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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Café Brasil 164 – O Medo da Liberdade

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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite, voltei com o Café Brasil pra dar aquele “break” nessa sua vida loka, que tal? Hoje vou tratar daquela loucura que é ter que fazer escolhas numa sociedade onde existem opções por todos os lados. Ta cada vez mais difícil…

Pra começar, uma frase de Henry Kissinger, o famoso político estadunidense:

A ausência de alternativas clarifica maravilhosamente a mente,

[tec] melo do pocoto [/tec]

Se existe uma coisa que eu amo fazer, é desenhar. Sou cartunista. Não ganho a vida com isso, mas me divirto um bocado… E quando as pessoas descobrem minha habilidade, invariavelmente pedem:

– Desenha alguma coisa aí.

Nessa hora eu congelo! Fico olhando aquela folha branca e… nada!

– Desenha o quê, pô? Um porco? Um dinossauro? Um relógio? Um sapato?

– Ah, sei lá… uma vaca, vai.

E então eu desenho a vaca. E a pessoa fica satisfeita e vai embora com o desenho da vaca. Feliz como uma criança…

Se me pedem “qualquer coisa”, demoro pra desenhar. Mas se dizem o que querem, é plaft-pluft!

Mas aquele “branco” que me dá não é só desenhando, não. Quando entro naquelas gigantescas seções de CDs e DVDs das “megastores”, por exemplo, já sei o que vai acontecer. Esquecerei nomes de artistas, de álbuns, de músicas, de filmes e de diretores. Branco total! Se eu não fizer uma lista antes, sou capaz de sair sem nada nas mãos, com um bloqueio mental horroroso. Acredite: já aconteceu. São tantas as opções de escolha que eu escolho coisa nenhuma.

E a compra de café no supermercado, nos EUA? Tem café sem cafeína. Com menta. Com açúcar. Em grão redondo, grão oval e grão quadrado. Cru, torrado e sublimado. É um sofrimento. E quando finalmente faço minha escolha, saio do mercado com a pulga atrás da orelha.

– Pô, tinha tanta opção… Será que fiz um bom negócio?

Dizem os especialistas que aquela nossa máquina maravilhosa chamada cérebro, por absoluta falta de capacidade física, não consegue processar as escolhas na velocidade das ofertas. Só conseguimos lidar com uma quantidade limitada de variáveis. Dê-me uma ou duas alternativas. Três ou quatro. Talvez sete… Mais que isso, virou problema.

Além disso, quanto mais oportunidades de escolha, mais expostos ficamos a uma coisa com a qual não lidamos bem: a liberdade.

Acho que já toquei essa por aqui… É o clássico brasileirinho, de Waldir Azevedo, com a Baby Consuelo, hoje Baby do Brasil. Tentei cantar na velocidade dela e dei um nó na  língua…

Você já subiu em um prédio, chegou até a beirada e olhou para baixo? Qual é a sensação que você tem? Medo, não é? Pois é. E medo de quê? A maioria das pessoas dirá:

– De cair!

Engano seu… Aquele medo que aparece não é de cair. Você fica apavorado pois, naquele instante, vem à consciência uma verdade terrível: se quiser pular, você pode… Não vai pular, mas se quiser, pode…

É esse o medo que apavora: a consciência de que podemos fazer o que quisermos com nossa vida. Naquele exato momento, toda a responsabilidade do mundo cai em seu colo. Você está diante de um risco, com ninguém para te apoiar, sugerir, aconselhar. Está só, dono de seu destino, livre para construir o futuro. Se falhar na escolha e os outros ficarem sabendo, você poderá ser criticado, ridicularizado. Que horror! É isso que apavora. Paralisa…

E então você escolhe “ficar na sua”, seguir o rebanho e não inventar moda.

Cássia Eller. Com Admirável Gado Novo, do Zé Ramalho. Ponto.

A consciência da liberdade de escolha dá medo. Por isso precisamos de pessoas que orientem nossas escolhas, que nos dêem a sensação de alívio daquela tal responsabilidade. Gente que nos dê segurança.

Para vencer o medo da liberdade de escolher você precisa estudar, aprender, ilustrar-se.

Nada disso garantirá que você se transformará num líder. Mas ajudará a escolher que líder seguir.

E então um aprendiz se aproximou do mestre e disse:

-“Mestre, gostaria de ser um grande lutador de karatê mas penso que também devia me dedicar ao judô de modo a conhecer muitos estilos de luta. Só assim poderia ser o melhor de todos.”

E o mestre respondeu:

-“Se um homem vai para o campo e começa a correr atrás de duas raposas ao mesmo tempo, vai chegar um momento em que cada uma correrá para um lado. Ele ficará indeciso sobre qual continuará perseguindo. Enquanto decide, ambas fugiram…

Quem deseja ser um mestre tem de escolher apenas uma opção. E se dedicar, e fazer o melhor possível exatamente nessa que optou.”

Olha só… por falar em mestre, o mestre Lua, Luiz Gonzaga em dueto com Raimundo Fagner no clássico Respeita Januário, de Luiz Gonzaga, Zé Dantas  e Humberto Teixeira… Segura bixim…

Mas para falar do medo da liberdade, tenho que comentar sobre uma curiosa atitude que está presente na maioria dos contatos profissionais que tenho realizado com grandes empresas, agora como um mero fornecedor.

Ao fundo você ouvirá  o clássico DESAFINADO, de Tom Jobim e Newton Mendonça. Mas com aquele violão delicioso de Aderbal Duarte. Saca só…

Converso, levanto informações, crio e envio um projeto. E então todo mundo desaparece. E a cada tentativa de contato vem um previsível: “o projeto está sendo analisado.”

Mas que tanto analisam? E enquanto analisam a coisa fica empatada. Qual é o problema de dizer ”não queremos” ou “não nos serve” ou até mesmo um “não gostamos”? Qualquer retorno é melhor que nenhum. Mesmo uma negação é um alívio, pois abre caminho para que nossa energia seja focada em outras frentes.

Mas não. Não vem nem um sim, nem um não. Só um “estamos analisando”.

Sobre esse assunto, recebi um email interessante do amigo leitor, Pedro Lanzoni, que me apresentou a um conceito delicioso: a paralisia pela análise.

Escreveu o Pedro: “…minha percepção no que tange ao desaparecimento acelerado daquilo que se pode qualificar como visão estratégica é a mesma que a sua.(…) Esses rapazes e moças poliglotas, recém-saídos de cursos de MBA, são extremamente eficientes em fazer coisas. Desde que alguém lhes diga o que fazer. Deixados à própria sorte para tomar decisões, ou não as tomam (há uma expressão que usávamos em outra empresa, onde trabalhei por muito tempo, para demonstrar a maneira pela qual projetos não avançavam – paralisis by analysis) ou quando as tomam fazem-nos sentir aquele arrepio na espinha que Napoleão também sentia quando se deparava com soldados com excesso de imaginação ou com generais sem imaginação nenhuma.”

Paralisia por análise, que delícia!

Em minhas palestras mais recentes tenho batido naquilo que chamo de “a espiral destrutiva”  do pensamento. Tudo começa com nosso repertório, que é a base para nossas reflexões, que são a base para nossas análises, julgamentos e escolhas. Um repertório fraco leva a reflexões tortas, que induzem análises errôneas, julgamentos falhos e escolhas erradas. É esse ciclo que precisa ser quebrado e o conceito da “paralisia por análise” cai como uma luva.

A falta de experiência (repertório) dessa moçada impetuosa e um medo terrível de correr riscos causam a paralisia pela análise. No afã de resolver o assunto, mais gente é colocada no processo: queremos errar em conjunto, assim a responsabilidade é compartilhada. E lá vem mais opiniões inseguras. Mais dados a serem analisados. E a dança em círculos torna-se perene, com as decisões sendo postergadas, os processos avolumando-se e “todo mundo ocupado demais”.

E isso, o que é? A música chama-se ESTÁTUA DA PACIÊNCIA. O autor? Ninguém menos que Noel Rosa. A gravação? É do Conjunto Coisas Nossas, um grupo que realizava diversos espetáculos sobre Noel Rosa e a música carioca das décadas de 20 e 30. Os arranjos e interpretação procuram ser fiéis à época. A musicalidade de Noel é eterna…

Quem espera crescer profissional e pessoalmente tem uma ferramenta básica: ampliar seu repertório e exercitar constante, diária e sistematicamente a re-fle-xão. Reflita antes de escrever aquele email. Reflita antes de fazer sua escolha. Reflita antes de abrir a boca naquela reunião. Mas jamais perca de vista que suas reflexões serão resultado de seu repertório.

E quando estiver em dúvida, siga o conselho de Abrahan Lincoln, o ex- presidente dos Estados Unidos: “É melhor ficar calado e deixar que todos pensem que você é um idiota do que abrir a boca e acabar com a dúvida.”

Olha só.. Essa é a ADVERTÊNCIA, do gaúcho Nico Nicolaiewsky, que anda frequentando o nosso cafezinho….

E por falar em liberdade de escolha, quero refletir com você sobre os passageiros e os tripulantes deste transatlântico chamado Brasil.

Ao fundo você ouvirá O GANSO, com Almir Sater. Uma violinha no Café Brasil…

Durante minha vida como executivo enfrentei milhares de reuniões de todo tipo. Com o tempo, refinei minha capacidade de reparar no espírito das pessoas. Em quem falava mais, quem estava bem humorado, quem participava ativamente. A atitude de cada um era o que me interessava. Adoro gente que opina, que defende seus pontos de vista, ao contrário daqueles que entram mudos e saem calados, ou os que enfadonhamente estampam no rosto o suplício de ter que participar de uma reunião. Cresci, virei chefe e aprendi a não convocar os que apenas contemplavam, os negativos, os enfadados, que ficaram felizes por serem excluídos daquelas “roubadas”.  Mas o que a princípio pareceu-lhes um alívio – ser poupados daquelas “reuniões chatas” –  logo tornou-se motivo de preocupação. Não participando, os contempladores ficaram de fora das tomadas de decisão. Deixaram de fazer parte do grupo que definia os caminhos. Alguns nem perceberam, mas dali a deixar de fazer parte da equipe era questão de tempo.

 

Pois é… Esse é o Trio Mocotó, com TO POR FORA DA JOGADA, de Mutinho e Iteberê. Essa é de 1973…

Passei então a utilizar um mote com minha turma:

– Em minha equipe não quero vagão. Quero locomotiva. Gente que tem que ser puxada não me interessa. Se eu tiver que repreender alguém, que seja por algo que fez e não pelo que deixou de fazer.

No começo as pessoas pareciam não entender. Eu acenava para elas com uma coisa chamada “liberdade”, à qual elas não estavam acostumadas. Os mais velhos tinham medo. Os mais novos tinham dúvidas. Alguns não perceberam que aquela “liberdade” era irmã siamesa da “responsabilidade” e botaram os pés pelas mãos. Outros souberam aproveitar a oportunidade e alçaram vôo, para minha satisfação.

E um dia, quando a equipe foi depurada até ter uma maioria que entendia seu papel como agente ativo e compreendia o impacto e influência de suas atitudes no grupo, as reuniões ficaram rápidas e objetivas. Não raro, desnecessárias.

Moral da história: navegamos pela vida como que num cruzeiro a bordo de um navio enorme e divertido. Dentro dele existem milhares de passageiros e centenas de tripulantes. É muito bom ser passageiro. Passageiros tomam sol, divertem-se, descansam e contemplam. Acordam tarde, vão para a piscina, fazem compras no shopping, dançam nos bailes e jantam com o comandante. Passageiros exigem bom tratamento, reclamam da bebida quente, da comida demorada e da toalha que não está sequinha.

Sem dúvida, ser passageiro é muito bom.

Mas quem define para onde, como e quando o navio vai, são os tripulantes.

E então? Você lida bem com a liberdade de escolha? Já sabe seu caminho? Você é passageiro ou tripulante? Quanta pergunta, né?

Pois então, vai embora ao som de ABRE CAMINHO, de Roque Ferreira e Jota Velloso com Mariene DeCastro que nosso Cafezinho Brasil vai embora.

Gostou das músicas? Pois então ouça a rádio Café Brasil na internet. 24 horas do melhor da musica popular brasileira. É em portalcafebrasil.com.br

Com Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e direção e apresentação de eu: Luciano Pires.

Hoje estiveram conosco: Baby do Brasil,Cássia Eller, Luiz Gonzaga com Fagner, Almir Sater, Aderbal Duarte, Conjunto Coisas Nossas, Nico Nicolaiewiski, Trio Mocotó e Mariane de Castro. Pode? Aqui pode…

E pra terminar convido Christopher Hampton, dramaturgo lá dos Açores, que um dia disse assim:

Escolher o menor de dois males ainda é escolher mal.