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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. No programa de hoje vou começar outra daquelas polêmicas reflexões que há de deixar muita gente satisfeita e muita gente puta da vida. Vou falar da tal meritocracia. E a favor. Mas é só o começo, viu? Antes de se jogar da janela do quinto andar, espere que tem mais um ou dois programas.

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, você já sabe né, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

Quem vai ganhar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO hoje será o Caio Olímpio, que comentou assim no Portal Café Brasil:

“Não concordo com muitas das ideologias e mentores que vc admira. Abomino levar mises ao pé da letra, não acho que “apertadores de parafuso”, empregadas domésticas e outros seres humanos sejam indignos de serem tratados como tal e que mereçam uma subvida e as mazelas que são efeitos de um liberalismo radical e do darwinismo social que muitos pregam. Acredito que igualdade de direitos passa por um estado de bem estar social verdadeiro e não um arremedo populista que temos e que liberalismo, meritocracia e outras bandeiras levantadas por ti não são incompatíveis com este bem estar social. Que o politicamente correto é burro e hipócrita, mas há coisas válidas neste movimento e não deve ser combatido como se toda defesa de relações mais humanizadas e justas, toda denuncia e repúdio à injustiça seja o famigerado monstro imaginário chamado “marxismo social”. Dito isto, tenho uma sincera admiração pelo teu trabalho e por todas qualidades deste e suas, que vão muito além de uma direita burra e desumana e que consegue fazer pensar e atingir qualquer um que pensa um pouco além da caixa. Parabéns e conte comigo levar muitas das tuas ideias (nunca todas) para quem pensa diferente de ti.”

Obrigado Caio. Eu discutiria profundamente essas posição “isso ou aquilo”, que você dá a entender que são as minhas. Quem sabe num outro programa, vai? Mas considero seu comentário um elogio sincero e, mais que isso, um indicador de sucesso de meu trabalho. Ninguém precisa pensar igual a mim para curtir as provocações do Café Brasil, e continuar provocando, de forma educada e pertinente, é o que pretendo fazer. Como no programa de hoje.

Muito bem. Além do livro o Caio receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Eu sei que você já sabem, mas não custa lembrar:  PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Ô dois, hoje eu quero com deleite, hein!

Na hora do amor, use:

Lalá e Ciça –  Prudence.

E quem também está ajudando a gente a trazer pra você este cafezinho é a Nakata, que até o dia primeiro de julho está com a promoção Pistas dos Sonhos. Você e um acompanhante podem ganhar a oportunidade de assistir a uma corrida Nascar em Miami, ou Daytona, ou Las vegas ou Indianápolis, é mole, hein?

Acesse promocaohgnakata.com.br e descubra como participar.

Tudo azul, tudo Nakata.

Num dos mais recentes episódios da série Game Of Thrones, Tyrion Lannister, interpretado pelo ator Peter Dinklage, que é anão…ops… verticalmente prejudicado, é levado como prisioneiro por Sor Jorah Mormont até a rainha Daenerys Targaryen. O diálogo travado é tenso. O pequeno Tyrion sabe que sua cabeça pode rolar a qualquer momento e começa a argumentar com a rainha. E a convence a não matar Sor Jorah, que acaba expulso da cidade. Aos poucos, pela inteligência dos argumentos, ele vai deixando claro que pode ser um aliado interessante para a rainha, que acaba convocando-o para servi-la como uma espécie de conselheiro. O prisioneiro com a cabeça a prêmio transforma-se assim em protegido da rainha num piscar de olhos.

E por que isso aconteceu? Porque Tyrion Lannister conseguiu mostrar para a rainha que poderia agregar valor a seu reinado. A rainha viu que ele valia mais a seu lado do que morto. Já Sor Jorah Mormont, não conseguiu nada e acabou expulso.

Para a rainha, Tyrion vale mais que Mormont.

Você vai ouvir ao fundo deste programa as músicas tema do Game Of Thrones. Tem muito texto hoje, a gente vai tentar ir só na … com pouca música, tá? 

Vamos lá, então.

Agora imagine-se em outra situação. Volte à infância. Você é o dono da bola e vai escolher os jogadores para o seu time. Você um escolhe um, outro garoto escolhe um. Você começa. Primeiro escolhe o Juquinha, que você sabe que joga muita bola. Depois escolhe o Paulinho, que também joga bem. E assim vai. Até que no final sobram dois garotos, com cara triste. Um é escolhido e sobra então o Zezinho, que ninguém quer. Como não há opção, ele vem parar no seu time, fazer o quê? Bem, nesse processo de escolha, uma coisa ficou clara: para você o Juquinha, que você escolheu primeiro pela habilidade de jogar futebol, vale mais que o Zezinho. Ou não?

Segunda situação: você está dirigindo seu carro e o freio falha. O freio de mão falha. Lá na frente você vê dois garotos com seus 12 anos de idade. Qualquer escolha que você fizer, vai atropelar um deles. Você tem que escolher qual dos dois atropelar. Um deles é Albert Sabin, muito antes de desenvolver a vacina contra a poliomielite. E o outro é um Zé Mané qualquer. Qual você escolhe atropelar, hein? O Zé Mané, é claro. Você sabe o valor que Sabin terá para a humanidade, não é? Para você, naquele momento, Sabin vale mais que o Zé Mané. Ou não?

O que é que Tyrion Lannister, o Juquinha e Albert Sabin tem em comum? Os três conseguiram mostrar que podem criar valor para alguém, e por isso passam a valer mais que os outros.

Bem-vindo à meritocracia…

Meritocracia vem do latim MEREO, que quer dizer merecer, obter. É a forma de gestão baseada no mérito. O sucesso que você obtém é aquele que você merece. Sua educação, sua moral, suas aptidões específicas para determinadas atividades, são fatores determinantes para a construção desse merecimento.

Mas é impressionante a quantidade de gente que não compreende exatamente do que se trata, a meritocracia. Algumas pessoas, por exemplo, sugerem que a meritocracia seria uma fórmula mágica, algo como “trabalho mais esforço é igual a riqueza e sucesso”. Ou seja: se você se esforçar bastante, conquistará o sucesso. Essa gente confunde mérito com esforço.

Nada mais falso. Isso não é meritocracia.

O pobre agricultor miserável lá no sertão do nordeste, que trabalha duro de sol a sol, todos os anos de sua vida, tem grandes chances de morrer pobre e miserável. O pedreiro que se mata de sol a sol carregando tijolos e erguendo paredes, tem grandes chances de se aposentar como pedreiro. A professora primária que se mata para dar aulas em três escolas, corrigir provas, participar de seminários e ainda cuidar dos filhos, tem grandes chances de terminar a vida como professora aposentada. E dura. O taxista que passa 18 horas ao volante num trânsito infernal, tem grandes chances de terminar a vida como taxista… O trabalho duro dessas pessoas não garante nada além de mais trabalho duro.

Qualquer desses profissionais só terá duas chances de se tornar rico com base na força de seu trabalho: se der sorte ou se conseguir, como Tyrion Lanister, o Juquinha e Albert Sabin, criar riqueza e, principalmente, valor para alguém.

Mas sorte é sorte, não é. Na maioria das vezes não temos controle sobre ela. Falarei de sorte em outro programa. Hoje quero focar na questão do valor, com uma daquelas frases que causam arrepios em alguns aí. Prepare-se:

Quem define seu mérito é a percepção de valor que as pessoas têm de você.

Eu dei uma pausinha aqui, porque a Ciça desmaiou. Lalá, dá uma água pra ela aí, faz favor!

O mérito que você tem depende de sua capacidade de fazer com que as pessoas percebam o valor que você cria para elas. Em outras palavras: o preço do seu esforço, do seu trabalho, da sua dedicação, é definido pela quantidade de valor que você é capaz de gerar para quem está disposto a pagar pelo trabalho que você faz.

Valor… Luciano, você tá falando de dinheiro?

Nem sempre, viu. Esse valor nem sempre é uma continha matemática, veja só. O valor pode ser o lucro que você gera. Um filme estrelado por Brad Pitt, por exemplo, tem grandes chances de atrair uma milionária bilheteria. Brad Pitt atrai dinheiro, por isso ganha 20 milhões de dólares para participar de um filme. O valor que ele produz é notável.

Neymar é garantia de espetáculo, de fãs de futebol, de venda de camisetas, de audiência, de patrocinadores pagando milhões para tê-lo como garoto propaganda. Por isso ganha em uma temporada o equivalente àquilo que você vai ganhar nesta e em outras 100 vidas.

Gente que gera dinheiro merece ganhar muito dinheiro.

Mas tem gente que vale não pelo dinheiro que traz. Por exemplo, aquele arquiteto renomado que cobra o preço do apartamento para decorar o apartamento. Ele tem alto valor por causa da satisfação que entrega a seus clientes. Além da beleza estética que ele entrega, a turma paga caro para dizer de boca cheia que “meu apartamento foi decorado pelo fulano de tal”. Esse é o valor, intangível, que o tal arquiteto entrega.

E a empregada doméstica que está com aquela família há anos e que construiu uma relação de confiança, que antecipa as necessidades e sabe de tudo que a família gosta? Provavelmente ela ganha mais que a média das outras domésticas, principalmente pela satisfação, pela relação de confiança e segurança que ela traz, percebe?

E assim vai…

É, meu caro, não tem jeito. Dependendo das circunstâncias, tem gente que vale mais que eu. Que você. É duro reconhecer, mas é assim que o mundo funciona. Pronto! Você ficou nervoso? Vamos lá: nenhum pai vale mais para meus filhos do que eu. Nenhuma mãe vale mais para mim do que a minha. Nenhum ser humano vale mais, enquanto ser humano, do que outro ser humano. Mas isso nada tem a ver com meritocracia.

E quando se trata de um operário numa fábrica hein, que passa oito horas produzindo engrenagens num torno? Como ele existem outros 1000 executando a mesma função, da mesma forma. E mais 1000 procurando o mesmo emprego. Se esse operário é capaz de produzir muito mais engrenagens que os outros, sobressaindo-se por sua eficiência e produtividade, torna-se um gerador de valor diferenciado e passa a ser disputado pelos concorrentes. todo mundo quer o cara, meu! Precisa ser melhor remunerado para não ir embora. Mas se ele é apenas mais um operário, na média, vai ficar ali naquela função até aposentar. Isso se não perder o emprego para uma máquina…

Mas, digamos que esse operário não seja um resignado. Ele quer mais. Decide trabalhar de dia e estudar de noite. Que dureza, cara! Aprende mais e conhece outras pessoas. Faz contas. Faz contatos. E um dia decide jogar tudo pro alto, vende seu carrinho, pega o dinheirinho, compra um torno e começa a prestar serviços para a fábrica onde trabalhava. Pela qualidade de seu trabalho vai progredindo e contrata um ajudante. Depois compra outro torno e um dia se vê dono de uma pequena indústria. Quantas histórias assim você conhece, hein? Ou esse exemplo é exceção? Tudo isso aconteceu pelo mérito daquele operário, que decidiu que queria buscar mais e saiu trabalhando duro e arriscou e deu certo.

– Ué, mas então bastou o cara trabalhar duro para ter seu mérito valorizado, Luciano!

Engano seu. Trabalhar duro ele já trabalhava como operário e ia passar assim o resto de seus dias.

Mas digamos que outro operário na mesma situação faça a mesma coisa. Aprende, conhece gente, vende o carrinho, compra um torno e começa a trabalhar por conta própria. E um dia quebra. Fica endividado e tem que sair à cata de emprego. Fez tudo que aquele outro fez, trabalhou tanto quanto, se esforçou da mesma maneira e… quebrou!

Você vai dizer que esse coitado vale menos que aquele outro?

Eu vou, ué! Sabe por quê? Porque estou falando de meritocracia, não estou julgando o ser humano, sua moral e costumes.

O primeiro operário conseguiu criar valor para alguém. O segundo, não. Ambos se esforçaram igual, ambos se arriscaram igual, ambos fizeram tudo direitinho, mas um deu certo e outro não. Um mereceu. O outro não.

Entendeu onde entra a meritocracia? Ela não julga o ser humano. Ela jxulga o valor que ele cria. E isso é muito mais que se esforçar…

Calma você aí que está com sangue nos olhos. Vai piorar…

Deixe então eu voltar e falar bem devagar e pausado o que é meritocracia: a pessoa merece ser remunerada pela quantidade de valor que ela gera para a empresa ou para a sociedade. Não é a quantidade de horas ou o esforço com que ela trabalha que importam, mas o resultado obtido pelas horas trabalhadas. O mérito vem do valor gerado e não do trabalho em si. Não estou pedindo a você pra se conformar com isso, estou apenas dizendo que é assim que funciona. Com o Juquinha do futebol, com a empregada, com a enfermeira, com o porteiro e com o presidente da multinacional.

Qual é a moral da história?

Qualquer um pode subir na vida sim senhor, mas vai ter que ser mais que a média dos que o cercam. Se é dentista, terá que ser mais que os outros dentistas. Se é jogador de futebol, terá que jogar mais que os outros. Se é faxineiro, terá que ser mais que um simples faxineiro. Se é professor, terá que ser “o” professor. Continuando a ser um funcionário esforçado, que se mata de trabalhar, você ficará aí mesmo.

– Ah, mas na minha empresa fui preterido numa promoção em favor da Regininha, que é mais gostosa e deve ter dado pro chefe!

Bem, vai desculpando aí, sabe, mas a Regininha criou mais valor pro chefe que você…

– Ah, o Osvaldo faz o mesmo trabalho que eu mas ganha mais, é protegido, o chefe gosta mais dele! E ele não merece, pô!

Bem, quem acha que ele não merece é você, mas alguém acha que sim, alguém vê nele mais valor do que vê em você.

– Ah, mas isso é uma injustiça!!! O Osvaldo teve mais oportunidades que eu!!!

Opa, estamos entrando naquele chororô que você conhece: ah, mas eu sou pobre, eu não tive as mesmas oportunidades que aquele outro que é filho de rico! Pois é… não teve mesmo. Bem-vindo ao planeta terra.

Saímos do território da meritocracia para tratar de outra coisa. Começamos a questionar a justiça da sociedade, o julgamento do chefe, as condições de partida de cada um… isso, meu caro, está antes da meritocracia. Ou daquilo que eu entendo como meritocracia.

Olha só: ter dinheiro nunca foi garantia de sucesso. Assim como não ter dinheiro nunca foi garantia de fracasso.

Ter dinheiro ajuda? Claro que sim. Facilita muito as coisas. Mas não serve como garantia. Sem mérito, a única coisa que quem tem dinheiro consegue fazer é gastar o dinheiro. Que um dia acaba.

Dinheiro, bolsa de estudos, amizades influentes e fama só servem a quem está disposto a construir mais. Sem esforço e trabalho duro o sucesso não se sustenta. E assim voltamos ao começo: ah, então é preciso trabalho duro e esforço?

Ué? Quem disse que não? Mas só isso não basta…

– Ah, mas e os exploradores? E os capitalistas selvagens?

Ora, de novo, bem-vindo ao planeta terra. Exploradores, oportunistas, ladrões, enganadores, malandros, existem aos montes. Gente que busca o sucesso às custas da riqueza dos outros. Alguns até trabalham duro, viu? Tem também a Regininha lá que deu pro chefe… É então que entra outro componente da equação da meritocracia: a moralidade.

Moral. Ética. Lembra que uma vez você ouviu falar disso, hein?

O patrão déspota, o que explora e oprime, o que pressiona psicologicamente, o que não dá condições de trabalho, existe sim. E não são poucos, viu… Mas pare e se pergunte. O que é que você está fazendo aí, trabalhando com esse idiota? Esse sujeito não tem moral, pô! E você só se submete a ele porque quer. A culpa é sua!

– Ah, Luciano, mas não tem emprego!

Bem, então cara,  conforme-se! Ou crie um plano B. Se o trabalho de seus sonhos não existe, troque de explorador. Ao menos você terá a oportunidade de mandar aquele primeiro à merda.

Mas continue atento, buscando uma oportunidade. Uma saída. Só não dá para continuar como o bovino que faz mimimi. Livre-se das pessoas que não são capazes de reconhecer seu valor. Mas antes disso, assegure-se de que você tem algum valor a ser reconhecido, além de ser o pobre funcionário esforçado que se mata de trabalhar.

Muito bem. Mas e aquele mendigo que não teve oportunidades, hein? E a criança mal alfabetizada, mal alimentada? E o sem teto, o sem camisa, o sem carro, o sem futuro?

Bom. O que é que isso tem a ver com meritocracia?

Tem gente que jura que eles só existem por causa da meritocracia, que os deixou de fora da festa. Olha aqui: esses problemas sociais estão antes da meritocracia. A sociedade precisa cuidar dessas carências, criar programas de reinserção social dessas pessoas, dar a elas as condições para que possam começar a girar a roda da geração de valor. Para que entendam a importância do valor gerado pelo trabalho. Para que despertem sua veia de empreendedorismo.

Ah, mas então você está apoiando as políticas sociais do governo, Luciano?

Claro que sim. Mas primeiro, note que eu disse “sociedade”, não disse “governo”. Apoio todas as políticas sociais que obedeçam a lógica e que nascem do desejo real de ajudar as pessoas a superar as dificuldades de largada. Mas não só isso. Apoio as iniciativas individuais, organizações independentes, os indivíduos altruístas, os clubes e organizações que se mobilizam para cumprir uma parte importante da tarefa que o estado, pelo seu tamanho, ineficiência e incapacidade de cuidar bem do dinheiro dos outros, não cumpre. E mais uma vez: esses problemas sociais nada tem a ver com meritocracia. Eles estão antes dela.

Não vivemos mais no século 18. Aquele conceito do nobre que nasce nobre e será nobre pelo resto da vida, do plebeu que nasce plebeu e será plebeu pelo resto da vida, não existe mais. Aquele rico da caricatura dos programas de humor até existe, mas é uma minoria. E é tudo uma questão de inteligência: só serei bem sucedido se as pessoas que consomem meu serviço, meu produto, forem bem sucedidas. Quero que meus leitores e ouvintes tenham um carro melhor, uma casa melhor, uma educação melhor. Quero ver cada vez mais gente repetindo a história que mais conhecemos no Brasil: a do retirante, imigrante, que chega com uma mão na frente e outra atrás, educa às duras penas seus filhos, que terão um emprego e remuneração melhor que seus pais, e darão a seus filhos condições ainda melhores para mudar de vida, de patamar.

Quem sabe até se transformando em presidente da república.

É assim que a humanidade evolui. E algumas pessoas têm o mérito de puxar essa evolução para cima, criando valor e sendo remuneradas por isso. Ainda bem que essas pessoas existem!

Muito bem, então aceite que é assim que você será medido: pelo valor que você gera para os outros. Você será promovido se gerar valor, ganhará dinheiro se gerar valor, será reconhecido se gerar valor.

Sem gerar valor você é invisível. Isso é meritocracia e não é assim porque o capitalismo quer.

É assim porque somos seres humanos.

Pra valorizar
Diogo Nogueira

Tudo que se quer na vida é possível conquistar
Basta suar a camisa, a própria vida avisa
O momento de avançar, enfim realizar
O que a gente cansou de sonhar

Já é, pode crer que jajá vai chegar tua vez
Apesar de se arrepender de alguma coisa que se fez
Valeu pra servir de lição
Quem sabe pra manter os nossos pés no chão

É pra valorizar o amor de quem gosta da gente
Quem fecha com a gente, tá sempre com a gente
Em qualquer situação…
E é pra valorizar amor de mãe, amor de pai
Amor família e da mulher que habita em nosso coração
Amor de amigo, amor de irmão…

Ufa! como eu disse, este é apenas o primeiro programa sobre o tema. Na semana que vem tem mais um e talvez depois, mais um. Guarde as flores ou as pedras até lá.

E é assim, ao som de PRA VALORIZAR, de Diogo Nogueira, que vamos saindo de mansinho.

Com o merecedor Lalá Moreira na técnica, a meritória Ciça Camargo na produção e eu, que trabalho pra caramba e estou muito longe de ficar rico, mas eu acho que mereço, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Caio, Diogo Nogueira e a trilha do Game of Thrones.

Sabe quem é que entende dessa coisa de mérito? É a Pellegrino, que além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora. Conheça. E se delicie.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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Não esqueça também do Viber, o aplicativo que você devia baixar aí no seu celular …. Tem um grupo chamado, Podcast Café Brasil por lá. Eu estou passando ali informações, que só quem está no grupo recebe.

E para terminar, é claro, vamos com Aristóteles:

A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las.