aquela coisa que o pessoal acha, não pode fazer hidrelétrica porque tem um bagre, porque tem um sapo, tem isso e aquilo. Nós não podemos desdenhar dessas demandas. Mas, alguém tem que se preocupar com isso. Senão, a gente atropela tudo. Mas, esse jogo é um jogo que realmente você falou, é bem delicado. Como é que você faz para…

Antônio Chaker: Tem as áreas demarcadas, por exemplo. Aí normalmente os problemas estão nesse entrono. E volta, possivelmente, nas questões que você colocou naquela ocasião, como a questão de justiça mesmo. De definir qual a regra, e sustentar essa regra. Porque, de fato, é importante que isso seja resolvido. Enquanto não tem, você tem embates, e via de regra, os embates eles acabam caminhando para parar tudo o que está acontecendo. E além de situações mais graves, como conflito, morte, que quem está no agro, sempre percebe isso acontecer. E aí talvez os mais radicais, estariam aqui enlouquecendo, contando uma série de histórias, que são absurdas, em relação ao tema, sobre como eles se comportam, o que eles fazem, o que eles têm, a ponto de muitas vezes falar assim, não, é inacreditável esse tipo de coisa. Que precisa ser endereçada, também precisa ser resolvida. Da mesma forma que a nossa questão fundiária de justiça, para poder avançar, naturalmente preservando, seguindo o que é fundamental para o país, que é manter a cultura. A importância da cultura. Então, a gente não está negando isso, mas, de fato, é esse o problema que arrepia todos que estão em áreas. Eu, pessoalmente, teve uma ocasião que os índios estão vindo, vão invadir, vão embora, um stress, todo mundo chorando. Essa situação era alarme falso. Mas assim, eu pessoalmente vivi algo parecido com isso aí, mas há uns 20 anos atrás, mais ou menos, com essa preocupação mesmo, de seguir. Então, você vê o mundo que enquanto você está podendo produzir alimentos, usando a máxima tecnologia, satélite, drone, ferramentas de inteligência artificial. E por outro lado, aquele medo do…

Luciano Pires: Você tem um drama social na outra ponta.

Antônio Chaker: Isso aí, muito bom.

Luciano Pires: A gente podia olhar o que tem lá fora. Se você for nos Estados Unidos, tinha um drama parecido lá, os caras meio que resolveram de um jeito lá… é, pois é cara.

Antônio Chaker: Resolveram do jeito pior. E eu falei agora, nós temos 60% de mato, os caras te 19%. Então assim, nós temos índios, eles não têm. Então, tem um pouco dessa reflexão aí, que tem que ser olhado.

Luciano Pires: Sim, e o problema nosso é atual. Não estou falando de 100 anos atrás. É agora, está acontecendo agora.

Antônio Chaker: É agora.

Luciano Pires: Complicado. Meu caro, você é o fundador, um dos fundadores, da Terra Agropecuária, que hoje é patrocinadora do Café Brasil, cara.

Antônio Chaker: Pois é, exatamente. Você sabe que eu me emocionei. O Rodrigo me falou, “pô, nós vamos patrocinar”. Mas, na hora que eu ouvi a abertura do programa, foi emocionante.

Luciano Pires: Legal, né? Eles me chamaram para fazer o evento lá, e a gente na conversa, um bate-papo assim, comendo uma carninha ali na hora, cara, porque que vocês não vêm? Como assim? O PodCast, o agro é a terra do PodCast. Eu fui descobrir isso aí, sem querer. Mas, por que no agro? Porque no agro, tem grandes dimensões, o tempo existe no agro. Não é aquela coisa do urbano, tudo rápido, corre, agora estou aqui, subindo. Não, o agro é o seguinte cara. Eu tenho que sair daqui, para ir buscar tal mantimento. São 3 horas, cara, que eu vou dirigir.

Antônio Chaker: O agro, tu anda 5 mil quilômetros, dirigindo, tal. Vai ouvindo.

Luciano Pires: Ele tem tempo de ouvir. Aí um belo dia, eu descobri que eu tinha um mundo de ouvintes no agro. E aí conversei com eles, falei, cara, testa. E foi muito legal, porque eles tiveram um retorno muito interessante ali. Mas, aquilo foi uma iniciativa sua, de montar uma empresa para cuidar da gestão da…

Antônio Chaker: Da gestão. Isso foi de 2002 a 2015. Em 2015, nós entendemos que a gente precisava especializar. Foi quando eu assumi, nós criamos o Instituto Integra, que é o que cuida das métricas, dos números, e que tem um método, software, essas coisas, para fazer com que esse método de gestão pudesse chegar em várias fazendas. Então, hoje a gente é uma empresa franqueadora, onde nós temos várias empresas de consultoria franqueadas pelo Brasil. Então, tem em praticamente todos os estados, Paraguai, Bolívia, Colômbia, onde a gente atua fazendo isso. Estabelecendo metas, fazendo valer os valores positivos, acompanhando os resultados, através de tudo isso, essa gestão.

Luciano Pires: Eu tenho uma fazenda. Eu vou lá e contrato você, para vir fazer uma avaliação na minha fazenda, e definir métricas. Qual o trabalho que você me oferece?

Antônio Chaker: Na verdade, assim, nós temos um trabalho de transformação. Então, quando contrata o trabalho de transformação é entender onde a fazenda está, do ponto de vista de produtividade e rentabilidade. Onde ela poderia estar. Dimensionar essa distância, e criar um projeto para que essa distância seja diminuída, acompanhando através da gestão, e principalmente do desenvolvimento de pessoas dentro desse processo. O papel do Instituto é dar número para tudo isso, estatística, métrica, inteligência. E o papel do nosso técnico franqueado, é justamente cuidar desse processo de transformação. Então, hoje nós temos aí com quase 600 fazendas, além de trabalhar com quase 100 técnicos no campo, 20 pessoas no back office. Um banco de dados, podendo já se preparar apara big date, estatística, inteligência artificial, essas coisas todas, para justamente trazer essa atualização nesse processo de gestão.

Luciano Pires: O 5 G está começando pelo agronegócio cara, impressionante. Eu tive algumas supressas assim, que eu não imaginava. De encontrar núcleos, em regiões que para mim, fui lá para a região da Bahia, no oeste da Bahia, né, onde está Luiz Fernando Magalhaes, aquela coisa toda. Luiz Eduardo, desculpa, Luiz Eduardo Magalhaes, que era uma região que ela não está no mapa do agro, para quem é de fora. Eu estou olhando para mim, não tinha nada lá. De repente, aquilo está virando uma coisa impressionante.

Antônio Chaker: Primeiro mundo.

Luciano Pires: Então, mas tem núcleos assim, o agro está se expandindo para esses núcleos, né? O que que faz o agro estabelecer um núcleo como esse?

Antônio Chaker: A característica agronômica de solo.

Luciano Pires: Então, você chega lá, o solo é ruim. Como aconteceu com o Brasil. O Brasil tinha um solo ruim, não acontecia nada. Em Belo Horizonte, os caras vão lá com tecnologia, transformam aquele solo. Para onde é que está indo o agronegócio? Ele está expandindo para onde?

Antônio Chaker: Na verdade, no primeiro momento, ela caminha para as novas fronteiras, onde você tinha a terra mais barata. Então, especialmente, aquela coisa, o paulista, paranaense, foram subindo. Então, você tem uma colonização aqui dos anos 20, 30 e 40. Paraná, 60 e 70. Mato Grosso do Sul, 80 e 90. Então até anos 2000, chegando já no norte do país, por uma questão de valor de terra, muitas vezes.

Luciano Pires: E vai parar ali na Amazônia? Bateu na Amazônia, ele para.

Antônio Chaker: Ele para ali, exatamente. E o ciclo era, vem a pecuária, e a partir desse momento, se entende se essas áreas de pecuária sofrem conversão, porque quando a pecuária é feita de uma maneira que não é adequada, degrada, dá baixa rentabilidade, chega a história da agricultura. E agricultura, ela aprendeu a se produzir em áreas menos férteis, onde você tem tecnologia, você aumenta matéria orgânica do solo. E com isso, foi criando uma nova fronteira agrícola, que seria a fronteira das terras, e pastagem degradada. E aí vem a turma da agricultura, já com toda essa tecnologia, e que inclusive produzir no cerrado, foi a melhor coisa que aconteceu para a Amazônia, porque você descomprimiu toda uma pressão transformista dentro da Amazônia, que agora tem o cerrado. Essas áreas de cerrado. Então, você tem essa jornada expansionista. E aí tem um ciclo interessante. Depois que essas áreas de agricultura se consolidam, e aí tem os degraus, que o camarada começa no soja e milho, talvez vai para algodão, quando tem essa possibilidade. Mas, já tem uma nova jornada se iniciando, que é jornada da pecuária, superintensiva, no sentido de produtividade, nessas áreas que vieram de agricultura. Então, é uma espécie de uma concorrência positiva entre essas culturas.

Luciano Pires: Era o que eu ia ter perguntar. Quer dizer, aquela área da pecuária que passou para algum lugar, que degradou o pasto, e que foi depois ocupada pela agricultura, para onde foram esses bois que passaram ali? Foram para onde?

Antônio Chaker: Esses bois, foram para as áreas bem-cuidadas de pecuária, porque o rebanho não diminuiu. Então, as áreas bem-cuidadas, receberam esses bois, porque em média a gente tem aí 09 cabeças em cada 10 mil metros quadrados. Mas, nós temos tecnologia para trabalhar com 9. Então…

Luciano Pires: Sem aumentar a área?

Antônio Chaker: Sem aumentar área, sem diminuir, sem suprimir reservas, essas coisas. Então esse é o processo. Então, a gente tem vários ciclos. Então tem o ciclo antigo, do sistema de produção antigo, que virou agricultura. E aí essa agricultura já está acontecendo iniciativas, o agricultor voltar para essa pecuária moderna, profissional, intensiva, nessas áreas de agricultura.

Luciano Pires: E eu ouvi dizer também, que uma parte da indústria também vem junto, né? Porque ela vem, de repente o cara começa a processar.

Antônio Chaker: Vem junto. Vem indústria, processamento, vem junto com isso, vem a produção de aves e suínos. E com isso vem universidade. O legal da universidade, uma coisa assim, você tem nessas cidades do Mato Grosso, por exemplo, que progrediram muito, a universidade, tem um cara que se formou em Viçosa, tem um cara que se formou em Maringá. Tem o camarada que se formou aqui na USP. Então, ele muda com a família, para ser o professor ali. Aí tem o executivo dessa indústria, que também foi executivo… Então você tem uma colonização, e uma atualização cultural dessas regiões, que é maravilhosa. Por isso que você chega na… isso aqui é primeiro mundo.

Luciano Pires: Aliás, uma recomendação. Vá, dá uma visitada no interior do Maro Grosso, e vá nessas cidades novas que estão ali. Novas em termos, né? Cidades que já tem 30, 40 anos. Mas, você vai ver um planejamento, é outro mundo, é outra história.

Antônio Chaker: É outro mundo. E gente que quer fazer o bem, assim, a sociedade secreta dos incomodados. Porque o cara sair aqui de Minas, São Paulo, para ir, o cara vai para fazer Luciano. Ele vai com a família. Eles vão, justamente porque eles têm essa sede de realizar.

Luciano Pires: Eu não vou ali para degradar e ir embora. Eu vou ali para fincar raízes, e fazer a minha vida ali.

Antônio Chaker: Exatamente, fazer minha vida, produzir, para realizar meu sonho, para bater… justamente porque eu quero fazer. Então, isso que é o lindo dentro do agronegócio, pessoas maravilhosas. E o agro, o Brasil é o país certo, o momento é o momento certo. E aqui a gente tem os melhores profissionais, as melhores tecnologias. Então, é só questão de tempo, para a grande parte desses problemas que a gente falou, estarem resolvidos. E a gente bater no peito, e falar que a gente que alimenta o mundo.

Luciano Pires: O resumo é que eu sempre digo. A gente tem muito mais razoes para se orgulhar do agro, do que para ter preocupações com ele. Se botar, pesar, a parte do orgulho é muito maior.

Antônio Chaker: Desproporcional, com certeza.

Luciano Pires: Quem quiser te encontrar, quem quiser achar seu livro, quem quiser trocar uma ideia, quiser contratar, como que acha você?

Antônio Chaker: Legal, para achar rede social, @antoni_chacker, meu Instagram. @instituointegra. E ali no Instituo Integra, onde tem os livros, os cursos, consultoria, então, pode nos encontrar na rede social, com bastante facilidade.

Luciano Pires: Maravilha. Meu caro, valeu, cada dia que passa eu fico mais fascinado com a visão de longo praz, sabe? De onde a gente pode ir, onde a gente pode chegar. E nós estamos agora, a gente entrou em uma pega aí. As tais das rodovias estão surgindo, o trem está surgindo, a hidrovia está pintando, o aeroporto, está tudo… A hora que resolver isso tudo aí, isso aqui vai ser uma loucura, sabe? Que junto com todo o dinheiro que vem com essa… vem poder também cara. O Brasil, passa a ter um peso grande em uma balança mundial aí. E a gente pode até mudar a localização que nós estamos no mundo. Deixar de ser aquela história, o país do futebol, da mulher, da cerveja e do carnaval, né cara? Passou, bicho. Tem outro caminho muito mais importante, muito mais, eu não quero dizer nobre, porque, quando a gente fala de cultura, não tem nobre, tudo é nobre. Mas, é um peso muito maior.

Antônio Chaker: E o mais legal, tem gente que quer fazer Luciano. Então, só questão de tempo, para a gente comemorar aí essa conquista, de realmente ter mudado de patamar em relação ao mundo.

Luciano Pires: Legal. Meu caro, muito obrigado pela visita, valeu.

Antônio Chaker: Foi uma honra.

Luciano Pires: E acho que o pessoal vai curtir de montão aqui, a gente vai trocar uma ideia. Vamos obrigar aí para contar a verdade do agro para os brasileiros.

Antônio Chaker: Isso aí, vamos lá. Um abraço.

Luciano Pires: Um abraço cara, valeu.

E nasceu a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Avôhai
Zé Ramalho

Um velho cruza a soleira
De botas longas, de barbas longas
De ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde quarava
Sua camisa e seu alforje de caçador

Oh, meu velho e invisível
Avôhai
Oh, meu velho e indivisível
Avôhai

Neblina turva e brilhante
Em meu cérebro, coágulos de sol
Amanita matutina
E que transparente cortina
Ao meu redor

E se eu disser que é mei sabido
Você diz que é mei pior
E pior do que planeta
Quando perde o girassol

É o terço de brilhante
Nos dedos de minha avó
E nunca mais eu tive medo da porteira
Nem também da companheira
Que nunca dormia só

Avôhai! Avô e pai!
Avôhai! Avôhai!

O brejo cruza a poeira
De fato existe um tom mais leve
Na palidez desse pessoal
Pares de olhos tão profundos
Que amargam as pessoas que fitar

Mas que bebem sua vida
Sua alma na altura que mandar
São os olhos, são as asas
Cabelos de avôhai

Na pedra de turmalina
E no terreiro da usina, eu me criei
Voava de madrugada
E na cratera condenada, eu me calei

E se eu calei foi de tristeza
Você cala por calar
E calado vai ficando
Só fala quando eu mandar

Rebuscando a consciência com medo de viajar
Até o meio da cabeça do cometa
Girando na carrapeta no jogo de improvisar

Entrecortando eu sigo dentro a linha reta
Eu tenho a palavra certa
Pra doutor não reclamar
Não reclamar!

Avôhai! Avô e pai!
Avôhai! Avôhai!
Avôhai!

É assim então, ao som do clássico Avohai, de Zé Ramalho, na interpretação de Mayck com a fabulosa viola caipira de Lyan, que vamos saindo assim, inspirados. 

Gostou do programa, é? De onde veio esse aqui, cara, tem muito mais.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, você aí, completando o ciclo.

Olha: a busca pelo saber é fundamental. Mas quanta gente valoriza isso, hein? Os mil e setecentos assinantes do Café Brasil Premium valorizam, mas eles representam menos de 1% da nossa audiência. Será que a gente não consegue chegar no 1,5%? Vem, vem, ó. mundocafebrasil.com.

O Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do ex-ministro da agricultura Alyson Paulinelli:

“No agro vencemos etapas, temos programas, geramos soluções e mantemos viva a economia brasileira. Este agro não pode esperar pelo governo. Precisamos da sociedade civil organizada, precisamos que a sociedade reaja, e que outros setores, além do agro, se organizam e cresçam.”