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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Por dentro das Big Techs
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Um pouquinho de história
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Um pouquinho de história só para manter as coisas em ...

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Não olhe para cima
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Nem tudo se desfaz
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Vale muito a pena ver a história da qual somos ...

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Café Brasil 805 – O Estupro da Mente
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Café Brasil 804 – Psicose de formação em massa
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Olhe pela janela... o que restará daqui a 100 anos, de ...

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LíderCast 227 – Leticia Zamperlini e Cristian Lohbauer
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No programa de hoje temos Leticia Zamperlini e Cristian ...

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Café Brasil 793 – LíderCast Antônio Chaker
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Hoje bato um papo com Antônio Chaker, que é o ...

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Café Brasil 789 – LíderCast Osvaldo Pimentel – Monetizze
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Hoje bato um papo com Osvaldo Pimentel, CEO da ...

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Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
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Hoje bato um papo muito interessante com Leandro Bueno, ...

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Café na Panela – Luciana Pires
Café na Panela – Luciana Pires
Episódio piloto do projeto Café na Panela, com Luciana ...

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Sem treta
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A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

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O cachorro de cinco pernas
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Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

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A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

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Trivium: Capítulo 5 – Predicáveis: Classificação e Números (parte 4)
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Expectativas em relação à China
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Expectativas em relação à China “Embora ainda seja prematuro especular sobre os delineamentos básicos de uma nova e inevitável ordem internacional, a evolução dos acontecimentos parece apontar ...

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Trivium: Capítulo 5 – Formas Proposicionais A E I O (parte 3)
Alexandre Gomes
As distinções apresentadas na lição anterior são as bases da CONCEITUAÇÃO e do MANEJO das proposições. Usando a qualidade, ou tanto a quantidade quanto a modalidade, como base, TODA PROPOSIÇÃO ...

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Trivium: Capítulo 5 – Características das Proposições (parte 2)
Alexandre Gomes
As PROPOSIÇÕES podem ser agrupadas por cinco características; e cada uma dessas se divide em duas classes. As cinco características são: a) referência à realidade, b) quantidade, c) qualidade, d) ...

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Cafezinho 457 – Eu não sabia
Cafezinho 457 – Eu não sabia
O jornalista, crítico da mídia e filósofo amador ...

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Cafezinho 456 – Humildade na liderança
Cafezinho 456 – Humildade na liderança
Quando você mistura ignorância com arrogância, pitadas ...

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Cafezinho 455 – Para pensar direito
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George Orwell escreveu: "Se as idéias corrompem a ...

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Cafezinho 454 – A tecnologia mata a paciência
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A vida é curta demais pra gente ficar esperando. Mas ...

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Café Brasil 798 – Raciocínios Perigosos – Revisitado

Café Brasil 798 – Raciocínios Perigosos – Revisitado

Luciano Pires -

Já pensou no seu negócio fazendo vendas no Instagram e Facebook,hein? Essas são duas das redes sociais de maior engajamento hoje em dia. O Instagram, por exemplo, já possui 1 bilhão de usuários no mundo. A Nuvemshop, maior plataforma de e-commerce da América Latina, ajuda você a montar o seu e-commerce nas redes sociais em minutos!

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Mas se quiser saber mais, dê uma olhada no @nuvemshop no Instagram.

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O Café Brasil de hoje é a releitura de um programa de 2012, mas que se torna absolutamente necessária. Vamos tratar de algo que falo há tempos: a necessidade da gente conhecer não só o que acontece, mas por que acontece. A maioria das pessoas acha que estar bem informada basta, mas é preciso mais que isso para quem não quer ser apenas um refém de quem sabe como manipular a informação.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Em 1946 o deputado Edmundo Barreto Pinto deu uma entrevista para a Revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro. Ao final da entrevista, o jornalista e o fotógrafo pediram que ele vestisse a roupa de deputado, uma espécie de fraque, e ele se queixou. Baita trabalho. Pediram que ele colocasse apenas a camisa e o paletó, pois a foto seria publicada apenas da cintura para cima. Não foi. Foi de corpo inteiro, com o deputado de cueca samba canção. Sabe o que aconteceu? O deputado perdeu o cargo por falta de decoro parlamentar.

Se você ficar curioso, a foto do cuecudo está publicada no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br.

Outra cueca, esta bem mais recente: o então senador Eduardo Suplicy desfilou pelos corredores do Congresso usando uma cueca vermelha por cima do terno, numa brincadeira promovida pelo programa Pânico Na TV. A brincadeira pegou mal, o deputado pediu e a reportagem não foi ao ar. Mas a foto foi estampada em vários jornais e revistas. E como neste novo milênio estamos muito mais tolerantes, a coisa ficou por isso mesmo, sem maiores consequências.

Mas mostrando que a tolerância só vale para os homens, vimos aquele caso da Geysi Arruda, lá em 2009, que foi à universidade com um vestido curtíssimo. A moça foi cercada por centenas de estudantes, xingada e ameaçada. Vídeos mostrando o acontecido foram parar no Youtube, dali para os jornais, revistas e televisão e pronto. Geysi Arruda, a moça do micro vestido, foi expulsa da universidade e depois readmitida e o Brasil parou para discutir o assunto. Sorte dela, que apareceu em dezenas de programas de televisão e revistas masculinas, fez uma repaginação, virou destaque da escola de samba Gaviões da Fiel e está curtindo o “ser celebridade”, essa coisa tão cara a estes novos tempos.

Cuecas e micro vestidos ocupando o imaginário popular parecem banalidades, não é?  Não é não, viu? O lance das cuecas e do vestido curto não é a doença. É o sintoma.

“Olá, Luciano Pires Bom dia. Luiz Fernando Gabin aqui. Sou assinante do Café Brasil desde 2018. Acabei de escutar o Maiorias irrelevantes. Simplesmente sensacional. Sensacional. Uma ótima alternativa aí, pra esa polarização, pra esse debate ruidoso que se tem em torno de maiorias.

Quanta coisa, quanta desinformação nós temos, e acho que você conseguiu aí, muito bem, colocar os argumentos em seus devidos lugares, deixar a questão muito didática e ao mesmo tempo, chamar a atenção, isso é o mais importante, né? Chamar a atenção aí pra seriedade da questão, pra seriedade de como o politicamente correto aí, na forma que você colocou, vai entrando nas nossas vidas, vai ganhando espaço e às vezes os exemplos históricos aí invocados, quando a gente se dá conta, já é tarde demais, né?

Parabéns aí pelo trabalho, a plástica muito legal e achei também muito legal as pontes que voce fez, né? Tem muito ali do conteúdo dos podsumários… as associações que você fez, achei uma bela duma síntese. E o mote também da morte da Marília Mendonça e de como a questão é tratada de maneira hipócrita assim.

Foi um Café Brasil como todos, muito bom, mas esse aí, em particular, achei sensacional. Parabéns. A minha reflexão que eu deixo assim é: na vida prática diária, muitas vezes a gente faz o cálculo de quais lutas a gente vai lutar e vai pra briga ou, ao invés de ir pra briga, a gente vai resistir e não se acomodar, custe o que custar.

Na prática, é muito difícil, acho que isso varia de cabeça pra cabeça, né? Mas, eu enxerguei nessa temática sua, algo pra se pensar. Um alerta, no sentido de… seja lá em qual nuance da ditadura das minorias, e qualquer que seja a nuance, se no trabalho, na escola ou numa política pública, enfim, seja lá qual for, essa é uma luta de resistência e que vale a pena ser lutada, pra que nós não sejamos maioria irrelevante.

E acredito aí, por fim, que a maioria, quando ela é relevante, ela é relevante, inclusive na proteção das minorias, como você bem disse, legítima, como você bem disse, virtuosa, quando a gente resiste às distorções, essa sede de poder aí, travestida de luta por justiça. A gente acaba ajudando e, inclusive, as minorias. Acho que meu ponto é esse.

Luciano, um forte abraço aí. E faço votos que o Café Brasil continue por bastante tempo.”

Grande Luiz Fernando… pois é, meu caro, pra fugir da polarização destrutiva, temos de buscar a positiva. E ela está fora da grande mídia, viu? Por isso cresce a cada dia nossa responsabilidade sobre que tipo de alimento intelectual deixaremos entrar em nossa mente. Antes que seja tarde demais…

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é!

No site perfetto.com.br – lembre-se sempre que Perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. O Sorvete Zero Lactose da Perfetto também ganhou nova embalagem, de 450g para 500g, mas mantém o sabor, cremosidade e cuidado de sempre com os intolerantes à lactose e celíacos, já que o produto também é zero glúten.

Você tá se aguentando aí, cara? É difícil, né? Vai lá no blog! Ou então vai no Instagram da Perfetto: @sorvetesperfetto

Dá uma olhada lá. É enlouquecedor. Como é que é mesmo, Lalá?

Lalá – Ah! Com sorvete #TudoéPerfetto, né?

Fama
Beth Lamas
Sarah Benchimol

Money no bolso, é tudo que eu quero
Money no bolso, saúde e sucesso
Money no bolso, é tudo que eu quero
Money no bolso, saúde e sucesso

Faço tudo pela fama não tem jeito eu sou assim
Sei que a fama tem um preço, vou pagar, quero subir
Na cama com madonna quero mais é ser feliz
Se eu tiver quinze minutos viro capa de revista

Papagaio de pirata, stand in stand in
Sou modelo sou atriz, luzes, câmeras em mim
Pago mico, tô na mídia, quero mais aparecer
Se eu tiver quinze minutos viro estrela de TV

Um jatinho pra voar quando estiver a fim
Sem limites pra sonhar, hollyood é logo ali
Por ali ou por lá, eu nasci pra ser artista
Se eu tiver quinze minutos viro capa de revista

A canção que você ouve é Beth Lamas, que vem do teatro para fazer sucesso também como cantora. FAMA, chama-se a canção, é uma composição da Beth com Sarah Benchimol, foi trilha da peça A VERDADEIRA HISTÓRIA DE BEATRIZ ALZIRA, estrelada pela Beth. E depois, a música virou trilha da novela CELEBRIDADE. Cara! Isso é muito anos setenta… 

A cueca de 1946 mostrou a doença da quebra de confiança, uma promessa não cumprida pelo jornalista, causando uma vítima, o deputado. A cueca do Suplicy em 2009 mostrou a doença do vale tudo para uns segundinhos de exposição na mídia. E o micro vestido da Geisy em 2009 exibiu a doença da intolerância que pensávamos já estar ultrapassada.

Mas eu quero mesmo é fazer umas perguntinhas marotas… olha só! Quero saber os porquês de cada um desses “escândalos”.

Em 1946, foi por causa do deputado que vestiu a cueca ou do jornalista que o enganou, hein? Em 2009 foi por causa do senador que vestiu a cueca ou do pessoal do programa Pânico na TV que o induziu a isso? E no caso da universidade? Foi por causa da moça que usou o vestido curto ou da intolerância dos agressores?

Parece lógico, não é? Se o deputado e o senador não tivessem concordado em usar as cuecas, nada teria acontecido. Se a Geysi não tivesse colocado o vestido provocante, nada teria acontecido.

Portanto a culpa deve ser deles, não é?

É isso aí
Ana Carolina
Seu Jorge

É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre
É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua
Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar
É isso aí
Há quem acredita em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade
É isso aí
Um vendedor de flores
Ensina seus filhos a escolher seus amores
Eu não sei parar de te olhar
É isso aí
Há quem acredita em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade
É isso aí yeah
Um vendedor de flores
Ensina seus filhos a escolher seus amores

Hummmm…. bom, né? Muito prazer, esse é o Stefano Mota, com É isso aí, da Ana Carolina, sobre composição original de Damien Rice. O Stefano tem um canal no Youtube com uma versão melhor que a outra, cara, vai lá!

Pois é…quando eu escuto esse argumento de que a culpa é deles, eu acho que eu vou chorar! Cuidado, viu? Quer dizer que a culpa do estupro é da moça que colocou o vestido curto? A culpa da perda de mandato é do político que confiou no jornalista? Esse raciocínio é perigoso.

Ele também serve para desculpar o MST que invade e depreda a fazenda particular sob o argumento de que “são da união e foram invadidas pela Cutrale”. Serve para desculpar a torcida uniformizada que trucida o torcedor do time contrário que “tava provocano nóis”.

Serve para inocentar o sujeito que rouba o celular que “tava largado na mesa, dando sopa.” Serve para aliviar a culpa do assassino conforme a qualificação da vítima. Serve para desculpar a mentira e a corrupção, pois “no governo anterior era até pior”. Serve para aceitar a censura porque “o fulano fala muita besteira.”

Nestes tempos de novilíngua, de “mentiras simbólicas” e de gente ideologicamente estressada, nem tudo é o que parece ser.

Portanto, antes de acreditar no julgamento dos outros, preocupe-se em saber os porquês.

Vamos lá, então. É importante tentar entender por que as coisas acontecem, além de saber que elas acontecem, certo? Em minhas palestras costumo apresentar algumas regrinhas que servem como base para quem quer exercer seu espírito crítico ao receber informações. Várias dessas dicas eu já dei em programas anteriores, mas agora vamos agrupar tudo num só. Pode ser um exercício e tanto!

Começo com a minha velha e boa TEORIA DOS QUATRO RÊS. Ela prega que “Informações sem relevância, disseminadas por quem não tem a menor responsabilidade, quando recebidas sem qualquer reserva, ganham ressonância desproporcional.”

Eu estou exagerando no RRRE, porque eu sou de Baurú e falo poRRta. E cada vez que aparece um R e eu posso falar RRRE, eu faço questão…

Os quatro Rês são: relevância, responsabilidade, reserva, ressonância.

O corte de cabelo novo do Ronaldo Fenômeno. A celebridade da novela que apareceu num vídeo indiscreto. Aqueles assuntos que ganham espaço nas discussões normalmente não respeitam os quatro rês. Aliás, nem podem, né?

Os quatro rês são problema nosso.

Sempre que você estiver diante de uma informação, não importa se no jornal, na televisão ou até mesmo na boca daquela colega na hora do café, ali pelo WhatsApp, inclusive, fique esperto para aplicar a teoria dos quatro rês.

Primeiro rê: Relevância. Que importância, que relevância tem essa informação que você está recebendo, hein? Que importância para você, para os que estão à sua volta, para sua empresa, para sua cidade, para seu país, para o mundo? Se não tem importância, se não tem relevância nenhuma, se é apenas mero entretenimento ou fofoca, não perca mais tempo com ela.

Segundo rê: Responsabilidade. Que responsabilidade tem a pessoa que está passando essa informação para você? Ela é confiável? Ela se preocupou em verificar as evidências? Ou é apenas um irresponsável passando para a frente aquilo que ouviu? Se é um irresponsável, redobre os cuidados, vá você mesmo em busca das evidências. Use o Google!

Terceiro rê: Reserva. Com que reserva você deve receber essa informação? Que cuidados deve tomar? Que proteções deve ter? Se você recebe as informações sem qualquer reserva, torna-se vítima delas. Ou passa a ser um inocente útil, distribuindo aquilo que alguém quer que você distribua.

E por fim o quarto rê: Ressonância. Que ressonância você deve dar à informação? Deve distribuir para todo mundo, deve ampliar o alcance? Ou apenas fazer com que a informação morra ali com você?

Relevância. Responsabilidade. Reserva. Ressonância. Quatro palavrinhas que ajudam você a filtrar de forma inteligente as informações que circulam por aí. Os quatro rês que te deixam esperto!

Depois vêem aquelas cinco perguntinhas básicas, que servem pra jogar água na fervura, desmascarar os manipuladores e proteger você.

Primeira: quem criou essa mensagem? É fundamental que você tenha uma idéia da autoria da mensagem. Quando você sabe a autoria, tem grandes chances de entender as intenções – na maioria das vezes ocultas – de quem criou a mensagem e pode proteger-se. Uma ligação anunciando que você ganhou um prêmio, por exemplo, muda completamente de significado quando você sabe que por trás dela está um operador de 0800 de uma companhia de telefonia, percebe? Aí tem coisa…

Gosto muito de usar aquele exemplo clássico: pegue a frase “eu só sei que nada sei”. Se o autor for o filósofo grego Sócrates, ela significa que o sábio é aquele que reconhece sua ignorância e trabalha para vencê-la. Já a mesma frase “só sei que nada sei” na boca de Luiz Inácio Lula da Silva, assume um significado completamente diferente. Por isso é importante saber quem é o autor da mensagem.

Segunda pergunta: Que técnicas criativas foram usadas para chamar a minha atenção? Estou fascinado com esta propaganda de cerveja, pois tem uma loira com uma bunda maravilhosa. Percebeu? A bunda é um truque para prender a sua atenção! De olho na bunda, abro espaço para a marca da cerveja no meu coração.

Outra prática muito difundida são as frases tiradas para fora de um contexto. Num programa anterior tratei da frase da Sandy sobre prazer anal, uma frase que foi tirada de um contexto onde ela dizia que pode ser que exista quem goste. Essa frase, tirada do contexto, transformou-se numa confissão da preferência sexual da cantora. Fique esperto com os truques dos criativos!

Terceira pergunta: De que forma pessoas diferentes entenderiam essa mensagem de um jeito diferente da minha? Se eu não fosse quem sou, não morasse onde moro, não tivesse a educação que  eu tenho, como eu receberia essa informação? Aquela piada do Rafinha Bastos dizendo que mulher feia deveria agradecer se fosse estuprada, por exemplo? Você riu? E se você fosse uma mulher feia? E aquela propaganda da Skol com um terremoto na praia engolindo todo mundo e a caixa de cerveja? Você achou interessante, hein? E se você fosse um refugiado Haitiano ou até mesmo um Chileno que já enfrentou um terremoto, morando no Brasil? Você percebe? Coloque-se no lugar de outros.

Quarta pergunta: Que valores, estilos de vida e pontos de vista estão representados (ou omitidos) desta mensagem? Uma mensagem anti-abortista vinda de um médico pode tomar outros significados se vier de um padre, por exemplo. O que poderia ser uma questão científica transforma-se numa questão religiosa, ideológica e ética.

Quinta pergunta: Por que esta mensagem está sendo enviada? Por quê pra mim, aqui e agora? Recebi algum tempo atrás, um DVD com um programa mostrando as atividades da prefeitura da cidade onde eu moro. É claro que a intenção não é prestar contas, mas dar a largada para uma campanha eleitoral.

Cinco perguntinhas, sacou? Experimente fazê-las. Com o tempo você vai incorporá-las a seu repertório e passar a fazê-las de forma automática, protegendo-se de manipulações, mentiras e aproveitadores. E elas vão ajudar você a entender porque as coisas acontecem.

E nasceu a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Nestes dias de estresse ideológico nos quais vivemos, onde por trás de cada fato ou versão existe um interesse, é fundamental estar preparado para receber, filtras e escolher a informação. A violência na televisão, por exemplo, deve ser dez vezes maior que a violência na vida real. Estar diariamente exposto à superdose de violência não pode fazer bem a ninguém. No mínimo nos tornaremos reféns de um clima de pavor, apoiando medidas extremas para combater um mal com doses muito maiores de remédio do que seria necessário. É por aí, por exemplo, que ainda existe gente defendendo “um pouquinho de censura” para combater quem diz coisas que ela não quer ouvir.

Veja bem vou deixar beeeeeeem claro: não é para negar a informação que você está recebendo. É para assumir o controle sobre o que você fará com ela. Se toooodo mundo está comprando o novo celular que está na moda, você talvez se veja tentado a comprar também. Pode ceder à pressão da maioria, que por sua vez cedeu a uma bem montada campanha de marketing que está a serviço de alguém que no final das contas só quer uma coisa: seu dinheiro. O seu voto, a sua consciência, a sua concordância.

É assim que a sociedade funciona, é assim que os meios de comunicação funcionam, é assim que nós funcionamos como seres humanos. E não há porque achar que isso é necessariamente ruim. Ruim é quando você entrega a terceiros o controle da sua vida, quando prefere procurar a lista dos mais vendidos para escolher o livro que vai ler, quando deixa que alguém defina o modelo de camisa ou de sapato que você deve usar. Ruim é quando você deixa de ser curioso, sacou?

Ruim é quando você perde a capacidade de dizer não

Metáfora
Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: lata
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: meta
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo, nada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha a caber o incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora
Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: lata
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: meta
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo, nada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha a caber o incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora

Muito bem. É assim então, ao som de Gilberto Gil com sua inacreditável Metáfora, que vamos saindo com os miolos fervendo.

Olha, eu não sei se você lembra, mas o conteúdo deste programa, que foi ao ar originalmente em 2012, faz parte de meu décimo livro, que pretendo lançar no começo de 2022. 2012: eu estava falandio de fake news, estava falando de manipulação ideológica, estava falando lá em 2012, de coisas que estão acontcendo, muito fortemente hoje. Aliás, eu já falava no final dos anos 90. O assunto é a mídia, sempre a mídia, aquela que joga as informações, que se você receber sem tomar seus cuidados, você vai virar refém. Vai virar, como é que eles dizem aí? Gado.

Este é o Café Brasil, um programa cheio de raciocínios, alguns até perigosos, mas que é ouvido por gente curiosa, que quer se sentir provocada, quer ampliar o repertório, quer formar opiniões, quer tomar conta de si própria. E acredite, no mundo de hoje, gente assim é minoria…

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Não esqueça: mundocafebrasil.com. Acesse lá. É lá que você vai encontrar o caminho para todo o ecossistema do Café Brasil. Tem videocasts, podcasts, tem e-books, tem um plano de assinatura, tem a área de debates com outras pessoas. É um mundo todinho, cara. mundocafebrasil.com. Torne-se um assinante você também.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. Vou repetir: 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase do filósofo e matemático britânico Bertrand Russell:

O que é necessário não é a vontade de acreditar, mas é o desejo de descobrir, que é justamente o oposto