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Café Brasil 064 – Sim ou Não

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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite, bem vindo a mais um Café Brasil. Um programinha que só quer um pouquinho de diversidade no seu dial.

Vou largar logo de cara um petardo, de Willian James:

“Quando você tem que fazer uma escolha e não a faz, isso por si só já é uma escolha”

O Aquiles trabalhava dentro de uma de nossas fábricas no Rio Grande do Sul. Um dia recebi a indicação de que ele poderia ser útil em nossa área de marketing, pois tinha um perfil de “fazer acontecer” que nós precisávamos. Convidei-o.

Eu não sabia, mas ele era um grande baterista. E vivia treinando, para se aperfeiçoar. Um dia, já transferido para São Paulo, durante um churrasco, veio falar comigo. Estava agoniado, pois havia recebido um convite para ser o baterista da banda da turnê de Paul D´Iano, ex-vocalista do Iron Maiden, pela Europa. Mais de 30 dias.

O Aquiles era bom!

Mas sua agonia tinha razão de ser. Ele estaria arriscando seu emprego estável pela loucura de uma turnê com gente estranha, por lugares estranhos.

Minha resposta foi direta:

– Se você resolver NÃO ir, vai passar o resto da vida perguntando o que teria acontecido se tivesse ido. E eu acho que não vale a pena viver com essa dúvida. Portanto, VÁ!

O Aquiles ficou um tanto atônito, mas acertamos para que ele fosse.

No fim, a tal da turnê não deu certo, mas o Aquiles decidiu entrar de cabeça na aventura de ser baterista de alguma banda.

E tempos depois, pediu demissão e partiu para seguir sua vida.

Você está ouvindo “Quer uma coisa?” com Luiz Tatit. Luiz Augusto de Moraes Tatit nasceu em São Paulo, bairro de Pinheiros, aos 23 de outubro de 1951. Luiz Tatit, além de compositor, cantor e violonista é também professor do Departamento de Lingüística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade e São Paulo. Sua música é uma verdadeira crônica…

A história do Aquiles é interessante, na medida em que coloca em evidência a questão de nossas decisões. Quantas vezes dizemos SIM, quantas dizemos NÃO?

Experimente fazer esse exercício diário e talvez você se assuste.

Vai perceber que a grande maioria de suas decisões é baseada no NÃO.

Até inconscientemente, você decide pelo caminho mais seguro, de menor risco, mais confortável.

E assim, vai levando.Pode não estar no melhor dos mundos, completamente satisfeito, mas está familiarizado com a situação, que lhe é confortável. O NÃO ajuda a manter as coisas do jeito que estão.

Já o SIM…

Pode significar o mergulho numa aventura arriscada.

Pode significar a quebra de uma situação de conforto.

Pode significar um novo amor. Um novo chefe. Um novo desafio.

E normalmente, diante de um SIM está um futuro incerto.

Eu fiz esse exercício, tentando encontrar os NÃOs dos quais me orgulho. Penei para achar algum, se é que achei. Mas dos SIMs, lembrei rapidamente.

SIM, resolvi sair de casa aos 19 anos, para enfrentar a cidade grande. Sozinho.

SIM, decidi estudar comunicação em São Paulo, mesmo com o conforto, a garantia do pai e o curso de Engenharia Elétrica lá em Bauru.

SIM, decidi ao me formar, abrir meu negócio próprio.

SIM, decidi arranjar um emprego formal quando resolvi me casar, mesmo que fora da minha área de atuação.

SIM, decidi vender TUDO que eu tinha e morar de favor na casa de um amigo, para conseguir comprar uma casa.

SIM, decidi falar, escrever e publicar, correndo os riscos da exposição.

SIM, decidi ir pro Everest.

Tenho milhares de SIMs dos quais me orgulho. TODOS implicaram em ações de risco. TODOS me colocaram em situações desconfortáveis. TODOS fizeram uma grande diferença em minha vida.

E descobri que sou movido à inspiração. A desafios. Sou movido pelo ímpeto de dizer SIM, vamos arriscar!

Mas conheço centenas de pessoas movidas pelo NÃO.

Pobres coitados.

Chamam de segurança o que é insegurança.

Chamam de prudência o que é medo.

Chamam de conforto o que é submissão.

E o Aquiles?

Ah, o Aquiles tornou-se baterista da Angra, uma das mais importantes bandas de Metal Melódico do Brasil. Realizado, faz turnês pelo mundo afora, tem legiões de fans e acaba de ser eleito o melhor baterista do Brasil. Entre os melhores do mundo.

Seu segredo?

Ele escolheu o SIM.

E você?

Por que NÃO?

 

Você ouve “Caça e Caçador” com o grupo ANGRA. Detonando na bateria, está meu amigo Aquiles Priester… Sinta o poder de fogo dos meninos…

Tem um texto circulando pela Internet. Dizem que é de Luiz Fernando Veríssimo. Eu duvido. Mas o texto é bom… Chama-se “Quase”.

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

 

Você ouve “Quase”, com Luiz Tatit. Tatit em 1974 deu início às atividades do Grupo Rumo, com o propósito de ampliar as perspectivas de composição, interpretação e arranjo instrumental da canção popular brasileira. Dali pra frente não parou mais. Mas toca pouco, muito pouco no rádio…

Intão… Vô pra lá ou pra cá? Visto preto ou azul? Digo sim ou digo não?…. Que tal um singelo poema de Sigmar Montemor, chamado DECIDA-SE?

 

DE SORTE

DESEJO

DE SOSLAIO

DEVANEIO

DE CRAVO

DELÍRIO

DE META

DEJETO

DE GRITO

DETRITO

DE BUNDA

DESBUNDE

DE PUTA

DISPUTA

DE FRUTA

DESFRUTA

DE GRAÇA

DESGRAÇA

DE VOLTA

DEVOLVA

DE LINHO

DESALINHO

DE GOLA

DEGOLA

DE GRANA

DEPENA

DE MENTE

DEMENTE

DE TUDO

DEPENDE

DE PORTO

DEPORTE

DE VENTO

DETENTO

DE SALTO

DECATLO

DE JEITO

DEFEITO

DE CIMA

DESCIDA

DE VIDA:

DECIDA!

 

Você está ouvindo NÃO DIZ QUE NÃO, de Silas Rodrigues e Carlos Brandão. Interpretado por Silas Rodrigues. Nascido em uma família musical, Silas Rodrigues já cantava e se acompanhava ao violão aos nove anos de idade, tendo como grande incentivador, o seu irmão violonista João Garoto. Freqüentando desde cedo rodas de choro, teve no samba seu primeiro “despertar” musical. Você já tinha ouvido falar em Silas Rodrigues? Não né? Pois é…

Trago pra você agora um texto de Maristela Moura, que escreeve nas Iscas Intelectuais de meu site lucianopires.com.br . O texto chama-se “Você quer ser normal? Eu não”.

Enquanto o texto corre você vai ouvindo Silas Rodrigues interpretando “Nova Ilusão”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz. As músicas de Silas tocadas neste programa estão em seu CD “Alma Feminina”

Conta a lenda, que havia em Creta um labirinto onde morava um Minotauro.  O rei Minos, para vingar a morte de seu filho pelos atenienses, enviava a cada nove anos, sete rapazes e sete moças de Atenas para serem devorados pelo Minotauro, até que Teseu conseguiu matar esse monstro comedor de jovenzinhos  e suas carnes tenras.  Fico me perguntando se Teseu conseguiu mesmo realizar essa façanha com a ajuda do fio de Ariadne….

Às vezes penso que o Minotauro está mais vivo do que nunca!

Olho em volta e vejo jovens sendo consumidos pelo Minotauro do “Mercado” e do Sistema, que se alimentam de suas entranhas. Acho até que seria melhor se ele devorasse mesmo, de vez, ao invés de roubar devagarinho seus sonhos, suas esperanças e a espontaneidade de serem eles mesmos. Eles passam uma vida tentando desesperadamente ser normais e fazer parte de um sistema que apenas vai usá-los e cuspí-los mais tarde, numa versão sadomasoquista de dar inveja ao roteiro mais diabólico de um filme B. A mídia não comenta, em função de seu código de ética, o índice assustador de suicídio juvenil no mundo todo, inclusive aqui, mas comenta as estatísticas que mostram que a taxa maior de hominício é de jovens entre 15 e 25 anos. O que causa esses comportamentos destrutivos, é o que eu chamo de Minotauro.

Você está ouvindo “DE PAPEL”, música de Zeca Baleiro e Vanessa Bumagby, intepretada por Adriana Caparelli, em seu CD BEM MAIS PERTO, lançado pela DABLIÚ discos. A DABLIÚ é uma daquelas pequenas gravadoras repleta de jóias da música popular brasileira… que não tocam nas rádios. Adriana Caparelli é uma delas. Um presente pra você, do Café Brasil…

Tenho muito contado com jovens, em função do meu trabalho de orientação de carreira, e o que mais constato, com tristeza no coração, é essa moçada linda  e cheia de vida, querendo ser normal. É quase uma hipnose coletiva. É quase um filme do Zé do Caixão, aquele cineasta bizarro brasileiro :  um monte de zumbis repetindo : “Normal. Normal. Eu quero ser normal, eu sou normal”. Dói!   Em nome dessa normalidade, eles se sujeitam até a fazer um curso que não gostam, mas como acreditam que todo normal tem diploma universitário, eles querem por que querem ter um diploma. Outros se sujeitam a ser estagiários em empresas que vão sugar seu sangue, sua alma e sua energia vital de canudinho e esfregar seu diploma na bancada do cafezinho, mas em troca, vão lhe oferece um salariozinho de m…..,  vale-refeição e um crachá!!  Oh, glória!   “Você já tem um crachá,  nossa empresa tirou você das estatísticas  e das filas dos pobres procuradores de vagas, você pode ostentar o nome da nossa empresa logo após o seu, como se fosse um sobrenome,  que mais você quer?  Dignidade?

Acorda,meu jovem!”

Hoje o Minotauro não come mais de uma vez, ele vai degustando, mastigando, ruminando, bem de-va-ga-ri-nho.

Afinal, o que é ser normal?  Será que é ser assim?

Essa semana, tive que almoçar fora, coisa que eu detesto. Não acho que vale a pena trocar meu arroz integral com gersal por qualquer outra coisa. E olha que eu nem sou xiita, vou até à churrasco de vez em quando.  Então, era hora do almoço e eu fui procurar nutrição, mas acabei  tendo que entrar em um Shopping,  argh… Esse, em especial,  não tem exatamente uma “praça de alimentação” mas um “retângulo de alimentação”. Ao entrar naquele salão e ver aquela imensa fila de mesas, colocadas juntas sem nenhum lugar vago, as pessoas muito ocupadas em comer; um barulho muito desagradável e aquela luz branca artificial, não sei porque, me veio imediatamente à mente a cena de um  enorme galpão de frangos de granja comendo compulsivamente suas rações aos milhares. Um processo mecânico e tão…..tão…..como direi……tão normal. Todos vestindo seus uniformes ( terno e gravata / tailleur e meia de seda), tudo tão previsível e tão……normal. Sei que essa idéia pode chocar (ops, foi mal, mas eu não resisti ao trocadilho barato, foi mais forte que eu….), mas essa foi a imagem que me ocorreu.

Tem hora que minha percepção é meio crua  e cínica, será que é por isso que eu gosto de Almodóvar ? Provavelmente esses que estavam almoçando aí, sejam os mesmos que o Minotauro está ruminando.

Perdi a fome.

Outra cena.

Costumo caminhar muito. São os meus momentos “Forest Gump”. Andando é inevitável observar as pessoas, suas atitudes e comportamentos. Quando o corpo fala, pra que palavras?  Tudo fica desnudado. Observo de um tudo, e vejo muitas pessoas de idade, velhos, que têm algo em comum entre si, todos, sem excessão procuraram ser normais a vida toda e fizeram de sua vida um monumento à normalidade! Hoje o passeio mais empolgante que eles fazem é ir buscar seus remédios na farmácia. Remédios que prometem ser o paliativo que vai amenizar a dor de toda uma vida de normalidade. Eles sabem que se tiverem sorte terão uma morte breve, caso contrário, irão para o inferno do sistema de saúde, que seja público ou dos planos privados, ambos são infernais.

Ouvi dizer que isso é uma doença, essa obsessiva compulsão por ser normal tem até um nome e um livro: “Normose – a patologia da normalidade”. Conheço gente que começou a ler esse livro e foi pirando. Não deu conta de lidar com a vastidão da sua alma, de ficar  cara a cara com o fato devastador de ser ele mesmo. Sem modelos, nem fórmulas. Apenas ele mesmo. Afinal, ser normal é não ser você mesmo, é se encaixar em algo devorante cujo preço é muito alto. Muito alto!

Tenho para mim, que essa jovem que jogou sua filha na lagoa da Pampulha, lá em Minas, é uma pessoa que está sendo devorada pelo Minotauro e a história dela, é em grande parte, a nossa história. Esse fato pode ser um alerta para todos nós. Mas infelizmente, mais uma vez, a sociedade vai preferir fechar os olhos, culpar a moça, jogá-la na cadeia e esquecê-la!  É muito doloroso admitirmos que ela agiu traduzindo um sentimento que está no ar, que está presente em toda a sociedade.   Estamos abandonando nossos jovens na boca do labirinto do Minotauro, para serem normotizados, devorados e depois descartados.  Esse é o preço de quem abre mão do dever sagrado de ser ele mesmo.

Corta.

Muito bem!!! É com a Metamorfose Ambulante, na voz de Raul Seixas, que vamos encerrando o Café Brasil de hoje.

Sim ou não? Tomou sua decisão?

Com Rodrigo Carraro na técnica e Sérgio Sá na direção artística. Apresentando, eu. Luciano Pires

No programa de hoje tivemos Maristela Moura, Adriana Capparelli, Silas Rodrigues, Zelia Duncan, Raul Seixas, Willian James e Luiz Tatit.

E pra terminar mesmo, uma frase deliciosa de Albert Camus:

A Vida é a soma de todas as suas escolhas.