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Café Brasil 794 – O Paradoxo da Tolerância

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Luciano Pires -

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Eu acho que você concorda que para ter uma sociedade justa que aceite a diversidade, bem como a liberdade de expressão e opinião que venham com essa diversidade, devemos praticar a tolerância, não é? E “tolerância” é entendida como permitir ou aceitar as ações, ideias ou as pessoas com as quais discordamos, não é?  Pois é. Mas e as pessoas que não querem aceitar os outros de quem discordam? Devemos tolerá-las?

Esse é o Paradoxo da Tolerância.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Não rola
Chimarruts

Andam dizendo por aí o que eu tenho que fazer
Como devo pensar, e o que eu devo dizer
Será que você não percebeu
que a liberdade não se compra?
Não me preocupo e vou de boa
e deixo o tempo me dizer

Liberdade pra cantar, minha doce doce musica
Liberdade pra criar, ninguém vai me derrubar
Liberdade de expressão, pensar por nós mesmos
Liberdade de opinião, ouvir nosso coração

For so long I’ve been playing this ya music
One thing I know is you just can’t please them all
Everybody in the business ‘bout competition eah
Well I’m not here to impress no I come from my heart

Liberdade pra cantar, minha doce doce musica
Liberdade pra criar, ninguém vai me derrubar
Liberdade de expressão, pensar por nós mesmos
Liberdade de opinião, ouvir nosso coração

Music is a gift we have right from the start
Inna my mommas belly feel the beat of her heart
Songs of the birds the rhythm of the rain
Say we listen to it everyday, cant ever get away
Music is not ‘bout competition
money or fame or commercialism
It comes from within our hearts
Expression so we have to keep it free
Não rola
Musica não se controla
som da expressão artística da alma
Não rola
O coração não se enrola, arte é livre é vida
e não tem hora

Liberdade pra cantar, minha doce doce musica
Liberdade pra criar, ninguém vai me derrubar
Liberdade de expressão, pensar por nós mesmos
Liberdade de opinião, ouvir nosso coração

Olhaí… essa é a banda gaúcha Chimarruts, que já tem 21 anos de estrada. Você está ouvindo Não rola…

Pois é… Olhe em volta agora… veja o que está acontecendo. Quanta gente tentando calar os que pensam diferente, impedindo que ideias sejam sequer discutidas. Promovendo censura, calando bocas, destruindo reputações, tudo em nome de proteger a sociedade.

– Proíbo você porque te amo.

É algo assim. E se você não está incomodado com isso, é porque está do lado dos que estão proibindo. Ou então porque a proibição ainda não chegou em você.

Os estudos do filósofo Karl Popper nos permitem iluminar muitas das principais questões sociais de hoje, desde as fake news, o movimento anticientífico, até as controvérsias em torno de poder, religião, raça e gênero que dominam nosso mundo. E um de seus assuntos mais instigantes é, exxatamente, o Paradoxo da Tolerância.

É o seguinte: uma sociedade tolerante deve tolerar gente intolerante? Por exemplo, você que briga pela liberdade de expressão, deve tolerar que um racista expresse suas ideias? Se você disser “não”, então você que diz ser tolerante é um intolerante à liberdade de expressão do racista. Por mais paradoxal que possa parecer, defender a tolerância precisa que não toleremos os intolerantes. Esse é o paradoxo da Tolerância.

Pra ver exatamente o que Karl Popper escreveu no capítulo sete de seu livro A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, vou pedir pro Lalá, mandar aí um hino à intolerância…

“A tolerância ilimitada deve levar ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, se não estivermos preparados para defender uma sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto com eles.

Nesta formulação, não estou sugerindo, por exemplo, que devemos sempre suprimir o enunciado de filosofias intolerantes; contanto que possamos rebatê-las por meio de argumentos racionais e mantê-las sob controle da opinião pública, a supressão certamente seria imprudente.

Mas devemos reivindicar o direito de suprimi-los, se necessário, mesmo pela força; pois podemos facilmente descobrir que eles não estão preparados para nos enfrentar no nível do argumento racional. Eles podem proibir seus seguidores de ouvir argumentos racionais, porque são enganosos, e ensiná-los a responder a argumentos usando seus punhos ou pistolas. Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes. Devemos alegar que qualquer movimento que prega a intolerância, se coloca fora da lei, e devemos considerar a incitação à intolerância e perseguição como criminosa, da mesma forma que devemos considerar a incitação ao assassinato, ou ao sequestro, ou ao reavivamento do comércio de escravos, como criminosos.”

E aí? A melodia ao fundo é o clássico Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, no violão de Fred Paegle e violino de Will Mourão. Ela tem aquele refrão inesquecível…

Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Pois é, Karl Popper defende sua posição dizendo que se permitirmos tolerância ilimitada, a intolerância usará sua liberdade para atacar a tolerância e destruí-la. E não é isso que queremos. É por isso que ele diz que não devemos tolerar tolerância irrestrita. No entanto, me parece que Popper não quer que simplesmente silenciemos ou censuremos os intolerantes, mas que lutemos com argumentos razoáveis. Ele diz que devemos ter o direito de sermos intolerantes, mesmo violentamente, com os que não estiverem dispostos ao debate, pois eles podem impedir “seus seguidores de ouvir argumentos racionais, dizendo que são enganosos, e ensiná-los a responder argumentos pelo uso de seus punhos ou pistolas”.

Portanto, comportamentos intolerantes, independentemente de qualquer julgamento dos valores que os fundamentam, devem ser combatidos ativamente a fim de preservar uma sociedade inclusiva.

Eu vou repetir esse último ponto aqui: os comportamentos intolerantes não devem ser julgados pelos méritos morais elevados da parte que está agindo de forma intolerante. Esses comportamentos devem ser combatidos com base na premissa de que são excludentes.

De novo: comportamentos intolerantes não devem ser julgados pelos méritos morais do intolerante, mas por seu caráter excludente.

Caiu aí, é? Pois é… De repente, cai a máscara de um monte de anjos e santos que querem prender você… porque te amam.

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano Pires, Lalá e Ciça. Cara! Olha eu de novo aqui na estrada no sentido Porto Velho, Buritis, Buritis, Porto Velho. Já fui Buritis, Porto Velho, Porto Velho Candeias. E hoje eu estava ouvindo Wellcome to Hotel California. Cara! Desculpe o meu inglês, é horrível, mas cara! Que programa, puxa vida. Muito bom. Muito bom. Cara! Eu estou apaixonado por essa música.

E aí, eu vou fazer uma menção também a Bohemian Rhapsody, que todo mundo adorou e eu, particularmente, gostei muito porque eu não conhecia Bohemian Rhapsody. Mas esse Hotel california foi top. Você coloca a guitarra, a voz do cara, a bateria, muito bom, muito bom mesmo. Eu parando aqui pra ir ao banheiro, beber água, falei: não. Não vou parar agora, não vou acabar com esse momento, não. Deixa terminar esse programa pra eu poder fazer qualquer outra coisa aqui e agora estou ouvindo Bohemian Rhapsody novamente. Cara! Que bom!

Continue assim. Eu estou curioso pra saber quais são os próximos que você vai fazer nessa linha aí. Estou curioso pra ouvir os próximos. Tem algumas músicas que eu fiquei pensado, depois desse do Eagles, sei lá, de repente, Californication, enfim, não sei. Enfim, foi uma viagem musical, depois de ter ouvido Hotel California, depois Bohemian Rhapsody, eu ouvi Stairway to heaven. Eu tinha ouvido antes, mas não tinha me impactado tanto, mas vou confessar aqui que o que mais me impactou o que mais achei legal foi a versão brasileira do Stairway to heaven. Gostei muito.

E anotei aqui mais uma banda pra eu pesquisar, pra eu ouvir, pra eu tentar conhecer. Apesar de já ter ouvido falar muito de Led Zepellin, nunca tinha parado pra ouvir, juntamente com Sex Pistols, são dois deveres de casa que eu vou fazer assim que eu chegar em casa.

Cara! Obrigado. Parabéns pelo seu programa aí. Sucesso sempre! Abraço. Tchau tchau. Ah! Desculpa. Aqui é Salomão de Rondônia, aqui no caminho de Porto Velho, Buritis. Sempre. Valeu, abraço.”

Rararararraa… grande Salomão, fazendo viagens musicais ao som do Café Brasil. Olha que legal… ele não conhecia Bohemian Rhapsody e nem o Led Zepellin…e essa é a delícia de fazer podcasts com a intenção de entreter, informar e ampliar repertórios. Cara! Imagine os sustos que o Salomão não vai levar…

Rarararar…. Ouvir Led Zepellin tomando sorvete é uma experiência transcendental! Aliás, é Perfetto!

No site perfetto.com.br – lembre-se, perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. Tem coisas na vida que deixam a gente sem palavras…. Led Zepellin, por exemplo e Variatta Special Cheesecake de Morango. É o equilíbrio Perfetto entre sorvete cremoso de cream cheese, calda especial de morango e deliciosos pedaços de biscoitos crocantes. Experimente!

No Instagram é @perfettosorvetes.

Luciano – E aí, Lalá? Como é que é mesmo, hein?

Lalá – Ah! Com sorvete #TudoéPerfetto, né?

Preste atenção agora: para Popper, a intolerância não deve ser empregada quando a expressão de ideias intolerantes deixa você desconfortável, ou quando essas ideias parecem indelicadas, ou quando realmente o deixam revoltado.

Intolerância – se essa é a palavra certa – só é garantida quando já estamos enfrentando “punhos e pistolas”.

Entendeu? Punhos e pistolas.

Hoje em dia, todo mundo que contradiz um determinado lado ou campo ideológico, se torna um “ista” ou “óbico”. E isso é um reducionismo para permitir desculpas como: “Estamos fazendo isso por causa dos nazistas/comunistas/fascistas/machistas.” Estamos censurando para proteger você das ideias ruins…

O problema é que quando você classifica as pessoas automaticamente nesses rótulos, começa a cancelar todos os que estão nas áreas cinzentas. Simplesmente porque não existem mais áreas cinzentas. Ao rotular, você classifica tudo em preto ou branco.

Ou você é a favor ou é contra. Não existe espaço para dúvidas legítimas. Se você é contra o desarmamento, é a favor das pessoas se matando em brigas de trânsito. Se você manifesta dúvidas sobre mudanças climáticas provocadas pelo homem, é porque é a favor da poluição e do desmatamento. Olha! Não vou dar mais exemplos aqui porque a queda de disjuntores pode ser irreversível…

Mas eu quero que você perceba: as pessoas são empurradas para os extremos. Todos os extremos. A intolerância não tem lado político. Existe entre os humanos de todas as convicções. Racionalistas são intolerantes com pessoas com ideias “alternativas”. Fanáticos religiosos são intolerantes a qualquer um que não seja de sua convicção religiosa. As pessoas à direita e à esquerda são intolerantes umas com as outras. Conservadores e progressistas são intolerantes uns com os outros.

Ao atribuir intolerância apenas para um lado, você automaticamente encerra o debate, tornando-se aquilo que Popper combate: o indivíduo para quem nenhuma discussão é possível porque seus oponentes são perigosíssimos “istas” e calar suas bocas, portanto, é imprescindível, não importa que para isso tenham de exagerar nas acusações fazer um linchamento público ou então fazer interpretações elásticas da lei.

Tudo bem, se me convém.

Popper se refere à recusa ao debate. Seu problema é com os que podem proibir seus seguidores de ouvir argumentos racionais, lembra? E em vez disso, insuflando-os a usar a violência e a força para suprimir o debate e a fala.

Aqui, cara, não tem paradoxo.

Se é assim – e eu posso estar interpretando tudo errado – o paradoxo de Popper estaria na verdade se referindo mais àqueles que estão tentando encerrar o debate e a liberdade de expressão na porrada. Popper não estaria do lado dos discursos anti liberdade, que são os que justamente usam os recursos que ele condena: não ouça o que outro tem a dizer, cale a sua boca.

Vou repetir, agora desenhando: Popper não é a favor de simplesmente calar os intolerantes. Ele é a favor de impedir os que impedem o debate, os que proíbem outros de se engajarem no debate.

O paradoxo parece ser exatamente o uso do paradoxo para praticar aquilo que Popper condena.

A coisa complica de verdade quando vemos pessoas cujas ideias compartilhamos, que queremos apoiar, expondo outras pessoas à intimidação e à vergonha pública. É assim que essa patota entende que provocará uma mudança social: pela exposição do outro à vergonha pública. Ofendendo, cancelando, atacando como uma turba sedenta de sangue, cortando canais de financiamento, ameaçando patrocinadores. Impedindo que quem tem ideias diferentes trabalhe. E nos extremos, tirando-lhes a liberdade de ir e vir. Botando na cadeia. É aí que o Paradoxo da Tolerância me coloca contra gente que eu deveria estar apoiando. Pô meu, eu estou interessado na inclusão, não na exclusão.

Quer piorar as coisas? As redes sociais expuseram nossa falta de habilidade em nos comunicarmos. Na ausência física do outro, interpretamos não suas ações, mas suas intenções. Como se pudéssemos entrar em suas mentes e saber o que outro está pensando.

Então… E no LíderCast que gravei com o Alessandro Santana do Canal do Negão, teve um momento ótimo no qual ele disse assim, ó:

A coisa nos Estados Unidos é diferente. De um lado, de um lado, eles tem uma coisa que eu acho que a gente deveria ter, que é a liberdade. O cara lá, ele tem liberdade de dizer assim: eu não gosto de negros. Acho que eles são inferiores e já era. Por incrível que pareça, eu acho isso bom. Porque o meu medo, por exemplo, no Brasil o cara não pode abrir a boca pra falar isso. Se esse cara abre a boca e diz isso, Luciano, eu sei que eu não tenho que andar com esse cara, e eu consigo localizar e falar. Eu não quero andar com você e não quero os meus perto de você. Não preciso fazer um escândalo quanto a isso.

A liberdade dele dá esse direito a ele de poder se expressar. Não quero vender o meu pãozinho, meu bolo prum gay. Se eu sou gay, eu não ponho meus pés ali. Esse cara não vai ver o meu dinheiro. Fechou, parabéns pra ele. Já no Brasil, não tem isso. O que que acontece aqui no Brasil, o que eu acho que é o grande problema do brasileiro. Aqui, você não tem a liberdade, lógico, aqui racismo é crime, você não pode ser racista comigo. Mas há uma diferença entre eu ser racista e eu me expressar, você entendeu? Porque se eu me expresso eu sei onde o cara tá. E eu falo: mano, eu não quero estar perto desse maluco. Só no jeito do cara falar, eu não quero estar perto desse maluco.

Agora, quando o cara não tem esse poder e quando você é racista, você não é só um cara que não gosta de negros. É muito pior. Você é quase um nazista. O nazista não é que ele não gostava de judeus. Ele não enxergava os judeus. Pra ele os judeus eram…não eram humanos, você entendeu? É igual quando eu vejo como era na época da escravidão. Vamos ser sinceros? Pra você escravizar alguém, você não pode ver aquela pessoa como humano. Não tem como. A sua religião, não interessa qual seja sua religião, ela te ensina que todos somos iguais. Quando você olha pra uma pessoa que você vai escravizar, naquele momento ela não é humana, pra você, ou seja, é um grau de preconceito muito alto. Não é a ccoisa do eu não gosto de negros porque me contaram que lá onde eles moram é…entendeu?

Então, o cara não vai deixar de ser racista, mas ele vai ser perverso. Ele vai encontrar outras formas de agir a respeito. Ele vai agir a respeito. Você entendeu?

Você entendeu o ponto, hein? Quando você não permite a expressão de ideias, você oculta o mal. E fica mais fácil cair vítima dele.

Você já reparou o cuidado que hoje em dia você tem de medir suas palavras? Já contabilizou a quantidade de vezes que deixou de dar sua opinião para não ser ofendido e caçado em público? Já percebeu o tanto de tempo que perde consertando os danos do discurso público tóxico, em vez de trabalhar para construir algo positivo?

Pois é. Isso aí é sua liberdade indo embora, aos poucos… Isso é o ressentimento sendo construído. Isso é a ocultação do problema.

E nasceu a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Em seu livro A Teoria da Justiça, outro filósofo, John Rawls, diz que devemos tolerar a intolerância, ou então a própria sociedade se tornará intolerante. Mas ele chega a uma conclusão semelhante à de Karl Popper: em consequências extremas, uma sociedade tolerante ainda tem o direito à autodefesa. E Raws adiciona uma condição ao que Popper disse – apenas quando os tolerantes “sinceramente e com razão” acreditam que sua própria segurança e liberdade estão em perigo. É mais ou menos o que o Alessandro disse.

Em essência, John Rawls nos diz que devemos permitir a intolerância como direito e liberdade, desde que não vá contra o direito e a liberdade do outro.

Hoje, como a diversidade de opinião está em toda parte e a ideia de tolerância é mais poderosa do que nunca, é hora de refletir sobre certas posições. E é ainda mais importante discutir os limites da liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, os limites da censura.

É ruim ser intolerante, mas é péssimo cancelar a liberdade de expressão. Então cara, onde é o meio termo? Onde termina seu direito de ser intolerante, e onde começa o meu direito de rebater a sua intolerância?

É, meu caro, não é fácil.

Se liga aí
Gabriel O Pensador

A gente pensa que vive num lugar onde se fala o que pensa.
Mas eu não conheço esse lugar.
Eu não conheço esse lugar!
A gente pensa que é livre pra falar tudo que pensa mas a gente sempre pensa um pouco antes de falar!

Se liga aí, se liga lá, se liga então!
Se legalize nessa comunicação.
Se liga aí, se liga lá, se liga então!
Se legalize a liberdade de expressão!
Se liga aí, se liga lá, se liga então!
Se legalize nessa comunicação.
Se liga aí, se liga lá, se liga então!
Se legalize a opção!

Pensa! O pensamento tem poder.
Mas não adianta só pensar.
Você também tem que dizer! Diz!
Porque as palavras têm poder.
Mas não adianta só falar.
Você também tem que fazer! Faz!
Porque você só vai saber se o final vai ser feliz depois que tudo acontecer.
E depois a gente pensa.
E depois a gente diz.
E depois a gente faz… o que tiver que fazer!
O que tiver que fazer!

Deixe ele viver em paz.
Cada um sabe o que faz.
Deixa o homem ter marido.
Deixa a mina ter mulher.
Deixa ela viver em pé.
Cada um sabe o que quer
O que é que tem demais cada um ser o que é?
Deixa ele chorar em paz.
Cada um sabe o que fez.
Deixa o tempo dar um tempo.
Cada coisa de uma vez.
Deixa ele sorrir depois.
Deixa ela sorrir também.
O que é que tem demais cada um ser dois ou três?

Diz o que cê quer dizer, fala o que cê quer falar, faz o que cê quer fazer, pensa o que cê quer pensar!
Fala o que cê quer falar, diz o que cê quer dizer, pensa o que cê quer pensar, faz o que cê quer fazer!

Liberdade relativa não é liberdade.
Liberdade atrás da grade não é positiva.
Liberdade negativa é negar a verdade.
Liberdade de verdade é vida, viva, viva!
Viva, viva, viva, viva!
Viva, viva, viva!
Live, live, live, live!
Live, live, live!
Vida, vida, vida, vida!
Vida, vida, vida!
Livre, livre, livre, livre!
Livre, livre, livre!!

É assim então, ao som de Gabriel O Pensador, com Se liga aí, que vamos saindo aqui. Eu não sei como é que você tá, cara, mas eu estou cada vez mais preocupado.

Olha, provavelmente eu vou receber aqueles comentários de adolescentes tardios com provocações porque eu não citei nomes, eu não deixei claro de quem estou falando especificamente neste programa. Se você é um desses, sente-se aí.

Eu falei de você.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

Olha! Gostou do Café Brasil? De onde veio isso aqui, tem muito mais. Você tem que acessar mundocafebrasil.com, ali tem acesso ao ecossistema do Café Brasil. As nossas lojas, todos material. Tem videocast, podcast. O Café Brasil Premium. Vem! mundocafebrasil.com.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do comediante norte americano Dave Chapelle:

“Você não pode ter uma conversa sem a minha voz”.