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Luciano Pires -

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A Pandemia causou prejuízos em todas as esferas de nossa vida. Mas talvez o mais impactante, o pior prejuízo, depois da morte de um ente querido, seja o estrago psicológico causado em muita gente, que se tornou insensível à dor alheia em nome de disputas políticas.

No episódio de hoje abordaremos o caso de Arlene Graf, que perdeu o filho depois de tomar a vacina contra o Coronavírus. Esse tema teve cobertura desastrosa por parte da imprensa, e entra na história como um exemplo de vergonha, falta de sensibilidade e prova mais obscena da pequenez da imprensa. E de muitos de nós.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

“Fala Luciano, pessoal do Café Brasil. Acabei de ouvir o episódio Navio de Teseu e mais uma vez impactado fortemente com a mensagem, reflexão e a cabeça borbulhando. Eu sou empresário, já participei algumas vezes aqui do Café.

Atuo no ramo de alimentação com uma franquia aqui em Bauru e ontem, após dois anos, nós tivemos uma reunião de franqueados, uma reunião que era pra ter acontecido em 20 de março de 2020 e veio o dia do fechamento aí, o dia D, por assim dizer, daquele ano. Nessa reunião iriam ser anunciados os melhores do ano de 2019, o qual tinha sido um grande ano pra mim, profissionalmente, pessoalmente, na empresa, e não aconteceu. Não aconteceu e de lá pra cá, de 20 de março pra frente, de 2020, foi só o modo de sobrevivência. Foi só o modo salve-se quem puder e buscando passar por tudo que a gente passou.

E hoje, abril de 22, passamos por 20, por 21 e teve essa reunião ontem, finalmente, e nós fomos agraciados com um prêmio que chama Prêmio Esquadra, que são os dez melhores franqueados do Brasil, e aí foi a coroação de um momento de um ano que tinha sido quase perfeito, que era 2019.

E aí, pergunto, Luciano: é a mesma empres hoje em 22 que era em 19? Com certeza, as equipes do pessoal que está lá, grande parte são a mesma, os produtos, grande parte não são os mesmos, e eu Marcelo, não sou mais o mesmo. Porém a essência, a essência é a mesma. A vontade de fazer o melhor é a mesma. A vontade de ajudar o meu micro universo e transformar aquelas pessoas que estão à minha volta é  a mesma, a vontade de entregar o melhor produto pro meu cliente é a mesma.

Mas esse episódio do Paradoxo de Teseu aí, coloca a gente pra refletir muito. Então eu te agradeço Luciano, esse prêmio, essa coroação, esse prêmio eu dedico ele a você, porque você, mesmo não sabendo, ajuda ou ajudou muito eu me tornar quem eu sou.

Hoje eu sou assinante do Premium já há algum tempo e o conteúdo lá dentro me faz ser um cara melhor. Dedico então a você também essa premiação, esse agraciamento que agente teve e te agradeço por ajudar a transformar o mundo, transformar as pessoas, fazer a gente mudar e com a nossa mudança, mudando o mundo.

Vida longa ao Cafezinho. Marcelo Andreoli de Bauru”.

Ah, que legal, cara. Acho que já usei áudios do Marcelo umas duas vezes no Café Brasil. Mas fale a verdade, tem como não compartilhar um áudio como esse? Que tangibiliza o valor que a gente tenta gerar com o Café Brasil? Isso é muito importante. Nós aqui não vendemos fórmulas, nem os cinco passos para você conseguir o sucesso. Nós distribuímos Iscas Intelectuais que atingem cada ouvinte um jeito diferente. O Marcelo mostra que, para ele, seja pessoal ou profissionalmente, a gente impactou de forma positiva, a ponto de ele achar que nós contribuímos para sua evolução. Cara: muito obrigado, de verdade.

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é!

E no site perfetto.com.br – lembre-se sempre que Perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece.

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Luciano – Como é que é, Lalá?

Lalá – Hummmmm: com sorvete #TudoéPerfetto

No site jornalístico Poder 360, a gente encontra textos muito bons. Foi um deles que escolhi para este episódio. É de autoria da jornalista Paula Schmitt, que esbanjou sensibilidade. O nome do texto é: O Dia das Mães e o amor que não morre. Segure-se.

Dizem que não há dor maior do que enterrar o próprio filho. Mas a segunda maior dor deve ser aquela sentida por uma mãe acusada de mentir sobre a causa da sua perda. Arlene Graf conhece as duas dores. Depois que seu filho Bruno morreu 12 dias após tomar a vacina da AstraZeneca, Arlene foi acusada de “falsear” a causa da morte de Bruno, falecido com um AVC aos 28 anos. Expulsa do Facebook, Twitter e Instagram, esta mãe se tornou uma “leprosa” das redes antissociais e vem desde agosto de 2021 vivendo um périplo que poucas pessoas conseguiriam imaginar, uma vida dolorosa da dor desacreditada.

Existe um vídeo que para mim resume o suplício de Arlene mais do que quase tudo. Ele mostra aquela mulher sozinha numa calçada, com um megafone na mão, contando para o mundo que seu Bruno se foi. Dá uma sensação triste e desconcertante ver a solidão daquela mãe, órfã de filho, se expondo de tal maneira, oferecendo a quem passa informações não solicitadas sobre seu sofrimento. Mas não é a piedade o que Arlene busca, e não é o seu sofrimento o que ela quer compartilhar — é o sofrimento de outras mães que Arlene tenta evitar. Ambiciosa, e paradoxalmente humilde, ela oferece a si mesma como mau-exemplo a ser evitado. “Eu fui contaminada pelas notícias. Eu quero dizer para as outras mães: ‘Não façam como eu. Pesquisem. Decidam apenas depois de ouvir os dois lados”.

Neste mundo de um lado só, Arlene é chamada de “negacionista”, “anti-vaxxer,” “bolsomínia” e todos os outros rótulos que com uma única palavra agem como choque elétrico em humanos de Pavlov. Mas sua história já foi mais do que vindicada. O fato de seu caso ser desconhecido de uma parcela tão grande da população, e de sua versão estar até hoje em cheque, é a prova mais obscena de que a pequena imprensa falhou. A vacina que Bruno tomou foi suspensa em nada menos que 18 países por causa de sérios efeitos colaterais. Este artigo da CNN contava em março de 2021 — cinco meses antes da vacinação de Bruno — que a “Dinamarca, Islândia e Noruega suspenderam o uso da vacina Oxford-Astrazeneca enquanto a União Europeia investiga se a injeção poderia ter ligação com um número de relatos de coágulos sanguíneos”.

Arlene me contou que era “viciada” em notícias, e que via televisão o tempo todo, mas só jornais. “Nada de novela, não vejo essas coisas”, diz ela. Na cozinha, a TV ficava ligada num canal, e no quarto ela ficava ligada em outro para que Arlene não perdesse nenhum jornal. Antes mesmo de o sol raiar ela começava a assistir todos os jornais da manhã na Globo, e quando eles acabavam ela mudava o canal para a Globo News. Até a TV Câmara e TV Senado ela costumava ver. “Eu achava que sabia tudo que estava acontecendo, e não via a hora de a data da vacina do meu filho chegar. Para mim ela já estava demorando”. Arlene e o marido já tinham tomado as duas doses. “Eu sou eleitora do Bolsonaro, mas a minha decisão era científica”. Científica?, eu pergunto pra ela. “Sim, não era ideológica”.

Mal sabia Arlene que as notícias não podiam alegar a mesma independência. Extremamente “bem-informada”, Arlene nunca teve a chance de conhecer os dois lados que ela hoje tenta mostrar a outras mães. Mas houve uma época, não muito distante, em qudoise a vida valia mais para o jornalismo, e uma única morte merecia espaço em horário nobre. Num antigo vídeo da TV Globo, apresentado em fevereiro de 2000,  a jornalista Lilian Witte Fibe conta assim: “uma das descobertas científicas mais festejadas do século mata um rapaz de 18 anos e está sob suspeita. Logo depois da morte o governo dos Estados Unidos proibiu todas as experiências com a chamada “terapia genética” na Universidade da Pensilvânia. O novo tratamento gerou enormes esperanças em toda a humanidade mas, por enquanto, só pode ser testado em quem tem doença incurável”. Em depoimento ao Senado americano o pai do rapaz que morreu disse emocionado que foi ingênuo. Acusou os cientistas de não contar tudo a ele. Tudo sobre os riscos do tratamento do filho. E já contratou advogados para processar a universidade.”

Já neste veículo, cuja existência eu tive a sorte de desconhecer até esta entrevista, e cujo nome prefiro omitir, Bruno é morto uma 2ª vez, e sua história é rebaixada numa editoria com o nome de: “Negacionismo”. Sim, a história de Arlene não foi contada na seção de “Saúde”, nem tampouco de “Ciência,” mas na editoria de “Negacionismo” — uma subseção da editoria de política sugerindo em apenas duas palavras a qualidade dos leitores do jornal. Eu mal passei do 1º parágrafo e já sinto a necessidade de tomar banho com água sanitária.

O mais triste — e parte da razão de eu ter escolhido entrevistar Arlene — é que o caso dela é inconteste. Mesmo que aqueles 18 países europeus não tivessem suspendido a vacina da AstraZeneca, Arlene já foi mais do que vindicada com um teste que confirmou a causa da morte do filho. O exame, chamado Anti-Heparina PF4 Autoimune, foi recomendado pelo próprio hospital onde o Bruno morreu. Num artigo da revista Oeste, é possível ver uma cópia do laudo médico-pericial.

Entrevistar Arlene não foi tarefa fácil, porque ela desafia a piedade. Altiva, assertiva, bonita e generosa (Arlene não permitiu que o motorista fosse embora sem insistir que ele tomasse café e comesse um lanche da tarde com a gente), a mãe de Bruno passou a entrevista quase toda sem chorar. Mesmo assim, os três cachorros que ficaram do outro lado da porta da cozinha — todos adotados, um deles sem uma das patas — de vez em quando botavam o focinho no vidro para ver se Arlene estava bem.

Perguntei se ela se arrepende de ter tomado as vacinas, e ter levado o próprio filho para se vacinar. Ela me diz que a culpa não vale a pena ser carregada, e me conta uma história que ouviu no avião, de um passageiro que sentou ao seu lado num dos vários voos que ela pega para contar sua experiência em reuniões e audiências públicas Brasil afora. A história é sobre o caminho de Santiago de Compostela, e sobre como os peregrinos esvaziam a mochila antes de começar a caminhada, levando só o essencial para que a viagem seja mais leve.

Não tenho certeza se a viagem de Arlene é leve, mas sua caminhada é rápida e com pouco descanso. O tempo não pára, e muito menos ela. Parar significa contemplar, e contemplar significa sentir. Arlene transformou seu luto em fazer, e o fazer empurra o sofrimento pra frente. Mas mesmo o fazer a aproxima do filho, porque nos aviões em que vem voando pra contar a história do filho, essa mãe acredita estar mais perto dele, no céu, sempre que está mais longe daqui, esse chão duro e verdadeiro que nos derruba e mantém de pé. Mães acreditam em tudo.

A entrevista vai acabando, e ela me leva para visitar o quarto do filho. Arlene vai narrando o que vê, nomeando os objetos com um diminutivo que não combina com a altura bem acima da média do Bruno, tratando objetos com carinho: “Aqui é o quartinho dele. Eu não venho muito aqui. Eu ainda não mexi nas coisas dele. Não tenho coragem”, ela diz, com a voz sumindo, emudecendo em choro. Mas algo ali dá uma nova vida a Arlene, e ela lê uma mensagem colocada em lugar de honra naquele santuário: “De Luíza para Bruno Graff. Bruno, você está salvando muitas vidas através do anjo que deixaste na Terra chamado Arlene. Quero dizer que adoro sua mãe. Vou tentar cuidar dela um pouquinho, mesmo de longe. Beijo da amiga Luíza.”

O áudio da entrevista pára porque quem não consegue mais falar sou eu. Vejo a Arlene andando por aquele espaço, tocando nas roupas do Bruno com delicadeza, quase com amor, um gesto que pra mim pareceu uma oração, uma reverência, como se ela pudesse sentir o inefável na matéria, como se Bruno tivesse deixado sua presença nas coisas.

Eu olhei para aquela mãe, e tentei me colocar no lugar dela, tentando imaginar como eu descreveria aquilo — eu, que não sou mãe e provavelmente nunca vou sentir a mágica indescritível do amor incondicional, aquele mistério inexplicável que ainda não foi destruído pela luz fria da razão. Como deve ser a dor de perder um filho? E como deve ser o milagre de ter tido um? Perguntei a Arlene sobre isso: se ela agradecia à vida por ter tido este privilégio, por ter tido um amor que nasceu dela, que viveu através dela, e que dela se nutriu. Ela balançou a cabeça e não falou nada, só chorou. Eu acho que era o choro de quem perdeu o filho, mas nunca perdeu o amor.”

Arlene: eu não quero que a morte do meu filho fique no esquecimento. E também a minha luta continua para que seja divulgado, não só que chegaram as vacinas nas cidades, mas que também existe um risco muito grande. Essa é a minha luta. Eu não sou contra a vacina, tanto que eu sou vacinada duas vezes, meu marido também. Porém, depois do que ocorreu com o Bruno, eu faço alerta para que as pessoas fiquem atentas se elas optarem por vacinar, fiquem atentas às reações e comuniquem imediatamente seus médicos. 

Angélica
Chico Buarque

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Você ouve Angélica, de Chico Buarque, música que retrata a busca obstinada de uma mãe por justiça pela morte de seu filho. Chico fala de Zuzu Angel que durante anos depois da morte do filho Stuart Angel Jones, preso político em 1971, não fez outra coisa senão se dedicar a denunciar os assassinos do filho, a reivindicar o direito de saber aonde é que estava o corpo dele. Ela ia de porta em porta mesmo e morreu num acidente de trânsito muito suspeito, sem encontrar jamais o corpo do filho.

Zuzu, como Arlene, só queria a justiça para seu filho.

Cara. Esse texto da Paula Schmitt é uma porrada, bicho!

Nunca perder o amor… Eu acho que é esse o ponto, viu? Quando transformamos a pandemia numa discussão política, tratando quem legitimamente tentava encontrar soluções como “curandeiros” ou como “negacionistas”, misturando oportunistas com pessoas sérias, desconsiderando currículos e testemunhos e partindo para a destruição de reputações, a zombaria e a humilhação, mostramos o caráter podre da sociedade. E é aí que a coisa verdadeiramente pega.

Logo no início da pandemia, ao reparar como as coisas estavam indo, eu previ: a Covid chegou para exterminar reputações. Mas não a reputação dquele tratados como curandeiros… e sim a reputação de jornalistas, médicos, políticos, pesquisadores, Youtubers. Gente que não pensou duas vezes antes de exibir todo seu ódio ao tratar quem pensava diferente como inimigo. Adjetivos como “nazista”, “genocida”, “negacionista” passaram a ser utilizados sem nenhum cuidado, em todas as ocasiões. Até na boca de conhecidos canalhas em rede de televisão. Ou de até então respeitados âncoras de telejornais ou comentaristas de redes de rádio e TV.

O que fizeram com Arlene Graf foi vergonhoso, mas desconfio que nem tenha sido o pior caso. Há muita coisa podre ainda encoberta por essa psicose que tomou conta da humanidade. Eu só torço para que o bom senso retorne e que consigamos dar a cada canalha o lugar que ele merece.

A pandemia deixou nu o caráter de muita gente, que eu deixei de seguir, de admirar e de compartilhar a amizade.

Que Arlene Graff encontre a paz, que a memória do Bruno Graff ajude muitos de nós a retomar a humanidade, a sensibilidade e o amor. E que aprendamos a lição da pandemia: o medo liberta o que há de mais obscuro dentro de nós. A única forma de controlar esses monstros é colocar o caráter em primeiro lugar. Se você deixou o monstro ganhar e saiu atacando, cancelando e perseguindo, você é fraco de caráter.

Beautiful Boy (Darling Boy)
John Lennon

Close your eyes
Have no fear
The monster’s gone
He’s on the run and your daddy’s here
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy

Before you go to sleep
Say a little prayer
Every day in every way
It’s getting better and better

Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy

Out on the ocean sailing away
I can hardly wait
To see you come of age
But I guess we’ll both just have to be patient
‘Cause it’s a long way to go
A hard row to hoe
Yes it’s a long way to go
But in the meantime

Before you cross the street
Take my hand
Is what happens to you
While you’re busy making other plans

Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy

Before you go to sleep
Say a little prayer
Every day in every way
It’s getting better and better

Beautiful, beautiful, beautiful
Beautiful boy
Darling, darling, darling
Darling Sean

Menino Bonito (Menino querido)

Feche seus olhos
Não tenha medo
O monstro se foi
Ele está correndo e seu papai está aqui
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito

Antes de dormir
Faça uma pequena oração
Diariamente em todos os sentidos
Está melhorando e melhorando

Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito

Lá fora no oceano que veleja afora
Eu quase não posso esperar
Para te ver mais velho
Mas eu acho que vamos apenas ter que ser paciente
Porque o caminho é longo
Uma vida dura para vencer
Sim é um caminho longo
Mas enquanto isso

Antes que você atravesse a rua
Segure minha mão
Vida é o que acontece a você
Enquanto você está ocupado fazendo outros planos

Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito

Antes de dormir
Faça uma pequena oração
Diariamente em todos os sentidos
Está melhorando e melhorando

Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bem, bem, bem
Querido Sean

É assim então, ao som de Beautiful Boy, de John Lennon, com Ben Harper, uma homenagem à Arlene Graf, que vamos saindo… um tanto quanto revoltados.

O estrago da pandemia não se restringe a vidas perdidas ou perdas econômicas. Ele está na psicose coletiva que tomou conta da sociedade e transformou seres humanos em bestas ambulantes. Tome cuidado com elas.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

Cara: e  se você quiser nos ajudar com o Café Com Leite, será muito bem-vindo. A gente montou um financiamento coletivo pra tentar arrecadar recursos que possibilitem fazer toda a temporada de 2022 e 23, e 24.

Acesse o mundocafebrasil.com e contribua com nosso financiamento coletivo. Nós temos um objetivo claro, temos energia, temos disposição. Queremos impactar milhões de jovens mas precisamos da sua ajuda.

mundocafebrasil.com

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Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Anne Frank:

Você só conhece uma pessoa depois de uma briga. Só, então, é possível julgar o seu caráter.