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Luciano Pires -

Sabe quem ajuda este programa chegar até você?

É a Terra Desenvolvimento Agropecuário, que é especializada em inteligência no agro.

Utilizando diversas técnicas, pesquisas, tecnologia e uma equipe realizadora, a Terra levanta todos os números de sua fazenda em tempo real e auxilia você a traçar estratégias, fazer previsões e, principalmente, agir para tornar a fazenda eficiente e mais lucrativa.

E para você que acredita no agro e está interessado em investir em um seguimento lucrativo e promissor, a Terra oferece orientação e serviços, para tornar esse empreendimento uma realidade.

terradesenvolvimento.com.br – razão para produzir, emoção para transformar.

A inteligência a serviço do agro.

Enão, chega mais! Eu quero fazer uma perguntinha pra você: você quer pegar seu carro, moto ou caminhão e chegar com muito mais tranquilidade e conforto onde quiser? Então escuta essa aqui:  com a Nakata você chega muito mais longe! Porque a Nakata é a marca líder em suspensão que garante a qualidade das peças do seu veículo, pra chegar sempre mais longe.

Tudo para você seguir seu caminho com mais segurança. Quer chegar sempre numa boa?

Então, não esqueça, quando chegar lá no seu mecânico de confiança para uma revisão ou quando precisar daquele reparo, pede Nakata. Seu mecânico sabe das coisas e com Nakata na mão, ele vai te ajudar a chegar ainda mais longe.

Porque só com a Nakata a gente sabe: é tudo azul pela frente.

Chega mais!

A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê.” É a partir dessa frase do poeta e pintor inglês William Blake que vamos tratar de um assunto especialmente importante: a dificuldade que a gente tem de enxergar o que vê. É isso mesmo cara, enxergar o que vê. Pensa que é fácil? Um texto de Rubem Alves vai nos ajudar a decidir onde guardar o olhar. E depois, uma história arrepiante acontecida ao final da II Guerra Mundial. Este episódio é a revisita a um episódio publicado em 2011, mas que continua, mais do que nunca, indispensável.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Vamos mergulhar em outro daqueles textos essenciais do mestre Rubem Alves, hein? Quem ouve o Café Brasil sabe que uso sempre textos de Rubem Alves por aqui, por uma razão muito simples: Rubem escreve sobre coisas importantes de forma simples, quase como uma poesia. Ou melhor, acho que ele consegue escrever com a cabeça de uma criança.

Mas antes…

“Fala Luciano. Tudo bem? Aqui é o Josué Costa falando diretamente de Osasco. E cara, eu estava ouvindo aqui agora pouco o episódio 567 que é a Carta ao jovem desempregado. E eu estava recordando que, na época que eu ouvia ele, eu estava indo pra escola e sempre ouvia ele, sabe?

Graças a Deus, na época eu já tinha trabalhado e já estava no meu segundo emprego, mas eu ouvia como as pessoas ao meu redor, meus amigos não tinham emprego, era bem complicado mesmo, entendeu? E a carta deu uma luz gigantesca pra mim, o Café Brasil em si, dá uma luz gigantesca pra todo mundo. 

Eu atualmente tenho 22 anos, eu tenho três sonhos, três projetos que estão mexendo muito com a minha cabeça.

Primeiro, que eu preciso trabalhar, então eu estou no meu emprego desde 2017, e segundo, estudar, ter uma graduação, eu estou por finalizar a minha faculdade no final deste ano e por fim, eu tenho um sonho, um objetivo, que é ser radialista, um locutor de rádio, entendeu? Criei uma web rádio, Luciano, pra satisfazer esse desejo pessoal. 

Eu faço faculdade de um negócio, trabalho em outro e meu sonho é uma terceira coisa, entendeu? Mas são três projetos que meio que se interligam, porque eu trabalho com público e eu preciso me comunicar. A minha faculdade é de gestão em comércio exterior. Esse meu curso me ajuda muito pra poder desenvolver a minha web rádio como uma empresa, entendeu? 

E eu fico recordando, Luciano, desse episódio 567, como é difícil para os jovens fazer alguma coisa. Mas a gente tem oportunidade, muito mais do que há cem anos atrás. E a gente tem ir pra cima, cara, tem que ir com foco, com força, com fé. 

Então, o meu projeto de vida agora eu já entendi o que é. É fazer as pessoas mega felizes, seja com a rádio, seja no meu atual emprego. E eu fico muito feliz que há cinco anos atrás eu vi um podcast jovem desempregado, eu ficava imaginando como seria eu  depois de cinco anos.

E hoje, cinco anos depois, estou com outra mente, eu entrei como estagiário, hoje no cargo de sub gerente e quem sabe, no futuro eu possa ser gerente, desse mercado, não sei.

Um sonho que tinha de criança de ser radialista, vai se realizando, eu sendo o dono da rádio. Cara, é muito, muito satisfatório, cara, você se realizar e ver que as coisas, mesmo não tendo nada a ver, porque, ramos de supermercado, comércio exterior, eu estou em comércio exterior e rádio, são três coisas totalmente diferentes. Mas as três, cara, se interligam num certo momento, que eu fui e acreditei no meu trabalho, acreditei no meu estudo e agora estou acreditando na rádio, Luciano.

Muito obrigado pela luz que você tem dado aos jovens e você focar nos jovens é algo muito incrível, que a gente não tem orientação, cara, só besteira na televisão, só besteira por onde você passa.

Então, pessoas como você que foca no conhecimento pras crianças, foca no conhecimento para os jovens, é algo muito incrível, muito, muito, muito obrigado, Luciano e vida longa ao Cafezinho. Grande abraço.” 

Graaaande Josué, outro daqueles ouvintes que começa bem jovem e vai amadurecendo com o nosso Café Brasil. Cara, eu fiz as contas aqui, ele começou com 17 anos, cara! E agora com 22 anos tem todos o tempo do mundo, e é muto legal ver um sonho se tornando realidade, como esse seu aí da rádio, Josué. Prepare-se, que para empreender nesse ramo é sempre complicado, viu? Muito esforço para pouco retorno, mas quando acerta na mosca, meu, é fascinante. Você começa certo pensando em desenvolver seu sonho como uma empresa. Vai fundo! Não desanime diante das dificuldades. Mexa-se, cara! Vá pra cima, do jeitinho que você está fazendo.

E muito obrigado pelo comentário, viu?

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é!

Pois é. no site perfetto.com.brPerfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. Entre as delícias que eles produzem está o Strondo love story, aquele tipo de picolé que desperta amor já na primeira mordida. Em cada palito, um delicioso sorvete de morango com cobertura de chocolate ao leite, produzida na fábrica deles a partir do cacau.

Eles estão com uma promoção aí, cara! Se você tomar…olha o palito… olha o palito, vê se está premiado, tá bom?

Tá se aguentando aí, cara? É difícil, né?  Vai lá no blog! Dá uma olhada, cara: é enlouquecedor!

Luciano – Ô Lalá, como é que é mesmo?

Lalá – Ah! Com sorvete #TudoéPerfetto, né?

Rubem Alves era mineiro de Boa Esperança, onde nasceu em 1933, tem um grande número de publicações, tais como crônicas, ensaios e contos, além de ser ele mesmo o tema de diversas teses, dissertações e monografias.

Muitos de seus livros foram publicados em inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e romeno.

Um livro dele em especial, fica na cabeceira de minha cama: Por uma educação romântica.

Experimente! Rubem Alves, no Café Brasil!

O texto de Rubem que usarei hoje chama-se A complicada arte de ver. Vamos a ele.

Ao fundo ouviremos SIMPLICIDADE , de Jacob do Bandolim, com o Grupo de Choro Quebrando o Galho, lá de Tatuí…

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”.

Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura.

“Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões, é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico.

Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual aquela que lhe causou assombro: ´Rosa de água com escamas de cristal´. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria.

Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado.

Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema. 

No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

Olha que delícia, cara! Esse foi Paulo Autran recitando Carlos Drummond de Andrade, que tal, hein?

Vamos continuar com Rubem Alves?

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.

O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”.

Eu não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”.

Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”, olha só: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa, garrafa, prato, facão, era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas, e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa de brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa de brinquedos, das crianças.

Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente, assim: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana.

Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria servir de parteiro para “olhos vagabundos”…

Então, Rubem Alves disse que “A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática.”

Mas esse “onde guardar os olhos” não é uma casualidade, a gente é que faz a escolha. E essa escolha é definida a partir de nosso repertório, de nossas experiências. Montar esse repertório então é condição primária para definir nossa capacidade de enxergar o que vemos.

Seu olhar
Seu Jorge

Temos rotas a seguir
Podemos ir daqui pro mundo
Mas quero ficar
Porque
Quero mergulhar mais fundo
Só de me encontrar
Em seu olhar
Já muda tudo
Posso respirar você
Eu posso te enxergar
No escuro
Tem muito tempo na estrada
Muito tem
E como quem não quer nada
Você vem
Depois da onda pesada
A onda zen
É namorar na almofada
E dormir bem
Foi o seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor
Foi o seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor
Temos rotas a seguir
Podemos ir daqui pro mundo
Mas quero ficar
Porque
Quero mergulhar mais fundo
Só de me encontrar
Em seu olhar
Já muda tudo
Posso respirar você
Eu posso te enxergar
No escuro
Tem muito tempo na estrada
Muito tem
E como quem não quer nada
Você vem
Depois da onda pesada
A onda zen
É namorar na almofada
E dormir bem
Seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor
Foi o seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor
O seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor
É o seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor

Olha que legal… esse é o Seu Jorge, com Seu Olhar…

Só de me encontrar
Com seu olhar
Já muda tudo
Posso respirar você
Eu posso te enxergar
No escuro

Pois sé… Tudo depende do olhar que usamos. Na verdade a questão não está nem naquilo que consumimos, mas em como consumimos. E mais uma vez vou bater numa velha tecla: o problema é o exagero.

O texto a seguir, Deus de batom, foi extraído do livro DEUS E SEXO, de Rob Bell.. Se você por acaso já ouviu esse programa lá em 2011, cara, não tem como esquecer. O texto é uma porrada. É inesquecível. Ouça e reflita.

Ao fundo você ouvirá a parte instrumental da canção VAIDADE, do Djavan.

Em 1945, um grupo de soldados britânicos libertou do poderio germânico um campo de concentração chamado Bergen-Belsen.

Um deles, o tenente-coronel Mercin Willet Gonin, condecorado pelo exército inglês com a Ordem do Serviço Distinto, relatou em seu diário o que foi encontrado ali.

“Sou incapaz de uma descrição apropriada do circo de horrores em que meus homens e eu haveríamos de passar o mês seguinte da nossa vida.

O lugar é um deserto inóspito, desprotegido como um galinheiro. Há cadáveres espalhados por todo lado, alguns em pilhas enormes, às vezes isolados ou pares no mesmo local em que caíram. Levei algum tempo para me acostumar a ver homens, mulheres e crianças tombarem ao passar por eles.

Sabia-se que 500 deles morreriam por dia e que outros 500 ao dia continuariam morrendo durante semanas antes que alguma coisa que estivesse ao nosso alcance fazer causasse algum impacto.

De qualquer forma, não era fácil ver uma criança morrer sufocada pela difteria quando se sabia que uma traqueostomia e alguns cuidados a teriam salvado.

Viam-se mulheres se afogarem no próprio vômito porque estavam fracas demais para se virar de lado, homens comendo vermes agarrados a meio pedaço de pão pelo simples fato de que precisavam comer vermes se quisessem sobreviver e, depois de algum tempo, eram incapazes de distinguir uma coisa da outra.

Pilhas de cadáveres, nus e obscenos, com uma mulher fraca demais para ficar de pé se escorando neles enquanto preparava sobre uma fogueira improvisada a comida que havíamos dado a ela homens e mulheres agachados por toda parte a céu aberto, aliviando-se.

Em uma fossa de esgoto boiavam os restos de uma criança. Pouco depois que a Cruz Vermelha britânica chegou, embora talvez sem ter nenhuma relação a esse fato, chegou também uma grande quantidade de batom. Não era em absoluto o que queríamos. Clamávamos por centenas e milhares de outras coisas. Eu não sei quem pediu batom.

Gostaria muito de descobrir quem fez isso, pois foi um golpe de gênio, de habilidade pura e natural. Creio que nada contribuiu mais para aqueles prisioneiros de guerra do que o batom.

As mulheres se deitaram na cama sem lençol e sem camisola, mas com os lábios escarlates. Podia-se vê-las perambulando por todo lado sem nada, a não ser um cobertor em cima dos ombros, mas com os lábios bem vermelhos.

Vi uma mulher morta em cima da mesa de autópsia cujos dedos ainda agarravam um pedaço de batom. Enfim alguém fizera algo para torná-las humanas de novo. Eram gente, não mais um simples número tatuado no braço. Enfim, podiam se interessar pela própria aparência.

O batom começou a lhes devolver a humanidade. Porque, às vezes, a diferença entre o céu e o inferno pode ser um pouco de batom. 

Ai cara, que porrada essa história. Eu acho quer já usei ela mais de uma vez no Café Brasil, mas eu não canso de contar porque esse negócio do batom é muito pesado, cara e eu não sei se você já procurou…se você procurar na internet, olhar no Youtube, pra ver as cenas da liberação do campo de concentração Bergen Belseen, cara, se prepara porque é uma porrada. Eu imaginei tudo dentro desse contexto. É mesmo enlouquecedor.

Todo sujo de batom
Belchior

Eu estou muito cansado
Do peso da minha cabeça
Desses dez anos passados, presentes
Vividos entre o sonho e o som, iê
Eu estou muito cansado
De não poder, de não poder falar palavra
Sobre essas coisas sem jeito
Que eu trago em meu peito
E que eu acho tão bom, iê
Quero uma balada nova
Falando de brotos, de coisas assim
De money, de banho de lua, de ti e de mim
Um cara tão sentimental
Quero uma balada nova
Falando de brotos, de coisas assim
De money, de banho de lua, de ti e de mim
Um cara tão sentimental
Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom
Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom
Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom
Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom
Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom
Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom

Vamos terminar assim então? Com o som do Belchior com a sua deliciosa Todo sujo de batom, eu nem sei se cabia aqui, cara, tinha que ser um negócio mais soturno… mas vamos lá. Vamos tentar sair assim meio que inspirados, né?

Eu quero saber o seguinte: em qual caixa você guarda seu olhar, hein? Como é que você olha pras coisas? Como é que você olha pra um batom? É só uma ferramenta ou é algo pra mudar a vida das pessoas? Se você guardar seu olhar na caixa de brinquedos, garanto que não vai ver mais ferramentas. Pense a respeito…

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, você aí, o quarto elemento, completando o ciclo.

Venha para o Café Brasil, cara: a gente precisa de você. Olha, eu calculo que hoje, 0,8, 0,6% dos ouvintes é que são, de alguma forma, participantes do Café Brasil Premium. Seja no plano Confraria, no plano Premium, no plano Academia, tem um plano de cada tamanho que você precisar. O grande lance de você vir pro Premium, é que você ajuda a gente a ir financiando a produção desses podcasts. Se 0,8% são assinantes, significa que 99,2% de quem consome o nosso conteúdo, consome gratuitamente, porque tem alguém ajudando a gente a financiar. Então, venha, cara: mundocafebrasil.com. De novo: mundocafebrasil.com. É onde você clica pra se tornar um assinante, vir com a gente, participar dos grupos de discussão e entrar dentro deste mundo maluco aqui do Café Brasil, tá bom?

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase do poeta alemão Friedrich Hebbel:

Os olhos, são os lábios da alma.