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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite. E daí, o que você acha do fenômeno Big Brother Brasil? Também odeia? Acha irrelevante? Mas será que um programa que mobiliza 30, 50 milhões de pessoas pode ser irrelevante? Depende dos olhos de quem vê, não é? É esse o tema de hoje, Big Brother Brasil no Café Brasil. Vai da polêmica, viu. Porque eu vou tratar do assunto de um ângulo diferente do ame ou odeie.

E pra começar, uma frase do médico e fisiologista francês Claude Bernard:

É o que nós pensamos que sabemos que nos impede de aprender.

[showhide title=”Clique para continuar lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

E o prêmio da semana, hein? O exemplar de meu livro NÓIS QUI INVERTEMO AS COISA vai para… Flavio Aguiar, que comentou assim o programa GRANA.

“Recebo sempre os e-mails e costumo ler, mas pela primeira vez ouvi o podcast. A resposta a carta foi transparente e de uma tranquilidade ímpar em “momento de crise” na web. Você administrou a questão com grande sabedoria e de forma muito franca. Conquistou mais um fã. Vou ouvir o seu material com mais frequência e vou inclusive tentar saber mais a respeito sobre o Itaú Cultural que não conhecia. Também entendo a necessidade do sistema, apesar dos meus 34 anos, como o leitor que escreveu e acho fundamental que o sistema dedique parte dos seus ganhos para produzir coisas boas como patrocinar este belo trabalho. Parabéns a você e ao patrocinador.”

Pois então… O Flavio acaba de ganhar um livro pois escreveu um comentário sobre um de nossos programas. E aí? Vai se animar?

Numa discussão sobre o Big Brother Brasil – que a cada edição bate recordes de audiência – provoquei várias caretas ao dizer que considero o programa uma oportunidade fantástica de aprendizado. Quase apanhei. Mas expliquei que tudo depende de como o espectador encara o programa. Se você procura mais que simples entretenimento, consegue assistir o BBB de olho no impacto e influência de cada participante sobre os demais.

Ah, eles são vazios? São. Mas são gente como a maioria da gente.

Você tem ali uma inestimável aula de antropologia, de sociologia, de política, com exemplos claros de como funciona a vida em sociedade. Verá os conflitos, as intrigas, a dissimulação, as mentiras, a manipulação, a generosidade, o medo – todos aqueles pequenos truques, pecados e atitudes com os quais convivemos no dia-a-dia. Está tudo ali, exposto pra quem quiser ver. E aprender.

Assistindo o Big Brother Brasil como uma vitrine de comportamento você aplicará seu tempo em aprendizado.

Mas se você escolher assistir o BBB como mero entretenimento, ou pra ver as bundas das moças ou os muques dos moços, quem fica com quem, quem fica bêbado ou uma baixaria qualquer, terá aplicado seu tempo apenas em fofoca.

O Big Brother Brasil só é um sucesso estrondoso de audiência por explicitar claramente nossas fraquezas e atender àquele irresistível impulso que todos temos para o “voyeurismo”: o espiar os outros sem ser notado. Quem escolhe se vai aprender com isso é você.

Vida real

Se você pudesse me dizer
Se você soubesse o que fazer
O que você faria?
Aonde iria chegar?

Se você soubesse quem você é
Até onde vai a sua fé
O que você faria?
Pagaria pra ver

Se pudesse escolher
entre o bem e o mal
Ser ou não ser

Se querer é poder
Tem que ir até o final
Se quiser vencer,

Se pudesse escolher
entre o bem e o mal
Ser ou não ser
Se querer é poder
Tem que ir até o final

Se quiser vencer,
O mundo é perigoso
E cheio de armadilhas
De mistério e gozo
Verdades e mentiras
Viver é quase um jogo
Um mergulho no infinito
Se souber brincar com fogo
Não há nada mais bonito
Se pudesse escolher
entre o bem e o mal
Ser ou não ser
Se querer é poder
Tem que ir até o final
Se quiser vencer

Ai ao fundo, no podcast, você está ouvindo Paulo Ricardo com Vida real, adaptação que ele fez do tema original do Big Brother holandês.

Bom. A esta altura já tem gente espumando ai. Mas, antes que venham as pedradas, deixa eu dizer onde começou esta reflexão sobre a capacidade do Big Brother Brasil em ensinar: li num artigo recente que somente dez por cento da população tem disposição para aprendizado. São as pessoas que vão atrás, que gostam, que sentem prazer em aprender. Os outros noventa por cento nunca vão se importar em ampliar seus conhecimentos e habilidades até que sejam obrigados a isso, por pressão do trabalho por exemplo. Só dez por cento, já pensou? E justamente hoje, quando vivemos naufragados em informação…

Nesse cenário é preciso refletir sobre um processo fundamental: o da educação continuada.

Orora analfabeta

Eu conheci uma dona boa lá em Cascadura
Grande criatura, mas não sabe ler…
E nem tampouco escrever…
Ela é bonitona, bem feita de corpo
E cheia da nota, mas escreve gato com J
Escreve saudade com C
(Pra você ver)
Ela me disse outro dia que estava doente
Sofrendo do “estambo”
Levei um tombo… Caí durinho pra trás
(Isso assim já é demais)
Ela fala “aribu”, “arioprano” e “motocicreta”
Diz que adora feijoada “compreta”
(Ela é errada demais)
Viu uma letra “O” bordada na blusa
Eu disse: “É agora”
Perguntei seu nome ela disse: “Orora
E sou filha do Arineu”
Mas o azar é todo meu

Que tal isso, hein? Jards macalé com ORORA ANALFABETA, um clássico composto pelo baiano Waldeck Artur Macedo, o grande Gordurinha… Ótima pra ilustrar essa questão da “educação continuada”, não é?

Educação continuada… Aprender continuamente, estudar continuamente, é a única forma de enriquecer nossa capacidade de análise, de compreensão do mundo e de tomada de decisão. De lutar para não ser eterna vítima de quem sabe como manipular as pessoas.

Mas esse “estudar” não deve ser entendido apenas como frequentar uma sala de aula com professor ou mergulhar num livro de matemática. Você pode estudar lendo um romance ou uma história em quadrinhos. Assistindo um filme de aventura. Ouvindo rock. Observando as pessoas que passam pela rua. Ou seus colegas aí ao lado. É a predisposição para aprender que confere aos acontecimentos um sentido pedagógico, sacou? Eu vou repetir: é a predisposição para aprender que confere aos acontecimentos um sentido pedagógico. A capacidade pedagógica não está no acontecimento em si, mas na escolha que você faz diante dele. Assim, é possível assistir ao programa do Gugu ou da Luciana Gimenez por exemplo. São fantásticas oportunidades de estudar como – através de um rótulo de “entretenimento” – a televisão aliena as pessoas.

“Entretenimento” é desculpa para tudo. Exime quem produz o lixo – no jornal, na revista, no livro, no rádio, na televisão, no teatro, no cinema, na música e na internet –, de qualquer responsabilidade de produzir conteúdo que sirva para algo mais que “matar o tempo” das pessoas. Um pecado…

No entanto, o dono de seu tempo é você. Você escolhe o que fazer com ele. Você escolhe para quem vai dar atenção. Você escolhe seu olhar.

Bem, quando chegou o dia da final do Big Brother Brasil 11, em 29 de Março de 2011, num determinado momento o apresentador, Pedro Bial, fez um veemente desabafo. Olha só….

“Por que os gregos antigos iam para a praça, para a Ágora? Porque eles não tinham televisão.

Pensar que há dez anos o grande escândalo causado pelo Big Brother era o fato de ser um programa que supostamente incentivaria o voyeurismo e o exibicionismo.

Alguém lembra que isso era considerado pervertido?

Discutidas a exaustão, nos botequins e jornais populares, homofobia e heterofobia foram coisa da edição passada”, afirma Pedro Bial. “Esse ano, misoginia, a aversão ou ódio às mulheres virou assunto de mesa de jantar. E nunca se falou tão abertamente sobre transexualismo, ou pelo menos nunca ouve chance igual.

E mais: discutiu-se em profundidade a questão da autoestima feminina, por causa de Paulinha , essa flor de nosso jardim, e por causa de outras flores também. E isso é parte da história que vocês viveram, e nem desconfiam, mas outros viram, muitos viram. Essa edição gentilmente baixou as calcinhas e cuecas de muita ignorância – a mãe de todos os preconceitos”

Pois é… o Bial está de saco cheio de ser criticado por participar do Big Brother Brasil. Bom: ele fez uma escolha, ganha um monte de dinheiro com isso. Mas é duro agüentar. Afinal, um jornalista com o currículo dele não deveria se prestar a apresentar um programa com todos os defeitos do Big Brother Brasil, não é?

Essa delícia que você ouve ao fundo, no podcast,  é VIROU BAIXARIA, do violonista e compositor Rodrigo Torino , com ele e seu grupo…

Bem, sobre esse tema das personalidades que enveredam por caminhos que não estão de acordo com o esperado, lembrei que um dia recebi um artigo do diretor teatral Gerald Thomas, detonando com o então Ministro da Cultura Gilberto Gil.

Deslumbrado pelo poder, Gil estaria acabando com o teatro, para decepção da classe artística que esperava que um músico colocasse o cenário cultural brasileiro nos eixos.

Naquela mesma semana, li na revista Carta Capital um artigo de um professor da USP indignado com a forma como viu a reunião de pauta do Jornal Nacional, da Globo, ser conduzida por seu editor-chefe, Willian Bonner. Nas palavras do professor, Bonner teria dito que o telespectador padrão do Jornal Nacional é um Homer Simpson, personagem de desenho animado estadunidense que representa um pai de família medíocre. Encarando seus telespectadores como “homers”, Bonner descartava temas com conteúdos que interessariam à sociedade, em favor de outros mais sensacionalistas, que dariam maior audiência.

Esses dois fatos me levam a uma reflexão.

Gilberto Gil é burro? Quer o mal para sua classe? Willian Bonner é medíocre? Interessado na desagregação da sociedade? E o Fausto Silva? E o Jô Soares? O Pedro Bial? São medíocres?

Eu acho que não.

Essas pessoas estão entre as mais brilhantes personalidades da TV e do cenário cultural brasileiro. E quem os conhece pessoalmente afirma que são gente fina, esclarecida, muito boa para se conversar e bons amigos. São pessoas inteligentes produzindo resultados comercialmente interessantes, mas culturalmente discutíveis.

Pois é… O sistema é mais forte que os indivíduos. Cada um dos nomes que eu citei, foi engolido por ele. Precisando jogar pelas regras do sistema, pra continuar ganhando rios de dinheiro e ter fama, Gilberto Gil decepciona sua classe. Fausto Silva joga no lixo horas valiosíssimas da televisão. Pedro Bial dá um nó em sua biografia ao virar apresentador de reality show. Jô Soares se perde em entrevistas medíocres.

Bom. É tudo uma escolha, não é. Mas e você?

Se recebesse uma oferta de um salário de um milhão de reais por mês, você aceitaria apresentar o Big Brother Brasil? Pois é…

Burrice precoce

Ao lhe pedir em casamento
Esqueci de lhe dizer
Que eu não sou o rapaz normal
Que você esperava ter
Minhas manias tão excêntricas
Podem até lhe incomodar
Mas não se esqueça benzinho
Para sempre hei de lhe amar
Um maridinho carinhoso
Posso até me revelar
Mas meu sadomasoquismo
Você vai ter que aturar
Na hora do amor
Só vendo televisão
E comedo chocolate
Com a barriga no colchão
(olha aí a nova posição)
” E por falar em posicionamento,
tenho constado que a
esquerda festiva, assim como a
anarquia compungida, possuem
características comuns com a
direita compenetrada, o que
leva a crer que dois adjetivos,
quando acasalados, não
possuem a mesma sobriedade
de uma só qualificação. Moral!! ”
Você há de gostar
Do meu rol de amizades
Todos prezam a tradição
A família e a propriedade
O pediatra já dizia:
Esse menino é um problema
Sofre de esquizofrenia
É um fruto de sistema
(olha aí sempre o mesmo tema)
” E por falar em temática, tenho
constado que o movimento
estudantil, assim como os
demais setores mobilizados da
nossa sociedade civil, insistem
num debate conjuntural,
olvidando seus problemas
mais cruciantes e prementes,
tais como o uso de papel
higiênico perfumado nos
banheiros das nossas
faculdades!

Rararaa… essa é BURRICE PRECOCE, de Laert Sarrumor, com a banda Língua de Trapo… Muito conveniente para este programa…

Meu…você que está ai babando pra mandar um e-mail pra mim, dizendo que eu sou um vendido, que eu estou defendendo o big brother, que o programa é um lixo, presta atenção no que eu vou dizer agora.

Só um frevinho pra canalizar as energias dessa discussão, não é mesmo? Você está ouvindo, no podcaset, MUDA NO PASSO, com o Grupo carioca Cordão Do Boitatá.

Acredite ou não, a discussão sobre o Big Brother Brasil é muito mais complexa que o simples gosto-não-gosto que caracteriza tão bem os debates brasileiros. Acredite: a discussão sobre o BBB é po-lí-ti-ca!

Refletindo sobre nossa dificuldade em perceber como a política faz parte de nossas vidas, me lembrei de uma entrevista feita em 1972 pelo ator italiano Gian Maria Volonté, já falecido. A discussão girava em torno da diferença entre os filmes politicamente engajados e aqueles vazios de conteúdo. Gian Maria disparou: ” sempre me disseram que filme político não interessa, pois não faz dinheiro”… “Quer saber de uma coisa?” disse o ator ao jornalista, “o senhor está fazendo uma enorme confusão. Todo e qualquer cinema é político. Até mesmo aquele sem conteúdo, banal e vulgar. O enfoque é o tempo livre e não o conteúdo do filme. Hoje, qual é o significado de tempo livre? Significa momento de evasão, da não-reflexão, do consumo. E o sistema te oferece mil maneiras de preenchê-lo, inclusive os filmes que te metem na condição de não pensar. É esse o dado político”…

Gian Maria Volonté nos alerta sobre o dado político da indústria do entretenimento. Ela ocupa nosso tempo livre, voltando nossa atenção para distrações que nos levam a consumir. Ou a apresentar um comportamento resignado, dentro das regras, que interesse ao sistema político vigente. Conformado. Isso é político.

E desse ponto de vista, o Gugu, tão inocente e engraçadinho, é político. O Faustão é político. O pocotó é político… O Big Brother Brasil é político! Tudo é política…

E quando não percebemos esse jogo, nos tornamos meros joguetes nas mãos de quem manipula a política. Em Brasília ou na rede Globo.

Por isso, valorize seu tempo livre. Faça com que ele seja um tempo de reflexão e ação. Preencha-o com provocações, com inspiração, com atividades que agreguem valor, que elevem seu espírito, que enriqueçam seu repertório. Agindo assim, você será senhor do seu destino. Será um animal político… Vai levar a vida, e não deixar a vida te levar.

Mas tem gente que não pensa assim. Pensa que sua hora livre é para não fazer nada, para esvaziar a cabeça… Tudo bem. Para esses, trago uma frase de William James: “Quando você tem de fazer uma escolha e não a faz, isso por si só já é uma escolha”.

Viu só? Não escolher também é política…

Então ficamos assim: você pode escolher ignorar o Big Brother Brasil. Pode escolher odiar, por escolher o que quiser. Mas não pode deixar de reconhecer que um programa que mobiliza cinqüenta milhões é tudo menos irrelevante.

Ele está fazendo o que? Desviando a atenção ou ensinando? É…depende do olhar de quem assiste.

O Big Brother Brasil é um projeto milionário muito bem sucedido. Por mais que você esperneie, vai continuar no ar, batendo recordes até a fórmula se esgotar. “Matará o tempo” de 90% das pessoas que o assistem.

Mas os 10% que escolheram o aprendizado contínuo, farão dele uma aula.

E vamos à luta

Eu acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada…(2x)

Aquele que sabe que é negro
O coro da gente
E segura a batida da vida
O ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco
De um jogo tão duro
E apesar dos pesares
Ainda se orgulha
De ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim
Pede uma cerva gelada
E agita na mesa
Uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira
Suada da luta
E faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí…

Acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada…

Aquele que sabe que é negro
O coro da gente
E segura a batida da vida
O ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco
De um jogo tão duro
E apesar dos pesares
Ainda se orgulha
De ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim
Pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo
Uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira
Suada da luta
E faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí
Eu acredito
É na rapaziada!

E é assim, ao som de E VAMOS À LUTA, de Gonzaguinha, com Alcione que o Café Brasil que tratou – acredite – do Big Brother Brasil, vai saindo de mansinho.

Pode mandar as pedradas  ai, que a gente assimila…

Com Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco Paulo Ricardo, Pedro Bial, Jards Macalé, Grupo Coordão do Boitatá, Língua de Trapo, Rodrigo Torino e Alcione.

Quer mais? Acesse www.portalcafebrasil.com.br . Lá tem um monte de alternativa pro Big Brother Brasil.

E pra terminar, hoje eu vou fazer diferente. Pra você que ficou indignado de ouvir o Big Brother Brasil no seu Café Brasil, um presente. Bolero de Isabel, com o grande Jessier Quirino.

Bolero de Isabel

É um nó dado por são pedro
E arrochado por são cosme e damião
É uma paixão, é tentação, é um repente
Igual ao quente do miolo do vulcão

É um nó dado por são pedro
E arrochado por são cosme e damião
É uma paixão, é tentação, é um repente
Igual ao quente do miolo do vulcão

Quer ver o bom?
É o aguado quando leva açúcar
É ter a cuca, açucarado num beijo roubado
É um pecado confessado, compadre sereno
Levar sereno no terreiro bem enluarado
É pinicado do chuvisco no chão, pinicando
Ficar bestando com o inverno bem arrelampado
É o recado do cabocla num beijo mandando
“tá namorando a cabocla do recado”

É um nó dado por são pedro
E arrochado por são cosme e damião
É uma paixão, é tentação, é um repente
Igual ao quente do miolo do vulcão

Quer ver desejo?
É o desejo tando desejando
A lua olhando esse amor na brecha do telhado
É rodeado do peru peruando a perua
É canarim, é galeguim, é cantando o canário
Zé do rosário bolerando com dona isabel
Dona isabel embolerando com zé do rosário
Imaginário de paixão voraz e proibida
Escapulida, proibida pro imaginário

Quer ver cenário?
É o vermelho da aurodidade
É a claridade amarelada do amanhecer
É ver correr um aguaceiro pelo rio abaixo
É ver um cacho de banana amadurecer
Anoitecer vendo o gelo do branco da lua
A pele nua com a lua a resplandecer
É ver nascer um desejo com a invernia
É a harmonia que o inverno faz nascer

(miolo, miolo, miolo do vulcão…)

Quer ver desejo?
É o desejo tando desejando
A lua olhando esse amor na brecha do telhado
É rodeado do peru peruando a perua
É canarim, é galeguim, é cantando o canário
Zé do rosário bolerando com dona isabel
Dona isabel embolerando com zé do rosário
Imaginário de paixão voraz e proibida
Escapulida, proibida pro imaginário

Quer ver cenário?
É o vermelho da aurodidade
É a claridade amarelada do amanhecer
É ver correr um aguaceiro pelo rio abaixo
É ver um cacho de banana amadurecer
Anoitecer vendo o gelo do branco da lua
A pele nua com a lua a resplandecer
É ver nascer um desejo com a invernia
É a harmonia que o inverno faz nascer

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