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TRIVIUM: CAPITULO 2 – LINGUAGEM E REALIDADE (parte 7)

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Alexandre Gomes - Iscas Conhecimento -

De toda aquela confusão sobre as DEZ CATEGORIAS DO SER (que espero ter esclarecido). Caso não tenha ficado claro, confio que tenham deixado comentários lá no texto para eu tentar esclarecer as dúvidas e corrigir meus possíveis erros.

Agora vamos unir tópicos já apresentados antes. Já falei sobre a ESSÊNCIA (ou FORMA) e a MATÉRIA das PALAVRAS e SÍMBOLOS.

Lembra que a FORMA (ou ESSÊNCIA) é a alma da palavra e sua MATÉRIA são as letras que compõem a mesma. Algo semelhante vale também para os SÍMBOLOS. Tendo isso em mente você, gentil leitor ou querida leitora, irá entender o impacto disso na realidade, ou melhor, na descrição da realidade. E garanto a você uma coisa: voltaremos a isso no futuro, antes de terminar este capítulo.

Pois bem! Ao unir a LINGUAGEM e a REALIDADE, temos sete importantes definições que surgem. Perceba cada uma delas:

  1. A ESSÊNCIA é aquilo que faz um ENTE ser o que é, e sem esse “aquilo”, não seria o que é;
  2. NATUREZA é a ESSÊNCIA vista como fonte de atividade;
  3. O INDIVÍDUO é constituído de ESSÊNCIA existente em MATÉRIA QUANTIFICADA mais outros ACIDENTES (lembra das Dez Categorias?). sendo a ESSÊNCIA que o torna algo semelhante aos outros indivíduos de sua classe. Já a MATÉRIA é o que o diferencia. Uma vez que a MATÉRIA que constitui um indivíduo não é a mesma que constitui um outro!
  4. Um PERCEPTO (percepção) é a APREENSÃO sensível (ou seja, captação e compreensão com os nossos sentidos), de uma realidade individual que esteja diante de quem a apreende;
  5. Um FANTASMA é a IMAGEM MENTAL de uma realidade individual, NA SUA AUSÊNCIA. Notou que é bem parecido com o aspecto acima? Só que a diferença e que o percepto é a imagem mental quando se está diante do objeto observado e o fantasma É A LEMBRANÇA FIXADA NA MENTE DEPOIS QUE NÃO SE TEM O OBJETO DIANTE DE NÓS;
  6. O CONCEITO GERAL é o passo seguinte do fantasma. É a apreensão de que aquela imagem mental do objeto observado e percebido pelos sentidos, captando a sua ESSÊNCIA comum a todos os outros indivíduos da mesma classe. Algo como compreender o que faz um felino ser o que é ao se observar um gato doméstico e depois, no zoológico, ver uma onça e perceber que se está diante de OUTRO FELINO.
  7. O CONCEITO EMPÍRICO é diferente do anterior pois se trata da APREENSÃO INTELECTUAL INDIRETA DE UM INDIVÍDUO.

Antes que você se confunda, eu esclareço: o “intelectual” ali não é o Pondé, ou o Olavo. Trata-se da apreensão do seu intelecto (ou mente), uma parte de você que, por ter uma essência, definição e natureza, é um indivíduo espiritual (ou abstrato), que é capaz de apreender (absorver e conhecer) objetos individuais apenas indiretamente, através dos fantasmas criados pelas impressões captadas pelos seus sentidos.

Perceba, o INTELECTO conhece DIRETAMETNE uma coisa só: ele mesmo! E de maneira reflexiva (ou seja, pensando sobre si mesmo). Lembra do exercício de Descartes? Ele se imaginou apenas pura consciência – sem corpo – para poder descobrir o que tornava ele um ser real. No final, ele chegou a célebre frase: Penso, logo existo.

 

Bom, há quem diga que é o contrário (é a existência que permite o pensamento), mas aí estamos indo para Filosofia nível hard. E por enquanto estamos reaprendendo a pensar com ordem…

Bem, seguindo no assunto de hoje… Nem todas as substancias presentes na realidade – ou no nosso dia-a-dia – se encontram em seu estado natural.

A civilização se fez justamente pela MANIPULAÇÃO e ALTERAÇÃO das substâncias naturais. Por exemplo: uma CADEIRA (seja feita de madeira, metal, etc.) tem duas essências:

  1. Essência da forma: cadeira;
  2. Essência da matéria: madeira, metal ou etc.

Perceba, gentil leitora (ou caro leitor), que nós somos um ENTE COMPOSTO. Uma vez que nenhuma pessoa é ESSENCIALMENTE apenas uma substância. Ora, se eu for apenas materialista, devo reconhecer que o homem é feito de ÁGUA (em si um composto de duas partes de hidrogênio e uma parte de oxigênio, H²O) e matéria sólida – viu a forçada de barra para generalizar?

Ou seja, frequentemente iremos encontrar indivíduos (pessoas ou coisas) que não são SIMPLES ou com apenas uma essência natural. Tais entes COMPOSTOS são chamados de CONSTRUTOS (pois é, estamos nessa turma de construtos).

São CONSTRUTOS pois sua ESSÊNCIA não pode ser completamente definida apenas por sua SUBSTÂNCIA. Outros elementos, ou características, contam também. Exemplos, certo?

José Bonifácio, um dos fundadores do Brasil. Dizer que ele é um homem define completamente sua ESSÊNCIA? Não. Nem chega perto. Agora, se eu listo as características abaixo…

  1. Homem (substância),
  2. Gorducho (quantidade),
  3. Poliglota (qualidade),
  4. Amigo e mentor de D. Pedro I (relação),
  5. Fundador do Brasil (ação),
  6. Foi afastado de suas funções junto ao Imperador por conta da Marquesa de Santos (paixão),
  7. Viveu entre 1763 e 1838 (quando),
  8. Morou grande parte de sua vida no Brasil, chegando a residir também em Portugal e França, durante sua formação acadêmica (onde),
  9. Seus restos mortais estão em um monumento em Santos, chamado Panteão dos Andradas (postura),
  10. Em pinturas da época, é retratado com trajes formais, representando sua influência e capacidade (hábito, vestuário).

Agora você deve ter entendido porque eu coloquei a pintura de José Bonifácio ali em cima, não é? Se, por um acaso você se interessou em saber mais sobre a vida de um dos fundadores do Brasil, veja AQUI. (é link do youtube, mas é apenas um áudio, então você pode acompanhar sem precisar ficar diante da tela). Ou um vídeo mesmo, do Instituto Borborema .

Ah!… importante! O link acima é uma entrevista do prof. Rafael Nogueira, grande entusiasta do José Bonifácio, que contribui bastante para o projeto Brasil Paralelo.

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