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Alexandre Gomes - Iscas Conhecimento -

Símbolos Gramaticais e Proposições

Se uma proposição é simbolizada por uma frase, esta precisa ser uma FRASE DECLARATIVA. Uma frase não declarativa (ex. ordem, prece, desejo, pergunta ou exclamação) não pode simbolizar uma proposição, POIS NÃO É VERDADEIRA NEM FALSA; uma frase não declarativa expressa volição, não cognição, e, portanto, não tem STATUS na lógica, apesar de ter STATUS perfeitamente válido na gramática.

Perceba. Já que cada frase declarativa simples é composta (explícita ou implicitamente) de: sujeito, cópula e complemento subjetivo; pode perfeitamente simbolizar a proposição lógica: sujeito, cópula e predicado.

No começo deste capítulo, algumas lições atrás (dezembro passado), foi apresentado o assunto PROPOSIÇÕES, que podem ser classificadas em dois grupos Modais e Categóricas. No trecho atual do livro (pg. 140), a autora divide as proposições em dois grupos, porém os chama de Geral e Categóricos

Acredito que geral é o mesmo que modais.

Dito isto, voltemos à lição.

 

Uma PROPOSIÇÃO GERAL precisa ser simbolizada por uma frase cujo sujeito é um nome comum ou uma descrição geral. Se o nome comum ou descrição geral não simbolizam uma essência que seja POSSÍVEL, então não expressam um termo, pois não se pode ter um conceito de uma essência IMPOSSÍVEL.

Exemplo de violação da regra: “Um círculo quadrado é uma figura curvilínea

Esta frase não simboliza uma proposição porque não expressa uma relação de dois termos, ela tem apenas um termo. Seria necessário um sujeito lógico, mas “círculo quadrado” não tem NENHUM SIGNIFICADO*, apesar de círculo e quadrado, entendidos separadamente serem palavras que têm sentido. A frase do exemplo acima não é falsa nem verdadeira, pois somente uma proposição é falsa ou verdadeira.

* Exercício impossível para você, caro leitor (ou gentil leitora): imagine e desenhe um círculo quadrado. Se conseguir fazer isso, poste o desenho nos comentários.

 

Agora, o segundo tipo de proposição…

Uma PROPOSIÇÃO CATEGÓRICA empírica precisa ser simbolizada por uma frase cujo sujeito seja um nome próprio ou uma descrição empírica, se estes dois tipos de sujeito não simbolizam um indivíduo ou um agregado existentes no presente ou no passado, de fato ou em ficção, então NÃO EXPRESSAM um termo, pois não se pode experienciar o que é inexistente.

Uma mesma proposição pode ser expressa por símbolos gramaticais diferentes ou equivalentes na mesma língua ou em línguas diferentes.

Ex.:

O primeiro homem eleito como chefe executivo – –

The first man elected as executive head – –

 

– – dos Estados Unidos é reconhecido por sua habilidade como um líder militar.

– – of the United States is noted for his skill as a military leader.

 

Essa mesma frase pode ser escrita de outra forma, dizendo a mesma coisa:

O primeiro presidente dos Estados Unidos – –

The first president of the United States – –

Le premier président des États Unis – –

 

– – é reputado como um grande general.

– – is famed as a great general.

– – est renommé comme un grand général.

O PROPÓSITO DA TRADUÇÃO é expressar em símbolos de outra língua as proposições corporificadas e embutidas nos símbolos de uma dada língua, reconhecemos que há algo do mesmo (a FORMA, o CONTEÚDO LÓGICO) e algo diferente (a MATÉRIA, os SÍMBOLOS GRAMATICAIS).

 

E lembrando do que estamos vendo aqui:

FORMA (da linguagem): é o significado do que foi dito com a voz, ou escrito com palavras;

MATÉRIA (da linguagem): é a voz, o som emitido para se comunicar, ou as letras e notações organizadas e agrupadas de uma maneira específica e coerente.

CONTEÚDO LÓGICO: é o sentido (ideia ou objeto) que a voz ou palavras estão expressando.

SÍMBOLOS GRAMATICAIS: são as palavras.

Voltando…

Se a composição a ser traduzida é um poema, o que muda inclui não apenas a diferença dos símbolos, mas também diferenças na dimensão psicológica da linguagem, nas suas QUALIDADES SENSÍVEIS e EMOCIONAIS, tais como som, ritmo, tom, ideias e sentimentos associados, tendo todas suas raízes na língua particular (seja a do poema original, seja a do poema traduzido. A seguir, um exemplo de poema traduzido:

Os versos do poema são ALITERANTES, este modo é incomum em línguas como o português, mas há um paralelismo com os versos rimados aos quais estamos acostumados. Isso porque na Idade Média eles eram DECLAMADOS – e não escritos – pelos menestréis ou bardos, que usavam recursos fonéticos para ligar os versos entre si e proporcionar aos ouvintes um sentido de continuidade. Resumindo:  na poesia em rimas, normalmente são os SONS VOCÁLICOS que se repetem entre um e outro fim de verso, enquanto na aliteração são as CONSOANTES que se repetem dentro de um mesmo verso.

Perceba:

A rima marca bem o fim do vERSO

Pra que não fique o leitor dispERSO

 

também…

 

AliTeram as Tônicas, repeTindo os sons

Mas Umas às Outras, fazem Eco as vogais

 

Voltando ao poema, preste atenção às numerações que fiz e como o som das palavras grifadas se assemelham entre si e como elas conduzem o poema.

 

  1. (…) navegante / errante (…)
  2. (…) Arvernien / (…) além (…)
  3. (…) pro navio / (…) Nimbrethil (…)
  4. (…) teceu / (…) seu (…)
  5. (…) fez / (…) vez (…)
  6. (…) formada / (…) embandeirada (…)

 

E compreendido o que o trecho acima detalhando o funcionamento de um poema, imagino que o que essa parte da lição quer ensinar fica entendido, bem como se tem uma ideia de como os poemas devem ser lidos (ou declamados) e apreciados.

Por fim, aprimorar o estilo através de revisão é SUBSTITUIR aqueles símbolos escolhidos primeiro em um texto escrito por você, por equivalentes melhores. A arte mestra da retórica nos guia nessa escolha.

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