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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Café Brasil 797 – ‘Bora pra Retomada – com Lucia Helena Galvão

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Luciano Pires -

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Tenho feito uma série de lives que chamei de ‘Bora pra retomada’, com a ideia de refletir sobre o que aprendemos com a pandemia e como nos preparar para o futuro. Uma das convidadas foi Lucia Helena Galvão, que é professora de filosofia e poetisa. Aliás, poeta. Professora de filosofia e poeta. Navegar por ética, sociopolítica, simbologia, história da filosofia, entre outros assuntos é um desafio. Mas a gente conseguiu amarrar com o conceito da retomada. Uma conversa adulta, rica e fortemente reflexiva. Vamos nessa?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

“Fala Luciano. Boa tarde, bom dia, boa noite. Meu nome é Max Mor, sou aqui de Campo Grande Mato Grosso do Sul, terra da cerveja gelada e da carne gorda. Se um dia passar por aqui, salva meu contato e “bora” comer um churrasco aqui feito pelos poantaneiros.

Escutei agora o podcast sobre o Rocket Man. Caraca, bicho, quebrou minhas pernas. Eu tenho 36 anos. Meu pai foi morar acho que na lua, meu pai faleceu agora dia 26 de outubro , então está bem recente ainda a perda dele… perda não. Não quero falar que é perda, vou me agarrar nesse seu podcast, cara, do Rocket Man. Por mais que meu pai não era um roqueiro, era um sertanejo brabo da região aqui, mas ele se enquadra perfeitamente em tudo que o Rocket Man fala aí, cara. Um cara que sempre batalhou, sempre fez as escolhas justamente pensando no bem estar da família, sempre ajudando, auxiliando, tanto eu como meus irmãos, a nos tornarmos o que nós somos hoje.

Ele nunca estava parado num lugar, ele sempre estava correndo, sempre estava buscando algo. Meu pai é o Rocket Man, um cara à frente do seu tempo. Mesmo sem saber ler, quase, sem saber escrever uma palavra, nos orientou e nos trouxe até aqui, né? E agora vamos continuar. Foi um privilégio tê-lo comigo durante tanto tempo. Eu trabalhei com ele boa parte da minha vida, então eu me agarro nas coisas que ele me ensinou. Nós trabalhamos na área da construção civil e ele sempre dando exemplo, né?

Comemoramos muitas vitórias, tivemos algumas derrotas, mas como ele sempre falava: se for cair, cai dando soco. E quando for levantar, também levanta dando soco. E é o que nós sempre tentávamos aqui fazer, sabe? O mercado é bem competitivo, tem bastante coisas, bastante que é o Brasil que nós vivemos hoje, mas ele nunca reclamava, só ponderava as situações que aconteciam, mas ele sempre com alegria no coração, um sorrisão, era trabalhando e conquistanto sempre as coisas. Tentando conquistar.

Fico com o coração assim de alegria, estou em São Paulo hoje, estou no hotel e acabei tentando buscar um conteúdo de qualidade e acabei tendo esse privilégio de escutar esse podcast.

Agradeço aí de coração todo seu empenho, toda sua dedicação em fazer os podcasts sempre com temas bem bacanas, seu entusiasmo, as suas palavras… meu, deixa… tenho esperança de que o futuro do Brasil tenha bastante pessoas como você, que estão a fim de fazer a diferença. Pra todos, né? Um abraço e fica com Deus aí.”

Grande Max! Mas que comentário emocionante… antes de tudo, meus sentimentos, viu? Seu pai certamente deixou um legado, pelo qual você já demonstrou que lutará. Parabéns aos dois. E você levanta o tema mais importante para este momento: apegar-se a seus valores, às memórias de quem orientou você para se tornar quem você é. Faça isso mesmo, meu caro, honre a memória do seu pai. No final da vida, é isso que vale: espalhar valores que fazem com que vida valha a pena. Bola pra frente, é isso que seu pai diria: se cair cara, cai socando!

E você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é!

No site perfetto.com.br – lembre-se que perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. Com o mesmo sabor, cremosidade e gostoso como sempre, o Speciale Fantástico 3 Chocolates, que você amou desde a primeira colherada, mudou de nome e de embalagem. Agora é Speciale Trio Cioccolato e passou de 450g para 500g. São 50g a mais para você se deliciar. Em cada pote, sorvete cremoso de Chocolate Meio Amargo com flocos de Chocolate Branco e uma irresistível calda de Chocolate Trufado.

Você tá se aguentando aí? É difícil, né?  Vai lá no blog! Dá uma olhada la: perfetto.com.br .

Luciano – Como é que é mesmo, Lalá?

Lala – Ah! Com sorvete #TudoéPerfetto, né?

 

 

Luciano Pires: Eu tenho feito uma série de lives que chamei de: Bora pra Retomada. Com a ideia de refletir o que aprendemos com a pandemia e como nos preparar para o futuro. Uma das convidadas foi Lúcia Helena Galvão, que é professora de Filosofia e poetisa. Aliás, poeta. Professora de Filosofia e poeta. Navegar por ética sociopolítica, simbologia, história da Filosofia, entre outros assuntos, é um desafio. Mas a gente conseguiu amarrar com o conceito da retomada. Uma conversa adulta, rica e fortemente reflexiva. Vamos nessa? Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil. Eu sou Luciano Pires. Posso entrar?

Luciano Pires: Ah, faz tempo. Acabo de descobrir que nós temos uma coisa em comum. Eu não sabia se tinha muito mais gente em comum. Mas eu também não suporto o Instagram. O que dá de ruim para mim isso aqui.

Lúcia Helena Galvão: É. O Instagram que me desculpe. Porque me é muito útil para a propaganda das coisas que eu faço. Mas eu realmente não entendo bem como ele…

Luciano Pires: Eu também não.

Lúcia Helena Galvão: Entre mortos e feridos – como diria minha avó – salvaram-se todos.

Luciano Pires: Estamos no ar aqui. Mas ela comentou que o celular dela pode cair ao longo do tempo. Então se ele cair, a gente tenta reconectar. Se não der, eu não vou perder a chance de convidá-la para estar conosco de novo. E aí a gente vai pelo Youtube. E aí fazemos pelo Youtube.

Vozes sobrepostas [00:09:43]

Luciano Pires: Deixa eu dar a minha primeira dica aqui. Outro dia eu botei um post dizendo o seguinte: num mundo onde ninguém sabe mais nada. Os especialistas estão batendo cabeça. Os engenheiros não sabem mais de coisa nenhuma. Se a gente quiser respostas, que procure filósofos e poetas. É a única resposta que dá para ter nesse momento aqui. Filósofos e poetas. Então eu convidei uma filósofa e poeta para estar conosco aqui hoje. A pegada dessas lives aqui – que eram aleatórias, agora já tem data para começar e terminar é o Bora pra Retomada. É a ideia de que, em algum momento, a vida da gente vai retornar ao normal. Não sei que normal é esse. Imagino que seja um normal parecido com aquele antigo. Mas com coisas novas, que nós vamos ter que reassumir. Mas quando voltar ao normal, nós vamos ter que olhar para trás e ver o que se passou aqui por esse um ano e meio. Essa loucura toda. Ver o que a gente aprendeu ali. E como que a gente pode se preparar para o que vem pela frente. E eu imagino que um dos pontos fundamentais, que ainda está sendo pouco discutido, porque eu acho que é porque nós estamos no meio da confusão toda. É o impacto emocional que nós estamos vivendo aqui. Eu não sei se tem parâmetro na história da humanidade, o tamanho do impacto emocional, todo mundo vivendo ao mesmo tempo, agora, o mesmo problema. É uma ameaça à nossa vida. Então eu convidei a professora Lúcia Helena. Quando eu contei para a turma que ela viria aqui, eu só recebi elogios. Porque ela já esteve comigo no LíderCast. Esteve comigo depois, numa live que nós fizemos. E sempre é muito bem recebida, com seu jeitinho manso de falar aquelas ideias que vão pegar a gente lá na ponta. Então, eu queria agradecer do fundo do coração, por nos doar aqui 60 minutos da sua vida. E trazer para a gente um pouco de luz nesse embalo aí. E aí? Vamos para a Retomada?

Lúcia Helena Galvão: Vamos para a Retomada. E você sabe que você pode contar sempre comigo. Eu admiro demais a tua lucidez e as tuas ideias. Estamos juntos.

Luciano Pires: Obrigado. Então conta para mim. Vamos lá, tentar voltar. Você comentou para mim que você está trancada, fechada em casa. Tem saído, tem retomado? Tem feito suas aulas presenciais? Se transformou – como eu aqui – num bicho de internet, de lives? Que perdeu o contato com o público. E agora só faço contato através da internet. Como é que está o teu dia a dia? Como é que você está? Eu sei que você está fazendo bastante palestra para empresa. Mas é tudo online? Sua vida virou online?

Lúcia Helena Galvão: Tem sido online. Quando nós estávamos nos preparando para fazer um presencial/online, misturado, nas nossas aulas na escola, disparou a variante delta em Brasília. Voltou todo mundo para casa. Palestras, todas online. Ainda não retornei para nenhuma presencial. Eu tenho procurado me acostumar com esse meio e fazer o melhor que eu pude. Quando isso começou, em março do ano passado, eu pensei: as pessoas não estão preparadas para isso. Vão ficar mal à beça. Deixa a gente entrar com força para poder ver se pega na mão delas. Acompanha. Dá alguma orientação. E foi o que a gente fez. Eu nunca fiz tanta palestra na minha vida, quanto eu fiz no ano passado. Era quase uma por dia. Teve uma época que eu estava fazendo uma por dia. Fazendo a Arte de Viver, de Epíteto, lançando no Youtube, todos os dias. Enfim, a gente junto. Em janeiro, a gente diminuiu um pouco o ritmo, mas continuou correndo junto. E isso é interessante, porque faz com que a gente sofra muito pouco, quando se compromete com a dor do outro. Você nem sente a tua. Essa é uma máxima antiga, que a generosidade é assim. Você pensa tanto na dor do outro, que você para pra pensar: está doendo em mim? Eu nem vi. Porque fulano. E quem está trancado dentro de casa? E as pessoas de meia idade? E isso e aquilo? E as crianças dentro de casa? Os pais sem paciência? E traz professora infantil. E traz não sei o quê. É tanta correria nesse mundo, que, de vez em quando, uma vez por mês eu parava: ih. É. Eu estou na pandemia. Eu tenho que tomar cuidado. Realmente fluiu.

Luciano Pires: Eu entendo perfeitamente o que você está dizendo. Quando começou essa confusão toda da pandemia lá, quando ela começou a se apresentar e vieram algumas coisas inacreditáveis, tipo assim: fique em casa durante 15 dias, esperando passar essa coisa toda. E os 15 viraram 30, que viraram 120, que viraram 15meses. A primeira preocupação que todo mundo teve como sociedade foi do ponto de vista prático: como que eu vou fazer para continuar a minha vida, na medida do possível? Como é que eu vou conseguir trabalhar para ter o dinheiro para alimentar a minha família? E eu acho que ficou meio em segundo plano a questão emocional. Eu acho que a gente não esperava que demorasse tanto tempo. E que, em determinado momento, a gente começasse a lidar com coisas com as quais eu nunca tinha me preocupado. Eu estou com um impacto emocional. Eu estou me sentindo mal, porque eu estou num ambiente onde eu não encontro pessoas. Eu não consigo abraçar ninguém. Eu não tenho a troca. A minha troca é só através desses aparelhos aqui. E eu imagino que isso deve ter pego muita gente de calça curta. Você quando fala que o pessoal tem ligado para você, estendido a mão, pedindo: me dá uma ajuda? O que eles estão buscando, Lúcia? Eles estão te chamando para ouvir o quê?

Lúcia Helena Galvão: Na verdade, as pessoas querem algum anestésico para a dor, para o medo. E, novamente, o que eu ofereço é protagonismo. Como eu faço para me sentir melhor? Protagonismo. Se todos os dias a gente se preocupasse em ver o que a gente pode alcançar, mesmo estando trancado dentro de um apartamento minúsculo. A imaginação humana é um negócio prodigioso. Como eu dizia ainda a pouco: você começa a se envolver. E, daqui a pouco, passa o pânico. Tem algum medo? Tem. Mas controlado. Volta a lucidez. Então eu tenho ensinado muito isso para o pessoal. Liga para um supermercado. Manda entregar uma cesta básica para uma instituição séria. Liga para aquele teu amigo que mora sozinho; que nessa hora deve estar difícil. Pega as tuas redes sociais e, ao invés de ficar multiplicando ruído, sujeira, discurso de ódio. Multiplica mensagens de esperança. Mostra o outro lado. Existe uma passagem no Estoicismo que eu acho muito bonita, de Sêneca, que ele diz para os seus problemas: “você não é uno. Nada no mundo é uno. Portanto, mostra-me a tua face luminosa.” Eu acho isso o máximo. Eu comecei a perceber que, por exemplo, mesmo as crianças dentro de casa o tempo todo, elas não têm aquele comportamento que eu gostaria. Quem eu esperava que educasse o comportamento nas minhas filhas? Eu que era para estar fazendo isso. Aí nesse momento, eu posso reorganizar a minha forma de ensinar respeito aos meus filhos. Aprender eu mesma a ter respeito, tolerância. Dividir espaços. Respeitar privacidade dentro de um apartamento de dois quartos, qualquer coisa assim. Eu tive que desenvolver uma série de potenciais latentes, para dar respostas para situações inusitadas. Ou seja, eu coloquei as crianças no mundo. E a minha tolerância para ficar com elas dentro de casa em tempo comum, que não seja férias, com a demanda de atenção delas é nenhuma. Eu não estava preparada para isso: para ser pai. Para ser mãe. Eu não estava preparada para ter que motivar para trabalhar. Eu só me motivava porque estava num ambiente, onde se eu não trabalhasse daqui a pouco me viam. Ou seja, eu não tinha motivação interna. Os meus motores eram todos fora. Sabe aquela metodologia, bolinha de bilhar? Ela fica paradinha, esperando onde é que o taco a empurra. Na direção que o taco a empurra, ela vai. Se eu estiver errada é culpa do taco. A gente vivia mais ou menos isso: empurrados para lá e para cá. Aí começou a perceber que tinha que ter iniciativa. Tinha que ter um espaço para educar as crianças. Educar a si próprio. Criar uma rotina muito mais harmoniosa. Preservar a privacidade da pessoa que convive com você. E ensiná-la a preservar a sua. Ter um tempo e um espaço para cada coisa, ainda que o espaço seja pequeno. Ele pode ser desdobrado. Aprender a lidar com as próprias emoções. Pensar mais no todo do que só em você. Aprender a perceber que tudo é uma oportunidade. Imaginem vocês que quando a gente terminar essa pandemia, todo mundo sabe: vamos ter crises econômicas, políticas, pessoais, laborais. Porque é evidente que nós não sairemos dessa se não estivermos juntos. Então, ao invés de ficar parado no meio da pandemia, por que eu não faço uma musculação de generosidade, de empatia? Eu não me movimento dentro da pandemia para sair – como se diz por aí – bombado? Quando isso terminar. De generosidade. A gente vai precisar disso por uma questão de sobrevivência. Vamos treinar nesse período. Ou seja, que eu saia do outro lado, maior do que eu entrei. É o mínimo. Imagina que você discute. Você está querendo comprar um negócio. Discuto, discuto, discuto. Ele não te dá desconto. Você paga. Você sai aborrecido. E deixa a mercadoria em cima do balcão. É mais ou menos isso. Você está brigando com a vida por ter nos dado essa experiência dura. Mas o que ela trouxe para nos ensinar, a gente largou em cima do balcão. Ou seja, só fica o negativo.

Luciano Pires: Você sabe que você comentando essa coisa da bola de bilhar. É interessante. Porque a gente está tão condicionado a ter regras para obedecer, que no momento em que a regra muda, a gente não sabe para onde ir. Eu tenho uma relação com a questão da disciplina. Então, eu tinha uma hora para sair de casa. Eu tinha hora para entrar no trabalho. E no meu trabalho eu tinha regras que eu seguia ali direitinho. Eu sabia aonde ir, o que colocar. Como responder. Para quem falar. E, de repente, isso tudo não tem mais. Eu estou em casa. Então, agora eu determino a hora em que eu levanto. A hora que eu durmo. Eu determino o que eu vou fazer. E eu comecei a lidar com uma coisa que eu não estava acostumado: que é trabalhar com a minha autodisciplina. Agora eu tenho que negociar comigo mesmo. Eu tenho que assumir compromisso comigo mesmo. Porque não tem ninguém cobrando de mim. E eu sou muito ruim para assumir compromisso comigo mesmo. Eu negocio, mas não sigo. Eu cumpro porque eu preciso ter uma autoridade ou ter alguém me dando a regra. Eu tenho que saber que se eu não cumprir, eu serei punido. Quando é comigo mesmo, eu não tenho essa dimensão da punição. Aí eu meio que relaxo. Então eu acho que esse lance todo que aconteceu aí, da pandemia, está trazendo essa perspectiva. Quando você falou a questão das crianças. As pessoas não sabiam que as crianças em casa se comportavam daquela forma. Elas viam pedacinhos. Eu as encontro quando eu voltei do trabalho. Eu as encontro, elas já estão de banho tomado ou vão tomar o banho. Agora, nunca as vi o dia inteiro na minha frente. E aí você toma contato com uma realidade para a qual você não está preparado. Toda vez que a humanidade sofre algum tipo de balanço como esse que aconteceu agora. A gente passou por vários deles. Guerra mundial. Torres Gêmeas em 2001. A crise de 2008. São momentos em que dá uma chacoalhada mundial. É um período ali em que a tecnologia evolui numa velocidade brutal. É o que está acontecendo conosco aqui agora. Eu acho que a gente antecipou de cinco a 10 anos, o uso da tecnologia, em um ano e meio. Aquilo que eu relutava em usar, eu estou usando agora, que nem um maluco. Se eu tinha alguma questão sobre usar cartão de crédito em compras, eu não tenho mais. Eu atropelei isso tudo. E historicamente, a gente sai desses grandes eventos com a tecnologia muito evoluída. Mas a cabeça não vai igual. A cabeça sempre fica um pouco para trás. Como que a gente faz uma discussão sobre a questão moral e ética, Lúcia, nesse ambiente que nós estamos vivendo agora, em que você colocou claramente: repense a tua relação com os outros. Aja com alguém que precisa. Doe uma cesta básica para alguém que precisa. Tenha essa compreensão de que nós temos que estar juntos. Porque, se não houver colaboração, não vai acontecer nada lá na frente. Mas isso envolve um pensamento que vai além de eu comigo mesmo. Eu tenho que ser generoso. Eu tenho que ter uma generosidade. Isso começou muito bem quando começou a pandemia, aqueles primeiros meses. A gente viu demonstrações maravilhosas. Todo mundo ajudando todo mundo. Ajudando o velhinho do andar debaixo, do andar de cima. Estava muito bonito de ver. Mas parece que o tempo nos fechou. Nos trancou outra vez. Como que a gente faz para não perder essa iniciativa de criar uma sociedade da confiança? E não essa sociedade da desconfiança, na qual a gente está se transformando agora? Como é que você vê isso?

Lúcia Helena Galvão: Luciano, deixa eu te contar a coisa que foi pior, mas, ao mesmo tempo foi a melhor que aconteceu nesse período histórico. O fato de que as fontes de informações que nos atingem estão todas contraditórias. E não dá mais para você delegar a terceiros a tua obrigação de pensar. Antes nós tínhamos um nível de massificação: eu sigo tal corrente de pensamento, simplesmente dou o play, o stop e o recorder. Quando essas informações ficaram muito contraditórias, elas nos obrigaram a pensar por nós mesmos. Porque senão, a gente entrava numa crise de insegurança tremenda. E isso nos obrigou a criar uma identidade. Eu acho que esse foi o melhor convite da pandemia. E o que melhor pode nos ajudar nesse momento. Então, se ninguém sabe o que está dizendo, como eu vou gerenciar a minha vida? Eu tenho que passar a ter vida interior. Pensar: onde eu quero chegar com tudo isso? Qual é a ferramenta que eu tenho para fazer escolhas? Das coisas que me oferecem, quais são as adequadas para mim? Qual é o meu nome interno? Como se diz na filosofia oriental? Quem sou eu? Isso é uma questão que eu sempre brinco com os meus alunos. Imagina: pega Platão, coloca numa máquina do tempo e traz hoje, para os nossos dias. Ele vira para você e te pergunta: quem é você? Você vai dizer o que para esse cidadão? Eu sou contador. Ah é? E se você largar essa profissão? Você deixa de ser você mesmo? Eu moro na rua tal. E se mudar? Aí coloca aquele monte de papelzinho em cima da mesa: identidade, CPF, e-mail. Platão vai dizer: você é esses papeizinhos? E se você perder isso tudo? Deixa de ser? Então eu acho muito interessante isso. Porque são ideias antigas, mas, ao mesmo tempo, muito novas. Porque a gente ainda não aplicou. Uma boa resposta para o Platão seria: a Lúcia é uma pessoa que tem como sentido de vida ser mais fraterna e mais justa do que ela é hoje. Lá no final, quando eu olhar para trás, eu quero ver que eu fiz diferença no mundo. Eu fui um fator de soma para o mundo, para o outro e para mim mesma. E que saí mais fraterna e mais justa do que eu sou hoje. Então se você me pergunta: você quer fazer tal coisa? Eu comparo o meu ideal: fraternidade e justiça. A minha identidade. Se leva para lá? Bem. Se não leva? Estou fora. Ou seja, a gente tem oportunidade de construir valores verdadeiros, que eram os valores que a gente tinha na nossa pseudonormalidade. Isso é honesto. Por que é honesto? Porque todo mundo está dizendo que é honesto. Você acha que isso é valor? É virtude que se apresente? Isso é moda. Eu tenho que saber o que é a virtude. O que é a justiça. O que é honestidade para mim? Tem que ter um referencial de direção. Para a tradição egípcia, por exemplo, eles dizem: “o teu nome interno está no horizonte.” Imagina. Eu fiquei anos pensando nisso. Mas que horizonte é esse onde está o meu nome interno? Aí eu descobri que era o meu sentido de vida, o meu propósito. A Lúcia é aquela cujo propósito é fraternidade e justiça. Quando eu estou agindo coerente com aquilo eu sou a Lúcia. Quando eu estou agindo em outra direção, eu estava fora de mim. Eu posso até manejar essas coisas, para que elas não me arrastem mais. Então sentido de vida, propósito da identidade, dá discernimento, capacidade de escolha. Porque você tem uma missão para construir. Quando você sabe que você está construindo, você sabe comprar os ingredientes. Sabe escolhê-los. Te dá valores. É que nem a história do gato da Alice: qual é a estrada certa? Aonde você vai? Eu não sei. Qualquer estrada é certa. A grande oportunidade, a fundamental dessa história toda é a gente descobrir quem somos no meio disso tudo. Inteligência vem de intelligere: escolher dentre. Escolher dentre as coisas que nos oferecem qual é a condizente com a nossa identidade. Escolher dentre as coisas que o mundo diz que eu devo ser; quem realmente sou eu. A máxima inteligência é a identidade. Se você vê uma situação dessas, que bloqueou o nosso hábito de estarmos virados para o lado de fora e nos obrigou a virar para o lado de dentro e usa isso para construir uma identidade, você vai sair dessa com muito mais capacidade de construir a si próprio e ser fator de soma na tua comunidade, na tua sociedade. Chega de sermos um joguete. Chega da era da bolinha de bilhar. A gente pode começar a perceber as coisas através dos nossos próprios olhos. Existe uma coisa que eu te recomendo – se é que você já não leu – que é a autobiografia do Mahatma Gandhi, Minha História e Experiências com a Verdade. E ele fala. As pessoas chegavam, todo mundo querendo influenciá-lo, porque ele era uma pessoa de peso. Ele pegava todas aquelas ideias e levava para casa. Matutava, pensava, comparava com seus valores. No dia seguinte, todo mundo ansioso, ele aparecia com uma solução que não tinha nada a ver com o que ninguém tinha sugerido. Mas que ele tinha comparado com os valores dele, com o sentido de vida dele. E todo mundo esperava que ele fosse para cá. Ele vinha para cá. Ia procurar roda de fiar para fabricar roupa. Todo mundo estava esperando que ele fosse para a rua fazer protesto. O vice-rei da Índia na época, que era um inglês, ele disse: é impossível lidar com esse homem. Ele é imprevisível. Sabe por que ele é imprevisível? Porque ele é ele mesmo. E os homens que são fiéis a si próprios são os que mudam. Escrevem a história. Os homens massa normalmente, nem [inint 00:28:00]. E esse momento histórico é uma oportunidade de a gente criar uma identidade no meio de tudo isso. Quando eu entrei em Nova Acrópole, eu tinha 24 anos. O meu professor chegou para mim e disse: o que mais te faz feliz na vida? Eu fechei os olhos e eu pensei naquele dia. Eu lembrei o happy hour que eu tinha ido. Eu nunca bebi na minha vida. Happy hour, depois de 15 minutos, já está todo mundo meio alto. Você que é abstêmio, fica uma chatura insuportável. Aí eu fui pensar naquele dia. Eu lembrei um momento em que eu estava mexendo numa roseira, numa muda de roseira no jardim, com a mão na terra. Eu falei: que diabo de ser humano é esse, que com 24 anos de vida não sabe nem o que lhe faz feliz? Eu sou uma estranha para mim mesma. Aí comecei. Isso é a prática filosófica. A me procurar dentro de mim mesma. E solidificando uma direção. Solidificando uma visão de mundo. Não fechada. Eu nunca sou dona da verdade. Filosofia é isso. Porque eu não falo de mim, pessoa. Eu falo do que a Filosofia pode proporcionar às pessoas. Eu sou uma buscadora, como todo mundo. Mas você vai tendo isso: uma busca constante de si próprio. E para quem tem esse tipo de meta, ânimo de aprendiz e uma busca de construir a sua própria identidade, isso foi uma oportunidade de ouro. Ou seja, pagamos um preço caro. Mas não vamos sair da loja sem estar com a mercadoria debaixo do braço. Uma identidade mais sólida, que pode nos proteger de muita coisa. De muita coisa.

Luciano Pires: Conexão com esses princípios, com esses valores. É isso aí. Você fala um pouco de individualidade. Mas tem muita gente que confunde a individualidade com você pensar em si mesmo. Você se trancar em si mesmo. E você está pregando, você está falando: não. Espera um pouquinho. Você é um indivíduo. Você não pensa pela cabeça dos outros. Você não age pelo querer dos outros. E nós estamos numa sociedade que praticamente nos obriga a ser assim. O tsunami de informação que bate em cima da gente hoje. Nós estamos altamente conectados. E todo mundo tentando criar ondas, ondas e ondas, que vão me empurrar para alguma direção. Eu prometo que eu não vou falar de política. Mas se você olhar o cenário político brasileiro, você vê que estão puxando você. Cada um para um lado, tentando que você haja como os outros querem. Se você não tiver um mínimo de preparo intelectual… e aí quando eu comecei essa série do Bora para a Retomada, eu botei ali uma chamada que eu dizia o seguinte: como é que a gente cria um escudo intelectual e um escudo emocional para sobreviver nesse mundo onde nós somos o tempo inteiro forçados a tomar decisões que nem sempre são as melhores para nós? Como é que você cria um escudo? No teu caso, eu estou mais interessado no escudo emocional, mais do que no intelectual. Como é que você cria um anteparo? Como é que você consegue ligar a televisão e ver aquela coisa horrorosa que eles despejam em cima da gente e não ficar apavorado? Não ficar com medo? Não se trancar? Praticamente parar a sua vida e levar adiante? Como é que você constrói um escudo emocional para isso?

Lúcia Helena Galvão: Sim. Só retomando um ponto que você falou. Individualismo não dá margem a egoísmo nenhum. Se você tem identidade você começa até a combater o egoísmo inclusive. A percebê-lo e a combatê-lo. Em relação à estabilidade emocional. Tem uma escola de Filosofia que está na moda inclusive, porque ela serve demais para esse momento histórico, que é o estoicismo. E o estoicismo falava que têm coisas que dependem de nós e coisas que não dependem de nós. O que não depende de nós? Tudo que vem das circunstâncias. Choveu ou fez sol. Teve engarrafamento ou teve trânsito bom. As pessoas estão bem-humoradas ou estão mal-humoradas. Isso não depende de mim. Portanto, isso não deveria ser razão para que eu ficasse triste, nem alegre. O que depende de mim? A minha resposta a tudo isso. Se eu me mantive equilibrado. Se eu não deixei que as circunstâncias me arrastassem para fora de mim. Se eu dei uma resposta humana às circunstâncias, isso é motivo suficiente para a minha felicidade. Se eu deixei que as circunstâncias me arrastassem, é motivo suficiente para a minha infelicidade. Ou seja, quando você pensa: o que depende de mim? E vai até o limite das suas possibilidades para fazê-lo no dia de hoje, no dia de amanhã, depois de amanhã. Você pode dizer: ninguém pode esperar de mim mais do que o meu melhor. E eu fiz o meu melhor no dia de hoje. Portanto, eu durmo o sono dos justos. Se eu morrer essa noite? Eu gostaria de um palco maior. Mas se acabar agora? Acabou. Eu estou em paz com céus e terra. Porque hoje eu dei o meu melhor. Isso é fundamental. Ninguém espera de nós mais do que o nosso melhor. Seria insensato. Então essa possibilidade de todos os dias buscar dar o uma resposta humana às circunstâncias. Uma resposta que foi elaborada dentro de você e não copiada do meio e não clonada. De olhar para trás no seu dia e dizer: hoje eu deixei um rastro de ser humano no mundo. Tranquilo. Coincido comigo mesmo. Eu coincidi com a minha consciência. É suficiente para você ter serenidade. Faz guerra. Faz paz. Faz briga. Faz concórdia. Seja onde for. Seja o cenário que for. Eu vou estar lá me comportando como um ser humano e dando o meu melhor. Tem um filme que eu gosto bastante, que, aliás, é muito conhecido. E muita gente gosta. O Gladiador. Você deve conhecer, com o Russell Crowe.

Luciano Pires: Sim.

Lúcia Helena Galvão: Tem uma passagem lá com o gladiador, que o general Maximus, o personagem, ele está com os seus gladiadores no meio de uma arena. E os romanos estão para entrar no meio da arena com carros, com cavalos. E eles estão ali a pé. Muito menos armados. Ele vira para os outros prisioneiros, gladiadores como ele e diz: seja o que for que venha por trás daquela porta. Se nós estivermos unidos, teremos chance. Eu digo a mesma coisa em relação ao futuro. Seja o que for que venha por trás da porta do futuro. Quanto mais estivermos unidos, mais teremos chance. Portanto, tudo que é vivido num momento histórico desses é contra natura. Nos delimita para o futuro. Platão falava sobre isso na República, num diálogo seu: que nos piores momentos históricos, a pior coisa que se faz com a humanidade é sectarizar, dividir, jogar uns contra outros. Porque a defesa em momentos críticos é que está nos unindo. Seja o que for que vem por trás da porta da história.

Luciano Pires: Muito bom. Eu comentei com você na pergunta anterior, aquela questão, que tem tudo a ver com essa questão da divisão na sociedade. Parece que há um esforço para a divisão, que vem de algum tempo. Uma ala contra a outra.  Mulheres contra homens. Gordos contra magros. Negros contra brancos. Jovens contra velhos. E isso parece que vem num crescendo. E me parece que com a chegada das redes sociais, essa coisa se multiplicou. É muito difícil hoje você falar o que se passa no seu coração sem ser atingido por um xingamento ou por alguém que se sente ofendido por algo que você disse, quando não tinha nenhuma ofensa embutida ali. Você fala de a gente ter essa bondade interior. Como é que você consegue exercitar essa bondade interior, num mundo que responde a você com pedradas? Eu estou amarrando de novo, com a minha pergunta do escudo emocional. Onde eu dou a você a bondade e recebo de volta uma pedrada. E isso não me impede de continuar a dar a bondade. Porque eu tenho um escudo. Pode mandar pedra, porque esse escudo não deixa que ela me fira. Como é que você trata isso? Ou como você recomenda?

Lúcia Helena Galvão: Eu estou andando pela rua. Um cachorro late furioso para mim. O que eu faço? Eu vou latir furiosa para ele? Não. Por uma razão muito simples: ele é cachorro e eu sou ser humano. Não é assim? Se nós temos valores que nós queremos atingir. E fazemos com que a nossa identidade seja apoiada nesses valores, o mundo faz o que ele bem entenda. Eu vou fazer o que me corresponde. Existe uma máxima Zen. Essas histórias são muito interessantes, porque elas não são só teoria. Elas falam da vida da gente. E essa é bastante conhecida. É uma história Zen que diz que havia dois monges lavando a sua roupa no rio. E um escorpião caiu na água e começou a se afogar. E um dos monges foi lá, pegou e tirou ele da água. Ele levou uma picada. Não foi grave. Continuou lavando a sua roupa. Daqui a pouco escorpião entrou na água de novo. E o outro amigo dele olhando. Começou a se afogar de novo. Ele foi lá e salvou de novo. E, novamente, o escorpião o picou. E ele continuou fazendo o seu trabalho. O outro disse: espera aí rapaz, eu não estou entendendo o que você está fazendo. Esse escorpião é um ingrato. Você está salvando ele. Ele está te picando. E você continua fazendo a mesma coisa. Ele olhou para ele e disse: eu é que não estou entendendo a sua dúvida. Ele é escorpião. Escorpião pica. Eu sou homem. O homem tem misericórdia e compaixão. Cada um faz o que lhe corresponde. Você queria que ele tivesse compaixão e eu o picasse? No mínimo está esquisito isso daí. Você percebe que no fundo, a gente cai no mesmo ponto: é a identidade, identidade, identidade. Eu sou um ser humano. O que a natureza espera de uma planta? Espera que ela faça a fotossíntese. Seja a base da cadeia alimentar. Espera do animal que ele sobreviva e procrie, perpetue a espécie. O que ela espera de um ser humano? Que ele seja humano. Ou seja, chegue à plenitude das suas possibilidades em valores, virtudes, sabedoria. E se nós não procuramos isso, produz-se um vácuo na natureza. Um verdadeiro acidente ecológico. Eu sou muito a favor das iniciativas ecológicas. Mas eu acho que se nós não trabalharmos de Ecosofia, preservando a espécie humana, não vai resolver. Porque eu te desafio. Você vai procurar um ser humano na plenitude da condição humana. E eu vou procurar a arara azul. Meu amigo: é capaz de eu achar umas três. E você não chegar com um ser humano aqui. Você percebe que é um processo de extinção grave. Se você preserva o ser humano, tudo mais será preservado por acréscimo. Isso é evidente. Inclusive há uma frase bíblica: “buscai seu reino em primeiro lugar. E as outras coisas te serão acrescentadas.” Ou seja, o reino humano. Você sabe que eu não sigo nenhuma religião, mas respeito a todas. E aí há muito aprendizado. Em todas elas. Então, uma identidade fundamentada em valores, onde você a sustenta diariamente. Por isso, eu recomendo o que Pitágoras pediu aos seus discípulos no Museum: todos os dias faz um diário. Mas não é diário de adolescente: querido diário, com a letra enroladinha. Hoje eu comi batata frita. A gente tem horror de diário por causa dessa lembrança. É um diário que seja sintético e diga: no dia de hoje, eu fui coerente com o meu propósito? Ou fiquei parado? Ou dei um passo na direção contrária? Isso traz consciência para o meu dia. Um passo na direção contrária, amanhã eu posso reverter. Eu posso perceber o que está me puxando para lá e compensar isso através da reflexão. Mas muitos passos na direção contrária; pode ser que não dê mais para compensar. Então trazer para o seu dia a dia. Lembra da máxima da ISO9000? Até a ISO9000 sabe disso. Ação local com visão global. Visão global é o quê? É a tua vida como um todo. Onde eu quero chegar com tudo isso?

Luciano Pires: É. Isso aí. Não tem sido fácil. Deixa eu te perguntar outra coisa aqui, que também incomoda muito. A gente viu acontecer nesses últimos meses. Eu dependo de especialistas para poder sobreviver. Se eu ficar doente, eu preciso de um médico. Se eu tiver um problema jurídico, eu preciso de um advogado. Eu preciso de um jurista, de um juiz. Eu tenho que ter um especialista para me ajudar a conduzir a minha vida para coisas, as quais eu não domino. E a gente assistiu nesse um ano e meio aí, meio que… a COVID chegou para derrubar inclusive reputações. Ela destruiu reputações para todo lado. Jornalista, médico. A gente viu a classe médica rachada. Metade diz que pode. Metade diz que não pode. A gente viu remédios de direita, de esquerda. A gente viu uma situação inusitada. Eu nunca vi nada parecido na minha vida. E, de repente, o meu médico da família, que nos atende a 40 anos, que era um cara que eu acreditava de cabo a rabo, eu fiquei com uma dúvida: se ele saberia o que ele estava fazendo? E isso ajudou a compor aquilo que eu chamei em algum momento aqui: a sociedade da desconfiança. Eu passei a desconfiar de muita gente na qual eu confiava muito. Eu passei a desconfiar de jornalistas que eu seguia e acreditava nos caras. Eu estou com a pulga atrás da orelha. E eu acho que tudo isso ajuda a quebrar um pouco essa capacidade que nós temos de agir em conjunto, agir em colaboração. Como é que eu consigo agir em colaboração com você, se eu não confio em você? Como é que eu vou colocar na tua mão o meu futuro, se eu não confio naquilo que você está dizendo para mim? E isso parece que aconteceu agora. Com esse um ano e meio, a gente passou a duvidar de todos os lados. Então eu estou duvidando hoje até dos juízes, dos políticos. Todo mundo duvida de tudo. Isso cria aquilo que eu chamei – vou repetir – a sociedade da desconfiança. Como é que a gente sobrevive nesse ambiente, Lúcia? Como é que eu posso imaginar ter uma esperança de construir uma sociedade colaborativa, quando estou quebrando um elo de confiança que eu tinha com as pessoas?

Lúcia Helena Galvão: Eu acho que para a gente responder essa pergunta com justiça, Luciano, a gente tem que dividir em dois grupos. Um, o pessoal da área biomédica, o pessoal que trabalha inclusive com tecnologia. Porque o vírus é um elemento muito novo, ainda é. Portanto, estava todo mundo tateando no escuro. Quando uma pessoa dizia uma coisa que não era verdade, não é porque ela quisesse te enganar. Era porque ela, de fato, não sabia. Ele estava tentando compartilhar o melhor que ele tinha. Eu convivo com muitos médicos. Eu tenho vários amigos médicos. E, com certeza, eles cometeram muitos erros. Reconhecem isso. Sofrem com isso. Mas diz: era o melhor que eu tinha na mão naquele momento. Eu estava dando o meu melhor. Portanto, não é uma questão de perder a confiança. Aí é compreender a incompletude humana. E a necessidade de dar tempo a essas pessoas. Então tem esse lado. O outro lado é quando a gente sai de exatas, biomédicas e cai no espaço das humanas. E é um toró de palpite por parte de jornalistas, de especialistas de todos os tipos. Aí a questão é outra. Você disse: a gente parou de confiar. Dentro desse campo, eu te diria: por que confiou algum dia? Há muito tempo nesse campo de humanidades, a sociedade está travada nas suas bases, por uma visão ideológica. E não por amor à verdade. Há muito tempo que a gente deixou de buscar uma identidade. De pensar por nós mesmos. De ir procurar um sentido de vida próprio, apoiando-se no meio. Mas não simplesmente clonando o que o outro pensa. Há muito tempo que a gente deixou de ter valores próprios. Honesto é o que todo mundo pensa. Desonesto é o que todo mundo pensa. Nós delegamos o dever de pensar ao outro. E esse poder – indevidamente delegado – foi muito mal utilizado. Eu estudei durante um ano e meio no meu tempo de academia, Lógica. Pense num negócio que foi útil na minha vida, Luciano. Imagine você – eu tenho feito isso com muitos alunos meus – eu passo um texto longo. No meu tempo de faculdade, a professora passava inclusive livros para a gente ler. E pedia que a gente fizesse um desdobramento lógico daquilo. Para ver se a primeira premissa ia realmente chegar à última conclusão, sem sofismas, sem falácias no meio do caminho. Olha: de livros contemporâneos é muito difícil você achar. Eu vou te dizer com toda a honestidade – eu não estou sofismando – já caíram na minha mão livros pedidos por pessoas que escrevem para mim, mandam o livro. Livros famosos. Livros que estão bombando. Não livros desconhecidos. Sabe o que é você pegar a sua canetinha – porque estudante de Lógica vicia ler tudo com a canetinha na mão, ou lápis – ler 300 páginas e não encontrar uma ideia? Uma, meu caro. Uma. Não encontra. E por quê? Que uma pessoa publique um livro que não tem uma ideia, não me espanta em absoluto. Agora, o que me espanta é que milhares de pessoas comprem esse livro e não percebam isso. Porque nós viciamos em não pensar. Temos medo. Duvidamos de nós mesmos. Nós achamos que pensar é uma coisa que foi terceirizada. Eu não preciso fazer isso. Dá trabalho. Que homo sapiens é esse, que somos nós? Um dia desses, conversando com o doutor Miguel Nicolelis, ele disse que hoje somos homo not sapiens. Eu acho que ele tem razão. Que homo sapiens é esse, que tem preguiça de pensar? E se integra às coisas, simplesmente porque tem paixões. Tem opiniões da moda. E a pessoa é simpática. E faz uma gracinha. Que diabo é isso de sociedade que colocou conhecimento como meio e não como fim em si? E delega ao outro o direito de pensar por ele? Então existe algo que é atemporal, que diz o seguinte: pelas vossas obras vos conhecereis. Não é só a tradição cristã. Isso existe em tudo que é tradição pelo mundo afora. Você coloca uma pessoa diante de uma adversidade. Vê como é que ela responde. Isso é o que ela sabe. Durante essa pandemia nós vimos pessoas que não tiveram respostas melhores dos que as de ninguém. Mas que se diziam muito conhecedoras. Um exemplo que eu costumo usar: aquela pessoa que é um catedrático em medo. Já leu tudo que se escreveu sobre medo. Mas quando surge um camundongo, ele é o primeiro a pular em cima da mesa. Essa pessoa sabe ou não sabe sobre o medo? Lembra o que Sócrates dizia? Age para que eu te veja. Fala para que eu te veja. Movimenta aí para eu saber se você sabe alguma coisa. Ou seja, menos extenso o conhecimento, mas intenso. Nós não só não praticamos essa busca de conhecimento, como também não sabemos reconhecer quem pratica.

Luciano Pires: Sim.

Lúcia Helena Galvão: Portanto, foi boa essa quebrada. Porque agora a gente começa a construir um critério próprio. E para de pensar segundo a moda. Começar a construir moda para a roupa que você está usando, vá lá. É bonitinho. Fica tudo igualzinho. Fica legal. Agora, moda quanto a pensar e sentir. Ter ódio ou ter paixão, porque todo mundo tem. Ou detestar fulano, ou detestar sicrano, porque todo mundo detesta. Isso é uma piada. Imagine que todos os homens vivem. Alguns só sobrevivem. Dá o play no software vida. Você não pode delegar o dever de construir a si próprio no campo emocional, psicológico, mental, espiritual. Não pode abrir mão disso. Porque disso se trata. Você veio aqui para isso. Porque isso gerou não uma quebra de confiança. Foi a constatação que a tua confiança estava mal-empregada.

Luciano Pires: Boa.

Lúcia Helena Galvão: Agora aprende rapaz. Proteja a sua razão e ela protegerá você. Isso dizia Epíteto, o grande filósofo estoico. Proteja a sua razão e ela protegerá você. Aprende a pensar. Constrói uma identidade. Começa a observar a linha lógica do pensamento das pessoas. Observa em pequenos textos. O meu professor dava discursos para a gente analisar. Eu vou te dizer um negócio: você sentado, com um discurso escrito. Era difícil achar onde o cidadão estava te manipulando. Existe um método muito usado dentro da oratória. Você gera um clímax emocional. Quando a emoção está muito alterada a razão está no mínimo. É uma gangorra. Quando a pessoa está muito lúcida, raciocinando, a emoção está lá embaixo, serena. Mas você gera um clímax emocional. E ali você distorce a lógica.

Luciano Pires: Sim.

Lúcia Helena Galvão: Três, quatro, cinco graus, no início.

Luciano Pires: Sim.

Lúcia Helena Galvão: Lá na frente mais. Lá na frente mais. Independendo. Um discurso de duas laudas. Eu me recordo bem isso. Era capaz de distorcer a direção de um argumento a 45 graus. 45. Isso aqui assim. É impressionante.

Luciano Pires: É.

Lúcia Helena Galvão: Então se você não aprende a pensar. Não tem uma identidade. Não desenvolve discernimento. Só na hora da crise que você vai perceber que na prática ninguém sabe muita coisa. E que você estava fanatizado por uma máscara. Agora tem que começar a pensar em desenvolver o teu próprio rosto. Tem que começar a ver o rosto das pessoas à tua volta. Não para rejeitá-las, nem odiá-las. Mas para saber interagir com elas. Para saber conviver, nós temos que ter um pouco de profundidade em relação a nós mesmos. Para ter em relação ao outro. Quem é superficial em relação a si mesmo é superficial em relação a tudo que ele faz na vida, inclusive conviver.

Luciano Pires: Onde que a gente aprende a pensar professora? Eu sei uns lugares. Tem umas acrópoles aí, Nova Acrópole ai. Mas como é? Qual é a receita do bolo? Evidentemente, eu não estou pensando na escola tradicional. Eu não estou pensando no menino de 17 anos que está começando a desabrochar para a vida. Eu estou pensando num cara de 40, de 50. Nós aqui, com: 38, 40, 50, 65. Que temos que abraçar essa coisa do aprendizado diário. A vida tem que ser assim. Eu até fiz um texto outro dia, que dizia o seguinte: quando alguém perguntar para você o que você faz da vida, sempre fala assim: eu estudo. Além de estudar, eu também faço outras coisas. Mas eu estudo. Tudo que eu tenho contato é o momento em que eu estou estudando as coisas. Onde a gente faz isso? Como é que a gente faz isso? Dá uma pista para a gente.

Lúcia Helena Galvão: Esses dias, eu estava passando o rodo. Puxando a água ali no meu quintal cimentado. E quando eu estava fazendo isso Luciano, eu percebi que o cimento do meu quintal foi mal feito pelo pedreiro. E ele tem um desnível. Então eu tentava puxar a água para o ralo. E ela corria para um ponto em que o piso estava mais baixo. Formava uma poça com terra. Uma sujeirinha. Lá pelas tantas, eu estava olhando aquilo, eu pensei: a minha consciência é igualzinha a isso aí. Se eu não colocar à vontade para puxá-la na direção certa todos os dias, ela cai no ponto mais baixo, mais lamacento, mais obscuro. Ou seja, quem tem o ânimo de aprendiz e percebe que a natureza é toda pedagógica, está aprendendo o tempo todo. Mas para isso, ele tem que ter primeiro: ânimo de aprendiz. Ou seja, ter um sentido de vida. A gente já falou bastante sobre isso. Definir um propósito para a sua vida como um todo. Porque, a partir disso, você define a década, o ano, o mês, o dia de hoje. E começar a afiar as ferramentas para que você seja capaz de ser leal a esse propósito. Ou seja, adquirir um ritmo, sem pressa e sem pausa, caminhando sempre. Toda a vida se sustenta em ritmos. Se o teu coração resolver fazer um contra ritmo e dar uma paradinha, já era a vida. Os teus pulmões. O ritmo peristáltico dos intestinos. O ritmo da natureza, que te dá comida numa certa estação. Ou seja, a tua busca, o teu ânimo de aprendiz tem que funcionar com ritmo, sem pressa e sem pausa. Coloca uma proposta de aprender uma pequena coisa, todos os dias. Nunca se sentir dono de nenhuma verdade. Quando você tem o contato com o outro, você sabe que ali você tem um prisma, você tem um ângulo. Essa pessoa tem outro. E ter essa curiosidade de perceber o prisma do outro, o que ele está vendo, para somar ao meu. Percebe? Eu não sou dono de nenhuma verdade. Empatia não é se colocar no lugar do outro. Isso é uma conversa fiada. Porque eu, com o meu pensamento, com as minhas opiniões, no lugar do outro. Eu não vou entendê-lo. Empatia é me despir de tudo aquilo que eu sou para entrar no marco psicológico do outro e ver o mundo como ele vê. Ou seja, eu te ofereço a minha essência em demanda da tua. Isso a gente faz a tese, antítese e síntese. Saem os dois maiores. Ou seja, ter ânimo de aprendiz. Ter a humildade de saber que não é dono de nenhuma verdade. Ter ritmo e disciplina para procurar ter, pelo menos, um aprendizado todos os dias. Estar sempre olhando para o seu referencial. Se eu quero chegar à sua casa? Eu sei onde eu quero chegar. E aí eu me perco no meio do caminho. Ligo para você. O que você vai me perguntar, Luciano? Onde você está? Não é isso? Não sei não, Luciano. Não conheço São Paulo. Eu estou “perdidaça” aqui, como se diz. Você fala: olha o nome da rua. Olha para uma placa qualquer. Porque sem saber onde você está, eu não posso te ajudar. Porque esses dois elementos são equações da identidade: onde eu quero chegar e onde eu estou agora. Sem aquilo que Young chamava inflação do ego, achando que eu estou pertinho, quando na verdade, eu tenho muita coisa pela frente. Onde eu estou agora? Nos lugares por onde eu passei, eu deixei terra arrasada? Ou eu deixei melhor do que eu encontrei? Esse local por onde eu passei? Esse rastro é de uma pessoa paciente? Ou é de um trator? Ter certa lucidez. Avaliar a sua identidade pelo rastro que você deixa no mundo. Saber onde você está e aonde você quer chegar. Isso é a equação da identidade. E trabalhar com ânimo de aprendiz, para ter pelo menos um aprendizado – pequenininho que seja – todos os dias. As escolas de Filosofia nasceram para poder estar incentivando as pessoas a fazerem essas coisas, por uma razão. Um cano de bambu você: pá. Quebra fácil. Agora, junta 100. Não é fácil de quebrar. Você junta várias pessoas que retroalimentam umas nas outras, esse sacro ofício. Esse ofício sagrado de ser humano, para dar referencial para quem quer estudar. Por isso as escolas de Filosofia são boas. Mas o dever é esse. Se você acha que dá conta de fazer sozinho, felicidades.

Luciano Pires: Muito bom. Nós estamos chegando aqui no nosso finalzinho. O papo aqui pode durar horas. Te ouvir é muito bom. Muito bom. Você tem uma pegada para falar para a gente. Você fala macio e incomoda, ao mesmo tempo. É macio; e pega lá no fundo. Incomoda lá dentro. É uma delícia isso. E como eu sei que daqui a pouco ele derruba sozinho. Eu vou fazer agora aqui o nosso jabá. Muita gente que está vendo a gente aqui já conhece a Lúcia Helena. Já sabe onde ela está. Já sabe da Nova Acrópole. Se você entrar no Google e colocar Lúcia Helena Galvão vai aparecer ali um milhão e 250 mil vídeos. Um melhor que o outro. Ela dá umas aulas fantásticas. E surpreende a gente, às vezes, com alguns temas. Você fala: da onde veio isso? E ela vem e não fica… não é aquela Filosofia inalcançável. Ela traz para o dia a dia. E põe no teu colo. Ela pega aquela fala de um filósofo grego de três mil anos atrás, que você fala: que bonito isso. Que bonito não. Isso está na tua vida. Você está sentindo isso. Acontece com você. Você só não percebeu isso. Tem alguém falando aqui: esse é um bom papo para o LíderCast. Já foi. O LíderCast 81 foi com ela. Foi um grande papo que eu tive. A chance que eu tive de tê-la aqui, a gente conversando ao vivo. Então eu recomendo a vocês que dediquem um pouco da vida de vocês para curtir o que a Lúcia tem para dizer. Para curtir esse ambiente que ela está envolvida, da Nova Acrópole. Eu prometi que eu ia lá. Não fui. Pintou a pandemia. Piorou. Eu até preciso olhar como que estão as aulas online de vocês.

Lúcia Helena Galvão: Então eu vou cobrar outra promessa. Posso?

Luciano Pires: Claro.

Lúcia Helena Galvão: Você pode me prometer que vai assistir a minha peça, que está online em cartaz?

Luciano Pires: Claro.

Lúcia Helena Galvão: Helena Blavatsky e a Voz do Silêncio.

Luciano Pires: Fala. Como que se chega lá?

Lúcia Helena Galvão: Você entrando em Sympla e digita esse nome: Helena Blavatsky e a Voz do Silêncio. Está todas as terças-feiras às 20 horas. E todos os domingos às 19h30min. Vai lá. Está tão bonito, Luciano. Eu tenho certeza que você vai gostar.

Luciano Pires: Eu vou.

Lúcia Helena Galvão: A primeira vez na minha vida que eu escrevi um roteiro de teatro.

Luciano Pires: Que legal.

Lúcia Helena Galvão: Vai lá dar uma olhada.

Luciano Pires: Eu vou lá sim. Depois eu vou te dar um retorno pelo WhatsApp. Assisti. E vou te dizer o que eu achei.

E nasceu a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Philosopher
Yellowstone and Voice

All of the children in the park
Searching the sculpture to find where you are
All of the blind men in the dark follow you
Do you know where you go?
All of the travelers on the road
Put down the burdens to see where you go
All of the mortals with their loss
Follow you anywhere, follow you.
Do you know where you go?

Philosopher
If he should turn his head around
He will see they’re all about
All of these people falling down.

Philosopher
Can you survive the world you teach?
And can we live the world you preach?
All of your people out of reach.

All of the people wanting more,
Needing to follow a philosopher
All of the wealthy and the poor
Follow you anywhere, follow you.
Do you know where you go?

Philosopher
If he should turn his head around
He will see they’re all about
All of these people falling down.

Philosopher
Can you survive the world you teach?
And can we live the world you preach?
All of your people out of reach

Philosopher
If he should turn his head around
He will see they’re all about
All of these people falling down.

Filósofo

Todas as crianças no parque
Pesquisando a escultura para encontrar você
Todos os cegos no escuro seguem você
Você sabe para onde você vai?
Todos os viajantes na estrada
Abaixam suas cargas para ver aonde você vai
Todos os mortais com a sua perda
Seguem você para qualquer lugar, seguem você
Você sabe para onde você vai?

Filósofo
Se ele olhar ao seu redor
Ele verá do que tudo se trata
Todas essas pessoas caindo

Filósofo
Você pode sobreviver ao mundo que você ensina?
E podemos viver o mundo que você prega?
Todos os seus povos fora de alcance

Todas as pessoas querendo mais
Necessitando seguir um um filósofo
Todos os ricos e os pobres
Seguem você para qualquer lugar, seguem você
Você sabe para onde você vai?

Filósofo
Se ele olhar ao seu redor
Ele verá do que tudo se trata
Todas essas pessoas caindo

Filósofo
Você pode sobreviver ao mundo que você ensina?
E podemos viver o mundo que você prega?
Todos os seus povos fora de alcance

Filósofo
Se ele olhar ao seu redor
Ele verá do que tudo se trata
Todas essas pessoas caindo

É assim então, ao som de Philosopher, um clássico da dupla PeterPapini e Steve Voice, que formou o Yellowstone and Voice em Londres no começo dos anos setenta, que vamos saindo com os miolos fervendo.

Você curtiu o papo com a Lucia Helena, hein? Olha! Procure o trabalho dela na Nova Acrópole, é conteúdo necessário para quem sabe que estar vivo exige um esforço bem maior do que  simplesmente respirar.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

E a essa altura você já sabe: acessando o mundocafebrasil.com, você cai de cabeça no ecossistema do Café Brasil. Podcasts, videocasts, conteúdo de primeira linha. Vem pra cá, cara! Aliás, aproveitem. eu estou aqui em novembro de 2021, na Black Friday. Se você entrar lá agora, tem um ícone pra Black Friday e vocçe pode assinar. Assinatura anual do Café Brasil com 5o% de desconto. Sabe o que é isso, cara? É conteúdo na cabeça! Coisa que você vai adquirir e pode gastar à vontade que nunca mais acaba. Tem investimento meklhor do que esse, hein? Vem pra cá: mundocafebrasil.com.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Demócrates:

É belo impedir um homem injusto. Mas, se isso não for possível, belo é não agir em conformidade com ele.