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Adalberto Piotto - Olhar Brasileiro -
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Consulado da França em São Paulo, domingo, 15 de dezembro de 2015

Neste domingo cedo, ainda sob o impacto do terror em Paris, uma amiga me adverte que há quem esteja criticando os que puseram a bandeira da França sobre suas fotos de Facebook.
É o que, me contaram, chama-se “avatar” temático.
Eu, que raramente adiro a esses meios porque me mobilizo de outras maneiras, desta vez também o fiz.
E tenho orgulho de ter feito. Ficará na minha página por dias.
Esta lá no alto pra quem quiser conferir.
Mas diante dessa polêmica, que inclui um suposto menor envolvimento dos brasileiros com as vítimas de Mariana, no interior de Minas, o que não é verdade, escrevi a ela o seguinte, na tentativa de deixá-lá menos preocupada:

“Kátia, querida, eu não tenho a menor preocupação com essa gente pequena.
Eu me envolvo com o que faço.
Denunciei situações como a de Mariana anos atrás e onde eles e elas estavam?
Tenho aprofundado as discussões deste país e a falta de envolvimento real dos brasileiros com o Brasil porque acredito ser o único jeito de evitar tragédias como a de Mariana, e não tem sido fácil mobilizar as multidões necessárias.
Ambos os casos são de perdas humanas irreparáveis.
O caso francês, de uma covardia atroz.
O de Mariana, vítima do senso do lucro e do levar vantagem desmesurado, desumano, comum neste país, pouco reclamado antes da tragédia, de qualquer tragédia.
O caso de Mariana se resolve com voto certo, cobrança e atuação cidadã. Resolve-se com as pessoas se expondo na cidadania delas, coisa que a média brasileira espertamente se omite de fazer.
No caso de Mariana, todas as causas e soluções são absolutamente palpáveis e de efeito bem próximo do imediato.
É o que tenho feito, inclusive quando abri mão de empregos para insistir em trabalhos onde eu acredito fazer a diferença de forma maior. Vejo muita gente fazendo isso. E continuam a fazer mesmo diante de dificuldades.
Isso tem um preço que só é pago por quem se aventura com apenas a própria coragem motivada pela honestidade intelectual consigo mesmo.
A maioria é incapaz de ser honesta apenas com ela própria.
Quantos desses pretensos heróis da igualdade social brasileira, hoje reclamões pseudosociais, deram a cara pra bater abrindo mão de privilégios de origem duvidosa ou gritaram ante irregularidades de suas empresas e de seus chefes? A barragem de Mariana estava irregular há dois anos. Quantos funcionários se omitiram para preservar seus empregos? Quantos não estão se omitindo hoje em casos, ainda desconhecidos, que provocarão novas tragédias de barragens e corrupções bilionárias?
O caso do terrorismo em Paris, dada essa sensação de impotência e de lidar com o imprevisível, porque o terrorista é um covarde nojento, só a solidariedade nos é possível neste momento.
E ela precisa existir porque conforta, porque ampara o desolado, a vítima direta ou indireta que somos todos.
Tenho orgulho de por minha foto sob a bandeira francesa. Faria-o por outros na mesma situação.
Não sofra, cara amiga, com a pobreza de espírito dessa gente que acordou hoje se achando um cidadão perfeito. Ontem ele certamente não era e, ao criticar a solidariedade dos outros, mostra que continua não sendo. Nem humano.
Proteja-se deles, apenas.
Bom dia!!! 
E mantenhamos nossa nobre solidariedade.
Precisamos dela pra ofertar e receber.
Somos humanos.”

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