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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Expectativas em relação à China
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Expectativas em relação à China “Embora ainda seja prematuro especular sobre os delineamentos básicos de uma nova e inevitável ordem internacional, a evolução dos acontecimentos parece apontar ...

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Trivium: Capítulo 5 – Formas Proposicionais A E I O (parte 3)
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Trivium: Capítulo 5 – Características das Proposições (parte 2)
Alexandre Gomes
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Cafezinho 457 – Eu não sabia
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O jornalista, crítico da mídia e filósofo amador ...

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Cafezinho 456 – Humildade na liderança
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Quando você mistura ignorância com arrogância, pitadas ...

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Cafezinho 455 – Para pensar direito
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Cafezinho 454 – A tecnologia mata a paciência
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A vida é curta demais pra gente ficar esperando. Mas ...

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Café Brasil 799 – Essa tal meritocracia

Café Brasil 799 – Essa tal meritocracia

Luciano Pires -

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Meritocracia, meritocracia… meritocracia… como tem gente que fala mal da meritocracia, cara. A maioria porque não sabe até hoje o que é. Eu já tratei a respeito do assunto em outros programas, na verdade foram três em sequência, os Café Brasil 460, 461 e 462. Mas o tema continua quente. Eu vou aproveitar hoje um artigo de um autor norte americano para voltar ao assunto. É indispensável.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Este episódio é totalmente baseado num artigo de Adrian Wooldridge, que foi o editor político do The Economist. Seu livro mais recente é The Aristocracy of Talent: How Meritocracy Made the Modern World, ou A aristocrracia do talento. Como a meritocracia construiu um mundo moderno. E o artigo chama-se: A guerra contra a meritocracia.

A meritocracia fez o mundo moderno, agora, a revolta contra o mérito ameaça desmontar.

E como o programa tem muito texto, a trilha será quase toda com o show, cara. Um show de blues. Chama-se Brazilian Blues, de Tony Babalu, que foi apresentado num Instrumental Sesc Brazil.

Vamos nessa?

A ideia meritocrática é tão fundamental para as sociedades modernas que a consideramos algo natural. Esperamos ter uma chance justa quando nos candidatarmos a um emprego, e ficamos indignados com o mero cheiro de nepotismo, favoritismo ou discriminação. “Todo americano tem o direito de ser julgado com base no mérito individual e ir tão longe quanto os seus sonhos e trabalho duro vão levá-lo,” Quem disse isso foi Ronald Reagan em 1984. “Acreditamos que as pessoas devem ser capazes de serem bem sucedidas por seus talentos, e não por seu nascimento ou as vantagens de privilégios “. Quem disse isso foi Tony Blair, quinze anos e um oceano depois.

No entanto, considerar algo tão fundamental para a saúde de nossa economia e nosso sistema político como garantido é o cúmulo da tolice. Olhe para a história do Ocidente e você não precisa ir muito longe para encontrar um mundo onde os empregos fossem passados ​​de pai para filho ou vendidos pelo lance mais alto. Olhe para o resto do mundo e você verá governos crivados de corrupção e favoritismo.

A ideia meritocrática é necessariamente frágil: os humanos são biologicamente programados para favorecer seus amigos e parentes em vez de estranhos. Estamos certos em pensar que o mundo moderno, com sua economia vibrante e setor público livre de favores, seria impossível sem a ideia meritocrática, mas estamos errados em pensar que a meritocracia estará conosco para sempre se continuarmos a encharcar suas raízes em veneno.

“Fala Luciano. Boa tarde. Eu sou Rhenan, falo aqui da ilha de Curiri, Espírito Santo e acabei de ouvir o seu Raciocínios perigosos, cara! Eu acho que não tem dia melhor pra eu te falar isso.

Eu trabalho com… na área da telecom, e hoje eu fiz uma instalação na casa de duas moças e todas as vezes que eu tenho oportunidade, que essas pessoas me abordam, com algumas noticias, porque, na maioria das vezes que eu vou fazer instalação na casa das pessoas, as pessoas se abrem bastante comigo, né? E às vezes conversam sobre tudo.

E hoje, para minha surpresa, a moça falou assim: moço, fique à vontade e tal. Eu falei, beleza! Aí eu estou lá, comecei a mexer e do nada ela olhou pra mim: deixa eu te perguntar. Você votou em quem na eleição passada? Não é pra discutir com você não, mas só pra saber. Aí eu falei que no primeiro turno eu votei no Amoedo, porque eu sei de várias pessoas que, compartilhando a mesma ideia, outras que já tem opiniões diferentes da minha, talvez alguns que escutarem esse áudio não concordem, mas ambos queremos a mesma coisa, né? Algo melhor para o Brasil. Que é o que a gente sempre deseja, cara.

E sempre que eu tenho oortunidade, que as pessoas puxam sobre assuntos reflexivos, sobre política, sobre qualquer outra área, eu nunca esqueço de mencionar o Café Brasil, cara. Porque eu fui descobrir o João Amoedo foi ouvindo aqui o Café Brasil. Então, eu fui estudar sobre o partido Novo, e me chamou atenção aquilo, sabe?

E ela começou a falar os problemas que ela achava, que ela via na política e a indignação dela com o atual governo e tal. E aí ela chegou pra mim e soltou essa que ela nunca votou. E eu falei: como assim? Você, tão indignada com a vida… é porque eu nunca concordei. Falei: mas você está dando uma oportunidade… você está deixando uma oportunidade de fazer o Brasil progredir.

Na minha opinião, as pessoas tem essa falsa ilusão de que não votar vai ajudar em alguma coisa. Pelo contrário, se nós somos pessoas que querem o melhor para o Brasil, é por isso que a gente tem que desenvolver a nossa cidadania e votar por aquela pessoa que a gente acha melhor pra gerir o governo do Brasil.

A gente conversou por vários momentos, enquanto eu fazia o meu serviço, e eu falei com ela: quer uma ideia bacana? Ouve o Café Brasil. Às vezes, a gente vive nessa correria toda e às vezes a gente não tem tempo de acompanhar todas as notícias. O bom de estar escutando o Café Brasil é que você não chega formando uma opinião. Mas você dá as iscas pras pessoas tirarem suas próprias conclusões através dos fatos. E a mulher ainda falou comigo: hoje, a mídia, muita coisa que ela fala, não é verdade. Só que boa parte do argumento que ela falou, foram baseados na mídia em si, sabe?

Então assim, cara, eu sempre que eu tenho oportunidade de falar sobre o Café Brasil, eu falo, porque, lá em 2016, quando foi apresentado pra mim, isso me ajudou muito. Me tornou uma pessoa melhor, sabe? Eu emocionei, eu chorei, me alegrei, eu refleti muito. É impossível você não refletir em todos os episódios, seja pra qualquer lado emocional, mas assim, cara: eu queria te agradecer por tudo, queria dizer que o Café Brasil foi muito importante na minha vida, amadureci bastante.

E é isso aí, cara! Vida longa ao Cafezinho, Luciano. E olha: estou sempre te acompanhando em tudo, nas redes sociais, fora delas, tá? E que Deus abençoe sua vida, meu irmão. Um abração”.

Esse é o Rhenan, que me emociona aqui. Se alguém me perguntar o que é meritocracia, taí o exemplo: alguém que vê valor no trabalho que eu faço, dedica seu tempo de vida a me ouvir, tira proveito e ainda conta para todo mundo! E não interessa minha cor, meu tamanho, minha sexualidade, meu gênero ou quanta grana eu tenho no banco. Sacou? Eu sou como um Uber Intelectual, levo você de onde você está para onde você quer estar, mas eu tento fazer com tanto carinho e qualidade, que você vai sempre querer andar comigo. É isso. Sou um Influencer Uber Black, pra ficar na moda, rrarararar

Olha: muito obrigado, Rhenan! Volte sempre. Obrigado mesmo, de coração, viu?

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é!

No site perfetto.com.br – lembre-se, perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. O melhor Sorvete Light do mercado acaba de ganhar nova embalagem e mais 50g de produto. De 450g para 500g. Feito com zero açúcar, o sorvete Light da Perfetto, sabor Chocolate e Coco, é sem glúten, sem gordura trans, 56% menos gorduras e 50% menos calorias, quando comparado com o alimento convencional. Ideal para quem quer manter a forma, sem abrir mão do sabor. Você tá se aguentando aí? Tá difícil, né?  Vai lá no blog, cara! Dá uma olhada lá: é enlouquecedor!

Luciano – Lalá, diga uma frase meritocrática!

Lalá – Ah! Com sorvete #TudoéPerfetto. Difícil é resistir!

Continuando o texto do Adrian Wooldridge … O velho mundo.

O mundo pré-moderno foi fundado com base nos pressupostos opostos da meritocracia: linhagem em vez de realização e subordinação voluntária em vez de ambição. A sociedade era governada por proprietários de terras hereditários (chefiados pelo monarca) que tomaram suas posições lutando e saqueando e então as justificaram por uma combinação da vontade de Deus e da tradição antiga. A civilização foi concebida como uma hierarquia na qual as pessoas ocupavam suas posições dadas por Deus. Ambição e autoproclamação eram temidas. As pessoas eram julgadas, principalmente, não com base em suas habilidades individuais, mas com base em seu relacionamento com a família e a terra.

Os aristocratas britânicos ainda vêm acompanhados de nomes de lugares: quanto mais alta a classificação, maior o lugar.

Os empregos eram alocados não com base no mérito individual, mas por meio de três grandes mecanismos: conexões familiares, patrocínio e compra. Os reis herdaram suas posições independentemente de sua capacidade de governar o país. Carlos II da Espanha era uma bagunça de problemas genéticos. Sua cabeça era grande demais para seu corpo, sua língua era grande demais para sua boca e ele babava constantemente. Os aristocratas davam empregos aos seus favoritos ou então os vendiam a quem pagasse mais para financiar estilos de vida luxuosos na corte. E havia apenas uma relação frágil entre renda e trabalho: em 1783, a Sra. Margaret Scott estava recebendo um salário considerável de £ 200 por ano por atuar como ama de leite do Príncipe de Gales, que tinha 21 anos na época. Um dos dois advogados da equipe do Tesouro Britânico não apareceu para trabalhar por quarenta anos, de 1744 a 1784…

A ideia meritocrática foi um ataque revolucionário a todas essas suposições – a dinamite que explodiu o velho mundo e criou o material para a construção do novo. Mudou o teor da elite ao reformar a maneira como a sociedade distribui os cargos de chefia. Transformou a educação, enfatizando a preciosidade da habilidade acadêmica bruta. Tudo isso redefiniu a força elementar que determina as estruturas sociais.

“Quando não há mais riqueza hereditária, classe de privilégio ou prerrogativas de nascimento, torna-se claro que a principal fonte de disparidade entre a sorte dos homens está na mente”. Quem escreveu isso foi Alexis de Tocqueville.

Mas a ideia meritocrática era ainda mais do que isso: era uma tentativa de conter um dos instintos mais básicos da humanidade – o instinto de favorecer os próprios filhos em detrimento dos filhos dos outros – em nome do bem coletivo. “Em todo o reino animal”, observa Mary Maxwell, uma bióloga, “o nepotismo é a norma para as espécies sociais. Eu vou mais longe: a prática do nepotismo define as espécies sociais. ” Isso ajuda a explicar as oscilações intelectuais de Platão em A República.

Platão foi o primeiro ocidental a traçar um projeto para uma meritocracia: ele argumentou a favor da mobilidade social porque pessoas privilegiadas podem produzir “filhos de bronze” e pessoas não privilegiadas podem produzir “filhos de ouro”. Mas como é que você evita que famílias bem-sucedidas acumulassem posições de liderança ou famílias malsucedidas fossem ignoradas?

Platão pensava que a única maneira de fazer isso era uma revolta extrema contra a natureza: afastar os filhos de seus pais biológicos para criá-los em comunidade e evitar que os “tutores” possuissem qualquer propriedade para que colocassem o coletivo acima do indivíduo.

A ideia meritocrática estava no cerne das quatro grandes revoluções que criaram o mundo moderno. A mais fundamental delas foi a revolução industrial que transformou a base material da civilização e liberou as energias dos homens que se fizeram por si próprios. Isso foi reforçado por uma sucessão de revoluções políticas. A Revolução Francesa foi dedicada ao princípio da “carreira aberta aos talentos”. Os privilégios feudais foram abolidos; a compra de empregos foi proibida; as escolas de elite foram fortalecidas. Os soldados de infantaria que marcharam pela Europa foram todos encorajados a pensar que tinham um “bastão de marechal de campo” em suas mochilas. A Revolução Americana foi impulsionada por uma visão de igualdade de oportunidades e competição justa. Thomas Jefferson falou em substituir a “aristocracia artificial” da terra pela “aristocracia natural” de “virtudes e talentos”. David Ramsay, historiador e político da Carolina do Sul, comemorou o segundo aniversário da independência americana argumentando que a América foi uma nação única na história da humanidade porque “todos os cargos estão abertos a homens de mérito, de qualquer posição ou condição”.

A Grã-Bretanha foi o cenário da mais sutil dessas revoluções: a revolução liberal que viu o poder ser transferido da aristocracia latifundiária para a aristocracia intelectual sem que um tiro fosse disparado. Os revolucionários primeiro submeteram instituições estabelecidas, como o serviço público e as universidades, à magia da competição aberta e dos exames escritos e, então, gradualmente, construíram uma escada de oportunidades da escola da aldeia às torres dos sonhos da universidade. A “Velha Corrupção”, como o governo já foi chamado, foi substituída por talvez o serviço público mais honesto e eficiente do mundo. E Oxford e Cambridge foram transformados de ninhos de sinecuras, aqueles empregos onde se ganha bem e trabalha pouco, em estufas intelectuais.

A revolução meritocrática gerou uma revolução meritocrática. A “escada de oportunidades” revelou que havia muito mais talento na população em geral do que os revolucionários liberais imaginavam. A aplicação da “competição aberta” aos homens, inevitavelmente, levantou a questão “e as mulheres?” E a contradição no cerne do documento de fundação da América não poderia durar para sempre: se os homens nascessem naturalmente iguais, como você poderia manter os negros acorrentados? Grupos até então marginalizados aproveitaram a ideia meritocrática de exigir uma chance justa de sucesso na vida.

A explosão de energia resultante levou a uma sociedade mais justa e mais produtiva. Mulheres e minorias inundaram o ensino superior. As mulheres agora representam mais da metade dos estudantes universitários da Grã-Bretanha e as minorias étnicas têm melhor desempenho na escola do que os brancos. Os países meritocráticos crescem mais rápido do que os países não meritocráticos. As empresas públicas que recrutam pessoas por mérito são mais produtivas do que as empresas familiares que abrem espaço para o favoritismo. A migração em massa flui apenas em uma direção: de países que não fizeram a transição meritocrática para aqueles que fizeram.

O novo Mundo

Uma ideia revolucionária que gerou uma economia mais produtiva e um estado mais eficiente: o que poderia ser melhor? Ainda assim, em todos os lugares a ideia da meritocracia está sob ataque. Os pensadores “anti-racistas” da moda argumentam que a meritocracia é frequentemente um disfarce para o privilégio branco, ou mesmo uma arma para empurrar as minorias para a penúria. Os populistas de direita argumentam que é a ideologia da presunçosa elite global que fez tanto barulho em governar o mundo recentemente. Mesmo as pessoas que dirigem a grande máquina meritocrática têm sérias dúvidas: Daniel Markovits de Yale escreveu recentemente um livro chamadoA armadilha da meritocracia, enquanto Michael Sandel de Harvard escreveu um chamado A tirania do mérito.

Os críticos têm alguns pontos a seu favor: a ideia meritocrática corre o risco de se tornar decadente. Estamos testemunhando um casamento perigoso entre dinheiro e mérito, à medida que os ricos compram oportunidades educacionais enquanto os pobres têm que se contentar com “padrões de mediocridade”. Precisamos claramente de outro grande impulso para reviver e reinventar a ideia meritocrática para uma nova era. Mas o que estamos obtendo, em vez disso, é uma tentativa de desmantelá-la.

A destruição está particularmente avançada nos Estados Unidos. A esquerda produz numerosos exemplos de uma “guerra ao mérito”. O Conselho de Educação de São Francisco proibiu a Lowell High School, uma das escolas de maior sucesso acadêmico do país, de usar testes de admissão e, em vez disso, introduziu um sistema de loteria. A comissária da escola, Alison Collins, declara que a meritocracia é “racista” e “a antítese do justo”. Programas para superdotados e talentosos estão sendo desmantelados em todo o país. As universidades estão reduzindo a importância dos Testes de Admissão Padronizados (os SATs), com algumas indo tão longe a ponto de torná-los opcionais, para enfatizar a “avaliação holística”. A atual guerra ao mérito é provavelmente tão contraproducente quanto o ataque da Grã-Bretanha às escolas seletivas nas décadas de 1960 e 1970: crianças de classe média acharão muito mais fácil um sistema baseado em ensaios e declarações pessoais do que um baseado nos resultados de testes e exames.

Esse ataque ao mérito se estende além do pátio da escola e da sala de reuniões. As empresas estão introduzindo cotas formais ou informais em nome da “equidade” (que está cada vez mais tomando o lugar da igualdade de oportunidades como medida de justiça). O afrouxamento dos padrões meritocráticos reduzirá a eficiência econômica à medida que vemos mais pinos quadrados colocados em orifícios redondos. Também será auto-reforçador: uma das regras mais confiáveis ​​na vida é que as pessoas de segunda categoria sempre designarão pessoas de terceira categoria para se protegerem de serem denunciadas. É preocupante que esse ataque surpreendente aos princípios meritocráticos venha tanto da direita quanto da esquerda. Donald Trump não apenas deu cargos poderosos aos membros da família, talvez uma tradição americana consagrada, mas vergonhosa, mas também deixou um número sem precedentes de cargos seniores não preenchidos enquanto levava milhares de especialistas a buscar a aposentadoria antecipada.

A guerra contra a meritocracia seria autodestrutiva mesmo se o Ocidente governasse supremo. Mas está acontecendo em um momento em que o Ocidente enfrenta seu maior desafio até hoje – a ascensão da China e o capitalismo de estado autoritário.

A China foi, em muitos aspectos, a pioneira da meritocracia: por mais de um milênio foi governada por uma elite mandarim selecionada em todo o país pelos exames mais sofisticados do mundo. O sistema morreu porque falhou em se adaptar à explosão do conhecimento científico: as questões eram praticamente as mesmas em 1900 e em 1600. Mas a China agora está revivendo seu antigo sistema meritocrático, mas desta vez está procurando cientistas e engenheiros ao invés de estudiosos confucionistas. Estamos prestes a aprender que a ideia meritocrática pode ser tão poderosa a serviço do autoritarismo estatal quanto, até agora, tem sido a serviço da democracia liberal.

A atual guerra ao mérito é, portanto, uma dupla ameaça para o mundo moderno. Roubará o dinamismo econômico do Ocidente e, ao mesmo tempo, estimulará grupos de interesse a competir por recursos com base em direitos coletivos e ressentimentos de grupo. E mudará o equilíbrio de poder implacavelmente em direção a um regime pró-comunista no Oriente que não tem tempo para direitos individuais e valores liberais. Ainda temos uma chance de evitar esse processo – apenas – mas somente se estivermos dispostos a nutrir e reparar a ideia meritocrática que tornou o Ocidente bem-sucedido em primeiro lugar.

E nasceu a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

O bom
Eduardo Araújo

Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom
Meu carro é vermelho
Não uso espelho pra me pentear
Botinha sem meia
E só na areia eu sei trabalhar
Cabelo na testa, sou o dono da festa
Pertenço aos dez mais
Se você quiser experimentar
Sei que vai gostar

Quando eu apareço o comentário é geral
Ele é o bom, é o bom demais
Ter muitas garotas para mim é normal
Eu sou o bom, entre os dez mais
Ele é o bom, é o bom, é o bom
Ele é o bom, é o bom, é o bom

Quando eu apareço o comentário é geral
Ele é o bom, é o bom demais
Ter muitas garotas para mim é normal
Eu sou o bom, entre os dez mais
que que eu posso fazer
se elas vivem a dizer
(Ele é o bom, é o bom, é o bom)
que que eu posso fazer
eu dou muita sorte

Rararararara…. É assim então, ao som de É o Bom, o clássico que Eduardo Araújo imortalizou na Jovem Guarda, aqui com o Raça Negra, que vamos saindo…

provavelmente com um monte de disjuntor caído pelo chão, gente mordendo os cotovelos ou às lágrimas. Fica friom, viu? … vai piorar…

O que é que o Raça Negra tem a ver com meritocracia? Tudo, ué! Essa plateia lotada, todo mundo cantando junto, pagando pelo show, pelos CDs… é gente dando valor ao que eles fazem. E isso é mérito.

E então, hein? Você consegue perceber que certas cabecinhas querem destruir o que está por aí, sem saber direito o que colocar no lugar? Ou, pior, idealizando processos que não foram testados ou que jamais deram certo em qualquer lugar do planeta?

A evolução é desejável e necessária, mas precisa ser conduzida por gente que sabe considerar as relações de causa e efeito, por gente que consegue pensar no longo prazo com os pés no presente, por gente que respeita o valoriza o que criamos até agora. Mas a sensação é que essa gente, a cada dia que passa, está mais longe do poder.

E isso não pode dar certo.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, você aí, completando o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Olha: de onde vem esse conteúdo aqui tem muito mais, mas tem muito mais. Acesse mundocafebrasil.com. Você vai entrar dentro do ecossistema do Café Brasil. Tem podcasts, videocasts, tem sumário de livros, tem área de debates, tem plano de assinatura, tem de tudo lá. Vem dar uma olhada, cara. mundocafebrasil.com.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do advogado e ativista pelos direitos civis norte americano Derrick Bell:

Vivemos em um sistema que defende mérito, igualdade e igualdade de condições, mas exalta aqueles com riqueza, poder e celebridade, independente de como foram conquistados.