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Luciano Pires -

O mundo muda, a gente muda, tudo muda. E não necessariamente para melhor. A questão é entender essa dinâmica das mudanças: muda, mas sob qual perspectiva, hein? Será que eu ainda sou o mesmo depois de tanto tempo? É nessa praia que nós vamos hoje.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

O mundo muda
André Abujamra

O mundo muda
A gente muda
O mundo muda
A gente muda
O mundo muda

Eu era pobre, andava de chinelo
Hoje sou rico, ando de pajero

Eu era rico, nadava na piscina
Hoje sou pobre, pão com margarina

Eu perdi tudo
Achei você
Eu tenho tudo
Tenho você

Eu era pobre e hoje eu sou rico
Eu era feio e hoje sou bonito

Eu eura rico e hoje sou pobre
Eu era escravo e hoje eu sou nobre

Eu perdi tudo
Achei você
Eu tenho tudo
Tenho você

I change, you change we change i

Rararararar…. eu era pobre, andava de chinelo, hoje sou rico e ando de Pajero… Você está ouvindo o Karnak com O Mundo Muda, uma reflexão essencial em forma de música. Sobe aí, Lalá…

No Café Brasil 723 – O paradoxo do Dadinho, que eu lancei em 2020, comentei que Dadinho é aquele docinho à base de amendoim, em forma de cubo, embalado em um papel metalizado prateado com o nome e estrelinhas vermelhas. Foi lançado em 1954 para comemorar o 4º Centenário da Cidade de São Paulo. O nome do docinho era 4º Centenário, mas o povo botou o apelido de Dadinho, e a empresa que o lançou, a Dizioli, adotou.  E a molecada ficava doida. Cara, como eu comi Dadinho na minha infância!

Depois que cresci, parei. Fiquei dezenas de anos sem comer o Dadinho, até receber um pote cheio de guloseimas… e dentro dele quem? Dadinhos! Dezenas de Dadinhos! Que satisfação ver aquela embalagem que é muito parecida com a original! A gente desembrulha, é igual! O tamanho é igual! A cor, mas… a consistência tá meio estranha. Botei na boca… e descobri que o Dadinho de hoje é uma merda. Não tem nada a ver com aquela delícia de 50 anos atrás! É horrível, uma massa sem gosto, parecia que eu estava comendo uma borracha de apagar na escola, cara. É horrível!

Destruíram o Dadinho.

Eu chamei aquele acontecimento de o Paradoxo do Dadinho. É, teoricamente o mesmo produto, modernizado, com processos de fabricação mais eficientes, com controles com os quais a gente nem se sonhava 50 anos atrás, com cuidados supremos com a qualidade dos ingredientes, tudo muito mais sofisticado, com técnicas para fabricação, comercialização e distribuição modernas, tudo que há de mais moderno. E o resultado é uma merda.

Paradoxo do Dadinho.

Alguma coisa se perdeu no caminho.

Bem, esse texto e o comentário sobre ele está lá no Cafezinho 473, se você quiser ir mais fundo na reflexão. Mas o que quero chamar atenção neste episódio do Café Brasil é sobre a provocação que eu lancei: e aí, hein cara? Mudou o Dadinho ou mudei eu? Será que meu paladar, minhas lembranças, aquele Lucianinho de 50 anos atrás, não mudaram completamente ao longo dos anos? É caro que sim. Grande parte do impacto pela mudança do Dadinho, certamente se deve às mudanças que se processaram em mim. E eu prossegui essa reflexão no Cafezinho 474, e hoje quero mergulhar um pouco mais fundo, chegando ao Paradoxo do Navio de Teseu, um quebra-cabeças filosófico que há muito tempo intriga a gente.

Mas antes…

“Luciano, Lalá, Ciça, bom dia, boa tarde, boa noite. Tudo bem com vocês? Aqui é o Davi Pereira. Acabei de escutar o podcast 813, No creo en brujas. Aí  resolvi gravar esse áudio.

Já faz um tempo, uns cinco anos pra ser mais preciso, que um  amigo, muito fã de podcasts me apresentou ao Café Brasil. Desde então tenho acompanhado vocês e não perco nenhum episódio. Eu  também faço parte daquele grupo de ouvintes que resolveu assinar o Café depois do famoso episódio do cuzão. Mas eu queria falar mesmo do 813.

Até um tempo atrás, eu me dava ao trabalho de desmentir tudo que é mensagem que eu recebia com fake news, fake foto, fake fato, enfim, fake tudo. Nos vários grupos de WhatsApp da família, trabalho, amigos. Mas aí eu percebi uma coisa que vai bem ao encontro do que você falou, Luciano, no podcast. Eu vou chamar aqui de efeito loira do banheiro. Eu descobri que não adianta desmentir, provar,  mostrar evidência, nada disso, Luciano. Algumas pessoas precisam da loira do banheiro, eles precisam de algo fantasioso, falando… e de preferência assustador.

Eu não sei se é pra fugir da realidade, pra preencher algum espaço vazio, ou simplesmente desviar a atenção do que está acontecendo. Mas o fato é que eles precisam de algo fora da realidade. Eu também conclui que não existe um padrão. Não são só pessoas sem instrução ou pessoas desestruturadas. Pelo contrário. Eu tenho amigos com excelente formação, boa família, boa condição financeira, mas que insistem em acreditar no inacreditável. 

Talvez tenha relação, Luciano, com o que você falou no podcast: dissonância cognitiva. Acho que elas criam uma fantasia pra preencher o desconforto mental que esse mundo maluco faz em todos nós. Mas, deixa o pessoal com suas bruxas e suas loiras do banheiro pra lá.

Vida longa do Café Brasil e obrigada por tanto conteúdo. Forte abraço.”

Graaaande Davi Pereira, obrigado pela mensagem, viu? E por ter pulado para o barco do Café Brasil cara, tornando-se um assinante. É a sua contribuição que ajuda a gente a continuar por aqui, sabia? O ponto que você levanta é, sim, fundamental: as pessoas precisam acreditar em coisas fantasiosas. A realidade é doída demais, a desesperança chega rápido demais… há que haver salvação em algum lugar. Nem que seja com a Loura do Banheiro, rarararra. Obrigado, cara!

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é!

No site perfetto.com.br – lembre-se, perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece.

O picolé com sabor de milhões tem nome de Brigadeiro e é Perfetto. Experimente o picolé que tem sorvete cremoso no palito com cobertura especial de chocolate ao leite e granulado, cara. Meu: a textura desse granulado é uma coisa de louco.

Para saber mais, acesse perfetto.com.br. Confira todos os detalhes. Você tá se aguentando aí? É difícil, né?  Vai lá no blog, cara! Dá uma olhada: é enlouquecedor!

Luciano: como é mesmo, Lalá?

Lalá – hummm. Com sorvete #TudoéPerfetto

Você já ouviu falar do Paradoxo do navio de Teseu? Não? Vamos a ele, então.

Teseu é considerado um dos maiores heróis da mitologia grega. Em grego, Teseu significa “homem forte”. Sua história é repleta de detalhes, sendo um dos mais importantes a sua viagem à Ilha de Creta onde, dentro do Labirinto, matou o temível Minotauro.

Com o passar dos anos o navio de Teseu tinha tábuas e componentes de madeira substituídos à medida em que se deterioravam. O historiador e ensaísta grego Plutarco então levantou uma curiosa questão: se todas as peças do navio de Teseu fossem sendo substituídas, um dia o navio seria totalmente constituído de peças novas. Nesse dia, seria possível dizer que era o mesmo navio de Teseu? Ou seria outro navio?

Lembra quando eu levantei durante o Cafezinho a questão de que as empresas vão substituindo aos poucos os produtos usados para fazer o Dadinho? Será então que dá para dizer que o Dadinho de hoje é o mesmo de 50 anos atrás?

Essa questão vive ao longo dos tempos, como um paradoxo curioso. O filósofo John Locke fez um paralelo usando o exemplo de uma meia: se a meia tem um buraco e você coloca um remendo, continua sendo a mesma meia? E se um dia, os montes de remendos substituíssem a meia original, seria a mesma meia?

Tem um outro exemplo com o machado de George Washington, ou dizem o machado de Lincoln, que também às vezes é conhecido como o paradoxo do machado do meu avô. Se através dos anos for substituído o cabo e depois a cabeça do machado, continua sendo o machado de George Washington?

Há uma versão da Faca da família, a faca de Jeannot, o canivete de bolso, sempre tratando de um objeto original que teve partes substituídas. Uma faca usada num assassinato e arquivada como a arma do crime, seria ainda a arma do crime se tivesse o cabo substituído ao longo do tempo?

E aí, hein? O Dadinho que teve o tipo de gordura, de adoçante, de amendoim, substituídos, ainda é o Dadinho?

Muitos filósofos tentaram solucionar o enigma. Heráclito tem uma frase famosa que trata do mesmo assunto: “Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas já serão outras.”

É o mesmo rio, mas as águas foram totalmente trocadas. Então não é o mesmo rio… E você também não é a mesma pessoa.

Examinando sob a ótica de outro pensador, Gottfried Leibniz, se o navio original e o navio com todas as peças substituídas têm as mesmas propriedades e relações, e tudo que for verdade para um navio, for para o outro, então é o mesmo navio…

Aí vem Thomas Hobbes e diz assim: tá bem. Mas se a gente pegar todas as peças que foram jogadas fora e remontar um navio completo, qual dos dois será o navio de Teseu?

Cara, não é uma viagem esse paradoxo?

Aristóteles dizia que uma coisa é definida por quatro causas:

– a formal, que no caso de Teseu, diz respeito ao formato do navio;
– a material, que diz respeito à matéria prima que constitui o navio;
– a final, que é a finalidade para qual o navio foi construído e
– a eficiente, que diz respeito ao agente criador do navio.

O que aconteceu com o navio de Teseu foi que ao longo de 50 anos, ele só mudou a causa material, a matéria prima da qual foi feito. A formal, a final e a eficiente, permaneceram.

Então é o mesmo navio!

Vamos voltar ao Dadinho, hein? O que que mudou?

– a causa formal, não. É o mesmo desenho, a mesma embalagem…
– a causa final, a finalidade, também não mudou. É um docinho para ser consumido pela garotada e que continua comemorando o 4º Centenário.
– a causa eficiente, que diz respeito ao agente criador do Dadinho. Continua a mesmo, a Dizioli de 50 anos atrás, embora seja outra empresa fabricando.
– Mas a causa material… Vixe, cara. Essa mudou tudo. Gordura hidrogenada, provavelmente, essência de amendoim, soja, sei lá quais químicas para dar a consistência da massa… A matéria prima mudou completamente. Provavelmente a receita de fabricação também.

É o mesmo Dadinho. Mas não é o mesmo Dadinho…

Então talvez a questão seja descobrir o que é que entendemos por “o mesmo”.

O mesmo é em relação à qualidade? À quantidade? Olha que armadilha, cara…

O Dadinho é igual ao Dadinho de 50 anos atrás? Ou o Dadinhoh é o mesmode 50 anos atrás?

Cara: para ser o mesmo, teria de ser aquele Dadinho que eu comi, no momento que comi, há 50 anos atrás. Tem a dimensão do produto e do tempo. Se eu guardei aquele Dadinho de 50 anos atrás na geladeira e ao retirar para comer hoje, será que eu vou encontrar o mesmo Dadinho?

Rararararararar… cara, tô me divertindo com o episódio de hoje. Metafísica no Café Brasil!

Relicário
Nando Reis

É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?
O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou
E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Que invade mais um lugar
Onde eu não vou
O que você está fazendo?
Milhões de vasos, nenhuma flor
Oh uô uô, o que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor
Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite
Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se pôr oh uô uô uô
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for
Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou
E o que você está dizendo?
Milhões de frases, nenhuma cor, ôô
O que você está dizendo? Uh huh
Um relicário imenso deste amor
O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?
Está fazendo assim?
Está fazendo assim?
Está fazendo assim?

Ah cara… Relicário, do Nando Reis, com ele com a Cássia Eller. Essa música está em todas as minhas playlists. Nela, o Nando fala de duas pessoas apaixonadas que se encontram ao crepúsculo, brota uma paixão, mas elas sabem que ficarão juntas apenas naquela noite. O ambiente, os sentimentos, as cores, as emoções o tempo finito, tudo é usado para construir aquele momento. Que jamais será o mesmo…

Mas e o Luciano, hein? Cara, em 50 anos, o que mudou? Eu passei ao longo do tempo por imensas mudanças. Então será que posso considerar aquele garoto de 15 anos como a mesma pessoa?

O psicólogo Daniel Gilbert disse uma frase ótima: “Os seres humanos são obras em andamento que erroneamente pensam que estão acabadas”.

Quem sou eu, afinal? O garoto que comeu o Dadinho 50 anos atrás? Ou o senhor que come o Dadinho hoje? Quando é que eu sou eu, cara? Lá? Ou aqui e agora?

Eu sou aquele jovem que aos vinte anos queria acabar com tudo que está aí, mudando o mundo que os velhos incompetentes estavam destruindo? Ou sou o velho que aos 66 quer proteger o mundo dos jovens incompetentes que querem destruir tudo que está aí?

Rararararararar…

– Luciano, você mudou!

Pô, mas é claro que eu mudei cara. E ainda bem que mudei. Troquei várias tábuas velhas ao longo do tempo, por tábuas novas. Mas pra entender a mudança, talvez eu tenha de ser observado em diferentes dimensões: meu corpo físico, tangível, aquele que envelhece com o tempo. E meu caráter, o intangível, aquele que permanece mas, como o navio de Teseu, talvez seja igual mas não seja o mesmo…

– a causa eficiente, referente ao agente criador do Luciano, continua a mesma, no que diz respeito ao eu material. O seu Luciano e dona Helena me fizeram, cara e isso não vai mudar nunca. Já no que diz respeito ao imaterial, a causa eficiente, raiz, também não mudou. Os valores que constituíram meu caráter continuam os mesmos. É o mesmo Luciano.

– a causa formal, relativa ao corpo humano mudou bastante. Tô gordo, careca, muito diferente na forma. O Luciano de 100 quilos e 66 anos não tem nada a ver com o de 56 quilos e 22. Minhas papilas gustativas mudaram completamente. Os sabores de 50 anos atrás não são mais os mesmos. Esse Luciano mudou.

A causa formal relativa ao caráter também muda com a experiência. Ganhei especialmente paciência de um lado, mas perdi de outro. De progressita/libertário para liberal/conservador. Transitei da criança para o adulto com todas as mudanças de comportamento correspondentes. Então do ponto de vista formal, definitivamente não sou o mesmo Lucianinho daquele Dadinho de 50 anos atrás.

– Aí vem a causa material… a matéria prima que constitui meu corpo não mudou. Provavelmente com um pouco mais de gordura e cerveja, mas continua a mesma. Já a matéria prima intelectual, essa mudou bastante. O interesse por outros assuntos muda com a maturidade. Mas a velha curiosidade, essa nunca mudou, pelo contrário.

– a causa final, a finalidade, vixe, essa mudou. A razão de eu ter vindo ao mundo mudou a cada década, até eu encontrar meu propósito lá entre os 40 e 50 anos de idade, que é o de despocotizar o Brasil, uma forma divertida que eu adotei para nomear minha missão de ajudar as pessoas a ampliar seu repertório e refinar sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. Essa definitivamente não era a missão do Lucianinho do Dadinho. cara…

E tem a dimensão espiritual. Mas pra falar dessa, ainda não estou pronto.

Landslide
Stevie Nicks

I took my love and I took it down
I climbed a mountain and I turned around
And I saw my reflection in the snow covered hills
Till the landslide brought me down

Oh, mirror in the sky, what is love?
Can the child within my heart rise above?
Can I sail through the changing ocean tides?
Can I handle the seasons of my life?
Hum hum

Well, I’ve been afraid of changing
Cause I’ve built my life around you
But time makes you bolder even children get older
I’m getting older too

Well, I’ve been afraid of changing
Cause I’ve built my life around you
But time makes you bolder even children get older
I’m getting older too
Oh, I’m getting older too

Oh, take my love, take it down
Oh, climb a mountain and turn around
If you see my reflection in the snow covered hills
Well, the landslide will bring you down

And if you see my reflection in the snow covered hills
Well, the landslide will bring you down
Oh, the landslide will bring you down

É assim então, ao som de Landslide, o clássico do Fletwood Mac, com a voz inconfundível de Steve Nicks, que vamos saindo assim… metafísicos….

Eu levei meu amor e o destruí
Eu escalei uma montanha e voltei
E eu vi meu reflexo nas colinas cobertas de neve
Até que a avalanche me derrubou

Ah, espelho no céu, o que é amor?
Pode a criança no meu coração crescer mais?
Posso navegar através das ondas do oceano?
Posso lidar com as estações da minha vida?

Bem, eu tive medo de mudar
Porque construí minha vida ao seu redor
Mas o tempo traz coragem, até mesmo as crianças envelhecem
E eu estou envelhecendo também

Este episódio é uma reflexão sobre as mudanças que enfrentamos na vida, cada um do seu jeito, no seu tempo. Eu mudei. O Dadinho mudou. Você mudou. Em breve serei alguém diferente, igual sem ser o mesmo, ciente de que para entender a mudança eu tenho de olhar o contexto, o tempo, o onde, o como… e saber que mudar não é necessariamente melhorar. Nem piorar.

Mas ô Dadinho ruim, cara…

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completanto o ciclo.

Olha: venha aqui para o mundocafebrasil.com. Vem participar com a gente, cara. Eu estou fazendo um chamado pra que você, que é ouvinte do Café Brasil e que gosta deste conteúdo aqui, ajude a gente a continuar produzindo. Nós estamos aqui trabalhando pra ter um grupo de assinantes que cria uma camada de suporte legal, que a gente consiga ter aqui a tranquilidade financeira pra tocar os projetos adiante e continuar produzindo conteúdo gratuito pra muitas pessoas. O mercado está cada vez mais complicado, mais competitivo e a gente depende da independência de ter um grupo de assinantes. Então: cara, você gosta do Café Brasil? Venha assinar. Tem planos que começam, em doze reais. mundocafebrasil.com.

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Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase de Jack Welch:

“Mude antes que você precise.”